domingo, 6 de setembro de 2009

INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA MÍTICA, por Artur Felisberto







INTRODUÇÃO à LINGUÍSTICA MÍTICA

O progresso das ciências arqueológicas de que a linguística pode e deve fazer parte permite-nos conhecer o mundo arcaico como nem os próprios contemporâneos o entendiam mas jamais seremos capazes de apreender o mundo histórico como os homens contemporâneos o viveram.
Carpe Die, porque cada vivência é única e irrepetível.

O mito foi uma teoria e a teoria é um mito!
No início das investigações gnosiológícas é preciso, depois de tudo que já vimos, rejeitar tudo que já faz parte da área da cognição. A cognição é algo que foi realizado pelo homem, algo que nasceu de uma atividade. Se a Teoria do Conhecimento deve abranger, com seus esclarecimentos, todo o campo do conhecer, deve tomar como ponto de partida algo que tenha permanecido alheio a essa atividade, algo que dê a esta o seu primeiro impulso. Aquilo que deve constituir o início situa-se fora da cognição, e não pode constituir conhecimento. Todavia deve preceder imediatamente o conhecer, de modo que o primeiro passo dado pelo homem, a partir desse ponto, já seja uma ati-vidade cognitiva. A maneira pela qual esse princípio absoluto deve ser determinado precisa ser tal que não se intrometa nada que já seja decorrente de um ato de cognição não se intrometa nada que já seja decorrente de um ato de cognição.
Tal início só poderá ser feito com a imagem do mundo imediatamente dada, ou seja, aquela que o homem tem diante de si antes de submetê-la, de qualquer modo, ao processo cognitivo — antes, portanto, que tenha emitido a seu respeito a menor declaração, ou a tenha submetido à mais ínfima determinação por meio do pensar. Aquilo que passa diante de nós, e diante do qual nós passamos, essa imagem do mundo desconexa e não dividida em detalhes individuais27 — imagem em que nada é ainda separado nem relacionado com outra parte, nem determinado por outro detalhe — é o imediatamente dado. Nesse grau da existência — seja-nos permitido usar essa expressão — nenhum objeto, nenhum evento é mais importante ou mais significativo que outro. (…) No próprio ponto inicial não pode haver erro, pois este só pode ter início com o processo cognitivo — nunca antes dele. -- RUDOLF STEINER, VERDADE E CIÊNCIA, Prelúdio a uma “Filosofia da Liberdade.”
Depois, o homem começou a pensar no bem e no mal e imaginou a epifania do divina do mito e este forçou a conciencia dos iluminados a inventarem a linguagem sagrada que lhes permitiria pegar fogo ao mundo! O primeiro conhecimento humano foi uma história ingénua que tinha tanto de pícaro como de sibilino, ardiloso e trágico. O conhecimento começa sempre com uma qualquer forma de mentira retórica expressiva de que a literatura foi o máximo expoente da oralidade.
A literatura é a arte do belo preconceito e a linguística, enquanto ciência de literatas, um exercício penoso de conceptualização de conceitos inefáveis. A poesia clássica é, toda ela, uma epopeia morta que nem sequer chega a ressoar como elegia aos ouvidos modernos precisamente porque de gustibus et coloribus non dispuntandur e pouca coisa é tão volúvel e subtil quantos as formas com que se adorna o bom gosto.
O sol é grande, caem co'a calma as aves,
Do tempo em tal sazão, que soe ser fria;
Esta água que d'alto cai acordar-me-ia
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
Qual é tal coração qu'em vós confia?
Passam os tempos, vai dia trás dia,
Incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
Vi tantas águas, vi tanta verdura,
As aves todas cantavam d'amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
Também mudando-m'eu fiz doutras cores:
E tudo o mais renova, isto é sem cura!

                           Sá de Miranda
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.


O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

                          Luís de Camões
Toda concepción de mundo depende de una construcción simbólica de la realidad, la cual es percibida selectivamente por cada actor social en un contexto histórico y sociocultural específico. Dichas construcciones simbólicas se legitiman y validan al generarse consensos activados por los procesos de comunicación y transmisión cultural. Son entidades a la vez emisoras y receptoras de los procesos de permanencia y transformación, cuyos flujos y reflujos operan al interior de las matrices socioculturales. Accedemos a sus significados mediante el rescate y comprensión del discurso simbólico de los actores sociales, descubriendo los referentes émicos compartidos. -- M. Ester Grebe, Revista Chilena de Antropología. No. 13, 1995-1996, ISSN 0717-3312.
Nenhum diálogo  é possível sem linguagem comum o que pressupõe um consenso tanto nos meios como nos conteúdos da linguagem, seja ela escrita ou falada. Que estes consensos tenham sido adquiridos por longos processos evolutivos (laboriosos, polémicos sempre mais académicos do que didácticos!) sempre ligados aos templos e às escolas religiosas (e só depois aos palácios e muito recentemente às chancelarias de estado) parece consensual no que respeita aos processos de escrita. Porém, não faltará quem pense ainda que a oralidade surge por geração espontânea como a linguagem postural e gestual herdada dos primatas que somos, linguagem emocional esta que se mantém e acompanha o discurso como que para lhe dar o tom e a cor e lhe marcar ritmo intemporal.
Now the Egyptians, before the reign of their king Psammetichus, believed themselves to be the most ancient of mankind. Since Psammetichus, however, made an attempt to discover who were actually the primitive race, they have been of opinion that while they surpass all other nations, the Phrygians surpass them in antiquity. This king, finding it impossible to make out by dint of inquiry what men were the most ancient, contrived the following method of discovery:- He took two children of the common sort, and gave them over to a herdsman to bring up at his folds, strictly charging him to let no one utter a word in their presence, but to keep them in a sequestered cottage, and from time to time introduce goats to their apartment, see that they got their fill of milk, and in all other respects look after them. His object herein was to know, after the indistinct babblings of infancy were over, what word they would first articulate. It happened as he had anticipated. The herdsman obeyed his orders for two years, and at the end of that time, on his one day opening the door of their room and going in, the children both ran up to him with outstretched arms, and distinctly said "Becos." When this first happened the herdsman took no notice; but afterwards when he observed, on coming often to see after them, that the word was constantly in their mouths, he informed his lord, and by his command brought the children into his presence. Psammetichus then himself heard them say the word, upon which he proceeded to make inquiry what people there was who called anything "becos," and hereupon he learnt that "becos" was the Phrygian name for bread. In consideration of this circumstance the Egyptians yielded their claims, and admitted the greater antiquity of the Phrygians. -- THE HISTORY OF HERODOTUS by Herodotus, translated by George Rawlinson, The Second Book, Entitled EUTERPE.

Ver: EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA (***)

We shall run no risk of being misunderstood when we define a myth as, in its origin, an explanation, by the uncivilized mind, of some natural phenomenon; not an allegory, not an esoteric symbol, -- for the ingenuity is wasted which strives to detect in myths the remnants of a refined primeval science, -- but an explanation. Primitive men had no profound science to perpetuate by means of allegory, nor were they such sorry pedants as to talk in riddles when plain language would serve their purpose. Their minds, we may be sure, worked like our own, and when they spoke of the far-darting sun-god, they meant just what they said, save that where we propound a scientific theorem, they constructed a myth.[12] [1]
A linguística é, por definição, uma meta linguagem, ou seja, uma certa forma remanescente de metafísica e daí: «la difficulté qu’il y a en général à écrire seulement dix lignes ayant le sens commun en matiére de faits de langage» y de «l’assez grande vanité de tout ce qu’on peut faire finalement en linguistique» (BENVENISTE, 95). ()
Igualmente, la grafía qvom en lugar de cum en el verso AETATE QVOM PARVA es «unvéritable barbarisme voulupara proveer la compensación de la v de parva. En todos los casos «le lapicide était surveillé à ce propos par le versificateur lui-même» (PROS DOCIMI & MARINETTI, 48-49).
Cada época tem os seus estilos cada qual com suas modas tão efémeras quanto os tiques dos diletantes que as cultivam.
Porém, por de trás das boas formas institucionais que fazem as delícias dos bons alunos e o panegírico dos melhores mestres estava apenas o respeito pela palavra que, enquanto legado quase único da tradição arcaica, era preciosa e merecia os cuidados com que ela mesma servia para louvar os deuses. E da fonética à poesia se chegava ao rito e deste ao mito feito literatura oral que tinha que ser religiosa e meticulosamente preservada e transmitida de boca em boca pelos séculos dos séculos. Assim, os recursos linguísticos mais ou menos elaborados e aparentemente obscuros apareciam tanto como música de embalar as crianças recém-nascidas, que sempre são as novas gerações, como recursos mnemónicos com que os idosos e os mais desmemoriados se precaviam na quimeras a linha do sentido da vida contra o fantasma da entropia que envenena as águas turvas do rio Letes.
Na verdade, QVOM não seria tanto um barbarismo quanto uma forma de falar regional de baixo latim ou mesmo uma variante arcaica de latim parente próxima do “quão” minhoto (< quom < Lat. quam), o que prova o quanto é difícil fazer derivar as línguas românicas modernas directamente do latim sem postular um crioulo intermédio provincial resultante do encontro duma miríade de dialectos regionais tanto nas milícias imperiais quanto nos falantes colonizados.
O estudo destes recursos estilísticos mnemónicos, que tinham o mesmo papel dos ritos litúrgicos nos mitos de retorno, levou o mesmo autor, acima comentado, a poder dizer:
“La cosa capital, es decir, el hecho de que el poeta busque con afán un «residuo significativo», es la prefiguración del anagrama tal y como será desarrollado y perfec cionado más adelante. Saussure confiesa a Bally que «cette espèce de reste mystique ou cabalistique me semblait étrange», pêro advierte inmediatamente que hay que considerar dicho resíduo «bien existant et bien voulu, mais n’ayant rien de secret, et correspon dant tout simplement aux lettres tracés sur la pierre ou au moins sur la charta du versificateur» (PROSDOCIMI & MARINETTI, 50)

FERDINAND DE SAUSSURE
Como a preocupação etimológica do pai da linguística moderna foi usada para questionar os seus estudos sobre a linguagem.
Ferdinand de Saussure (1857-1913) foi visto por muito tempo como uma espécie de "pai da lingüística moderna".



Figura 1: Ferdinand de Saussure foi vítima da aversão a estudos históricos que marcou sua geração.

Sua obra mais conhecida, o Curso de lingüística geral, é póstuma (1916) e escrita pelos seus discípulos com base nas anotações de seus cursos em Genebra.
Saussure, tal como um Sócrates ou um Jesus, teria pregado uma nova lingüística e seus discípulos mais fervorosos, sobretudo Charles Bally (1865-1947) e Albert Sechehaye (1870-1946) se incumbiram de divulgar a nova mensagem, até então campo quase que exclusivo de autores alemães. Muitos outros grandes lingüistas reforçaram seu mito, como é o caso do dinamarquês Louis Hjelmslev (1899-1965) que, em seu entusiasmo de fazer tabula rasa do conhecimento lingüístico pregresso, chega a afirmar: "Aderimos explicitamente ao passado em certos pontos a respeito dos quais sabemos que outros conseguiram resultados positivos antes de nós.
Um único teórico merece ser citado como pioneiro indiscutível: o suíço Ferdinand de Saussure". Essa idealização de tremenda originalidade na obra de Saussure, no entanto, foi relativizada por alguns outros grandes lingüistas, entre eles Eugenio Coseriu (1921-2002), que se empenhou em mostrar que muito do que se atribuía a Saussure era, na verdade, resultado de sua imensa erudição acerca dos tratados antigos dos gramáticos indianos ou tratava-se de discussões que remontavam ao tempo dos estóicos ou, ainda, a autores mais próximos, seus contemporâneos, entre eles, George von Gabelentz (1840-1893) ou Hermann Paul (1846-1921), esquecidos ou ignorados pela geração seguinte.
Mitificações
No entanto, entre as muitas opiniões que se podem criar de Saussure, uma delas é bastante destoante. Otto Jespersen (1860-1943) comenta em 1922:
"Saussure aponta, como um dos princípios mais importantes de nossa ciência, que a ligação entre som e sentido é arbitrária ou imotivada."
Jespersen refere-se ao trecho em que Saussure diz: "palavras francesas como fouet (chicote) ou glas (dobre de sinos) podem impressionar certos ouvidos por sua sonoridade sugestiva; mas para ver que não têm tal caráter desde a origem, basta remontar às suas formas latinas (fouet derivado de fagus, "faia", glas = classicum); a qualidade de seus sons atuais, ou melhor, aquela que se lhes atribui, é um resultado fortuito da evolução fonética" (tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Isidoro Blikstein).
Ao citar esse trecho, Jespersen conclui:
"Aqui vemos uma das características da ciência lingüística moderna: está tão preocupada com a etimologia, com a origem das palavras que presta muito mais atenção a de quais palavras provieram do que em quais se tornaram".
Dizer que Saussure se preocupava demasiadamente com a história da língua parece um erro de leitura de Jespersen, tão acostumados estamos a ver Saussure empunhando uma bandeira contra os estudos históricos.
O tempo e o vento
Mas quem pacientemente reler o Curso de Saussure encontrará alguém muito dedicado a isso, o que era comum em sua época e prosseguiu normal até a década de 50 do século passado.
Muitos "lingüistas modernos" se preocuparam com a história das línguas. O próprio Louis Hjelmslev, aparentemente tão iconoclasta na citação anterior, trabalhou com etimologias das línguas bálticas (Études Baltiques, 1932, sua tese de doutorado).
Émile Benveniste (1902-1976) era especialista em línguas iranianas e publicou o Vocabulário das instituições indo-européias.
Roman Jakobson (1896-1982) estudou a evolução fonológica do russo comparado às outras línguas eslavas.
André Martinet (1908-1999) publicou em 1986 o pouco conhecido Des steppes aux océans, sobre os indo-europeus.
Bernard Pottier (1924-) é co-autor de um livro intitulado Morfología histórica del español.
Grosserias
Nenhum grande lingüista desconhecia questões de história da língua; no entanto, como justificar afirmações grosseiras como esta, de Françoise Dubois Charlier (trad. João Andrade Paes):
"Hoje falamos português, comunicamos por meio deste aparelho complexo que é a língua portuguesa; uma questão é perguntarmo-nos como funciona este aparelho; outra, que não traz qualquer esclarecimento à primeira, é perguntarmo-nos donde ele provém, ou donde provêm algumas das suas partes" (grifo nosso).
Continuando com sua metáfora eletrodoméstica, Charlier afirma:
"Confundir sincronia e diacronia seria fornecer, à dona-de-casa que pede instruções sobre o funcionamento de seu fogão ultramoderno, uma história do forno através dos tempos".
Contra a História
Essa aversão a tudo que é histórico, presente em tantos lingüistas, começa depois da década de 50 e vai tornando-se cada vez mais evidente até a década de 80.
Agora tomava corpo real a histeria do pós-guerra, que se voltou contra tudo que era alemão, a queda-de-braço entre franceses e americanos na disputa do espólio dos estudos lingüísticos, as lamentáveis revoluções culturais (como na China), enfim, a tentativa de total negação do passado, pregada com tanto afinco pelo futurismo.
No lugar das tradições, surgiam os quadros em branco, as sinfonias sem nota, o concretismo, a abolição das aulas de latim e, com muito custo, anseios tão caros desde a revolução francesa: a igualdade entre os homens, a democratização do ensino, etc. (como se essas boas intenções até hoje não atingidas em sua plenitude compensassem o mal causado pela destruição de outros parâmetros antigos).
Enfim, a tabula rasa e, com ela, o desprezo pela história e até um certo orgulho de desconhecer as origens da língua. Dizia-se nas salas de aula das universidades que, no que tocava à lingüística, essa revolução era liderada por Saussure.
Contradições
Mas como? Saussure era neogramático e indo-europeísta. A ele devemos a incrível teoria das laringais, que propôs para explicar irregularidades nas vogais indo-européias, teoria essa confirmada anos depois de sua morte, quando a arqueologia descobriu na Turquia os primeiros textos em hitita. A ele também devemos a engenhosíssima lei de Saussure-Fortunatov, que explica os estranhos deslocamentos acentuais no lituano e no russo, verdadeiro martírio para quem procura regularidades nessas línguas.
O genial Saussure era tudo, exceto um lingüista anti-histórico. Jespersen tinha razão em sua crítica quando o via excessivamente historiador. Talvez tivesse ainda mais razão quando citava o nome de Saussure no meio de tantos outros hoje esquecidos (Schuchardt, Streitberg, van Ginneken, Sandfeld, Sturtevant, Sweet), não como "pai da lingüística", mas apenas como um dos grandes colaboradores dessa ciência.
Mário Eduardo Viaro é professor de Língua Portuguesa pela USP, autor de Por trás das palavras (Globo: 2004)

Deixando de lado a lógica disparata de Françoise Dubois Charlier, que confunde a utilidade prática da gramática com estudos científicos no campo da fonologia e da linguística, o que continua a ser um escandalo difícil de digerir em Ferdinand de Saussure é precisamente a sua crença apriorística de que a ligação entre som e o sentido é arbitrária ou imotivada.
Obiamente que daqui não se pode concluir que seja inteiramente verdade que o estruturalismo de Saussure seja responsável pelo estado da linguística moderna que, de acordo com o comentário de Jespersen está tão preocupada com a etimologia, com a origem das palavras que presta muito mais atenção a de quais palavras provieram do que em quais se tornaram".
Em matemática, a cadeia de Markov é um caso particular de processo estocástico com estados discretos (o parâmetro, em geral o tempo, pode ser discreto ou contínuo) e que apresenta a propriedade Markoviana, chamada assim em homenagem ao matemático Andrei Andreyevich Markov. A definição desta propriedade, também chamada de memória markoviana, é que os estados anteriores são irrelevantes para a predição dos estados seguintes, desde que o estado atual seja conhecido.
O problema é que o estado actual do mundo e das coisas está longe de ser conhecido. Os jovens que se deslumbram com o saber que não herdaram de seus pais é que têm a tendência para a miragem do grau zero da escrita e ficarem a pensar que acabaram de nascer da tábua rasa com a vocação revolucionaria de deitarem fogo aos velhos deuses do passado em nome "amanhãs que cantam"!
O razoável será prestar igual atenção a ambas as coisas ainda que a especial atenção que um estudioso dá a uma parte da questão não invalida que outros se ocupem de outras partes dos diversos problemas linguísticos porque afinal o que está em causa não é o objecto da linguística mas os métodos limitados que ela usa para descobrir a verdade inefável da substância da língua!
A ligação tão forte e isndissóluvel entre a sonoridade da eloquência e a profundidade do saber deveria no mínimo ter deixado a dúvida de que a retórica teria alguma coisa a dizer a esse respeito e melhor do que os exemplos referidos importaria no mínimo referir que o registo fonético da linguagem está para o sentido como as regras de etiqueta para o jogo das tradições nas relações sociais. Estamos num velho e aristotélico problema de relação entre forma e matéria que ainda nenhum escolático resolveu nem se espera que a física moderna venha a resolver quando mistura as categorias canteanas formais do espaço e do tempo no mesmo caldeirão material do espaço-tempo.
No canto, a simbiose perfeita entre as artes da música e da poesia permite que o conteudo de uma arte sirva reciprocamente de forma à outra apesar de ambas term em separado a sua própria forma e conteúdo. Ainda que o canto seja uma forma teatral de expressão da linguagem falada a verdade é que a fonética nunca foi vista como uma forma de música da linguagem precisamente porque muito antes da escrita ela foi considerada como a própria substância física da oralidade. Assim, ainda que pareça uma clara evidência que a a ligação entre som e o sentido é arbitrária ou imotivada, a verdade é que assim não pode ser, senão de forma apraente, porque o som modela a linguagem tanto na sua evolução como no seu uso, precisamente porcausa da função específica da linguagem, que é a da propagação eficaz do sentido ou seja, enquanto processo de informação sujeito às leis matemáticas da “teoria da informação”.
Assim, a relação subtil entre o som e o sentido terá que ser encontrada numa retórica menos preocupada com as definições das figuras de linguagem e dar mais atenção à expressividade do diálogo musical entre o ouvido e o aparelho fonador humano. A fonética da poesia do canto e das diversas formas de discurso mais ou menos teatrais ou informais não faria as delícias dos nossos ouvidos se fóssemos surdos e de pouco nos valeria ouvir o canto dos pássaros e a musicalidade da natureza se não tivéssemos sido capazes de imitar com a voz a natureza. Para entender o papel da fonética na evolução das línguas não basta estudar a fonologia da voz humana porque importa também entender a psicologia da perseção sonora e a forma como os humanos elaboram imagens com o som. Ora, neste campo quase nada foi feito ainda com utilidade para o senso comum que não tenha sido apenas feito pelos músicos e pelos poetas!

ALGUS EXERCÍCIOS PRÁTICOS
Fouet (chicote) ou glas (dobre de sinos) podem impressionar certos ouvidos por sua sonoridade sugestiva; mas para ver que não têm tal caráter desde a origem, basta remontar às suas formas latinas (fouet derivado de fagus, "faia", glas <= classicum).
Se Saussure tivesse ousado suspeitar que fouet < fagu-ete teria logo verificado que a sonoridade própria da “baguette longue et flexible lhe tinha sido dada logo na origem e que nada nos garante que tal sonoridade não andasse já na fala do baixo latim popular.
Fouet. s. m. Cordelette de chanvre ou de cuir,qui est attachée à une baguette, à un baston; & dont on se sert pour conduire & pour chastier les chevaux & autres animaux. (…) se dit qu'en matiere Ecclesiastique. La fulmination des Bulles. La fulmination d'une sentence Ecclesiastique
Lat. fagu + etter > Fouetter ó coup de fouet = fouetté > < fou-et.
Fouet = Étymol. et Hist. [2e moitié xiiie s., [ms.] désigne un coquin, un brigand (Des 2 Bordeors Ribauz, éd. Montaiglon, I, 6 ds T.-L.) attest. isolée]; 1379-80 (Inventaire du mobilier de Charles V, éd. J. Labarte, 2211, p. 242 : ung fouet d'yvire à troys cordes de soye); 1680 «petite ficelle» (Rich. ,,terme de cordier et de cocher``). Dér. de l'a. fr. fou «hêtre» (ca 1200, Renaud de Montauban, 86, 6 ds T.-L.) le mot signifiant proprement «petite baguette de hêtre»; suff. -et*; v. aussi fau.
Fr. fou < fau < fa-hu < Lat .fagu <=> Lat. fagea > fahea > «faia»
Fr. fou-teau < fautellu < *fogu-tellu < D'un lat. pop. *fogustellum.
Fr. fayard = fou = fouteau = hêtre.
                 < Mot franco-provdér. de l'a. fr. fou «hêtre » (> fouet), suff. -ard* ??? ou antes do provençal fahea + Franc. hard?
Fayard < Mot franco-prov., et s'étendant jusqu'à la mer par la vallée du Rhône; dér. de l'a. fr. fou « hêtre » (v. fouet), suff. -ard*.
Hêtre < De l'a. b. frq. *haistr (cf. néerl. heester «arbuste»), dér., à l'aide du suff. -tr, servant à former les noms d'arbres (cf. apholtra), du rad. de *haisi « buisson, fourré » qui est entré en gallo-roman sous trois formes différentes (v. hazier). *Haistr est devenu roman plus tard que haisi et haisia (v. hazier), de sorte que ai y était devenu e. Il a éliminé l'a. fr. fou (v. fayard, fouet) désignant les grands arbres, tandis que hêtre était le nom donné aux jeunes troncs qu'on coupait régulièrement et qui repoussaient généralement sur les souches. Cette distinction s'est perdue par la suite et hêtre, remplaçant fou, a fini par désigner l'arbre adulte (b).
O mais importante é dar conta que os termos franceses fou e fou-teau foram preteridos a favor de fayard e hêtre por razões fonéticas que nada parecem ter de arbitrário e imotivado na medida em que o sentido preponderante de fou passou a ser o de adjectivo fou / folle carregado de loucura semântica de que a «faia» não poderia ser culpada, enquanto fau passou a soar em falso (a faux)!
Mas as interferências conotativas ressonantes não se terão ficado por aqui!
O fouet das sentenças papais deve ter tido menos a ver com a vara de Moisés e mais com o facto de as sentenças eclesiásticas caírem rápidas como foguetes e fulminantes como relâmpagos sobre os excomungados em fuga ou sem escapatória possível.
Fr. fougue > fougueux < Fouage < Feu > *fusette > fusée.
                                                        «fogo» > «fogoso» > «Foguete».
Assim, a ligação entre som e o sentido é arbitrária ou imotivada apenas para quem só vê o lado absurdo da face oculta da retórica e não ouve as dissonâncias e ressonâncias da musicalidade da história trágico-cómica da oralidade que ficou por contar e da literura que se perdeu ou ficou por escrever!
GLAS. s. m. (Quelques-uns disent Glais.) Le son d'une cloche qu'on tinte pour une personne qui vient d'expirer. Sonner le glas.
D'un lat. pop. *classum < lat. class. classicum «sonnerie de trompettes»; glas s'explique par assimilation du c initial à la consonne sonore suivante; cf. glaire*; la présence de formes en ai à côté de celles en a est encore mal expliquée, v. FEW t. 2, p. 746b.
Quanto a glas fiquemo-nos pela falta de explicação para a variante glais.
Bret. glas = «azul», lívido = “a comparer avec les mots glais, glas en gallois, glas en gaélique irlandais (sens identique)”.
O fim da história e a realização totalizante do Saber Absoluto (Sa, Savoir absolu, que em francês pode ser tomado também no sentido ambíguo do ça freudiano-lacaniano e como abreviatura do signifiant) nos remetem, portanto, ao glas da filosofia ocidental (glas, do latim classum, classicum, sonnerie de trompette, denota, em francês, o sonido do sino para anunciar a agonia, as obséquias ou morte de alguém). A dialética hegeliana empreende, pelo trabalho do negativo e da exterioridade, a morte da metafísica, por quem dobram os sinos (glas) de toda a história da filosofia. -- Hegel, Heidegger, Derrida: Desconstruindo a Mitologia Branca, Nythamar Fernandes de Oliveira.
"La métaphysique -- mythologie blanche qui rassemble et réfléchit la culture de l’Occident: l’homme blanc prend sa propre mythologie, l’indo-européenne, son logos, c’est-à-dire le mythos de son idiome, pour la forme universelle de ce qu’il doit vouloir encore appeler la Raison. Ce qui ne va pas sans guerre (...) Mythologie blanche -- la métaphysique a effacé en elle-même la scène fabuleuse qui l’a produite et qui reste néanmoins active, remuante, inscrite à l’encre blanche, dessin invisible et recouvert dans le palimpseste" . (J. Derrida, "La mythologie blanche", Marges --de la philosophie, p. 254)
Na verdade, é muito mais plausível que glas venha de glais de origem tão incerta como glaire, a clara de ovo francesa.
Nous sommes d'autant plus porté à adopter cette traduction, que Varron a dit 33: a Ceux qui sonnent de la trompette pour appeler les classes du peuple à l'assemblée des comices, et qu'on appelle classici, tirent leur nom du mot classis (division du peuple). -- Le Dictionnaire des Antiquités Grecques et Romaines de Daremberg et Saglio
«Glas. Du latin classique “classicum”: sonnerie – mais triomphale – des trompettes. Au moyen-âge: joyeux tumulte, bruit confus du bonheur, aboiement de chiens, gazouillement des oiseaux. De ramage en ravage: le retournement du mot glas.»
The expression "machen schal", or "to make noise during the battle", is quite probably related to the later Baroque term, "Lärm-blasen". In the Middle Ages, this music-making by trumpeters was called "classicum". The classicum was described by John of Janua as follows: "Properly speaking, classicum is the unison made by all the instruments sounding together, whether they be the tubae and cornua in war, or the bells". The "unison of all the instruments sounding together" seems to have been organized in some way. But at other times, however, "the tubae were sounded at random to frighten the enemy" (Aymeric de Peyrac, fifteenth century). The performance of the classicum will be discussed below.
Glas = Bourg. clas; prov. clas; ital. chiasso; du lat. classicum, signal avec la trompette, de classicus, qui est relatif à une classe, à une réunion, de classis, une certaine partie du peuple romain (voy. CLASSE). Le classicum était proprement un signal de trompette pour réunir, rassembler. Le nom de ce signal a passé à une sorte de sonnerie. On trouve aussi glas pour aboiement, grand bruit; dans le sens d'aboiement, c'est le même que le provençal glat qui a ce sens et tient au verbe glatir (voy. GLAPIR).
Glas: ("clas", lat. "classicum", sonnerie de trompette) Tintement d’une cloche d’église pour annoncer l’agonie, la mort ou les obsèques d’une personne.
Como se comprova no precursor do termo francês glas a evolução dos fonemas sofre de vicissitudes idênticas aos semantemas.
Entre o classicum que reunia as classes para os comícios e o glas da liturgia fúnebre francesa perpassa o dobrar dos sinos da agonia da romanidade medieval e neste toque de finados linguístico muitos sons e sentidos se perderam.
Lat. Clas-sicu > chas-ico> Ital. Chiasso ó «Chasco» (gracejo satírico, motejo) < Cast. Chasco (Voz onomat.)
            > Bourg. clas; prov. clas
                            > Classic > glassit > glast > provençal glat < *glait < *Galla-ish > *glaish > Fr. glais > glas.
Postular um *Galla-ish pré-latino implica apelar para as línguas da bacia mediterrânica do Sul de França e Nordeste de Espanha anteriores à dominação romana pelo que *glaish nada terá a ver com o germânico glaich com que apenas se parece, se é que do qual terá este derivado.
De qualquer modo do culto arcaico da deusa mãe Galla derivou *Galla-uria de que terá derivado a Glória dos militares que usaram e abusaram do classicum. Depois…de etimologias duvidosas, falaciosas ou meramente ressonantes estão os dicionários cheios.
O termo luso «gritar» aparece inevitavelmente à colação desta questão etimológica. No entanto, dizem os gramáticos:
«Gritar» < Lat. quiritare, interpelar os Quirites!
Cry = c.1225, from O.Fr. crier, from L. quiritare "to wail, shriek," var. of quirritare "to squeal like a pig" from *quis, echoic of squealing, despite ancient folk etymology that traces it to "call for the help of the Quirites, "the Roman constabulary.
Será que um termo tão banal quanto fisiologicamente espontâneo precisava de um termo com a solenidade da liturgia da interpelação dos Quirites. Antes deste culto tipicamente Romano não se gritava nem na Itália nem nas Ibérias?
Scream (v.) = c.1225, earlier shreamen (c.1200), of uncertain origin, similar to words in Scand., Du., Ger., and Flem. (cf. O.N. skræma "to terrify, scare," Swed. Scra-na "to scream," O.H.G. scri-an, Ger. Schre-ien "to cry"). The noun is attested from 1513.
Do mesmo modo se constata que Scre-am = O.N. skræ-ma está próximo do latino Lat. clamore. Porém, com os restantes termos nórdicos apenas comparticha a raiz skræ- muito mais próxima do banal "to cry". Ora este termo de voz onmamatopaica é possivelmente um sobrevivente dum termo pré latino de que derivou o luso «gritar» e O.Fr. cri-er.
                                        > Kry > (to) cry!
«Gritar» < Grit < Kari-et > Kri-it <= Kyrie => O.Fr. cri-er.
                                         = Ish-Kar > skræ-.
De qualquer modo, sejam os gritos de guerra dos guerreiros de Kar ou o clamor das tombetas a causa da estranhesa sónica do glas do toque a finados francês, o barulho vai dar ao mesmo. Que tais alaridos e barulheiras de guerra tenham sido apenas uma realidade do classicimo romano é de nula credibilidade. De igual modo há que constatar que se o classicum dos romanos era o grande buzinão com BUC-CINA (lit. “corno de boi”) com que faziam as suas sua galas militares os militarem modernos guardam dessa tradição o grito da alvorada dos clarins e o rufar dos tambores em parada!
Classicu ó Lärm-blasen.
                    Lärm > Visigot. *El-Larm > «Alarme» ó It. alle arme = “às armas!” = «a-lar-ido» = Ár. | al + arir ó al-ar(i)d | = “revista às tropas” => «a-lar-de», etc.
Assim, pode-se postular a lei de que na evolução das línguas e das palavras se dá quase sempre um fenómeno de ressonância linguística que leva a adapatar fonemas antigos de que se esqueceu o exacto sentido por intermédio de fonemas de sentido próximo.
A ressonância pode obedecer a leis próximas da arte poética!
A conflência de raízes semânticas com raízes fonéticas de diversas origens pode revelar a conflência de diversas fontes de poder linguístico na mesma corte de poder académico, que no caso das línguas ibéricas pós-romanica, ora foi visigótico ora pasou a ser árabe ou italiano medieval!
«Grassar» < Lat. *grassare, por grassari, = caminhar pela areia da praia >  para apanhar «gar-abato» (< Cast. garabato) ou «gra-vetos» de lenha na «gra-vinha» < enquanto os galináceos «es-gra-vatam ou es-gar-avatam» em busca de «grã-inhas»!
Naturalmente que a raiz grã- nos reporta para uma deusa do gão e de cereal que na latinidade foi Cer-es e terá sido Grain entre os celtas.
Assim, o grève francês será de origem tão pré-latina como o termo de que derivou o latino *grassare.
Glaire = Étymol. et Hist. 1. Fin xie s. judéo-fr. «humeur visqueuse» (Raschi, Gloses 546, p. 76 ds T.-L.); 2. 1re moitié xiie s. «blanc d'œuf» (Lapidaire de Marbode, éd. P. Studer et J. Evans 652). Du lat. vulg. *clarea, terme coll., prob. dér. de l'adj. lat. class. clarus «clair»; g- initial demeure obscur; DG, FEW t. 2, p. 738b voient une infl. possible du lat. class. glarea «gravier» (d'où le m. fr. glaire «gravier», xive s. ds Gdf.), voisin phonétiquement mais fort éloigné de sens.
Grève = Étymol. et Hist. Ca 1140 (G. Gaimar, Hist. des anglais, éd. A. Bell, 4711). Du lat. pop. *grava «gravier» (attesté en lat. médiév. 876 ds Nierm. au sens de «plage»), d'orig. prélatine; la très grande extension du mot hors de l'aire gallo-romane (A. Långfors ds Romania t. 50, p. 631) rend improbable une orig. gauloise (cf. FEW t. 4, p. 259). Bbg. Darm. Vie 1932, p. 78. - Quem DDL t. 1. - Rigaud (A.). Sous les ponts de Paris. Vie Lang. 1968, pp. 550-560. - Thurneysen 1884, p. 102.
Em todas as línguas existem elos perdidos nos falares populares e crioulos que a língua padrão rejeitou. Os falares populares e regionais caracterizam-se por serem resquícios de dialectos e línguas autónomas arcaicas pendurados na fala comum e por isso são desprezadas pela gramática oficial sujeitos a deturpações fonéticas e a desvios de sentido por metaforismo natural. Com o tempo estes parasitas da linguagem podem passar de ruído de fundo a música de deleite da corte ou a preciosismos de linguagem de diletantes. O importante é que este ruídos-de-fundo se interligam como cerejas num açafate podendo espalhar por uma vasta área geográfica sendo assim possível encontra-lhes o rasto fonético onde menos se espera embora em termos aparentemente sem relação de sentido! A causa deste fenómeno só pode residir precisamente no que tem feito a riqueza das línguas: a plasticidade fonética dos falares e a versatilidade retórica dos discursos. Embora a relação entre os fonemas e os semantemas não seja nunca evidente e previsível ele é sempre aparente e plausível. O ruído nos sistemas de linguagem ou é liminarmente rejeitado por ser equívoco ou acaba por ser incluído como forma dum novo sentido!
O fenómeno da ressonância pode aparecer em toponímias supostamente bem estudadas como é o caso da cidade de Istambul que começou por ser Bizâncio, nome do seu fundador grego originário de Megara. No entanto, antes de vir a ser apropriada pelos romanos para capital do império romano do oriente com o nome de Constantinopla em honra do imperador que entronizou o cristianismo e indirectamente devolveu o império aos gregos que por isso doravante passaria a chamar-se bizantino a verdade é que possivelmente o nome do local já existiria deste o tempo dos hititas com nome próprio próximo do actual, Istambul.
Etimologicamente o nome é derivado da frase grega medieval "εἰς τὴν Πόλιν" [istimˈbolin] ou, no dialeto egeu, "εἰς τὰν Πόλιν" [istamˈbolin] (em grego moderno: "στην Πόλι", que significa "na cidade", "à cidade" ou "centro da cidade".
Se o nome era grego porque teriam os turcos preferido chamar à preciosa cidade que tanto lhe havia custado a conquistar por um nome supostamente de origem grega mas que pelas suas incertezas etimológicas nem sequer seria um coloquialismo popular genérico de cidade como será o caso da cidade de Bagdade, mas uma tentativa dos racionalistas posteriores tentarem manter o grego na etimologia da cidade de que nem os turcos teriam conseguido apropriar-se. De facto se assim tivera sido hoje seria com mais propriedade Almedina do que Istambul.
Sabendo-se que Istano era o nome hitita do Sol e sendo esta cidade oriental uma verdadeira cidade do sol nascente para os povos de origem egeia então o seu nome original seria *Ishtan-polis, a cidade do sol, ou meramente *Ishtan-bol, literalmente “a que transporta o sol da aurora”. Este seria o nome originário da cidade que os falantes mais arcaicos, acantonados no cotão do fundo de saco da história do estreito do Bósforo perdido na memória dos estratos populares mais autóctones e castiços da cidade que se teria desde sempre espalhado no linguajar comum do mar da Mármara com o qual os turcos contactaram primeiro muito antes de conquistarem a poderosa Constantinopla.

PRESSUPOSTOS LINGUÍSTICOS

Myths, symbols and rituals work at several different levels, simultaneously, according to the 48 Fundamental Sciences: Philosophy, Metaphysics, Ethics, Theology, Religion, History, Geography, Astronomy, etc… In other words, myths work not according to so-called Aristotelian logic, but to "fuzzy logic", where concepts and ideas are somewhat diffuse and vague, as in Quantum Mechanics. We Westerners are not used to this kind of logic, in contrast to the ancients and to the Orientals, and the Hindus in particular. Our difficulty in understanding myths and their hidden truths derives above all from the essence of our monosemic tongues, which accustom our minds to reason literally, rather than "diffusedly". -- [2]
Para demonstrar o quanto pode haver de traiçoeiro no percurso da arqueologia semiótica apresento o exemplo do que poderia ser uma hipotética etiologia apressada da própria palavra «HIPÓTESE».
«HIPÓTESE» <= hi + pot + esse = quase literalmente «isto pode ser»!
Propondo-se uma etimologia em que apenas o hi teria que ser negociado, presumindo-lhe o papel de pronome indefinido numa proto-linguagem virtual desconhecida, conseguiríamos de forma simples e miraculosa o que poderia aparentar uma tradução tão intuitiva quanto literal do termo HIPÓTESE.
Mas, como só na praxis política é que «o que parece é», há que ficar de pé atrás com o que corresponde a uma informação excessiva para tão pouco contexto que aliás nem sequer soa bem!
A intuição tem o defeito de carecer da convicção para começar a ser verdade. Ora, neste caso, a convicção foi sempre pouca porque uma etimologia idêntica a uma tradução literal além de pouco comum tem ainda o inconveniente de ser suspeita como a galinha gorda e barata.
A estrutura gramatical do português não é seguramente a que terá sido a dos tempos proto-linguísticos e, de resto, a palavra tem todos os requisitos semânticos e etimológicos para ser uma óbvia importação erudita. De facto, só a distracção não permitiu desde início reparar no aspecto helenístico do termo que, transporto para o grego, daria: hipo + tese, cuja tradução literal passa a ser menos directa na medida em que uma tese cavalar ou a cavalo da tese nos deixaria na mesma dúvida, senão equídea, pelo menos leoninamente asneirenta.
Qualquer escolástico sabe que a hipótese vem antes da tese que lhe fica descritivamente em cima, se bem que nos raciocínios aristotélicos sejam as premissas que ocupam este lugar, com a força das certezas dos primeiros princípios. Então, seria na dialéctica clássica que teríamos que procurar o conceito da hipótese a demonstrar pela argumentação. Isto que reporta o termo aos tempos dos sofistas, imediatamente anterior à lógica formal peripatética. «Hipótese» terá sido assim um termo artificialmente sintetizado pelos gramáticos gregos, até porque a linguagem comum costuma conter conotações mais terra a terra e conteúdos mais óbvios e palpáveis pois mesmo quando constrói termos que se referem a realidades abstractas e gerais fundamenta-os a partir de abstracções evidentes e comuns com a universalidade reconhecida aos deuses e não de particularidades anedóticas com que se elaboram as gírias profissionais.
Claro que a etimologia pode andar mal orientada já de há muito tempo e, de facto, a etimologia clássica quase sempre “mete água”! Desde logo porque costuma enfermar do “pecado racionalista” de derivar o nome dos deuses de termos circunstâncias o que, diga-se com ironia, não tem lógica protocolar nenhuma. Depois, porque cai facilmente nas malhas menos sólidas do senso comum duma tradição linguística limitada ao espaço cultural do classicismo.

ESTANDARTE
Muitos exemplos se poderiam dar do quanto de duvidoso anda pelo campo da etimologia particularmente no que respeita às línguas mais recentes, ainda que muito faladas pelas mesma razões de sempre, fala-se sempre mais sobre o que está na moda e que é sempre “o que está a dar”…dinheiro ou nas vistas! Ao longo da história, as línguas predominantes foram sempre as línguas francas fosse por razões de conquista fosse por motivos comerciais. O Inglês é uma caso típico que consegui associar a razão de império à de negócio.
Porém, os novos-ricos nem sempre são os mais avisados ainda que possam ser os mais cheiros de orgulho e presunção! O Inglês está longe de ser já uma língua padrão ainda que comece a falar-se por toda a parte um Inglês estandard.
Pattern (n.) = 1324, "the original proposed to imitation; the archetype; that which is to be copied; an exemplar" [Johnson], from O.Fr. patron, from M.L. patronus (…).
Patron = "a lord-master, a protector," c.1300, from O.Fr. patrun (12c.), from M.L. patronus "patron saint, bestower of a benefice, lord, master, model, pattern," from L. patronus "defender, protector, advocate," from pater (gen. patris) "father." Meaning "one who advances the cause" (of an artist, institution, etc.), usually by the person's wealth and power, is attested from 1377; "commonly a wretch who supports with insolence, and is paid with flattery" [Johnson]. Commercial sense of "regular customer" first recorded 1605. (…)
Extended sense of "decorative design" first recorded 1582, from earlier sense of a "patron" as a model to be imitated. (…)
The difference in form and sense between patron and pattern wasn't firm till 1700s. Meaning "model or design in dressmaking" (especially one of paper) is first recorded 1792, in Jane Austen. Verb phrase pattern after "take as a model" is from 1878. (…)
The dates beside a word indicate the earliest year for which there is a surviving written record of that word (in English, unless otherwise indicated). This should be taken as approximate, especially before about 1700, since a word may have been used in conversation for hundreds of years before it turns up in a manuscript that has had the good fortune to survive the centuries. -- http://www.etymonline.com/index.php
O termo standar de que os brasileiros já se aproveitaram tem em português o óbvio equivalente semântico no termo «padrão» que mais não é que um compromisso fonético entre o *pedrão com que se fizeram os padrões e a semântica de patrão que ditava as regras e as lei do patriarcado que substitui o matriarcado do neolítico pré-histórico. E a este propósito conviria dizer que muitos anglicanismos fazem fortuna nas línguas alheias não tanto porque as língua latinas mais velhas não tenham termos próprios para traduzir os modismos inventados pelo génio industrioso dos anglo-americanos mas sobretudo porque os termos quase sempre singelos e pouco inovadores nas língua mãe fazem furor nas línguas latinas pelo seu exotismo aparente. A inversa nem sequer terá acontecido com a última semântica do “patron” posterior a 1700, que a língua inglesa terá recebido dos portugueses no fundo do baú das parcelas de império marítimo que os lusos tiveram de dar de mão beijada aos ingleses, uma vez que seria uma mera antonomásia em moda dum termo inglês, por sinal nem muito antigo.
Obviamente que é foneticamente difícil fazer derivar pattern do O.Fr. patron quando é foneticamente óbvio que isso terá acontecido literalmente com o Engl. Patron. Pelo contrário, não será este que deriva directamente do latino pater mas o Engl. pattern, e não do genitivo patris mas do adjectivo paternus, sobretudo porque a confusão gramatical patente denuncia a sua origem popular e crioula, ainda durante a domínio romano da Bretanha.
Voltando ao termo standar:
Standard = 1138, "flag or other conspicuous object to serve as a rallying point for a military force," from O.Fr. estandart, probably from Frank. *standhard, lit. "stand fast or firm," a compound of words similar to Gothic standan "to stand" and hardus "hard”. So called because the flag was fixed to a pole or spear and stuck in the ground to stand upright. The other theory connects the O.Fr. word to estendre "to stretch out," from L. extendere. Meaning "unit of measure" is 1327, from Anglo-Fr., where it was used 13c., and is perhaps metaphoric, the royal standard coming to stand for royal authority in matters like setting weights and measures.
O interessante é que de todos os sentidos etimológicos possíveis o inglês padrão vulgarizou precisamente o sentido prático mais recente de padrão precisamente pela via das unidades de medida padronizadas que os ingleses não aceitaram da revolução francesa por terem derrotado Napoleão.
Se uso e abuso da fala facilita a diversificação das palavras é sobretudo o poder político quem fixa a semântica dominante.
Os Ingleses dizem que o seu standard deriva do antigo francês dos francos como aglutinante de stand-hard que os ingleses poderiam produzir por si mesmos. Por outro lado voltaram a importar de França o estandart.
As línguas cultas do centro mediterrânico há muito que tinham deixado de aglutinar conceitos para produzir novas semântica em parte porque tinham já termos de sobra para quase tudo e depois porque sendo línguas altamente flexionantes e sufixativas não careciam do recurso à aglutinação para criarem novos sentidos bastando-lhes modelar e declinar os que tinham para deles extraírem os sons e aromas mais adequados a cada nova situação.
Depois se permanecessem ainda na fase da rudeza rural da sexualidade explícita poderiam ter criado em vez de «estandarte» um “sempre-em-pé” ou mais próximo da fonética do standard termos como *estendeirito < *estende-hirto ou *esten-direito < *estende-recto.
Obviamente que pela sua obvia liberalidade se tratariam de etimologias de conveniência belicista própria de bárbaros mas não de autores de canções de amor e trovas de amigo! Também não se discute a raiz semântica sta-.
Stand (v.) = O.E. standan (class VI strong verb; past tense stod, pp. standen), from P. Gmc. *sta-n-d- (cf. O.N. standa, O.S., Goth. standan, O.H.G. stantan, Swed. stå, Du. staan, Ger. stehen), from PIE base *sta- "to stand" (cf. Skt. tisthati "stands," Gk. histemi" cause to stand, set, place," L. stare "stand," Lith. stojus, O.C.S. stajati). Sense of "to exist, be present" is attested from c.1300.
A etimologia de *sta- não difere muito da do latino “cedere” e dos deuses do trono. O sânscrito tisthati parece reportar-nos para um deus Hati, ou seja para o terreno cultural dos hititas germinada nas franjas e na sombra dos impérios minóicos e do crescente fértil que viria a engrossar a corrente sociocultural e crioula dos movimentos bárbaros antigos.
Já os portugueses fazem derivar «estandarte» do provençal estendart < Lat. extendere = «estender».
Porém, onde foram os provençais buscar o seu estendart? Os provençais, ricos e cultos descendente de galo-romanos, não eram muito dados a artes marciais mas mais virados aos prazeres da paz e do amor. Procurando equivalências no dicionário luso tropeçamos com o termo «estenderete» como sendo o que foneticamente lhe deveria corresponder.
Ora, «estenderete» é a acção de fazer um «estendal» de cartas sobre uma mesa de jogo. Os ingleses ouviram do estandarte o que quiseram ouvir. Os provençais fizeram do «estendal» o que mais lhe agradava fazer!
«Estandarte» < Prov. estendart < B. Latim *estender-etus < Lat. extendere > «estendal» da feira = local onde mais frequentemente se punham à prova as bitolas da justa medida > «estandarete».
Como a tendas de feira foram durante muito tempo meras lonas estendidas, com possíveis bandeiras identificativas e publicitárias, também de pano batido pelo vento, a semântica do estandarte teria assim começado nas feira francas dos tempos arcaicos, muitos séculos antes dos francos se terem feito duros com os galo-romanos. A particularidade dos jogos de feira com cartas em estendal deve ter ficado entre os lusitanos como uma forma popular de casino. Com as invasões bárbaras acabaram os casinos de feira e recomeçaram as guerras tribais e de bandeira que fizeram as glórias do estandarte.

O EMBUSTE ETIMOLÓGICO DAS SEICHELES
No Índico, as ilhas do paraíso são as «Seicheles» com praias idílicas repletas de fragas graníticas e grandes seixos.
Quer isto dizer que em princípio existem razões aparentes para fazer derivar o nome destas ilhas do termo «seixo». Então:
«Seychelles» = Seiche (i)lles, possível literalidade para «ilhas dos seixos» ou virtualmente *Seixilhas.
Quase que se poderia dizer que se o nome das Seychelles não indiciasse uma descoberta portuguesa do arquipélago então estaríamos perante uma demonstração de notável arcaísmo na colonização do indico, quiçá por antigos ibéricos da frota fenícia. No entanto, a verdade é bem mais próxima e banal.
 
Figura 2: Granite rocks on the beach of La Digue, Seychelles.
It is thought that the Seychelles archipelago may have been visited by early Arab, Phoenician and Indonesian traders, but the first recorded sighting was by the Portuguese navigator Vasco da Gama at the beginning of the 16th century. Until as little as 200 years ago, it remained uninhabited.
En 1756, les Français prennent officiellement possession des îles Seychelles. Lorsque le capitaine Nicolas Morphey s'en empare, elles ne portent pas encore ce nom. Il débaptise l'île d'Abondance pour l'appeler Mahé, en souvenir de Bertrand François Mahé de La Bourdonnais, gouverneur des îles de France et Bourbon (La Réunion). Puis, pour ne pas être en reste, il baptise l'archipel tout entier au nom de Jean Moreau de Séchelles, contrôleur général de Louis XV. Mais ce vicomte ne vint jamais dans l'Océan Indien, le seul Séchelles qu'il connut étant sa seigneurie homonyme de l'Oise.
Depois dum «balde de água fria» do Vale d´Oise já só mesmo o remanso numa ilha paradisíaca nos poderia manter o sonho. Afinal a etimologia francesa para o topónimo Séchelles pode ter etimologia paralela com *Seixilhas mas já não seria a mesma coisa. Afinal, o nome da famosa ilha nada ficou a dever nem à beleza dos seus seixos nem à sanha navegante dos portugueses mas tão só e simplesmente a uma questão de sabuja bajulação política. A relação do nome com os sexos até poderia ter por lá andado de forma indirecta e inconsciente entre a marinhagem francesa recém chegada que só poderiam associar uma ilha de seixos com o homónimo dum ministro do filho do rei sol, mas, quem disso pode ter a segurança?
A verdade é que a motivação fonética para associar uma ilha de seixos a Jean Moreau de Séchelles só pode ter sido a intuição de que aquelas ilhas eram mesmo o que pareciam: *Seixilhas. Poderia a sonoridade do francês de Louis XV permitir tal associação de ideias ou pelo contrário já era esse o nome informal que os marinheiros portugueses davam aquelas ilhas?

Mas, antes de avançar neste campo importará referir que, se é consensual aceitar que a investigação linguística é o principal instrumento de “escavação arqueológica” para a descoberta de aspectos culturais proto-históricos referentes às culturas aparentadas do grupo indo-europeu, não me parece que os resultados alcançados até hoje sejam brilhantes na medida em que não sendo sempre consensuais, seja na sua magnitude e importância seja na clareza lógica dos métodos de investigação utilizados, também não são isentos de falhas críticas imperdoáveis.
Vem isto a propósito do livro de Pierre Levêque o volume III das PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES. Salvo o devido respeito pela cultura francesa, este livro além de conter muitas irregularidades de estilo, o que não é habitual em autores franceses, contém desnecessárias tibiezas conclusivas a par de algumas incoerências argumentativas o que, num campo onde os factos nascem sobretudo da presunção, me parece constituir motivo bastante para, enquanto autodidacta e ensaísta desencartado em transito pela história, dele me servir e me afastar sempre e quando necessário.
1º O método para inferir uma língua desconhecida ideal a partir de outras, nem sempre bem conhecidas na sua totalidade, não pode ser o mesmo utilizado pelos linguistas para identificar uma língua desconhecida real…mente. Neste último caso só o rigor linguístico e fonológico pode garantir conhecimentos certos. Já na presunção duma linguagem a partir de factos quase sempre incertos conta mais a intuição lógica do que o rigor técnico.
Assim, não se compreende que os autores afirmem nuns casos coisas do género: “a equação, sedutora, entre Brâmanes e os Flamines romanos põe problemas fonéticos e era, como ainda é, rejeitada pelos purista da linguística, apesar do poderoso reforço das análises de Dumézil”[3], quando é obvio que:
Brâmanes < War man(es) < Kar ma An >  Phar maan >
Phal Min(es) > Flamines.
Porém, em outras situações arriscam o inaudível como é o caso da afirmação de que: “(…) gr. Kentauroi, ind. Gandharvá, ir. Gody, lit. Gundu, aos quais se liga, pela análise fonética[4], o latim februum.
Que entre Kentauroi e Gandharvá existe correlação fonética é audível mas, a partir daí não se entende como Gody e Gundu possam dizer algo a esta série. Já Februum...talvez tenha mas...apenas dum antepassado comum muito distante de nome *Kikuran.
Februum < Phebruanum < Phe Wur Anu
< Ki kur An = Ki An Kur => Kentaur.
Pelo contrário, este mesmo autor explica genericamente quase tudo, no que respeita às possibilidade da arqueologia linguística, a aplicar nas culturas do período neolítico recente com cultura exclusivamente oral como é a fase mítica de quase todos os povos antigos.
Quando o mesmo autor afirma:
«A verdadeira ciência é toda de memória. Tal era a educação indo-europeia. Teremos então, por contraste, de nos espantar pela manutenção das estruturas teológicas ou mitológicas, ao passo que os nomes quase nunca coincidem (…) A explicação do fenómeno, (…) parece-nos estar na própria natureza da tradição: (…) uma sabedoria, (…) de especialistas, que só se transmite de iniciado a discípulo. (…) O nome verdadeiro do deus deve, com frequência, ter sido do domínio do segredo. A renovação dos teónimos viria, em suma, de um tabu linguístico, de um interdito cultural.»
Assim sendo, o mandamento “não pronunciarás o nome de deus em vão” não terá sido uma originalidade judaica mas, antes um imperativo sacerdotal comum nas antigas civilizações! Por um lado por motivos de corporativismo duma casta em expansão e por outro porque tal interesse encontrava na reflexão teológica a ideia de que, se nomear é dominar, como está implícito no Génesis (2,19-21), o corolário explícito só pode ser o de que, se o homem deve adorar a Deus, então não o pode nomear e o implícito de que quem, como a casta sacerdotal, detêm o segredo/sagrado do nome de deus partilha do seu poder. Pelo menos era assim que pensava Isis antes de embriagar Rá para lhe conhecer o nome secreto detentor de poderosos poderes mágicos.
Ora bem, se existem fortes razões para pensar que a ideia antiga mais corrente de Deus era a de uma trindade funcional única então a causa da persistência do politeísmo, pelo menos para além do helenismo, e do encarniçamento da casta sacerdotal egípcia contra Akineton não pode ter resultado da teologia dos sacerdotes não judeus. Pelo contrário, por razões de sensatez e de sobrevivência, se o que os sacerdotes tinham de mais sagrado para dar aos homens era o segredo do nome de deus havia todas as razões para multiplicar os epítetos e as epicleses nos nomes dos deuses como laboratórios multiplicam para os médicos os nomes de marca dos medicamentos. Ora, é em parte este fenómeno que vem juntar dificuldades acrescidas à linguística do nome de Deus!
But the fact that a natural phenomenon was explained in one way did not hinder it from being explained in a dozen other ways. The fact that the sun was generally regarded as an all-conquering hero did not prevent its being called an egg, an apple, or a frog squatting on the waters, or Ixion's wheel, or the eye of Polyphemos, or the stone of Sisyphos, which was no sooner pushed to the zenith than it rolled down to the horizon. So the sky was not only a crystal dome, or a celestial ocean, but it was also the Aleian land through which Bellerophon wandered, the country of the Lotos-eaters, or again the realm of the Graiai beyond the twilight; and finally it was personified and worshipped as Dyaus or Varuna, the Vedic prototypes of the Greek Zeus and Ouranos. [5]
Se Sa < *san- = são, santo (com saúde física e moral) do mesmo modo que o sal, pela sua virtude de impedir a putrefacção da carne, se torna num elemento de importância vital e por analogia ritual
Salix < sa + lux > salus = saúde = luz santa[6]

Ver: SALUS (***)

«Segredo» < sacredo < sacar edo = ordem de Sacar = mandamento, tabu!
«Sacramento» = excreção santa de Kar, para alguns gnósticos o esperma era a excreção da alma e neste caso o sacramento (> excremento) seria o esperma de *Kar.
Sashar < Satar < Saturano < Sa taur ano = «Santo Deus Touro».
A prova de que o étimo *Sa-ta-ur é plausível pode ser reforçada pelo facto de ser uma origem possível do termo Satan, o «diabo».
Porém a maior virtude desta equação reside no facto de dar à luz o étimo *Sat- gerador tanto de deuses (Saturno, Sátiro) como demónios (Satã, Satanás)! E, como se esta virtude não bastasse para reabilitar este deus da Satisfação, resta ainda, para sua eterna glória, o elo etimológico que estabelece entre o Urano de Hisíodo e o Saturno de Ovídeo pela fórmula:
Deus do céu de Ur = Urano = Santo deus taurino = Sataurano = Saturno.[7]
Ficaríamos também a saber que o animal totémico de Ur foi (ou supunha-se que era) o Touro se Ur não fosse aqui sinónimo de civilização e não tanto, da cidade Suméria do mesmo nome, embora seja quase impossível não corresponder a um rasto etimológico mnésico dos tempos da primeira grande civilização da história! Será sempre impossível saber se foi o ovo ou a galinha o que nasceu primeiro e daí que não nos seja possível propor se foi a cidade de Ur que gerou o étimo de «ur(banidade)» ao ser extensivo por antonomásia a todas as cidades em geral ou na forma de um qualificativo de algumas outras (Uruk v.g.) ou se pelo contrário foi a cidade de Ur e outras cidades que assim foram chamadas por ter sido a Suméria conquistada por indo-europeus vindos dos montes Urais numa fase muito remota da pré-história Suméria.
O nome e o conceito de Ur é de pura e exclusiva criação dos indo-europeus que o transmitiram por conquista aos Sumérios ou foi a cidade de Ur que, pelo seu remoto e primevo prestígio cultural, impôs este som como étimo de civilização? Julgo que será impossível responder a esta questão circular!
Na verdade o que a expressão pretende revelar é que a civilização passou a ter o touro como animal totémico e deus tutelar o que corresponde a um movimento de renovação religiosa começado com a revolução neolítica do começo da agricultura, pelo menos no mundo mediterrânico indo-europeu, como adiante se verá.
In the respective Vocabularies of Euskara (Basque) and Magyar (Hungarian) there are words which are similar in form, meaning and sound. However, similar words with similar meanings do NOT prove that languages are related. It may point to a possible relationship; you would still need to examine the origin of each and every word (Euskara and Magyar) in order to be certain that the similarity is not due to chance or to other factors such as being loan-words. You would need to examine such scholarly works, for example, which prove that the Euskara word ARRAN (a bell worn by sheep and cattle) is derived from the word ARRAIN (fish) and therefore could not possibly be related to the similar Magyar word HARANG (bell). --- Basque Hungarian Word List, T. Majláth.
        Arran < Haran < ??? Arrain (Fish)???
             «Charanga» < Harang < Kar-Enkiha, o sistro de Isis e de Ishtar > Arrain (Fish) > «arenque» < Prov. arenc < Germ. haring, exército???
Charanga < cast. charanga, m. s. orquestra composta por instrumentos de sopro e, por vezes, de percussão.
Claro que um chocalho de gado não é uma «charanga» mas um conjunto de campainhas pode fazer uma charanga rústica. O importante é dar conta de que, na comparação entre linguagens diversas, o núcleo fundamentar a comparar é o semantema. Ora, é pouco provável que, mesmo em basco, a campainha tenha derivado do peixe porque existe pouca semântica entre ambos os termos. Pelo contrário, a inversa é plausível através duma arcaica semântica que relacionasse os chocalhos das cabras de Enki, deus das águas doces e dos peixes, com os peixes pelo lado capricórnico deste Deus. De facto, na comparação linguística vão ser necessários muitos e diversos esforços, variados métodos e muita criatividade e inspiração para descortinar as analogias mais fecundas as e verdadeiras raízes semânticas existentes entre as línguas. No entanto, a analogia mitológica e a lógica do sagrado deve ter sido o móbil semântico mais importante para ter gerado os consensos indispensáveis à criação de linguagens com tendência para uma semiologia de alcance universal, tal como o previsto na mitologia da existência duma época histórica pós-diluviana anterior à confusão das línguas.

O MITO INDO-EUROPEU

Mas, se o pecado esquerdista da investigação histórica se revela no desprezo pelo papel dos deuses na criação metafórica do homem cultural o maior pecado das ideologias de direita na investigação histórica reside na teimosia de cotejar o espírito conservador pelas motivações da tradição europeia e ocidental. De facto, ressoa bem aos ouvidos do Ego dos eruditos do norte da Europa ouvir falar duma origem comum das línguas indo-europeias que permitiria, no plano simbólico, estender o direito de domínio e predomínio cultural para além do continente europeu, ou seja penetrando em vastos territórios asiáticos e chegando como Alexandre Magno até ao vale do Indo. Claro que foi sobretudo aos Ingleses que interessou a tese dum arcaico domínio ariano do sub continente Indiano. Tal tese não só permitia que uma Inglaterra vitoriosa e vitoriana superasse o complexo, senão de humildade pelo menos de constrangido espanto, perante o sânscrito que lhes revelava uma cultura hindu muito mais antiga do que a sua. Recusando liminarmente aceitar, nem sequer por a hipoteque, que os hindus alguma vez tivessem sido antepassados culturais dos Ingleses restava a conclusão do racismo ariano que o mais elementar bom-senso impunha como significando a óbvia superioridade congénita das raças que o eram actualmente e, como corolário, que os responsáveis pelo sânscrito tinham sido antepassados dos ingleses. E assim nasceu o mito politicamente bem pensante, mas pouco correcto, das línguas indo-europeias.
Figura 3: Migrations and cultural diffusion carried the Indo-European protolanguage from the homeland, which the authors place in the Transcaucasus( see Historical Armenia maps), and fragmented it into dialects.
The science developed from the study of the Indo-European superfamily of languages, by far the largest in number of languages and number of speakers. Nearly half of the world's population speaks an Indo-European language as a first language; six of the 10 languages in which Scientific American appears—English, French, German, Italian, Russian and Spanish—belong to this superfamily.
Over the past 200 years, linguists have reconstructed the vocabulary and syntax of the postulated IndoEuropean protolanguage with increasing confidence and insight. They have tried to unravel the paths by which the language broke into daughter languages that spread throughout Eurasia, seeking at the origin of those paths the homeland of the protolanguage itself. The early investigators placed the homeland in Europe and posited migratory paths by which the daughter languages evolved into clearly defined Eastern or Western branches. Our work indicates that the protolanguage originated more than 6,000 years ago in eastern Anatolia and that some daughter languages must have differentiated in the course of migrations that took them first to the East and later to the West.[8]
Afinal, se nem europeus nem hindus, os indo-europeus eram proto-arménios?! Porém, de forma mais sensata, esta questão deveria ser dividida de forma salomónica. Utilizando um paradigma epidemiológico poderíamos investigar, por um lado a origem cultural desta «infecção linguística» indo-europeia e, por outro, o vector rácico, ou seja, o povo ou povos que geraram a massa de migrantes que difundiu a cultura e a língua Indo-europeia.
Assim sendo, o mapa acima referido não faz mais do que referir o óbvio! Que, como a história e a cultura começaram na Suméria, a origem cultural dos indo-europeus teria que ser de lá perto! Quanto ao povo ou povos que veicularam com migrações recorrentes, continuadas e sucessivas o fenómeno indo-europeu não parece que tenha sido apenas o arménio ou muito menos o neo-hitita urartriano. A única conclusão óbvia a retirar é apenas esta. A unidade cultural evidente dos indo-europeus é a mais fácil de pressupor, tanto mais que vai ao encontro da lógica do que é sabido pelas fontes históricas escritas. Porém, tal unidade cultural nada tem de espantoso aceitando que um dos pressupostos da dinâmica das civilizações é este mesmo: o da tendência para a uniformização universal das culturas que tem implícita a lógica da maximização das suas vantagens sociais. O que é bom é o que “está a dar” mais-valias! Ora, por mais resistências conservadoras que existam à partilha dos lucros destas vantagens (o que leva à institucionalização do poder que legitima o privilégio do seu usufruto e o direito de as guardar para seu uso exclusivo) a verdade é que a cultura gera riqueza e, esta, poder que, como formas de energia que é, ou se transforma depressa em moda cultural dominante, que se propaga como doutrina política e se transmite como fé religiosa, ou leva à explosão e degradação subsequente com a queda dos impérios que se alimentam de fogo de palha.
In revising the consonant system of the Indo-European protolanguage, we have also called into question the paths of transformation into the historical Indo-European languages. Our reconstruction of the protolanguage's consonants shows them to be closer to those of the Germanic, Armenian and Hittite daughter languages than to Sanskrit. This neatly reverses the classical conception that the former languages had undergone a systematic sound shift, whereas Sanskrit had faithfully conserved the original sound system.
Assim sendo, os indo-europeus eram apenas os povos que viviam em torno do fogo cultural que despontava na mesopotâmia na época do império cultural da Suméria e que, ao se deixaram influenciar pela cultura do vinho e da cerveja, ganharam a energia suficiente para espalharem o incêndio da revolução agrícola por toda a parte. De resto, o sânscrito deixou de ser a razão central desta questão linguística.
Another significant clue to the identification of the Indo-European home land is provided by the terminology for wheeled transport. There are words for "wheel" (*rotho-), "axle" (*hakhs-), "yoke" (*iak'om) and associated gear. "Horse" is *ekhos and "foal" *pholo. The bronze parts of the chariot and the bronze tools, with which chariots were fashioned from mountain hardwoods, furnish words that embrace the smelting of metals. Petroglyphs, symbols marked on stone, found in the area from the Transcaucasus to upper Mesopotamia between the lakes Van and Urmia are the earliest pictures of horse-drawn chariots.
Lat. rota < *rotho- < urautho < urat < Karash, «o disco solar»!
*Hakhs- <= Termo tão impronunciável quanto irredutível!
*Iak'om <= idem.
*Ekhos <= Hekikos < Kikikus
*Pholo ó Ha-phau-lu < Kaka-lu.
I am the more explicit on this point, because it seems to me that the unguarded language of many students of mythology is liable to give rise to misapprehensions, and to discredit both the method which they employ and the results which they have obtained. If we were to give full weight to the statements which are sometimes made, we should perforce believe that primitive men had nothing to do but to ponder about the sun and the clouds, and to worry themselves over the disappearance of daylight. But there is nothing in the scientific interpretation of myths which obliges us to go any such length. I do not suppose that any ancient Aryan, possessed of good digestive powers and endowed with sound common-sense, ever lay awake half the night wondering whether the sun would come back again. [ [9]]
Deixando de lado essa teoria, mais mítica do que histórica, de ter havido uma raça, mesmo que de im(puros) arianos, até se aceita que nem mesmo os neuróticos têm insónias por causa de medos naturais pela simples razão de que nunca é a natureza que mete medo mas a ideia que dela se possa fazer! Ora, ninguém faz teorias sobre a natureza por sua conta e risco fora dum contexto académico o que, transposto para o plano antropológico, significa que os “bons selvagens” da aldeia de Asterix só teriam começado a temer que “o céu lhe caísse em cima”» quando os druidas lhes explicaram a origem das estrelas cadentes com o mito de Faetonte.
The child and the savage believe of necessity that the future will resemble the past, and it is only philosophy which raises doubts on the subject.[126] The predominance of solar legends in most systems of mythology is not due to the lack of "that Titanic assurance with which we say, the sun MUST rise";[127] nor again to the fact that the phenomena of day and night are the most striking phenomena in nature. [ [10]]
Ora bem, os conceitos temporais são já realidade elaborada e culturalmente apreendida. Porém, desde o momento em que se apreendem noções tão básicas quanto trágicas, como as do nascimento e da morte, somos iniciados na espiral da angustia metafísica que (e ainda bem para a sobrevivência da espécie humana) está longe de ter a mesma intensidade e gravidade da neurose ansiosa. Ora, se a angustia existencial da descoberta da natureza inexorável da morte nasce como reacção às primeiras experiências pessoais de perda, a verdade é que esta só se tornam depressiva quando imposta no contexto do jogo da vida com apostas totalitárias num referencial ideológico de expectativas absolutas, decorrentes da dinâmica das sociedades heróicas onde o culto de vitória é o ópio dos eleitos com que se mantém o guerreiros dependente do “jogo da glória” ao serviço das estratégia da sobrevivência do grupo.
Quer isto dizer que a depressão reactiva do “bom selvagem” diante da inevitabilidade da derrota, por mais adiada que esta tenha sido pela boa estrela das vitórias, se transforma no “sentimento trágico da vida”, tão querido dos ibéricos de Uanamuno, que se torna na força anímica necessária para a elaboração mítica no contexto dos cultos de morte e ressurreição dos “ritos de passagem”, precisamente porque todo e qualquer herói e “bom selvagem”, de todos os tempos e lugares, se recusa a aceitar a meio do “jogo da glória” a derrota antecipada de que intuitivamente se apercebe quando se pressentem enredados no logro das malhas que o império tece! Ora, as instâncias sociais que caucionam com promessas de vitória este jogo-necessário do sacrifício do indivíduo no altar da luta infernal pela sobrevivência do grupo, que exaltam e fortalecem com a protecção de talismãs mágicos, e santificam com a vontade dos deuses, sentem-se convocadas pelos lamentos de todos os guerreiros feridos e pelos gritos lancinantes de todas as mães de heróis mortos a ter de dar uma resposta consoladora a tanto sacrifício que mais do que vão pode ser sentido como logro, traição e ineficácia mágica!
Eclipses and earthquakes and floods are phenomena of the most terrible and astounding kind and they have all generated myths; yet their contributions to folk-lore are scanty compared with those furnished by the strife between the day-god and his enemies. The sun-myths have been so prolific because the dramatic types to which they have given rise are of surpassing human interest. The dragon who swallows the sun is no doubt a fearful personage; but the hero who toils for others, who slays hydra-headed monsters, and dries the tears of fair-haired damsels, and achieves success in spite of incredible obstacles, is a being with whom we can all sympathize, and of whom we never weary of hearing. [ [11]]
Porém, o único remédio que a sociedade pode fornecer contra a fatalidade das leis da entropia é a cultura do saber possível que é sempre uma espécie de compromisso entre o realismo do óbvio e a ilusão do desejado com que são urdidos os sonhos.
Such is the theory which was suggested half a century ago by the researches of Jacob Grimm, and which, so far as concerns the mythology of the Aryan race, is now victorious along the whole line. It remains for us to test the universality of the general principles upon which it is founded, by a brief analysis of sundry legends and superstitions of the barbaric world. Since the fetichistic habit of explaining the outward phenomena of nature after the analogy of the inward phenomena of conscious intelligence is not a habit peculiar to our Aryan ancestors, but is, as psychology shows, the inevitable result of the conditions under which uncivilized thinking proceeds, we may expect to find the barbaric mind personifying the powers of nature and making myths about their operations the whole world over. And we need not be surprised if we find in the resulting mythologic structures a strong resemblance to the familiar creations of the Aryan intelligence. In point of fact, we shall often be called upon to note such resemblance; and it accordingly behooves us at the outset to inquire how far a similarity between mythical tales shall be taken as evidence of a common traditional origin, and how far it may be interpreted as due merely to the similar workings of the untrained intelligence in all ages and countries.
Analogies drawn from the comparison of languages will here be of service to us, if used discreetly; otherwise they are likely to bewilder far more than to enlighten us. A theorem which Max Muller has laid down for our guidance in this kind of investigation furnishes us with an excellent example of the tricks which a superficial analogy may play even with the trained scholar, when temporarily off his guard. Actuated by a praiseworthy desire to raise the study of myths to something like the high level of scientific accuracy already attained by the study of words, Max Muller endeavours to introduce one of the most useful canons of philology into a department of inquiry where its introduction could only work the most hopeless confusion. One of the earliest lessons to be learned by the scientific student of linguistics is the uselessness of comparing together directly the words contained in derivative languages. For example, you might set the English twelve side by side with the Latin duodecim, and then stare at the two words to all eternity without any hope of reaching a conclusion, good or bad, about either of them: least of all would you suspect that they are descended from the same radical. But if you take each word by itself and trace it back to its primitive shape, explaining every change of every letter as you go, you will at last reach the old Aryan dvadakan, which is the parent of both these strangely metamorphosed words.
É um facto que dvadakan tem ressonâncias com o duodecim(us) latino mas, nem um nem outro parecem ter algo a ver com o twelve inglês.
Ora, a verdade e que, se alguma relação existe ela é incompleta e de outra natureza semântica.
*Dvadakan < Diwa Kaki-na
                  < Diwa Kaki-ma > Thiua-Thacim => duodecim(us).
      Twelve < Th(i)we + | Elwe < Elki < Helki > Elphi º Kakian.
[130] Nor will it do, on the other hand, to trust to verbal similarity without a historical inquiry into the origin of such similarity. Even in the same language two words of quite different origin may get their corners rubbed off till they look as like one another as two pebbles. The French words souris, a "mouse," and souris, a "smile," are spelled exactly alike; but the one comes from Latin sorex and the other from Latin subridere.
Ou seja, a etimologia exige antes de mais bom-senso e senso comum ou seja, respeito pelo que há de incontornável e óbvio na tradição ao mesmo tempo que o espírito crítico e a dúvida metódica se impõem sistematicamente uma vez que nem sempre o que soa menos está errado e nem tudo o que é «bem trovato» é plausível e muito menos sempre acertado.
A expressão italiana “se non è vero, è ben trovato” é ela mesma uma expressão muito feliz relativa à verdade enquanto mera plausibilidade. Ora bem, os maiores erros de tradução ocorrem precisamente na fronteira entre o que se sabe ser a certeza e o que é a plausibilidade mais razoável que não pode passar pela mera presunção por capricho pessoal.
O verbo trovar, de trovador é de origem provençal mais ou menos segura (< B. Lat. *tropare < encontrar um tropos, figura de retórica) e não italiana depois porque os “falsos cognatos” mais comuns são obviamente termos homófonos de línguas próximas mas diferentes. Ora o termo italiano trovar é cognato do francês “trouver” com a mesma origem do provençal mas que evoluíram para termos de uso corrente com significado de encontrar o que não aconteceu com os verbos trovar relativos apenas a trovas (versos) e que por isso caíram em desuso e hoje podem ser considerados falsos cognato dos termos italiano e francês.
A tradução mais adequada de expressões idiomáticas não é sempre a que respeita a proximidade etimologia mas a que procura equivalentes na língua de tradução. Em espanhol não sei como é a expressão corrente mas em língua lusa dizemos de algo que se não é verdade poderia passar por isso que se trata de algo “bem achado” ou “um bom apanhado”…que de facto é praticamente a tradução literal de ben trovato.
Aulio Gelo, refiriéndose a una palabra determinada, lanza, afirma lo siguiente: "Varro dice que lanza no es una palabra latina, sino hispana". Para empezar y así a guisa de aperitivo, el propio nombre del Lacio, la patria del pueblo latino, es un derivado de Lanzia. Y este Lanzia, que es un topónimo inconmensurablemtente ibérico (Bar-Lanza, Laziana, Lanzarote, Lanze, Linzoain, Lanzoain, Lanzón, Lanzuela, Lanjarón, Lanz, ...) no es sino una aféresis de Balanzia, lo que explica el que fuera justamente Balenzia el primer nombre documentado de la ciudad de Roma, heredado, como vemos, de todas las Balenzias (que no Valencias) de la Península Ibérica. Que son numerosas. Como numerosas son las Palanzias y Palenzias, incluyendo también, en este caso, a otro de los antiguos nombres de Roma: Palanteo.
Pois bem, de tudo isto só se pode inferir que Varro não teria tido razão já que seria ter mais olhos que barriga demonstrar que foram os ibéricos que impuseram o castelhano aos latinos.
A etimologia é como as cerejas: quando se puxa por uma ideia vêm uma séria delas agarradas.
Ora bem, Valência antes de significar a realidade abstracta do valor significou o seu avaliador concreto que em latim era a libra e que em português é a «balança»! Ora, a «balança» deve conter referência ao peso = bar e ao fiel dos pratos que é a lança => Bar + lanza = Bar-lanza, um dos topónimos referidos. Para além do mais fica assim provado que o português, como as línguas ibéricas que não são apenas o castelhano, tiveram uma evolução independente do latim ao ponto de só conter os semantemas que lhe convieram. Neste caso, nem mesmo numa realidade onde nem seria de esperar divergências, pois a questão dos pesos e medidas tinha uma importância económica tal que os imperadores romanos terão feito o que puderam para os imporem aos ibéricos, tal como o latim se impôs aos lusitanos.
El Espasa nos dice que Cayo, en latín, es derivado de cantes, "peñasco, roca", y que como prenombre romano significa señor, a la par que los romanos lo empleaban como nombre propio, siendo sinónimo en Italia de fulano.
Como se verifica mais uma vez parece que a etimologia ou permite tudo ou tem segredos a que só se chega com muita magia e ainda maior inspiração nem sempre necessariamente divina.
Que Cayo e «cantes» possam ter andado etmicamente ligados não será de espantar mas que se possa ir de cantes a Cayo já me parece mais difícil de ouvir! Para mim é muito mais claro o seguinte:
Gaio < «Caio» < Kajo < Kasho
< Kako, o deus do fogo que se manifesta no cume dos montes vulcânicos.
Quanto a «cantes» < Ki-Antu, o monte santo da Deusa-Mãe-Terra!
In 1984, Gamkrelidze and Ivanov published their monumental joint monograph (an English translation of this work has since been published by Mouton de Gruyter [in 1995]). As is to be expected, this massive work (2 volumes, 1,328 pages) contains the most detailed discussion of the Glottalic Theory that has yet appeared. Gamkrelidze and Ivanov's book also contains trajectories of the revised Proto-Indo-European phonological system in the various Indo-European daughter languages, original proposals concerning the morphological structure of the Indo-European parent language, an exhaustive treatment of the Proto- Indo-European lexicon, and a new theory about the homeland of the Indo- Europeans (they argue that the Indo-European homeland was located in eastern Anatolia in the vicinity of Lake Van). One of the most novel proposals put forth in the book is that Proto-Indo-European may have had labialized dentals and a labialized sibilant. Gamkrelidze and Ivanov also posit postvelars for Proto-Indo-European. --- Indo-European Phonology by Allan Bomhard.

REGRAS BÁSICAS DA ETIMOLOGIA MÍTICA

Passarei a expor um tipo de análise linguística de tipo comparativo baseada em pressupostos operativos intuitivos.
1.     Não sendo possível conhecer a fonética exacta de todas as línguas indo-europeias mortas conhecidas, sendo muitas as formas dialectais desconhecidas (mais as mortas do que as vivas) e sabendo que a maior parte das vezes nem sequer a tónica é conhecida o melhor é limitar a análise linguística aos étimos virtuais das palavras.
2.     Estes étimos virtuais encontram-se depois de uma transposição simulada para a fonética duma língua de trabalho (que pode muito bem ser o latim para um analista duma língua latina, ou até mesmo a própria língua materna do autor da analise)
3.     Aceitando o desafio teórico de pressupor que as línguas são tanto mais simples e as palavras tão mais sintéticas quanto mais primitivas forem as línguas em estudo ao ponto de tenderem a ser monossílabos consonânticos e aglutinantes.
4.     Como corolário, aceita-se que as línguas evoluem em complexidade a partir de um núcleo monossilábico de tipo onomatopaico por sobreposição sedimentar primeiro por grupos monosilabicas aglutinantes e depois por infixos, sufixos e prefixos.
5.     A semiologia dos étimos permanece no núcleo não flexional ou seja na parte dos infixos que não resulta da força do contexto gramatical. As línguas semelhantes terão gramáticas mais ou menos semelhantes mas o sentido dos étimos não pode depender das vicissitudes dessas semelhanças.
6.     As leis do bom senso prevalecem nas presunções por verosimilhança. Semelhanças inequívocas ou coincidências estranhas demais para não serem suspeitas de veracidade são tanto mais credíveis quanto mais afastadas na geografia e na história. Como corolário, uma semelhança linguística entre povos que não podem ter estado em risco de contágio cultural, por contacto exclusivo, tem que corresponder à sobrevivência de um elo cultural comum e muito antigo que se perdeu no tempo da evolução linguística histórica.
7.     Uma equação etimológica será tanto mais plausível quanto menos longa for a série de elos evolutivos propostos. Um bom princípio de credibilidade deveria conter menos de três passagens.
8.     Os étimos virtuais das passagens intermédias correspondem quase sempre a elos perdidos em virtude de puderem corresponder a dialectos não fixadas na tradição literária dessa língua ou a fases esquecidas da sua longa evolução.
9.     Nas línguas modernas, onde convergem dialectos e línguas diversas, podem cruzar-se várias linhas de evolução semântica. v.g.: O português tanto pode ter por génio intrínseco o latim coma a vis celtibérica do lusitano como, sobretudo as línguas e falares de todos os povos que passaram por cá.
Posto isto, passemos a uma comparação do nome conhecido do Deus supremo em várias línguas indo-europeias antigas.

Ver: DEUS PAI (***) & HABEO (***)

"[Plato invents philosophical explanations for the names of the gods:]

Se inicia el diálogo con una invitación, por parte de Hermógenes, a que Sócrates participe de la discusión que éste ha estado sosteniendo con Crátilo sobre la exactitud de los nombres.
Crátilo sostiene que los nombres son exactos por «naturaleza» (physei), por lo que algunos no corresponden a quienes los llevan, por ejemplo: el mismo de Hermógenes.
Hermógenes, por el contrario, piensa que la exactitud de éstos no es otra cosa que «pactó» y «consenso» (synthéke, homología), «convención» y «hábito» (nómos, éthos).
Sócrates pretende destruir inmediatamente la teoría convencionalista, para adherirse, en principio, a la idea naturalista de Crátilo.
Sócrates sostiene que puede que... no sea banal la imposición de nombres... con que Crátilo tiene razón.
El artesano de los nombres no es cualquiera, sino sólo aquel que se fija en el nombre que cada cosa tiene por naturaleza y es capaz de aplicar su forma tanto a las letras como a las sílabas».
Es decir, existe un nombre en sí (forma) que puede encarnarse en diferentes sílabas y letras.
Sócrates considera definitivamente liquidada la teoría convencionalista por las consecuencias epistemológicas y –en definitiva- ontológicas que implica.
Frente a ella, opone su -todavía tentativa- teoría de las formas que parece ajustarse mejor al naturalismo de Crátilo.
Para apoyar a Cratilo, Sócrates alude a la imitación: «el nombre es la imitación de la esencia mediante sílabas y letras».
Sócrates alude a la imitación: «el nombre es la imitación de la esencia mediante sílabas y letras». El lenguaje es un arte imitativo más, con un objeto propio, la esencia de las cosas. Así como el pintor realiza su imitación del color con los diferentes pigmentos, así «el nominador» realiza su imitación de la esencia con sílabas y letras.
a) Según ha quedado ya sentado, la exactitud del nombre consiste en que éste revele la esencia de la cosa; es decir, el lenguaje es un arte imitativo.
b) Si es arte, por un lado habrá artesanos buenos y malos, luego el nombre revelará la esencia de las cosas mejor o peor según la cantidad de rasgos que revele de dicha cosa.
Pero, además, es un retrato, es decir, algo distinto de la cosa (no una adherencia o un duplicado de ella, como sostiene el naturalismo de Crátilo), y lo mismo que un retrato se puede aplicar a quien no le corresponde, así el nombre puede aplicarse al objeto que no le corresponde; es decir, se, puede hablar con falsedad. Por segunda vez se ha probado como falso el célebre sofisma de que no se puede hablar falsamente.
c) Ahora bien, el nombre no solamente puede representar mal la cosa. De hecho, a veces representa lo contrario, como sucede con la palabra sklérótēs, que significa para los atenienses lo mismo que sklerotēr para los eretrios, siendo así que, en un caso, termina en s y, en el otro, en r, elementos que significan, según se explicaba arriba, nociones distintas (r, «movimiento» y s, «agitación»). Y, además, significando «dureza», contiene 1 que denota lo liso, grasiento, viscoso (i. e., lo blando).
d) Y, sin embargo, nos entendemos. Aquí Crátilo admite precipitadamente: «sí, pero por ‘costumbre’ (éthos)». ¿Y qué otra cosa es costumbre que «convención» (nómos)? Con esto, Sócrates ha llevado a Crátilo a admitir que, en definitiva, la exactitud del nombre consiste en la convención.
Tanto Crátilo como Hermógenes sostienen que los nombres son exactos.
La diferencia estriba en que para Hermógenes lo son todos katà nómon o éthos (por «convención» o «costumbre») y para Crátilo, o lo son katà physin (ajustándose a la realidad), o ni siquiera son nombres, sino meros ruidos.
Tal es el planteamiento radical que se ofrece al comienzo del diálogo por boca de Hermógenes; doblemente radical, ya que se afirma que todos los nombres son exactos y que, o lo son por convención, o lo son por naturaleza. Veamos por separado ambas tesis y sus bases filosóficas, así como las implicaciones que tienen o las que Platón les atribuye.
El lenguaje es un arte imitativo más, con un objeto propio, la esencia de las cosas. Así como el pintor realiza su imitación del color con los diferentes pigmentos, así «el nominador» realiza su imitación de la esencia con sílabas y letras.

SÓCRATES.— ¿Y Pan, mi querido amigo? Probablemente es hijo de Hermes, y tiene una doble naturaleza.
HERMÓGENES.— ¿Cómo?
SÓCRATES.— Sabes que el discurso expresa todo, (pan), y que rueda y circula sin cesar, (polei aei). Sabes igualmente que es de dos modos: ver-dadero y falso.
HERMÓGENES.— Perfectamente.
SÓCRATES.— La parte verdade-ra del discurso debe ser llana, divina, colocada en lo alto entre los inmorta-les; la parte falsa debe estar situada acá abajo entre la multitud de los hombres, y ser de una naturaleza bru-tal y análoga a la de la cabra; porque en este género de vida es donde tie-nen su origen la mayor parte de las fábulas y de las mentiras.
HERMÓGENES.— Perfectamente.
SÓCRATES.— El que lo anuncia todo (pan), y que circula sin cesar, (aei poloon), será llamado con exactitud (pan aipolos), hijo de Hermes, con doble naturaleza, liso y limpio en la par-te superior, velludo como una cabra en la parte inferior. Por consiguiente, si Pan es hijo de Hermes (Ermes), es o el discurso o hermano del discurso; ¿y qué tiene de extraño que el hermano se parezca al hermano? Pero, como dije antes, mi excelente amigo, deje-mos en paz a los dioses.



SÓCRATES.— ¿No es oportuno comenzar por los dioses, e indagar por qué razón se les ha podido dar con propiedad el nombre de (theoi)?
HERMÓGENES.— Muy bien.
SÓCRATES.— He aquí lo que sospecho. Los primeros hombres, que habitaron la Hélade, no reconocieron, a mi parecer, otros dioses que los que hoy día admiten la mayor parte de los bárbaros, que son el sol, la luna, la tie-rra, los astros y el cielo. Como los ve-ían en un movimiento continuo y siempre corriendo, (théonta), a causa de esta propiedad de correr (theín), los llamaron (theoí). Con el tiempo las nuevas divinidades que concibieron, fueron designadas con el mismo nom-bre. ¿Te parece que esto que digo se aproxima a la verdad?
HERMÓGENES.— Me parece que sí.
SÓCRATES.— ¿Qué deberemos examinar ahora? Evidentemente los demonios, los héroes y los hombres.
HERMÓGENES.— Veamos los demonios. (…)
SÓCRATES.— El poeta se explica de esta manera:21
“Desde que la muerte ha extinguido esta raza de hombres,
Se les llama demonios, habitantes sagrados de la tierra,
Bienhechores, tutores y guardianes de los hombres mortales”.
SÓCRATES.— Esto basta, en mi juicio, para dar razón del nombre de demonios. Si Hesíodo los llamó demonios, fue porque eran sabios y hábiles, (daeemones), palabra que pertenece a nuestra antigua lengua. Lo mismo Hesíodo que todos los demás poetas tienen mucha razón para decir que, en el instante de la muerte, el hombre, verdaderamente bueno, alcanza un alto y glorioso destino, y recibiendo su nombre de su sabiduría, se convierte en demonio. Y yo afirmo a mi vez que todo el que es (daeemon), es decir, hombre de bien, es verdaderamente demonio durante su vida y después de la muerte, y que este nombre le conviene propiamente.
HERMÓGENES.— No puedo menos de alabar lo que dices, Sócrates. Pero ¿qué son los héroes?
SÓCRATES.— No es punto difícil de comprender. Esta palabra se ha modificado muy poco; y demuestra que los héroes toman su origen del amor, ἒρως (eros).
HERMÓGENES.— ¿Qué quieres decir con eso?
SÓCRATES.— ¿No sabes que los héroes son semidioses?
HERMÓGENES.— ¿Y qué?
SÓCRATES.— Es decir, que todos proceden del amor, ya de un dios con una mortal, ya de un mortal con una diosa, Si quieres que me refiera a la antigua lengua ática, entonces me entenderás mejor. Verás que el nombre de amor, al que deben los héroes su nacimiento, se ha modificado muy poco. He aquí cómo es preciso explicar los héroes; o si no, hay que decir que eran sabios y oradores, versados en la dialéctica, y particularmente hábiles para interrogar, (erotan); porque (eirein) significa hablar. Como decíamos, resulta que en la lengua ática son oradores o disputadores, (erooteetikoi) y la familia de los oradores y de los sofistas es nada menos que la raza de los héroes. Esto es fácil de concebir. Pero es más difícil saber por qué a los hombres se les llama (anthroopoi). ¿Puedes tú explicarlo?

ERROS A NÃO COMETAR MAIS:
HERMÓGENES.— ¿Y la luna (seleenee)?
SÓCRATES.— Esa es una palabra que mortifica a Anaxágoras.
HERMÓGENES.— ¿Por qué?
SÓCRATES.— Porque parece atestiguar la antigüedad de la doctri-na, recientemente enseñada por este filósofo, de que la luna recibe la luz del sol.
HERMÓGENES.— ¿Cómo?
SÓCRATES.— La palabra (selas y fos) tienen el mismo sentido (luz).
HERMÓGENES.— Sin duda.
SÓCRATES.— Pues bien; la luz que recibe la luna es siempre nueva y vieja, (neon kai enon aei), si los discípu-los de Anaxágoras dicen verdad; por-que girando el sol alrededor de la lu-na, le envía una luz siempre nueva; mientras que la que ha recibido el mes precedente es ya vieja.
HERMÓGENES.— Conforme.
SÓCRATES.— Muchos llaman a la luna (selanaia).
HERMÓGENES.— Conforme.
SÓCRATES.— Y puesto que la luz es siempre nueva y vieja, (selas neon kai enon aei), ningún nombre puede convenirle mejor que (selaenoneaeia), de donde por abreviación se dice: (selanaia).31
HERMÓGENES.— He aquí una palabra verdaderamente ditirámbica, Sócrates. Pero qué dices de (meis, me-ses) y de los (ostra, astros)?
Sócrates.— (meiousthai, dismi-nuir), debería decirse propiamente (meiees). Los astros parece que toman el nombre de su brillo, (astrapee); palabra que viniendo de (ta oopa anastrefei, que atrae las miradas) debe-ría decirse (anastroopee); pero para ha-cerlo más elegante se ha pronunciado (astrapee).
HERMÓGENES.— ¿Y las palabras (pur, fuego) y (udor, agua)?


[1] Myths and Myth-Makers: Old Tales and Superstitions Interpreted by Comparative Mythologyby John Fiske.
[2] Copyright © 1997 Arysio Nunes dos Santos. Fair quotation and teaching usage is allowed, as long as full credit is given to this source, and its home address is given in full.
[3] (tanto pior para os puristas que desconfio singular e marreta, pois que a analogia é flagrante demais para não poder passar de hipótese teórica a presunção.
Fla <> fra por troca de l/r tudo bem mas, troca de f/b para dar <> bra é que  parece não muito estar de acordo com a fonética! Já manes e mines é a mesma coisa! Pré, se as leis fonéticas não tivessem excepções frequentes a linguistica era uma questão de computadores e de cálculo de probabilidades!)
[4] O sublinhado é meu, pois é aqui que a porca troce o rabo ao não se ouvir fonética nem se ver nenhuma equação que o demonstre!
[5] Myths and Myth-Makers: Old Tales and Superstitions Interpreted by Comparative Mythologyby John Fiske.
[6] A importância do sal em todos os ritos da santificação é conhecida em todos os sacramentos (concepções sagrados) desde o baptismo até à extrema-unção. O princípio da mens sana in corpore sano não é uma invenção Romana porque todos os antigos confundiram a santidade moral com a saúde física. A este respeito os egípcios confundiam num mesmo sentimento de santidade/sanidade o orgulho da sua particular pureza cultural com a sua exigente pureza religiosa e uma mais escrupulosa do que consistente pureza higiénica. O que releva da formula romana é a dessacralização da saúde que deixa de ser santidade para ser sanidade mesmo quando da mente! Obviamente que o cristianismo, que em muitos aspectos foi, em relação à cultura clássica, um movimento recessivo e regressivo, acabou por voltar a sacraliza-la duma forma por vezes tão violenta que sempre que a santidade elevada a valor absoluto a saúde quase que acabou por ser sacrificada no corpo e posta em perigo no agrilhoamento do espírito!
[7] De saturano > satiran > satyron
[8] The Early history of IndoEuropean Language, by Thomas V. Gamkrelidze and V. V. Ivanov. Scientific American, March 1990, P.110.
[9] Myths and Myth-Makers: Old Tales and Superstitions Interpreted by Comparative Mythology by John Fiske.
[10] Myths and Myth-Makers: Old Tales and Superstitions Interpreted by Comparative Mythology by John Fiske.
[11] Myths and Myth-Makers: Old Tales and Superstitions Interpreted by Comparative Mythology by John Fiske.

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