domingo, 6 de outubro de 2013



Figura 1: Aquiles e Pentasileia.

A Ilíada em parte refere-se ao resultado da má direcção da ira por parte dos chefes gregos. O nome Achilleus passou a ser comum entre os gregos desde o início do século VII a. C. A forma feminina Ἀχιλλεία (Achilleía) está confirmada pela primeira vez na Ática, no século IV a.C, e Achillia foi encontrada num relevo de Halicarnasso como nome de uma gladiadora lutando contra Amazonia ("amazonas").

If we search for an etymological connection for Achilles' name, we will find in Hesychius under 'acheilos' a form 'a-chilos' "without grass" or "rich in grass". (We are dealing with either alpha -privative or, on the other hand, -sm- with sonant -m- giving -a-, an intensifying prefix). Cheilos/chilos (long -i-) means "fodder, feed for animals", by itself this etymology would not be convincing, but taken along with horse breeding which is clearly connected with Achilles, it is worth considering. The old view that Achilles comes from Gr. 'achos' "pain" (in view of his sad end) is unconvincing and rather silly. There are no other linguistic approaches to the hero's name, but of course it may be an ethnic name which does not yield to this kind of analysis. .[1]

O nome de Aquiles pode ser interpretado como uma combinação de ἄχος (akhos), "luto" e λαός (laos), "povo", "tribo", "nação", etc. Em outras palavras, Aquiles seria uma personificação do luto das pessoas, luto sendo um dos temas que é levantado por inúmeras vezes na Ilíada (muitas delas pelo próprio Aquiles). O papel de Aquiles como herói do luto forma, assim, um contraste irónico com a visão convencional, que o apresenta como um herói de kleos ("glória", especialmente na guerra).

Laos foi interpretado como "um corpo de soldados"; neste sentido, o nome teria um sentido duplo, no poema; quando o herói atua da maneira correta, seus homens trazem luto ao inimigo; da maneira errada, são os seus homens que sentem o luto e a dor da guerra. O poema fala, em parte, sobre a má direção da ira por parte dos líderes.


Figura 2: Partida de Aquiles para a mãe de todas as guerras, a de Tróia.

Ora, talvez não tenha sido bem assim pois quando se referia que 'a-chilos' significava "without grass" or "rich in grass" não se andava longe da semântica de cheilos / chilos que, a significar “feno ou pasto para gado”, explicaria a origem do termo «silo» = tulha (> Lat. siru < Gr. síros).

A-chilos ¹ Achillos.

No entanto, o duplo «elle» é aqui decisivo ao deixar-nos na suspeita de que a natureza étnica do nome nos reporta para um culto guerreiro possivelmente solar!

Assim, o feno poderia ter tudo a ver com o nome de Aquiles mas não para lhe explicar a etimologia mas para, a partir desta, ficarem uma série de etimologias esclarecidas.

Asarluhi (also spelled Asalluhi, Asarluxi): God of Ku'ara, son of Ea, assimilated with Marduk. He has powers of magick and healing, and is often invoked in incantations and magical literature.

«Aquiles» < Lat. Achilles < Achilleis < Grec. Ant. Ἀχιλλεύς =

Akhilleus > Ἀχιλῆος = Ak-hil-lêos < Aka-Kir-lu-(ish) > A-Sar-Luxi

> Asalluhi > Asarluhi.

                                    > Sa-Kar-lu, o homem de Sacar,

o cocheiro do sol, logo um deus apolíneo!

É que, se Aquiles foi de facto adorado como deus pelas colónias do Ponto Euxino é porque em parte Aquiles já tinha um nome adorável na medida em que poderia ter sido em terra dos citas, onde os cavalos eram tudo, uma versão do nome de Apolo, então na forma de deus dos cavalos!

Assim, não será por mero acaso que «cavalo» derivará de Castelhano

Cast. «cavallo» < Lat. caballu < *Ka-war-lu > Haphallu > Apolo!


Figura 3: Combate singular de Aquiles com Pentasileia em plena batalha da guerra de Tróia.

Como se pode ver no capítulo sobre os deuses solares eram sete os cavalos do carro em que Kar / Hélio deambulava no céu do nascer ao por do sol! Ora, um facto que poderá colocar em relação estes aspectos da etimologia do «cavalo» com o nome de Apolo e estes em consonância com a mitologia grega pode ter sido o nome de Aquiles que copia em muitos aspectos a figura do herói mítico ateniense que foi Teseu, também este um nome derivado do dum grande deus Egeu. De facto:

Teseu < The | shew < Shef > | > Teshup.

*Ish-Kaur-an > Kheiron > Chiron.

                           > *Achyr > Aph kyr

Aquiles < Achilles < ??? > Aph kyr-lu > Ap-kar-lu ó Apolo ou

                           < *Achyr-luis < Ashur-lu-ish < Asharluki ó Apolo.

Claro que estamos a pressupor uma relação não comprovada do culto de Aquiles do Ponto Euxino com o filho de Enki, Asharluki com mera base na persistência do “duplo éle” do nome grego de Aquiles! No entanto a etimologia deste nome lendário pode ter sido menos clara e ter mesmo andado enrolada ao nome étnico dos aqueus.

The origin of the Achaeans is somewhat problematic. Homer, probably writing in the 9th century BC, uses the term Achaeans as a generic term for Greeks throughout the Iliad, which is believed to describe events in Mycenaean Greece, i.e. before 1200 BC. However, there is no firm evidence that the Greeks of the Mycenaean period used that name to describe themselves. The term Ahhiyawa, found in 13th century BC Hittite texts may mean "Achaeans", that is to say the Greeks of the Mycenean culture, but again, there is no definitive evidence that this is the case.

Com muitas ou poucas evidências a verdade é que os aqueus de Homero parecem ser uma das mais antigas etnias gregas e é muito provável que já estivessem presentes na Anatólia numa região muito próxima de Tróia comprovando assim que gregos e troianos fariam parte da mesma cultura ou seriam culturas rivais mas vizinhas que por intermédio do império hitita quer porque fizessem parte da mesma arcaica civilização egeia pelo menos desde a época da talassocracia cretense.



Some Hittite texts mention a nation lying to the west called Ahhiyawa. In the earliest reference to this land, a letter outlining the treaty violations of the Hittite vassal Madduwatta, it is called Ahhiya. Another important example is the Tawagalawa Letter written by an unnamed Hittite king (most probably Hattusili III) of the empire period (14th-13th century BC) to the king of Ahhiyawa, treating him as an equal and suggesting that Miletus (Millawanda) was under his control.

It also refers to an earlier "Wilusa episode" involving hostility on the part of Ahhiyawa. Ahhiya(wa) has been identified with the Achaeans of the Trojan War and the city of Wilusa with the legendary city of Troy (note the similarity with early Greek *Ϝιλιον Wilion, later Ίλιον Ilion, the name of the acropolis of Troy). (..)

During the 5th year of Pharaoh Merneptah, a confederation of Libyan and northern peoples is supposed to have attacked the Western Delta. Included amongst the ethnic names of the repulsed invaders is the Ekwesh or Eqwesh, whom some have seen as Achaeans, although Egyptian texts specifically mention these Equesh to be circumcised (which does not seem to have been a general practice in the Aegaean at the time).

Homer mentions an Achaean attack upon the delta, and Menelaus speaks of the same in Book 4 of the Odyssey to Telemachos when he recounts his own return home from the Trojan War.

In Several Hittite texts the population of Ahhiyawa, which occurred at an early date as the name of a country, is mentioned. Not only does this name bear an obvious phonetic resemblance to the Achai(w)oi found in the Iliad and the A-KA-WI-JA-DE on Linear B tablet C 914 from Knossos "...a hecatomb of cattle is sent to akhaiwian.." which seems to be a unique Cretan reference to the mainland Greeks (*7).

In the inscription (AHT 28) dated Mid-to late 8th century BC of Warika king of (Ah)Hiyawa this king calls his kingdom Hiyawa. The kingdom was located in southeastern Anatolia, in the region called Cilicia in classical sources. Some scholars have noted that Hiyawa is simply an aphaeresized form of Ahhiyawa, and it is possible that the name reflects a migration of populations of Ahhiyawan origin from western Anatolia or the Aegean world to Cilicia at the beginning of Iron Age. If commonly assumed link between the Hittite name Ahhiyawa and the Greek Achaia is valid, then the migration theory would appear to tie in with the claim by Greek historian Herodotus that the Cilicians were originally known as Hypachaians ("Sub-Achaians").[2]

Hit. Ahhiy-awa < Akij-awa > Aka-wija > Mic. A-KA-WI-JA-(DE)

> Ekakej > Ekewej > Egipt. Ekwesh / Eqwesh

> Homeric. Achai(w)oi > Grec. Ἀχαιοί, Achaioi.

Acha < Akka < Caca.

Confirma-se assim que a raiz do nome dos aqueus era Acha / Caca a deusa dos troncos de madeira, do fogo sagrado e da lenha. Este mesmo culto terá estado na origem do império acádio que mais tarde deu origem ao império babilónico.

O nome da Acádia seria sumério, aparecendo na lista de reis sumérios de que deriva a forma assírio babilónica akkadû ("da Acádia").

Segundo alguns autores o nome "Agade" significaria "coroa (ago) de fogo (de)" em honra de Istar, a "deusa brilhante" ou "refulgente" da estrela da manhã.

Agû, flood, inundation, high water; agu elu, high flood; agu nari, flood of a river. Agû, crown, headdress. Agû, to sin. -- prince, "Materials for a Sumerian Lexicon, Journal of Biblical Literature, 1906.

De facto, se agi” pode significar em acádio coroa ou turbante, tal como inundação ou mesmo pecado, já “de” não parece existir isolado nesta língua nem em sumério onde fogo é “izi”. No entanto o mais provável é que "Agade" não fosse de origem suméria e fosse já uma corruptela suméria de Akka-te, deusa mãe arcaica de que derivaria a grega Hekate, a hitia Hebate e a cita Tabit, mas que seriam literalmente a deusa Caca, senhora do fogo vulcânico, e por isso brilhantes como a “estrela da manhã”.


Figura 4: Aquiles combatendo Telefos.

Assim os aqueus seriam literalmente os filhos de Caca / Hecate, possivelmente porque reinaria no centro do mar Egeu como fogo vulcânico particularmente activo na ilha de Calistê ou Dera onde o vulcão de Santorini vigiaria como farol de todo o mediterrâneo oriental.

Perto da região anatólica dominada pelos aqueus ficava a zona do império hitita de Arzava que nos levanta a suspeita de que seria uma tribo neolítica que adoraria a mesma entidade mítica que passaria a ter então o nome de *Ariza, nome já próximo do Istar.

Caca > Asha + Kur > Ash-Kur > Istar => Ach-kaur > achyllu > *Akij-

> Aqueu                                    = Kur-Ash > *Ariza > Arzawa.

Assim, enquanto Aquilleus, Aquiles seria literalmente apenas um homem da tribo dos *achyllu que poderiam ter sido os aqueus ou os arzava.

Fosse como foi a verdade é que o nome de Aquiles ressoa ao nome de Ashur, deus dos Assírios que deu nome à Síria onde era o sol da manhã era Sacar e que era seguramente um deus solar de que derivou o nome do deus do sol hindu, Suria e o nome do latino Sol invicto, deus cujo culto era suposto ser de origem oriental e síria.


Ver: PROMETEU (***) & TETIS (***)


Aquiles é mencionado logo nos dois primeiros versos da Ilíada:

μῆνιν ἄειδε θεὰ Πηληϊάδεω Ἀχιλῆος

οὐλομένην, ἣ μυρί' Ἀχαιοῖς ἄλγε' ἔθηκεν,

A ira canta, Deusa, daquele filho de Peleu, Aquiles,

A maldita raiva, que trouxe a dor a milhares de aqueus.


Figura 5: Um dos mais belos desenhos pintados em cerâmica grega onde Aquiles, qual solícito erómano, faz uma ligadura de mestre a seu amigo Patrócolo. Pátroclo é representado como sendo muito mais velho que Aquiles, o que destoa da lenda, possivelmente para encaixar esta relação entre primos e companheiros de guerra numa forma de pederastia guerreira ou pedofilia iniciática que implicava uma grande diferença de idades ou seja o erastes era adulto e o adolescente erómeno. Na verdade, embora Patrócolo fosse mais velho seriam ambos da mesma geração de jovens guerreiros que foram iniciados na mesma altura por Quirãon.


Figura 6: Aquiles é entregue pelo pai para ser educado por Quirã arte da caça e da guerra a cavalo

Ia ali da frechada coxeando

O destemido Eurípilo Evemónio,

Em suor testa e espádua, negro o sangue

A merejar, mas inconcusso o peito.

Exclamou condoído o herói Menécio:

“Ai! tristes nossos príncipes e cabos,

Que assim, longe da pátria e amigos lares,

Cães cevareis em Tróia! Inda os Aquivos,

Dize, aluno de Jove, inda resistem,

Ou da lança de Heitor serão domados?”

E ele: “Excelso Pátroclo, é sem refúgio,

Vão cair ante a frota os Gregos todos.

Quantos bravos havia estão feridos;

Cresce a força Troiana e cresce a fúria.

Mas tu salva-me e leva ao meu navio;

Tira-me a seta, em banho morno a chaga,

Asperge os lenimentos que de Aquiles

Aprendeste, e que afirmam lhe ensinara

Quiron dentre os Centauros o mais justo:

Pois dos médicos dois, se não me engano,

Na tenda sua Macaon de auxílio

De mão hábil carece, e Podalírio

O atroz Marte sustém no campo Teucro.”

Na sua juventude, Pátroclo matou covardemente um amigo seu, Clisónimo, durante um jogo de astrágalos (ossos usados de forma semelhante aos dados). O seu pai teve, então, de se votar ao ostracismo fugindo com ele e acabando refugiado na corte do rei Peleu, pai de Aquiles.

Peleu confiou Aquiles a Quíron, o centauro, no monte Pélion, para lá ser criado. O centauro encarregou-se da educação do jovem, alimentou-o com mel de abelhas, medula de ursos e de javalis e vísceras de leões. Ao mesmo tempo, iniciou-o na vida rude, em contato com a natureza; exercitou-o na caça, no adestramento dos cavalos, na medicina, na música e, sobretudo, obrigou-o a praticar a virtude. Aquiles tornou-se um adolescente muito belo, loiro, de olhos vivos, intrépido, simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência. Peleu deu ainda ao seu filho um segundo preceptor, Fénix, um homem de grande sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra.


Figura 7: Achilles & o centauro Quírão.

O rei enviou os dois jovens para a floresta, onde foram educados em várias artes, especialmente a medicina, por Quíron, o sábio rei dos centauros. Na partida Menécio, o pai de Patrácolo, dá-lhe o seguinte conselho:

“Filho meu! Em linhagem vantagem Aquiles te leva,

Mas tu és maior em idade, e ele melhor e com mais forças:

Pois, vai e fala-lhe com palavras sábias e dá-lhe prudência,

Caminho e sinal que ele te ajudará bem pelo melhor.”

A amizade ambígua entre Aquiles e Patrácolo começou nos bancos da escola possivelmente a cargo de um escravo centauro de origem asiática porque nãos nos podemos esquecer que nesses tempos a Mesopotâmia se encontrava com um nível civilizacional muito mais desenvolvido. Esta amizade de cumplicidades afectivas possivelmente nunca expressas iria estalar no luto histérico e clamoroso, tão exagerado quando bárbaro de Aquiles nos funerais de Patróclo.

Em soluços Aquiles, urra impondo

As homicidas mãos do sócio aos peitos:

“Salve, Pátroclo, na Plutónia estância!

Hei-de a palavra encher: Heitor em pasto

A cães dar; em vingança, doze ilustres

Jovens de Ílio ante a pira degolar-te.”

Aqui, no pó de bruços, obra indigna!

Roja à tumba do amigo o herói Troiano.

Figura 8: Sacrifícios humanos ordenados por Aquiles na morte de Patrócolo.

O facto de Aquiles ter sido educado por um centauro faz dele uma entidade suspeita de relações com a terra dos cavaleiros que foi a Cítia.

Achilles is famous for his pair of horses, Xanthus and Balios; horses come from the distant North East and are best raised on open grasslands, which also produce the newly developed grains; however Thessaly in Greece proper is also a suitable area for horses, and this is actually the place from which the myths tell us Achilles came. (...)

Xanthus < Shiantus < Ki antu > Shyntia > Citia.

Balios < Warius < Karius, o filho de deus (= sol = Kar).

O nome de Aquiles pode ser interpretado como uma combinação de χος (akhos), "luto" e λαός (Laos), "povo", "tribo", "nação", etc. Em outras palavras, Aquiles seria uma personificação do luto das pessoas, luto sendo um dos temas que é levantado por inúmeras vezes na Ilíada (muitas delas pelo próprio Aquiles).

Figura 9: Funeral de Patrócolo.

O papel de Aquiles como herói do luto forma, assim, um contraste irónico com a visão convencional, que o apresenta como um herói de kleos ("glória", especialmente na guerra).

Laos foi interpretado como "um corpo de soldados"; neste sentido, o nome teria um sentido duplo, no poema; quando o herói actua da maneira correcta, seus homens trazem luto ao inimigo; da maneira errada, são os seus homens que sentem o luto e a dor da guerra.

No «laréu» = ao «léu» < ??? < • ócio; • vadiagem; • tuna; • adj. leve; • loc. adv. ao léu: a descoberto; a nu.



Se a relação de Aquiles e Patrócolo não era de homossexualidade explícita onde este seria o jovem amado, morto o seu amante a cadeia de transmissão da tradição viciante da pederastia prossegue segundo as regras tácitas da homossexualidade clássica em que o adolescente amado ao crescer casaria e passaria e amante. As tendências homossexuais de Aquiles relacionadas com a pederastia iniciática iriam ficar claras quando este herói decidiu antecipar antes da morte de Protáclo com o jovem Troilo o que era corrente na tradição cretense do rapto de jovens amantes destinados à escravidão temporária da pederastia iniciática.

Figura 10: Aquiles faz uma espera cobarde para raptar Troilo.

Troílo era um jovem príncipe troiano, o mais novo dos cinco filhos legítimos de Príamo (ou, por vezes, de Apolo) e de Hécuba. Apesar de sua pouca idade, foi um dos principais líderes guerreiros troianos. Profecias ligavam o destino de Troílo ao de Tróia, e por isso ele sofreu uma emboscada, numa tentativa para o aprisionar. Aquiles, no entanto, fascinado com a beleza tanto de Troílo como de sua irmã Polixena, e, arrebatado pelo desejo, dirigiu suas atenções sexuais ao jovem - que, ao recusar-se a ceder aos avanços de Aquiles, viu-se decapitado sobre um altar de Apolo. Versões posteriores da história sugeriram que Troílo teria sido morto acidentalmente por Aquiles, num abraço caloroso entre amantes; nesta versão do mito, a morte de Aquiles teria vindo como uma retribuição por este sacrilégio. Os escritores antigos retrataram Troílo como a epítome de uma criança morta, pranteada por seus pais. Nas palavras do primeiro Mitógrafo Vaticano, se Troílo tivesse chegado à idade adulta, Tróia teria sido invencível.

Troílo < Troi-lu, lit. “Homem de Tróia ou troiano”!



Figura 11: Versão moderna e maneirista do escudo de Aquiles. (Gold, 1821, John Flaxman.)

O célebre mito do escudo de Aquiles descrito na Ilíada oferecido por Tétis e feito por Hefesto, só poderia ser uma espécie de espelho da identidade destas deidades primordiais, que teriam tido, na sua forma linguística mais simples e primitiva, o nome de Caco & Caca, na fonética latina.


Ver: TETIS (***)


Figura 12: Tétis encomendando o escudo de seu filho Aquiles ao deus dos ferreiros e dos vulcões, Hefesto, em postura que mais se parece com a da deusa Atena.

Tétis, “literalmente deusa dos deuses”, é uma deusa arcaica que terá sido em parte substituída nos seus atributos de virgem mãe primordial por Atena e que terá ficado apartada do panteão olímpico porque seria a Deusa mãe dos cretenses, derrotados na guerra dos titãs, em que convenientemente não participou, e que marcou o fim da talassocracia cretense.

Embora os eruditos teimem em não a querer confundida esta deusa mãe marítima com a homónima mãe de Aquiles, a verdade é que o escudo que esta ofereceu ao filho desvenda o segredo da sua alma cretense.

Pois não é que este escudo mítico era uma espécie de “mapa mundi” mítico que tinha como cercadura o mar primordial das cobras ondulantes de que derivou o motivo decorativo das “gregas”?

Diz Vulcano: “Sossega, não te aflijas.

Pudesse à minaz Parca subtraí-lo,

Como lhe hei de aprestar brilhantes armas,

Dos humanos espanto.” Eis vai-se aos foles,

Vira-os ao fogo, e ordena-lhes que operem.

Eles em vinte forjas respiravam,

Ora com sopro lento, ora apressado,

Segundo o que há na mente e quer o artista.

Cobre indômito ao fogo e estanho e prata

E ouro pôs fino, ao cepo vasta incude,

A tenaz numa mão, noutra o martelo.

Sólido forma o escudo, ornado e vário

De orla alvíssima e triple, donde argênteo

Boldrié pende, e lâminas tem cinco.

Com dedáleo primor, divino engenho,

Insculpiu nele os céus e o mar e a terra;

Nele as constelações, do pólo engastes,

Orion valente, as Híadas, as Pleias,

A Ursa que o vulgo domina Plaustro,

A só que não se lava no Oceano.

Duas cidades povoou. — Solenes

Bodas há numa: as noivas, entre fachos,

Vêm dos tálamos, guiam-nas chamando

Por himeneu; de giro dançam moços,

Tocam flautas e cítaras; mulheres,

Dos vestíbulos seus, estão pasmadas.

Apinham-se no foro, a ver o pleito

Que por causa da multa as partes erguem

De um recente homicídio; afirma ao povo

Um tê-la pago à risca, o outro o nega,

Produzir ambos testemunhas querem;

Divide-se o favor, soa o tumulto,

E impõe silêncio arautos; sobre lisa

Pedra, em círculo sacro, estão juízes,

Que em varas dos arautos clamorosos,

Por seu turno opinando, em pé se encostam;

Ali no meio há de ouro dois talentos,

Para quem proferir melhor sentença.

Na outra cidade, exércitos se acampam

A reluzir. Os cercadores traçam

Destruí-la, ou metade saquear-lhe

Do que há no soberbíssimo castelo.

Os de dentro, insistindo, armam ciladas;

Em guarda ao muro os velhos e as mulheres

E os meninos deixando, uma sortida

Fazem com Marte e Palas, ambos de ouro

E de ouro as vestes, cujo brilho e talhe

Dos humildes mortais os distinguiam.

Eles, já de emboscada ao pé de um rio

E onde o armento bebia não se despem

Do fulgoroso bronze, e avante postam

Vigias dois que da chegada avisem

De negros bois e ovelhas. Já descobrem

Uns pastores que, alheios das insídias,

Na avena divertiam-se, e improvisos

Aos míseros matando, se apossavam

Do alvo rebanho e gado. Os cercadores,

Em assembléia, a bulha e o mugir fere,

E montando os corcéis, rápido às abas

Do rio empenham férvida batalha:

Vaga a Discórdia, o Susto; aferra a Parca

De fresco um vulnerado e um são e um morto,

E os roja pelos pés, e tinto em sangue

Ata aos ombros o manto. Os combatentes

Parecem vivos; de uma e de outra parte,

Dos sócios os cadáveres carregam.

Mole alqueive insculpiu, largo, abundoso,

Três vezes amanhado, e o lavram muitos,

Aqui e ali dos bois virando o jugo;

Ao fim de cada sulco, um homem sempre

Lhes verte um copo de suave baco;

Eles outros começam, desejosos

De profundá-los todos. Bem que de ouro,

Atrás negreja o alqueive, nem que arado

Verdadeiro o fendesse: oh grã prodígio!

Insculpiu loura messe, e dos ceifeiros

Foice a talha afiada: em linha os molhos

Por terra vão caindo; enfeixadores

Seguem três para atá-los, e uns meninos

Lestos atrás colhendo, os acumulam.

Numa paveia, o rei cetrado assiste,

Silente e alegre; à sombra de um carvalho

Arautos põem-lhe a mesa, espostejada

Enorme rês; mulheres aos ceifeiros

Mesclam vária farinha e a ceia aprontam.

Áurea vinha insculpiu de roxos cachos,

Que ao peso verga, e arrima-se em argêntea

Fieira de tanchões; de estanho sebe,

Fosso de esmalte a cinge; uma azinhaga

Só tem para a vindima: adolescentes

E donzelinhas, de ânimo sinceros,

O doce fruto em canistréis apanham.

Tange um menino harmônico alaúde,

E canta com voz meiga ao som das cordas;

Bailam tripudiando os vinhateiros,

A repetir a ponto as melodias.

Manada ali gravou de altivos cornos:

De ouro e de estanho os bois, mugindo rompem

Do curral para o pasto, indo-se às margens

De ressonante caniçoso rio;

De ouro há vaqueiros quatro e mastins nove;

Dois medonhos leões na frente empolgam

Um touro berrador, que a rastos geme;

Segue a matilha e a gente, mas as feras

Chupam-lhe o sangue e as láceras entranhas;

Os vaqueiros seus cães debalde açulam;

Os cães morder as feras não se atrevem,

Bem que de perto ladrem. — Pôs Vulcano

Em vale ameno cândidas ovelhas,

E redis e tapigos e tugúrios.

Coreia ali gravou, qual na ampla Cnosso

Fez Dédalo à pulcrícoma Ariadna.

Moços e virgens palma a palma enlaçam.

A terra pulsam: tênue linha as veste,

Veste-os guapo tecido azeitonado;

Elas flóreas grinaldas, eles trazem

Áureos alfanjes em talins de prata.

Com mestra e leve planta, ou já discorrem

Qual do oleiro tocada ao móbil torno

Rápida volve a roda, ou já desfilam:

Deleita-se o tropel que em cerca pasma.

Dois adiante uma toada rompem,

A voltear e aos pulos. — Em remate,

Na orla esculpiu do enorme rijo escudo

A ingente força do Oceano rio.

Depois forma a couraça mais que o fogo

Resplandecente, e à fronte acomodado

Grave brunido casco de áurea crista,

E de dúctil estanho as grevas tece.

Completo alçando o arnês, à mãe de Aquiles

O deus o oferta; ao gavião parelha,

Toma as Vulcânias coruscantes armas,

Do alto nevoso Olimpo se despenha.

Ilíada – Canto XVIII, tradução livre em verso português de

Manoel Odorico Mendes (1799-1864)

Figura 13: Aquiles recebendo a armadura das mãos de várias deidades. Reparar no escudo de gorgonas típico de Atena, reforçando a suspeita de que a patroa da Ática que seria uma variante de Tétis.

A semântica do nome de Aquiles vai buscar raízes ao solo fértil de Atenas de cuja deusa patrona recebe em algumas versões as armas e o escudo que nestes casos revelam a face duma Gorgónia.



Apesar de a Ilíada andar à volta das desventuras de Aquiles, não relata porém, a morte deste herói. Assim tiveram que surgir diferentes versões posteriores sobre a morte do maior dos heróis e protótipo clássicos e alexandrino de todos os heróis gregos.

Segundo a tradição mais corrente, Aquiles morreu em combate durante o saque de Tróia, ferido no calcanhar por uma flecha lançada por Páris, mas guiada por Apolo para se vingar da morte do seu filho Tenes enquanto o jovem arqueiro troiano se vingava da morte do seu irmão Heitor.

“You would not think him helpless to look at him. He stands apart with Patroclus, his beloved through all eternity, and Patroclus – who loves Achilles but no so much as he is loved – waits for Achilles to move. His deference to Achilles is different from that of the others. They honour and respect him, keep a wise distance, because Achilles was better than all the rest. Better at being human. Fighting, singing, speaking, raging (oh, he is good at that still). Killing. But Patroclus alone is humbled by Achilles’ love. Only a fool thinks that to be more loved than loving gives power. Only a fool vaunts it and displays his own littleness by bragging to his friends and making capricious demands of his lover. Patroclus isn’t a fool.

He knows that he is less than Achilles even in this. Humbled by the immensity of Achilles’ love he loves him back with all his large, though lesser, heart.” -- Nancy R. Fenn’s websites.

Figura 14: A flecha no calcanhar de Aquiles, Villa Reale in Milano, a mais mariquinhas de todas as representações mais conhecidas de Aquiles.

Na mitologia grega, Aquiles (em grego antigo: Ἀχιλλεύς; transl. Akhilleus) foi um herói lendário da Grécia, personagem principal da Guerra de Tróia e o maior, mais belo e melhor guerreiro da Ilíada, de Homero.

Lendas posteriores (que se iniciaram com um poema de Estácio, no século I d.C.) afirmavam que Aquiles era invulnerável em todo o seu corpo, excepto em seu calcanhar; ainda segundo estas versões de seu mito, sua morte teria sido causada por uma flecha envenenada que o teria atingido exactamente nesta parte de seu corpo. A expressão "calcanhar de Aquiles", que indica a principal fraqueza de alguém, teria aí a sua origem.

No entanto, nenhuma das fontes anteriores a Estácio, faz qualquer referência a esta invulnerabilidade física de Aquiles; pelo contrário Homero, na própria Ilíada descreve Aquiles como sendo ferido por Asteropeu, filho de Pélagão, que desafiou Aquiles nas margens do rio Escamandro e depois de lhe ter arremessado duas lanças ao mesmo tempo atingiu com uma dela o cotovelo de Aquiles de que “jorrou sangue”.

Figura 15: Ajax transportando o cadáver de Aquiles. (pormenor do célebre vaso François).

A outra versão, um tanto mais romanesca, afiança que Aquiles se apaixonou por Polixena, a filha mais jovem do rei troiano e que, por ela, esteve por abandonar a causa Grega. Certo dia, por ocasião da trégua, Aquiles encontrou-se com a jovem no templo de Apolo (próximo de Troia), do qual ela era sacerdotisa.

Páris, irmão de Polixena, sabendo do encontro, para lá se dirigiu, ferindo Aquiles, com uma flecha, no calcanhar, que acabou por matá-lo. O corpo de Aquiles foi resgatado por Ulisses e Ajax. -- [3]

[1] Chapter 3 : Domestication of Animals. A HUMANIST AND HIS WRITING - William Harris, Professor Emeritus, Middlebury College ( )

[2] The Greek Age of Bronze, Trojan War, Andrea Salimbeti


Sem comentários:

Enviar um comentário