domingo, 29 de setembro de 2013

TROIA II - DESTRUIÇÃO DE TRÓIA OU DE HATUSSA? Por Artur Felisberto.

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O CAVALO DE TRÓIA

Parece assim que um “cavalo de pau” dedicado a Atena Hippias, a Hipona dos celtas não seria nada que pudesse levantar suspeitas de impiedade. Na verde, pelo menos Heródoto refere que os troianos do tempo de Xerxes ainda adoravam esta deusa.

Hipona < KiKona < Kiphiana < *Kiki-Ana > Ash-Ana > Atana > Atena.

On reaching the Scamander, which was the first stream, of all that they had crossed since they left Sardis, whose water failed them and did not suffice to satisfy the thirst of men and cattle, Xerxes ascended into the Pergamus of Priam, since he had a longing to behold the place. When he had seen everything, and inquired into all particulars, he made an offering of a thousand oxen to the Trojan Minerva, while the Magians poured libations to the heroes who were slain at Troy. Heródoto - VI.

A fama de artificioso guerreiro devida ao manhoso Ulisses tem pouco de original pois já fazia parte da tradição enquiana de Hermes e Hefaístos. No entanto, este episódio táctico tem tanta aparência de naturalidade que dá para desconfiar da sua tão notória plausibilidade já que nela chega mesmo a haver uma baixa entre os heróis aqueus numa situação de extremo realismo.

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Figura 8: Idealização em versão arcaica do “Cavalo De Tróia”. Claro que esta representação dos guerreiros deitando as suas armas por janelas abertas no tronco e no pescoço do cavalo como se este fora um autocarro moderno de dois andares é mais futuristas do que realista porque a saída deveria estar muito bem disfarçada a nível da articulação da mandíbula, e trancada por dentro.

No entanto esta representação serve para tornar plausíveis as proporções dum objecto com a forma dum “cavalo de pau”. Nesta representação podem ver-se sete guerreiros dentro do “Cavalo de Tróia” e outros sete, já equipado, de fora, pelo que a capacidade total do “Cavalo de Tróia” poderia andar à volta duma dúzia de guerreiros que, visto serem os líderes tribais dos helenos, seriam suficientemente valentes e disciplinados para uma manobra de emboscada, típica dum filme de acção do moderno cinema americano.

While the Achaeans were inside the Wooden Horse Helen went round it and called the names of different Achaean commanders, imitating the voices of each of their beloved wives. Such artistry is best performed by a child of Zeus: she did it with such a skill that Anticlus would have answered from the Wooden Horse dark interior, but Odysseus held fast his mouth, and when he tried to escape the pressure of the hands Odysseus held him harder and Anticlus lost his breath and died.

Mas até a desconfiança dos troianos parece ser demasiado previsível!

No entanto, há que notar que esta aparece no contexto duma lógica tipicamente pagã. Se os troianos eram tidos como temerosos dos deuses deveriam ter profetas e adivinhos que lhes permitissem descobrir o logro do “cavalo de Tróia”! E, de facto, tiveram esses profetas e adivinhos que nem sequer precisariam de ter verdadeiros dons divinatórios nem percepção extra-sensorial. Bastar-lhe-ia apenas o despeito relativa a uma deusa de que não eram sacerdotes e a sensata desconfiança relativamente a tudo o que pudesse vir duma potência que lhes era nesse momento politicamente rival! De resto, a suspeita de que já então a rivalidade entre devoções a patronos deferentes seria possível agiganta-se se nos lembrarmos que estamos possivelmente perante o embrião duma rivalidade entre dois deuses irmão.

Atena º Artemisa, irmã de Apolo! Ora, poderá ver-se em reflexões sobre Artemisa que os cultos desta Deusa Mãe se realizavam em santuários que eram também locais da «águas santas» e centros curativos e sibilinos.

 

Ver: *KIMA (***)

 

Assim era em Delos santuário onde se viriam a localizar importantes núcleo de desenvolvimento médico patrocinados por Apolo que, nem de propósito, os teria roubado à Deusa Mãe, quiçá na época da «guerra de Tróia».

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Figura 9: «Carros de guerra» conduzidos por deusa aladas da Vitória, seguramente Atena Nikê.

Sobretudo, haveria que perguntar se os aqueus micénicos poderiam já revelar-se tão astutos quanto foi Ulisses neste episódio da guerra de Tróia, simultaneamente tão ímpio quanto temerário! Pois bem, não eram os micénicos os descendentes dos piratas cretenses de quem os fenícios viriam a herdar mais tarde todas as virtudes e defeitos da astúcia habitual em comerciantes e marinheiros?

The Hittites used horses to pull chariots, which were also their invention. They were vehicles with two six-spoked wheels, which carried into battle a driver and a warrior armed with a lance. The intervention at Kadesh of fourteen hundred chariots constituted a veritable revolution in military technology which enabled the Hittites to destroy the Egyptian army in a few hours. It is said that the unexpected speed of the result encouraged the Hittites to start looting, thus allowing the fleeing Egyptian forces to turn about for a surprise counter-attack. The battle thus never reached a decisive conclusion. --

E não devemos esquecer que Atena tinha os aqueus, de que os atenienses seriam o clã mais numeroso, como seus protegidos! O que terá levado os aqueus a pensar que os troianos iriam raptar esta estátua equestre da deusa Atena de madeira? Terá sido a convicção de que os hititas troianos seriam um povo tão respeitador das tradições religiosas (facto que, aliás, podemos comprovar noutros contextos da história dos hititas) que iriam neste caso acolher na sua cidade esta deusa equestre abandonada na praia pelos gregos supostamente em fuga?

Ora, terá sido esta a razão que justificou o sacrifício de Ifigénia.

 

Ver: SACRIFÍCIO DE IFIGÉNIA

 

A deusa ofendida tinha sido precisamente um heterónimo de Artemisa.

De facto, nesse tempo lendário da guerra de Tróia, Esparta seria ainda micénica e Menelau, o seu rei, um descendente minóico e sacerdote de Artemisa na variante que viria a ser a Minerva romana.

Menelau < Min-Erau < Min-Heraw > Minerwa

Em seguida, indo a Esparta e sendo recebido cordialmente por Menelau, raptou-lhe a esposa Helena e levou-a para Tróia. Diante dessa afronta, toda a Grécia ardeu de indignação. Um grande exército foi armado e partiu do porto de Áulida com destino a Tróia. Era formado por cem mil homens sobre 1186 naus, chefiado pelo mais valoroso príncipe de sangue aqueu: Agamémnon, rei de Argos; o próprio Menelau; o prudente Ulisses, rei de Ítaca; o sábio Nestor; Aquiles, o mais forte; Ajax Telémon o mais forte depois de Aquiles, Ajax Oileu, Diomedes, Pátroclo, o amigo íntimo de Aquiles.

Após a morte de seu maior campeão, os gregos resolveram recorrer à astúcia nos seus esforços para capturarem Tróia, que tinha aguentado o seu cerco por dez longos anos. O «Cavalo de Madeira» é considerado como sendo ideia de Ulisses, enquanto o artesão responsável por sua confecção foi Epeios.

Epeo da Élida (en grego 'Epeiós ho Eleíos') foi o filho e sucessor de Endimião, rei da Élida. Endimião teve cinquenta filhas com a deusa Selene, ou, mais provavelmente, teve três filhos Paeon, E-peu e E-tolo, e uma filha, Euricida.

Na mitologia grega, Epeu, filho de Pan-opeu, foi o construtor do Cavalo de Tróia.

Epeo < E-pe(us) <= Pan-Ope-(us)

Epeo < E-pe(us) ó Pa-e-on ó Pé-on => E-Opha, lit. “templo da Cobra”.

Assim sendo, se Epeu nada tinha a ver com o étimo Epi- de “estar sobre”, a menos que seja semântica implícita a um altar de cobras, podemos suspeitar que o “cavalo de Tróia, se não foi a causa pelo menos pode ter sido um reforço para a fixação do étimo Epi- da elevação decorrente do nome do seu construtor, Epeo, o que, mais do montar um cavalo cometeu a elevada façanha de construir um bem alto que onde os aqueus montaram a mais célebre cilada da lendárias ciladas!

Epeios ç Hipo-eios, lit. “o que monta cavalos”, ou seja, o cavaleiro!

Com um nome tão literalmente concordante com a profissão quem pode acreditar que grande parte desta epopeia não tenha sido o resultado de múltiplos equívocos que não terão sido meramente semânticos!

Ao ficar pronto, um grupo composto dos gregos mais corajosos entrou dentro dele, incluindo o próprio Ulisses e Neoptólemo, filho de Aquiles. O restante das forças gregas queimou suas cabanas e partiram nos barcos, indo somente, entretanto, até a ilha de Tênedo, onde aportaram e esperaram. Os troianos, mal podendo acreditar que os gregos tinham se retirado, espalharam-se pela planície, ficaram maravilhados com o cavalo de madeira e lembravam uns aos outros onde ficava o acampamento grego.

Logo, alguns pastores encontraram um único grego que tinha sido deixado para trás, Sinon, que lhes contou que os seus compatriotas quiseram sacrificá-lo para conseguir um vento favorável para a travessia; tinha conseguido escapar com dificuldade das correntes com as quais estava preso.

Sinon, lit. «Sinão, o Sr. Sino que tudo canta e reconta»?

Esta história despertou a compaixão dos troianos, de modo que ficaram dispostos a acreditar no restante de seu relato. Disse que os gregos, acreditando que Atena tinha se voltado contra eles, tinha decidido velejar de volta e tentar conseguir novamente as graças divinas que a expedição possuía originalmente. Tinham construído o cavalo para agradar Atena, e o fizeram deliberadamente grande, de modo que os troianos não pudessem levá-lo para dentro de suas muralhas. Se o Cavalo entrasse em Tróia, a cidade nunca seria tomada; se ficasse de fora, os gregos acabariam voltando e arrasariam a cidade até os alicerces.

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Figura 3: A morte de Cassandra às mãos de Aquiles, junto ao altar de Apolo. Notar que a representação de Apolo corresponde a um kauroi o que confirmará também a suspeita de que todos os célebres «couros» arcaicos mais não eram de que estátuas deste deus.

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Figura 4: Cassandra é violentamente arrastada para a morte diante do paladion. Tal demonstra que este era de facto uma estátua de Atena de que esta sacerdotisa era uma servidora.

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Figura 2: Ajax prepara-se para matar Cassandra, junto ao altar de Apolo.

Se existe veracidade na tradição das imagens anteriores, o culto de Atena andava associado ao culto de Apolo que, em tempos arcaicos, seria supostamente seu filho. Quem é que hoje em dia iria acreditar numa história tão ingenuamente inverosímil! Obviamente que bem poucos o que, em boa verdade, levanta a suspeita de que quase tudo nesta lenda ser um mero enredo de Homero, o grande guionista da saga da “guerra de Tróia”!

E a prova de que já ao próprio autor não teria passado desapercebida tal inverosimilhança da patranha do “cavalo de Tróia” é que este não se dispensou de dar uns laivos de credulidade incluindo na complexa trama do enredo referências a alguns sépticos de profissão, que sempre os houve tal como o “velho do Restelo” nos lusíadas de Camões ou ainda hoje no habitual papel de um qualquer político da oposição, tais como sacerdotes, adivinhos e profetas não fosse alguém ousar a impiedade blasfema de por em dúvida a sua universal eficácia. Na verdade, tudo aponta para que o regime religioso dos troianos fosse de facto o mesmo do dos Aqueus.

Sendo assim há que explicar as motivações que terão levados os Aqueus a construírem um o cavalo para agradar Atena, ou melhor, explicar as razões míticas da plausibilidade deste engodo! Ora, de facto Atena era entre os gregos a deusa protectora dos cavalos!

Epona = The ancient Gaulish goddess of horses, mules, and cavalrymen. She was worshipped throughout entire Gaul, and as far as the Danube and Rome. Her cult was eventually adopted by the Roman army and they spread her worship wherever they went. Epona is depicted sitting or lying on a horse, or standing with multiple horses around her. Her symbol is the Cornucopia ("horn of plenty") which suggests that she could (originally) have been a fertility goddess. She is also identified with the Celtic goddess Edain (= The Celtic goddess who is associated with horseback-riding. She is probably equivalent to the Gaulish goddess Epona) ç Etain (= Etain (Shining-One) was the triple goddess of the sun, water, horses, fragrance, beauty, music and the transmigration of souls).è Hippona = The Roman goddess of horses. Her image is derived from the Gallic goddess Epona, whose cult was adopted by the Roman soldiers. She was a beautiful girl said to have been the offspring of a man and a mare. Also called Bubona, she was identified with the Greek deity Hippa and Rhiannon by the Celts. (See: Euippe, Hippa, Poseidon).

As deusas da cornucópia eram deusas da fertilidade e da fortuna por estarem ligadas aos cultos agrários da Terra, a “Virgem Mãe” primordial da “vida e da morte” em quase todas as mitologias arcaicas (de que a excepção mais conhecida parece ser o Egipto)!

Ora Atena, enquanto uma típica deusa guerreira (que foi inicialmente, qual Tiamat, tão “má como as cobras” do seu aegis!) deve ter pertencido a este grupo de virgens mães de cultos de morte e ressurreição solar como teria sido o caso de Etain.

 

Ver: CORNUCÓPIA (****) & FORTUNA (****)

 

XLVII. The present image at Tegea was brought from the parish of Manthurenses, and among them it had the surname of Hippia (= Horse Goddess). According to their account, when the battle of the gods and giants took place the goddess drove the chariot and horses against Enceladus. Yet this goddess too has come to receive the name of Alea among the Greeks generally and the Peloponnesians themselves. On one side of the image of Athena stands Asclepius, on the other Health, works of Scopas of Paros in Pentelic marble. --- Paus. 8.47.1

Como se vê não existe uma etimologia imotivada para o nome grego dos cavalos. Na verdade, etimologicamente assim falando, o «cavalo» (< kaphalo > Hippola) até poderiam ter tido a mesma origem das cobras (= Grec. ophis).

Thirty stades distant is Thyrides, a headland of Taenarum, with the ruins of a city Hippola; among them is a sanctuary of Athena Hippolaitis. --- Paus. 3.25.9

Athena Hippolaitis = Atena Artemísia, irmã de Apolo

< de Hippola < Kiph-Pala < *Kiki-Kura > Ishkur > Istar.

Hippia < Ki-phia > Kapha > hauphia > Grec. ophis < Kikikia.

There is also pointed out a place called the Hill of Horses, the first point in Attica, they say, that Oedipus reached -- this account too differs from that given by Homer, but it is nevertheless current tradition -- and an altar to Poseidon, Horse God, and to Athena, Horse Goddess, and a chapel to the heroes Peirithous and Theseus, Oedipus and Adrastus. --- Paus. 1.30.4

At the starting-point for the chariot-race, just about opposite the middle of it, there are in the open altars of Poseidon Horse-god and Hera Horse-goddess, and near the pillar an altar of the Dioscuri. [6] At the entrance to what is called the Wedge there is on one side an altar of Ares Horse-god, on the other one of Athena Horse-goddess. --- Paus. 5.15.6.

Assim sendo teria que ficar explicada a razão da falta de previsão profética dos troianos perante o logro do “cavalo de Tróia”!

Assim, Cassandra, uma das pitonisas antigas, filha do próprio rei de Tróia, era uma sacerdotisa troiana de Atena, mas que, por causa duma maldição, nem Lacoonte lhe poderia confirmar o mesmo parecer profético com base nas mesmas suspeitas que ele próprio já teria!

Sendo assim, natural seria que esta tivesse uma palavra a dizer sobre o “cavalo de Tróia” supostamente dedicado a Atena.

Uns poucos troianos desconfiaram do Cavalo e ficaram relutantes em trazê-lo para dentro das muralhas. A profetisa Cassandra, filha de Príamo, cujo destino era que suas profecias nunca tivessem crédito, alertou sobre a morte e a destruição que a entrada do Cavalo traria a Tróia.

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Figura 5: Uma das mais dramáticas e bem concebidas criações artísticas da escultura maneirista do helenismo é precisamente esta estátua do museu do Vaticano relativa à morte de Laocoonte e dos filhos deste sacerdote troiano. No entanto, se alguma veracidade existiu neste episódio ele deve ter decorrido dum trágico acidente durante a recolha de cobras necessária aos rituais terapêuticos dos santuários de Apolo.

Tal como ainda hoje, mas sobretudo então, a credibilidade para predizer o futuro dependia quase que inteiramente da reputação que os deuses concediam aos mortais.

Laocoonte, o sacerdote de Poseidon, fincou sua lança contra os flancos do Cavalo, que ressoou com os tinidos dos homens armados, e declarou que temia os gregos, mesmo quando eles davam presentes.

Mas, enquanto preparava um sacrifício ao deus que servia, duas grandes serpentes surgiram do mar e estrangularam primeiro seus dois jovens filhos e a seguir o próprio Laocoonte, antes de se refugiarem sob o altar de Atena. Com este augúrio, os troianos não hesitaram mais e começaram a mover o grande Cavalo para dentro de suas muralhas, derrubando suas fortificações de modo a poder fazê-lo. – [1]

The reason of the calamity, which befell Laocoon, is explained by Servius on the authority of Euphorion. He tells us that when the Greek army landed in the Troad, the Trojans stoned the priest of Poseidon to death, because he had not, by offering sacrifices to the sea god, prevented the invasion. Accordingly, when the Greeks seemed to be departing, it was deemed advisable to sacrifice to Poseidon, no doubt in order to induce him to give the Greeks a stormy passage. But the priesthood was vacant, and it was necessary to choose a priest by lot. The lot fell on Laocoon, priest of the Thymbraean Apollo, but he had incurred the wrath of Apollo by sleeping with his wife in front of the divine image, and for this sacrilege he perished with his two sons. This narrative helps us to understand the statement of Apollodorus that the two serpents were sent by Apollo for a sign.

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Figura 1: Ataque dos Aqueus ao templo de Cassandra!

Como testemunho directo temos apenas os vestígios de uma destruição total de Hattusa pelo fogo. Outros locais anató1icos conheceram a mesma sorte, sem que se possa afirmar se foi na mesma altura, nem a fortiori obra do mesmo inimigo. A destruição da capital arrastou consigo o desaparecimento das estruturas políticas, religiosas e administrativas do Império, mesmo que grupos hititas tenham podido manter-se aqui e ali na Anatolia. O uso da escrita cuneiforme cessou bruscamente, o que nos priva de documentação escrita.

As raras inscrições hieroglíficas atribuíveis aos sécs. XII-XI não fazem mais do que atestar a sobrevivência das tradições do grande império anatólico.

É óbvia a contradição deste trecho. Seguramente que tais inscrições terão que ser criticamente redatadas a menos que se tratem de inscrições tumulares em localidades isoladas e perdidas no meio da Anatólia ou então fazem parte do chamado período neo-hitita!

Por outro lado, o inicio do séc. XII foi um período agitado em todo o Próximo Oriente. A Mesopotâmia e a Síria começavam a sofrer os afeitos das migrações de um povo nómada, os Arameus. Em Emar, posto avançado hitita no médio Eufrates, o últimos documentos são datados de 1187. No ano VIII do seu reinado, o faraó da XX dinastia, Ramsés II, conseguiu esmagar, mas apenas no Delta, os «Povo do Mar». Estes invasores tinham vindo pelo Sul da Anatólia e pela costa síria, destruindo tudo à sua passagem e pondo fim à existência de Ugarit. É difícil atribuir-lhes igualmente a destruição do centro do Império Hitita. Mas este ficou com isso muito provavelmente enfraquecido. Quanto à identificação de quais foram os que beneficiaram desse enfraquecimento, estamos reduzidos a conjecturas. Podemos optar entre os Gastas e os Frígios. Os primeiros são provavelmente assinalados no Aturo oriental por Tiglate-Pileser I da Assíria (1112-l074); o seu passado não deixa de assinalar expedições destruidoras ao pais hitita. Os segundos teriam vindo dos Balcãs ao sabor dos movimentos de populações do inicio do séc. XII. Quando se fizer luz de novo sobre a Anatólia central, vê-los-emos instalados em vez dos Hititas. Homero cita-os entre os aliados dos troianos. Os arqueólogos detectaram um nível de ocupação frígio no local do que fora Hattusa.

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Figura 2: Ajax prepara-se para matar Cassandra junto ao altar.

 

“INVASÕES DÓRICAS”

Não terão sido guerrilhas religiosas consequentes a estas perturbações do, sempre frágil, equilíbrio da dominação político hitita que terão desencadeado a “Guerra de Tróia” a que se seguiriam reactivamente as “Invasões Dóricas” e, numa segunda vaga reactiva ou por arrastamento, o fenómeno dos “Povos do Mar” em fuga a esta invasões?

Afinal, por grande ironia da história, os troianos acabariam por se vingar dos seus ingratos irmãos micénicos invadindo posteriormente a Grécia tão selvaticamente quão haviam sido antes destruídos na guerra de Tróia, a menos que a tradição homérica ande toda ela virada do avesso! Os troianos não seriam mais do que os hititas que invadiram a Grécia com o nome de Dórios numa das suas muitas incursões e de temtativas de imposição do domínio do imperio hitita a ocidente!

The Dorians worshipped male gods instead of fertility goddesses and adopted the Mycenaean gods of Poseidon, Zeus and Apollo, paving the way for the later Greek religious pantheon.

De facto, Dórios, povos dos montes da Anatólia possivelmente relacionados com a lendária cidade de Tróia, os crentes e adoradores do deus das tempestades, Taru dos hattis[2].

Dórios < Thorihus < Taur kius > Turcos

                                                  > Taru-kiha > Troia < Troy < Truva

< Turwa < *Turka.

Towards the end of the twelfth century BC, the invasion of barbarians originating in the north-west, the Thracians, put an end to the Hittite Empire. The civilized world was thus overturned-the so-called Dark Age began.

Ora, não será estranho que o nome da Anatólia (< Ana-Turi-Ka) lit “o céu na terra do touro” ou a terra do “Touro Celeste” e da «Turquia» pareçam fazer jus ao nome deste deus? Não se chama Tauro ao maciço rochoso mais importante da Anatólia? Não eram os troianos da Ásia anatólica? Enfim, não era o nome de Tróia pouco mais do que uma referência a terra da Turquia na porção da ásia mais próxima das costa europeias do mar Egeu?

Troy (Truva) located on Hisarlik at Canakale, one of the Turkish city in west of Dardanels.

Excavations were resumed by Carl W. Blegen, confirming the existence, all told, of nine levels of cities (Troy I-IX). The first settlements, dating to around 3000 B.C., refers to the existence of a large fortified structure. The phase known as Troy I lasted about five centuries and ended with a fire. Troy II, larger and more evolved, was also burned to the ground. Nothing basically new is revealed in the successive Bronze Age settlements, at least until the phase known as Troy VI, the period of greatest splendor in the complex vicissitudes of Troy. Around 1300 B.C. a serious earthquake struck the city. It was immediately rebuilt and gave us what we know as Troy VIIa, identified by scholars as the legendary city described in the Iliad. Tradition indicates 1184 B.C. as the year in which classic Troy fell, and archaeological evidence also dates the end of this phase around 1200 B.C., followed immediately by the one known as Troy VIIb (1200-1100 B.C.). After a long period of abandon, the old location was once more settled in 700 B.C., when a small village rose on the site of the Bronze Age fortifications. The phase Troy IX refers to the Hellenistic and Roman periods. After this began a slow but inexorable period of decadence and degradation which climaxed in the disappearance of the city around the 5th century A.D. All trace of Troy then vanished and the city, lost and forgotten, survived solely in the pages of Homer until Schliemann's sensational discovery, which constitutes one of the fundamental pages in the history of modern and contemporary archaeology.

 

Ver: CANIBALISMO (***)

 

Mas, se Troia foi hitita como se comportaram os espartanos, supostos descendentes directos dos dórios, na guerra de Troia???

Declarando-a!!!

E por causa do rapto duma mulher de nome helénico, Helena!

 

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Figura 6: Menelau & Helena.

At the time when Thyestes, Menelaus' uncle was king of Mycenae, both Menelaus and his brother Agamemnon, had to leave the country. (…) Menelaus married Helen, daughter of Tyndareus or, as some say, daughter of Zeus. (...) Menelaus was king of Sparta after Tyndareus. (...) When Menelaus learned of the rape of Helen by Paris, he came to Agamemnon at Mycenae, and begged him to muster an army against Troy. He became Leader of the Lacedaemonians against Troy.

When some time later Menelaus learned, while he was in Crete, that the Trojan seducer Paris, who had come to Sparta, on leaving the city had stolen his wife Helen and many treasures, he came, as soon as he could, to his brother Agamemnon at Mycenae, to raise an army against Troy.

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Como sabemos os tesouros estavam sempre guardados nos templos pelo que só podemos estar perante um mero episódio de invasão bélica da capital do reino micénico de Esperta onde Helena seria uma deusa lunar, variante de Artemisa, ou talvez a suprema sacerdotisa desta deusa, levada para a sua capital pelos hititas com o respectivo clero, segundo o costume oriental de “guerra total” que justificou a deportação dos sacerdotes judeus de Jerusalém para a Babilónia, de modo a conquistarem não apenas a terra como o céu dos vencidos.

In Celtic mythology, Elaine (Lily-Maid) was a virgin goddess of beauty and the moon. She was the matron of road-building and a loveable leader of hosts.

Como se vê, os celtas adoravam Elaine, a virgem dos lírios, uma bela deusa virgem e lunar como Artemisa cujo nome era uma óbvia variante do nome de Helena. Seria uma corruptela do mito homérico ou a prova de que Homero inventou esta história a partir duma relação lendária com o rapto duma deusa com o mesmo nome?

Ora bem, terá sido este bom hábito de acarear os deuses e o clero dos vencidos que terá sido fatal para os troianos por ter estado na origem do episódio do “cavalo de Tróia”.

Odysseus invented the construction of the Wooden Horse, which became the ruin of Troy, and suggested it to the architect Epeius, who felled timber on Ida and constructed the horse with a hollow interior and an opening in the side. Following the advice of Odysseus they introduced the best warriors into this dangerous piece of art and after appointing Odysseus their leader, they engraved on the horse a treacherous inscription: "For their return home, the Achaeans dedicate this thank-offering to Athena". [Apollodorus, Epitome 5.15]

 

Ver: EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA (***)

 

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Figura 7: “Rapto de Helena”. Tal como se sugere nesta imagem dum vaso grego o rapto de Helena estaria longe de ter sido um acto hediondo e violento pois, não só aqui é representado como uma vulgar cena de casamento, com pleno consentimento de ambos os envolvidos e apoio dos respectivos acompanhantes, como parece ter tido a bênção do deus do amor que aparece esvoaçante entre o casal de noivos de mãos dadas! De facto, em sociedades patriarcais em que os casamentos tendiam a ser intrigas de bastidor e alianças políticas os casamentos por amor ficavam reservados aos que resultavam de raptos apenas possíveis com a cumplicidade dos amigos e companheiros dos envolvidos! Ora, por ter havido neste caso uma subversão do direito patriarcal em proveito do direito natural é que o “rapto de Helena” deixou de ser um mero caso de «amor contrariado» para ser um caso de geopolítica a pretexto de graves alterações na prática consuetudinária dos casamentos de conveniência e por “razões de estado”!

The Trojans seem to have had more courage than brains, for in spite of the years' experince in fighting against the wily Greeks, they tore down the wall and dragged the horse inside the city. Laocoon, the Trojan priest who tried to warn them not to trust Greeks, was crushed to death with his two sons by sea serpents sent by that old enemy of Troy, Poseidon. The Greeks hidden in the horse took the city by night and won the long war.

There is also pointed out a place called the Hill of Horses, the first point in Attica, they say, that Oedipus reached -- this account too differs from that given by Homer, but it is nevertheless current tradition -- and an altar to Poseidon, Horse God, and to Athena, Horse Goddess, and a chapel to the heroes Peirithous and Theseus, Oedipus and Adrastus. -- Pausanias, Description of Greece, 1.30.4.

 

ENEIAS

A tradição Apolínea, vindas das sumérias terras dos Apkallu, passou incólume para a cultura clássica quase que seguramente por intermédio dos povos da Anatólia. A partir desta origem iria chegar aos latinos pela Etrúria, na bagagem de Eneias.

From Troy, we must not forget, came Aeneas, the son of Anchises, Prince of Troy, and Aphrodite. Aeneas, escaping from the burning city, wandered about the Mediterranean in search of a secure place. He and his followers fled to Thrace, to many of the Aegean islands including Crete, to Africa, and finally to Italy. Aeneas, the Trojan from Asia Minor, was the anchestor of Romulus and Remus, who founded Rome. Coming full circle, the Romans conquered their founder's old enemy, Greece. MythologyMain

Pois bem, esta inquietante e estranha cumplicidade entre a cultura romana e a anatólica, permite-nos desconfiar de que a Eneida de Virgílio, um dos mitos fundadores da cidade de Roma que foi usado, até ao abusivo delírio retórico, pela política romana, não seria tanto essa «canção do vigário» encomendada pelos Césares como pretexto subliminar para a legitimação do seu domínio sobre a velha cultura grega na medida em que esta que passaria a ser encarada, no plano da virtualidade metafórica, como uma vingança histórica dos descendentes troianos com que os romanos oportunista e oportunamente assim se identificavam, uma vez que pode bem ter acontecido que Eneias tenha sido uma figura semi-lendária relacionada com alguns refugiados da tragédia da derrota na guerra de Tróia.

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Figura 10: Eneias, fugindo da destruição de Tróia, transporta às costas Anquises, seu pai, com destino à Itália! Na verdade estamos perante uma deturpação retórica dum facto que pode ter sido histórico. Depois dos graves e desastrosos acontecimentos que se sucederam à queda do império hitita muitos anatólicos terão demandado o ocidente como emigrantes forçados, precedendo, deste modo, em vários séculos os gregos que criaram a «Magna Grécia»!

Em boa verdade, Eneias, mesmo que filho dum Anquises histórico nunca poderia ter sido filho de Vénus a não ser enquanto metáfora dum «filho da puta», como são afinal e sempre os afortunados «filhos da mãe»! Ora, para que não houvesse desnecessária ofensa para ninguém a única conclusão lógica a tirar com implicações éticas seria a que nos permitia chegar à lucidez de que só por pura misoginia de espírito se poderia ter chegado a esta situação obtusa de os cristão adorarem Cristo, um filho ilegítimo porque concebido pelo Divino Espírito Santo no seio de Maria, casada com o carpinteiro José, continuando a vituperar as prostitutas! Na verdade, em todas as mitologias arcaicas, os filhos divinos da Virgem Mãe foram sempre deuses solares e filhos da Lua, a deusa dos Amores apaixonados!

 

Ver: MITRAS (***)

 

Na verdade, Anquises não seria senão um nome genérico dos filhos dos sacerdotes destes refugiados troianos, “filhos dos filhos” de Enki (> Enki-ish-ish) enquanto Eneias, seria o nome dos sacerdotes de Enki (< En-Ea-ish) ou uma variante dos Anunaki, filhos de Inana, ou de Ishtar. Claro que, se tal tese pudesse ser inequivocamente demonstrada, poderíamos declarar que existe neste mito uma inversão de gerações pois que a entidade mais velha deveria ser Eneias. No entanto, a posição deste herói, seguramente mítico, pode manter-se a mesma se aceitarmos que os “filhos dos filhos” seriam netos de hititas e logo, bem poderiam ser crianças enquianas às costas dos mesmos sacerdotes, filhos do divino “pai Enki”. Porém, o caminho prosseguido por estes troianos não de todo em todo uma senda aventurosa por rotas desconhecidas.

On the fall of Ilium, some of the Trojans escaped from the Achaeans, came in ships to Sicily, and settled next to the Sicanians under the general name of Elymi; their towns being called Eryx and Egesta.

Fazendo parte, seguramente, de uma das várias colónias da talassocrassia cretense estes refugiados troianos seriam apenas colonos anatólios desta mesma cultura marítima que, na insegurança geral do sec. XII a.C., tiveram que demandar as costas ocidentais. E nem sequer seriam os únicos suspeitos de serem refugiados troianos pois vários outros se reclamaram também de o serem.

Westward of the river Triton and adjoining upon the Auseans, are other Libyans who till the ground, and live in houses: these people are named the Maxyans. They let the hair grow long on the right side of their heads, and shave it close on the left; they besmear their bodies with red paint; and they say that they are descended from the men of Troy. Heródoto - IV.

The Paeonians, they said, were colonists of the Teucrians from Troy. Heródoto - V.

Alguns foram até à foz do Tibre, na qualidade de tirrénios, tarquínios ou estruscos.

Tirrénios < Tyranios < Turanios < Trauanos > Troianos.

Tarquínios < *Taur-ki-anos < Traukianos > Trajanos > Tursha

< Turkisha = Ish-Turka > Ex-Truca > Etrusca > Etrúria.

Os Tarquínios seriam assim troianos da realeza que dominou os primórdios de Roma e que vieram dar origem à civilização e a Etrusca seriam costas sobejamente conhecidas pelos marinheiros pelágicos da mesma talassocracia cretense.

 

Ver: APLU (***)

 

The Pelasgians similarly have links with the Maeonians or Lydians. These people emigrated, at a date somewhere between 1000 and 800 BC, towards Umbria or Etruria where they became the Etruscans, as Herodotus records. Neither Indo-Europeans nor Semites, they can be numbered among the peoples who, a thousand years before, became the Pelasgians. The Etruscan language, related to that of the Lycians and Lydians, has not yet been deciphered. The Maeonians had attained a high degree of civilization long before they emigrated. They brought from Asia the double-headed axe-an emblem of royalty, which subsequently became the symbol of State used by high-ranking Roman magistrates. (...) Having annexed Rome at the beginning of the sixth century, the Etruscans provided it with three kings, of whom the first and the third were called Tarquin.

Tarkhon is the name of an Anatolian god who was worshipped by the Etruscans. It was Tarquin the Old who ordered the construction of Rome's first drains (the Cloaca Maxima) which are still in use to this day. Urban drainage was a practice that the Anatolians learned from the Sumerians. -- Diese Web Seiten wurden vom Türkischen Generalkonsulat Mainz erstellt.

De facto, no grupo de «Povos do Mar» do reinado de Menetep aparecem os Tursha, seguramente identificáveis com este grupo étnico que envolve os troianos da Turquia, e os tirrénios e tarquínios da Etrúria. Do mesmo modo, podemos aceitar que o estanho deus acima referido com o nome de Tarkhon, ignorado tanto no panteão clássico dos etruscos como no dos hititas, mais não seria afinal do que o deus luvita Tarhun(t) (“the Conqueror”) dos cultos taurinos da civilização Egeia que incluía os povos costeiros em torno de Creta.

Kur-Ki-Antu è *Tar-Kau-Antu > Tarhun(t).

                        è *Tar-Ki-Kian > Tar-Ki-Haun > Tarkhon.

                        è Kur Kiki-Anu > Kur-ish-an > Ishkuran.

Dito de outro modo, este grupo de povos seria o núcleo mais arcaico de plágios péri-mediterrânicos a que os sumérios também teriam pertencido!



[1] http://blogdamitologiagrega.blogspot.pt/2011/05/guerra-de-troia-ii.html

[2] Os que viriam a dar o nome à «Santa Irmandade de Triana», em Sevilha?

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