segunda-feira, 26 de maio de 2014

AFRODITE POLIMORFA, por Artur Felisberto.

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afrodite MARGARIDA

Afrodite enquanto deusa da polimorfia teria sido Artemisa de Éfeso e mãe de muitos animais e de muitas plantas tais como o «mangerico» e a «mangerona».

«Mangerico» = planta aromática semelhante ao «manjericão» < corrup. do Gr. basilikón ?), s. m. (Bot.) planta lamiácea ou aromática muito usada em culinária; • basílico.

Amarakon, to, and amarakos, ho, marjoram, Origanum Majorana, Pherecr.131.3 (gender uncertain); masc. in Chaerem.14.16; Thphr. has both, HP6.1.1 ( [-os] ), 1.9.4 ( [-on] ), cf. Nic.Th.575, APl.4.188 (Nicias). 

Amaracus i, f, amarakos, marjoram: mollis, V.: Suave olens, Ct.

«Amáraco» < lat. amaràcu < gr. amárakos

ó amarakon < Kakarauna < Ma-Ki-aur-ana > «Macarena»

= > Ma-(Ana)-Ki-aur-ana > «Mangerona».

= > Ma-(Ana)-Ki-aur-ico > «mangerico»

= > Ma-(Ana)-Ki-aur-ico = Ma-Ki-aur-ico-an => «manjericão».

Sendo Afrodite uma *káfura derivada de uma arcaica *Ka-Kur-Ki-ki, tudo apontaria para que a origem mais arcaica do nome de Afrodite tenha estado na sua função antiquíssima e primordial de Sr.ª dos pilares de Hércules os guardiões das portas do mar do poente assim como com as montanhas sagradas da aurora enquanto mãe, filha e esposa de Enki / Hefesto e esposa irmã de Hermes.

Titles of Aphrodite: A. Margarita - the gate. A. Medousa - guardian Goddess.

Margarita < Mar-Garitu-a < Mel-Gartu-a > Melkart!

Medusa < Ama-Diusha = Deusa Mãe.

Nestas funções Afrodite teria ainda o título de Margarida, lit. “a que tem guarita (e dá guarida aos mortos) no mar era lit. “a Medusa que guarda as portas do paraíso”, abertos como “gretas, grutas e gargantas” entre as montanhas da aurora, nos limites do mar primordial”. Sendo assim, é bem possível que as margaridas, flores campestres comuns, tenham sido das primeiras a serem enterradas com os mortos tornando-se flores de cultos fúnebres como o amaranto e flores de cemitério como os «crisântemos»[1].

Um dos epítetos estranhos de Afrodite é Margarita de que não se consegue confirmar o significado proposto de «portão». No entanto, a existir algum fundo de verdade nesta semântica é possível então que esta esteja próxima do que parece ressoar: Uma grande gruta aberta para o mar que seria uma «greta» da Terra Mãe e, por isso, um portão de acesso aos infernos do mar primordial!

Margarita - the gate[2]? Margar-itês, pearl. Margar-os, pearl-oyster. Margar-is, a kind of palm-tree.

No entanto, a semântica mais comum das flores com o nome de margaridas parece derivar da brancura luzidia das pérolas que nasceriam em conchas do mar como Afrodite.

Margar-itês <= margarritos < *margar-litos <= margar(os) = «ostra»

< Lat. Ostrea < Austaria < Ishtar-Ea.

Quer dizer que, a partir de Margarida, se não chegamos a Afrodite chegamos pelo menos a Istar, que é praticamente o mesmo. Ora Istar era a deusa das tamareiras pelo que fica explicado o nome margaris para uma palmeira o que deixa a suspeita de as tâmaras terem tido o nome poéticos de pérolas da «árvore da vida».

No entanto o nome grego para as «pérolas» tem todo o aspecto de ser original por ser margar- um étimo com sabor a marisco!

Engl. pearl < Middle English from Old French perle, probably from Latin perna ‘leg’ (applied to leg-of-mutton-shaped bivalve)[3]. Pt. pérola < It. perla.

Por via italiana ou francófona, a verdade é que ninguém sabe de onde veio o nome moderno das pérolas que em latim eram Lapillus

Lapillus, dim. [< lapis + lus], a little stone, a pebble, a precious stone, gem, jewel; marble, etc.: inter niveos virides que lapillos, i. e. emeralds and pearls.

«Pérola» < *peraul ó ??? It. perla > peral > Engl. Pearl.

                                 < *pherula <= ishpher-ula ó Lat. lapis-ula.

                                                                                                < *Urphi

> Urfeu.

                                                                < Lupa < Luphi-ka <                

                                                                                                 > «Lúdica»,

etc.

Quer dizer que a conotação que esteve primordialmente mais ligada a esta deusa teria que ser a que se relacionava com o «ciclo diário do sol» o que num povo insular como o da civilização cretense acabaria por vir a ser uma bela aurora por entre a espuma das ondas do mar seguramente percebido como das bandas escaldantes do sul da Etiópia o que acabaria por relacionar este étimo também com África, semântica que os latinos guardaram.

Artemisa de Éfeso é não só a forma de Virgem Mãe grega mais opulenta como a mais conotada com os cultos de fertilidade da Deusa Mãe antepassada de Afrodite.

 

AFRODITE MORFO

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A. Morpho = A. que molda ou tem belas formas; usado em Esparta como título de Afrodite.

Όμορφος = lindo, bonito = de (boas) formas / disforme!

Pharma-ceia (< Pharmakeia) = uma naide filha de Ilissus cuja fonte era venenosa.

Grec. *Pharma | -ceia < -keia < -keja < keka | < *Karma-Ki-ki(/a).

Modern. Grec. Όμορφος ó Ho-Morpha < | Kau > Ka > Ha

|-Ma-Ur-ka > Amorka.

Kau-ma-ur-ka = Kau-ur-ma-ka > Phor-Macha > Promacho

< Pher-masho ó Phor-ma-ish > Lat. formosu > Pt. «formoso».

                         ó Hermisho > Hermes.

                                                > *Hermausho > Esp. «hermoso».

Afrodite Morfo era, portanto uma variante de Amorca.

Hermes era o que restava do arcaico «deus menino» filho de ambas as mesmas amorosas deusas mães!

ó *Pharma > Lat. Forma.           > Phro- (+ Ama + dite) = Afrodite.

     «Forma» < Lat. Forma < *Pharma < Phaurma <= Kur-Ama

Pois bem...Afrodite Morfo, a deusa das “belas formas” e das inquietantes morfo(logias) teria sido, em épocas recuadas da mitologia, mãe e esposa de Hermes (ou do seus antepassado étmico minóico) e também, senão a mãe, pelo menos a avó de Morfeu, o deus dos “belos sonhos”, na medida em que Hipnos, irmão de Tánatos, era filho da Noite, a deusa mãe primordial que tinha os aspectos de virgem negra de Atena Promacho e era mãe do Amor primordial como Afrodite Urânia! Isto significa que Hermes e Afrodite Morfo fariam originariamente parte do mesmo mitema, ainda hoje presente na morfologia mítica da virgem de Macarena. Assim, quando, para defender a obesidade dos opróbrios a que a vota a tirania da higiene científica, ainda hoje se deita mão ao rifão de que “a gordura é formosura” não se está senão a dar conta de que a semântica da “formosura” teria originariamente muito mais a ver com mitemas de fertilidade e gravidez do que com pureza de forma já que a «beleza» colhe a sua semântica no mitema de deuses solares como Wer / Bel e que deram nome à às cores claras primaveris e à brancura dos claros dias de Verão! Em conclusão, o étimo original destes teónimos de Afrodite seria Ama-ur, lit. “a mãe selvagem”, forte e violenta como é a Natureza e como foi Medusa, a mítica Gorgónia!

 

AFRODITE MURTA

A. Moira – A. forte e trabalhadora.

Otra Antíope fue una reina de las amazonas, hija de Ares y hermana de Hipólita y Melanipa. (…) Teseo, no contento con esta primera victoria, secuestró a Antíope y la hizo su amante, por lo que las amazonas reiniciaron la guerra con el fin de liberarla. Llegaron en su ataque incluso a Atenas, pero en esta ciudad fueron finalmente derrotadas. Algunas versiones afirman que durante el asedio a Atenas Antíope luchó en el bando de las amazonas, y que una compañera llamada Molpadia la mató de un flechazo cuando iban a ser derrotadas para evitar que su reina fuera violada o ultrajada por los atenienses.

Molpa-dia < molpa = júbilo < melpô = rejubilar, festejar com danças e canções! Dia = (que passa) pelo meio de, através, => dança de passagem, > de despedida, > de morte! => Lat. melopoeia < Gr. melopo-iía < mélos, melo-dia + poiéo, fazer, ejecutar.

A. Molpadia – A. da canção fúnebre.[4]

Moros = moira = 1. fate, destiny, poet. and Ion. II. doom, death.

Titles of Aphrodite: A Myrto - sea, ocean; may be related to 'myrton' a word used both for the female genitals and the myrtle tree. A. Myrtoessa - Goddess of the sea; Arkadian spring nymph.

O genitivo latino de Marte é Martis, ou seja, Mar-Dis, literalmente deus do mar profundo! Indo mais longe nas divagações semânticas podemos suspeitar que o latino Marte, o sumério Martu e Amurru teriam sido deuses do mar, possivelmente nos tempos da talassocracia cretense, ou pelo menos da civilização mediterrânica que a precedeu imediatamente desde o neolítico, de que terão emanado todas as culturas históricas do mundo.

O deus Tamuz era dado como nascido da virgem Mirra (Myrrha) e de Mirto, ou seja, da Virgem deusa mãe Amorca. O nome Myrrha assemelha-se superficialmente a "Maria/Míriam", e é possível que esta particular história de uma virgem que deu à luz tenha influenciado a história de Maria mais que as outras. Tal como o Senhor Jesus, Tamuz foi sempre chamado Adónis, Adon / Adonai em judeu, que significa "Senhor".

Myrrha < Mur®ika < M(a)urka ó Amorca.

                                                     > Maruha > Marya > Maria.

    Sr.ª M(a)urka = Ana Maruha = Maruha-Ana > Mariamne > Miriam.

                                                  «Murta» ó Maurta > «Marta» > Malta.

                                                   «Mirto» ó Gr. Myrtos > Lat. myrtu.

A relação lunar da Deusa Mãe com os cultos fúnebres explicará, por ressonância fonética com a «morte», a passagem, por via popular, do «mirto» a «murta» por uma relação semântica originariamente próxima mas que, com as vicissitudes linguísticas, acabou divergente.

Na Terra, a fecundidade de Afrodite mantinha por todos os lugares a vida inesgotável. Todo inverno ela retornava a Chipre com as suas pombas para o seu banho sagrado em Pafos. Ali era atendida pelas Graças: Florescência, Crescimento, Beleza, Alegria e Resplendor. Elas coroavam-na com mirto e espalhavam pétalas de rosas a seus pés. Afrodite caminhava para o mar, para os ritmos lunares da maré. Quando emergia, com o espírito renovado, a primavera florescia em plenitude. Todos os seres sentiam a sua alegria e os jardins e os bosques mostravam um brilho luxuriante. Ela espalhava por todos os lugares as promessas escondidas da vida. Através das estações, anos e eras, os mistérios de Afrodite permaneciam invioláveis, pois apenas ela entendia o amor que gera a vida.

«Mirto» = Bot. planta da família das mirtáceas de folhagem sempre verde, pequenas flores brancas, de aroma agradável e com propriedades balsâmicas, fruto baciforme, negro azulado, na maturação, também designado por «murta», também o mesmo que «mirto».

Cypress trees and myrtle, both evergreen, are especially dear to Aphrodite. -- Pythagorean Tarot homepage.

Na verdade, a «murta» foi a erva com que se atapetava o chão da porta que dava entrada ao padre na visita pascal e seria também utilizada em tempos antigos nos festões de jardinagem que acompanhavam na fenícia os ritos primaveris de Adónis.

Destas relações muito arcaicas herdou Afrodite ainda os epítetos de Melissa e Merope.

Melissa – bee. Merope - bee eater or eloquent speaker; originally separate Goddess with owl totem, later applied to a bright coloured bird that ate bees.

Merope < «melope» (= peixe variegado, do género labro) < Mel-Ops

=> Melisha, lit. «a filha da Sr.ª (do Mar)»! > Melissa.

 

Ver: APILIA (***)

 

«Melopeia» < Lat. melopoeia < Gr. melopoiía <= mélos, (melodia)

+ poi-éo, (executar)

ó «melodia» < Lat. melodia < Gr. melodia, canto cadenciado

<= melothia < Mel- | Ophi-Teia

ó | Mer-auphi < *Murka > Maul-pa | -thia > molpadia,

lit. “a canção fúnebre da mãe Urça, ou da porca de Murça”!

A conotação proposta entre a etimologia das melopeias e das «melodias» elegíacas ou molpadas torna-se assim óbvia se pensarmos que os “cultos de morte e ressurreição” começavam seguramente em rituais funerários ou em ritos pascais de passagem com mortes reais de sacrificados humanos na 6ª feira da paixão!

Começados pela melíflua e suculenta letra «eme» do nome da Deusa Mãe primordial, eram ainda epítetos de Afrodite Migónides e A. Miqueia.

Migónides < Migonitis < Me-Gon-Tis (< Ma-Kian-at

< Ma-Ki (An) Kaki), etimologicamente conotado com a união sexual das gónadas, e

Miqueia, (a mesma que Micaela?) < Muteia, lit. “deusa mãe”

> Mut-Isa.

                > Mikeja => «Micas»[5]!

Migonitis – union. Mycheia - in the centre.

Adrija > | isha > ast | => Adraste (deusa celta da guerra) + Ea > Adrasteia

(cidade aliada dos Troianaos e was an alternative name for Nemesis and a Fate.)

> | Atharu < Aphaur | < *An-Kur > *Anphor > *Afhro-Theia.

Androphonos < An Thro | < Phaunus < Ki-Ana| => *Afhro-Diana.

Androphonos, of women, murdering their husbands.

Andromeda < Anthro- | macha < Mezda < Metha| > Andromacha[6] => Artemisa.

                                                                              > *Aphro-Macha

Andromeda, agoddess of dreams. Daughter of Cepheus (< Kikeus) and Cassiopeia (< *Kiash-Ophia, a cobra de Vesta), rulers of Aethiopia (< *Kaki-Ophia, terra de da «cobra de fogo). Cassiope offended the Nereids by boasting that Andromeda was more beautiful than they were. In retaliation Poseidon, their father, sent a sea monster to devastate the kingdom. In order to escape from this destruction it was determined that Andromeda had to be sacrificed to the monster. Andromeda was chained to a rock on the seashore as an offering to the monster, the Kraken (> Thragen > *Thaurakian > «Dragão»). Perseus (< *Pher-Shew), flying by on the winged horse Pegasus saw her and fell in love with her. He slew the sea monster and married her. They had six sons and a daughter. At her death she was placed among the stars as the constellation Andromeda.

Cepheus < Kekaus <=> Kakish < Cacu-ish

               > Hephios <=> Auphis > Ophis.

A ideia de que Adrómeda, enquanto a mãe dos os sonhos poderia ser filha da cobra macho que era Ophis pode fazer sentido se aceitarmos que o veneno das cobras teria tido outrora funções farmacológicas relacionadas com poções analgésicas e dormitivas.

A. Androclea daughter of Antipoenus, slays herself for her country.

A. Androgyne man-woman.

 



[1]«Crisântemos» < Lat. chrysanthemu < Gr. Chrysánthemon = pampilho de oiro, ou lírio amarelo => Antemon = pampilho, lit. lírio dos campos? Dito de outro modo é bem possível que o crisântemo tenha sido nome de um lírio selvagem amarelo.

[2] Copyright © 2000-2001, C. Osborne, Webmaster

[3]"pearl1," Microsoft® Encarta® 99 Encyclopedia. The Concise® Oxford Dictionary,  9th Edition. (c) © Oxford University Press. All rights reserved.

[4]A. Moira - strong one. A. Molpadia - death song.

In Greek mythology, Molpadia was an Amazon who was said to have fought for both Antiope and Orithia. She was a participant in the Attic War, where she witnessed her queen Antiope sustain heavy injuries. Antiope was hurt so seriously, she could not defend herself from Theseus and his retainers. Knowing this, Molpadia killed the queen with an arrow (some say spear), saving her from violation by the Athenian king. Her name means "Death Song".  Like many other Amazons, she may have been named for a goddess, in this case a psychopomp deity. Her alternate name was Hemithea, "half goddess". Retrieved from "http://en.wikipedia.org/wiki/Molpadia"

[5] Este foi, frequente na região do Douro, alcunha simpática e carinhoso fosse ela Maria da Conceição, Micaela ou Miquelina!

[6] Daughter of Eetion, wife of Hector: Apollod. vol. 2.51