sábado, 19 de outubro de 2013

TESEU I - A MORTE RITUAL DO MINOTAURO, por Artur Felisberto.

clip_image002[1]
Figura 1: Teseu acostando à ilha de Creta.
Nada obsta a que tenha existido um herói lendário das guerras micénicas entre Creta e Atenas que tenha tido o nome dum “filho de deus”.
Plutarco, assim o entendeu não tendo tido rebuço algum em ter incluído na seu livro, a vidas paralelas, todas a as anedotas míticas referentes a esta figura que pelo maravilhoso fantástico com que foi enquadrada se pode inferir como tendo sido um dos maiores heróis políticos da Grécia arcaica.
clip_image003[1]
Figura 2: Teseu no Labirinto. “Ao chegar à presença do Minotauro, encontrou-o adormecido, caiu sobre ele e espetou-lhe a espada na garganta”.
Teseu terá tido um suporte lendário patente numa história de rivalidades entre Creta e Atenas, então uma colónia continental da talassocracia minóica. O núcleo essencial da lenda de Teseu relaciona-se com o mito do Minotauro.
Em Creta, Teseu encontrou-se com Fedra e Ariadne, filhas de Minos. Ao saber que Ariadne falava com os deuses, principalmente com Dioniso, Teseu aproximou-se dela. Ariadne ensinou-lhe como destruir o monstro. Chamou Dédalo e perguntou-lhe como entrar e sair em segurança do Labirinto. Este disse-lhe que bastaria soltar um novelo de linha com uma ponta presa fora do Labirinto, ao momento que avançava pela toca do Minotauro. Depois, puxaria linha e saia.
E é então que começamos a entender o lado mítico da lenda de Perseu enquadrada numa retórica de iniciação guerreira, como convinha ao relato duma saga heróica, para edificação dos efebos atenienses. Como não se trata de um mito fundador não ser inteiramente meta-histórico como é de Cercopes.

Ver: FOGO / CERCOPES (***) & MINOTAURO (***)

A verdade é que o “labirinto” é em tudo um rito de passagem subterrâneo típico dum “culto solar de morte e ressureição”!
A verdade é que o “labirinto” é em tudo um rito de passagem subterrâneo típico dum “culto solar de morte e ressureição”!
clip_image004[1]
Figura 3: A morte do Minotauro (da obra, Pitture di vasi etruschi de Francesco Inghirami).
Walking the Labyrinth: Ancient cultures and religions would prepare those initiates, who aspired to reach higher consciousness, with a series of tests to take them to the galactic source and back. These tests included walking the path of the maze, or labyrinth. The initiates would be required to confront and overcome their fear of losing themselves within the dark passages, both literally and figuratively. Ultimately, however, there was only one path to the center and if the initiate would get in touch with one’s inner voice, he or she could find the way to the center and back . While labyrinths have almost always been associated with myth and leg-end, and have had somewhat dark connotations, they have, only in the last decade, been reintroduced for study and exploration, amidst a multifaceted revival. The symbolism of the labyrinth and the renewed interest in them pose somewhat of a mystery in itself. So what is the great secret of the labyrinth and why the sudden interest in its uses?
clip_image005[1]
Figura 4: Teseu & Monotauro (extraído da obra “Auserlesene Griechische Vasenbilder” de Friedrich Wilhelm Eduard Gerhard)
(…) What they know and what we are relearning, especially in more open-style Western-reli-gious traditions, is that the female element is responsible for leading us to the source justby nature of our design, which we’ll explore later. And that source is in the geometric form of a spiral or labyrinth.
(…) The labyrinth, in its natural spiral form, is a form of harmonic geome-try that exists between dimensions, and only the spiral is able to bridge the physical with the spiritual. This spiral formation, known as the Fibonnaci spiral, is the basis of all cre-ation and is seen in nature in very basic life forms such as flower petals, pinecones and nautilus shells, for example .Our own Milky Way galaxy is a spiral starting in the dark galactic center and spiraling outward, and we are a living, breathing part of that spiral.
(…) According to Rev. Lauren Artress, author of Walking a Sacred Path, who serves as the Canon for Special Ministries at Grace Cathedral in San Francisco, the labyrinth is a meta-phor for: “The journey to our center of being and the creation of order through chaos. - Copyright .2001, Dawn Abel, All Rights Reserved

Ver: LABIRINTO (***)

Obviamente que os labirintos, naturais ou artificialmente construído como aos templos tumulares de Malta eram a tentativa de continuar artificialmente a cultura religiosa cavernícula onde outrora se processavam os ritos de iniciação para a caça dos jovens primitivos por intermédio de rituais xamânicos, com danças, jejuns provocados pela falta de caça e intoxicações por alimentos que só seriam consumidos em tempos de canícula.
At the death of Deucalion, they say, Ariadne became the head of the state, and a truce was made between her and Theseus, the hostages being released and a treaty being signed between Athens and Crete. Greek Mythology Link,
Só assim se compreende que Ariadne, a mesma que Arina do sol dos Hatis, tenha acabado casada com o bebedolas do Dionísio quando já tinha dado a máxima das provas de afecto, sendo cúmplice de fratricídio ajudando um herói galante como Teseu a matar seu irmão, o Minotauro. Se por detrás do mito existe algum fundo lendário é bem possível que estejamos perante uma arcaica versão arcaica do episódio palaciano de César & Cleópatra. O estranho é que as razões políticas invocadas para que Teseu tenha preterido Hipólita (ou Antíope), além de não respeitarem a lógica temporal, por serem contadas como cenas posteriores, não respeitam a lógica do senso comum, uma vez que Fédra era irmã de Ariadne.
clip_image006[1]
Figura 5: Moeda da magna Grécia (Sicília) representado Hércules matando o touro de Creta.
Tauros Kretaios = Um touro majestoso enviou por Poseidon. Saturou Pasiphae a esposa de Rei Minos (que estava sendo castigada pelo deus por não ter este sacrificado, como tinha prometido ele) e desta união antinatural nasceu o Minotauro. Heracles foi depois buscar este Touro a Creta (como um dos seus Doze Trabalhos), eventualmente morto por Teseu na Maratona.[1]

Ver: ZODIACO E DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES (***)

Ver: MADALENA (***)

Embora não existam provas categóricas descortina-se aqui a possibilidade de estarmos perante uma variante mais antiga do episódio do “julgamento de Páris”.

clip_image007[1]
Figura 6: O mito do “Julgamento de Páris” com uma junta de três juízes, pela sua popularidade, terá feito parte dum mitema muito arcaico fazendo parte dos ritos de “morte e ressurreição” pascal de que o mitema do herogamos seria o clímax e a descida aos infernos para julgamento dos mortos, a noite trágica da 6ª feira santa que antecedia o dia da ressureição solar, o dia glorioso do Senhor.
Na verdade a mitologia de Teseu contem um flagrante anacronismo que é o de colocar o herói a raptar Helena. O mito diz ainda que Teseu, tal como todo o herói que se prezava teve um amigo pessoal, Pirítuo. Com este embarcou nas mais perigosas aventuras. Uma destas aventuras seria a sua desgraça. Propuseram-se raptar Helena (a da guerra de Tróia), filha de Zeus e Leda, que levaram a Afídna, que cuidaria dela. O rapto de Helena precipitou a guerra de Troia que viria a acontecer meio milénio depois da queda do império minóico.
Se Fédra encobre o nome de Afrodite Ariadne era seguramente uma variante de Atena só faltando Hera para completar as tridivas do “julgamento de Paris”.
Fédra < Phethura < Ki-tura > (Afrodite) Quitéria.
Ora, a verdade é que Hera seria *Kertu, a deusa das cobras cretenses que aparece de forma recorrente na etimologia das nomenclaturas do mito de Teseu. Na verdade existem indícios de que a história do tributo dos jovens atenienses andaria mal contada. Possivelmente o único que se aproximaria da verdade seria Aristóteles quando este afirmava que seriam jovens levados para Knossos como penhor de vassalagem e que eram transformados em escravos quando não eram resgatados. Em casos extremos, como seriam os de rebelião declarada estes jovens seriam sacrificados ao deus Minotauro em combates singulares rituais como os descritos na tradição clássica sob o conceito de “jogos fúnebres”.
19. 1. Quando Teseu aportou a Creta, segundo a maior parte das narrativas escritas e dos ditos dos poetas, recebeu das mãos de Ariadne, que se havia apaixonado por ele, o novelo e, informado do modo como podia percorrer os meandros do Labirinto, matou o Minotauro e fez-se ao mar, levando consigo Ariadne e os jovens.
2. Ferecides afirma que Teseu fendeu o casco aos navios de Creta para impedir que o perseguissem. 3. Demon, por seu turno, assevera que Tauro, o chefe do exército de Minos, perdeu a vida no porto, num combate a bordo, enquanto Teseu levantava ancora.
4. De acordo com o relato de Filocoro, quando Minos organizou as competições, Tauro era visto como o provável vencedor sobre todos os concorrentes e converteu-se, por isso, num alvo de inveja. 5. O seu poder era motivo de ódio por causa do seu carácter e era acusado de ter relações com Pasifae. Por isso mesmo, acedendo ao pedido de Teseu, Minos deu-lhe consentimento para participar no concurso. 6. Ora era costume em Creta as mulheres assistirem as competições, pelo que Ariadne, que estava presente, ficou impressionada a vista de Teseu, e se deslumbrou com a sua vitória. 7. Minos encheu-se de contentamento, sobretudo por ver a derrota e o ultraje de Tauro, entregou os jovens a Teseu e libertou Atenas do tributo.[2] -- Plutarco, Vidas Paralelas. Tradução do grego, introdução e notas de Delfim F. Leão Universidade de Coimbra.
Em tempos de paz estes ritos poderiam ser menos vingativos e ter a forma de torneios tauromáquicos, num dos quais Teseu esteve presente, altura em que Ariadne se teria apaixonado por ele.
clip_image008[1]
Figura 7: “Pega de caras” em estilo grego copiada de antigos “forcados” cretenses.
O comum seria que esta prática seria vantajosa para ambas as partes porque por um lado a corte minóica era fornecida por servos e escanções das melhores famílias das tribos vassalas e estas viam os seus filhos mais ilustres aprenderem religião, ofícios, boas maneiras e artes militares nas melhores escolas da época que eram os palácios teocráticos de Creta. Este mesmo fenómeno aconteceu no Egipto a um nível mais dignificado onde, pelo menos a partir da 4ª dinastia, parece ter existido a possibilidade de altos dignitários do reino e dos países amigos serem educados na “casa dos filhos do faraó” o Kap: "Le Lieu Clot, Protégé et Nourricier". Sorte d'université.
Já a partir do império Novo os filhos dos chefes e dos nobres núbios, e, pelo menos a partir do império médio, também asiáticos; os rapazes estrangeiros do Kap faziam carreira no Egipto, (...) ou então,, já depois de terem regressado ao seu pais de origem, mantinham laços políticos e culturais com as terras do faraó. (...) O kap no interior do palacio desempenhava as funções de «harém masculino» ou de um clube privado só para homens. – O homem Egípcio, por Sérgio Donadoni.

Ver: MEGALITOS (***)

TESEU NO INFERNO
Nenhum mito de morte e ressureição se dada por completo sem a descida aos infernos seguida de ressureição no terceiro dia. Este mitema correspondia a uma óbvia metáfora das provações da vida que implicavam perigos e riscos de morte real, aparente ou meramente simbólica. Morrer para a segurança duma infância matriarcal para ressuscitar para as responsabilidades duma árdua adultícia de caçador ou de guerreiro patriarcal seria afinal a mensagem nuclear destes ritos de passagem.
clip_image009[1]
Figura 8: Piritoo e Tesus raptando Core na presença de Perséfone.
31. 4. Teseu, por seu turno, para retribuir a Piritoo a ajuda recebida, acompanhou-o ao Epiro, no intuito de chegarem a presença da filha de Edoneu, o Molosso. Edoneu havia dado a sua esposa o nome de Persefone e a sua filha o de Corê, assim como pôs ao cão o nome de Cerbero. Com este haviam de combater os pretendentes da jovem, por ordem do rei. Aquele que vencesse, obteria a sua mão. 5. Informado de que os dois estrangeiros não vinham para a pedir em casamento ao pai, mas para a raptar, Edoneu aprisionou-os. A Piritoo, fê-lo desaparecer de imediato por obra do cão. Quanto a Teseu, manteve-o como prisioneiro. (...)
clip_image010
Figura 9: Hércules encontra Teseu no Inferno.
35. 1. Edoneu, o Molosso, ao acolher Hércules como hospede, referiu-se, casualmente, ao que aconteceu a Teseu e a Piritoo, com que intencao tinham vindo e que castigo lhes aplicou apos terem sido descobertos. Heracles ficou profundamente tocado pela morte ingloria que um tivera e que o outro tambem iria ter. 2. Quanto a sorte de Piritoo, pensou Heracles, nada mais poderia fazer que manifestar a sua reprovacao, mas intercedeu pela vida de Teseu e pediu ao rei que lhe fosse concedida essa graca. 3. Edoneu concordou e Teseu, uma vez libertado, regressou a Atenas, onde os seus amigos nao tinha sido completamente aniquilados. Entao, quantos recintos lhe haviam sido consagrados outrora pela cidade, todos eles, a excepcao de quatro, ele os dedicou a Heracles, mudando-lhes o nome de Teseia para Heracleia. E Filocoro quem o refere. -- Plutarco, Vidas Paralelas. Traducao do grego, introducao e notas de Delfim F. Leão Universidade de Coimbra.[3]
clip_image012[1]
Figura 10: Teseu, com o chapéu (pétaso) de Hermes, cruza-se com Hércules no inferno donde este herói o retira a pulso!
Muitos aspectos deste mito se assemelham a “gato escondido com rabo de fora”. Se Hades, enquanto nome locativo, o colocou num trono é porque o mesmo ali era rei, pelo menos quanto outros juízes dos mortos, tais como Minos ou Radamento. E porque iria Teseu raptar Proserpina, que já havia sido raptada pelo rei dos infernos, senão no caso de este já ter poderes para tanto o que aconteceria sobretudo sendo ele o próprio deus dos céus.
Estes raptos míticos são anacronismo óbvios, um por ser uma interferência do maravilhoso fantástico próprio da mitologia e o outro por só ser possível em resultado do facto de os gregos não terem uma visão cronológica do seu passado.
A ingenuidade do plágio é flagrante ao ponto de esta parte do mito de Teseu ser quase uma opereta em segunda mão.
31. 1. Ja chegado aos cinquenta anos, segundo Helanico, Teseu raptou Helena, sem ter em conta a idade de ambos. Ha quem diga, para o desculpar deste delito – que foi de todos o acto mais grave de que o acusam – que não foi ele o raptor, mas Ida e Linceu, que, depois de a terem raptado, a confiaram a sua guarda e ele se comprometeu a não a entregar aos Dioscuros, pese embora estes lha terem pedido. Outros aventam – por Zeus! – que o próprio Tindareo a entregou a Teseu, movido pelo receio de Enarsforo, filho de Hipocoonte, que queria ter Helena a forca, embora ela fosse ainda uma criança.
2. No entanto, a versão mais verosímil e a dispor de documentação e a seguinte: os dois amigos, Teseu e Piritoo, dirigiram-se a Esparta e raptaram a jovenzinha que dançava no templo de Artemisa Ortia, para fugirem em seguida. Os homens enviados no seu encalce não passaram para além de Tegeia.
Quando os raptores atravessaram o Peloponeso e se sentiram em segurança, decidiram fazer sortes, sendo que aquele a quem Helena coubesse deveria ajudar o outro a arranjar casamento. 3. O sorteio efectuou-se como combinado, e foi Teseu quem obteve o premio.
Tomou a jovenzinha, que ainda não estava em idade de casar, e escoltou-a ate Afidnas. Instalou sua mãe junto dela e confiou-as a Afidno, seu amigo, com a recomendação de a guardar e a esconder de estranhos[4]
Helena de Tróia não poderia ser do tempo das guerras minóicas. O facto de Plutarco, que parte seguinte racionaliza um disfarce magistral, não ter reparado nesta inocência demonstra à saciedade que o grande handicap da história pré-científica era a falta de cronologia dos eventos relatados que permitia montar cenas de teatralidade histórica com unidade de tempo e quase de lugar para tudo o que fosse contado para além da terceira geração. Claro que em parte isto resultou do facto de a idade negra da história grega ter perdido o contacto com a escrita micénica que, por sua vez se limitava à contabilidade real anualmente destruída. Se os gregos tivessem tido a obsessão pela eternidade dos egípcios outra teria sido a história grega antiga, e muito menos lendários seriam os relatos da história arcaica da Grécia.
No relato do rapto de Helena, Aphidnae / Aphidnus poderiam ter sido uma variante de herogamos, quanto mais não fora porque já o são gramaticalmente. Porém, o nome Aphidnae tem semelhanças com o de Ariadne, revelando a origem cretense do mito de Teseu e fornecendo pistas para a etimologia do nome desta deusa.
Ariadne < Aridnae < Aridena < Ari-Diana.

Ver: ARIADNE (***)

Entre outras cosas, o estudo racional da mitologia ensina-nos que nos tempos da oralidade, a memória do passado acabava por se sobrepor em camadas cada vez mais comprimidas que acabavam por se misturar num fundo mnésico comum de acordo com um processo gradativo em que, primeiro, os factos se confundiam com a lenda, a lenda com vários mitemas para no fim já só restar a memória dos arquétipos relativos aos grandes mitos com que se teciam as malhas da manta de retalhos mitológicos que era a ideologia arcaica.
Obviamente que a humanidade experimentava os primeiros passos na aquisição do conhecimento colectivo a partir de grandes consensos teóricos que, de facto, só poderiam ser obtidos a nível do sagrado. Dito de outro modo, a humanidade, ontem como hoje utilizava a capacidade para generalizar e abstrair muito tempo antes de Sócrates ter descoberto as ideias e Aristóteles os silogismos.
Para falarem os homens precisavam tanto da linguagem como de temas de conversa comuns. Raramente as boas ideias se impõem à força. As lavagens ao cérebro podem produzir escravos do pensamento automático mas dificilmente poderão produzir sábios. O livre arbítrio apareceu como fundamento para a liberdade individual responsável por ter sido um condição sine qua non para a liberdade de pensamento sem a qual não existe
A liberdade de pensamento é uma das raras reservas de liberdade individual que não pode ser negociável sem risco de perder o direito à verdade. A falta de probidade intelectual é seguramente a mais perniciosa das desonestidades e seguramente o único pecado imperdoável contra o Espírito Santo.
clip_image013[1]
Figura 11: A corte de Helena & Paris. Em boa verdade, o contexto decorativo e metafórico desta representação bem poderia ter por título o hierogamos de Afrodite & Adónis.
No entanto, a partilha de ideias só é possível depois de as pessoas se porem de acordo entre si sobre um sistema de valores que permitisse comprovar quais seriam as ideias mais aceitáveis. Esse sistema de valores era o que sempre foi e será, a ideologia comum dominante, que por ter considerado logo de início como o dom mais precioso que os homens tinham a diferencia-los dos restantes animais foi desde logo considerada um dádiva divina e por isso a mais sagradas das riquezas dos grupos humanos que se apressaram a defende-la da erosão da memória com a instituição do princípio do conservadorismo religioso perpetuando-a com os ritos comemorativos. O rito do Herogamos envolvia a aprendizagem do mitema do acasalamento apaixonado do sol e da lua que faziam parte dum fundo consensual dos mais arcaicos da humanidade e que se reportava à percepção da função social da sexualidade ou seja, à substituição do instinto da sexualidade compulsiva individual dos animais pelo mitema duma sexualidade sagrada participativa da fertilidade global da natureza, fundamento da legitimidade monárquica depois da descoberta empírica da hereditariedade e, depois de muita evolução, condição primeira para a tomada de consciência da sexualidade como condição de preservação da integridade do tecido social.
A partir do momento em que se reconhece oficialmente a relevância da copula para o acto de a mulher dar a luz - dá-nos conta desta viragem no campo da religião a descrição do mito hitita do ingénuo Appu (H. G. Guter - bock, Kumarbi, 1946) - a condição religiosa do homem viria a melhorar gradualmente e, inclusive, deixou de atribuir-se aos ventos ou aos rios o poder de engravidarem as mulheres. -- “Os Mitos Gregos”, de Robert Graves.
Ora, é precisamente a função legitimadora da paternidade, que a hereditariedade permite, que nos coloca na senda de caminhos ínvios que já nos são familiares das relações ambíguas e promíscuas entre a ideologia e o poder. Importa não perder de vista que a sociedade só começou a existir à custa do sacrifício da perda de autonomia individual coisa que nunca foi pacífica nem ocorreu sem conflitos. A sociedade não aboliu a natural conflitualidade do regime do “macho dominante” característica dos primatas que somos mas apenas canalizou as suas energias psicossociais para com elas gerir e condicionar a evolução do tecido social. O papel fundamental dos processos de obtenção de consensos é a condição nuclear na estruturação social na medida em que são eles que permitem gerir com proveito do grupo os conflitos naturais dos indivíduos. Ora, a regra do “macho dominante” começa a democratizar-se quando a chefia deixou de ser obtida pela prova constante do duelo guerreiro e começou a ser obtida de acordo com o critério do máximo prestígio pelos serviços prestados ao grupo. Antes de se ter tornado hereditário o chefe não foi a votos, senão em casos contados da história arcaica, mas foi aclamado pela excelência do seu valor evidenciada pela valentia da sua personalidade e sagacidade que a sua idade e experiência de caça permitiam. Como muitas pictografias da época arcaica da história grega permitem confirmar a caça foi de facto o paraíso perdido dos guerreiros da idade heróica. Há medida em que os grupos se fundem em tribos e federações a falta de proximidade que permitisse comprovar, por conhecimento pessoal, o prestígio do chefe foi substituída pela fama da família garantida por uma hereditariedade de sangue cuja legitimidade aumentava com casamentos consanguíneos. Daí a prática dos casamentos faraónico entre irmãos corrente na mitologia. A legitimidade monárquica fornece ainda o padrão da legitimidade hierárquica feita de acordo com regras de progressão da delegação de poderes análogos às do direito suspensório
A História transformou-se em lenda porque já era de regra a lenda ser análoga ao mito. Os deuses são metáforas sublimadas da sacralidade faraónica. Os mitemas são como que coisas invisíveis do mundo da organização social.
Na idade média as cenas históricas bíblicas são, por via de regra, reconstruídas por analogia com idênticas situações actuais e esta regra terá sido sempre assim enquanto não pode ter sido doutra maneira. Durante a fase da oralidade o recurso a mitemas tinha a mesma função retórica do recurso mnemónico a fórmulas repetitivas que na arte pictórica eram o equivalente dos ornamentos estilizados. Na oralidade o recurso a mitemas estava para a lenda como os padrões decorativos estavam para a arte pictórica onde as famosas gregas das cercaduras dos vasos gregos há muito que se tinham esquecido de terem em tempos idos significado as cobras de Tiamat das onde do mar primordial que cercavam o mundo.
Tal como a arte utiliza padrões estéticos a partir de objectos estilizados a linguagem passa a recorrer a mitemas, ainda em uso religioso nos tempos míticos, como recurso retóricos ainda muito antes de ter sido esta a fusão única a que a Renascença tinha reduzido a mitologia clássica. No final torna-se evidente que a função retórica residual da mitologia começou como função nuclear primordial na obtenção de consensos formais que permitiram o aparecimento duma linguagem e dum saber comum legitimada pelo sagrado! Além disse que na espécie humana o instinto foi substituído pelo mito a que deve acrescentar-se o preconceito e o senso comum.
Sendo a epopeia de Teseu uma mera variante lendária dos mitos solares podemos então inferir que a relação de Ariadne com Teseu não deixa de ser funcionalmente estranha.
clip_image014[1]
Figura 12: Atena ordena a Teseu que abandone Ariadne. Sob o ponto de vista naturalista isto teria que significar que Atena e Ariadne seriam entidades distintas. A verdade porém é que Atena bem poderia ter aparecida a Teseu como num pesadelo de má consciência política. Afinal, o micénico filho do rei de a Atenas não poderia casar com a minóica filha do rei de Creta.
Depois de deixar Creta junto com Teseu, este, obedecendo a ordens de Atena, abandonou-a à própria sorte na ilha de Naxos.
O destino posterior de Ariadne é objecto de versões divergentes. Segundo uma, ela ter-se-ia suicidado em Naxos;
segundo outra, teria encontrado a morte ao dar à luz em Chipre. A versão mais difundida é a de que Afrodite sentiu piedade pela jovem abandonada e lhe deu por esposo o deus do vinho, Dionísio. Dessa união teriam nascido dois filhos.
Outra versão do mito afirma que Ariadne morreu em consequência da intervenção de outra deusa, Artemisa, por sua vez incitada pelo próprio Dionísio. A origem do mito de Ariadne deve ser procurada em Creta minóica ou em alguma das ilhas próximas, como Naxos, ou mais afastadas, como Chipre, onde era considerada deusa da vegetação. Os habitantes de Naxos, por exemplo, costumavam homenagear Ariadne com alegres festivais e sacrifícios.
Assim, além desta razão de puro fundo retórico relacionado com a necessidade de fazer enquadrar o relato no contexto dum arcaico “concurso de beleza olímpico”, que mais não seria do que a mistificação da busca misterioso do vértice perdido do mitema das tridivas, as razões de fundo histórico pela qual Teseu preferiu Fedra podem ser muitas e variadas.
Desde logo, como ambas estariam apaixonadas por Teseu, esta acabou por escolher a mais tímida e discreta seguramente de acordo com um padrão patriarcal que começava a revelar-se entre os micénicos e que contrastava com o padrão matriarcal cretense.
Ariadne seria máscula como Atena, gostaria de beber em festins dionisíacos e cometeu o deslize de se ter entregado aos prazeres do repouso do guerreiro antes do tempo, ou seja, comportou-se como uma hetera. Na vida real pode ter cometido um suicídio ritual em honra de Artemisa afogando as mágoas num odre de vinho instigada por Dionísio o deus que “dava de beber à dor (de corno!)”. Segundo Plutarco, em passagem referida antes, a paixão de Ariadne por Teseu seria antiga.
Então, a verdadeira razão poder ter sido uma que raramente dá direito a lendas ou seja, apenas a habitual expressão no fenótipo da masculinidade humana do genótipo da busca da mãe mais adequada para uma sobrevivência optimizada da prole: um puro e simples preconceito de machismo masculino, já então dominante.
clip_image015
Figura 13: Teseu abandonando Ariadne que é de imediato acolhida por Dionísio – (Syleus Painter (c 470 BCE). Berlim)
Variantes do desfecho da atitude politicamente incorrecta da Ingratidão de Teseu ao abandonar Ariadne, por si loucamente apaixonada, e que a havia ajudado o herói a vencer Minotauro.
Some have said that Ariadne hung herself when she saw herself abandoned by Theseus.
or lived with a priest
Others say that she was conveyed to Naxos by sailors and that there she lived with Oenarus, priest of Dionysus 2.
or died in Cyprus
It has also been told that Theseus and the pregnant Ariadne separated in Cyprus, where they came driven by a storm. Theseus set her on shore alone, but while trying to save the ship, he was borne out to sea by the waves. Ariadne then was taken into the care of Cyprian women, who in order to comfort her in her loneliness, brought her forged letters which they said had been written by Theseus. They also buried her in a grove when Ariadne died before giving birth.
or was abandoned
Still others say that Theseus feared the reproach of the Athenians if he brought Ariadne to the city and so, having come to Dia (an island north of Crete, opposite Cnossos), he left her while she was asleep.
killed or made immortal
And some say that here she was killed by Artemis, following instructions of Dionysus 2, but others say that Dionysus 2 married brown-haired Ariadne, and Zeus made her deathless and unageing for him. -- [5]
He says (Hom. Od. 11.321-325 ) that when Theseus was carrying off Ariadne from Crete to Athens she was slain by Artemis in the island of Dia at the instigation of Dionysus. Later writers, such as Diodorus Siculus identified Dia with Naxos, but it is rather "the little island, now Standia, just off Heraclaion, on the north coast of Crete. Theseus would pass the island in sailing for Athens" (Merry on Hom. Od. xi.322 ). Apollodorus seems to be the only extant ancient author who mentions that Dionysus carried off Ariadne from Naxos to Lemnos and had intercourse with her there. Apollodorus, Library and Epitome (ed. Sir James George Frazer.
The attitude, though quite gracefully drawn, makes us infer the manner of Phaedra's death. Ariadne was taken away from Theseus by Dionysus, who sailed against him with superior forces, and either fell in with Ariadne by chance or else set an ambush to catch her.
[9] And at his suggestion she gave Theseus a clue when he went in; Theseus fastened it to the door, and, drawing it after him, entered in.1 And having found [p. 137] the Minotaur in the last part of the labyrinth, he killed him by smiting him with his fists; and drawing the clue after him made his way out again. And by night he arrived with Ariadne and the children at Naxos. There Dionysus fell in love with Ariadne and carried her off;3 and having brought her to Lemnos he enjoyed her, and begat Thoas, Staphylus, Oenopion, and Peparethus.
Naxos < Nashaus lit. ”a (terra) de *Nasha
*Nasha < Ana-Chu < Ana-ash > Anat.
Naxos tem a etimologicamente sugestiva de ter origem no nome da deusa da Noite, que Atena / Anat / Nut, as mesmas que Nix / Niquê / Nocte eram.
O relato de Homero é diferente:
And Phaedra and Procris I saw, and fair Ariadne, the daughter of Minos of baneful mind, whom once Theseus was fain to bear from Crete to the hill of sacred Athens; but he had no joy of her, for ere that Artemis slew her in sea-girt Dia because of the witness of Dionysus. Homer, Odyssey 11.321.
E é tão provável que assim tenha sido que alguns antigos catalogadores de mitos atribuem a esta ilha o nome de Dia.
Later writers, such as Diodorus Siculus identified Dia with Naxos, but it is rather "the little island, now Standia, just off Heraclaion, on the north coast of Crete. Theseus would pass the island in sailing for Athens" (Merry on Hom. Od. xi.322 ). Apollodorus seems to be the only extant ancient author who mentions that Dionysus carried off Ariadne from Naxos to Lemnos and had intercourse with her there.
Assim, que nos diz Naxos sobre o destino de Ariadne? Que Ariadne foi abandonada nos subterrâneos da noite como Damuz se esqueceu de Inana banqueteando-se enquanto esta descia aos infernos de sua irmã Ereshkigal!
Numa vulgar história infantil Dionísio deveria ser o príncipe encantado que surpreendeu o sono da “bela adormecida”!
Depois, saiu de lá com os jovens ainda vivos e fugiu para Atenas. Fizeram uma paragem na ilha de Naxos. Fedra saiu do barco, revelando assim que se tinha escondido nele por amor a Teseu. Este, emocionado, amou-a violentamente.
Ariadne distanciou se, chorando a adormeceu. Entretanto surgir Dionísio, seu amado desde criança, que a surpreende dormindo.
And by night he arrived with Ariadne and the children at Naxos. There Dionysus fell in love with Ariadne and carried her off; and having brought her to Lemnos he enjoyed her, and begat Thoas, Staphylus, Oenopion, and Peparethus.
No entanto, Ariadne já tinha adormecido antes nos braços exaustos de Teseu:
clip_image016

Figura 14: Dionísio surpreende o sono de Ariadne!
21. 1. Deixando Creta, Teseu rumou até Delos. Ai, depois de oferecer sacrificios ao deus e lhe dedicar a estátua de Afrodite que Ariadne lhe havia oferecido, executou com os jovens uma dança que, ao que se diz, os habitantes de Delos ainda hoje praticam. Ela imita, pelas suas figuras, as voltas e reviravoltas do Labirinto, num ritmo marcado por movimentos circulares alternados. 2. Este tipo de dança e conhecido, entre os Delios, pelo nome de grua, como o atesta Dicearco.
Teseu executou-a a volta do Queraton, altar formado por cornos de toda a especie, provenientes do lado esquerdo da cabeca dos animais. 3. Diz-se que tambem instituiu jogos, em Delos, e que aos vencedores da primeira competição lhes atribuiu um ramo de palmeira. [6]-- Plutarco, Vidas Paralelas. Traducao do grego, introducao e notas de Delfim F. Leão Universidade de Coimbra.

TESEU E A DEMOCRACIA
Teseu era o herói nacional de Atenas no tempo da Grécia antiga porque além das sua lendária heroicidade nas guerras que afrontavam esta cidade colonial com a sua senhoria cretense terá ajudado a libertar a Ática do jugo minóico e imposto a soberania jónica em Atenas onde institui o primeiro culto a Afrodite Pandemos e o sinouquismo ateniense.[7]
When Theseus had united into one state the many Athenian parishes, he established the cults of Aphrodite Pandemos (Common ) and of Persuasion. The old statues no longer existed in my time, but those I saw were the work of no inferior artists. --- Pausanias, Description of Greece, 1.22.3.
A portico is built behind with pictures of the gods called the Twelve. On the wall opposite are painted Theseus, Democracy and Demos. The picture represents Theseus as the one who gave the Athenians political equality. By other means also has the report spread among men that Theseus bestowed sovereignty upon the people, and that from his time they continued under a democratical government, until Peisistratus rose up and became despot. But there are many false beliefs current among the mass of mankind, since they are ignorant of historical science and consider trustworthy whatever they have heard from childhood in choruses and tragedies; one of these is about Theseus, who in fact himself became king, and afterwards, when Menestheus was dead, the descendants of Theseus remained rulers even to the fourth generation. But if I cared about tracing the pedigree I should have included in the list, besides these, the kings from Melanthus to Cleidicus the son of Aesimides. --- Pausanias, Description of Greece, 1.3.3.
Pois bem, o facto de Pisístrato e seu filho Hípias terem sido considerados os únicos tiranos ateniense, cujas lutas políticas contra eles provocadas determinou a instituição definitiva da democracia, já pode indiciar que, até então em Atenas, o governo unipessoal e absoluto não era de regra. Depois, o facto de não ter voltado a haver reivindicação do trono pode ser um indício de que não havia família real instituída em Atenas e que os exemplos de antigos reis atenienses apontados por Pausânias seriam mais a excepção do que a regra. Esta terá sido uma das razões pela qual Pausânias refere a falsa tradição da introdução da democracia em Atenas por Teseu.
Por sua vez, a forma particular do sinouquismo ateniense que permitiu a sobrevivência de muitos povoados rurais com possibilidade de interferirem politicamente dos assuntos de maior gravidade da vida da polis terá sido o fermento cultural que permitiu a Atenas desenvolver na altura certa a sua forma peculiar de democracia.
XXV. Desiring still further to enlarge the city, he invited all men thither on equal terms, and the phrase “Come hither all ye people,” they say was a proclamation of Theseus when he established a people, as it were, of all sorts and conditions. However, he did not suffer his democracy to become disordered or confused from an indiscriminate multitude streaming into it, but was the first to separate the people into noblemen and husbandmen and handicraftsmen. [2] To the noblemen he committed the care of religious rites, the supply of magistrates, the teaching of the laws, and the interpretation of the will of Heaven, and for the rest of the citizens he established a balance of privilege, the noblemen being thought to excel in dignity, the husbandmen in usefulness, and the handicraftsmen in numbers. And that he was the first to show a leaning towards the multitude, as Aristotle says, and gave up his absolute rule, seems to be the testimony of Homer also, in the Catalogue of Ships,1 where he speaks of the Athenians alone as a “people.” -- Plutarch, Lives, Thes. 25.1
Possivelmente Teseu não fundou uma república mas apenas uma monarquia de tipo constitucional sujeita a um concelho de anciães, que podermos nós saber desses tempos longínquos de que mesmo Pausânias sabia muito pouco. Teseu pode ter iniciado uma governação embrionariamente democrática que foi evoluindo aos solavancos com períodos de tirania e monarquia ao longo da idade das trevas gregas. O nome de Menesdeu ressoa a um governante minóico, ou seja a um refluxo de autonomia local e a um regresso da influência cretense.
A democracia ateniense não deve ter sido, como o milagre grego, um caso único e isolado visto que não existem provas de que a república romana seja de origem ateniense. Para que toda uma população comum, insatisfeita com as tiranias e as injustiças de governações oligárquicas unipessoais, pudesse ter despertado nos espíritos a vontade da democracia teria sido necessário que antes tivessem existido movimentos culturais que já tivessem dessacralizado a governação que, por tradição oriental tinha sido até então maioritariamente teocrática. Mais uma vez, o facto de não existirem classes sacerdotais hereditárias de tipo tribal na cultura grega, seguramente que em consequência de alterações revolucionárias de natureza cultural que nos escapam, mas a que não devem ter sido alheias as consequências da reforma religiosa dos hititas que precedeu a guerra de Tróia, foi uma das condições particulares da cultura grega que facilitaram a substituição da teologia pela filosofia e a monarquia por formas civis de governação, que não eram necessariamente republicas nem democracias no sentido moderno mas que estariam muito próximas das repúblicas e principados do quatrocento etaliano.
De algum modo, a crise religiosa resultante da reforma do panteão por Tudália IV terá permitido o aparecimento de surtos ideológicos inconformistas que terão levado a alguns precedentes institucionais dispersos por todo o mundo Egeu no fim da guerra de Troia, possivelmente em consequência da desagregação súbita do poder micénico e da suserania hitita a que este estria sujeito. Só assim se explica que a tradição republicana romana se reivindique de herdeira de Eneias refugiado político da guerra de Troia! Por outro lado parece que o culto republicano se encontra relacionado com o culto de Afrodite Pandemos que no caso romano se manifesta na suposta filiação de Eneias com Vénus Vulgata.
And journeying by way of Troezen, he lodged with Pittheus, son of Pelops, who, understanding the oracle, made him drunk and caused him to lie with his daughter Aethra. But in the same night Poseidon also had connexion with her. Now Aegeus charged Aethra that, if she gave birth to a male child, she should rear it, without telling whose it was; and he left a sword and sandals under a certain rock, saying that when the boy could roll away the rock and take them up, she was then to send him away with them -- Paus. 2.30.9.
                < troe-(zen)a > Troia.
Troezen < traueshen < taruish-ena > *Taur-ichena.
                                    ó Thauricheno > Lat. (Júpiter) Doliqueno.
Pittheus < Phititheus < Kiki-Teos
Pelops < Pher-opis < Ker-Hauki(sh) < Kur-Kaki.
Aegeus < Hahe-Geus < Caco Kiush
Aethra < Hahe-Tura < Caco-Taur.
O nascimento de Teseu teria que ser mesmo miraculoso tanto mais que se tratava do herói nacional da cidade estado de Atenas. A preferência que os poetas tiveram por uma filiação com Poseidon e não com Zeus marca a particular relação que Atenas teve com os minóicos bem como a futura vocação marítima desta cidade que lhe iria fazer a fortuna e a fama.
For it is the custom of Greek poets to use ancient names instead of more modern ones, just as they surname Amphiaraus and Adrastus Phoronids, and Theseus an Erechthid.-- Paus. 7.17.7
Teseu o Erechthid < Eresh-tita, um habitante de Eresh, ou o que instituiu a cidade (de Atenas)?
A antiguidade do termo sumério Eresh reporta-nos para a origem anatólica da cultura egeia ou então a cultura egeia, pela sua intensa actividade marítima, foi o centro difusor privilegiado de toda a cultura pré-histórica peri-mediterrânica. De facto, uma relação semântica eventual entre Teseu e o deus supremo dos hititas, Teshub pode ser esboçada na seguinte equação:

Te(os) Zeus < Teseu < Te-Shew < *Te-Chu-Wi > Teshub.

Ver: PERSEU (***)

No aspecto particular do mito de Teseu não existe nada que prove que não exista nele nada de lendário tal como não faz sentido excluir da vida de Cristo qualquer fundo de veracidade histórica.
A realidade histórica diferencia-se das ciências naturais, que têm por objecto o estudo da natureza actual, o facto de terem por objecto próprio o estudo da natureza o passado.
A mentalidade clássica aristotélica só aceitava os factos actuais tendo tendência a aceitar como meras virtualidades potenciais tudo o que estava fora do acto. Assim sendo, havia a tendência para aceitar a história emergente não como uma ciência mas apenas como a memória cultural escrita duma civilização que tinha o privilégio de saber ler e escrever. A história grega divergia da mitologia arcaica apenas no facto de se reportar a relatos quase jornalísticos de testemunhos vivos ou relatos escritos fidedignos recolhidos a partir de memórias pessoais dos contemporâneos ou de parentes ou amigos próximos. Para além da terceira geração a história começava a torna-se nebulosa e lendária. No geral a civilização humana teria pouco mais de dois milénios e no resto tudo se explicaria por uma repetição cíclica da mesma realidade humana presente. Nem sequer se permitiam por a hipótese de que a história Egípcia, já então repleta de referências escritas a épocas que ultrapassavam todas as eras da cultura grega, pudesse ser verídica muito para além da história dos Ptolomeus. Nisto os clássicos eram um pouco como o egípcio na medida em que se sentiam o centro do mundo, os únicos que eram puros e civilizados e tendiam geograficamente a ver tudo pelo próprio umbigo.
Mesmo assim, como os clássicos não tinham castas sacerdotais permanentes e hereditárias o mito não era exclusivo do sagrado facto que permitiu o seu uso profano bem como legitimou a tendência para o aceitar como uma forma arcaica de memória histórica, coisa perfeitamente dentro do racionalismo emergente.
Este racionalismo levado ao extremo do fanatismo acabou por fazer cair a critica histórica positivista no materialismo pirrónico que além de recusar o maravilhoso que já os clássicos rejeitavam só aceita como verdadeiro tudo o que não possa ser provado com documentos de validade arqueológica e científica indestrutível.
Nesta linha de pensamento começou a refutar-se a mania que os antigos tinham de recusar inteiramente a verdade subjacente ao mito como uma incapacidade dos antigos para aceitarem, por falta de coragem intelectual, que a lógica última do racionalismo teria que ser a de postular o ateísmo racionalista, de que os modernos tanto se orgulham.
A partir do momento em que queremos convencer e fazermos aceitar, temos de respeitar as ideias estranhas, se forem fortes, e somos obrigados a pensá-las um pouco. Ora, sabemos que os (gregos) doutos respeitavam as ideias populares acerca do mito e que estavam eles próprios divididos entre dois princípios: a rejeição do maravilhoso e a convicção de que as lendas tinham um fundo de verdade; daí a sua consciência confusa.
Aristóteles ou Políbio, tão desconfiados em relação à fábula, não acreditaram na historicidade de Teseu ou de Éolo, rei dos ventos, nem por conformismo nem por cálculo político; mas também não procuraram recusar os mitos, simplesmente rectificá-los. Porquê rectificá-los? Porque nada é digno de fé se não existir actualmente. Mas, então, porque não recusar em bloco? Porque os Gregos nunca admitiram que a efabulação pudesse mentir totalmente; a problemática antiga do mito, como veremos, está limitada por dois dogmas ignorados, pois eram óbvios: ninguém pode mentir inicial ou totalmente, pois o conhecimento não passa de um espelho; e o espelho confunde-se com aquilo que reflecte, de tal maneira que o médio não se distingue da mensagem.
(...) É sabido como a existência do vazio constituiu um grave problema para a filosofia grega até Platão; É outro sintoma deste discurso do espelho que acabamos de encontrar no problema do mito. Para nos enganarmos, mentirmos ou falarmos no vazio, temos de falar no que não existe; é pois necessário que o que não é seja, para que se possa falar dele. Mas que é um vazio que não é nada? --- ACREDITARAM OS GREGOS NOS SEUS MITOS? Paul Veyne
Um vazio que não é nada é alguma coisa porque nada e vácuo são coisas parecidas, mas não são exactamente a mesma coisa! Um cesto de fruta pode estar vazio por não ter nenhuma fruta mas não pode ser um espaço cheio de nada porque, pelo menos, tem ar! Uma caixa de gatos quântica tanto pode ter como não ter gatos vivos. Sendo um recipiente a que pudesse fazer-se o vácuo ainda assim poderia conter algo que, ainda não sabendo o que seja podemos já postular como sendo o vazio electromagnético, a que os antigos dos sec. XIX chamavam éter. Como questões de “nomes não são questões de objectos” substituir o vazio etéreo pelo espaço-tempo da relatividade é apenas preferir um termo poético por um neologismo bárbaro!
Nesta maneira de ver, os antigos acreditavam tanto nos seus mitos quantos nós acreditamos ainda nos nossos tanto quanto os democratas cristãos acreditam na divindade de Cristo, os católicos na infalibilidade do papa e os ateus no «big-bang» e na possibilidade nas viagens no tempo prevista pela teoria da relatividade.
Os antigos, embora continuassem a aceitar na metafísica e em certas verdades universais como absolutas e dogmáticas, já tinham acedido ao realismo empirista da condição humana que lhes permitia suspeitar que não haveria gerações inteiramente privilegiadas. Se os homens actuais tinham verificavam que havia menos maravilhoso fantástico e se assistiam a menos milagres era apenas porque estavam mais bem informados ou seja, intuíam que era a ignorância que alimentava o medo do desconhecido de que os mitos se alimentavam. A ideia de que houvesse por parte dos poetas míticos e dos autores de sagrada epopeias uma vontade deliberada de fingir em absoluto e de mentir tudo a todos o tempo todo era então tão absurda como depois no século vinte se iria afigurar sê-lo a Churchill, na célebre máxima de relativa às trágicas mentiras do nazismo.
O exemplo dos Gregos mostra neles uma incapacidade milenar para se libertarem da mentira; nunca foram capazes de dizer: «o mito é inteiramente falso, visto que não tem qualquer fundamento», e Bossuet também o não dirá. O imaginário como tal nunca é recusado, como por um pressentimento secreto de que, se o fosse, mais nenhuma verdade subsistiria. Ou esquecemos os mitos de outrora, para falarmos de outra coisa e mudarmos de imaginações, ou então pretendemos descobrir a todo o custo o núcleo de verdade oculto na efabulação e que a fazia falar. --- ACREDITARAM OS GREGOS NOS SEUS MITOS?, Paul Veyne.
Obviamente que o absurdo do miraculoso da história lendária só seria aceitável se a inversa também fosse verdadeira pelo que entre verdade e mentira o mundo pula e avança tanto com reflexões e vigílias como com sonhos e pesadelos. Ou, pelo menos, a terra gira e o universo indiferente continua lá à espera das nossas ousadias!
O que se afigura como do mais comum dos bons sensos é que nada surge do nada e seria impossível à humanidade encontrar hoje alguma verdade sem ter aprendido a falar a partir de mitos com uma réstia de verdade!
Porém, diria Pilatos, o que é a verdade?
«Longe de ser um índice eloquente em si próprio, a verdade é mais variável das medidas. Ela não é um invariante trans-histórico, mas uma obra da imaginação constituinte. (...) O que é muito mais grave é que o próprio objectivo das nossas afirmações divergentes, os critérios e os modos de obtenção das ideias verdadeiras, em suma os programas, variam sem que disso nos apercebamos» --- ACREDITARAM OS GREGOS NOS SEUS MITOS? Paul Veyne.
Confundir verdade com objectividade é um dos equívocos do matrialismo moderno. Mesmo com os modernos meios de registo de informação é mais fácil mater a verdade no espírito do que é essencial num relato de acontecimento do que esperar garantir a transcrição rigorosa e exacta. O mito de que em cinema e televisão se pode fabricar a verdade não passa dum dos malogros em que os equívocos positivistas podem cair. Na verdade, se um relato é inteiramente encenado acaba por cair no domínio da ficção e do mito em que só a moral da história conta para o que tiver que contar. Quando se pretende encenar um relato real que não pode ser transmitido em directo não é a exactidão dos factos que é importante uma vez que é só quando se perverte o espírito que lhe está subjacente que se está a fabricar uma mentira.
Os ateus divertem-se a desmontar as provas da teologia racional sobre a existência de Deus quando afinal só vêm dar razão a quem pensa que a tentativa para racionalizar a fé foi a melhor ajuda que S. Tomas de Aquino poderia der dado aos ateus para lhes permitir constituírem-se numa nova tertúlia de crentes na incredulidade racional da existência de Deus.
Obviamente que se Deus fosse uma coisa que carecesse de ser demonstrada, como a rotundidade da terra, por exemplo) não passaria de mais uma das coisas da criação. A grandeza de Deus está precisamente em não ser uma coisa deste mundo o que o que se infere por mera exclusão de partes perante o facto paradoxal de não ser possível infirmar nem refutar a sua existência! E nesta linha de raciocínio não deixa de ser confuso verificar a candura com que tantos jovens entram em crise de fé perante a morte dos inocentes, o sofrimento inútil das crianças e todos os males deste mundo! Afinal, já os gregos inferiam como lógico que a bondade divina era uma das condições da sua existência pois não fazia sentido um deus que não fosse também a suprema excelência. Porém, no brilho lógico deste raciocínio nem se apercebiam que estavam a condicionar a divindade aos seus próprios critérios de bondade esquecendo que Deus também tinha que ser todo-poderoso e omnipotente podendo e devendo ser e fazer e desfazer o que lhe desse na divina e real gana! Se não tivesse sido assim nunca a realidade teria saído do nada da essência original, nunca a heterogeneidade do universo teria sido possível nem dado lugar à singularidade da existência no seio da eternidade essencial!
Claro que os crentes abusam da bondade Deus quando invocam o seu secreto nome em vão para se proclamarem na posse de verdades reveladas. Porém, continuando nós na ignorância total sobre o que é a loucura divina que permite aos poetas falar do que ninguém sabe falar, sobre a maravilha do amor e a beleza da vida, continua a não fazer mal algum ao conhecimento aceitar que todo o acto de grandeza natural e de elevação humana é inspirado por Deus, que, contrariamente ao que os preconceitos positivistas de Einstein lhe permitiam suspeitar, deus pode ter um gosto particular por jogar aos dados tanto como com a própria criação os videntes usando o calculo de probabilidades tanto para exaltar os loucos e os poetas como para confundir os sábios e os ateus! Deus é a verdade e a sabedoria desde os primórdios da história logo assim que começou como Enki, filho da Divina Mãe e Senhor do Céu e da Terra. A verdade é que, Deus nunca inspirou os factos finais dos relatados feitos em seu nome pelos poetas e por toda uma infinidade de videntes, profetas e outros homens tementes a deus e amantes da verdade. Deus apenas sopra ou ouvido dos justos o espírito da verdade tal como o diabo inspira aos crentes o medo na força da letra da lei.
A historicidade de Cristo é importante para a credibilidade do cristianismo mas só seria mentira se fosse um mito inteiramente improvável. O facto de a investigação mitológica colocar o Cristo dos católicos na rota das verdades arcaicas da humanidade em vez de lhe retirar credibilidade ou de fazer de Cristo uma mera sobrevivência de crendices antigas, recuperadas e adaptadas aos novos tempos, só confirma a verdade eterna do catolicismo enquanto continuidade duma crença naquele que é o filho de Deus desde o princípio dos tempos e até ao fim da eternidade.
A intemporalidade trans-histórica do cristianismo paulista fica definida quando este afirma que a ressureição de Cristo é a razão principal da sua doutrina.
13 Se não há ressureição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. 14 e se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé. (1 cor, 15, 13-14)
Paulo acrescenta pouco ao judaísmo mas mesmo assim altera a tradição judaica de forma decisiva. Ao romper com o racismo religioso afirmando que não há salvação no judaísmo (Rom 2) Paulo criou o pretexto para um judaísmo sem judeus. Paulo foi de facto um mestre na lógica simbólica cultivada de forma helenística para ser colocada ao serviço dum revisionismo exaustivo da tradição judaica. Assim, com ou sem milagre de Damasco, Paulo acabaria por entrar em ruptura com o judaísmo tradicional. Se Paulo não tivesse encontrado os cristãos que perseguia tê-los-ia inventado, se é que em parte o cristianismo não é mais uma obra paulista do que um legado dum Jesus Cristo de duvidosa historicidade. Paulo foi o primeiro padre católico, o jesuíta perfeito, mais cristão do que Cristo e por isso mais católico do que cristão. No plano simbólico da retórica paulista Cristo, o ungido, foi apenas um nome carregado com a mística intemporal de todas os cultos antigos de morte e ressureição que permitiu consagrar o encontro da tradição mística oriental com a racionalidade helenística dando à luz a fé católica. Por isso mesmo o Cristo histórico contou muito pouco na obra da criação cristã. O Cristo triunfal de S. Paulo foi simbolicamente o que foi crucificado e ressuscitou.
Haveria menos efabuladores se existissem menos ingénuos. A antqua credulitas explica que a maior parte dos mitos remonte as épocas antigas. O mito é a relação de actos verdadeiros, a que se juntam lendas que se multiplicam com o tempo: quanto mais antiga é uma, tradição, mais obstruída ela é pelo mythodes, que a torna menos digna de crédito. Para os modernos, ao contrário, o mito será antes a narração de um grande acontecimento e daí o seu aspecto lendário. Esse acontecimento é menos alterado por elementos adventícios do que epicamente aumentado, pois a. alma popular aumenta os grandes factos nacionais; a lenda. tem por origem o génio dos povos, que efabula para dizer o que é verdadeiramente verdadeiro; o mais verdadeiro nas lendas é precisamente o maravilhoso; é nele que se traduz a emoção da, alma nacional. Com razão ou sem ela, antigos e modernos acreditam na historicidade da guerra de Tróia, mas por razoes opostas; nós acreditamos nela por causa do seu maravilhoso, eles acreditam apesar do maravilhoso. Para os Gregos, a guerra de Tróia existira porque uma guerra não tem nada de maravilhoso; se extirparmos Homero do maravilhoso, resta essa guerra. Para os modernos, a guerra de Tróia é verdadeira por causa do maravilhoso de que Homero a rodeia; só um acontecimento autêntico, que tenha comovido a alma nacional, dá nascimento a epopeia e à lenda.
O facto de não haver provas científicas da existência de certos factos míticos só tornaria a sua existência historicamente improvável se fosse inteiramente impossível encontrar-lhes um qualquer sentido, até agora oculto. A garantia de que esse sentido tem de ter existido advém-nos precisamente da convicção dedutiva de que não terá sido em vão que delongadas gerações de intensas e extensas culturas tiveram fé nos seus mitos que enfeitaram com a que havia de mais belo e fantásticos nas suas capacidades retóricas!
Ora, um dos êxitos do pensamento moderno tem sido precisamente o de conseguir encontrar os instrumentos e os paradigmas intelectuais que permitem encontrar o sentido oculto da realidade, mesmo por detrás das mais ambíguas, absurdas e paradoxais formas de retórica mítica.


[1] CRETAN BULL (Tauros Kretaios) A majestic bull sent up by Poseidon. It impregnated Pasiphae the wife of King Minos (who was being punished by the god for not sacrificing it as he had promised) and from this unnatural union the Minotaur was born. The Bull was later fetched from Crete by Heracles as one of his twelve labours and eventually slain by Theseus at Marathon.
[2] 2: XIX. When he reached Crete on his voyage, most historians and poets tell us that he got from Ariadne, who had fallen in love with him, the famous thread, and that having been instructed by her how to make his way through the intricacies of the Labyrinth, he slew the Minotaur and sailed off with Ariadne and the youths. And Pherecydes says that Theseus also staved in the bottoms of the Cretan ships, thus depriving them of the power to pursue. And Demon says also that Taurus, the general of Minos, was killed in a naval battle in the harbor as Theseus was sailing out. But as Philochorus tells the story, Minos was holding the funeral games, and Taurus was expected to conquer all his competitors in them, as he had done before, and was grudged his success. For his disposition made his power hateful, and he was accused of too great intimacy with Pasiphae. Therefore when Theseus asked the privilege of entering the lists, it was granted him by Minos.  And since it was the custom in Crete for women to view the games, Ariadne was present, and was smitten with the appearance of Theseus, as well as filled with admiration for his athletic prowess, when he conquered all his opponents. Minos also was delighted with him, especially because he conquered Taurus in wrestling and disgraced him, and therefore gave back the youths to Theseus, besides remitting its tribute to the city. Plutarch, Lives, Thes. 19.1.
[3] XXXV. Now while Heracles was the guest of Aidoneus the Molossian, the king incidentally spoke of the adventure of Theseus and Peirithous, telling what they had come there to do, and what they had suffered when they were found out. Heracles was greatly distressed by the inglorious death of the one, and by the impending death of the other. As for Peirithous, he thought it useless to complain, but he begged for the release of Theseus, and demanded that this favour be granted him. Aidoneus yielded to his prayers, Theseus was set free, and returned to Athens, where his friends were not yet altogether overwhelmed. All the sacred precincts which the city had previously set apart for himself, he now dedicated to Heracles, and called them Heracleia instead of Theseia, four only excepted, as Philochorus writes. Plutarch, Lives, Thes.
[4] Theseus and Peirithous went to Sparta in company, seized the girl as she was dancing in the temple of Artemis Orthia, and fled away with her. Their pursuers followed them no farther than Tegea, and so the two friends, when they had passed through Peloponnesus and were out of danger, made a compact with one another that the one on whom the lot fell should have Helen to wife, but should assist the other in getting another wife. With this mutual understanding they cast lots, and Theseus won, and taking the maiden, who was not yet ripe for marriage, conveyed her to Aphidnae. Here he made his mother a companion of the girl, and committed both to Aphidnus, a friend of his, with strict orders to guard them in complete secrecy. Then he himself, to return the service of Peirithous, journeyed with him to Epirus, in quest of the daughter of Aidoneus the king of the Molossians. This man called his wife Phersephone, his daughter Cora, and his dog Cerberus, with which beast he ordered that all suitors of his daughter should fight, promising her to him that should overcome it. However, when he learned that Peirithous and his friend were come not to woo, but to steal away his daughter, he seized them both. Peirithous he put out of the way at once by means of the dog, but Theseus he kept in close confinement. -- Plutarch, Lives. Thes. 31.1.
[6] XXI. On his voyage from Crete, Theseus put in at Delos, and having sacrificed to the god and dedicated in his temple the image of Aphrodite which he had received from Ariadne, he danced with his youths a dance which they say is still performed by the Delians, being an imitation of the circling passages in the Labyrinth, and consisting of certain rhythmic involutions and evolutions. [2] This kind of dance, as Dicaearchus tells us, is called by the Delians The Crane, and Theseus danced it round the altar called Keraton, which is constructed of horns ("kerata") taken entirely from the left side of the head. They say that he also instituted athletic contests in Delos, and that the custom was then begun by him of giving a palm to the victors. -- Plutarch, Lives, Thes. 21.1.
[7] The term synoecism (synoikismos) comes from a Greek verb meaning "to dwell together" in the physical sense of causing the inhabitants of several settlements to relocate to form one community. Note how different appear to have been the processes of unification experienced by the different poleis and how varied the poleis must have been on the ground. In some cases there was only the one capital city with no other settlements in the territory. In others (like Athens) there were many settlements which survived the political unification of the region. In some cases (e.g. Sparta), these villages remained city-states in their own right, albeit dependent ones. In other cases (e.g. Athens) the settlements were transformed into civic sub-units of the polis. In still others (e.g. Argos) while some settlements were transformed into civic sub-units, others tried to resist this fate.

Sem comentários:

Publicar um comentário