sexta-feira, 18 de junho de 2021

EPÍLOGO «TESTIMONIUM FLAVIANUM», por arturjotaef.


«A História justifica o que alguém queira! Não ensina absolutamente nada, já que contém tudo e dá exemplos de tudo. É o produto mais perigoso que a química do intelecto tenha elaborado...»

Paul Valéry, Regard sur le monde actuel.

 


Figura 1:Αλεξαμενος σεβετε θεον”, Alexamenos adora a [su] dios.

Yo oigo decir, que ellos adoran la cabeza del animal mas despreciable de todos, conviene á saber, el asno; culto muy digno de gentes de esta especie. Asegurase también, que ofrecen culto á las cosas más infames; y sus juntas clandestinas y nocturnas los hacen justamente sospechosos. Lo cierto es, que adoran a un hombre, que padeció el último suplicio, y à la cruz también en que murió. -- El Octavio De Minucio Felix.

 

Flávio Josefo (37-100 d.C.). O historiador Josefo que viveu ainda no primeiro século (nasceu no ano 37 ou 38 e participou da guerra contra os romanos no ano 70, escreveu em seu livro Antiguidades Judaicas: “(O sumo sacerdote) Hanan reúne o Sinedrim em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo (Tiago era o nome dele) com alguns outros” (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas, XX,).

 

Texto grego original de Flávio Josefo:

[63] Γίνεται δὲ κατὰ τοῦτον τὸν χρόνον Ἰησοῦς σοφὸς ἀνήρ, εἴγε ἄνδρα αὐτὸν λέγειν χρή: ἦν γὰρ παραδόξων ἔργων ποιητής, διδάσκαλος ἀνθρώπων τῶν ἡδονῇ τἀληθῆ δεχομένων, καὶ πολλοὺς μὲν Ἰουδαίους, πολλοὺς δὲ καὶ τοῦ Ἑλληνικοῦ ἐπηγάγετο: χριστὸς οὗτος ἦν.

[64] καὶ αὐτὸν ἐνδείξει τῶν πρώτων ἀνδρῶν παρ᾽ ἡμῖν σταυρῷ ἐπιτετιμηκότος Πιλάτου οὐκ ἐπαύσαντο οἱ τὸ πρῶτον ἀγαπήσαντες: ἐφάνη γὰρ αὐτοῖς τρίτην ἔχων ἡμέραν πάλιν ζῶν τῶν θείων προφητῶν ταῦτά τε καὶ ἄλλα μυρία περὶ αὐτοῦ θαυμάσια εἰρηκότων. εἰς ἔτι τε νῦν τῶν Χριστιανῶν ἀπὸ τοῦδε ὠνομασμένον οὐκ ἐπέλιπε τὸ φῦλον.

Primeira tradução latina tendenciosa:

Fuit autem iisdem temporibus Iesus, sapiens vir, si tamen virum eum nominare fas est; erat enim mirabilium operum effector doctor que hominum eorum qui libenter quae vera sunt audiunt, et multos quidem Iudaeorum, multos etiam ex gentilibus sibi adiunxit; Christus hic erat. hunc accusatione primorum nostrae gentis virorum, cum Pilatus in crucem agendum esse decrevisset, non deseruerunt hi qui ab initio eum dilexerant; apparuit enim eis tertio die iterum vivus, secundum quod divinitus inspirati prophetae vel haec vel alia de eo innumera miracula futura esse praedixerant. sed et in hodiernum diem Christianorum, qui ab ipso nuncupati sunt, et nomen perseverat et genus. -- Rufinus, Church History (401 A.D.)

Traduções comuns corrigidas como interpolações:

Havia neste tempo Jesus, um homem sábio [, se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer]. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios. [Ele era o Cristo.] E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram; [porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele]. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

Tradução possível do grego original no espírito de Flávio Josefo sem necessidade de qualquer interpolação:

Entretanto apareceu por este tempo um tal Jesus um homem (bastardo), obscuro (ou habilidoso), se (de) homem autêntico se deve falar ou antes de um charlatão porque foi um (malabarista) inventor de prodígios paradoxais, mestre (demagogo) de vagabundos que o aceitara por prazer, e de facto a muitos judeus, mas ainda a muitos mais gentios ele transviou depois que se autoproclamou o Cristo.

E os primeiros de entre os nossos homens acusaram-no (de sedição) a Pilatos que o condenou à cruz mas aqueles que primeiro o idolatraram não desistiram dele porque lhes teria aparecido três dias depois (dizendo) que os sagrados profetas, estes e outros inumeráveis prodígios (de magia) proclamaram a seu respeito.

E existem até hoje estes cristãos, assim chamados a partir dele, porque tal raça ainda não desapareceu.

 

DISCUSSÃO

Para conseguir uma tradução literal aceitável deste texto grego não é preciso ser um filólogo nem muito menos um especialista em língua grega clássica porque não é a gramática grega que é complexa mas o léxico e a semiologia do grego clássico, que depende sobretudo do contexto e do estilo do autor, é a maior fonte de dificuldades de tradução. Porém, com um bom dicionário, como hoje é possível obter facilmente on line [1], e muita paciência e ainda maior perspicácia conseguem-se alguns resultados surpreendentes. Como estamos a traduzir um texto que se suspeita ter sido maquilhada para dar uma imagem de Jesus oposta ao que se esperaria de Josefo obviamente que tempos que ser radicais e ousados na escolha das piores alternativas semânticas porque foi o contrário do que aconteceu aquando da tradução do texto grego para o latim porque o texto grego original já era suficientemente maligno para um bom leitor de grego clássico como era seguramente Orígenes, razão que levou este a confessar que Josefo não acreditava que Jesus fosse o messias.

Γίνεται + δὲ + κατὰ (ἀρχὴ νέων θορύβων?) + τοῦτον τὸν χρόνον Ἰησοῦς σοφ-ὸς(ισ-τὴς) ἀνήρ,

Apareceu + porém + adversus aliquem (um novo motivo de complicações?) + por este tempo + Um tal Jesus (bastardo[2]) adulto humano (= homem), (obscuro ou habilidoso =) charlatão,

Sofos = 1º Esperto, habilidoso em qualquer ofício ou arte, astucioso, profeta e adivinho; 2º inteligente em questões de vida comum, sábio, prudente, perspicaz. 3º habilidoso nas ciências, aprendido, profundo, sábio. Nota: Ironicamente, abstruso, obscuro.

Anír = Um macho humano de meia-idade.

Κατά = 4. [select] in hostile sense, against, Aesch., etc.; esp. of judges giving sentence against a person, id=Aesch.; λόγος κατά τινος a speech against one accused, Lat. in aliquem; λόγος πρός τινα an answer to an opponent, Lat. adversus aliquem.

Mason notes, "If Josephus said it, it was a term of high praise." (…) But it is inconceivable that Josephus should have such high praise for one who is only given so little space and who is attributed with such negative characteristics (to Josephus) as apocalyptic prophecy and the cleansing of the Temple.

In Adversus Hieroclem Eusébio argumentou que se ele tivesse que aceitar os feitos sobrenaturais atribuídos a Apolónio, ele (Eusébio) devia considerá-lo como um gohs [mago] em vez de um homem sábio (A.H. 5); aqui Josefo tratou Jesus por um "homem sábio" e, portanto, implicitamente, não um gohs.[3]

No entanto, este historiador judeu nunca falou de Apolónio que possivelmente desconhecia ou por nada de importante ter a dizer sobre assuntos judeus pelo que Eusébio fala por si mesmo o que apenas comprova que, ele, Eusébio considerava Apolónio como um mago tal como consideraria Jesus se não fosse um crente na sua divindade. Assim, esta objecção só prova que Eusébio manipulou o texto porque ao colocar-se no papel de Flávio Josefo declara-se também capaz de tal façanha reforçando a suspeita de que foi ele mesmo, Eusébio de Cesária, o maior falsificador da História, quem alterou e interpolou o texto original de Josefo declarando implicitamente que Josefo originalmente escreveu algo com a conotação do grego gohs como seria o caso se usasse, em vez da alteração de Eusébio interpolativa σοφὸς, o termo grego σοφιστὴς que segundo Robert Eisler[4] seria o termo original usado por Josefo.

εἴγε ἄνδρα αὐτὸν λέγειν χρή (εἴγε gohs):

Se (de) homem autêntico se deve falar (se de um mágico):

ἦν γὰρ παραδόξων ἔργων ποιητής,

Porque foi “inventor” de trabalhos paradoxais (= malabarista)

It uses words in ways that are not characteristic of Josephus. For example, the word translated "worker" in the phrase "worker of incredible deeds" is poietes in Greek, from which we get "poet." Etymologically, it means "one who does" and so it can refer to any sort of "doer." But in Josephus' day it had already come to have special reference to literary poets, and that is how he consistently uses it elsewhere (nine times) - to speak of Greek poets like Homer. (p. 169).

Olson states: The term PARADOXWN ERGWN POIHTHS is markedly Eusebian. POIHTHS never occurs in Josephus in the sense of "maker" rather than "poet," and the only time Josephus combines forms of PARADOXOS and POIHW it is in the sense of "acting contrary to custom" (A.J. 12.87) rather than "making miracles." Combining forms of PARADOXOS and POIHW in the sense of "miracle-making" is exceedingly common in Eusebius, but he seems to reserve the three words PARADOXOS, POIHW, and ERGON, used together, to describe Jesus (D.E. 114-115, 123, 125, H.E. 1.2.23)

διδάσκαλος ἀνθρώπων τῶν ἡδονῇ τἀληθῆ δεχομένων,

Mestre (demagogo) das pessoas que o aceitavam com volúpia de vagabundos.

Nota Bene: Τἀληθῆ é normalmente traduzido por «verdade» o que não parece estar no espírito de Josefo sobre este tema. Então temos a alternativa de considerar τἀληθῆ como uma forma verbal contraída de < τὰ ἀληθῇ, do verbo ἀλάομαι (aor. subj. mp. 3ª sg. attic. ionic.) com o significado de andar errante, vaguear, proscrito, exilado numa espécie de tempo passado indefinido, indeterminado.Não sendo um tempo verbal fácil de traduzir por não existir nas línguas modernas, podemos traduzi-lo como se fora um adjectivo verbal qualificativo duma acção passada, neste caso, «vagabundos», ou seja, pessoas que andaram vagueando no passado.

καὶ πολλοὺς μὲν Ἰουδαίους,

e de facto muitos judeus,

πολλοὺς δὲ καὶ τοῦ Ἑλληνικοῦ ἐπηγάγετο:

Epigágeto = 3. [select] to lead on by persuasion, influence, Od., Eur.; c. inf. to induce him to do, id=Eur.

mas ainda muitos mais gentios ele transviou:

ὁ χριστὸς οὗτος ἦν.

Este era o tal acusado de se pretender messias (Cristo).

Some would avoid this problem by substituting "He was believed to be the Christ" or "He was the so-called Christ" in place of the phrase, "He was the Christ." This is possible, though not without its problems. Meier argues that the statement "seems out of place in its present position and disturbs the flow of thought. If it were present at all, one would expect it to occur immediately after either 'Jesus' or 'wise man,' where the further identification would make sense. Hence, contrary to Dubarle, I consider all attempts to save the statement by expanding it to something like 'he was thought to be the Messiah' to be ill advised. Such expansions, though witnessed in some of the Church fathers (notable Jerome), are simply later developments in the tradition." (p. 60) It is also problematic that Josephus would have introduced the term Christ here without any explanation of its meaning. This problem will be considered in more detail in relation to the 20.9.1 passage.

3. [select] so also, οὗτος is used emphat., generally in contempt, while ἐκεῖνος (like Lat. ille) denotes praise, πάντ᾽ ἄναλκις οὗτος, i. e. Aegisthus, id=Soph.; οὗτος ἀνήρ Plat.; τούτους τοὺς συκοφάντας id=Plat.

4. [select] in attic law-language, οὗτος is commonly applied to the opponent, whether plaintiff or defendant, whereas in Lat. hic was the client, iste the opponent, Dem.

καὶ αὐτὸν ἐνδείξει τῶν πρώτων ἀνδρῶν παρ᾽ ἡμῖν σταυρῷ ἐπιτετιμηκότος Πιλάτου

E dos primeiros de entre os nossos homens acusaram este mesmo a Pilatos que o condenou à cruz

ἐνδείξει = 2. [select] as attic law-term, to inform against one, Plat.; so in Mid., Plut.:—in Pass., ἐνδεδειγμένος Plat.; ἐνδειχθέντα δεκάζειν being informed against for bribing, Dem.

Finally, there is a peculiarity with the reference to the "principal men among us." Josephus elsewhere refers to the "principal men," but Josephus consistently refers to the principal men "of Jerusalem" or "of the city," using these phrases instead of the first person plural. In his autobiography, Josephus refers to the "principal men of the city" (2), "the principal men of Jerusalem" (7), the "principal men of the city" (12), the "principal men belonging to the city" (12), the "principal men of the city" (12), and the "principal men of Jerusalem" (44). In each case Josephus identifies the leading men as belonging to Jerusalem.

Pois bem, esta objecção de que Josefo sempre se referiu apenas ao homem principal de uma cidade e em particular de Jerusalém desta vez é das poucas que faz pouco sentido ficar admirado porque não se refere ao chefe militar ou administrativo da cidade mas ao sinédrio que era uma espécie de senado ou de supremo tribunal que à época, de inteira sujeição romana, já só tinha poderes indicativos.

οὐκ ἐπαύσαντο οἱ τὸ πρῶτον ἀγαπήσαντες:

mas aqueles que foram amantes dele não desistiram (de provocar desordens):

Notice further that the phrase "they did not cease" has to be completed by the translator, for it is left incomplete in the text; the action which his followers ceased must be understood from the preceding phrase. This is as peculiar in Greek as it is in English, and such a construction is not found elsewhere in Josephus' writing. (p. 169)

ἐφάνη γὰρ αὐτοῖς τρίτην ἔχων ἡμέραν

Pois apareceu ao lado dos mesmos três dias depois

πάλιν ζῶν τῶν / θείων προφητῶν ταῦτά τε

Retomando à vida / os santos profetas estas

καὶ ἄλλα μυρία περὶ αὐτοῦ θαυμάσια εἰρηκότων.

Nota Bene: É duvidoso que Flávio Josefo se referisse a milagres ou coisas maravilhosas ao usar o termo θαυμάσια, termo próximo de «taumaturgo» porque este termo pode ser utilizado de forma irónica com sentido pejorativo que deve ter sido o que foi aqui usado (v.g. “linda maravilha fizeste!”, ou seja, grande porcaria...). Sendo assim a tradução mais próxima do espírito de Josefo se não seria «patranhas» seria «prodígio de magia».

A taumaturgia (das palavras gregas θαῦμα thaûma - "milagre", "maravilha" - e ἔργον érgon - "trabalho" -) é a capacidade de realizar prodígios, fenómenos considerados sobrenaturais ou além das capacidades humanas, agente que é considerado extraordinário, como um magico ou um santo, ou mesmo um rei (toque real).

e outros inumeráveis prodígios (de magia) proclamaram à volta do mesmo (= a seu respeito).

εἰς ἔτι τε νῦν τῶν Χριστιανῶν

Existem até hoje estes cristãos

ἀπὸ τοῦδε ὠνομασμένον

assim chamados a partir dele

(At times both Josephus and other Greco-Roman writers (e.g., Dio Cassius) consider it pedantry to mention explicitly the person after whom some other person or place is named; it would be considered an insult to the knowledge and culture of the reader to spell out a connection that is taken for granted." This reply is seen to be insufficient. Pelletier points out the example of Antiquities 17.5.1, where Josephus explains the name of the port Sebastos by saying: "Herod, having constructed it at great expense, named it Sebastos in honor of Caesar." Josephus leaves out the technical explanation that Caesar's honorific name in Latin is Augustus, which was translated into the Greek language as Sebastos. It may be assumed that the reader would be aware of Caesar's title. However, it cannot be assumed that the reader would be aware that Jesus was known as the Christ.)

οὐκ ἐπέλιπε τὸ φῦλον.

porque tal “praga” ainda não desapareceu.

Third, Mason argues: Again, the phrase "the tribe of the Christians" is peculiar. Josephus uses the word "tribe" (phyle) eleven other times. Once it denotes "gender," and once a "swarm" of locusts, but usually signfies distinct people, races, or nationalities: the Jews are a "tribe" (War 3.354; 7.327) as are the Taurians (War 2.366) and Parthians (War 2.379). It is very strange that Josephus should speak of the Christians as a distinct racial group, since he has just said that Jesus was a Jew condemned by Jewish leaders. (Notice, however, that some Christian authors of a later period came to speak of Christianity as a "third race.") (pp. 169-170)

Desde que Josefo seja traduzido literalmente e tratado com subtil ironia verificamos que o seu texto se torna perfeitamente ortodoxo com o pensamento judaico da época. De todas as traduções mais antigas a de S. Geónimo é de facto a mais próxima da fonte original que por isso só se manteve como aceitável porque durante a tradução se perdeu propositadamente a ironia flaviana.

Eodem tempore fuit Iesus, sapiens vir, si tamen virum eum oportet dicere; erat enim mirabilium patrator operum et doctor eorum qui libenter vera suscipiunt; plurimos quoque tam de Iudaeis quam de gentilibus habuit sectatores, et credebatur esse Christus cumque invidia nostrorum principum cruci eum Pilatus adfixisset, nihilominus qui primum dilexerant perseverarunt {in fide}; apparuit enim eis tertia die vivens; multa et haec et alia mirabilia carminibus prophetarum de eo vaticinantibus et usque hodie Christianorum gens ab hoc sortita vocabulum non defecit. -- Jerome, On Famous Men (492 A.D.)

A parte mais crítica do testimonium flavianum é precisamente a referência ao Messias que Flávio Josefo não usa nem mesmo para com o seu protector Vespasiano. O texto receptus que temos do original grego “ὁ χριστὸς οὗτος ἦν” não é de fácil leitura e a tradução que propomos: “era este o tal (que se pretendia) Cristonão é garantida, tal como também não é a que Jerónimo traduz por: “et credebatur esse Christus”. De qualquer modo, sabendo-se que οὗτος é usado enfaticamente em geral com “desprezo” e que, na linguagem legal da ática, também οὗτος é geralmente aplicado ao oponente, seja, ao acusado e réu, facilmente concluímos que o texto flaviano deve ser lido de forma irónica podendo ser traduzido aproximadamente como S. Jerónimo o fez, demonstrando também aqui ter muito mais credibilidade do que Eusébio. De qualquer modo não se pode excluir que tenha sido esta a única interpolação feita por Eusébio na sequência da crítica de Orígenes quer por ser a parte mais polémica deste texto quer porque não aparece na versão árabe enquanto na versão síria aparece com redacção semelhante à de S. Jerónimo: “tinham-no como sendo o Cristo”. No entanto, o texto que precede esta frase crítica não faz sentido sem algo parecido com uma frase como esta. Seria muito mais claro se o texto flaviano receptus contivesse escrito em grego algo onde se pudesse ler claramente que Jesus se autoproclamou como um “falso” messias.

 

TESTIMONIUM DE ORÍGENES

Mesmo assim e, tal como está escrito, é claro que Josefo não afirma que Jesus era o Cristo esperado pelos judeus o que bastaria para o espanto de Orógenes.

It is often argued that the description of Jesus is unusually short for Josephus. For example, Josephus devotes over twice as much space to the description of John the Baptist. Although suggestive, this argument is not conclusive. Professor Sanders considers this passage to be "the best objective evidence of the importance of Jesus during his own lifetime. The gospels create the impression that the entire populace was vitally interested in Jesus and what happened to him. Certainly he did attract attention. But if we measure the general impact of prophetic figures by the degree of disturbance they caused, we shall conclude that Jesus was less important in the eyes of most of his contemporaries than were John the Baptist and the Egyptian..." (pp. 50-51).

É significativo que o autor cristão Orígenes, escrevendo em cerca de 240, não mencione o Testimonium Flavianum, embora mencione a referência menos significativa de Josefo a Jesus como irmão de Tiago, que ocorre mais adiante nas Antiguidades dos Judeus (xx. 9), e também várias outras passagens das Antiguidades, como a que refere João Batista. Pelo contrário, Orígenes afirma que Josefo "não acreditava em Jesus como sendo o Cristo" (Cels, p. 47) ou que "ele não aceitou Jesus como Cristo" (Com. Matt., X 17), e ainda que "ele não diz nada sobre as maravilhosas acções que nosso Senhor fez" (Stromateis, ii 2).

Como, pelo contrário, o Testemunho declara que Jesus é o Cristo e afirma que ele realizou "obras maravilhosas" conclui-se facilmente que a versão das Antiguidades a que Orígenes teve acesso era de uma biblioteca pública ainda não manipulada por pró cristãos e que, por isso, não mencionava Jesus Cristo. Ora, se o testemunho de Orígenes confirma a suspeita de que Josefo não poderia ter escrito o Testemunho na sua forma actual, ele também demonstra que Josefo deve ter escrito algo sobre Jesus, pois, caso contrário, Orígenes não teria motivos para fazer a afirmação que fez de que Josefo "não aceitou Jesus como Cristo".

De facto, é evidente que o Testemunho de Orígenes anda também mal lido e mal contextualizado.

Gostaria de dizer a Celso, que representa o judeu como aceitando de alguma forma João como um Batista, que batizou Jesus, que a existência de João Batista, batizando para a remissão de pecados, está relacionada por alguém que não viveu grande período de tempo depois de João e Jesus. Pois no 18º livro de suas Antiguidades dos judeus, Josefo testemunha a João como sendo um Batista e como uma purificação promissora para aqueles que sofreram o rito. Agora, este escritor, embora não acredite em Jesus como o Cristo, buscando a causa da queda de Jerusalém e a destruição do templo, ao passo que ele deveria ter dito que a conspiração contra Jesus era a causa de essas catástrofes acontecerem com as pessoas, desde que mataram a morte, Cristo, que era um profeta, diz, no entanto, embora seja contra sua vontade, não longe da verdade, que esses desastres aconteceram aos judeus como uma punição pela morte de Tiago, o Justo, que era um irmão de Jesus (chamado Cristo), - os judeus o mataram, embora ele fosse um homem mais distinguido por sua justiça. Paulo, um discípulo genuíno de Jesus, diz que ele considerou este Tiago como um irmão do Senhor, não tanto por causa de seu relacionamento pelo sangue, nem por serem unidos, como por sua virtude e doutrina. Se, então, ele diz que foi por causa de Tiago que a desolação de Jerusalém foi feita para ultrapassar os judeus, como não deveria estar mais de acordo com a razão para dizer que aconteceu em conta (da morte) de Jesus Cristo, de cuja divindade são muitas Igrejas testemunhas, compostas por aqueles que foram convocados de um dilúvio de pecados e que se uniram ao Criador e que encaminham todas as suas acções para o seu bom prazer. -- Contra Celso 1,47.

Agora, nestes, é registado que, quando você virá Jerusalém cercada com exércitos, então você saberá que a sua desolação está próxima. Mas naquela época não havia exércitos em torno de Jerusalém, abrangendo e encerrando e sitiando; pois o cerco começou no reinado de Nero e durou até o governo de Vespasiano, cujo filho Tito destruiu Jerusalém, por conta, como diz Josefo, de Tiago, o justo, o irmão de Jesus que se chamava de Cristo, mas, na realidade, como a verdade deixa claro, a propósito de Jesus Cristo, o Filho de Deus. -- Contra Celso 2,56.

Orígenes repete a afirmação de que Josefo não acreditou em Jesus como o Cristo em seu comentário sobre Mateus ον Ιησουν ημων ου καταδεξαμενος ειναι Χριστον, ([Josefo] não tendo aceito nosso Jesus como o Cristo.

Presumivelmente, o que quer que ele tenha escrito foi suficientemente negativo que Orígenes optou por nem sequer o citar tanto mais que Josefo teria dedicado a sua obra a Tito que sendo romano consideraria a prática da magia como uma ofensa criminal tanto mais que a palavra mágico era um termo ofensivo e de opróbrio no Império Romano. Segundo Orígenes, Celso acusou Jesus de ser um mágico e um feiticeiro e seria o mesmo que Josefo diria sobre Jesus se de facto escreveu algo porque é a mesma acusação que aparece na boca dos judeus dos apócrifos e no Talmude.

Por outro lado, é pouco provável que Josefo tenha assumido o ónus de terem sido os principais do seu povo a propor a morte de Jesus às mãos dos romanos porque isso seria uma traição à lei mosaica. Ora, o cristianismo gentio tinha aparecido precisamente por uma ruptura com os judeus ortodoxos (e depois com os cristãos judeizantes) a este nível ao retribuírem reflexivamente a culpa da morte de Jesus para os judeus que o não aceitaram como Messias.

O seu estilo de escrita não é o mesmo do de Josefo e, se forem retiradas do texto, o argumento original de Josefo segue sua sequência natural. Escrevendo no início do século três, Orígenes, que as autoridades modernas consideram como um dos eruditos mais conscienciosos da antiga Igreja, diz-nos que não há qualquer referência a Jesus em Josefo e que Josefo não acreditava que Jesus era o Cristo, dado que não acreditava em nenhuma figura de Messias judaica.

Porém, a levar em conta a fidelidade de Flávio Josefo à religião judaica e, também, o fato de ele considerar Vespasiano como o Messias (???), de modo algum se poderá aceitar que tenha dado tal título a Jesus também. Segundo a opinião geral dos historiadores, essas linhas não passam de uma interpolação posterior, devida a um copista, tão ingênuo, quanto piedoso. -- Josefo cita Jesus? PAULO DA SILVA NETO SOBRINHO.

“Graças a um feliz acaso, é mesmo possível estabelecer a data dessa intercalação. Um dos Sacerdotes da Igreja, Orígenes, polemizando contra Celso, crítico do Cristianismo, acusa Flávio Josefo de não ter querido admitir que Jesus era o Messias. Eusébio, que compôs a sua História Eclesiástica no século I, pouco depois da vitória do Cristianismo, já reproduz as linhas que foram acrescentadas, o que dá lugar à crença de que a passagem citada foi intercalada nos textos de Flávio Josefo entre os fins do século III, possivelmente pelo próprio Eusébio, e os começos do século IV. Trata-se de uma interpolação tão manifesta que muitos dos teólogos católicos não mais ousam negá-la.

Em outra página das Antiguidades Judaicas (XX, 9), Flávio Josefo fala da condenação de certo “Pedro (Tiago?), irmão de Jesus, chamado o Cristo, e de alguns outros”.

Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não tinha chegado, para reunir um conselho, diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus, um falso Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento.

Em meados do século III, Orígenes, em diversas ocasiões, referiu-se a essa passagem que, à primeira vista, parece muito mais digna de fé do que a que citamos anteriormente. Mas como admitir que essas palavras são da pena de Flávio Josefo, uma vez que esse mesmo Orígenes o acusou de duvidar de que Jesus fosse o Messias (o Cristo)? Pode ser que o original se referisse a outro Jesus. É evidente, em todo o caso, que esta passagem também traz vestígios da intervenção de copistas cristãos. Nos escritos de Flávio Josefo nada mais se encontra que se relacione com o Cristianismo.

Nem mesmo Vespasiano é alguma vez referido como Messias ou Cristo.

A cadeia de manuscritos que veio até nós fatalmente passou pelo controle cristão. Como Josefo fazia forte oposição ao irredentismo judaico, bem como a qualquer outro movimento sectário que trouxesse problemas para as autoridades, adoptou uma clara postura anticristã. Contudo, isso foi adulterado. Assim, ele menciona a pena capital de Tiago pelo sumo-sacerdote Ananias, em 62 d.C., e refere-se a Tiago como o irmão “de Jesus, o assim chamado Cristo”, de modo que sugere que ele já havia feito seu relato de Jesus e cumprido a sua missão. Porém, o que realmente chegou até nós foi uma passagem descrevendo Jesus como um sábio, amante da verdade, muito amado por seus seguidores; aceita seus milagres e ressurreição e sugere intensamente sua divindade. A passagem é claramente uma invenção cristã não muito engenhosa, e o que foi escrito por Josefo de fato perdeu-se. As tentativas de reconstruí-lo não ganharam aceitação geral até o momento. […] (JOHNSON, 2001, p. 32-33). -- Josefo cita Jesus? PAULO DA SILVA NETO SOBRINHO.

 

OUTROS TESTEMUNHOS CRISTÃOS DESFAVORÁVEIS A JOSEFO

Como se não bastasse, a dúvida levantada por Orígenes contra o testimonium flavianum eis que apareceo patriarca de Constantinopla Focio (820-893 d.C.) a dizer, na sua análise às Antiguidades de Flávio Josefo, que este não faz nenhuma menção a Jesus nem aos seus milagres nem nenhum escritor Judaico do seu tempo:

Assim como todos os outros escritores judeus, [Justo de Tiberiades] não mencionaram a vinda de Cristo, as coisas que lhe aconteceram, seus milagres.

Focio conheceu seguramente o Testimonium Flavianum tal como andava citado por outros sacerdotes da Igreja (Eusebio, S. Isidoro, Sozomeno) e se ele tinha alguma suspeita sobre a sua autenticidade ou uma cópia das Antiguidades judaicas em que ele estava ausente, teria aproveitado a oportunidade para se manifestar no capítulo dedicado a Justo de Tiberiades ou a Flávio Josefo.

Focio acabou justificando o silêncio de Josefo afirmando que o hábito de não falar sobre este assunto tabu é uma prática comum na nação judaica. Porém, seguramente que Focio foi um adepto de que a melhor maneira de contornar o mau retrato que Josefo fez de Jesus era a censura completa desta passagem. Ora, este tipo de soluções censórias beatas foram usadas até tempos bem recentes em livros escolares do tempo do fascismo onde até pequenas partes dos Lusíadas de leitura obrigatória nos liceus portugueses eram substituídos por espaços tracejados[5].

Porém, as inverosimilhanças e as suspeitas de interpolações começaram quando os cristãos começaram a ser mais papistas do que o papa e a traduzi-lo à martelada de forma a fazerem crer que Josefo escreveu o que nunca em sua perfeita consciência poderia ter escrito, e isso aconteceu logo na primeira tradução de Rufino...apenas para contradizerem Orígenes que entretanto tinha caído em desgraça de heresia.

Fuit autem iisdem temporibus Iesus, sapiens vir, si tamen virum eum nominare fas est; erat enim mirabilium operum effector doctor que hominum eorum qui libenter quae vera sunt audiunt, et multos quidem Iudaeorum, multos etiam ex gentilibus sibi adiunxit; Christus hic erat. hunc accusatione primorum nostrae gentis virorum, cum Pilatus in crucem agendum esse decrevisset, non deseruerunt hi qui ab initio eum dilexerant; apparuit enim eis tertio die iterum vivus, secundum quod divinitus inspirati prophetae vel haec vel alia de eo innumera miracula futura esse praedixerant. sed et in hodiernum diem Christianorum, qui ab ipso nuncupati sunt, et nomen perseverat et genus. -- Rufinus, Church History (401 A.D.)

Claro que a trapalhada do Christus hic erat é um erro de bradar aos céus tal que só ademira que tenha sido apenas Fócio a dar conta dele até que apreceu Voltair com o seu descarado iluminismo repor a verdade.

“Les chrétiens, par une de ces fraudes pieuses, falsifièrent grossièrement un passage de Flavius Josèphe. Ils supposent à ce juif, si entêté de sa religion, quatre lignes ridiculeusement interpolées; et au bout de ce passage ils ajoutent: Il était le Christ. Quoi ! Si Josèphe avait entendu parler de tant d'événements qui étonnent la nature, Josèphe n'en aurait dit que la valeur de quatre lignes dans l'histoire de son pays! Quoi! Ce Juif obstiné aurait dit: Jésus était le Christ. Eh! Si tu l'avais cru Christ, tu aurais donc été chrétien. Quelle absurdité de faire parler Josèphe en chrétien! Comment se trouve-t-il encore des théologiens assez imbéciles ou assez insolents pour essayer de justifier cette imposture des premiers chrétiens, reconnus pour fabricateurs d'impostures cent fois plus fortes!” — Voltaire, Dictionnaire philosophique, rubrique «Christianisme».

A partir deste pontapé de saída iluminista a roçar o ateísmo contra o Testimonium Flavianum a dúvidas nunca mais pararam e a busca de pretextos para elas aceleraram.

Deve-se notar que os manuscritos gregos existentes das Antiguidades de Josefo datam do século X ou posterior.

As razões pelas quais ele deve ser rejeitado são:

(1) É impossível que Josefo, um judeu, chamasse Jesus de Messias.

(2) A passagem nunca é citada por Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano ou Orígenes, apesar de seu enorme valor apologético.

(3) A passagem interrompe o fluxo narrativo do texto circundante, ou seja, a passagem aparece no meio de uma colecção de histórias sobre calamidades que caíram sobre os judeus, e se a passagem for extirpada, o argumento continua na sequência correcta.

(4) Se é aceito que houve uma referência a Jesus, mas foi alterado para reflectir uma visão favorável dele, o fato de que houve alguma alteração no texto torna a passagem inteira suspeita; um pesado ónus da prova recai sobre quem defende a autenticidade parcial.

A tese de que a passagem interrompe o fluxo narrativo do texto circundante é usada de forma recorrente em outras situações para suspeitar de interpolações tendenciosas, ou seja, serve de argumento de reforço de uma interpolação suspeita por outras razões mas não como argumento principal.

Neste caso ela foi usada pela primeira vez por um Marrano português Abraão Zacuto.

No entanto, neste caso particular, parece que o “fenómeno” de Jesus aparece precisamente no contexto da realidade social da “sublevação contra Pilatos que queria servir-se do tesouro do Templo para aduzir a Jerusalém a água de um manancial longínquo”. A única coisa estranha é este facto não ser referida nos Evangelhos nem no Novo testamento mas...será mesmo assim ou os evangelhos vão contar de outro modo este episódio precisamente nas escaramuças da expulsão dos vendilhões do Templo?

“Naturalmente, um partido que possua o poder de destruir livros desagradáveis será ipso facto capaz de impor pequenas omissões e alterações em trabalhos em que apenas algumas passagens individuais eram sentidas como censuráveis. É igualmente claro que os proprietários de manuscritos valiosos, sejam particulares, vendedores de livros ou funcionários em bibliotecas e sinagogas, deveriam ter preferido a excisão de algumas linhas ou certas alterações à alternativa de ver seus tesouros devorados pelas chamas. Adicione a isso a perda que seria na destruição de um Josefo inteiro em manuscrito e as leis que impunham a pena capital pela posse escondida de escritos hostis ao cristianismo, e a consequência natural será óbvia para todos. De fato, nem um único texto grego, latino, eslavo ou outro de Josefo veio até nós, que não tenha passado pelas mãos de escribas e donos cristãos. As numerosas glosas e notas marginais, abundantes em cada manuscrito, confirmam plenamente esta afirmação. (...)

O primeiro dos estudiosos que apontaram - como Eduard Norden já fez recentemente - que o Testemunho interrompe a estrutura lógica da narrativa e, portanto, deve ser considerado como uma interpolação, não foi o famoso calvinista francês Tanneugy Lefevre, mencionado por Norden, mas um certo rabino português Rabi Lusitanus, que se dedicou à ira do divino protestante Johannes Muller de Hamburgo - porque o sábio Sephardi [Rabino] parece ter estado em bons termos com Bento de Castro, o médico judeu da rainha Cristina da Suécia, e ter tido através deste compatriota a oportunidade de apresentar suas opiniões a Sua Majestade durante sua permanência em Hamburgo.

O rabino Lusitanus é idêntico provavelmente ao conhecido médico e filósofo judeu Abraham Zacuto Lusitano, nascido em Lisboa em 1575, estudante das Universidades de Coimbra e Salamanca, um médico de Siguenza, que durante trinta e nove anos viveu como marrano em Portugal, até que conseguiu escapar para Amesterdão livre em 1625. Morreu no dia de Ano Novo de 1642, tendo retornado, na Holanda, à fé de seus pais. O manuscrito visto por Johannes Muller foi a disputa pública que teve em Middelburg com o jesuíta Nicolas Abram (1589-1655), um teólogo e filólogo muito erudito, autor de um comentário sobre o Evangelho de São João, um comentário de Cícero e uma edição Vergílio. O que deve ser enfatizado aqui é o argumento do judeu português de que o Testimonium interrompe a sequência lógica do texto e deve, portanto, ser considerado uma interpolação. O mesmo rabino, de acordo com o Pastor Johannes Muller, afirma: "...Josefo diz primeiro / como Pilatos deu motivo à rebelião, depois disso o texto deve continuar a dizer / o quanto aconteceu ao mesmo tempo que ainda aconteceu outro tumulto aos judeus; mas, porque entre eles se conta a história de Jesus / o texto não agarra / o outro tumulto ao primeiro."

(...) Eisler atribui mais fortemente a ausência do termo como “tumulto” à sua exclusão por uma censura cristã. A especulação é que originalmente o Testemunho descreveu um "tumulto", e era hostil a Jesus; portanto, foi censurado. O resto do capítulo e muito do livro de Eisler é dedicado à ideia de que falta uma quantidade de texto original de Josefo nos manuscritos existentes. -- [6]

A proposta de Eisler para a forma original do Testemunho é a seguinte. (Os pontos [...] são Eisler e indicam o que Eisler ele acredita serem eliminações irrecuperáveis.).

Γίνεται δὲ κατὰ τοῦτον τὸν χρόνον (ἀρχὴ νέων θορύβων) Ἰησοῦς τις σοφ(ιστὴς) ἀνήρ, εἴγε ἄνδρα λέγειν χρὴ αὐτόν, (τὸν ἐξ ἀνθρώπων ἐξαισιώτατον, ὃν οἱ μαθηταὶ υἱὸν θεοῦ ὀνομάζουσιν, τὸν οἷα οὐδέποτε ἐπεποιήκει ἄνθρωπος θαύματα ἐργασάμενον...) ἦν γὰρ παραδόξων ἔργων διδάσκαλος, ἀνθρώπων τῶν ἡδονῇ τἀήθη δεχομένων (...) καὶ πολλοὺς μὲν Ἰουδαίους, πολλοὺς δὲ καὶ τοῦ Ἑλληνικοῦ ἀπηγάγετο (καὶ ὑπὸ τούτων) ὁ χριστὸς (εἶναι ἐνομίζετο...) καὶ αὐτὸν ἐνδείξει τῶν πρώτων ἀνδρῶν παρ᾿ ἡμῖν σταυρῷ ἐπιτετιμηκότος Πιλάτου οὐκ ἐπαύσαντο (θορυβεῖν) οἱ τὸ πρῶτον ἀγαπήσαντες. φανῆ(ναι) γὰρ αὐτοῖς (ἔδοξε) τρίτην ἡμέραν ἔχων (θανάτου) πάλιν ζῶν, τῶν θείων προφητῶν ταῦτά τε καὶ ἄλλα μυρία περὶ αὐτοῦ θαυμάσια εἰρηκότων. εἰς ἔτι καὶ νῦν τῶν Χριστιανῶν ἀπὸ τοῦδε ὠνομασμένων οὐκ ἐπέλιπε τὸ φῦλον.

“Agora, por este tempo surgiu uma ocasião para novos tumultos, um certo Jesus, um homem de magias, se é que de facto ele pode ser chamado por homem porque ele era o mais perverso de todos os homens, a quem os discípulos chamam de filho de Deus, como tendo feito encantamentos tais como ninguém nunca ousara fazer... Ele era, de fato, um mestre de truques aparatosos para gente que aceita a charlatanice com prazer.

E ele seduziu muitos também da nação grega e foi considerado por eles como o Messias. E quando, por acusação dos principais homens entre nós, Pilatos o condenou à cruz, ainda assim aqueles que antes o admiravam não deixaram de delirar.

Pois parecia-lhes que, tendo estado morto por três dias, ele havia aparecido novamente vivo para eles, como os profetas divinamente inspirados haviam anunciado - e dez mil outras coisas maravilhosas - a respeito dele.

E mesmo agora, a raça daqueles que são chamados de "Messianistas" após ele não está extinta ".[7]

Obviamente que um texto destes teria feito tremer os primeiros exegetas cristãos e muitos terão preferido nem acreditar nele e omiti-lo como falso.

Estas passagens seriam rapidamente entendidas pelos cristãos triunfantes do tempo de Constantino como inaceitáveis e como única maneira de aceitarem a obra do grande historiador sobre a guerra da Judeia que confirmava os piores vaticínios de Jesus, quando foram recopiadas paras as versões actualmente recebidas foram alteradas para a versão actual provavelmente por iniciativa do maior falsário da História que foi Eusébio de Cesareia, com tanto mais ousadia quando não se tratando de obra inspirada poderia ser considerada como artimanha do demónio que merecia ser corrigida.

Eis o texto falsificado que atribuem que os cristãos falsários atribuem a Josefo:

"Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos" (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a).

“Esta passagem, ou período, está como que a esmo, em meio de um capítulo, sem conexão alguma com quanto a precede ou se lhe segue, alinhavada, por assim dizer, na descrição de um castigo militar infligido à populaça de Jerusalém e a dos amores de uma dama romana e de um homem que obtém os seus favores, fazendo-se passar, graças aos sacerdotes de Isis, por uma personificação do Deus Anúbis. Estes dois acontecimentos estão ligados pelo mesmo historiador com um outro, porque ao relatar o segundo chama-o outro acidente deplorável, de onde se depreende que esse outro acidente só pode relacionar-se com o primeiro, isto é, com a sedição popular e a repressão que se lhe seguiu.” -- Emilio Bossi.

Obviamente que Emilio Bossi parece estar cheio de razão mas claramente não está. O facto de a referência a Jesus Cristo estar “como que a esmo, em meio de um capítulo, sem conexão alguma com quanto a precede” nem é inteiramente uma verdade objectiva nem um argumento de peso decisivo:

1º A composição histórica de Flávio Josefo por episódios soltos faz parte do estilo anedótico deste autor que o torna por isso de fácil leitura e uma das razões da sua sobrevivência.

2º Porque é Emilio Bossi que afirma serem “dois acontecimentos” que“estão ligados pelo mesmo historiador” e não Josefo que não trata o episódio da “personificação do Deus Anúbis” como sendo um segundo mas antes“como sendo um outro” entre os vários acidentes deploráveis que poderia ter relatado entre os quais estava o da crucificação de Jesus, chamado o Cristo.

O certo é que nem um único texto grego, latino, eslavo ou outro de Josefo chegou até nós sem ter passado pelas mãos dos escribas cristãos e dos seus proprietários cristãos”,  Eilser, R. (1931), 38.

It is sometimes claimed that manuscripts before Eusebius do not have the passage in question. This is simply not true; there are no extant manuscripts before Eusebius.

Relativamente às interpolações, Eisler diz: “Os críticos da passagem são filólogos, os seus defensores teólogos”, ibid., 41. The Messiah Jesus and John the Baptist, pelo Dr. Eilser:

“Nenhum erudito sério acredita agora que estas passagens foram na realidade escritas por Josefo. Elas foram claramente identificadas como acrescentos muito posteriores.

 

 A verdade, porém, é que se fôssemos a seguir as teses nihilistas e ateístas de que toda a verdade tem sido falseada ao longo da história de humanidade a contento de quem quer que tenha sido cairíamos no pirronísmo absoluto no qual qualquer procura da verdade seria pura e completa perda de tempo. Na verdade, existe no cristianismo mais duro e beato a tese de que todos os pecados nos são perdoados menos os que são feitos conta o espírito Santo, ou seja conta a sabedoria de que faz parte a verdade dos textos sagrados. Obviamente que estamos a falar do propósito interno dos crentes e não da realidade externa da história sagrada que está cheia de erros e pecados imperdoáveis mas, é evidente, que nem esta, nem nenhuma outra doutrina se teriam mantido por muito tempo na base da mentira sistemática.

 

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos o tempo todo.” ― Abraham Lincoln.

Sendo assim acreditamos que a tendência para a falsificação das escrituras foi sempre mais no sentido da sua manipulação, interpolação piedosa e eventual ocultação mas não no da sua adulteração ou falsificação completa.

Voltando a Orígenes verificamos que este apenas se espanta por Josefo atribuir a queda de Jerusalém à morte de Tiago, irmão do chamado Cristo, parecendo assim confirmar o texto recebido das antiguidades Judaicas de Josefo, confirmando no entanto o que já se suspeitava: que Josefo escreveu sobre Jesus, o falso messias, pelo menos duas vezes “embora não acredite em Jesus como (sendo) o Cristo”. Assim, quase que podemos dizer que a montanha pariu um rato e que Origenes se limitou a dizer uma lapalissada óbvia. O espantoso seria mesmo o contrário como bem o constatou Voltair. Então, o que podemos concluir de toda esta história sobre o testimonium flavianum é que tendo sido os cristãos os conservadores da tradição também esta só foi rigorosamente mantida no contexto do mínimo de respeito pela parte cristã desta tradição. Obviamente que Eusébio poderia ter mantido a postura parcimoniosa de Jerónimo mas querendo agradar a gregos e a Constantino acabou cesaropapista. O resultado foi este: chegaram até nós textos relativos ao testimonium flavianum dos mais variados tipos, a maioria dos quais copiados da manipulação de Eusébio, alguns traduzidos de Jerónimo, poucos completamente omissos para darem razão a Orígenes e outros, particularmente árabes e sírios, manipulados de acordo com a tradição judaizante da igreja oriental mais antiga porque traduzido sem qualquer concordância com o texto grego receptus.

En este tiempo existió un hombre de nombre Jesús. Su conducta era buena y era considerado virtuoso. Muchos judíos y gente de otras naciones se convirtieron en discípulos suyos. Los convertidos en sus discípulos no lo abandonaron. Relataron que se les había aparecido tres días después de su crucifixión y que estaba vivo. Según esto fue quizá el mesías de quien los profetas habían contado maravillas. -- Versión Árabe.

Naquele tempo, havia um homem sábio chamado Jesus, cuja conduta era boa; Suas virtudes foram reconhecidas. E muitos judeus e de outras nações se tornaram seus discípulos. E Pilatos condenou-o a ser crucificado e a morrer. Mas aqueles que fizeram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles relataram que ele apareceu a eles três dias após sua crucificação e que ele estava vivo. Ele foi considerado (por eles) como o messias sobre quem os profetas haviam falado. Versão livre da tradição oriental.

O mais caricato é termos chegado ao ponto de haver correntes cristãs que ou omitem por completo esta passagem ou usam parêntesis para referirem as manipulações mais prováveis pois nestes tempos de relativismo pós conciliar é finalmente dado o livre arbítrio a cada cabeça com a sua sentença.

Parece óbvio que algumas alterações cristãs são encontradas na recensão árabe, mesmo que sejam mais subtis na versão árabe do que no grego. A citação de Agapius em árabe foi traduzida do siríaco, e o siríaco foi traduzido de uma versão grega que parece ter recebido algumas alterações deliberadas por copistas cristãos, e o próprio grego, menos as referências comentadas por autores posteriores, derivam finalmente de Josefo, que compôs as Antiguidades em 93 ou 94 d.C. A tradução do grego para o Siríaco e depois do sírio para o árabe é exigida pela tradição no trabalho de Agapius. Isto significa que pelo menos as conotações pejorativas teriam sido descartadas por cada tradutor, e certamente os tradutores eram cristãos.[8]

Há que referir que a maioria das traduções segue a versões de Eusébio.

About this time there lived Jesus, a wise man, if indeed one ought to call him a man. For he was one who performed surprising deeds and was a teacher of such people as accept the truth gladly. He won over many Jews and many of the Greeks. He was the Christ. And when, upon the accusation of the principal men among us, Pilate had condemned him to a cross, those who had first come to love him did not cease. He appeared to them spending a third day restored to life, for the prophets of God had foretold these things and a thousand other marvels about him. And the tribe of the Christians, so called after him, has still to this day not disappeared. -- translation of Louis H. Feldman, The Loeb Classical Library.

En ce temps-là paraît Jésus, un homme sage, [si toutefois il faut l'appeler un homme, car]; c'était un faiseur de prodiges, un maître des gens qui recevaient avec joie la vérité. Il entraîna beaucoup de Judéens et aussi beaucoup de Grecs; [Celui-là était le Christ.] Et quand Pilate, sur la dénonciation des premiers parmi nous le condamna à la croix, ceux qui l'avaient aimé précédemment ne cessèrent pas. [Car il leur apparut le troisième jour, vivant à nouveau; les prophètes divins avaient dit ces choses et dix mille autres merveilles à son sujet.] Jusqu'à maintenant encore, le groupe des chrétiens [ainsi nommé après lui] n'a pas disparu -- Eusèbe de Césarée.

Por este tiempo apareció Jesús, un hombre sabio [si es que es correcto llamarlo hombre, ya que fue un hacedor de milagros impactantes, un maestro para los hombres que reciben la verdad con gozo], y atrajo hacia Él a muchos judíos [y a muchos gentiles además. Era el Cristo]. Y cuando Pilato, frente a la denuncia de aquellos que son los principales entre nosotros, lo había condenado a la Cruz, aquellos que lo habían amado primero no le abandonaron [ya que se les apareció vivo nuevamente al tercer día, habiendo predicho esto y otras tantas maravillas sobre Él los santos profetas]. La tribu de los cristianos, llamados así por Él, no ha cesado de crecer hasta este día. Indicadas entre corchetes posibles interpolaciones.

Havia neste tempo Jesus, um homem sábio [, se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer]. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios. [Ele era o Cristo.] E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram; [porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele]. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

Versão eslava de Josefo, GUERRA JUDAICA 2.9.3b-f §174 (às vezes de TESTIMÓNIO FLAVIANO):

Uma outra interessante versão do "Testimonium" foi encontrada em cinco fragmentos da "Guerra Judaica", numa tradução para o Paleoeslavo, que remonta aos séculos XI-XII. Ainda que se trate, evidentemente, de uma interpolação, posto que inexistente no original grego da obra, não deixa de ser muito curioso o modo como o autor se vale de passos evangélicos para compor uma novela bizantina da prisão e condenação de Jesus absolutamente inédita.

Louis Feldman afirma que la cuestión de que «Josefo es el autor de las adiciones y modificaciones en la versión eslava» por lo general ha recibido una respuesta negativa. Craig A. Evans afirma que aunque algunos estudiosos en el pasado apoyaron al Josefo eslavo, «que yo sepa, nadie cree hoy que contienen algo de valor para la investigación de Jesús». Eis o texto:

Apareceu então um homem, se é que podemos chamar-lhe homem. A sua natureza e as atitudes exteriores eram humanas mas a sua aparência e as suas obras eram divinas. Os milagres que realizava eram grandes e surpreendentes.

Uns diziam dele “É o nosso primeiro legislador que ressuscitou dos mortos e dá provas de suas capacidades, operando muitas curas”. Outros julgavam-no enviado por Deus. Opunha-se em muitas coisas à Lei e não observava o sábado, segundo o costume dos antepassados; todavia, não fazia nada de impuro, nem nenhum trabalho manual, dispondo apenas da palavra. Muitos entre a multidão o seguiam e escutavam seus ensinamentos; os espíritos de muitos se agitavam pensando que, graças a ele, as tribos de Israel se libertariam do jugo romano. Costumava estar, de preferência, em frente da cidade, no monte das Oliveiras. Vendo a sua força e que, com as palavras, fazia tudo o que queria, pediram-lhe para entrar na cidade, massacrar as tropas romanas e Pilatos, e passar a governá-los. Mas ele não lhes dava ouvidos. Mais tarde, os chefes dos hebreus vieram a saber de tudo aquilo, reuniram-se com o Grande Sacerdote e disseram: “Somos impotentes e fracos para resistirmos aos romanos, como um arco frouxo. Vamos dizer a Pilatos o que ouvimos e não teremos aborrecimentos”. E foram falar dele a Pilatos. Este enviou homens, mandou matar muitos entre a multidão e prendeu o doutor de milagres. Informou-se melhor sobre ele e vendo que fazia o bem, e não o mal, que não era rico, nem ávido de poder real, libertou-o; de fato, tinha curado a sua mulher, que estava moribunda. E regressado ao local habitual, retomou o cumprimento de suas obras, e novamente um número maior de pessoas se aglomerou em torno dele. Os doutores da Lei, feridos pela inveja, deram trinta talentos a Pilatos, para que o mandasse matar. Este aceitou-os e deu-lhes autoridade para serem eles próprios a fazer o que desejavam. Desse modo, apossaram-se dele e o crucificaram, apesar da lei dos antepassados. Versão paleoeslava.

De todas as versões obviamente que a mais manipulada é a versão paleoeslava típica de uma pequena novela bizantina ao estilo dos evangelhos apócrifos da infância.

 

CONCLUSÃO SOBRE O TESTIMONUM FLAVIANUM

Após tradução literal rigorosa damos conta de que afinal a verdade original seria bem mais cáustica do que Orígenes deixou transparecer.

 

Texto recepto das antiguidades Judaicas

Texto corrigido pela tradição árabe

Texto virtual de acordo com o pensamento e estilo de Flábio Josefo

Nesse mesmo tempo,

 

Neste momento,

 

Agora, quase ao mesmo tempo, uma fonte de tumultos adicional...

apareceu JESUS, que era um homem sábio,

havia um homem chamado Jesus.

apareceu com um homem chamado Jesus,

se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras.

Sua conduta era boa e ele era considerado virtuoso.

se é que verdadeiramente se pode chamar homem a um charlatão de obras tão paradoxais.

Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade

Mas aqueles que se fizeram seus discípulos pregaram sua doutrina.

Era mestre (demagogo) de gente vagabunda que ficavam encantados com a sua magia (milagres) aprendida no Egipto...

e foi seguido não somente por muito judeus, mas também por muitos gentios.

Muitos Judeus e pessoas de outras nações se tornaram seus discípulos.

e de facto a muitos judeus, mas ainda a muitos mais gentios ele transviou:

Ele era o CRISTO.

Tinham-no como sendo o Cristo (versão síria)

porque se autoproclamou o Cristo

Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem.

 

 

 

Pilatos condenou-o a ser crucificado

Os mais ilustres dentre os da nossa nação acusaram-no de prática de magia perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem.

Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte.

Os convertidos em seus discípulos não o abandonaram...

Mas aqueles que primeiro o idolatraram não desistiram dele

Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres.

e relataram que lhes apareceu três dias após sua crucificação e que ele estava vivo.

e relataram que lhes apareceu depois reanimado (dizendo) que os santos profetas, estas e outras inumeráveis maravilhas proclamaram a seu respeito.

É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.

De acordo com isto foi talvez o messias de quem os profetas contaram maravilhas

Chamados a partir dele existem até hoje estes cristãos pois tal raça ainda não desapareceu.

Para refazermos o texto do testemunho flavónivo partimos de pressuposto de que não se poderia tratar de uma interpolação absoluta feita a partir de um completo vazio do texto de Flávio Josefo sobre este assunto mas apenas de uma manipulação tendenciosa de tradução omissa no que era mais inconveniente e censurável para a nova ortodoxia.

Primeira tradução latina tendenciosa:

Fuit autem iisdem temporibus Iesus, sapiens vir, si tamen virum eum nominare fas est; erat enim mirabilium operum effector doctor que hominum eorum qui libenter quae vera sunt audiunt, et multos quidem Iudaeorum, multos etiam ex gentilibus sibi adiunxit; Christus hic erat. hunc accusatione primorum nostrae gentis virorum, cum Pilatus in crucem agendum esse decrevisset, non deseruerunt hi qui ab initio eum dilexerant; apparuit enim eis tertio die iterum vivus, secundum quod divinitus inspirati prophetae vel haec vel alia de eo innumera miracula futura esse praedixerant. sed et in hodiernum diem Christianorum, qui ab ipso nuncupati sunt, et nomen perseverat et genus. -- Rufinus, Church History (401 A.D.)

Traduções comuns corrigidas como se contivesse interpolações:

Havia neste tempo Jesus, um homem sábio [, se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer]. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios. [Ele era o Cristo.] E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram; [porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele]. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje."

Tradução possível do grego original no espírito de Flávio Josefo:

NB: 1º É quase seguro que as referências ao crime de “magia”, que as fontes judaicas referem como crime de acusação após a ressurreição de Lázaro, foram automaticamente apagadas do texto original por todos os copistas que o faziam porque considerariam pecado mortal não o fazer.

Porém, por este tempo, apareceu  alguém do contra (= um amotinador) um tal Jesus (bastardo), um (macho humano) adulto habilidoso (= charlatão), se é que se pode tratar humano a um inventor de magias contra os nossos costumes; um demagogo (mestre) de vagabundos (pessoas que) correm atrás do prazer (dionisíaco). Ele transviou muitos judeus e ainda muito mais gentios pois (pretendia) sero um messias (Cristo).

Quando, com base nas informações (sobre magia egípcia) fornecidas pelos principais homens da nossa nação (sinédrio) Pilatos o condenou à cruz, aqueles que foram amantes dele não desistiram (de provocar desordens) inventando que lhes apareceu vivo três dias depois e que os divinos profetas predisseram a seu respeito estes e outras inumeráveis magias (contrários aos nossos costumes).

Estes cristãos, assim chamados a partir dele, existem (proscritos) até hoje pois tal praga ainda não desapareceu.

2º Confirma-se que texto de Josefo foi censurado por manipulação beata de forma a se adaptar aos ouvidos cristãos sem grande escândalo, mais por omissões do que por interpolações, e sobretudo por meio de traduções latinas tendenciosas que retiram ao texto grego de Josefo todo o tom de desprezo, ironia e sarcasmo que ele seguramente sentia pela figura de Jesus.

Um sábio israelita, Shlomo Peres, estudou esses diferentes manuscritos e considera ter atingido a "versão mínima" de Flávio Josefo. Ei-la:

"Nesse tempo vivia um rabino chamado Jesus. Comportava-se de uma maneira correcta e era estimado pela sua virtude. Muito foram os que, tanto Judeus como pessoas de outras nações, se tornaram seus discípulos. Pilatos condenou-o a ser crucificado e a morrer. Mas aqueles que se tinham tornado seus discípulos não deixaram de seguir a sua doutrina: contaram que ele lhes tinha aparecido três dias depois da sua crucifixão e que estava vivo. Provavelmente ele era o Messias sobre quem os profetas contaram tantas maravilhas".

Obviamente que esta versão bem comportada do sábio israelita, Shlomo Peres é um revisionismo feito de propósito para agradar aos cristãos que deixaram de ser antissemitas porque Flávio Josefo nunca afirmaria que Jesus poderia ter sido o Messias porque a evidência era outra: o povo eleito acabava de ter sido eliminado da face da terra por Tito o que o Messias nunca teria permitido!

 

TESTEMUNHO DE TERTULIANO

Tibério, em cujos dias surgiu o nome Cristão no mundo, tendo recebido informações da Palestina sobre os acontecimentos que demonstraram claramente a verdade da divindade de Cristo, levou, adequadamente, o assunto ante o Senado com sua própria decisão a favor de Cristo. O Senado rejeitou sua proposta porque não fora ele mesmo que dera sua aprovação. O imperador manteve sua posição ameaçando com sua ira todos os acusadores dos cristãos. TERTULIANO: APOLOGIAS – V

Datamos a origem de nossa religião, como antes já mencionamos, do tempo do reino de Tibério. A verdade e a aversão à verdade vieram ao mundo juntas. Assim que a verdade apareceu, foi olhada como inimiga. Nesse processo há tantos loucos quantos desconhecedores dele: os Judeus, como se deve pensar, levados por um espírito de rivalidade; os soldados, levados pelo desejo de extorquir dinheiro; nossos domésticos, levados por sua natureza. Somos diariamente atacados por ensandecidos, diariamente traídos, somos muitas vezes surpreendidos em nossas assembleias ou cultos. -- TERTULIANO: APOLOGIAS – VII

Os meninos eram sacrificados abertamente na África a Saturno até o proconsulado de Tibério, que expôs à vista do público os seus sacerdotes crucificados nas árvores sagradas, que lançavam sombras sobre seus templos - tantas eram as cruzes nas quais a justiça exigida aplicou o castigo por seus crimes, como os nossos soldados podem ainda testemunhar, tendo sido, de fato, esta uma obra daquele Procônsul. Até presentemente aquele criminoso culto continua a ser feito, secretamente. TERTULIANO: APOLOGIAS – IX

Agora, tendo confirmado que nossa religião está fundamentada nas escrituras dos hebreus, as mais antigas que existem, embora seja corrente e nós admitimos inteiramente que nossa religião date de um período comparativamente recente - não anterior ao reino de Tibério, talvez, devamos levantar a questão de suas bases, para não parecer que ocultamos sua origem sob a sombra de uma ilustre religião, a qual possui, sob todos os aspectos, indubitavelmente, a aceitação da lei. TERTULIANO: APOLOGIAS – XXI

A principal controvérsia dos ateus relativa a prova tertuliana decorre da suspeita de que este apologista cristão teria afirmado que Tibério se converteu ao cristianismo o que é falso.

Unfortunately for Christian apologists who like to use this passage as independent confirmation of Jesus, this passage is highly doubtful. There is an extremely high probability that Tiberius never converted to Christianity, in which case this passage is unreliable and can't be used as independent confirmation of Jesus. The reasons for believing that Tiberius never converted to Christianity are as follows:

Nem vale a pena ler os argumentos de que Tibério não acreditou na divindade de Cristo porque nem Tertuliano acreditaria em tal dislate. Primeiro porque não se pode inferir isso do que ele afirmou em APOLOGIAS – V, depois porque se dúvidas houvesse este apologista tirou-as em APOLOGIAS – XXI:

Todas essas coisas Pilatos fez a Cristo, e agora, realmente, os cristãos têm suas próprias convicções. Pilatos escreveu sobre Cristo ao Imperador reinante que era, na época, Tibério. Sim, e os Imperadores também teriam acreditado em Cristo, caso os Imperadores não tivessem sido necessários ao mundo, ou se os cristãos pudessem se tornar Imperadores. TERTULIANO: APOLOGIAS – XXI

Historicamente só tem valor a confirmação de que Jesus morreu nunca antes do reinado de Tibério. O restante é pura apologética cristã de alguém que acreditava que a Acta Pilati tinha que existir porque a questão das relações entre a fé e a filosofia nem sequer se colocavam, pois entre ambas nada existia de comum. Do mesmo que Tertuliano, Justino Mártir escreveu (em cartas apologéticas endereçadas nominalmente ao imperador romano Antonino Pio e ao Governador romano Urbicus que viveram entre 138 - 161 d.C): "E estas coisas aconteceram e vocês podem comprová-las pelos Atos de Pôncio Pilatos."

Parece que Justino tinha a temeridade de apelar para os registos oficiais do império sem ter a confirmação da sua existência:

Capítulo 34. Local do nascimento de Cristo predito: E ouça em que parte da terra Ele deveria nascer, como predisse outro profeta, Miquéias. Ele falou assim: "E você, Belém, a terra de Judá, não é a menor entre os príncipes de Judá; pois de você sairá um governador, que alimentará o meu povo". Miquéias 5: 2 Agora, há uma aldeia na terra dos judeus, trinta e cinco estádios de Jerusalém, na qual Jesus Cristo nasceu, como você também pode verificar nos registros dos impostos cobrados por Quirino, seu primeiro procurador em Judéia. -- Apologias de Justino.

De facto este censo existiu e nada prova que a burocracia imperial o não tivesse registado pois tal é confirmado por Josefo que afirma ainda que os judeus reagiram de forma violentamente negativa e se a maioria foi convencida a cumpri-lo pelo sumo sacerdote, alguns se uniram a Judas Galileu numa revolta que criou a facção dos zelotas.

De facto, a novela bizantina que existe actualmente com o nome de actos de Pilatos não tem qualquer credibilidade tanto mais que Eusébio de Cesareia não demonstra conhecer esta obra, embora ele estivesse a par da existência das "Cartas de Pilatos", citadas por Justino Mártir e Tertuliano. Ele também estava a par de um texto anticristão chamado "Atos de Pilatos", que era uma leitura recomendada nas escolas durante o reino de Maximino Daia nas perseguições de Diocleciano. Assim, é duvidoso que Pilatos tenha escrito uma carta a Tibério que não fosse um mero relatório sumário da grave ocorrência em termos tão pouco abonatórios para Jesus Cristo e que, por ser conveniente, se terá perdido.

En cuanto a la historicidad de Jesús contamos con dos fuentes bien importantes, la mayoría que encontramos en el Nuevo Testamento de la Biblia judeocristiana: las cartas auténticas de Pablo de Tarso, los evangelios canónicos —Marcos, Mateo, Lucas y Juan— y uno no canónico —Tomás—.

(...)

Hechos de los Apóstoles, escrito décadas después de las cartas de Pablo, tal vez 55 años más tarde según algunos autores (ca. 115-130 e.c., e.g. Pervo, Dating Acts), a_rma que cuando Pablo estaba predicando en Damasco, los judíos querían matarle y que la situación era tal, que estuvieron en vigilia ante la puerta de la muralla de la ciudad. Según Hechos, Pablo tuvo que escapar colgado de una espuerta por un agujero en la muralla (Hechos 9:23-25). Esto raya en imposible. Los judíos no podían llevar a cabo un plan de tal envergadura sin que lo notaran las autoridades de Damasco. Ahora bien, Pablo nos da su versión de los hechos brevemente en una de sus cartas: “En Damasco, el etnarca del rey Aretas tenía puesta guardia en la ciudad de los damascenos con el _n de prenderme. Por una ventana y una espuerta fui descolgado muro abajo. Así escapé de sus manos” (2 Corintios 11:32-33). Esto sí es plausible históricamente. Nos dice él en Gálatas 1:17 que había ido a Arabia (Nabatea) y que, parece que poco tiempo, hizo algo que no le gustó al rey Aretas IV y que desacreditaba a Pablo. Sospechosamente, el apóstol se mantiene en silencio en cuanto a lo que hizo en territorio nabateo y Hechos ni hace alusión al viaje de Pablo a Arabia. El rey Aretas no tenía dominio en Damasco, pero Josefo nos dice que, en un momento dado, aprovechó un vacío político en Roma, producto de la muerte de Tiberio, para atacar el territorio dominado por Herodes Antipas, que, da la casualidad, es cercano a Damasco (Josefo, Antigüedades judías, 1097-1100 (XVIII:109-125); Marcus J. Borg y John Dominic Crossan, El primer Pablo: La recuperación de un visionario radical (Navarra: Editorial Verbo Divino, 2009), 82-84; Montserrat Torrents, La sinagoga cristiana, 85-86. . -- ¿Existió Jesús? Una perspectiva histórica, Pedro M. Rosario Barbosa University of Puerto Rico at Cayey.

Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. Gálatas 1:18,19. (...)

E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras (as mãos direitas), em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; Gálatas 2:9. (...)

Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. Gálatas 2:12

 

PROVAS EXTRA-CANÓNICAS


A historicidade do cristianismo começa com Nero precisamente pelo uso dramático e desastrado que ele fez desta seita judia com os mesmo propósito com que as perseguições a judeus e cristão foram várias vezes usadas ao longo da história como catarse e alibí dos males das populações que os não compreenderam.

O que, porém, mais se recorda dele, ainda hoje – e que aqui interessa –, é o incêndio de Roma, no ano 64. Há divergências a respeito do fato. Para alguns, Nero encontrava-se em Ânzio – cerca de 60 km de Roma – quando surgiu o fogo; teria então ido a Roma e deixado que o fogo concluísse o seu trabalho. Outros, como Suetónio e Dião Cássio, garantem que o fogo foi ordenado por ele, pois desejava construir uma cidade mais linda, e funcionários imperiais teriam mesmo sido vistos pelas ruas ateando fogo. O certo é que pairavam desconfianças sobre ele como responsável pelo fogo e, a fim de safar-se da situação, atribuiu a culpa aos cristãos. Tácito narra o fato assim:

Cornélio Tácito. “(...) nem todo o socorro que uma pessoa poderia ter prestado, nem todas as recompensas que um príncipe poderia ter dado, nem todos os sacrifícios que puderam ser feitos aos deuses, permitiram que Nero se visse livre da infâmia da suspeita de ter ordenado o grande incêndio, o incêndio de Roma. De modo que, para acabar com os rumores, acusou falsamente as pessoas chamadas de cristãs pela populaça, que eram odiadas por suas abominações, e as puniu com as mais terríveis torturas. Chrestus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à extrema punição às mãos de um dos nossos governadores Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério; [9]. mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judeia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma para onde de confluíram de todos os pontos os sectários, fazendo coisas das mais audazes e vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular, viu-se que se tratava de incendiários professando um ódio mortal ao género humano”. Zombarias de todos os tipos foram adicionadas às suas mortes. Cobertos com as peles de animais, eles foram rasgados por cães e pereceram, ou foram pregadas à cruz, ou foram condenadas às chamas e queimadas, para servir de iluminação nocturna, quando a luz do dia tinha expirado. Nero ofereceu os seus jardins para esse espectáculo, e ao mesmo tempo dava os jogos do Circo, confundido com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando as carroças. Desta forma, ainda que culpados, e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não eram imolados à pública utilidade, mas aos passatempos atrozes de um bárbaro. Anais 15:44.

Os ateístas começam por desacreditar o texto com argumento ad homine típicos de quem fala por puro despeito: “Públio Caio Cornélio Tácito nasceu no ano 55 E.C. e morreu em 120 E.C. Foi historiador romano, questor, pretor, cônsul e procônsul da Ásia, além de um grande orador. Ufa! O cara foi tudo. Se dessem oportunidade, ele teria sido até mesmo imperador”. Como tal argumento acabaria por resultar ao contrário viram-se contra a obre: “A obra de Tácito passou por altos e baixos. Considerando que o declínio da literatura latina no final do século II causou um certo “esquecimento” a respeito do autor e sua obra, autor este que acaba sendo redescoberto apenas na Antiguidade Tardia, (...). No começo da Idade Média, sua obra voltou a cair no esquecimento, para só readquirir notoriedade durante a Renascença, que marcou o fim dessa Era. Assim, em consequência destas idas e vindas, os textos maiores de Tácito chegaram muito fragmentados, (...) Não se pode precisar se o que restou é relato fidedigno, mediante o texto original de Tácito. E não precisa ter carteirinha de céptico para duvidar da autenticidade total dos relatos que sobreviveram até os dias de hoje. (...) Não foi citado por qualquer escritor antes do século XV; e quando foi citado, havia só uma (sim, UMA) cópia dos “Anais” no mundo; e era suposto que aquela cópia tinha sido feita no oitavo século – seiscentos anos depois da morte de Tácito! Os “Anais” foram publicados entre 115 e 117 E.C., quase um século depois do tempo de Jesus – assim a passagem, mesmo que fosse genuína, não provaria nada de nada sobre Jesus”.

De todo este discurso de ateísmo ressabiado apenas se pode extrair a certeza de que este texto nunca foi citado antes do século XV precisamente porque este livro de Tácito não era tido em muito boa conta (e por isso não era consultado nem lido) por dizer muito mal dos cristãos que para desgraça dos ateístas eram os únicos que o possuíam. Mesmo assim tiveram todo tempo para o destruir ou censurar o que milagrosamente não fizeram para infelicidade dos ateístas. Quanto muito adicionaram-lhe o parágrafo final que não parece ser do estilo clássico nem corresponder à realidade histórica factual mas apenas ao imaginário corrente do martiriologia cristã.

“Como podem observar, Tácito não afirma que houve um Jesus Milagreiro na Palestina. Ele fala de um arrastão de seguidores de Cristo (esse “Cristo” não é um nome próprio e sim um título). (...) Os primeiros seguidores de Cristo se chamavam "santos", "irmãos", "Irmãos do Senhor", "Irmãos em Cristo" etc., como pode-se ver nas epístolas paulinas. Havia um sem-número de diferentes denominações, cada uma com uma teologia própria, como ebionitas, marcionitas, adocetistas etc. "Cristão" é uma denominação, historicamente falando, bem recente”. (...)

Portanto, não sendo possível atacar Tácito nem o seu texto os ateístas resolveram ataca-lo pelo contexto. Tácito não podia estar a falar dos cristãos porque estes foram assim denominados em tempos bem recentes mas, recentes quanto? Adiante se verá que teria que ter sido antes do ano 64, ou seja, pouco antes das guerras Judaicas de Tito e uma geração após a morte de Jesus.

 “O texto de Cornélio Tácito, mesmo que seja levado em consideração, afirma unicamente a existência de cristãos, membros seguidores do que ele chama literalmente de “perniciosa superstição”. Logo, mesmo que Tácito se tenha referido a Jesus, ele não acreditou que o talzinho era filho de deus nenhum”. E mesmo que dissesse, seria uma interpolação cristã porque Tácito não poderia dizer uma loucura destas nem isso interessa a um ateísta capaz de afirmar categoricamente que Deus não existe. Obviamente que estamos a falar de uma realidade histórica relativa a um movimento religioso que aparece em Tácito como sendo já de cristãos seguidores dum tal chamado Cristo que para Tácito era irrelevante que fosse nome próprio ou alcunha, por sinal atribuída com desprezo pelos gentios de Antioquia aos seguidores de Jesus Nazoreno.

1Pe 4.14-16 | 14 Se vocês forem insultados por causa do nome de Cristo, abençoados serão, pois o glorioso Espírito de Deus repousa sobre vocês. 15 Se sofrerem, porém, que não seja por matar, roubar, causar confusão ou intrometer-se em assuntos alheios. 16 Mas, se sofrerem por ser cristãos, não se envergonhem; louvem a Deus por serem chamados por esse nome!

A falta de melhores argumentos os detractores têm sempre o último recurso de morder as canelas dos adversários com escarninhos hipercorrectos:

“Examinando mais detidamente, vemos coisas bizarras nos textos mais antigos, já que não havia menção de "cristãos" (coisa que eu demonstrei não ser possível), mas de crestinianos. O dr Erik Zara submeteu o pergaminho a análises e os resultados foram que o texto foi adulterado, de "crestinianos" para "cristãos". Mas isto não passa de uma mera curiosidade filológica! O termo grego para Messias era de facto Chrestos. No entanto nem isso é sequer verdade porque lendo o texto do dr Erik Zara que refere:

I consider it now totally safe to say, in accordance with the examinations made by Andresen, Lodi and Rao, that the fourth letter in “Christianos” indeed has been changed from an “e” to an “i”. Accordingly, the scribe originally wrote Chrestiani, “Chrestians”, which might be what the Romans called the Christians, according to somescholars.9But who changed the word? (…)

For the sake of clarity, I will add that this particular manuscript of Annales does not contain the name Chrestus. No evidence of any alteration of the word “Christus” can be found in the ultraviolet photograph. -- The Chrestianos Issue in Tacitus Reinvestigated, by Erík Zara, Th.D. (rel. expt), © 2009.

Claro que Erík Zara não encontrou nesta copia dos Anais provas de que Christus foi corrigido de Chrestos mas deixou provas suficientes para suspeitar que em cópias anteriores tal poderia ter acontecido porque existe nexo fonético entre as vogais gregas “e” (longo) e “i” (o chamado “etacismo”), e “Chrestos” (significando, mais ou menos, o “hábil”, “prestimoso”, “bom”) possa perfeitamente ser confundido com “Cristo” (o “ungido”, tradução grega da palavra hebraica “messias”).

Ainda assim há alguma diferença entre chrestianos e o inventivo ateísta crestinianos!!!

Jud. Messias > Grec. Chrestos => chrestianoi > crestianos > .

                                                                          > christianoi > cristianos.

Mas o disparate maior da arrogância ateísta manifesta-se agora:

Afirmar uma existência de Jesus Cristo com base na existência de cristãos é a mesma coisa que dizer que Vishnu, Brahma e Shiva existem pois existem muitos hindus no mundo. Ahahahahahahaha! Que disparate! Obviamente que os deuses Hindus existem quanto mais não seja como mera representação ou ideia na mente dos seus crentes. As ideias existem ou são meras ilusões? Claro que não vamos afirmar que Marx existiu porque existem marxistas mas podemos afirmar que todos os seguidores de uma doutrina existem porque alguém a criou e iniciou e obviamente na falta de outras fontes podemos aceitar que a doutrina recebe nome do seu autor até prova em contrário. Ora no texto de Tácito ficou claro que já se acreditava em Roma por altura do Grande Incêndio de Roma, ocorrido na noite de 18 de Julho, no ano 64 d. C. no reinado de Nero, que foi um tal Christos / Chrestos que deu nome ao cristianismo. Certo ou erradamente isso é que temos de analisar depois.

Tácito não tinha conhecido Nero, a quem descreveu com cores sombrias. Conviveu, porém, com Plínio, o Velho (24-79), cuja História de Nero se perdeu. No entanto, na Naturalis Historiæ (XVII.1), a sua maior obra, existem várias referências àquele imperador, todas elas negativas. Tanto Plínio como Tácito e Dião Cássio pertenciam à classe senatorial romana, enquanto Suetónio, à classe equestre. Ora, a elite romana, por diversos motivos, odiava Nero, mas nem por isso se pode desqualificar o que esses autores escreveram sobre ele.

Pode-se questionar, em parte, o relato de Tácito. De fato, escrevendo meio século depois, viu os cristãos pelos olhos de seu tempo, quando já eram odiados por muitos. Entretanto, alguns dizem que é difícil supor que uma pequena comunidade, que no ano 64 começava a se organizar e devia ser desconhecida para a maioria da população, já tivesse provocado tanto ódio pois que até mesmo o nome dos "cristãos" seria deslocado porque se supõe que, no tempo de Nero, os seguidores de Cristo ainda não tivessem essa alcunha. De suposição e especulação e se os actos dizem que foi em Antioquia que veio nome aos cristãos e se o santos padres da Igreja afirmam que Lucas, um médico sírio de Antioquia e companheiro de S. Paulo, foi seu autor então tudo aconteceu muito cedo. Pelos vistos, o nome cristão apareceu ainda no tempo dos actos dos Apóstolos o que não é assim tão recente e até aí os judeus chamavam-nos de nazorenos porque as seitas heréticas referidas como ebionitas, marcionitas, adocetistas, etc., é que são mais recentes.

Actos dos Apóstolos em 11: 5 E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. 26 E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.

Entretanto, as datas propostas para o livro vão de 62 d.C., ano em que ocorre o último acontecimento narrado em Actos 28: 30: 30 Durante dois anos inteiros permaneceu no seu aposento alugado, e recebia todos os que vinham ter com ele (Paulo), 31 pregando o reino de Deus e ensinando as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo com toda a liberdade e sem impedimento”, até meados do século II, quando ocorre a primeira referência explícita ao livro de Actos na Epistula Apostolorum. Sendo assim a referência explícita aos cristãos de Antioquia nos actos obriga a aceitar que o qualificativo khristianoï terá aparecido em Antioquia por volta do ano 44. [10] E deve ter chegado depressa a Roma porque, como vermos noutro contexto, Paulo quando lá chegou se admirou de ser grande a fé cristã dos romanos o que terá acontecido por volta do anos 60, ou seja quatro anos antes do incêndio de Roma no tempo de Nero, em 64.

Em compensação, Tácito, que viveu e escreveu décadas antes de Suetónio e um século antes de Dião Cássio, relaciona a perseguição dos cristãos ao incêndio de Roma – e nisto concorda com a tradição dos autores cristãos –, enquanto os outros dois autores separam os fatos.

Tácito formaba parte del Quindecimviri sacris faciundis, un consejo de sacerdotes que se encargaban de supervisar todos los mitos y religiones no romanos. Nuestro historiador estaba en la posición y obligación de estar muy familiarizado con todo lo que pudiera relacionarse con el Cristianismo como movimiento religioso.

A presença dos cristãos em Roma é anterior a 49 d.C. Isto pode ser comprovado através da obra de Suetónio, Vida de Cláudio, capítulo 25, onde o autor nos informa: “como os judeus se sublevavam continuamente por instigação de Chrestós, [Cláudio] os expulsou de Roma.”.Uma outra alusão à presença dos cristãos em Roma no tempo de Cláudio pode ser encontrada no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 18, versículos 1-2. (...)

Segundo Tácito, os cristãos eram vistos como inimigos do gênero humano; e Suetônio os apresenta como homens afeitos a uma superstição nova e maléfica.

Cassius Dio faz um comentário em 60.6.6-7 sobre uma acção no início do reinado de Cláudio: Quanto aos judeus, que haviam aumentado tanto que, por causa de sua multidão, teria sido difícil sem causar um tumulto para barrá-los da cidade [Roma], ele [Cláudio] não os expulsou, mas ordenou que eles enquanto continuassem com o seu modo de vida tradicional não podiam realizar reuniões.

Segundo Suetônio e Dião Cássio, o povo de Roma celebrou a morte de Nero. Tácito, porém, fala nos seus escritos de um panorama político muito mais complicado, segundo o qual a morte de Nero foi bem recebida entre os senadores, a nobreza e a classe alta, mas que, ao contrário, a classe baixa, os escravos e os assíduos do teatro, que foram os beneficiários dos excessos do imperador, receberam a notícia com pesar. O exército, entretanto, estava na encruzilhada entre o dever de obediência a Nero, como seu imperador, e os subornos oferecidos para derrubá-lo.

Filóstrato e Apolônio de Tiana mencionam a morte de Nero como um duro golpe para o povo em geral, que a chorou com amargura devido a que "restabeleceu e respeitou as liberdades com uma sabedoria e moderação das quais o seu carácter carecia".

Os historiadores modernos defendem a teoria de que, enquanto o Senado e a classe alta receberam com regozijo a notícia, o povo lhe “foi fiel até o final” o que demonstra que se vox Deus vox popoli muito mais certo será que Deus escreve direito por linhas tortas e portanto o suplicio dos cristãos estava inscrito no plano de Deus como caminho para futuro sucesso do cristianismo no Império Romano e salvação do ocidente.

Ele colocou limites ao luxo: as refeições que foram dadas ao povo foram transformadas em distribuições chamadas sportula; Proibiu a venda de qualquer coisa cozida nas tabernas, excepto os vegetais, pois que antes eles vendiam todo tipo de iguarias. Os cristãos, classe de gente cheia de superstições novas e maliciosas, foram entregues à tortura; pôs fim à licença dos quadrigas, que em sua vida vagabunda acreditavam que tudo lhes era permitido, e que haviam tornado em jogo a trapaça e o roubo. Aqueles que intrigaram a favor ou contra os mímicos foram banidos e, com eles, os cómicos que deram origem às intrigas. – Vida de los doce Césares, por Caio Suetonio.

Em conclusão, o único fato concreto, a ser deduzido com segurança, é o da existência de uma comunidade cristã, em Roma, com tradições, em certos pontos concordantes com as descritas no Novo Testamento, nos tempos do Imperador Nero (54-68 D. C.), cuja perseguição aos cristãos motivou Tácito a escrever o comentário em apreço.

Entretanto, a menção mais importante que se conserva é a do romano Suetónio (65-135 D. C.), ao descrever um movimento messiânico durante o reinado de Cláudio, que foi imperador de Roma de 41 a 54, diz na biografia do imperador Cláudio: “Ele expulsou de Roma os Judeus que faziam grande alarido por causa de Chrestus”. O escritor Orósio refere que esta expulsão teve lugar no ano 9 do reinado de Cláudio – portanto no ano 49 depois de Cristo – provando-se que 15 ou 20 anos depois da crucificação já existia uma comunidade cristã em Roma, o que não deixa de ser coisa estranha.

A estes testemunhos romanos vem juntar-se uma referência surpreendente dos Atos dos Apóstolos. Com efeito, quando Paulo seguiu de Atenas para Corinto, encontrou aqui “um judeu, chamado Áquila, natural de Ponto, que pouco antes tinha chegado da Itália, e Priscila, sua mulher (pelo motivo de Cláudio ter mandado sair de Roma todos os judeus)” (Ap.18-2).

Obviamente que é ainda muito cedo para se falar de cristãos seguidores de Jesus Cristo e agora temos que dar alguma razão aos ateístas e não tanto porque no texto de Suetónio Chrestus apareça como nome próprio quando "Cristo" é um título mas porque seguramente Jesus nunca pôs os pés em Roma. Sendo assim, é de suspeitar que Suetónio fez uma figura de retórica confundindo judeus messianistas com um seu suposto chefe que seria o Messias esperado pela seita messiânica dos judeus essénios que afinal já estariam espalhados pela diáspora por toda a Ásia e em Roma o que justifica o espanto de S. Paulo quando afirma

A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé. Romanos 1:7,8

 

Mara Bar-Serapion: “Que proveito os atenienses obtiveram em condenar Sócrates à morte? Fome e peste lhe sobrevieram como castigo pelo crime que cometeram. Que vantagem os habitantes de Samos obtiveram ao pôr em fogo Pitágoras? Logo depois sua terra ficou coberta de areia. Que vantagem os judeus obtiveram com a execução do seu sábio rei? Foi logo após esse acontecimento que o reino dos judeus foi aniquilado. Com justiça, Deus vingou a morte desses três sábios: os atenienses morreram de fome; os habitantes de Samos foram surpreendidos pelo mar; os judeus arruinados e expulsos de sua terra, vivem completamente dispersos. Mas Sócrates não está morto, ele sobrevive aos ensinos de Platão. Pitágoras não está morto; ele sobrevive na estátua de Hera. Nem o sábio rei está morto; ele sobrevive nos ensinos que deixou.” Manuscrito Siríaco, add 14, 658.

O problema deste texto é que dificilmente se poderá ter a certeza de qual e quando seria o rei que os judeus mataram. Com alguma boa vontade poderemos aceitar que seria o mesmo que Pilatos crucificou como Jesus Nazareno, rei dos judeus, mas para isso termos que aceitar que afinal os evangelhos se esqueceram de relatar que a expulsão dos vendilhões do templo foi algo mais, ou seja, que houve uma verdadeira tomada do Templo durante a qual Jesus se declarou Messias de Israel e rei dos Judeus.

Mas quem era Mara Bar-Serapion? Ao contrário do que se possa pensar, ninguém sabe ao certo. Costuma-se espalhar por aí que seria um filósofo estóico da província romana da Síria mas é duvidoso que assim fosse perante tantas lacunas em cultura geral que manifesta nesta carta. Também se diz que se tornou  amplamente conhecido em função desta carta que teria escrito a seu filho, mas a verdade é que ninguém fez referência a este documento até que foi publicado pela primeira vez no século XIX por Willian Cureton, que acreditava que Mara Bar-Serapião era cristão perseguido o que os mais recentes académicos não conseguem comprovar.

Mas é evidente que este autor anónimo de modestos recursos de erudição estava a escrever uma carta íntima ao filho onde poderia divagar livremente e dar asas à sua imaginação sem que ninguém o pudesse chamar à razão porque nem os atenienses morreram de fome e peste por causa da morte de Sócrates, nem Pitágoras morreu pelo fogo. De qualquer maneira, o estilo supersticioso e moralista da carta sugere um escrivão do primeiro século da era cristã, possivelmente um rico mercador da zona síria da rota da seda.

Luciano de Samosata.Os cristãos, como sabes, adoram um homem até hoje – o personagem distinto que introduziu seus rituais insólitos e foi crucificado por isso (…) Essas criaturas mal orientadas começam com a convicção geral de que são imortais, o que explica o desdém pela morte e a devoção voluntária que são tão comuns entre eles; e ainda foi incutido neles pelo seu legislador original que são todos irmãos desde o momento que se convertem, e vivem segundo as suas leis. Adoptam tudo isso como fé, e como resultado desprezam todos os bens mundanos, considerando-os simplesmente como propriedade comum.” The Death of Peregrinus 11:3

Mais uma vez estamos apenas a verificar a historicidade dos cristãos e não de Jesus Cristo porque o texto deste vez nem sequer dá o nome do legislador original deste comunismo cristão primitivo o que tanto pode reportar-se a Jesus Nazoreno como a Judas o Galileu, fundador da seita dos zelotas que é a que literalmente aparece aqui descrita.

6. Además de estas tres sectas, el galileo Judas introdujo una cuarta. Sus seguidores imitan a los fariseos, pero aman de tal manera la libertad que la defienden violentamente, considerando que sólo Dios es su gobernante y señor. No les importa que se produzcan muchas muertes o suplicios de parientes y amigos, con tal de no admitir a ningún hombre como amo. – Flábio Josefo, Antiguedades De Los Judios, LIBRO XVIII, Cap. 1.

Se é verdade que Judas de Gamala liderou uma revolta messiânica contra o senso de Quirino também é certo que esta foi duramente reprimida pelos romanos e, embora Josefo não informe o destino de Judas, é possível que ele tenha morrido em combate ou aprisionado e executado pois há mesmo autores das teorias da conspiração que afirmam que morreu e ressuscitou ao terceiro dia como Jesus Cristo, mas não existem provas históricas disso. O mais provável é que tenha passado à clandestinidade e tenha voltado uma geração depois como João Batista...ou como Jesus da Galileia.

Plínio, o Jovem. Autor e administrador romano da Bitínia, na Ásia Menor. Em 112 d.C. escreveu uma carta ao imperador romano Trajano, descrevendo as práticas rituais dos cristãos nestes termos: “Todos estes adoraram a tua imagem e as estátuas dos deuses e amaldiçoaram a Cristo, porém, afirmaram que a culpa deles, ou o erro, não passava do costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus; de obrigarem-se, por juramento, a não cometer crimes, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição comum e inocente, sendo que tinham renunciado à esta prática após a publicação de um édito teu onde, segundo as tuas ordens, se proibiam as associações secretas. O assunto parece-me merecer a tua opinião, principalmente por causa do grande número de acusados. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e dos dois sexos, que estão ou estarão em perigo, não apenas nas cidades mas também nas aldeias e campos onde se espalha o contágio dessa superstição; contudo, creio ser possível contê-la e exterminá-la.” Epístolas 10:96

Imperador Trajano que em 112 d.C. respondeu à carta anterior de seu administrador Plínio, o Jovem: “Nenhuma busca para encontrar essas pessoas deve ser feita; quando eles forem denunciados e condenados, devem ser punidos; mas com a restrição de que, quando a pessoa negar ser um cristão, e provar que não é (ou seja, adorando os nossos deuses), ela será perdoada por arrependimento, apesar de ter incorrido em suspeita anteriormente.” Epístolas 10:97

Suetónio, secretário chefe do Imperador Adriano (117-138 d.C.): “Como os judeus, por instigação de Chrestus, estivessem constantemente provocando distúrbios, Cláudio os expulsou de Roma.” -- Suetônio, Vida de Cláudio, 25:4.

Norman Geisler explica que “Suetônio, ao escrever muitos anos mais tarde, não estava na posição de saber se os tumultos eram provocados por Chrestus [Cristo] ou pelos judeus contra seus seguidores. De qualquer forma, Cláudio ficou aborrecido o suficiente para expulsar todos os judeus da cidade (inclusive os companheiros de Paulo, Áquila e Priscila) em 49 d.C.” (Enciclopédia de Apologética, p. 449).

Apesar de Suetónio estar a escrever muitos anos mais tardetinha por isso mesmo a obrigação de já saber distinguir os judeus dos cristãos a menos que continuasse, tal como hoje, a não saber distinguir judeus ortodoxos de judeus messianistas que afinal seriam anteriores aos próprios cristãos.

Imperador Adriano de 117 a 138 d.C. Escreveu uma carta a Minúcio Fundano, procônsul da Ásia, por volta do ano 125 d.C., divulgada pelo historiador Eusébio de Cesareia (século IV), no capítulo 9 do livro IV de sua História Eclesiástica: “Elio Adriano Augusto, a Minúcio Fundano, procônsul, saúde. Recebi cartas dirigidas a mim por Serenio Graniano, varão esclarecido, teu antecessor. Certamente parece-me que este assunto não deve ser tratado de qualquer maneira, sem um exame criterioso, para que os cristãos não sejam perturbados, e para que não se dê aos delatores ocasião de caluniar. Portanto, se os habitantes das províncias podem se fazer presentes em seus processos judiciais contra os cristãos, de tal modo que respondam diante do tribunal, procurem unicamente que não se use de petições e clamores. Porque será muito mais justo que tu descubras se alguém está só com a intenção de acusar. Se alguém denunciar os cristãos e provar que eles têm agido contra a lei, toma uma decisão contra os acusados conforme a gravidade do delito. Mas se, conforme estou suspeitando, o acusador pretender unicamente caluniar, tu lançarás mão dos meios para castigar, conforme a gravidade do crime.”

Este texto tem o defeito comum de apenas comprovar a historicidade dos primeiros cristão mas de nada provar a respeito de Jesus Cristo...para além da suspeita adicional de poder ser uma falsificação a mais de Flávio Josefo.

 

TESTEMUNHO TALMUDICO

A grande quantidade de anacronismos, os absurdos históricos, as flagrantes contradições, as impossibilidades ridículas (por exemplo, alguém enforcado em uma haste de repolho), o forte caráter satírico e, sobretudo, a subjacente intenção maliciosa de depreciar a vida de Jesus, impossibilitam os historiadores de creditar esta coleção de contos anti-cristãos como documento histórico. Muito mais ainda para uma pessoa, no meio de uma cultura acostumada e viciada a acreditar, a ler e a pregar a vida de Jesus com base nos evangelhos canônicos, o Toledoth Yeshu parece um amontoado de histórias ridículas. Portando, quase todos cristãos ou indivíduos educados em sociedades cristãs o repudiarão imediatamente, antes mesmo de lê-lo na íntegra.

Agora, por outro lado, o arraigado hábito intelectual de acreditar na versão dos vencedores, qual seja, a da Igreja Cristã triunfante nos primeiros concílios e hoje dominante, também é um obstáculo para a percepção de que, o mesmo tanto que os contos do Toledothexageram na depreciação de Jesus, criando boatos e difamações, os evangelhos canônicos e apócrifos, por sua vez, exageram na exaltação, criando mitos, embelezamentos e ficções. Portanto, a eliminação destes dois extremos é a tentativa dos atuais historiadores de encontrar uma versão histórica, através do importante projeto em andamento “Em Busca do Jesus Histórico”. -- O RETRATO HOSTIL DE JESUS NO TOLEDOTH YESHU, Octavio da Cunha Botelho.

 “A literatura tradicional judaica, embora mencione Jesus só muito raramente (e, seja como for, tem de ser usada com muita cautela), respalda a alegação do evangelho de que ele curava e fazia milagres, embora atribua tais actividades à magia. Além disso, ela preserva a lembrança de Jesus como professor, diz que ele tinha discípulos (cinco) e que, ao menos no período rabínico primitivo, nem todos os sábios haviam concluído que ele era ‘herege’ ou ‘enganador’.” (WILCOX, M., Jesus in the light of his Jewish environment,n25.1, 1982, pp.133; IN: STROBEL, Lee, Em Defesa de Cristo, pp.112).

“Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu e antes disso, durante quarenta dias o arauto proclamou que [ele] seria apedrejado ‘por prática de magia e por enganar a Israel e fazê-lo desviar-se. Quem quer que saiba algo em sua defesa venha e interceda por ele’. Mas ninguém veio em sua defesa e eles o penduraram na véspera da páscoa” (GEISLER, Norman, Enciclopédia de Apologética, VIDA, 2001, pp.450)

Ulla retrucou: Você acha que ele era aquele para quem a defesa poderia ser feita? Ele era um sedutor do qual Deus disse (Deuteronómio 13: 9) "Não mostres nenhuma piedade ou compaixão, e não o protejas". Yeshu era diferente porque ele estava perto do governo. [Família real] " Mishná, 43ª seção do Sanhedrin.

Yeshu tinha discípulos chamados Matha [Mateus], Naqai [Nicodemus?], Nezer [Nazareno?], Buni [João?] e Todah [Tadeu].” (Mishná, 43ª seção do Sanhedrin.)

Craig Blomberg declara que “a acusação de que Jesus era feiticeiro aparece em outros trechos da literatura rabínica, o que fornece corroboração indirecta de que Jesus realmente realizava milagres.” (Questões Cruciais do Novo Testamento, p. 45)

As referências a Notzrim no Talmud da Babilônia estão relacionadas ao significado e à pessoa de Yeshu Ha Notzri ("Jesus Nazareno") no Talmud e Tosefta. Isso inclui passagens no Talmud Babilônico, como o Sinédrio 107b, que afirma que "Jesus Nazareno praticou a magia e levou Israel a se desviar". O Talmud de Jerusalém contém outras referências codificadas para Jesus, como "Jesus ben Pantera" (*Pandera significa Traidor) enquanto as referências usando o termo notzri estão restritos ao Talmud da Babilônia.

*Pandera: Robert Eisler considered the name to be derived from Pandaros. He also argued that it may not have been a real name but instead as a generic name for a betrayer. He notes that in the Iliad, Pandaros betrays the Greeks and breaks a truce confirmed by solemn oath. He argues that the name came to be used as a generic term for a betrayer and was borrowed by Hebrew. The name is indeed found in Genesis Rabba 50 in the expression qol Pandar (literally "voice of Pandaros" denoting false promises of a betrayer) used as a derogatory placeholder name for a judge of Sodom. The -a at the end of the form Pandera can be understood to be the Aramaic definite article.

Notzri" (נוצרי) from the Hebrew NTzR = Branch Ne·tzer ne·tser (נֵ֫צֶר, n-ts-r), pronounced nay'·tser, meaning "branch", "flower", or "offshoot". Derived from na·tsar. Jerome (c. 347 – 420) linked "Nazarene" to a verse in the Book of Isaiah, claiming that "Nazarene" was the Hebrew reading of a word scholars read as ne·tzer (branch).The text from Isaiah is: There shall come forth a Rod from the stem of Jesse, And a Branch shall grow out of his roots.

La hipótesis de que Jesús no existió. Conlleva el mayor número de hipótesis ad hoc para que funcione y va contra la interpretación natural de los textos neotestamentarios; algo que viola la Navaja de Occam. En la mayoría de los casos ignora y va en contra de los hallazgos de la crítica neotestamentaria y redaccional. No da cuenta tampoco de por qué Jácobo “el hermano del Señor” terminó siendo cabeza del jesuanismo jerusalemita. No da cuenta de la múltiple atestación de Jácobo como el hermano de Jesús, especialmente en el caso de Josefo. Tampoco lo hace en cuanto a que aparentemente no hubo una denuncia fuerte de los adversarios del cristianismo durante el siglo I de que Jesús no hubiera existido, ni por qué la inexistencia de Jesús no fuera la convicción dominante en los primeros tres siglos. No explica por qué hay material incómodo en los evangelios, especialmente en textos en los que se nota un esfuerzo de los evangelistas por evadir, refutar o explicar —explaining away como dirían en inglés— el título “Rey de los judíos” para referirse a Jesús, al igual que otros de sus dichos y hechos. No da cuenta de por qué la supuesta “historización” escogió lugares insigni_cantes para el mesianismo de la época, como Nazaret o la ruralía de Galilea como centro de actividad de Jesús. Finalmente, no explica los datos obtenidos en fuentes independientes mediante los patrones de recurrencia, entre otros criterios.

La hipótesis de que Jesús existió. Tiene un mayor poder explicativo que da cuenta de la interpretación natural de los textos según la evidencia disponible. Por ende, lo más probable —sin asegurar absoluta certeza— es que haya existido realmente un Jesús de Nazaret. He aquí la formulación de la hipótesis que sostienen los eruditos hoy día. Hubo un profeta palestinense llamado Jesús, proveniente de Nazaret, que pensó ser el Mesías y futuro Rey de Israel, estableció un grupo de seguidores y terminó cruci_cado bajo el poder romano, acusado por sedición. Luego, los cristianos fueron añadiendo toda una serie de leyendas sobre su persona a medida que pasaron los años y los siglos. -- ¿Existió Jesús? Una perspectiva histórica, Pedro M. Rosario Barbosa University of Puerto Rico at Cayey.

 



[1] http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0145%3Abook%3D18%3Asection%3D63

[2] Nota: O termo “bastardo” não carece estar expresso no texto porque está implícito no nome de Jesus sem patronímico.

[3] Olson writes: In Adversus Hieroclem Eusebius argued that if he had to accept the supernatural feats attributed to Apollonius, he must regard him as a GOHS [wizard] rather than a wise man (A.H. 5); here he has Josephus call Jesus a 'wise man' and thus, implicitly, not a GOHS.

[4] The Messiah Jesus (tr. by A. H. Krappe), 1931 p. 61.

[5] Notar que este tipo de censura católica moderna não pretende a negação da verdade porque os pontuado indica a falta de informação mas apenas pretende nega-la a quem não esteja supostamente preparado para a receber.

[6] Naturally, a party possessing the power to destroy obnoxious books will ipso facto be in a position to enforce minor omissions and alterations in works in which only individual passages were felt to be objectionable. It is equally clear that owners of valuable manuscripts, whether private individuals, book-vendors, or officials in libraries and synagogues, should have preferred the excision of a few lines or certain alterations to the alternative of seeing their treasures devoured by the flames. Add to this the loss involved in the destruction of a whole Josephus in manuscript, and the laws imposing capital punishment on the concealed possession of writings hostile to Christianity, and the natural consequence will be obvious to every one. As a matter of fact, not a single Greek, Latin, Slavonic, or other Josephus text has come down to us which has not passed through the hands of Christian scribes and Christian owners. The numerous glosses and marginal notes, abounding in every single manuscript, fully bear out this statement. (…) The Rabbi Lusitanus is probably identical with the well-known Jewish physician and philosopher Abraham Zacuto Lusitano, born in Lisbon in 1575, a student of the Universities of Coimbra and Salamanca, a doctor of Siguenza, who for thirty-nine years lived as a pseudo-converted Jew (Marano) in Portugal, until he could escape to free Amsterdam in 1625. He died on New Year's Day of 1642, having returned, in Holland, to the faith of his fathers. The manuscript seen by Johannes Muller was the public disputation which he had in Middelburg with the Jesuit Nicolas Abram (1589-1655), a very learned theologian and philologist, author of a commentary on the Gospel of St. John, a Cicero commentary, and a Vergil edition. What should be stressed here is the Portuguese Jew's argument that the Testimonium interrupts the logical sequence of the text and must therefore be considered an interpolation. The same rabbi, according to Pastor Johannes Muller, states: '…Josephus telleth first / how Pilate hath given cause for rebellion / whereupon the text should continue to say / how about the same time still another tumult happened unto the Jews: but because in between them is told the history of Jesus / the text doeth not hang together / the other tumult pointeth to the first.'. (…) The absence of the term such as 'tumult' Eisler more strongly attributes to its deletion by a Christian censor. The speculation is that originally the Testimonium did describe a 'tumult', and it was hostile to Jesus; therefore it was censored. The rest of the chapter and of much of Eisler's book is devoted to the idea that a quantity of Josephus' original text is missing from extant manuscripts. The absence of the term such as 'tumult' Eisler more strongly attributes to its deletion by a Christian censor. The speculation is that originally the Testimonium did describe a 'tumult', and it was hostile to Jesus; therefore it was censored. The rest of the chapter and of much of Eisler's book is devoted to the idea that a quantity of Josephus' original text is missing from extant manuscripts -- "Robert Eisler on The Testimonium Flavianum.

[7]Eisler's proposal for the original form of the Testimonium is as follows. (The dots […] are Eisler's and indicate what Eisler he believes are irrecoverable deletions.) "Now about this time arose an occasion for new disturbances, a certain Jesus, a wizard of a man, if indeed he may be called a man who was the most monstrous of all men, whom his disciples call a son of God, as having done wonders such as no man hath ever yet done […] He was in fact a teacher of astonishing tricks to such men as accept the abnormal with delight […]

And he seduced many also of the Greek nation and was regarded by them as the Messiah […]

And when, on the indictment of the principal men among us, Pilate had sentenced him to the cross, still those who before had admired him did not cease to rave. For it seemed to them that having been dead for three days, he had appeared to them alive again, as the divinely-inspired prophets had foretold -- these and ten thousand other wonderful things -- concerning him. And even now the race of those who are called "Messianists" after him is not extinct.""Robert Eisler on The Testimonium Flavianum.

[8] Further, Charlesworth.

[9] Una objeción que se suele decir mucho es que Tácito comete un error cuando caracteriza a Pilato como “procurador” — un error típico de los evangelios — cuando en realidad era prefecto. El problema con esto es que un historiador como Josefo, que vivió en Palestina por mucho tiempo, cometió exactamente el mismo error. Ambos historiadores vivieron en una época en la que los gobernantes de Judea o Palestina eran procuradores y, probablemente, retroproyectaron ese prejuicio a la época de Pilato.

[10] Hans G. Kippenberg, Yme B. Kuiper, Andy F. Sanders, Concepts of Person in Religion and Thought, Walter de Gruyter, Allemagne, 2012, p. 117.