sábado, 8 de fevereiro de 2014

DEUSES ROMANOS – MANES por Artur Felisberto.

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Figura 1: Folias fúnebres etruscas!

Na mitologia romana, os Manes eram as almas dos entes queridos falecidos. A sua veneração está relacionada com o culto aos antepassados. Como espíritos menores, estavam também relacionados com os Lares, os Genii e com os Di Penates. Eram honrados durante a celebração das Parentalia e das Feralia, em Fevereiro. Os Manes eram ainda chamados de Di Manes (Di significa "deuses"). Os túmulos romanos incluem, muitas vezes, as letras D.M., como abreviatura de dis manibus, ou dedicado aos deuses-Manes".

Mania é a personificação da loucura na mitologia grega, geralmente enviada àqueles que não observam os ritos, para lhe perturbar o espírito.

 

Ver: MENADES (***) & MANA (***)

 

Na mitologia romana e Etrusca, Mania (ou Manea) era a deusa da morte. Ela, junto com Mantus, governava os infernos. Era dito que ela era a mãe de fantasmas, dos mortos vivos, e outros espíritos da noite, como também os Lares e as Manes. Tanto a Mania grega como a e latina derivam de PIE "*men-, pensar". Conceitos cognatos incluem o menos grego Antigo ("vida, vigor") e o spírito mainyu avéstico, e…a mens…da mente que tecia a mentira latina.

Muta < Matuta < Mater + Mutata <= Mut Ati

<= Mut-Ana > *Mutuna > *Mutina > mutna.

Muta / Tacita; Silence (or change); Mutinus Mutunus = A Roman fertility god who was invoked by women seeking to bear children. He was depicted as ithyphallic or as a phallus. Also the Roman form (Mutinus) of the Greek Priapus.

Como Lares = Larish, lit. filhos de Lara,

Então, Mânia = Lara, (porque mãe dos Lares).

«Manhã» < Mani-ana < Mania > mane.

Mania seria uma forma de Afrodite Melania e a mesma que a etrusca Mean e obviamente uma variante de Ereshkigal tal como Mantus seria o egípcio Montu ou Min e o mesmo que Nergal.

Na verdade os cultos dos mortos eram, na antiga religião etrusca, quase tão envolventes como eram na antiga civilização Egípcia.

At midnight, the Paterfamilias (or Materfamilias) arises and dresses with no knots, buckles, or other constricting items on his person (thus he is barefoot). He makes the sign of the mano fico with his hands (a fist with the thumb placed between the index and middle fingers; a sign of good luck and fertility) and then washes his hands in pure water. He then walks through the house, spitting out nine black beans, being careful not to look behind him as the lemvres accept the beans as a sort of ransom for the living members of the household. As he spits out each one, he says "With these beans I redeem me and mine." Once all nine beans have been accepted by the lemvres and the entire house walked through, the Paterfamilias then washes his hands again, clashes two vessels of bronze together, and nine times says "Ghosts of my fathers, be gone." ("Manes exite paternae.") In addition, there are public ceremonies of a similar nature, designed to cleanse the State as a whole as the household is cleansed.

O «mano fico» tem em português o nome de «figa» de que o Menat Egípcio seria uma variante menos explicitamente sexual! Pelo menos o termo «figa» ainda conserva tal conotação uma vez que pode substituir como eufemismo todas as frases do calão em que se pretende evitar referir a cópula pelo vernáculo «foda» (o «efe» dos três pontos do puritanismo beato e bem falante!). Na verdade o calão só tem contra si o lado arcaizante da linguagem pois conseguiu a proeza de ter sobrevivido à Inquisição e a todas as formas de ostracismo cultural por «orgulho e preconceito» das culturas dominantes ao longo de séculos, seguramente por ter a seu favor uma tremenda força mágica de natureza semântica.

«Mano fico» = lit. «mão (que finge um) figo»???

É duvidoso que assim seja, ou pelo menos que tenha sido apenas assim

< Fi(n)co > fingo, fingere, finxi ó «Esfinge» < Lat. Sphinx, ngis < Gr. Σφίγξ

<

O mais provável é que estejamos perante um cruzamento de linha etimológicas que mutuamente se reforçaram.

«Figo» (< Lat. ficu), s. m. fruto da figueira, pode ter sido inicialmente apenas um *kiko, uma quase genérica «qualquer coisa» filha da Terra Mãe!

The mano fico, also called figa, is an Italian amulet of ancient origin. Examples have been found from the Roman era, and it was also used by the Etruscans. Mano means "hand" and fico or figa means "fig," with the idiomatic slang connotation of a woman's genitals. It represents a hand gesture in which the thumb is thrust between the curled index and middle fingers in obvious imitation of hetorsexual intercourse. (...) The mano fico shown here is a modern pewter reproduction of a 19th century silver amulet, probably from the area around Naples, where such charms were extremely popular. -- © 1996-1999 catherine yronwode, cat@luckymojo.com.

Figura 2: «Mano fico».

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Entretanto terá surgido o amuleto na forma da «mão fincada» simulando um coito que enquanto acto de fertilidade se opunha à morte e era então um símbolo de «coisa boa». Ora, ainda hoje a gíria popular dos portugueses reserva a expressão idiomática de «chama um figo» às «coisas boas» o que afinal não será assim uma idiossincrasia tão lusitana quanto isso porque a língua latina teria utilizado a expressão «mano fico» precisamente nesse sentido. Porém, é bem possível que inicialmente o termo utilizado tenha sido mano *finco, lit. «mão fincada», «em garra fechada»!

 

Ver ESFINGE/ÉDIPO E A ESFINGE. (***) & MENAT (***)

 

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Figura 3: Sarcófago etrusco, dito dos «felizes esposos»!

A relação linguística da «figa» com o Menat persistiu no nome do culto dos Manes e lémures, ainda presente na fórmula ritual das «lamúrias»: Manes exite paternae!

Manes < Manish > Manat > Menat.

Pois bem, o Menat era pertença quase exclusiva de Hator, a deusa do amor, porque arcaica deusa taurina da fertilidade. Assim, enquanto símbolo de protecção e boa sorte fazia derivar a sua força da metáfora óbvia da sexualidade enquanto fonte de fertilidade e vida que por magia simpática permitiria aos mortos ressuscitarem no além! Por alguma razão então o culto dos Manes tinha como correspondente maior o culto da deusa Mania, a que se tornou numa deusa da mania enquanto «loucura sagrada» seguramente por degenerescência de antigos cultos de oráculos proféticos e sibilinos relacionados na versão ritualmente tresloucada dos curibantes de Cibele.

 

Ver: CIBEL (***) & MENAT (***)

 

Mâna, also Genita Mana, and Ma-nuâna, ae, f., ancient Roman goddesses who presided over the submanes, (Mart. Cap. 2; Plin. 29, 4, 14.)

Mâna < Manina < Manuana > Mania(na) > Mania.

Por vias etimológicas não tão estranhas quanto isso estes deuses e ritos permitem cruzar, com perdas semânticas evidentes, os cultos dos mortos dos latinos com os do Egipto, por intermédio dos tão conhecidos cultos funerários dos etruscos, bem como entender a deusa Maat no seu confronto com a verdade «nua e crua» da morte!

Mens, Goddess of right thinking and the mind. (reparar na relação funcional com a Egípcia Maat) She is sometimes known as Mens Bona.

Mens Bona < Meanish Wauna

ó Waun-ish Meana, Lit. «Vénus, a filha de Mania

< Meanish > Menat > (an)-Maat

Vénus, seria então (a vaca) do Mino(tauro), a filha de Mania, seguramente uma variante de Mut / Tiamat, e, por isso mesmo mãe de Ishtar.

De qualquer modo a relação etimológica com a Deusa Mãe na mitologia latina com estes arcaicos cultos telúricos atinge o máximo da significância linguística na ralação fonética obvia destes nomes com o da deusa do mês de maio, Maia = Maiesta - Mãe Terra = Lara Mania = associated with Vulcan and sometimes equated with Fauna and Ops!

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Figura 4: "Dança da roda". Fresco dum túmulo etrusco do sec. V a. C. Museu Nazional de Naples.

 

Ver: HERMES, «O FILHO DA MÃE» / MAIA (***)

 

Se Maia foi a deusa mãe e foi mãe de Hermes seria natural que tivessem existido entre os latinos cultos a ídolos masculinos correlativos dos Erma gregos que, de facto, foram os Penates.

Di Penates, gods of the home and hearth. Most homes have an altar to them. Penates were the gods who were supposed to attend to the welfare and prosperity of the family. Their name is derived from Penus, the pantry, which was sacred to them. Every master of a family was the priest of the Penates of his own house. They were worshipped at the hearth and were given their part of the daily meals. They were rescued by Aeneas from burning Troy and via Lavinium and Longa brought to Rome. Upon their arrival, the Penates were housed in the Temple of Vesta, on the Forum Romanum (Penates Pvblici).Their cult is closely related to that of Vesta and the Lares.

Penates < Phen-Atis => penus < Phenus < Kianus > Wianus > Venus!

Os Penates Pvblici eram representados por dois jovens sentados e, se ao que parece os foram importados da Frígia por Tarquínio, a tradição mais comum refere que foram trazidos por Eneias da Anatólia. No entanto, estes jovens seriam os Kauroi gregos que tanto poderiam cruzar-se com os cultos de Deméter & Koré como com os Kouros Apolíneos e dos «curetas» que com os seus gritos frenéticos protegeram o nascimento de Zeus e seriam assim uma variante dos ululantes «curibantes» frígios revelando-nos o profunda relação que o culto dos mortos teria tido com o esperança na ressurreição expressa na renovação das gerações!

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Figura 5, Figura 6 e Figura 7: Este erotismo fúnebre etrusco, presente no "túmulo de Aquiles", poderia ser considerado hoje piada de mau gosto mas, nos tempos dourados da «idade de Saturno», a sexualidade era um rito de fertilidade taurina, que, enquanto função vital, era um esconjuro da morte e uma garantia de ressurreição reprodutiva!

Então não nos espantaria que exista confusão de opiniões que quando respostas no seu devido lugar fariam de Tarquínio o responsável pelos cultos matriarcais dos Manes, estes sim que teriam sido contaminados pelos cultos frígios de Cibele, enquanto os Panates teriam sido uma variante dos cultos agrários de morte e ressurreição relacionados também com o frígio Atis e com Telepinus (< Tellus + Pinus?) hitita.

É fácil de ver que o culto dos Penates era uma versão paternalista dos anteriores cultos aos Manes e por isso mesmo mais prestigiados e respeitados!

O esconjuro da morte pelo erotismo onde o homoerotismo seria mera variante abençoada pela macha deusa mãe! Na verdade, os cultos dos mortos dos latinos acabaram por perder a típica alegria desses crentes que esperavam pela ressurreição que eram etruscos de quem os romanos apenas herdaram os aspectos rituais e o lado mítico mais negativo relativo à inevitabilidade da morte.

«Macha» < Ma-isha, lit. “filha da mãe” > Maija > Maia.

Sendo assim somos quase obrigados a suspeitar que os etruscos fariam parte de uma cultura autóctone aparentada com a tradição minóica que partilharia com os Egípcios as crenças na morte e ressurreição típicas das civilizações matriarcais em transição para a ruralidade agrícola enquanto os romanos corresponderiam ao componente emigrado da Anatólia hitita que partilharia com os assirio-babilónicos o cinismo diante da morte, como reacção ao medo diante da morte, característica duma cultura, dita indo-europeia, mas que mais não seria do que uma cultura paleolítica recém chegada das zonas centro-europeias e, por isso, ainda primitiva e na fase heróica.

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Figura 8: A «joia de vivere» como esconjuro do medo de morrer, numa bela e terna cena de homoerotismo num banquete funério etrusco!

Em qualquer dos casos podemos concluir que o nascimento etimológico de Vénus andou relacionada com o muito arcaico Pan, o deus do Fogo na variante latina de Fauno, e a deusa mãe da «Terra e do Céu» de quem seria a filha querida (Vénus < *Ki-An-Ish, variante de Prosérpina, foneticamente válida para Afrodite de que Vénus era o heterónimo latino!)

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