sexta-feira, 3 de julho de 2026

DEUSES DA SAÚDE – IV por A. Felisberto

 

DEUSES DA SAÚDEIV, por A. Felisberto.


Figura 1: Restauro fotográfico arqueográfico realizado com apoio de IA. de suposta estátua de terracota da deusa Angizia, do século III a.C. (Museu Paludi di Celano). A intervenção limitou‑se à reintegração cromática segundo paleta itálico-arcaica (ocres, ferrugem, negro, verde cobre) e à restituição gestual baseada em paralelos marsicanos. Não foram alteradas formas nem adicionados elementos sem fundamento arqueológico; a IA foi utilizada apenas como ferramenta de reintegração visual controlada pelo autor do texto, respeitando a morfologia e iconografia da peça original.

 

ANGITA

Duas deusas, cujos nomes são muito semelhantes, provavelmente eram originalmente a mesma figura mitológica feminina: Angita, a deusa da cura e da bruxaria, e Angitia, uma deusa cobra.

Na mitologia pré-romana, a população da atual Úmbria ao redor do Lago Fucino conhecia uma deusa, também chamada "a Estranguladora", que ensinava o uso de venenos e antídotos, e que recebeu seu nome por estrangular cobras com suas canções mágicas. Portanto, pode-se supor que a deusa curativa e bruxa também era a deusa cobra. Os marSianos, os paelignianos e outros grupos étnicos oski-úmbricos eram conhecidos por serem proficientes em herbalismo e especialmente em magia de cobras, e para esse fim também criavam e domavam cobras. Em troca, eles também tinham uma deusa que originalmente tinha apenas significado local.[1]

Angō, angere, ānxī, ānctum = apertar, comprimir < (...da garganta, mas arcaico) sufocar, asfixiar, estrangular (substituído no latim clássico por suffoco).

Este conceito de sufocação, inicialmente por aperto da garganta por cobras estranguladoras aparece na mitologia da Esfinge como asfixia por estrangulamento manual.

 

Ver: ESFINGE (***)

 

Daqui derivou o angor pectoris (também conhecido como angina de peito) que é um síndroma de dor ou desconforto torácico causada pela falta de oxigénio no músculo cardíaco. Mas também derivou a anciedade e a angustia. Não como derivante, mas como nome da mesma origem, aparece o nome da deusa Angerona que analisaremos a seguir como equivalente funcional e foneticamente próxima de Angitia.

Em algum momento, tornou-se moda localizar deusas itálicas locais na mitologia grega, possivelmente para lhes dar mais peso e assim serem reconhecidas como deusas da mitologia romana (e não como algum pequeno grupo étnico). Portanto, também há registros que descrevem Angitia como filha de Hécate e Eietes, rei da Cólquida. Isso a tornaria irmã de Circe e Medeia. Ela também é percebida como a própria Medeia ou como Medusa, que originalmente era uma deusa serpente das Amazonas líbias e é mais conhecida pela sua carapinha de caracóis em forma de cobras contorcidas.

Como deusa grega, Angitia é descrita como tendo vindo aos marcianos de um "Oriente distante" para ensiná-los nas suas artes...e nisto temos paralelos com a mitologia cosmológica fundadora dos etruscos onde Tajo tem o mesmo papel.

O povo marsiano vivia nas montanhas dos Apeninos (às vezes chamadas de Montanhas Marcianas em homenagem aos seus antigos habitantes) e falavam um dialeto sabeliano no qual o nome da deusa era Anagtia. Entre os Paeligni vizinhos, havia uma deusa curativa chamada Anceta. Provavelmente é a mesma figura mitológica, só que com uma coloração dialetal diferente na pronúncia do nome.

Seu nome latino Angitia se deve à palavra "anguis" (= cobra) ou a "angere" (= ter medo).

A incerteza sobre se Angitia teria derivado da cobra (anguis) ou do medo angustiante (angere) que elas provocam só reconfirmam ou quanto o pensamento positivista coloca a nomenclatura numinosa ao contrario do protocolo que dá precedência aos deuses que dão valor às coisas. Neste caso tanto a cobra de agua (anguis) quanto a angustia derivam da mesma raiz de angere e ambos possivelmente de Angitia que mais não seria do que uma variante das deusas que deram origem a N. Sr.ª das Angustias, variante de Pietas ou senhora da Piedade, neste caso por sequencia histórica e não por inversão pagã da precedência protocolar, como será óbvio.


Figura 2: N.ª Sr.ª dasAngustias de Granada.

Logo após a reconquista de Granada pelos reis católicos, foi construída uma ermida nas imediações da cidade, que foi posta sob a proteção das angústias de Nossa Senhora, ficando a ermida conhecida por esse nome.

Foi procurado um artífice, para que fizesse uma imagem de Nossa Senhora das Angústias. Conta a lenda que um certo dia entraram dois belos rapazes conduzindo uma senhora coberta com um manto preto. Chegados ao pé do altar, ficaram os três em oração por muito tempo. Ao escurecer, se retiraram os dois rapazes e deixaram só a senhora.

Os confrades, que não queriam interromper a oração, ficaram esperando até muito depois da hora de fechar o templo. Mas por ser a hora já muito avançada, decidiram aproximar-se da senhora, para comunicar-lhe que tinham já que fechar a ermida.

Qual não foi a sua surpresa ao descobrirem que se tratava não de uma senhora em oração, mas de uma belíssima imagem, que representava as angústias da Santíssima Virgem ao ver e sentir os martírios da paixão e morte do seu Divino Filho.

Imediatamente, os confrades começaram a venerar a imagem, recebida por eles como um presente do mesmo Deus. Comunicaram a todos na cidade os detalhes de como a imagem tinha chegado ao templo e, então, muitos fiéis começaram a visitar a ermida, para ver e admirar a formosa imagem da Virgem angustiada, com o corpo perfeitíssimo do seu Filho no regaço.

Notar que a senhora das Angustias de Granada, e outras equivalentes espanholas, têm em Portugal, por semelhança liturgia, o Sr. & a Srª da Agonia com expressão particularmente celebrada nas festas da Agonia de Viana do Castelo e onde a feira de vaidades das mordomias supera o luxo da Virgem.



Figura 3: Sr.ª da Agonia. Figura 4: Mordomia de Parade, Viana do Castelo.

O culto votado à Senhora da Agonia remonta ao século XVIII. Está associado à devoção das gentes ligadas à pesca, que agradeciam ou celebravam as graças recebidas em momentos difíceis durante as tempestades ou os naufrágios.

No local do atual santuário fora anteriormente construída, em 1674, uma capela dedicada ao Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário. No início do século XVIII, já estava porém votada ao culto mariano, sendo referida em 1706 como Capela de Nossa Senhora da Soledade, e em 1744 já com o atual título de Nossa Senhora da Agonia.

Angitia era considerada muito sábia. Ela era a senhora dos poderes mágicos e de todo tipo de ervas medicinais. Acima de tudo, porém, ela é uma deusa das cobras e do veneno (especialmente do veneno de cobra e das substâncias das plantas venenosas). Acredita-se que, na crença popular, era responsável pela cura de mordidas de cobra e foi solicitado a fazê-lo.

Suas sacerdotisas provavelmente também usavam veneno de cobra e planta para produzir tinturas e remédios que tinham efeito curativo em todos os tipos de doenças. Especialmente em casos de problemas dentários, foi chamada Angitia, que por sua vez tem a ver com cobras, já que algumas espécies podem crescer dentes ao longo da vida.

Diz-se também que a Angitia concedia o dom da clarividência e adivinhação – talvez também em conexão com a ingestão das "substâncias venenosas". Ela também é mencionada em conexão com Angerona, a deusa do silêncio e do segredo.

De facto para Angerona fosse um parente directo de Anguitia deveria ter funções parecidas de protectora das mordedura de cobras e, por isso, fonética virtualmente como *Angerona, mas o mais parecido que existiu foi Arigitia o que significa que nunca foi necessário porque esta deusa seria também cultuada no lácio com Angitia.

Na mitologia romana, Angitia era uma deusa das cobras. Como as cobras eram frequentemente associadas com as artes curativas na antiga mitologia romana, crê-se que Angitia teria sido principalmente uma deusa da saúde. Foi venerada particularmente pelos Marsi, povo da Itália central como Angita. Tinha poderes de feitiçaria (como Hecate) e era um mestra na arte das cura milagrosas e herbanárias, especialmente no caso de mordeduras de cobras. Atribuíam-se-lhe também uma gama extensiva de poderes sobre as cobras, inclusivamente o poder matar cobras apenas com um toque. Muitos romanos reivindicam que ela era igual a Bona Dea.[2]

Anagita era também: Anagtia (= nome original), Anagtia Diiva, Angita, Arigitia, Anguita, Angizia, Anguitia, Anguitina, Anceta.

 

Ana g(i)-tia = Ari por Ana + gitia,

An(a)-gui-ta < Na(a)-giz-(t)ia,

An(a)-gui-tia > An(a)-gui-ti-Ana

Ana-Ki-tia > Aniketa > Aniceta > Anceta

O núcleo base seria *Ana-Ki-tia de que entre outras teria derivado Anakita / Anahita, uma deusa que chegou até a Pérsia.

 

Ver: ANAHITA (***)

 

A fragmentação epigráfica das variantes Anceta, Angita e Anagtia não documenta a existência de um culto a uma tríade de divindades da cura, mas sim a sobrevivência fonética descentralizada de uma única matriz teonímica arcaica, preservada por mecanismos de analogia semântica na linguagem hierática primitiva. O núcleo base deste teónimo reconstrói-se na fórmula cósmica *Ana-Ki-tia — a Senhora do Céu (Ana) e da Terra (Ki) —, cuja contração orgânica e eliminação de redundâncias morfológicas estabilizou o composto *Ana-Kikia ou Ana Ki-ka, onde a introdução do elemento Ka assinala a ativação da força vital e da regeneração biológica da terra pulsante. Esta estrutura arcaica operava com uma maleabilidade fonética que permitia a diferenciação teológica sem perda da ressonância semântica original, bifurcando-se em dois troncos conceptualmente independentes. O primeiro tronco, caracterizado pela permutabilidade entre sons guturais e aspirados no eixo Anagita \(\Leftrightarrow \) Anahita, manteve o foco xamânico nas águas medicinais, no controlo de venenos e na transmutação ofídica, dispersando-se geograficamente desde a deusa persa Anahita até às mutações dialetais dos povos osco-umbros, onde a fricção fonética local gerou a variante peligna Anceta (via *Aniceta) e as formas latinizadas Angitia ou Angizia, atraídas por etimologia popular para o léxico de anguis. O segundo tronco, fixado na reduplicação estática *Ana-Kiki, a senhora da dupla terra e por isso do solo firme, derivou para a linhagem dental de *Anatite e da deusa ugarítica Anat, abdicando do dinamismo terapêutico do Ka para codificar o arquétipo da soberania rígida, da justiça cósmica e da guerra protetora, o qual se consolidaria mais tarde na bacia mediterrânica sob a figura de Athena. Deste modo, a polissemia gráfica e a flutuação de grafias documentadas na epigrafia itálica — incluindo as fórmulas adjetivadas como Anagtia Diiva — constituem fósseis linguísticos de uma evolução dialetal orgânica e descentralizada, e não de regras fonéticas rígidas ou de invenções teológicas politeístas, confirmando que a multiplicidade de nomes reflete apenas os sotaques geográficos de uma primeva soberana da terra viva.

 

Enunciado de Regras Operacionais do Método de Arqueologia de Mitemas

PREMISSA FUNDAMENTAL: O Princípio da Contingência Histórica

Na linguística histórica e na migração de mitemas, as regras nunca operam no vácuo; elas estão constantemente sujeitas a variáveis de contingência — flutuações geopolíticas, migrações abruptas, catástrofes ecológicas, esquecimento cultural ou a simples absorção por outras divindades locais dominantes. Nem todos os nomes chegam ao destino que o seu potencial fonético previa; muitos ramos secam ou fundem-se a meio do percurso. O presente método não dita leis dogmáticas, mas sim tendências vetoriais e probabilidades estruturais.

REGRA I: Tendência de Unidade Dialetal (Identificação de Falsas Tríades)

A multiplicidade superficial de teónimos registados numa mesma área geográfica deve ser inicialmente analisada como um fenómeno de variação dialetal e geográfica orgânica, e não como uma verdade teológica literal. A flutuação ortográfica (Anceta, Angita, Anagtia) reflete as mutações que ocorrem na filtração oral de uma única matriz teonímica por diferentes comunidades, embora as variáveis da premissa fundamental possam, pontualmente, interromper ou desviar este processo.

REGRA II: Decomposição Morfémica de Estruturas de Base

Os teónimos arcaicos funcionam frequentemente como fósseis linguísticos abertos à decomposição em morfemas monossilábicos primitivos. A análise reconstrutiva isola tendencialmente o prefixo de soberania superior (Ana = Céu/Mãe Suprema), o radical de ancoragem material (Ki = Terra) e o sufixo designador de pertença (Tia / Tina / Tyt). A fórmula originária *Ana-Ki-tia representa o potencial conceitual de união cósmica primordial, realizável ou não conforme as contingências do percurso geográfico da tribo.

REGRA III: Bifurcação Funcional por Dinâmica de Reduplicação

A evolução de um teónimo primordial para diferentes campos teológicos tende a processar-se através de mutações na raiz morfológica interna, abrindo caminho para dois troncos tendenciais:

Tronco Dinâmico (Linhagem do Ka): Onde a introdução do elemento Ka (Anagita / Anahita) direciona o mitema para a força vital e para a biologia regenerativa, operando pela permutabilidade fonética entre guturais e aspiradas (G/K \(\Leftrightarrow \) H).

Tronco Estático (Linhagem da Matéria Firme): Onde a reduplicação pura da raiz da terra (*Ana-Kiki) estabiliza o mitema no solo firme e na soberania territorial, operando pela transição oclusiva para a linhagem dental (-kiki- → -tite- → Anat). Esta regra descreve uma potencialidade de desenvolvimento que pode ser travada, acelerada ou fundida por acidentes linguísticos locais.

REGRA IV: Anterioridade Conceitual e Útero Semântico

A maturidade estrutural e a presença de uma infraestrutura cosmológica coerente num determinado ecossistema (como a soberania das "Duas Terras" no Egito face a Nut e Neith) constituem um indicador de anterioridade conceitual mais fiável do que a mera datação física do primeiro suporte material de escrita descoberto na periferia (como as tabuinhas de Ugarit). As regras da história documental são moldadas pelo acaso das escavações, mas a lógica do mitema responde à maturidade e estabilidade do seu ecossistema original.

 

ANGERONA

Todos sabem quantas vezes, tanto na Antiguidade como em tempos mais recentes, os estudiosos tentaram interpretar a natureza e o nome da deusa Angerona. No entanto, parece-me que quase não avançamos nesta tentativa. Aust¹ e Wissowa² reuniram as passagens relevantes de autores antigos e outros documentos, que considero desnecessário transcrever. Nem a doença da ansiedade, nem as "preocupações a dissipar", como nos incentivavam os antigos, contribuem para uma interpretação. Mommsen³ acreditava que Angerona era uma deusa encarregada do Ano Novo. Procurou derivar o nome de *angerendum*, ab angerendo = ἀπὸ τοῦ ἀναφέρεσθαι τὸν ἥλιον (...). A explicação foi aceite por Wissowa, mas correctamente rejeitada por outros (...). Recentemente, Eva Fiesel e Altheim procuraram uma origem etrusca para o nome e ligaram-no com o nome gentílico anx.arie, ancarie, anx.aru, ancaru. A sugestão é rejeitada por Vetter e eu também não concordo com ela. Aos argumentos oferecidos por Vetter, posso acrescentar o seguinte. Em primeiro lugar, os derivados latinos de nomes etruscos terminados em -u terminam geralmente em -onius, e não em -onus. Em segundo lugar, o nome Angerona parece ajustar-se muito bem a uma grande série de nomes semelhantes pertencentes a deusas verdadeiramente romanas (ou sabinas). (...)

Com isto em mente, parece-nos certamente pertinente considerar o adjetivo estreito, do qual facilmente derivamos o substantivo *angus(-eris): cf. onus (onus), august (*augus), old (*vetus). Também não sei o que mais poderá ter significado este substantivo obsoleto senão 'angustias', 'estreitos'. Assim, somos levados imediatamente à questão seguinte: em que sentido uma deusa romana, Angerona, poderia ser considerada uma deusa de *angerum ou 'estreitos'? Sabemos por fontes antigas que no pequeno santuário de Volupia existia uma estátua de Angerona com a boca atada e selada. É um tema de grande controvérsia o que esta postura poderá ter significado. Para não me alongar muito, eu próprio não duvido que W. F. Otto¹⁸ e Altheim¹⁷ tenham a resposta correcta ao ligar Angerona com a Dea Tacita¹⁸ ou Deusa Silenciosa, e interpretá-la como deusa dos ‘silêncios’ ou manium tacitorum, isto é, das sombras ‘silenciosas’ ou infernais. Vale ainda a pena referir que existia uma ligação entre Angerona, em cuja honra se realizavam as Divalia a 21 de dezembro, e Larenta, a quem eram prestadas homenagens especiais todos os anos a 23 de dezembro. É comparada por Wissowa (op. cit., p. 235) com a Deusa Silenciosa, a quem chama ‘eine Indigitation der Larenta’. Além disso, um ponto que não deve ser negligenciado é que a própria Larenta parece ter sido uma deusa do submundo, em cujo "túmulo" sabemos que a flamen Quirinalis oferecia um sacrifício pelos mortos no seu dia festivo. 19 Este túmulo foi chamado por Wissowa de mundus, "isto é, uma sepultura geralmente fechada e aberta apenas no dia festivo como um local adequado para sacrifícios aos deuses do submundo, na visão romana, já que constituía, em certo sentido, uma passagem entre o mundo de cima e o mundo de baixo". Altheim 20 apoia esta visão. Se tal lugar é correctamente chamado mundo é uma questão de pouca importância para a minha própria sugestão. Seja qual for a perspectiva adoptada, a passagem de Angerona até certas desembocaduras do fauces Orci 21 não é longa. Tais "estreitos", pelos quais se acreditava que os seres infernais podiam ser alcançados, eram outrora frequentes em Itália. Não há necessidade de eu repetir aqui o que publiquei recentemente com mais pormenor. 22 Por isso, pergunto: o que nos impede de acreditar que Angerona presidia àqueles *angera, ou angustiae, ou ‘estreitos’, ‘pelos quais se chega à morte’ (Sen. H.O. I773)? Na minha opinião, tudo se encaixa muito bem. -- Wagenvoort, H. (1980), “Diva Angerona”, in Pietas: Selected Studies in Roman Religion

A distinção entre especulação e dedução imposta pelos factos não é um jogo retórico, mas o único critério operativo que permite separar o que é imaginação do que é reconstrução legítima, e tudo se resume à naturalidade com que os elementos se articulam: quando a mente empurra os factos, temos especulação; quando os factos empurram a mente, temos dedução. A especulação nasce sempre da rarefacção documental, da fragilidade das ligações e da tentação de preencher o vazio com analogias, intuições ou brilhos pessoais que, por mais sedutores que sejam, não são necessários; a dedução, pelo contrário, emerge quando as peças se atraem mutuamente, quando não há ranger interno, quando nenhuma fonte precisa de ser torcida para caber no quadro, quando a solução se impõe por si mesma e, uma vez formulada, parece ter estado sempre ali, invisível apenas por falta de ordenação. É este o critério decisivo: a interpretação boa é aquela que cai como um drapeado restaurado, sem esforço, sem violência, sem dedos a empurrar o tecido para onde ele não quer ir.

Na religião romana, Angerona ou Angeronia era uma antiga deusa romana, cujo nome e funções são explicados de várias formas. Por vezes é identificada com a deusa Feronia. Segundo as autoridades antigas, era uma deusa que aliviava os homens da dor e da tristeza, ou libertava os romanos e os seus rebanhos das anginas (amigdalite).

Angerona < Angeronia < Ana + | Geronia < Ker-onia > *Pheronia > Feronia.|

Georges Dumézil considera Angerona como a deusa que ajuda a natureza e os homens a sustentar com sucesso a crise anual dos dias de inverno. Estes momentos culminam no solstício de inverno, o dia mais curto, que em latim é conhecido por bruma, de brevissima (morres), o dia mais curto. O embaraço, a dor e a angústia provocadas pela falta de luz e pelo frio são expressos pela palavra angor. [Dumézil (1977) p. 296-299.] Em latim, a palavra cognata angustiae designa um espaço de tempo considerado vergonhosamente e penosamente demasiado curto. Dumézil cita uma descrição da passagem do ano feita por Macróbio: "o tempo em que a luz é angusta ...; o solstício, dia em que o sol finalmente nasce" [ex latebris angustiisque ...][ Macróbio. Saturnália ] e Ovídio: "O solstício de Verão não torna as minhas noites curtas, e o solstício de Inverno não torna os dias angustos." [Ovídio. Tristia, V 10, 7-8]

Aplicado a Wagenvoort, o critério mostra a sua força: o que ele faz com Angerona não é fantasia, mas organização de dados dispersos — o silêncio ritual, o gesto da boca tapada, o solstício, o mundus, Larenta, as angustiae, o angor — todos convergindo sem fricção para uma mesma zona funcional da religião romana arcaica. Nada é forçado, nada contradiz as fontes, nada depende de invenção; é especulação apenas no sentido técnico de hipótese interpretativa, mas é especulação necessária, porque explica mais do que qualquer alternativa e não viola nenhum facto. O método é o mesmo que no restauro arqueográfico: primeiro restabelece-se a factualidade, depois interpreta-se, e se a interpretação sugerir revisão, revê-se, até que o conjunto atinja o ponto de equilíbrio em que tudo se sustém sem esforço. A conclusão é simples e impessoal: a especulação é o domínio em que o autor força o material; a dedução é o domínio em que o material força o autor. E Wagenvoort, neste caso, está claramente no segundo.

A seguir Wagenvoort tenta derivar Angerona de um substantivo, à semelhança de Bellona a partir de bellum, Populona de populus, Mellona de mel, Bubona de boves ou Vallona de valles, assentando na suposição de que a deusa seria uma personificação funcional criada a partir de um domínio concreto da experiência humana. Esse modelo é adequado para divindades alegóricas ou tardias, cuja existência cultual é secundária e frequentemente derivada de abstrações linguísticas. Contudo, a sua aplicação a teónimos arcaicos é problemática, porque ignora a possibilidade — sempre presente no horizonte itálico — de que nomes aparentemente “funcionais” sejam, na verdade, sobrevivências de formas muito mais antigas, pré-linguísticas ou pré-latinas, cuja motivação não é substantiva, mas ontológica. A ausência de documentação para falares arcaicos impede tanto a confirmação como a refutação da existência de divindades prévias com nomes semelhantes, e torna arriscado assumir que a transparência morfológica actual corresponde à estrutura original. Assim, a derivação funcional de Angerona não se impõe: é um modelo possível, mas não necessário, e perde força quando confrontado com a hipótese — mais coerente com a opacidade do teónimo — de que o nome conserva um estrato teonímico anterior à língua latina, incompatível com a lógica derivacional que Wagenvoort tenta aplicar.

No entanto, no caso de Angerona, o procedimento não se sustenta: angor e angustia não são substantivos primários dos quais um teónimo pudesse nascer, mas antes reflexos tardios de um campo ontológico mais antigo, cuja densidade emocional e ritual não se explica por derivação linguística. A relação entre o nome e esses termos é de eco, não de origem. Assim, a tentativa de reduzir Angerona a uma função substantiva inverte a ordem real: não é a deusa que deriva do vocábulo, é o vocábulo que descreve, de forma já degradada, a experiência humana do domínio que a deusa representava antes de existir latim. A etimologia funcional, eficaz para nomes secundários, falha aqui por tratar um teónimo primordial como se fosse uma abstração linguística, quando a direcção correc

ta é inversa: é a função que se compreende a partir do nome, e não o nome a partir da função.

Angerona representa, no horizonte religioso romano arcaico, a forma liturgicamente estabilizada de um numen subterrâneo, cuja identidade teonímica se reconstrói na fórmula primordial AN–KUR–ANA, condensada foneticamente na forma latina Angerona. O nome não deriva de angor nem de angustia: estes substantivos são antes reflexos semânticos tardios da mesma matriz ontológica que gerou o teónimo.

O elemento AN designa o princípio celeste primordial; KUR, o domínio subterrâneo, o interior da terra, o espaço do silêncio, da clausura e da passagem; ANA, o feminino hierático que fixa a entidade como “Senhora”. A combinação AN–KUR–ANA exprime, portanto, a Senhora do Subterrâneo Silencioso, numen do limiar invernal, guardiã do mundus e do ponto de máxima contração solar.

A evolução fonética é regular: AN–KUR–ANA → ANKUR’NA → ANGER’NA → ANGERONA, com nasalização, vocalização do u em e, rotacismo e síncope intervocálica típicas do itálico. A forma final não é uma criação metafórica, mas a cristalização cultual de um nome pré‑linguístico.

A função ritual de Angerona — silêncio, boca selada, tutela dos angustiae, proteção contra o aperto e o medo, presidência do solstício de inverno — não determina a deusa: é a deusa que determina a liturgia. O gesto do dedo sobre os lábios, o encerramento do mundus, o carácter secreto do culto e a associação ao dia mais curto do ano são manifestações tardias de um arquétipo subterrâneo anterior à teologia romana.

A aproximação etimológica clássica (angor, angustia, angustiae) é apenas uma atração semântica retroativa, não a origem do nome. O campo lexical do aperto, da garganta estreita, da passagem perigosa e do sufoco é um eco linguístico da mesma raiz ontológica que produziu o teónimo — não a sua causa.

A relação com Angitia não é derivada por função, mas por parentesco matricial: ambas são derivações regionais de uma mesma estrutura teonímica primordial, diferenciadas pela substituição de KI (terra viva) por KUR (terra profunda). Angerona é, assim, a versão romana subterrânea e silenciosa de um numen pré‑histórico que antecede a própria linguagem.

Em síntese: Angerona é a forma latina ritualizada de AN–KUR–ANA, a Senhora do Submundo Silencioso, cujo nome é um fóssil teonímico primordial, não um derivado linguístico. A liturgia romana apenas herdou e adaptou um numen muito mais antigo, cuja profundidade ontológica transparece na própria opacidade do nome.

A extraordinária facilidade com que nomes como AN–KUR–ANA (Angerona) ou MA–KAR–ENA (Macarena) geraram nomes teofóricos de pessoas, plantas e expressões populares deve-se ao facto de serem compostos de morfemas primordiais, anteriores à linguagem comum. Estes morfemas funcionam como átomos fonéticos que irradiam formas derivadas em todas as direções — cultuais, populares, botânicas, toponímicas e idiomáticas. A “guerra do Alecrim e Mangerona” é um exemplo folclórico dessa sobrevivência.

 

HUGIEIA

Se é verdade que Apolo era o deus masculino da medicina grega também é certo que a prática desta arte estava sob a protecção de Esculápio, supostamente filho de Apolo. Ainda assim, Atena, herdeira dos poderes que Inana roubara a Enki, era também uma deusa protectora das artes, particularmente as da magia e da medicina. Ora, da infinidade de epítetos que esta tinha desatacam-se os seguintes: Ergane e Higeia. Quer dizer que Higeia resultaria da autonomização dum epíteto de Atena.

Hygieia é uma deusa da mitologia grega (mais comummente grafada Hygeia, por vezes Hygeia; /haɪˈdʒiːə/; Grego Antigo: Ὑγιεία ou Ὑγεία, latim: Hygēa ou Hygīa). É uma deusa da saúde (grego: ὑγίεια – hygíeia), da limpeza e da higiene. O nome dela é a origem da palavra "higiene". Hígia evoluiu de uma personificação da luz para uma deusa completa dentro do culto de Asklepios. Juntamente com o seu pai, aparecia em sonhos com doentes que visitavam os seus templos. Os doentes realizavam o ritual de cura do sono do templo para se curarem.

Higieia é filha do deus grego da medicina, Asclépio, que é filho do deus olímpico Apolo Corandeiro, com sua esposa Epiona. Higieia e as suas quatro irmãs interpretaram, cada uma, uma faceta da arte de Apolo: Hygieia (saúde, limpeza e saneamento); Panaceia (medicamento universal); Iaso (recuperação de doença); Aceso (o processo de cura); e Aegle (boa saúde radiante).


Figura 5: Higeia & Asclépio sob a protecção de Atena.

No século II d.C., Pausânias notou estátuas tanto de Higueia quanto de Atena Higueia próximas à entrada da Acrópole de Atenas. "Atena Hígia" foi um dos títulos cultuais dados a Atena, como Plutarco relata sobre a construção do Partenon (447–432 a.C.):

Um acidente estranho aconteceu durante a construção, que mostrou que a deusa não era avessa à obra, mas estava ajudando e cooperando para levá-la à perfeição. Um dos artífices, o mais rápido e habilidoso de todos, com um deslize do pé caiu de grande altura e ficou em estado miserável, os médicos sem esperança de sua recuperação. Quando Péricles estava angustiado com isso, a deusa [Atena] apareceu a ele à noite em sonho, ordenou um tratamento que ele aplicou, e em pouco tempo e com grande facilidade curou o homem. E nessa ocasião foi que ele ergueu uma estátua de latão de Atena Hígia, na cidadela perto do altar, que dizem já ter existido antes. Mas foi Fidias quem trabalhou a imagem da deusa em ouro, e ele tem seu nome inscrito no pedestal como o seu trabalhador.

Hugeia seria uma manifestação de Inana/Ishtar, a que roubou os mes de seu pai, entre os quais figurariam os relativos às artes mágicas? Pois bem, em mito idêntico, mas bem mais dramático e violento, Isis roubou a Ra, também seu pai, os segredos do seu nome mais secreto que permitiriam a Isis o acesso ao gozo do mando.

Salket < Sar-qet < Kur-*Kiat = Ki-Kur-At (> zigurate) > Ki-*Kartu.

Assim pode muito bem ser que:

Hygi /eia / Ana = Atena + Afrodite.

Hygieia < Ku®-Ki-Heja < Kaphur-Kika, deusa cretense das cobras e dos ritos subterrâneos da consolação e da magia reparadora e antepassada de Afrodite.

Hygîa < Hygêa < Hugeia <= *Ki-Gaia, lit “Gaia (a Terra), a deusa mãe primordial, logo Atena e/ou Afrodite ou Inana/Istar/Astart e/ou Ereshkigal/Anat?

<= Ki-Keja < *Ki-Keka = Hekat?

Seria assim Higeia uma variante benigna de Hecate, de certo modo a deusa da «magia branca» das artes salutares?

<= *Kiwat, => Hit. Hebat, a esposa de Teshup.

> Egipt. Hesat > Egipt. Iset > Egipt. Asht > Isis, lit. a versão greco-latina do nome mais popular da Deusa Mãe do Egipto

ó -At ou –et, o radical mais frequente do género feminino entre os povos do antigo próximo oriente.

Bona Dea = Roman fertility-goddess worshipped by women. She presided over both virginity and fertility in women. She was also a healing goddess with an herb garden in her Aventine temple. (…) Her name was possibly a translation of the Greeks' Agathe Theos, who was related to Hygeia.

Bona Dea reporta etmicamente para Fauna e Agathe para Hecate! De facto, em mais do que um contexto se denota que as deusas da bruxaria foram também deusas de cura o que não pode espantar porque na origem eram todas curandeira!

Agathe < Haka | Caca < Kika |-Te > Hecate.

Hygeia < Hu | Ku < Ki | -Ge | < Ka| -| Ya < Sha < At =| Te

Angi- | Tia < Tea < Te < At | < Enki-At = Hecate.

                 => Angu(s)-tia = Sr.ª das Angústias.

 

Ver: FAUNA (***)

 

Para aceder à legitimidade do poder em regime patriarcal seria seguramente necessário tanto o recurso à arte da intriga política como o recurso às técnicas culinárias da produção de venenos e poções mágicas, artes aliás inventadas pelas mulheres, no segredo dos bastidores da cozinha, desde os primórdios da humanidade. Em parte este mito reflecte o preço feminino do fim do matriarcado.

A etimologia mais directa do nome de Higeia seria:

Hugieia <= Kuki-Eia, lit. “a filha de Eia/Enki”.

No entanto, a conotação com todas as restantes etimologia do nome de deusas da saúde e o postulado simples «erre» mudo ser suficiente para implicar que muito mais possivelmente a verdadeira etimologia de Higeia seja a seguinte:

Higeia < Hugi-Eia < He®geia < Kurki-Eja > *Kertu-isha > Salket.

                                                    + Ana > Ergana.

La città di Andania, nella Messenia, fu sede di Misteri che avevano molta affinità con quelli di Eleusi, Tebe, Lemno, Samotracia e, in genere, con quelli che celebravano il culto delle Grandi Dee e dei Cabiri.  Le divinità venerate erano Demetra, Core (con l'epiteto di Hagna), i Grandi Dei o Cabiri, ed Apollo Corniolo. [3]

Core = Hagna < Kagina < Ki-kina

                         ó Hagi-ana ó Hagi-eia > Hegeia.

Claro que a relação das unidades de urgência com a Saúde Pública será uma realidade moderna. No entanto, é bem possível que a divindade que presidiu tanto à saúde como às urgências médicas tenha estado relacionada com ambas por intermédio da urgência que costuma ser o «trabalho» de parto! De facto, existem indícios de que, tanto a religião quanto a medicina, tenham surgido em torno de cultos matriarcais iniciados nas ilhas mediterrânicas, particularmente em Malta, em torno da necessidade de as parturientes neolíticas serem assistidas no parto! Os cultos da aurora seriam cultos da Deusa Mãe cretense *Kertu, que quotidianamente dava à luz o “deus menino”. Sendo assim, o epíteto de Atena Ergana estaria relacionado com as urgências deste esforçado e repetitivo “trabalho de parto”!

Ergana tem relação étmica incontornável com o termo latino da Urgência, senão vejamos:

Urgeo (less correctly urgueo ), ursi (perf. rare; past part. not found), 2, v. a. [Gr. Werg-, heirgnumi, to shut in; Sanscr. varg-, vargami, prevent; Germ. Merk; Engl. work] , to press, push, force, drive, impel, urge.

Germ. Merk < Melk < Mel-kartu => Kartu < *Kur-ki =>

*Kur-ki                 > Karki > Sanscr. varg-

*Kur-ki > Kaurki > Engl. Work.

*Kur-ki                 > Gr. Werg- > Heirg.

«Urgencia» < Lat. Urgen(-tia) lit. “a deusa (tia) Urguens”

< V(i)rguensa < Ver-Gin-(i)a > Virgínia.

O que se supõe serem raízes semânticas do verbo latino urgeo não são senão formas elípticas do nome duma deusa arcaica minóica que teria estado relacionada com o trabalho de parto e que teria tido nome de Virgínia, etimologicamente parecido com o de Ergana a partir do antepassado comum *Kurkina, que também teria sido antepassada de Ariadne, e suas variantes, e da celta Arduinna.

 

Ver: ARIADNE (***)

 

Estas deusas do parto da aurora seriam também por isso deusas infernais e, no caso da celta Arduina, seriam mesmo esposas do deus dos infernos e da aurora.

Arawn = The Welsh god of the underworld.

Arawn < Hara-Wen < Kur-Benu, o pássaro Benu” ó Wer-Gen

ó *Kurkina.

No que respeita a Hugeia importa apenas dar conta de que o verbo grego heirgnumi pode então conter a variante *Hergina do nome desta deusa. Então:

*Hergina < Hergi-ana = Ana *Hergi > Hergeia > Hur-Geia > Hugeia.

                                       > Ergana.


Figura 6: Higeia e o escorpião!

Hygêa or Hygîa (Hygieia), ae, f., = Hugeia, daughter of Æsculapius, and goddess of health. Her symbol was a serpent drinking from a cup in her hand.

From a number of passages in the texts of various periods we learn that Isis possessed great skill in the working of magic, and several examples of the manner in which she employed it are well known. Thus when she wished to make Ra reveal to her his greatest and most secret name, she made a venomous reptile out of dust mixed with the spittle of the god, and by uttering over it certain words of power she made it to bite Ra as he passed. When she had succeeded in obtaining from the god his most hidden name, which he only revealed because he was on the point of death, she uttered words which had the effect of driving the poison out of his limbs, and Ra recovered. Now Isis not only used the words of power, but she also had knowledge of the way in which to pronounce them so that the beings or things to which they were addressed would be compelled to listen to them and, having listened, would be obliged to fulfill her bequests. (…)In the Hymn to Osiris it is said that Isis was well skilled in the use of words of power, and it was by means of these that she restored her husband to life, and obtained from him an heir.

It is not known what the words were which she uttered on this occasion, but she appears to have obtained them from Thoth, the "lord of divine words," and it was to him that she appealed for help to restore Horus to life after he had been stung to death by a scorpion. --- [4]

Estátua do deusa Hígia Asclépio. Ela está de pé e segura uma cobra em suas mãos.

Ver: SALUS (***)

 

Grande parte de toda esta especulação pode ser fundamentada no facto de o nome de Hugeia conter o nome das deusas primordiais da Terra-Mãe, *Ki-Gaia. Ora, as deusas da terra eram também deusas dos subterrâneos infernais do Kur, pelo que:

Se Ki º Kur, então: Hygieia º *Hyrgeia!

O importante de todas estas análises é dar conta de que mesmo Higeia se encontra relacionada com *Kertu, Istar e Salket. Mas, não menos importante é verificar que também na mitologia, ainda que se inventa mais do que se cria, ”nada se perde e tudo se transforma” e então, se o conceito dos trabalhos urgentes foi absorvido pelo epíteto de Atena Ergana, a verdade é que, entre os romanos, podemos encontrar este conceito precisamente no nome da própria equivalente latina de Atena, ou seja, em Minerva.

Minerva > «Minervina» => = Min-| Her-Ki- | Ana < *Hergina > Ergana.

                       Hárpia < Harphia < Harkia ó Hur-Kia > *Hu®-Geia

> Higeia.

Figura 7: Aphrodite-Hygeia with Eros. Roman, from Asia Minor, A.D 100-200.

Os paradoxos da mitologia resultam mais de equívocos semânticos, por falta de informação dos contemporâneos, do que da falta de coerência do próprio sistema mítico. Quer isto dizer que a criança que acompanha muitas vezes Higeia seria de facto Hórus salvo por Isis da picada dum escorpião.

Assim, os antigos que identificaram esta faceta particular de Higeia com Afrodite não entraram em contradição com os que atribuem a Atena o epíteto de Hígea. Afinal, Atena e Afrodite seriam apenas a manifestação helénica da dualidade feminina intrínseca à Deusa Mãe (tão Virgem Imaculada quanto parideira, promíscua e prostituta) e que entre os canaaneus se manifestava na equivalência Anat/Astart.

Restaria apenas saber porque razão cobras e escorpiões acabaram associados com a mitologia da aurora na suméria enquanto no Egipto eram pictográfica e funcionalmente o mesmo que a deusas Higia, semanticamente aparentadas com N.º Sr.ª do Carque, em Resende, seguramente derivada da Deusa Mãe das cobras cretenses, *Kartu. Pois bem, Salket pode ter sido uma variante do nome de Anqet, na medida  em que, sendo Anquet apenas uma variante do nome de Isis na forma *Kiat, podemos propor:

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Um estranho acidente, que aconteceu no curso da construção [do Partenon], mostrou que a deusa (Atena) não era aversa ao trabalho, mas era cuidada e cooperava em trazê-lo à perfeição. Um dos artífices, o mais rápido trabalhador e o mais habilidoso entre todos, com um pedaço do seu pé caiu de uma grande altura, e disposta em uma condição miserável, os médicos não tinham esperanças de sua cura. Quando Péricles estava em dor sobre isto, a deusa [Atena] apareceu para ele a noite em um sonho, e ordenou um curso de tratamento, no qual ele aplicou, em um curto período de tempo e com grande facilidade curou o homem. E sobre esta ocasião era que ele criou uma estátua de latão de Atena Hígia, na cidadela perto do altar, no qual eles mencionaram que estavam lá anteriormente. Mas foi Fídias que fez a imagem da deusa em ouro, e tem seu nome inscrito no pedestal como trabalhador dela. – Plutarco.

Além do mais, esta equação étmica comprova o que se suspeitou noutros contextos: que Atena, porque foi também chamada de Minerva na região itálica teve no epíteto de Ergana o equivalente étmico desta tendo ambas sido afinal formas da Deusa Mãe das cobras dos cretenses de que as Hárpias foram uma das formas degradadas e vilipendiadas de perpetuação da sua memória.

 

Ver: ATENA GLAUKORIS (***) & MINERVA (***)

 

Higeia teria sido a primeira enfermeira mítica que, por ter sido a filha, esposa e mãe do deus Enki da sabedoria e das artes curativas foi a grande Deusa Mãe da terra, Ki ou Nincursage.

Nincursage < *Ninkur-Saphia > *Ninkur-Sábia?, então,

Gaia da Hagia Sofia, ou seja:

Higeia = Ki-| Geia < Gaya < *Ka(i)ki(a)!


Figura 8: Esculápio & Higeia.

Dito de outro modo, se os conceitos de «santidade & sanidade» andaram semanticamente ligados na língua latina pelo lado do étimo San-, seguramente pela via do conceito virtual Ki-Antu, «o campo santo» que dava a ressurreição à alma dos guerreiros mortos, esta mesma relação teria na Grécia o termo hugiês em relação com o nome da deusa Higeia.

Hugiês < hugiea (= «sadio») & hagios

> hosios (< «santo»).

Ora bem, Higeia só veio a ser a patrona da higiene por mera contingência semântica pois que dos 85 vocábulos que tem a língua grega para saúde nenhum deriva de hugiês o que significa que a relação com a medicina foi tardia e sempre pelo lado curativo inerente à deusa mãe da Natureza! Notar que assim sendo, Atena / Anat /Nut /Net, etc, não seriam mais do que as esposas do Sr. (e/= do Céu)!

Enki-at = An + Ki-at/et = Anqet, lit «S.ª *Kiat»

= esposa de *Phiat/*Poth ou Toth/Ptah.

Assim, todas estas deusas podem ter sido apenas Anqet do mesmo modo que foi seguramente Hedetet, também esta "a Egyptian scorpion-goddess" e mera redundância de Anqet, já que

Hedetet = | Hedet < Hekat | -et.

Quer dizer que em momentos decisivos todas as minudências contam não sendo portanto despiciendas as diferenças ortográficas entre as formas gregas referidas acima. De resto, as provas da confirmação da teoria da grande unificação linguística primordial acabam por aparecer de todos os lados e das mais estranhas maneiras! Na verdade, para confirmar tudo isto bastaria encontrar na mitologia de Hegeia uma ligação com Artemisa, seguramente uma homóloga de Atena tanto mais que enquanto herdeira dos atributos de *Kima foi seguramente uma variante da Sr.ª da Saúde.

f

Ver: KIMA (***)

 

O elo que nos falta encontramo-lo no nome da deusa Hindu Lakshami.

Lakshami is the Hindu goddess of wealth and beauty.

Tem certas ressonâncias fonéticas com o deus babilónico Lahamu ou seja, poderia ser o feminino deste nome na forma Ki Lahamu.

Ki Lahamu ó Lakshami > La-Ki *Ashma

                          Lakshami < (U)Ra-Ki Shamas < *Kartu-*Kima => Artimes.

Neste caso revelaria antecedentes de arcaica deusa do fogo Ashma/Ashma.

A deusa grega deste trio que teria estas funções e as de guardiã da saúde seria Atena nome que no entanto nada tem a ver foneticamente com este. De facto, Lakshami tem semelhanças fonéticas com o epíteto Alalkomene (< | Alal > Ar | *Kima An), a protectora (da cidade ou saúde?), que aproxima também Atena de Artemisa. De resto, Artemisa era a gémea de Apolo, o equivalente do babilónico Shamas existindo a suspeita de estarmos perante um arcaico trio de gémeos (Artemisa & Apolo & Hermes) equivalentes dos arcaicos gémeos sumérios Lamashu.

 

Ver: GÉMEOS (***)

 

Near the statue of Diitrephes--I do not wish to write of the less distinguished portraits--are figures of gods; of Health, whom legend calls daughter of Asclepius, and of Athena, also surnamed Health. -- Pausanias, Description of Greece [1.23.5]

De facto, até Pausanias sabia que a deusa da Saúde seria um mero epíteto de Atena Hugieia que por ter sido a sempre virgem nunca teria tido filhos de Asclepio, a menos que este tivera sido um mero heterónimo de Apolo e aquela uma variante de Artemisa, pois que artem-ês, es, = «são e salvo» e artem-ia, hê, = «saúde e robustez»!

Se mais nenhuma comprovação existira a suspeita de que Atena e Artemisa foram a mesma entidade mítica, alem da que resulta do facto de ambas as divas manifestarem quase a mesma personalidade, teríamos esta prova linguistica a deixar para sempre a suspeita insuperável de que assim teria que ter sido! De resto, O epíteto Alalkomene de Atena, com o significado de «Protectora», mais no sentido sanitário que espiritual, como adiante se verá, torna iniludível o quanto Atena e Artemisa foram outrora a mesma entidade mítica.

Alalcomenae ou Alalkomenai (em grego antigo: Ἀλαλκομέναι), ou Alalcomenium ou Alalkomenion (Ἀλαλκομένιον), era uma cidade na antiga Beócia, situada no sopé do Monte Tilphossium, um pouco a leste de Coroneia, e perto do Lago Copais. Foi celebrado pela adoração de Atena, que se dizia ter nascido lá, e que daí é chamada de Alalcomeneis (Ἀλαλκομενηΐς) na Ilíada de Homero. O templo da deusa ficava, a uma pequena distância da cidade, no rio Tritão, um pequeno riacho que desaguava no lago Copais. A cidade ficava perto de uma colina que Estrabão chama de Monte Tilphossium (em homenagem a Telphousa, a fonte visitada pelo deus Apolo). Estrabão também registra que o túmulo do vidente Tirésias e o templo de Apolo tilfossiano estavam localizados nos arredores de Alalcomenae.

ἀλαλή < ἀλαλά (alalá) — Doric. = Um grito alto > um grito de guerra > batalha em si.

Κομνηνός < Κόμνη (Kómnē), uma vila na Trácia.

Κομνηνός • (Komnēnós) = Comnenus, uma família imperial bizantina.

Alal-komene = Alal + komene < | Alalu(a) < *Auraura, lit.a Sr.ª da Aurora”

< Aruru, Deusa Mãe dos guerreiros (sumérios) | + | Kau-Min,

lit. “vaca soberana»? < *Kime An, lit. «dispenseira do céu»

< Ki-Ama-An, lit. mãe da terrra e do céu =>

ð     Aruru-Ki-Ama-An = Deusa Mãe dos guerreiros da terra e do céu!

ð     *Auraura-Kau-Min = A Sr.ª da Aurora, (vaca) soberana!

ð     Ar(uru)-Ki-Ama(-An) + ish => Artemisa.

Como sinónimo desta função de enfermagem da divina Atena aparece o epíteto Hugieia (= a Sr.ª da Saúde! < *Kukikeia, lit. “a cozinheira dos deuses”?).

Assim, a mesma relação minoica de Deusa Mãe com relação com as cobras e com as Gorgonas deve ser a explicação da variante Artemisa para o nome da deusa mãe. De facto, o papel virginal e infecundo de deusa da caça atribuído a Artemisa é seguramente uma heresia tardia que a antiquíssima tradição do santuário de Éfeso, um dos mais arcaicos locais de veneração da deusa mãe, acaba por desmascarar.

Artemisa (< Artemikia < Kar tem Isis).

Que Artemis tinha uma impiedosa faceta prova-o o mito do assassínio de Acteion.

 

Ver: O MITO DE ACTEÃO, A MÁSCARA DA MISOGINIA GREGA (***)

 

Claro que a semântica do nome de Artemisa [ Kart emi >*Artim ] nos reporta para os deuses marciais de que a deusa teria sido paredro enquanto foi Ki, a deusa mãe e que teve o nome de Artimpasa (< Artim Phaka < Artim | Kaka = KiKi => Isis|) entre os citas. Porém, um melhor esclarecimento deste nome pode surgir por comparação com o nome de Alquimedes (o primeiros presos políticos da história) e Arquimedes (< Ar Kime | thes < at es < ash |), de tal modo que acaba por nos ficar a sensação de que, dadas as qualidades de primeiro engenheiro físico da história desta figura, deve ter sido mais uma alcunha, na linha semântica de Kotharwa-Hasis, do que nome próprio.

 

ANQET

Anqet was the goddess of the island of Sahal, near the First Cataract of the Nile. She was shown as a woman who wears a crown of ostrich feathers. Her sacred animal was the gazelle. She was the daughter of Satet, the wife of Khnemu. Together, the three deities formed the Triad of Elephantine, the principal deities of that city. Anqet was originally a water goddess from Sudan.


Figura 9: Anqet =


 > Nebt

Her name meant, "to embrace" which was interpreted to mean that her embrace during the annual Nile floods fertilized the fields. Later, she became a goddess of lust, whose attributes and cult were obscene. However, her cult's original can be traced back to the Old Kingdom. She is closely associated with Nubia. She is not an imported goddess though. Her worship was common throughout northern Nubia and the center of her worship was the island of Sahal, near Aswan. There she was called the "Lady (Nebt) of Sahal” Anqet's temple at Sahal was called "Amen-heri-ab".

De facto, se Anquet foi nebt, Sahal pode ter tido nome a partir de variante Anquet

Anquet > neket > newet < Newiat < *Nephiat / Satet > Neftis.

Sacar > Sahal => Sahal + (Ne)wet > Sahal-quet > Saalket > Selket.

Anceta, Angita, Anagtia = Roman Triple goddesses of healing. Angitia = A roman snake-goddess(es) of healing worshipped especially by the Marsians.

Lat. | Angitia < An(a)gita < Anagtia > Anceta | < Enki-at, lit. esposa de Enki, o deus sumério dos mesh da medicina > Egipt. Anquet.

Aurita = Roman Healing goddess of earaches. Aricia = Roman A goddess of prophesy.

Aricia < *Kur-ikia > Haurita > Aurita

     «Sr. do Carque» > Karki-et ó *Kartu

                                                 > Salki-et > Salket

Em qualquer dos casos estamos perante variantes de deusas do nascer do sol! Claro que, até prova em contrário, a conotação de violência do termo sekhem poderia derivar da fama que a própria deusa emprestou ao termo e não o inverso! Porém, quase que Tiamat, Kali, as Gorgonas, Cíbele e Artemisa fizeram parte de um ciclo de deusas mães primordiais, guerreiras, terrificas e leoninas a que, sob o ponto de vista étmico se poderia juntar a deusa do amor hindu Lakshmi.

Ora bem, para se ir de Tiamat a Artemisa só seria necessário o seguinte:

Tiamat < Kur + Ki-Ama-At = Artemisa = Sekhmet + Kur.

Relembrando que uma das variantes do nome da deusa leonina dos Egípsios era Nesert podemos virtualizar o seguinte.

Ne(se)rt + (Se)khmet = Ne-(se)[rt + Khmet] = An-Her-khmet < (An) *Kur-Kime-at > Artemisa.

Assim, sabendo-se que esta deusa é tida como variante guerreira do tipo de Hera e Kali ela foi seguramente uma das percursoras de Artemisa pelo que poderia ter tido o nome de *Serkhmèt ou *Selkimet.

*Selkimet < | Selk < Serq < Serk |-et + Ama = Ker-ki (A)me-ash => Artimes.

Selket esposa e mãe de Sarko / Sacer / Osíris.

Sarko-ph(ago), lit. «o que transporta os fagos ou pedaços de Sarko / Sakar ou seja, de Osíris» ???.

A estas deusas da aurora primordial andaria associado Hermakhis, enquanto filho querido.

A noter que le nom Harmakhis désignait également à partir du Nouvel Empire le sphinx gardien des portes de l'autre monde. (...)

Harmakhis < Har ma kakis < Har mah Kis < Har Thi mahs

=> Artimes / Hermes.

Kemour = Divinité taureau d'athribis (chef-lieu de la Xè province (Nome) du delta du Nil, où il fut souvent assimilé à une manifestation du roi défunt Osiris.

Kemour - < Kime Ur > Ur kime => Artimes.

"Wurusemu, (Wuruntemu?), 'Sun Goddess of Arinna', 'mistress of the Hatti lands, the queen of heaven and earth', 'mistress of the kings and queens of Hatti, directing the government of the King and Queen of Hatti' This goddess is later assimilated with Hebat. She made the cedar land. She is the primary goddess in Arrina, with Taru as her consort. She is a goddess of battle and is associated with Hittite military victory. She is the mother of the Storm-god of Nerik, and thereby possibly associated with Ereshkigal. She aids in returning him from the underworld."[5]

Wurusemu < Wuri-Zimo, a «guerreira» do fermento

< An + Kar Kime + ish => Artimes.

Arinna < Har I(na)nna < Kar | Inanna = Nin An = En An, Sª Do Céu |

=> Kar me an > Karmina < «Carmen» > N.ª Sr.ª do Carmo.

Em Creta, esta deusa teria o nome de Ariadne no tempo de Teseu.

Ariadne / Hariath(a)ne / Kary Athen, conceitos que literalmente se pareceriam com o de «rainha de Athenas» ou, pelo menos, «rainha Athena» mas que de facto significaria apenas um dos nome de *Karia ou Kali, a esposa do deus sol, que era o deus Ka(u)r, e «fogo sagrado do Céu»!

 

Ver: ARIADNE (***)

 

Ora bem, o facto de Arinna, a rainha de Hatti, ser também chamada por Wurusemu (=> Artemisa), prova que, mais do que «deusa do sol», ela era, porque veio a revelar-se como sendo entre os clássicos a irmã de Apolo, a sua esposa e, portanto, deusa lunar, como, aliás, teria que ser enquanto Artemis.

Wurusemu, «rainha do país hitita» < Wur-us-hemu < Kur-ush-*Kima

= Kar-*Kima-ush => Artemisa.

Em Portugal a festa outonal de St. Eufémia era outrora muito popular e era seguramente uma sobrevivência de cultos arcaicos à deusa mãe que teria tido por esta bandas da ibéria o nome de *Kaukimea, nome que nos reporta tanto para Enki como para a referência ao seu mítico privilégio de posse das tábua da lei (me) do distino.

Kaukimea < Ama + Kaukania > Aufaniae.

Aufaniae = Continental Celtic deities. They seem to have been matron-like figures.

 

SEKMET

Se com Maat nos ficávamos pelos domínios da salvação pela justiça com Sekhmet iniciamo-nos na salvação pela cura das maleitas físicas. Etimologicamente falando e como Maat = Met => Grec. Metis, podemos postular que:

Sekhmet = Sekh/Bast + Maat.

Ora, foneticamente aparentada com Sekhmet:

Sekhmet < *Ka-ki-ma-at > Ma-Ma-Ki-at foi

Shamhat = Ma-(Ma)-Ki-at º Ama Shakat > *Kakiat > Hepat / Hekate

=> Bast / Haphiat > Ptah!

Shamhat: Also pronounced Shakat, "voluptuous one, harlot" name of the prostitute sent to Enkidu. Probably belonged to the cult personnel of Ishtar's temple in Uruk.


Figura 10: Sekhmèt, a esposa de Ptah.

On attribue à ce couple la filiation d'un jeune guerrier: le dieu Néfertoum qui représenté sous la forme d'un lion devient un redoutable gardien des frontières. Sekhmèt qui signifie "la puissante" incarne les dangereux rayons du soleil à son zénith. Egalement " déesse de la guerre " Sekhmet est capable d'envoyer des maladies, mais aussi de les guérir, c'est pourquoi elle est la patronne de la médecine et des prêtres qui connaissaient l'art de guérir.

O nome desta deusa manifesta ainda as seguintes variantes:

Sekhmet, Sekhet, Sakhmet, Nesert.

A minha intuição é a de que esta deusa seria o equivalente semântico de Artemisa no Egipto, só que... falta um «erre» em quase todos este nomes pelo que nos ficaríamos apenas por uma variante do tipo *Kakiki-Maat > *Ishmet (=> Esménia/nio, um dos epítetos de Apolo), possível esposa de Eshmun, o deus Sumério da Medicina, e por isso mesmo suspeito de ser uma variante dum arcaico deus primordial, esposo de Tiamat.

Sekh-met, Sekh-et, Sakh-met => Sak (h-met) = Kaki-(*Kima)at = Ish-Tiamat, lit. «o poder do fogo da Deus Mãe Tiamat».

Having once unleashed her powers for the destruction of mankind, the Egyptians feared a repeat performance by Sekhmet.

Nesta parte do mito estamos seguramente perante uma metáfora do poder destruidor da Terra Mãe nos seus aspectos telúricos mais agressivos, como sejam as manifestações do vulcanismo e dos cataclismos naturais diversos e também os relativos às maleitas, sofrimentos e dificuldades várias da vida! A analogia funcional com Tiamat do mito da titanomaquia de Marduque é aqui mais do que evidente!

The Egyptian people developed an elaborate ritual in hopes she could be appeased. This ritual revolved around more than 700 statues of the goddess (such as the one to the left). The ancient Egyptian priests were required to perform a ritual before a different one of these statues each morning and each afternoon of every single day of every single year. Only by the strictest adherence to this never-ending ritual could the ancient Egyptians be assured of their ability to placate Sekhmet. She is generally portrayed as a woman with the head of a lioness surmounted by the solar disk and the uraeus. The name "Sekhmet" comes from the root sekhem which means "to be strong, mighty, violent".

Como

Nesert < Nezer-et (> Nazaré) <= Anaxaret < An Ishtar-at, então

=>, Sekh-met + Nesert = Ish-Tiamat + An Ish-tar-at = An-Ish (Kar + Kima)-At = An-At (Artem)-ish = Atena Artemisia.

Como nos parece mais do que evidente, estamos perante uma mera variante.

 

SR.ª DA SAÚDE


Figura 11: Senhora da Saúde

Há festa na Mouraria,
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde.
Até a Rosa Maria,
Da Rua do Capelão,
Parece que tem virtude.

 

Colchas ricas nas janelas,
Pétalas soltas no chão,
Almas crentes, povo rude.
Anda a fé pelas vielas,
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde.

 

Após um curto rumor,
Profundo silêncio pesa,
Por sobre o Largo da Guia.
Passa a Virgem no andor,
Tudo se ajoelha e reza,
Até a Rosa Maria.

 

Como que petrificada,
Em fervorosa oração,
É tal a sua atitude,
Que a rosa já desfolhada,
Da Rua do Capelão,
Parece que tem virtude.

No século XVI, Lisboa viveu um tempo trágico, em que o dia-a-dia foi vivido em sobressaltos, com massacre e perseguições aos designados “cristãos-novos”, pestes, fome e tremores de terra e sentimento de instabilidade na governança do reino, o povo encontrou esperança na fé, e em Abril de 1570 o povo fez a sua primeira Procissão de Nossa Senhora da saúde promovida pelos Artilheiros como agradecimento da graça pela melhoria da saúde na cidade de Lisboa.

Artemisia, wormwood, a. platutera, = Artemisia arborescens, a. leptotera, = A. campestris. 2. a. monoklônos, = A. scoparia.

Ambrosia, immortality, rare in general sense, elixir of life, as used by gods for food, etc.; as perfume; as unguent; as pasture for horses, etc.

Athanasia, immortality. II. elixir or antidote, a. Mithridatou.Liddell-Scott-Jones Lexicon of Classical Greek.

Com estes mesmos conceitos relacionados com os poderes mágicos do domínio do fogo obtido pela imolação do lenho da “arvore da vida”, a Deusa Mãe andou relacionado a medicina nos aspectos correspondentes à preparação dos “elixires da longa vida, das poções mágicas e dos filtros de amor”, de cuja longa arte e repetida prática derivou a «farmácia».

«Farmácia» < pharmakia < Kar me ki(a) < Kar Ki me => Artimes.

Sabemos que a deusa Atena derivou a sua celebridade da devoção da cidade de Atenas à Virgem Mãe e que, por isso mesmo, não é mais do que um aspecto particular duma deusa do fogo. Como esta deusa é muito semelhante a Artemisa é interessante notar que a um dos epítetos de Atena foi Hugeia.

 

Ver: HIGEIA (***)

 

Hugieia < Kauki Keia ou Kaki-Geia, lit. “a deusa mãe das artes mágicas do fogo e da culinária”.

Claro que, tal como ontem e ainda hoje, eram as deusas mães que confeccionavam ao lume as tisanas e os xaropes que serviam de remédio balsâmico para as maleitas humanas. Assim sendo, o caduceu do saber hermético, que é o símbolo da medicina, revela-se uma justa homenagem à Deusa Mãe ao descrever duas cobras entrelaçadas.


Figura 12: As cobras aladas sumérias, os lamashu, que deram origem ao caduceu hermético.


Figura 13: Caduceu hermético e da medicina.

Reparando com mais atenção no desenho do vaso caldeus da Figura 12 ficamos a suspeitar que a origem remota deste símbolo do poder religioso e taumatúrgico da Deusa Mãe deriva duma mitologia ainda mais arcaica relacionada com os mitos da aurora dos cultos de «morte e ressurreição solar» onde as deusas cobras seriam os lamasshu do casal de gémeos primitivo e os dragões os equivalentes dos Aker do Egipto.

 

Ver: GÉMEOS (***) & ALVOR (***)

 

Este mesmo símbolo, enquanto keyron de Hermes revela-nos que este deus foi outrora um irmão gémeo de Apolo e o esposo adequado de sua irmã gémea, a deusa mãe Artemisa, tanto por razões fonéticas quanto funcionais. Dos gémeos primordiais Apolo herdou o lado solar do auróboro alado e Hermes, o caduceu!

Aliás, foneticamente falando, Artemisa estaria mais bem emparelhada com Hermes do que com seu irmão oficial, o deus Apolo.

O termo «remédio» (Lat. remediu), s. m. nome genérico de qualquer substância que pode debelar uma doença; • medicamento; não parece ter uma etimologia latina muito expressiva mas, a verdade é que «remediu(m)» < uremethium< carmenthiu < Kar me Antu => Artemisa ( => Ka Kar menthiu > «sacramento», unguento do deus Sacar). Quer dizer que, por mera coincidência semântica ou por profunda relação etimológica, a Sr.ª dos Remédios é a mesma que a Sr.ª da Saúde e ambas variantes recentes da profunda veneração que a humanidade sempre teve pelos primeiros e mais eficazes cuidados que a Deusa Mãe sempre teve pela nossa saúde. Claro que uma das primeiras relações simpáticas que a humanidade teve com a saúde derivou do facto de Ter descoberto que a carne assada ou cozida não apodrecia tão depressa facto que lhe permitiu aprender a conservar carne assada em banha, fumada ou seca ao sol e depois salgando-a. Daí que o sal tenha sido considerado como «cal» com o poder do fogo ou como algo que confere à carne as virtudes que só o fogo lhe conferia. De qualquer modo, lidar com o fogo era um primeiro passo para os segredos da vida eterna.

Um dos epítetos de Apolo, irmão de Artemisa, foi Esmenian. Este deus grego foi médico tal como Eshmun era deus da saúde dos fenícios.

Esmenian < Eshmun < Ish mean < Ka (ur) kime ou Baalat Asclepius

< Srª. Ishkur-akius, Ishtar filha de Enki/Ishkur?

 

Ver: APOLO (***) & N. SR.ª DOS REMEDIOS (***)

 



[1]

[2] In Roman mythology, Angitia was a snake goddess. As snakes were often associated with the healing arts in Ancient Roman Mythology, Angita is believed to have been mainly a goddess of healing. She was particularly venerated by the Marsi, a people from central Italy (may be same as Angita). She had powers of witchcraft and was a master in the art of miraculous and herbal healing, especially when it came to snakebites. She was also attributed with a wide range of powers over snakes, including the power to kill snakes with a touch. Many Romans claim that she is the same as Bona Dea.

[3]LA DIASPORA ETRUSCA LA RELIGIONE DEI MISTERI,I Pelasgi e i Grandi Dei

[4] Egypt Home Page, Design, Layout and Graphic Art by Jimmy Dunn, an InterCity Oz, Inc. Employee.

[5] Hittite/Hurrian Mythology REF 1.2 --by Christopher B. Sirencbsiren@hopper.unh.edu last modified Mar. 13th, 1998: added a bunch of information from the first half of Hoffner.Mar. 29th, 1996: corrected some cross-reference links.