domingo, 2 de fevereiro de 2014

OS JUDEUS DO EGIPTO E AS ORIGENS DO MONOTEISMO II por Artur Felisberto.

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Figura 1: Estátua colossal de Amenofis III no museu Britânico. A mania das grandezas deste faraó pode ter sido a causa do grande complexo de Édipo dos seus filhos que os levaram à sublimação do culto de Aton e ao aparecimento da grandiosa figura moral de Moisés.

Quem seria o estranho faraó de nome Hórus?

Se algum fundo de verdade (...ou de lógica) existisse nesta parte do relato de Maneto o rei que contemplou os deuses seria Tutmés IV que, segundo a sua estela junto à Esfinge de Gizé esfinge, uma manifestação de Hórus, devia a este trono por lhe ter aparecido em sonhos para o incitar a fazer-lhe os primeiros restauros.

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Figura 2: Reprodução da parte superior da estela de Tutmés IV aos pés da Esfinge de Gizé, descoberta a quando do recente segundo restauro. O disco solar alado aparece aqui como símbolo solar por exelência.

Como teve conflitos com os sacerdotes de Amon e usou o nome de coroação, Men-Jeperu-Ra, que significa "eternas são as manifestações de Rá" aceitar-se-ia que fosse também conhecido em privado como Hor, que era o seu protector na figura da Grande Esfinge.

 

Ver: MISTÉRIOS DA GRANDE ESFINGE DE GUIZÉ (***)

 

De resto, foi com este faraó que começou a reaparecer o culto do antigo deus solar na forma do culto do disco solar, Aten. Tinha também o nome de Dyehuty-Mose, outra forma de Tutmés, o que possivelmente vai explicar o nome do sacerdote heliopolitano que veio a ser Moisés.

A maledicência dos comentadores judeus e cristãos de Maneto chega ao rubro quando referem: “después de citar a un rey Amenofis, un personaje ficticio razón por la cual no se atrevió a definir la duración de su reinado”. Ora, a verdade é que houve pelo menos quatro Amenófis, um delos o que Freud supões ter sido o Faraó do êxodo, Amenófis IV mais conhecido por Aquenaton.

Pois, bem, por ser quase seguramente a este que Maneto se referia quando falava do êxodo é que se discorda dos autores que consideram que as referências de Maneto a Hor seriam a Amenifis IV. De resto, as listas reais desta dinastia nos autores que citam Maneto são completamente disparatadas para poder ser seguro alicerçar nelas qualquer evidência histórica.

Nas versões de Eusébio Hórus é o 8º faraó. Segundo Júlio Africano o 8º é Amenofis que seria pai de Hórus.

Segundo Júlio Africano, Hórus teria reinado cerca de 36/7 anos. Numa versão de Eusébio reinou 26 noutra reinou 36. Ora, Aquenaton reinou apenas 17 anos pelo que não poderia ter sido este. Pelo contrário, o Amenofis que segundo Josefo era fictício por não ter os anos de reinado bem definidos só pode ter sido Amenofis IV ou Aquenaton porque, por ter sido proscrito por damnatio memoriae não teria registos fidedignos da duração do seu reinado cujo terminus e circunstâncias são ainda hoje discutidos.

Como Hórus não pode ser o pai de Aquenaton que ficou bem definido como sendo Amenofis III do colosso de Memnon terá que se reportar ao 7º faraó da 18ª dinastia do A. Egipto, Amenofis II, um dos dois em falta na lista de Meneto. Obviamente que, a ser assim, este faraó está em posição invertida em relação neste terceto. Os anos do réu reinado reportados a Maneto oscilam entre um máximo abusivo de 36 em Josefo, 31 em Africano e 28 em Eusébio, estes sim próximos dos 26 que efectivamente a história moderna lhe atribui.

A razão deste nome afinal revela-se assim óbvia e sonante!

O seu nome era de facto Aajeperura Amenhotep.

Aajep-erura (Amenhotep) > (Aajep)-erura > Erua > Hórus!

O resto da listagem de Maneto referida por Josefo é confusa e imprecisa deixando-nos a fundada suspeita de que isso se deve ao facto de ter sido eliminada da Lista Real de Abidos por anátema de damnatio mamoriae lançado pelo clero amonita sobre Amnofis IV / Aquenaton.

Mesmo assim vamos tentar descobrir no que resta de Maneto o verdadeiro (?) faraó do êxodo!

É óbvio que os que seguem Josefo na busca da data do êxodo confundem a expulsão dos icsos do Delta do Nilo, que de facto terminou no início da 18ª dinastia com algo que aconteceu bastante mais tarde, já perto do fim desta dinastia. Por outro lado, desde Josefo que o racionalismo judeu tenta relacionar o Êxodo de Moisés com a expulsão dos hicsos. Esta confusão já vem dos tempos alexandrino em que Hecateus de Abdera pessava o meso.

“Once, when a pestilence had broken out in Egypt, the cause of the visitation was generally ascribed to the anger of the gods. As many strangers dwelt in Egypt, and observed different customs in religion and sacrifice, it came to pass that the hereditary worship of the gods was being given up in Egypt. The Egyptians, therefore, were of opinion that they would obtain no alleviation of the evil unless they removed the people of foreign extraction. When they were driven out, the noblest and bravest part of them, as some say, under noble and renowned leaders, Danaus and Cadmus, came to Hellas; but the great bulk of them migrated into the land, not far removed from Egypt, which is now called Judea. These emigrants were led by Moses, who was the most distinguished among them for wisdom and bravery.”

Não cabe agora falar na relação fos gregos com o Egipto mas a este respeito importe referir de passagem que também terá havido dois êxodos de população do mar Egeu a partir do Delta. Primeiro com o fim da talasocracia cretença a quando da mesma explosão de Santorini e na mesma leva em que foram expulsos os asiaticos de Avaris depois por Ramssés e os povos do mar. Na verdade muitos comentadores bíblicos colocam o Êxodo nesta altura, como foi no caso do filme “os dez mandamentos”.

Correntes modernas tendem a correlacionar os fenómenos extraordinários envolvidos no êxodo, nomeadamente as pragas do Egipto e a coluna de fogo que acompanhava dia e noite a o progresso da horda dos hebreus rumo à terra prometida, com a erupção de Santorini.

No entanto não parece que esta possa ser o Êxodo de Moisés!

De lo antes relatado podemos sacar dos conclusiones preliminares, la primera de ellas es que la erupcion del Santorini, ocurre en la epoca de la expulsion de los Hicsos de Egipto (0), si bien existe alguna pequena diferencia en las fechas de estos sucesos, estas son meramente relativas, ya que cuando hacemos referencias a hechos tan remotos como el exodo que ocurrio hace 3600 o 3500 anos, y que la reconstruccion cronologica se ha realizado muchos siglos despues, en el siglo VI e.c. por el monje Dionisio el Exiguo (Carabias Torres, 2000), las fechas de los hechos constituyen meras hipotesis y aproximaciones de la realidad, por lo que alguna diferencia entre 50, 100 anos o incluso mas, es posible y se acepta academicamente para senalar hechos tan lejanos a nuestro tiempo, de tal forma, que podemos aventurarnos a formular la hipotesis, de que la expulsion de los Hyksos en Egipto pudo coincidir con la erupcion del volcan en Santorini.

(…) Si un acontecimiento tan grande como las plagas ocurrieron, es probable que existan ademas de la Torah, algunas fuentes documentadas de tan extraordinarios hechos, hay quienes sostienen que si existen, Siro Trevisanato nos da cuenta de dos documentos que asi lo demuestran: The Admonitions of an Egyptian Sage from a Hieratic Papyrus in Leiden, mejor conocido como el Ipuwer Papyrus, y el London Medical Papyrus, (Trevisanato, 2005, pag. 20) en ambos, se narra que el Nilo ha sido rojo en algunas ocasiones de su historia.

(…) El papiro, presenta a Egipto en una epoca de caos total, Ipuwer afirma: La sangre está en todas partes…El río es sangre. Los hombres se asquean de probarla… y el fuerte deseo de agua.

(…) En el segundo papiro el London Medical Papyrus, tambien se senala que el color del Nilo cambio a rojo, pero aqui se indica que la gente estaba sufriendo de quemaduras, que bien podrian ser por el contacto con el agua o la ingesta de esta, de cualquier manera, tenemos la segunda evidencia de que el Nilo en algun momento se volvio rojo y resultaba danino para la poblacion.

(…) Otra teoria que explica el color rojo del Nilo, la constituye la introduccion de un alga roja tapizante, esta alga no solo podria darle a Nilo un color rojizo, sino ademas, agotar el oxigeno, matar los peces, hacer que los renacuajos salieran del agua buscando oxigeno y propiciar una gran cantidad de moscas por los peces muertos, lo que nos lleva a recordar otras de las famosas plagas de Egipto (National Geographic Television and, 2008).

(…) La estela de la tormenta (0), que fue encontrada en el templo de Karnak por un arqueologo frances en 1947, fue erigida por Amosis, el faraon que expulso a los Hiksos, la estela narra lo siguiente: Los dioses expresaron su descontento;… los dioses hicieron venir del cielo una tempestad de lluvia causando obscuridad;… La tormenta se desató con un rugido mayor que el de la muchedumbre, más grande que las cataratas en Elefantina;… Nadie fue capaz de encender las antorchas en ningún lugar. Su majestad dijo: ¿Cómo estos acontecimientos sobrepasan el poder del gran Dios y la voluntad de los dioses;… Todo lo que había existido ha sido aniquilado.

 

 

Júlio Africano conhecia a tese de Josefo mas parece que não lhe dar grande crédito ao referir que o Êxodo ocorreu com “Amós, en cuyo reinado Moisés salió de Egipto, según declaro aquí, aunque, según la evidencia convincente del cálculo presente, debe creerse que durante este reinado Moisés era todavía joven”.

10º Faraó da 18ª dinastia do A. Egipto: Akenatón, Neferjeperura Amenhotep, Neferjeperura Ajenatón o Amenhotep IV

Hijo del anterior, se coronó como Amenofis IV pero cambió su nombre durante el cuarto año de reinado. Su reinado es único por ejecutar por primera vez en la historia de la civilización humana una reforma religiosa en torno a Atón y suprimir en mayor o menor grado el resto de credos, en especial el del dios Amón. Cambió la capital de Tebas a Ajetatón, fundada por él mismo, e ignoró las amenazas exteriores. En sus 17 años de reinado se deterioró sensiblemente el imperio exterior egipcio y todas las posesiones sirias se perdieron debido a las conquistas hititas. – Wikipedia.

Não se compreende a razão pela qual os eruditos passam ao lado do relato de Maneto ignorando que os 16 anos de reinado de Akenkerres correspondem aos 17 que realmente Aquenaton reinou.

Em Sincelo “Kenkeres reinó 16 años. En esta época Moisés sacó a los judíos de Egipto67.”

Na versão Arménia de Eusébio “Akenkerres [reinó] 16 años. En su tiempo, Moisés se convirtió en el caudillo de los hebreos en su Éxodo de Egipto.”

Kenkeres < | Aken- (Nefer)- | jeperura > Xewrur> Xeurre > kerres |

ó Aken + Aton > Aquenaton.

Obviamente que se suspeita que Maneto, apesar da censura religiosa que se abateu sobre este faraó herético, sabia relativamente bem o que se tinha passado neste reinado quiçá porque em data posterior os sacerdotes egípcios foram vasculhar os arquivos secretos do passado para rebaterem as teses dos judeus regressados da babilónia que começariam a parecer-lhes insuportáveis.

(229) Después, abusando de su licencia, quiere aparecer recogiendo todos los rumores y las fábulas que circulaban en el exterior acerca de los judíos, e inserta hechos increíbles, intentando mezclarnos con la multitud de egipcios leprosos y afectados por otras enfermedades que fueron obligados, según dice, a escapar de Egipto.   FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

105. En cuanto a las añadiduras que ha hecho Manetón, partiendo no de los registros egipcios, sino, como él mismo admitió, de relatos anónimos y legendarios, más adelante las refutaré detalladamente, y mostraré la improbabilidad de sus mentirosas historias. Manetón: Historia de Egipto Traducción, introducción y notas de César Vidal Manzanares

Assim, acreditando-se que os registos seriam escassos devidos a damnatio memoriae existiriam no entanto lendas orais que Maneto passou a história com algum exagero e maior romance precisamente no nome oficial deste faraó, Amenofis IV...a menos que a situação seja muito mas mesmo muito mais extraordinária e o verdadeiro faraó do êxodo tenha sido o grande Amenofis III como adiante se verá!

232. Así que, después de admitir que habían pasado tantísimos años desde que nuestros padres abandonaron Egipto, Manetón interpola ahora a este supuesto Amenofis. Este rey, señala, concibió el deseo de contemplar a los dioses, como Hor, uno de sus predecesores en el trono, había hecho; y comunicó su deseo a su tocayo Amenofis, el hijo de Paapi, el cual, en virtud de su sabiduría y conocimiento del futuro, era considerado partícipe de la naturaleza divina. -- Manetón: Historia de Egipto Traducción, introducción y notas de César Vidal Manzanares

Em princípio nada obsta a que o Éxodo de Israel bajo Moisés tenha ocorrido no reinado do rei herético, Aquenaton e desta vez por razões mais cruéis e vergonhosas. Aquenaton, além de ser um tarado no sentido literal e hereditário do termo (Síndrome de Marfan e/ou lipodistrofia) por causa das procriações consanguíneas da dinastia que seguia a tradição matriarcal da legitimidade hereditária, como todos os fanáticos maníaco depressivos com delírios de profetismo religioso era notoriamente ambivalente...e não olharia a meios para atingir os seus fins alucinados.

Toda a sua ira contra o clero de Amon terá sido um trauma de infância por ter sido precocemente afastado dos majestosos cerimoniais deste deus devido à sua frágil saúde congénita.

Was Akhenaten the Egyptian Moses? Was the Biblical image of Moses a mnemonic transformation of the forgotten pharaoh? Only "science fiction" can answer these questions by a simple "yes." But mnemohistory is able to show that the connection between Egyptian and Biblical monotheism, or between an Egyptian counter-religion and the Biblical aversion to Egypt, has a certain foundation in history; the identification of Moses with a dislocated memory of Akhenaten had already been made in antiquity. Therefore, let me begin this history of religious antagonism at the very beginning, with King Amenophis IV, who ruled Egypt for about seventeen years in the middle of the fourteenth century B.C.E. -- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

De resto, que outro Faraó poderia ter familiaridades com subalternos e estrangeiros senão Akineton, para conseguir seguidores para a nova fé?

A foreign upbringing for Akhenaten could explain so much that is unusual about him. Immigrants from the Levant, or “Asiatics”, were numerous and well integrated into Egyptian society at this time. A foreign birth could explain Akhenaten‟s unusual physical appearance, his unusual cultural behaviors, his unusual taste in art, the unusual prominence of his chariot use, the unusual importance of his wife‟s role, his unusual religion, the backlash against foreigners that followed, and, the oral legends that tell of foreign rule during this period. --  Joseph and Akhenaten: The Case for Reinterpreting Amarna By Joseph Sniderman

Eknatón ganó discípulos para la nueva fe. En las tumbas de El-Amarna, unas inscripciones nos cuentan cómo el rey discutía problemas religiosos con sus amigos.

"Desde la mañana comenzaba a instruirme", dicen algunos grandes del reino. Eknatón se rodeó de algunos amigos de origen campesino, y se decía de él que "a los humildes los convertía en príncipes". Eknatón concedía importancia, no al origen, sino al valor que mostraban para "la doctrina"; así es como las inscripciones funerarias de El-Amarna llamaban al nuevo dogma, y los funcionarios que obedecían "la doctrina" se veían recompensados con toda clase de favores.

¿Qué pensar de la sinceridad de estas conversiones? Algo parece indicar una de las paredes de las tumbas, donde figura el propietario del lugar inclinado ante Eknatón ofreciéndole ricos presentes, tales como collares y aderezos de oro. -- HISTORIA UNIVERSAL, CARL GRIMBERG TOMO I - EL ALBA DE LA CIVILIZACIÓN El despertar de los pueblos.

A figura seguinte é referida por Carl Grimberg como relacionada com dois grupos de adoradores de Aton.

Ora, enquanto em posição superior se encontram indubitavelmente nove egípcios, em posição inferior, ajoelhados e ligeiramente curvados, encontra-se um grupo de cinco semitas com o perfil que habitualmente corresponde ao dos judeus na iconografia egípcia. Se existiu um grupo de judeus entre os adoradores de Aton, este e os fiéis mais fanáticos deste culto tiveram que fugir quando a cidade de El-Amarna foi destruída. Para onde e liderados por quem? Pelo menos no início, este grupo de fugitivos foi liderado por Moisés.

The tomb also makes it clear that Aper-el served as a high priest to Aten before becoming a chief minister. Similar names to Aper-el are known to have existed in Egypt at this period of history, but never in the case of high officials.

The "Aper" corresponds to the Egyptian word for "Hebrew," which meant to ancient Egyptians a nomad, working for the state at heavy manual labor, and the final "el" is the short form of "Elohim," one of the words used in the Bible as the name of the Lord. The tomb of Aper-el is the first evidence we have of a link between a Pharaoh and someone of Hebrew stock living in Egypt during his reign. Furthermore, Queen Tiye's association with her husband in donating a box to the funerary furniture of Aper-el indicates the possibility that the chief minister was a relation, most probably through her Israelite father, Yuya (Joseph).

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Figura 3: Grupos de adoradores de Aten.

Ora bem, o facto de o papel dos judeus na história ser controverso por força do seu estranho, orgulhoso e fanático monoteísta não invalida que tudo possa ser posto em causa na tradição bíblica judaica. Por muito que de mítico ande à volta da figura de Moisés não seria sensato decidir que só é valida a tradição contemporânea quando escrita. É certo que a tradição bíblica só terá começado a passar para letra de forma nos tempos áureos do lendário Salomão ou seja cerca do ano 1000 AC e portanto cerca de 300 anos depois do êxodo[1] de Moisés que, na sua qualidade de general fiel ao herético Faraó, terá caído em desgraça quando tentou vingar a morte dum judeu como ele adorador de Aton! Depois, e uma vez em terras bem conhecidas dos habirus (nómadas) do grupo, a sorte de Moisés pode ter sido a referida antes.

(232) Reconoce que nuestros antepasados salieron de Egipto antes de este período, luego supone al tal rey Amenofis; dice que éste anhelaba poder contemplar a los dioses, como lo había hecho Oro, uno de sus predecesores y que comunicó este su deseo a un hijo de un tal Paapis, que también se llamaba Amenofis y que, a su parecer, participaba de la naturaleza divina, a causa de su sabiduría y conocimiento de lo futuro. (233) Y éste habría dicho al rey, que podría contemplar a los dioses, si limpiaba al país de los leprosos y de todos los impuros. (234) El rey, muy satisfecho con esto, afirma que congregó a todos los afectados por alguna enfermedad corporal que se encontraban en Egipto; se reunió una multitud de ochenta mil. (235) Los envió a las canteras, a la parte oriental del Nilo, para que trabajaran igual que los otros egipcios enviados allí. Dice que entre ellos habla algunos sacerdotes eruditos enfermos de lepra. (236) Pero aquel sabio y mago Amenofis temió concitar la ira de los dioses contra él y el rey, si pareciera que se les hubiese hecho violencia. (…).

Maneto pode estar a dizer muitos disparates mas é estranho que diga algumas coisas intrigantes. Quando fala no sábio Papias como sendo também Amenofis corre o risco de estar a falar de Amenotep, filho de Hapu, o «chato» (chaty) primeiro ministro de Amenofis III...e por isso deturpado em Maneto para Papias, que foi divinizado depois de morto e por isso era santo e “participaba de la naturaleza divina”.

Sería lógico pensar que Amenhotep, hijo de Hapu, murió a consecuencias de la edad, pero un mito de épocas posteriores, recogido por autores latinos, así como las turbulencias que comenzaban a surgir en la próspera y poderosa alta sociedad egipcia, parecen indicar que fue asesinado o incluso obligado a suicidarse. De ser así, ¿quién pudo ser el responsable? Los más serios candidatos serían el futuro Ajenatón, su madre Tiy o cualquiera de sus seguidores. (Amenhotep, hijo de Hapu, era un fiel devoto de Amón, cosa que nunca ocultó.) - Wikipedia.

Sendo assim, a possibilidade de estarmos na pista certa, a respeito do significado do relato de Maneto, desloca o Exodo para o final do reinado do pai de Aquenaton.

De facto, não é possível evitar a suspeita de que esta intolerância se tenha agravando com o tempo constituindo-se o monoteísmo judeu numa espécie de imagem de marca de racismo moral em torno do qual se reuniam os derradeiros elementos da casta aristocrática dos judeus, resistentes e nacionalistas, liderados pelos principais interessados no monoteísmo e que eram os que restavam da casta levítica. De facto, o judaísmo do tempo de Cristo era já uma dádiva de Ciro porque, das doze tribos do êxodo já só restava, neste campeonato pelo triunfo do monoteísmo, parte da tribo de Judá. Como os livros sagrado da Bíblia foram fixados precisamente nesta altura em que até já Ciro da Pérsia era monoteísta é bem possível que os judeus se tenham sentido na obrigação de o serem também ou, pelo menos, de uma forma renovada e nunca antes tão fanática! Nunca saberemos ao certo qual o verdadeiro grau de pureza do monoteísta do judaísmo da época se Salomão que na Bíblia e referido como sempre periclitante.

Sabemos que a bíblia descreve uma luta constante pelo monoteísmo sendo constantes os pecados de idolatria cometidos tanto pelo povo como pela classe dirigente na sequência dos quais o estado de Israel acaba por ser severamente castigado com desgraças político-militares apesar de tudo mais naturais e dentro do habitual para a época do que o profetizado pelos zeladores da tradição. A Bíblia é uma antologia de textos de cultura sacerdotal pelo que, parciais e tendenciosos. O pecado mais habitual dos detentores da verdade é o da mentira piedosa e o do fanatismo moralmente edificante!

A grande maioria dos comentadores que procuram os traços da tradição do Êxodo apoia apenas nas lendas bíblicas ignorando as referência de Maneto que nos assuntos dos faraós seria mais avisado que Josefo ou mesmo dos que os redactores bíblicos. A postura mais interessante seria a de supor que ambos os lados da contenda têm tanto de verdade como de mentira e que os factos seriam a resultante da compatibilização possível entre ambas as fontes.

Nos relatos bíblicos pelo menos dois faraós estão envolvidos de forma anónima: o "faraó da opressão", que supostamente escravizou os israelitas, e o "faraó do êxodo" que teria impedido a sua saída, que os perseguiu e que morreu afogado no Nilo com o seu exército. Num relato tão importante para o mito fundador do povo eleito, o facto de estes faraós não terem nome bíblico deveria ter sido considerado desde muto cedo como suspeito de conter muito de fabuloso e fantasiado.

The pharaoh of the exodus is not named. This is a point of frustration for the historian, but for the task of mnemohistory it is a potentially fruitful sign of selective memory. Why should the name of Pharaoh be a blank, with no surrogate name inserted in its place? This may be a case of inadvertent forgetting with no guiding motive, just as one effortlessly forgets the names of past presidents or prime ministers. Or it could be a sign of the stock function of this figure, as in the nameless pharaoh who takes Sarah into his harem (Gen 12:15-20) or the pharaoh who exalts Joseph (Gen 41).12 But, in the exodus, the blank of Pharaoh s identity may also function as a strategic feature of the tradition, providing a movable boundary of inclusion for those who share this memory. -- Hendel: The Exodus in Biblical Memory

Por isso, procurar apenas sugestões a respeito dos faraós que possam justificar todos os factos bíblicos acaba por ser uma tarefa impossível como todas as que procuram justificar racionalmente a mitologia. Assim importa pouco comentar os argumentos a favor e contra os candidatos propostos por diversos comentadores porque nenhum acerta na maioria das premissas bíblicas pela simples razão de que isso seria impossível. Como já se referiu noutro ponto, os aspectos miraculosos das pragas e da travessia do mar vermelho são mitologias relacionadas com os factos reais da explosão de Santorini e com a sua contemporaneidade com a expulsão dos hicsos adiante comentada. Uma vez tomado ponto assente nesta parte da questão temos que nos voltar para a versão Egípcia que sendo apresentada por um historiador helenista bem informado da história conhecida dos faraós não só sabia o nome deles Amenofis (III & IV) como relata factos estranhos compatíveis com parte da mitologia bíblica. Assim, o faraó da opressão é facilmente coincidente com a megalomania construtora de Amenofis III se repararmos que o templo de Amon em Tebas foi largamente beneficiados por este faraó. Marcas da presença de judeus nessas obras faraónicas ficaram registadas em murais dessa época.

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Figura 4: Escravos (operários?) sírios (semitas) num canteiro do templo de Amon que por serem ali mais ou menos maltratados como escravos se terão espontaneamente no tempo de Amenofis III se terão oportunisticamente convertidos ao culto de Aton, quanto mais não fora para terem trabalho nos canteiros da nova cidade de Achetaton.

Na verdade, os judeus não seriam senão operários indiferenciados da construção civil que foral elevados ao estatuto de escravos pela memória fantasiosa dos redactores bíblicos.

 “Después de estar mucho tiempo trabajando en las canteras, pidieron al rey que les diera para su descanso y seguridad una ciudad. Les otorgó la ciudad de Avaris, que había sido abandonada por los pastores. Esta ciudad, según la antigua teología, era la de Tifón. (238) Una vez en la misma, consideraron que el lugar era adecuado para revueltas; nombraron jefe a Osarsif, uno de los pontífices heliopolitanos y juraron que lo obedecerían en todo.

(239) Este les puso como primera ley que no adoraran a los dioses, y que no se abstuvieran de aquellos animales que entre los egipcios eran considerados especialmente sagrados, sino que mataran y consumieran animales de toda clase; además que no tuvieran relación sexual con nadie que no fuera de su misma secta. FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

Tácito consideraba, Hist., V, 4, que los judíos de la época de Moisés sacrificaban carneros y bueyes por el deseo de escarnecer a Amón y al buey Apis respectivamente. -- -- Manetón: Historia de Egipto Traducción, introducción y notas de César Vidal Manzanares

A obra de Maneto perdeu-se pelo que se terá de aceitar que o relato de Flábio Josefo de Maneto descreve mal a história do Egipto dos tempos do êxodo e não seria necessário Josefo afirma-lo tendenciosamente [2]porque sabemos hoje que estes acontecimentos ocorreram no período maldito de Aquenaton que os sacerdotes de Amon apagaram da história depois da sua morte tendo apenas sobrevivido em alguma lendas que Maneto contou como as ouviu, em nada diferentes das que os judeus tem no seu Talmud.

Claro que é impossível resistir à tentação de ver neste Osarsif de Maneton o faraó Akenaton mas, se algum fundo de verdade têm estas lendas, repito, algum fundo remoto de verdade, este faraó não pode ser Akenáton porque não poderia ter lutado contra nenhum faraó com o seu próprio nome Amenofis. Também sabemos que este nunca lutou contra seu pai! Assim, das duas, uma: ou Maneto usa o remanescente da memória do faraó herético para construir sobre ele o perfil ignominioso para os Egípcios de Moisés ou, na mais estranha das hipóteses, este faraó era precisamente o irmão de Akenáton que como este teria sido muito antes um atonista fanático pelo menos ao pondo de se ter revoltado contra o pai com este pretexto para chegar a um poder que a longa longevidade de Amenofis III lhe vedava. A razão pela qual Maneto não o refere como filho do faraó é óbvia! Nenhum registo teria ousado admitir tal coisa depois da terrível damnatio memoriae que tanto o pai como os faraós posteriores, contrários à tradição atonista, lançaram contra este faraó que além do mais seria traidor por ter chamado estrangeiros em seu socorro!

Estes acontecimentos não teria acontecido deste modo em vida de Amenofis III porque a história antiga do Egipto o teria registado e ou a arqueologia o teria descoberto no arquivo de Amarna, por exemplo, que cobre um período de cerca de 30 anos deste reinado e porque a ousadia teria saído cara a quem tivesse vindo em auxílio de um Moisés conspirador porque o Egipto era a maior superpotência da altura e Horemheb, que já era general deste faraó teria tido rédea solta para impor uma pesada derrota aos revoltosos.

O que terá acontecido terá sido mais modesto. Por altura das grandiosas obras no templo de Amon a mando de Aemnofis III, o herdeiro do trono, o príncipe Tutmés, sumo sacerdote de Heliópolis e já atenista, ter-se-á revoltado contra a situação, quiçá usando as ardilosas técnicas de intriga palaciana, provocando desordens entre estes operários hebreus.

O relato de Maneto deve ter confundido a liderança desta revolta operária do “príncipe Tutmés”, de que ficou eco nas leis sabáticas como se refere noutros capítulos deste trabalho, com as leis mosaicas que parecem ser a cópia em versão hebraica das decisões heréticas de Aquenaton. Como Maneto não tinha informações suficientes para separar as águas pantanosas desta época obscura da história Egípcia, acabou por confundir os acontecimentos muito próximos dos dois irmãos que deste modo tomaram o nome de Osarsif que, como o nome Busiris de relatos míticos gregos e Bocoris de relatos judaicos, têm ressonâncias com Osíris, o nome mítico egípcio por excelência.

Osarsiph < Osar-sepho < Auserre-Apopi ó Apofis.

Artapanus of Alexandria (c. 200 BCE), a Hellenistic Jewish historian: Moses was the master of Orpheus. As an adult, he transmitted to people much useful knowledge (...) he confided the sacred letters to the priests, and there were also cats, dogs, ibis (...) This is why Moses was loved by crowds, and the priests, who considered him worthy of divine honors, called him Hermes, since he interpreted the sacred letters (Preparatio evangelical IX:27).

De seguida Maneto volta a confundir factos coevos mas não coetâneos como seria o caso dos acontecimentos relativos Abdi-Heba relativas às movimentações dos hapiru (hebreus) em Jerusalém na época de Amarna.

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Abdi-Heba (Abdi-Kheba, Abdi-Hepat, or Abdi-Hebat) was a local chieftain of Jerusalem during the Amarna period (mid-1330s BC). Abdi-Heba's name can be translated as "servant of Hebat", a Hurrian goddess. (…)

During Abdi-Heba's reign the region was under attack from marauding bands of Apiru. Abdi-Heba made frequent pleas to the Pharaoh of Egypt (probably Amenhotep III), for an army or, at least, an officer to command.[5] Abdi-Heba also made other requests for military aid in fighting off his enemies, both Canaanite warlords and bands of Apiru. (…)

As a result, conspiracy charges are made against Abdi Heba, who defended himself strenuously in his correspondence with Pharaoh.

In later years Abdi-Heba appears to have reconciled with the Apiru, or at least certain bands of them, and hired mercenaries from among their ranks. Indeed, though he earlier complained about the depredations of Labaya, Shuwardata, king of the Canaanite town of Keilah as well as other places in the Judean highlands, refers to him as a "new Labaya". -- Wikipedia

O príncipe Tutmés terá pedido ajuda aos asiáticos hititas (e não aos hicos, para invadir o Egipto) mas possivelmente mais tarde, depois da morte de Amenofis III e no reinado de seu irmão Aquenaton, o que pode explicar a estranha passividade deste faraó herético perante a invasão da Síria pelos hititas.

Mas a verdade é que os hititas nunca chegaram a passar da Síria pelo que o relato da fuga de Amenófis para a Etiópia seria o eco lendário da cobardia herética de Amenófis IV.

Osarsif, habiendo tomado consigo otros sacerdotes y algunos de los manchados, envió legados a los pastores que, habiendo sido expulsados por Tutmosis, se retiraron a la ciudad denominada Jerusalén. Después de exponer la manera ignominiosa como los habían tratado, les pidió que emprendieran una expedición a Egipto. (242) Les prometió que primeramente los llevaría a su antigua patria Avaris y les proporcionaría en abundancia todo lo necesario, y cuando fuera necesario pelearían con ellos; y que podrían someter fácilmente al país. FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

Em resultado desta insubordinação Aemnofis III deve ter enviado o príncipe Tutmés como vice-rei do reino da Núbia o que é muito mais adequado para um herdeiro faraónico do que uma fuga ignóbil para o deserto madianita.

O mais estranho deste relato é que ele tem um contraponto nos registos judeus talmúdicos mas agora é Moisés que foge do faraó do Egipto para a Etiópia.

One of the soldiers who fought on the side of the king, according to the Talmud story, was Moses, who, after fleeing from Egypt, had made his way not to Midian in Sinai, as the Old Testament says, but to Ethiopia. He became a great favourite with the Ethiopian ruler and his companions with the result that, when the king died, this inner circle appointed Moses as their new king and leader. Moses, who, according to the Talmud, was made king `in the hundred and fifty-seventh year after Israel went down into Egypt', inspired the army with his courage and the city eventually fell to him. The account goes on: `... Bi'lam escaped and fled back to Egypt, becoming one of the magicians mentioned in the Scriptures. And the Ethiopians placed Moses upon their throne and set the crown of State upon his head, and they gave him the widow of their king for a wife.'

Moses reigned `in justice and righteousness. But the Queen of Ethiopia, Adonith [Aten-it in Egyptian], who wished her own son by the dead king to rule, said to the people: "Why should this stranger continue to rule over you?" The people, however, would not vex Moses, whom they loved, by such a proposition; but Moses resigned voluntarily the power which they had given him and departed from their land. And the people of Ethiopia made him many rich presents, and dismissed him with great honours.' -- Chapter 2 WAS MOSES A KING? -- Moses and Akhenaten by Ahmed Osman

Como conciliar estes dois factos estranhos, desconcertantes e mutuamente exclusivos? Se tivesse havido uma campanha de Amenofis III à Etiópia seria mais fácil entender estas lendas aparentemente contraditórias como sendo uma expedição do pai e do filho herdeiro Tutmés que teria acabado por ficar ali por algum tempo como vice-rei acabando por vir a ser expulso pelos etíopes e até se poderia então especular que teria sido durante esta campanha que o príncipe Tutmés teria contraído a lepra. Sabemos de uma campanha deste faraó à Núbia no seu 4 ano de reinado. Como ainda era uma criança de 12 anos quando subiu ao trono é quase impossível que aos 14 já tivesse um herdeiro capaz de o seguir em campanhas militares. Mas a história nem tudo regista e neste caso da história antiga do Egipto só podemos afirmar como certo o que esta escreveu e não se perdeu mas não podendo excluir liminarmente como não existente o que esta não registou.

Le cœur du pays de Kouch se situe selon l'Ancien Testament au Sud de la Haute-Égypte et s'étendrait jusqu'au nord de la Nubie. Certains des peuples de la Corne de l'Afrique, les Afar, les Somali, les Oromo, seraient selon la tradition populaire les descendants de Koush. Le prophète Jérémie (Jr. 13:23) tient pour une évidence que les Kouchites ont une couleur de peau différente des Juifs d'Israël. La Septante traduisit uniformément Koush et Éthiopie. Wikipédia.

Aceitando que é possível que Amneofis III realizou mais tarde uma expedição a Cush com o filho primogénito Tutmés que não ficou registada ou que enviou este sozinho a qual também não foi registada por não ser prestigiante para o orgulhoso monarca megalómano das colossais estátuas de Memnon é plausível que as duas lendas se reportem ao início da rebelião do filho contra o pai que acabou por transformar o herdeiro de Amneofis III em Moisés.

(243) Ellos se alegraron sobremanera y muy gozosos, en número de doscientos mil, salieron y poco después llegaban a Avaris. Amenofis rey de los egipcios, así que oyó hablar de la invasión, se sintió muy desanimado, porque recordó lo que había predicho Amenofis hijo de Paapis. (244) Primeramente congregó al pueblo y celebró asamblea con sus príncipes, y se hizo traer los animales sagrados, especialmente aquellos que se adoraban en los templos; ordenó a cada uno de los sacerdotes que ocultaran bien los simulacros de los dioses. (245) Procuró que se trasladara a casa de un amigo a su hijo Setón, de cinco años de edad, que se llamaba Rameses por su abuelo Rampsés. Él salió con los demás egipcios, en número de trescientos mil guerreros ejercitados; sin embargo, al encontrarse con los enemigos no luchó. Pensando que lucharía contra los dioses, (246) retrocedió y se dirigió a Menfis. Habiendo tomado consigo a Apis y a los demás animales sagrados que hizo conducir a su lado, se trasladó a Etiopía con todo el ejército y la multitud de egipcios. El rey de los etíopes le estaba obligado por un gran número de beneficios. (247) Lo recibió y ordenó a todo el pueblo que le entregara lo necesario para el sostén de aquellos hombres, así como también ordenó que se le entregaran las ciudades y pueblos que fueran necesarios hasta que pasara la fatalidad de aquellos trece años. Ordenó también al ejército etíope que custodiara a Amenofis y a sus soldados instalando un campamento en los límites con Egipto. (248) Estas son las cosas que acontecieron en Etiopía.FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

O que Maneto escreveu de 243 a 246 é seguramente uma inversão lendária dos acontecimentos durante o reinado do herético de Aquenaton possivelmente confundidos com relatos do sumo sacerdote de Amon ou parafraseando a ordem que Aquenaton deus de mandar enterrar a estátua do boi Mnevis de Heliópolis. De mesmo modo quando diz que Amenófis, “pensando que lucharía contra los dioses, retrocedió y se dirigió a Menfis” estará a contar coisas tão lendárias que nunca ocorreram confundidas com o eco de outras que podem ter ocorrido, sabe-se lá muito bem como, nos tempos obscuros dos reis heréticos. De facto, o grande defeito desta tese é o de não ser apoiado pelo registo bíblico oficial. No entanto, não há razões históricas para dar mais crédito aos escritos oficiais teocráticos dos sacerdotes do que às lendas talmúdicas porque o fundo míticos de ambos é igual.

Como sabemos, a pesquisa bíblica crítica supõe que o Hexateuco teve duas fontes documentárias. Elas são distinguidas como J e E, porque uma delas utiliza ‘Javé’ como nome de Deus e a outra, ‘Eloim’; ‘Eloim’, é verdade, não ‘Adonai’. Mas podemos manter em mente a observação feita por uma de nossas autoridades: ‘Os nomes diferentes constituem clara indicação de dois deuses originalmente diferentes’. -- Dr. Sigmund Freud, MOISÉS E O MONOTEÍSMO TRÊS ENSAIOS.

A aceitação de que Moisés passou parte da sua vida anterior ao decreto da lei mosaica no Sinai na Etiópia e não no oásis medianita é quase de aceitação obrigatória quando damos conta da impossibilidade de haver dois Moisés ao mesmo tempo e no mesmo lugar como os estudiosos parecem deduzir das contradições doutrinárias existentes nos livros da tora.

Esses historiadores modernos, dos quais podemos tomar Eduard Meyer (1906) como representante, concordam com a história bíblica num ponto decisivo. Também eles acham que as tribos judaicas, que mais tarde se desenvolveram no povo de Israel, adquiriram uma nova religião num determinado ponto do tempo. Contudo, segundo eles isso não se realizou no Egito ou ao sopé de um montanha na Península de Sinai, mas numa certa localidade conhecida como Meribá-Cades, um oásis distinguido por sua riqueza em fontes e poços, na extensão de terra ao sul da Palestina, entre a saída oriental da Península de Sinai e a fronteira ocidental da Arábia. Aí eles assumiram a adoração de um deus Iavé ou Javé, provavelmente da tribo árabe vizinha dos madianitas. Parece provável que outras tribos da vizinhança também fossem seguidoras desse deus.

Javé era, indiscutivelmente, um deus vulcânico. Ora, como é bem sabido, o Egito não possui vulcões e as montanhas da Península de Sinai nunca foram vulcânicas; por outro lado, existem vulcões que podem ter sido ativos, até tempos recentes, ao longo da fronteira ocidental da Arábia. Assim, uma dessas montanhas deve ter sido Sinai-Horeb, considerado a morada de Javé. (...)

Meyer também aponta que todos os temas incluídos na história da juventude de Moisés foram, sem exceção, abandonados mais tarde: ‘Moisés em Madiã não é mais um egípcio e neto do faraó, mas um pastor a quem Javé se revelou. No relato das pragas, não se fala mais em suas vinculações anteriores, embora um uso eficaz pudesse facilmente ter sido feito delas, e a ordem de matar os filhos [recém-nascidos] dos israelitas, fosse completamente esquecida. No Êxodo e na destruição dos egípcios, Moisés não desempenha papel algum; sequer é mencionado. O caráter heróico que a lenda de sua infância pressupõe está totalmente ausente do Moisés posterior; ele é apenas o homem de Deus, um taumaturgo equipado por Javé com poderes sobrenaturais.

Não podemos discutir a impressão de que esse Moisés de Cades e Madiã, a quem a tradição podia realmente atribuir o erguimento de uma serpente de metal como um deus da cura, é alguém inteiramente diferente do aristocrático egípcio por nós inferido, que apresentou ao povo uma religião em que toda a magia e todos os encantamentos eram proscritos nos termos mais estritos. Nosso Moisés egípcio não é menos diferente, talvez, do Moisés madianita do que o deus universal Aten o é do demônio Javé em sua morada no Monte de Deus. E se tivermos alguma fé nos pronunciamentos dos historiadores recentes, teremos de admitir que o fio que tentamos tecer a partir de nossa hipótese de que Moisés era egípcio rompeu-se pela segunda vez. E dessa vez, parece, sem esperança de remendo. (...)

Descobriu no profeta Oséias (segunda metade do século VIII a.C.) sinais inequívocos de uma tradição segundo a qual Moisés, o fundador da religião dos judeus, encontrou um final violento num levante de seu povo refratário e obstinado, ao mesmo tempo que a religião por ele introduzida era repudiada. Essa tradição, contudo, não se restringe a Oséias; reaparece na maioria dos profetas posteriores, e, na verdade, segundo Sellin, tornou-se a base de todas as expectativas messiânicas mais tardias. (...)

Um dos maiores enigmas da pré-história judaica é o da origem dos levitas. Eles são remontados a uma das doze tribos de Israel - a de Levi -, mas nenhuma tradição aventurou-se a dizer onde essa tribo estava originalmente localizada, ou qual a parte da terra conquistada de Canaã que lhe foi atribuída Os levitas preenchiam os ofícios sacerdotais mais importantes, mas eram distintos dos sacerdotes. Um levita não é necessariamente um sacerdote; tampouco é o nome de uma casta. Nossa hipótese sobre a figura de Moisés sugere uma explicação. É inacreditável que um grande senhor, como Moisés, o egípcio, se tivesse reunido desacompanhado a esse povo estranho. Sem dúvida, deve ter trazido com ele um séquito - seus seguidores mais chegados, escribas, criados domésticos. Estes é que foram originalmente os levitas. A tradição que alega que Moisés foi um levita parece ser uma deformação clara do seguinte fato: levitas eram os seguidores de Moisés. (...)

Trouxemos à baila a retenção da circuncisão como prova do fato de que fundação da religião em Cades envolvia uma conciliação. Podemos perceber sua natureza a partir dos relatos concordantes fornecidos por J e E, que assim retornam, nesse ponto, a uma fonte comum (uma tradição documentária ou oral). Seu intuito principal era demonstrar a grandeza e o poder do novo deus Javé. Como os seguidores de Moisés davam tanto valor à sua experiência do Êxodo do Egito, esse ato de libertação tinha de ser representado como devido a Javé, e forneceram-se ao evento aperfeiçoamentos que davam prova da terrificante grandeza do deus vulcânico, tais como a coluna de fumaça [nuvem] que se transformava à noite numa coluna de fogo e a tempestade que pôs a nu o leito do mar por algum tempo, de maneira que os perseguidores foram afogados pelas águas que retornavam., Esse relato aproximou o Êxodo e a fundação da religião e renegou o longo intervalo ocorrido entre um e outro. -- Dr. Sigmund Freud, MOISÉS E O MONOTEÍSMO TRÊS ENSAIOS.

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Figura 5: Amosis derrotando os icsos.

Como para a Psicanálise (Freud), os sintomas são “formações de compromisso” poderia inferir-se como corolário que os compromissos que as ambivalências contraditórias da mítica fundadora do judaísmo comportam são um tremendo sintoma da neurose monumental do monoteísta judaico-cristão onde os tabus alimentares e sexuais seriam a expressão das forças libidinais reprimidas. Mas como não se trata aqui e agora de fazer a psicanálise do monoteísmo que o tempo e a história se têm encarregue de fazer aponta-se neste momento sobretudo a força dos sintomas de compromisso da mitologia fundadora do judaísmo. Então, somos levados não só a confirmar os sintomas de possessão demoníacos que Freud detectou na tora como a ir mais longe afirmando que “a coluna de fumaça [nuvem] que se transformava à noite numa coluna de fogo e a tempestade que pôs a nu o leito do mar por algum tempo” nem precisam de ser uma concessão ao demónio vulcânico de Javé madianita porque sido trazidas do Egipto mas não por Moisés, que como Freud demonstrou nunca teria visto um vulcão, mas pelo faraó deposto da última dinastia dos hicsos expulsa por Amosis por altura da expulsão do Vulcão de Santorini que produziu “a coluna de fumaça” durante os meses que antecederam a sua explosão final e a submersão real e parcial da ilha de Tera e total e fictícia da Atlêntida e sobretudo o maremoto e “a tempestade que pôs a nu o leito do mar por algum tempo”.

Na verdade a maioria dos autores helenistas não judeus passam ao lado da vida de Moisés anterior à sua liderança.

Freud fez um tremendo esforço especulativo histórico para supor que Getro teria trazido a tradição vulcânica javeísta da Arábia quando na verdade ela é de origem mediterrânica onde dava origem aos cultos dos deuses jupiterianos que tiveram no Teshub hitita o mais expressivo expoente. Como é óbvio Freud não conseguiu fazer aqui a diferença entre o remanescente cultural dos hicos que nem era o politeísmo zoolátra dos egípcios nem o atenismo ímpio do culto solar imperialista iniciado por Thutmose IV que “fue el primero de los reyes que comenzó a alejarse perceptiblemente de los todopoderosos sacerdotes de Amón, estableciendo como alternativa el culto solar”.

Porém, por mais aclimatados os hicsos estivessem ao estilo de vida faraónico mantiveram alguns cultos semitas asiáticos confirmados pela acusação posterior de que tinham preferência pelo culto de Sete ou pelo menos tê-los-ão retomado depois da expulsão ao regressarem a Jerusalém onde encontram os cultos fenícios.

In the Ramesside era, he is recorded as worshiping Seth in a monolatric way: "[He] chose for his Lord the god Seth. He didn't worship any other deity in the whole land except Seth."

E mais uma vez a preferência pelo elohim Javé não terá necessariamente decorrido de uma influência árabe mas do contacto que os hicos tiveram com os cultos egeus que nunca teriam abandonado o Delta.

At Avaris (modern Tall ad-Dab'a) in the northeastern delta, they built their capital with a fortified camp over the remains of a Middle Kingdom town that they had seized. Excavations since the 1960s have revealed a Canaanite-style temple, Palestinian-type burials, including horse burials, Palestinian types of pottery, and quantities of their superior weapons. Their chief deity was the Egyptian storm and desert god, Seth, whom they identified with an Asiatic storm god. (…)At least superficially they were Egyptianized, and they did not interfere with Egyptian culture beyond the political sphere. -- http://history-world.org/hyksos.htm

Khyan is one of the better attested king's from the Hyksos period, known from many seals and seal impressions. Remarkable are objects with his name found at Knossos and Hattusha indicating diplomatic contacts with Crete and the Hittites. A sphinx with his name was bought on the art market at Bagdad and might demonstrate diplomatic contacts to Babylon. --- Wikipedia.

Assim, também, a entrega da lei foi representada como a ocorrer não em Cades, mas ao sopé do Monte de Deus, assinalada por uma erupção vulcânica. O relato, contudo, fez grave injustiça à memória do homem Moisés; fora ele e não o deus vulcânico que libertara do Egito o povo. Desse modo, era-lhe devida uma compensação, e esta consistiu em o homem Moisés ser transferido para Cades ou para Sinai-Horeb e colocado no lugar dos sacerdotes madianitas. Descobriremos mais tarde que essa solução satisfez outro intuito imperativamente premente. Dessa maneira, chegou-se, por assim dizer, a um acordo mútuo: permitiu-se a Javé, que vivia numa montanha em Madiã, estender-se até o Egito, e, em troca disso, a existência e a atividade de Moisés foram estendidas até Cades e o país a leste do Jordão. Assim, ele foi fundido com a figura do fundador religioso posterior, o genro do madianita Jetro [[1]],e emprestou-lhe seu nome, Moisés. Desse segundo Moisés, contudo, não podemos fornecer uma descrição pessoal, tão completamente foi ele eclipsado pelo primeiro, o egípcio Moisés, a menos que recolhamos as contradições existentes na descrição bíblica do caráter de Moisés. Ele é quase sempre representado como prepotente, de temperamento arrebatado e até mesmo violento, embora também seja descrito como o mais suave e paciente dos homens.Essas últimas qualidades evidentemente se ajustariam mal ao Moisés egípcio, que teve de lidar com seu povo em tão grandes e difíceis assuntos; elas podem ter pertencido ao caráter do outro Moisés, o madianita. Estamos, penso eu, justificados em separar as duas figuras e em presumir que o Moisés egípcio nunca esteve em Cades e nunca escutou o nome de Javé, e que o Moisés madianita nunca esteve no Egito e nada sabia de Aten. A fim de soldar as duas figuras, a tradição ou a lenda receberam a missão de trazer o Moisés egípcio a Madiã, e vimos que mais de uma explicação disso era corrente. -- Dr. Sigmund Freud, MOISÉS E O MONOTEÍSMO TRÊS ENSAIOS.

Uma coisa é certa: a descrição seguinte é inegavelmente um retrato do que ocorreu no reinado de Aquenaton quando este mandou fechar e destruir os cultos dos deuses que não fossem a Aton.

No satisfechos con incendiar las ciudades y los poblados, y con cometer sacrilegios y derribar los simulacros de los dioses, usaron los mismos para asar la carne de los animales sagrados a los que se tributaba culto divino, y obligaron a los sacerdotes y profetas a que los mataran y luego los expulsaron desnudos del país. (250) Se dice que el gobernante era legislador, sacerdote, de origen heliopolitano; se llamaba Osarsif, por Osiris, dios de la ciudad de Heliópolis, pero cambió de nombre y se llamó Moisés.” FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO

Por outro lado este relato permite suspeitar que os egípcios sabiam que o herético Aquanaton não só partilhava das ideias monoteísta de seu irmão momo teria até sido cúmplice deste quando este andou na palestina a conquistar as praças dos Egípcios sem que Aquanaton reagisse às cartas dos seus generais que aflitos lhe pediam socorro!

A conivência de Aquenaton com as conquistas dos hebreus parece ser óbvia:

El príncipe que reinaba en Jerusalén mandó esta angustiosa llamada: "¡Sabed, oh, rey, que todos los países se desmoronan y que el enemigo se acerca! ¡Quered, oh, rey, defender vuestro país! Las regiones de Gazri, Ascalón y Lakis se han sometido a los hebreos y les han ofrecido alimento, aceite y todo aquello de que tenían necesidad. ¡Enviad, oh, rey, tropas contra los pueblos que se conducen de forma tan escandalosa hacia el rey, mi señor!" -- HISTORIA UNIVERSAL, CARL GRIMBERG TOMO I - EL ALBA DE LA CIVILIZACIÓN El despertar de los pueblos.

De facto, que a conquista das terras de Canaã pelos hapiru nunca poderia ter ocorrido antes de Aquenaton prova-o a evidência de que todos os faraós anteriores tiveram um apolítica externa forte e militarista à qual deveram o trono e com a qual obviamente consolidaram o maior e mais vasto império conhecido até então e do qual obviamente seria excluída qualquer possibilidade de rebeldia hebreia tanto mais que esta dinastia começara precisamente sob o signo da expulsão dos asiáticos ou seja dos hicsos que seriam maioritariamente hebreus.

A mais elementar lógica histórica leva a postular que a conquista da palestina pelos israelitas só poderia ter ocorrido no reinado do negligente, senão mesmo conivente Aquenaton. Agora, da conivência passiva à participação activa vai uma grande distância! A este respeito a tese de Ahmed Osman, nos seus livros, “Moses and Akhenaten” & “Christianity: An Ancient Egyptian Religion”, de que Moisés seria o próprio Aquenaton é pouco mais do que acreditar que Aquenaton seria um extraterrestre. A história de Aquenaton pode ter muitas lacunas mas está relativamente bem documentada a um nível que possivelmente mais nenhum outro faraó conseguiu tanto pelo remanescente da sua capital em Amarna como sobretudo pelas cartas da sua biblioteca encontradas nos escombros desta cidade. De resto, o perfil andrógino e pacifista de Aquenaton, que era um excelente poeta e possivelmente um grande pregador está longe do carácter taciturno e turbulento do tartamudo Moisés.

Now Ahmed Osman, using recent archaeological discoveries and historical documents, contends that Akhenaten and Moses were one and the same man. In a stunning retelling of the Exodus story, Osman details the events of Moses/Akhenaten's life: how he was brought up by Israelite relatives, ruled Egypt for seventeen years, angered many of his subjects by replacing the traditional Egyptian pantheon with worship of the Aten, and was forced to abdicate the throne. Retreating to the Sinai with his Egyptian and Israelite supporters, he died out of the sight of his followers, presumably at the hands of Seti I, after an unsuccessful attempt to regain his throne. – Description, Moses and Akhenaten by Ahmed Osman

Decididamente Ahmed Osman errou o alvo da pista apontada por Ferud. A haver um príncipe real na alma de Moisés este teria que corresponder à essência da pista freudiana que era precisamente o nome!

A primeira coisa que atrai nossa atenção a respeito da figura de Moisés é seu nome, que em hebraico é ‘Mosheh’. ‘Qual é a sua origem’, podemos perguntar, ‘e o que significa?’ Como sabemos, a descrição contida no segundo capítulo do Êxodo já fornece uma resposta. É-nos dito aí que a princesa egípcia que salvou o menininho abandonado no Nilo deu-lhe esse nome, fornecendo-se um razão etimológica: ‘porque das águas o tenho tirado’. Essa explicação, contudo, é claramente inadequada. ‘A interpretação bíblica do nome como “o que foi tirado das águas”’, argumenta um autor no Jüdisches Lexikon, ‘constitui etimologia popular, com a qual, de início, é impossível harmonizar a forma ativa da palavra hebraica, pois “Mosheh” pode significar, no máximo, apenas “o que tira fora”. Podemos apoiar essa rejeição por dois outros argumentos: em primeiro lugar, é absurdo atribuir a uma princesa egípcia uma derivação do nome a partir do hebraico, e, em segundo, as águas de onde a criança foi tirada muito provavelmente não foram as do Nilo.

Por outro lado, há muito tempo foi expressa uma suspeita, em muitas direções diferentes, de que o nome ‘Moisés’ deriva-se do vocabulário egípcio. Em vez de enumerar todas as autoridades que argumentaram nesse sentido, citarei a pertinente passagem de um livro comparativamente recente, The Dawn of Conscience (1934), da autoria de J.H. Breasted, autor cuja History of Egypt (1906) é considerada obra padrão: ‘É importante notar que seu nome, Moisés, era egípcio. Ele é simplesmente a palavra egípcia “mose”, que significa “criança”, e constitui uma abreviação da forma mais completa de nomes tais como “Amon-mose’, significando “Amon-uma-criança”, ou “Ptah-mose’, significando “Ptah-uma-criança”, sendo essas próprias formas, semelhantemente, abreviações da forma completa “Amon-(deu)-uma-criança” ou “Ptah-(deu)-uma-criança’. A abreviação “criança” cedo tornou-se uma forma breve e conveniente para designar o complicado nome completo, e o nome Mós ou Més (Mose), “criança”, não é incomum nos monumentos egípcios. O pai de Moisés indubitavelmente prefixou ao nome do filho o de um deus egípcio como Amon ou Ptah, e esse nome divino perdeu-se gradatnivamente no uso corrente, até que o menino foi chamado “Mose”. -- Dr. Sigmund Freud, MOISÉS E O MONOTEÍSMO TRÊS ENSAIOS.

Na verdade, na Dinastía XVIII de Egipto encontramos: A-mosis e Tut-mosis e na seguinte o grande Ramssés ou Ra-moses. Na corte de amenófis III eram vários os vizires com o nome de Tutmés e um Ramsés.

27. (251) Esto es lo que los egipcios cuentan de los judíos, además de muchas otras cosas, que omito en beneficio de la brevedad.

También dice Maneto que posteriormente Amenofis regresó de Etiopía con un gran ejército, así como su hijo Rampsés con otro ejército; una vez que entraron en lucha con los pastores y los impuros los vencieron, mataron a muchos de ellos y los persiguieron hasta los límites de Siria. (…) – FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO

Claro que Maneto não estava a dizer nada que Flávio não soubesse: que um descendente de Amenófis III, Ramsés II, venceu os povos do mar e pacificou os palestinos. Querer retirar mais do que isto de lendas é ser tão tonto como nos que nela acreditam literalmente!

Uma das características dos textos sagrados do tipo da bíblia é o de os sacerdotes que o escrevem pretenderem de tal modo manipular o passado para esconderem as mentiras do diabo presente que acabam por deixar-lhe o rabo de fora. Uma destas passagens de pescada com o rabo na boca é o estranho relato dos Números Cap. 21 “8faz uma serpente ardente e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, olhando para ela, viverá”. Se não é idolatria nem bruxaria não se sabe o que possa ser!

Pois bem, Josefo parece confirmar este facto ao relata-lo como sendo um ignominiosa mentira dos detractores do povo judeu.

 

AS PRAGAS DO EGIPTO E A ORIGEM DO ANTISEMITISMO

 “Isis se apareció en sueños a Amenofis, quejándose de que su templo hubiera sido destruido durante la guerra. Fritifantes, escriba sacro, dijo que si limpiara a Egipto de los hombres impuros se libraría de los terrores nocturnos. (290) En esta forma reunió doscientos cincuenta mil enfermos y los echó del país. Sus jefes eran los escribas Moisés y José, este último también escriba sacro. Tenían nombres egipcios, pues Moisés se llamaba Tisiten, y José, Petesef.   FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

O primeiro comentário que nos é oferecido fazer a este relato de Josefo é precisamente a calma e candura com que este judeu relata uma acusação tão infamante colocada na pena de Maneto, supostamente uma autoridade imbatível por na altura dos Ptolomeus ser prestigiada e única a respeito da história Egípcia, ainda que tenha acabado por ser preterida pelo resto do helenismo em relação a Heródoto. Outro pormenor estranho é o de Maneto referir que Ísis se queixou de que o seu templo tinha sido destruído durante a guerra que Flávio não localiza nem no espaço nem no tempo. De qualquer modo, o pouco fundo de verdade que esta lenda tenha exclui estes acontecimentos do reinado de Aquenaton que não fez nenhuma campanha militar.

Obviamente que na falta do original de Maneto apenas podemos inferir que Josefo, como se deu conta antes, não resistiu a colocar algumas imprecisões no relato de Maneto, quiçá para melhor o refutar. Desde logo a informação de que “tenían nombres egipcios, pues Moisés se llamaba Tisiten, y José, Petesef“...quando se sabe que o nome Moisés já era egípcio. Quanto muito que Tisiten seria o nome pessoal de Moisés já que Petesef seria uma corruptela da fonética do nome José que tudo leva a crer seria também originalmente egípcio derivado de uma mistura de Inotef com Djoser.

Tisiten seria uma homenagem de Moisés a Aten que teria sido baptizado como Tesamom, ou melhor, como Tutmés.

A partir daqui uma nova novela em estilo conspirativo poderia ser tecida! Sendo assim plausível, depois de conhecer estes pormenores aparentemente inócuos de Maneto, que o verdadeiro nome de Moisés fosse Tutmés e que, como relata o Êxodo, fosse um príncipe real egípcio então porque não suspeitar que este fosse o filho primogénito de Amenófis III, subitamente desaparecido de cena sem se saber muito bem como?

34. (304) A los mencionados agregaré a Lisímaco, que tomó para sus mentiras el mismo tema que los otros, pero superándolos en su enormidad por la incredibilidad de sus ficciones. Por lo cual se ve que las imaginó a causa del gran odio que nos tiene. Dice:

(305) En los tiempos de Bocoris, rey de los egipcios, el pueblo judío, atacado de lepra, sarna y otras enfermedades, se refugió en los templos, donde pedía limosna para comer. Siendo tantos los hombres afectados por esos males, sobrevino la escasez en Egipto. (306) Entonces Bocoris, rey de los egipcios, hizo consultar el oráculo de Amón acerca de la escasez. El dios respondió que los templos debían purificarse de hombres impíos e impuros, echándolos a lugares desiertos. Los sarnosos y leprosos debían ser ahogados, pues el sol no toleraba que continuaran viviendo. Los templos debían purificarse, pues sólo así la tierra daría frutos. (307) Bocoris, una vez recibido el oráculo, hizo llamar a los sacerdotes y sacrificadores, les ordenó que reunieran a los impuros y los entregaran a los soldados, para ser deportados al desierto: y que los leprosos atados a planchas de plomo fueran arrojados al mar. (308) Una vez sumergidos los leprosos y sarnosos, los restantes fueron reunidos y llevados a los lugares desiertos donde quedaron expuestos a morir. Estos se congregaron y analizaron su situación. Durante la noche, luego de encender fuego y alumbrarse, establecieron vigilancia; a la noche siguiente ayunaron para que los dioses les fueran propicios. (309) Al día siguiente un cierto Moisés les dio el consejo de que caminaran intrépidamente por un solo camino, hasta que llegaran a lugares habitados.

Después les ordenó que, en adelante, no fueran benévolos con nadie; que no sugirieran lo mejor, sino lo peor; y que destruyeran los templos y altares de los dioses, a medida que los encontraran. (310) Los demás estuvieron de acuerdo, y poniéndolo en práctica fueron caminando por lugares desiertos y, luego de muchas incomodidades, llegaron a campos habitados. Trataron ignominiosamente a los hombres, robaron e incendiaron los templos y por ultimo penetraron en una región que ahora se denomina Judea, edificaron una ciudad y vivieron allí. (311) A esta ciudad decidieron llamarla ’Iero,sula (Ierósila, sacrílega), por su género de vida. Posteriormente, al sentirse más poderosos, le cambiaron el nombre, para que no fueran infamados, y denominaron a la ciudad Jerusalén y ellos se llamaron jerosolimitanos.”

Hablaré brevemente sobre los argumentos agregados por Apión. (10) Dice lo siguiente en el tercer libro de su Historia de Egipto:

Moisés, como se lo he oído decir a los ancianos de Egipto, era heliopolitano. Considerándose obligado por las costumbres patrias, impuso las oraciones al aire libre, en lugares cercados que había en la ciudad y que hizo mirar hacia el oriente; así está construida Heliópolis. (11) En vez de los gnomones, hizo construir columnas que tenían esculpida una barca; la sombra proyectada por la columna sobre la barca describía un circulo correspondiente al que hace el sol en el espacio.”

(21) “Después de seis días de camino, dice, les salieron tumores en las ingles; por este motivo establecieron el descanso del séptimo día cuando llegaron sanos y salvos al país llamado actualmente Judea; a aquel día lo llamaron sábado, conservando la palabra empleada por los egipcios, pues los egipcios llaman sabatosin al dolor en las ingles.’’ –  FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

De facto os de expulsão de impuros e leprosos descritos por Maneto e depois comentados de maneiras diversas por vários autores helenistas e romanos seriam meramente o eco de algo que teria acontecido no tempo dos hicsos e que teria sido relembrado de forma distorcida como retorno do recalcado numa resposta culturalmente neurótica a um encontro traumático com a violenta iconoclastia do atenismo censurada pela damnátio memoriae e da doença asiática que lhe foi quase consequência imediata.

THE MONOTHEISTIC revolution of Akhenaten was not only the first but also the most radical and violent eruption of a counter-religion in the history of humankind. The temples were closed, the images of the gods were destroyed, their names were erased, and their cults were discontinued. What a terrible shock such an experience must have dealt to a mentality that sees a very close interdependence between cult and nature, and social and individual prosperity! The nonobservance of ritual interrupts the maintenance of cosmic and social order. The consciousness of a catastrophic and irreparable crime must have been quite widespread. But there is even more. At the end of the Amarna age, a political crisis broke out between the Hittite Empire and Egypt. -- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

Ora, a verdadeira história nunca se repete do mesmo modo! Nem a história o regista nem a arqueologia sugere que tenha havido uma limpeza étnica no tempo dos dois últimos Amenofis da 18ª dinatia.

Strabo, a Greek historian writing a couple of years before his death in 24 CE tells us that an “Egyptian priest named Moses, who possessed a portion of the country called Lower Egypt, being dissatisfied with the established institutions there, left it and came to Judea with a large body of people who worshiped the Divinity.” This priest then goes on to say that the Egyptians, the Africans and indeed the Greeks were all wrong in giving their gods any kind of physical form.

Tacitus in the fifth book of “Histories”, written around 100 CE tells a similar story to Manetho in that a terrible disease was rampant in Egypt and the king, Bocchoris, was told to clean up Egypt by expelling “this race detested by the gods”. One of the exiles, Moyses, took control, telling the unhappy people that they should look to themselves and not to the gods. Moyses established a new form of worship “opposed to all that practised by other men. Things sacred with us, with them have no sanctity, while they allow what with us is forbidden.” 

Mais uma vez encontramos no meio helenístico dois tipos de teorias empíricas relacionadas com o êxodo. Uma que relaciona a sua expulsão por serem culpados das pragas do Egipto que ocorreram por altura da saída dos hicsos, o que em parte é o reverso da medalha da tradição judia, e outra que descaradamente atribui a Moisés uma forma de culto divino que tinha sido o da corte Egípcio desde Tutmés VI a Amenofos IV.

The first document about the “war of the Hyksos” is an account between pharaoh Apopi and pharaoh Seqenenre giving the reasons for the conflict (parts in square brackets have been reconstituted according to the context):

The Quarrel of Apophis and Seqenenre:

It so happened that the land of Kemet was in distress, for there was no Lord who was King of the (entire) region. There was King Seqenenre as ruler of the Southern City, but the distress was in the city of the Asiatics of King Apophis, Avaris. He had seized control over the entire country and its tributes, and likewise the North and all the good products of the Northern Land. Now king Apopi, life-integrity-health, made Sutekh (Baal) his  lord, he did not serve any god of the whole country except Sutekh. He built (him) a temple in perfect work for eternity next to the palace King Apopi, life-integrity-health, he appeared [...] days to present [his offering] to Sutekh daily while dignitaries [...] wore linen cloths used in accordance with the temple of Re- Harakhti in front of it. Now therefore king Apopi, life-integrity-health, would send a letter of challenge (to) king Seqenenre, [life-integrity-health,] Prince of the Southern City. After many days had elapsed after this, king [Apopi, life-integrity-health] did call [...] write [...] and dignitaries [said: « O] sovereign, life-integrityhealth, our Lord [grant that Seqenenre chasing after] some hippos out the lake [that lie to the east of the City, considering] that they don't leave [coming to us the sleep neither day nor] night [their din fills the ears of our city ...] So the Prince of the Southern City [...] is with him (Seqenenre) as a protector, he bows to no god [in entire country] except Amun-Ra-king-of-gods. (…)

As one can see, there are many anomalies, to say nothing of weirdness: 1) How does it happen that Seqenenre, the penultimate king of the 17th dynasty, discusses with Apopi, the last king of the 15th dynasty, while we should have a Theban king from the end of the 16th dynasty? Why a pharaoh is shocked that another Pharaoh do worship only one god106? What contained so serious the letters of challenge from pharaoh Apopi that they could burst into tears, in great despair, pharaoh Seqenenre? The Challenge "the hippos from the Southern City [Thebes] make noise" (which is absurd, Avaris is approximately 900 kilometres from Thebes) was actually a harbinger of death against Pharaoh because, according to Egyptian mythology, Menes, the first king of Egypt was killed by a hippopotamus. In addition, each year and to ritual manner pharaoh put to death an hippopotamus (an incarnation of Seth) to commemorate the triumphant struggle of Horus against Seth. So this sinister omen could explain the reaction of Seqenenre Taa who bursts into tears, in despair, and why his great dignitaries all remain silent. -- The failed reforms of Akhenaten and Muwatalli, Itamar Singer.

A disputa entre o faraó do Delta Apofis e o de Tebas Sequen-en-re pode ter sido a imagem invertida pela lupa bíblica da disputa entre Moisés e o faraó o que mais uma vez comprova que a Bíblia tem pouco de histórico e muito de lenda e quase tudo de mitologia religiosas monoteísta. Mas obviamente que a arte de transformar a história em lenda para a colocar ao serviço de religião e da política não é uma invenção de Moisés que obviamente a aprendeu como tudo o resto, dos Egípcios.

A verdade é que não sabemos o que terá acontecido nem tempos grandes pistas para o inferir.

Estos se dirigieron a Pelusio, donde encontraron trescientos ochenta mil hombres abandonados por Amenofis, quien no quiso trasladarlos a Egipto. Después de pactar con ellos hicieron a una expedición contra Egipto. (292) Pero Amenofis, incapaz de sufrir su ataque, se fugó a Etiopía, dejando a su mujer grávida. Esta se escondió en una cueva, donde dio a luz un hijo de nombre Mesenes; éste, cuando fue adulto, expulsó a los judíos a Siria, en número de cerca de doscientos mil; e hizo volver a su padre de Etiopía.”   FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

Maneto parece sugerir que o príncipe Tutmés, que já não seria propriamente um jovem, se cansou de esperar pela sua vez de reinar e aproveitou o facto de ter sido afastado da corte possivelmente para uma guarnição síria por ter contraído a lepra para se juntar com os hapiru, os descendentes dos egípsios leprosos do Egipto e o remanescente dos hicsos para atrair os hititas numa acção de rebelião contra o seu pai o grande Amnofis III.

I have already introduced the likelihood of our Law Giver, Moses, being none other than the crown prince Thutmose, son of Amenhotep III. There are many reasons for making this supposition and once they are laid out in a clear and organized manner, it will become obvious how I have drawn this conclusion. – Rediscovering the Exodus, http://kahana.hubpages.com/

Assim o mais provável é que o príncipe Tutmosis se tenha limitado a receber no deserto dos arredores da Síria, onde andaria fugido e misturado com os hapiru, e a liderar os levitas, remanescente atenista da corte de Akenaton, e os escravos judeus de Amarna.

Hijos nacidos de Giluhepa. ¿Thutmose? El hijo varón mayor del rey no era hijo de Tiy, pues de haber sido así no habría tomado el nombre de Thutmose. Aun así, no se sabe con exactitud que hubiese nacido de la primera princesa mitania.

Akenatón tuvo un hermano mayor, cinco hermanas (Sitamón, Henuttaneb, Isis, Nebetta y Baketatón) y varios medios hermanos, hijos de las esposas secundarias del rey. Su hermano Tutmose, que era el príncipe primogénito o Príncipe de la Corona, ejercía, según parecen indicar los hallazgos arqueológicos relacionados con él, diversos cargos oficiales, como por ejemplo la función de sumo sacerdote de Ptah, en Menfis, un puesto normalmente asignado al sucesor real. -- Wikipedia.

We also know that Akhenaten (Moses) spent most of his childhood and early youth in hiding — we hear nothing of him until his sudden appearance in the royal palace at Thebes in his midteens — and that he was nursed by Tiy, who is described in the tomb she later shared with her husband, Aye, as "the great nurse, nourisher of the god (king), adorner of the king (Akhenaten)." My interpretation of these events is that Queen Tiye, aware, as a result of the death of her first son, Tuthmosis, of the dangers facing the newborn Akhenaten (Moses), may have tried initially to smuggle him out of the Zarw palace, his birthplace, to the safekeeping of her sister-in-law, Tiy, and other Israelite relations at Goshen, the fertile land surrounding Zarw and linked to it by water. She then seems to have kept him at Zarw during his early childhood, not allowing him to travel to Memphis or Thebes. -- Christianity: An Ancient Egyptian Religion by Ahmed Osman.

Na literatura em estilo policial conspirativo acontece frequentemente torpedearem-se os factos que não encaixam na trama da tramóia. Na verdade, Tutmosis, irmão de Aquenaton teria mais qualificações para ser Moisés do que Aquenaton. Já Freud suspeitava na sua obra bastante comentada por todos os que escrevem sobre a história real do Êxodo que Aquenaton não tinha perfil para ser Moisés!

Akhenaten, o sonhador, afastara de si o povo e deixara seu império despedaçar-se. A natureza mais enérgica de Moisés sentia-se melhor com o plano de fundar um novo reino, de encontrar um novo povo, a quem apresentaria, para adoração, a religião que o Egito desdenhara. Era, como podemos ver, uma tentativa heróica de combater o destino, de compensar em dois sentidos as perdas em que a catástrofe de Akhenaten o envolvera. Talvez ele fosse, nessa época, governador da província da fronteira (Gósen), onde certas tribos semitas se tinham estabelecido talvez já no período dos hicsos. A elas escolheu para ser seu novo povo - uma decisão histórica., Chegou a um acordo com elas, pôs-se à sua testa e realizou o Êxodo ‘com mão forte’., Em total contraste com a tradição bíblica, podemos supor que o Êxodo realizou-sepacificamente e sem perseguição. A autoridade de Moisés tornou isso possível e, àquela época, não havia autoridade central que pudesse ter interferido. Dr. Sigmund Freud, MOISÉS E O MONOTEÍSMO TRÊS ENSAIOS.

Do príncipe Tutmosis conhecemos o túmulo, mandado fazer em vida mas não a múmia o que para um egípcio da família real seria uma grave infelicidade. Os ladrões de túmulos poderiam danificar as múmias dos túmulos que saqueavam mas não os destruíam ao ponto de os fazerem desaparecer. Apareceu a múmia de uma criança de 12 anos junto à da rainha Tiu mas há muito boa razões para supor que não se trata do príncipe Tutmés, primeiro porque tem menos de metade da idade que seria suposto ter o príncipe depois porque o seu sarcófago foi encontrado vazio não em Tebas mas em Mênfis onde era sumo sacerdote de Tote, o que deixa de lado a possibilidade de ser uma criança.

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So, what evidence is there about him not being Thutmose. To me it is a lack of evidence. Not a strong argument I admit, but let us see. Firstly I ask why the sarcophagus of Ta-miu was found at Memphis, and this unknown prince's body is in Thebes. Even if all the various ranks and postions ascribed to him were for those times perfectly applicable to a child, would he have been in Memphis, away from his home at Malkata, presumably fullfilling some state functions at the age of eleven or twelve? Would he have died at Memphis and been buried there with his cat, whether she had predeceased him or was put with him at a later date. I'm sure I will be corrected if wrong, but is it true that no funeral objects, no shabti, or any such thing, has been found to connect Crown Prince Thutmose with any burial at Thebes, yet there is this mummy purported by many to be his. I cannot see why he would, presumably, be buried at Memphis, then some decades later, be removed to Thebes, or even to Thebes via Akhetaten if Ankhenaten wanted his brother to be close. So, without the DNA evidence all we have is the evidence of his hand position, if it is indeed evidence, and the lack of any evidence of the existance of a burial at Thebes of Thutmose. I think him being between Queen Tiye and Tutankhamun's mother is evidence he is the son of one of them, but they rather cancel each other out as far which is which. Until the DNA evidence, I will think he is an unknown brother of Tutankhamun. -- The other KV35 mummy. Who is it? Ikon Scribe, Posted: Sat Apr 13, 2013 2:42 pm.

Segundo A HISTÓRIA DOS TEMPOS BÍBLICOS[3] só “a última prega pertence inteiramente ao reino do sobrenatural”. Ora, se calhar e bem pelo contrário, é a única que tem foros de verosimilhança porque a morte prematura do primogénito dum faraó não era coisa que custasse muito a profetizar, nem a esperar que acontecesse de forma miraculosa ou insidiosa e muito menos a inventar. A mortalidade infantil era nesses tempos uma fatalidade tão pesada que a ela nem os filhos dos faraós escapavam! Os registos referem que a monarquia faraónica teve graves problemas de progenitura nesta época pois que todos os irmãos e irmãs de Amenóphis morreram novos, ele próprio não deixou descendente masculinos e Tutankhamon, um dos genros que lhe sucedeu morreu sem deixar filhos, sendo possível que lhe tenha falecido tragicamente um primogénito ou ele próprio ter sido esse primogénito morto tragicamente já que faleceu muito novo, com 19 anos de idade e “foram encontradas no seu túmulo duas múmias de dois nado-mortos, sem dúvida seus filhos!”[4]

O cortejo de calamidades que acompanhou a erupção de Santorini no sec. 17 a. C. obviamente que deixou marcas profundas em todos os povos da época e, cada um criou as lendas em tornos destes fenómenos fantásticos que mais se adequaram aos seus propósitos culturais. Tal como a invasão dos hicsos não se deu de uma só vez é quase seguro que também a sua expulsão não ocorreu de uma única vez e apenas sob a liderança de Moisés.

Muitos comentadores bíblicos colocam o êxodo na data da expulsão dos hicsos seguindo a tradição de Josefo mas se esta não ocorreu na forma de uma expulsão humilhante pelo menos foi em condições tais que não lhe permitiriam conquistar Canaã e por em causa o império egípcio no corredor sírio.

Assim não faz qualquer sentido colocar a data da entrada dos Israelitas nas terras cananitas no ano 1447 a. C. porque nessa época Tutmosis III os teria implacavelmente derrotado. Como um dos fenómenos foi relatado pela bíblia como sendo um eclipse alguns comentadores insistem nas coincidências de fenómenos naturais raros obviamente de baixas probabilidades.

According to astronomy, the only total solar eclipse in this region during this period 1600-1500197 was the one dated May 10, 1533 BCE198, magnitude 1.08, it covered a strip of 250 km and was visible in the North of Egypt over several cities like Heliopolis (dedicated to sun worship), Memphis and Heracleopolis, to 4:40 p.m. and lasted more than 6 minutes (the place called Pihahiroth "mouth of the canal" should be near As Suways). -- Dating the war of the Hyksos Bay Gérard Gertoux

Por outro lado, adiante se verificará que as alterações climáticas provocaram crises nas colheitas, fome, peste e guerra que aumentou a mortalidade infantil. Mas há coincidências que fazem história e acabam lendas e mitos. Por altura da expulsão dos hicos, que pode ser considerado a primeira fase do Êxodo, ocorreu a morte de um faraó em circunstâncias estranhas e violentas e a do seu filho primogénito com menos de 12 anos.

No Egyptian source has not described sequence of events, but the state of the mummy of Seqenenre, especially his head indicating serious injury (opposite picture), is eloquent, this pharaoh died (aged 30 to 40 years) in a very violent manner and it took quite a long time before his mummification. Not only the brutal death of Seqenenre is inexplicable, but his eldest son, the Crown Prince, also died shortly before in dramatic circumstances: Seqenenre had an heir, Prince Iahmes. Las! He died six years old and his father followed closely (...) Very quickly his cult was formed [and will last until the beginning of the 21st dynasty] and he is the first of the "big family" Royal from the late 17th and early 18th Dynasty to have been the object of worship, before Amenhotep I and Iahmes Nefertari (...) inscriptions of the statue reveal that this prince was the eldest son of Seqenenre Djehuty-Aa

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(...) The statue is exceptional in many respects. This is a large statue of 1.035 m high, which is remarkable at a time when there is almost no statue! It shows a family grief, the prince is evidently died prematurely as it is regretted by his mother and two sisters, and his father the king. It is unique in the history of Pharaonic Egypt that a king declares his paternity and speaks directly to his son, using second person. The reasons for this cult that lasted nearly half a millennium remain mysterious. The examination of the mummy of Iahmes Sapaïr indicates that this prince measured 1.17 m1  which evaluates to 6/7 years the age of his son. Despite his young age, Ahmose Sapaïr was circumcised to indicate that it was pure in gods' eyes which was exceptional, because circumcision was usually performed at puberty .

This account is full of mysteries. – -- Dating the war of the Hyksos Bay Gérard Gertoux

Assim sendo, é quase seguro que Josefo ao querer rejeitar a expulsão ignominiosa de judeus misturados com gente impura e leprosa nos termos referidos por Maneto foi apoiar-se na suposta verdade de Maneto sobre os hicos facto que ao revelar-se incorrecto irá por absurdo dar razão a Maneto da existência de uma expulsão de leprosos liderados por Moisés.

A very interesting variant of the Moses tradition can be found in Pompeius Trogus' Historicae Philippicae. Here, Moses appears not as an Egyptian but as the son ofJoseph. But the cult he institutes in Jerusalem is characterized as "sacra Aegyptia." 'When leaving Egypt, Moses "secretly took the sacred objects of the Egyptians. In trying to recover these objects by force, the Egyptians were forced by storms to go home." Therefore, the cult Moses founded in Jerusalem must have been the cult of these "sacra"- a veritable "translatio religionis." The reason for the Exodus is the same as in most of the other sources: an epidemic. "But when the Egyptians had been exposed to the scab and to a skin infection, and had been warned by an oracle, they expelled [Moses] together with the sick people beyond the confines of Egypt lest the disease should spread to a greater number of people." –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

A plausibilidade da deslocação duma grande massa populacional de indigentes, leprosos e portadores de outras doenças infecto-contagiosas a que os Egípcios estariam mais ou menos imunes por conviverem com eles em endemia desde sempre irá transformar esta massa humana de doentes contagiosos num poderoso vector de epidemias o que de facto veio a ficar historicamente registado.

The Hittites raided an Egyptian garrison in Syria and took prisoners. These prisoners brought a plague to Anatolia which swept over the entire Near East-probably including Egypt-and raged for twenty years. It was the worst epidemic which this region knew in antiquity. It is more than probable that this experience, together with that of the religious revolution, formed the trauma that gave rise to the phantasm of the religious enemy.

(…) It seems to me quite clear that the Amarna period must have meant the utmost degree of sacrilege, destruction, and horror for the Egyptians: a time of divine absence, darkness, and disease. (…)

The metaphor of "grave disease" will appear time and again in the course of my story. But if you consider the plague which afflicted the successors of Akhenaten, this description is not so metaphorical after all. According to my theory, the trauma resulting from the events of the Amarna period reflected both the experience of religious otherness and intolerance and the suffering caused by a terrible epidemic. Indeed, the Egyptian name for this epidemic was "the Asiatic illness." This fact may have contributed to the conflation of Amarna recollections with the image of the Asiatic, which, as we shall see, occurred again in later tradition. -- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

Claro que não temos a certeza de que nesta guarnição da Síria já se encontravam elementos dos leprosos e impuros expulsos do Egipto mas a correlação de factos epidemiológicos é inevitável e a passividade conivente com que Aquenaton encarou este ataque hitita pode ser a prova de que ele sabia bem o que se estava a passar. Não vamos daqui retirar daqui a ilação apressada de que este facto pode ter sido também a primeira manifestação do uso de armas biológicas da história quer porque Aquenaton não retirou daqui qualquer proveito quer porque não existem registos que confirmem que o faraó herético teve mais esta tão maquiavélica quanto inútil forma de se manter num poder teocrático pessoal.

De passagem importa retirar a importante lição de que a segregação social em guetos, campos concentração ou de refugiados dos impuros e indesejáveis apenas leva ao reforço da virulência das doenças infecto-contagiosas que possam ter que de situações endémicas passam a epidemias.

No Egito, Panagiotakopulu passou um pente fino na vila de trabalhadores em Amarna, onde os construtores de tumbas dos reis egípcios Tutankhamon e Akhenaton viviam. Lá, a pesquisadora desenterrou gato e pulgas humanas — conhecidas por carregar a peste em alguns casos — nas proximidades das residências. Este achado fez Panagiotakopulu crer que a bactéria da peste bubônica poderia ter espreitado esta região, assim ela foi em busca de outras pistas.

Escavações anteriores ao longo do delta do Nilo revelaram a presença de ratos do Nilo, uma espécie endêmica, datando do século XVI e XVII a.C. Acredita-se que o principal hospedeiro da pulga seja esse rato. De acordo com Panagiotakopulu, o Nilo proveu um meio ideal para ratos levarem a peste às comunidades urbanas. Por volta de 3500 a.C., pessoas começaram a construir cidades próximas ao Nilo. Durante as cheias, o habitat do rato do Nilo era perturbado, enviando o roedor — suas pulgas e bactérias de carona — para o domínio humano. Escritos egípcios de um período similar apontam para uma enfermidade epidêmica com sintomas similares aos da peste. Um texto médico de 1500 a.C., conhecido com Papiro Ebers, identifica uma enfermidade “que tendo produzido um bulbo, e o pus se mantido petrificado, a enfermidade se estabeleceu”.

É possível que o comércio tenha espalhado a enfermidade para os ratos negros, os quais então levaram a bactéria, a peste epidêmica, para outros lugares. Panagiotakopulu suspeita que ratos negros, endêmico na Índia, chegaram do Egito através do comércio marítimo. No Egito ratos levavam a peste carregando as pulgas e mais tarde se reproduziam nos navios que navegavam através do Mediterrâneo para o sudeste da Europa.

-- Peste Bubônica é encontrada no Egito Antigo por Julio Gralha.

Seguramente que com a discriminação política e a dissidência se passará o mesmo que de oposição latente esporádica passa a revolta generalizada!

The memories of this period survived only in the form of trauma. The first symptoms of this may have become visible as early as some forty years after the return to tradition, when concepts of religious otherness came to be fixed on the Asiatics, who were Egypt's traditional enemies. In this context, the dislocated Amarna reminiscences began to be projected onto the Hyksos and their god Baal, who was equated with the Egyptian god Seth. In a Ramesside novel, we read that Apophis, the Hyksos king, practiced a monolatric religion:

King Apophis chose for his lord the god Seth. He did not worship any other deity in the whole land except Seth. (…)

Both Weill and Meyer were right. The story as told by Manetho and others integrated many different historical experiences, among them the expulsion of the Hyksos from Egypt in the sixteenth century B.C.E. But the core of the story is a purely religious confrontation, (…) that corresponds to (…) the Amarna period. This axial motif of religious confrontation became conflated with the motif of foreign invasion. (…). The significance of this discovery for the project of mnemohistory is immense. Not only does it prove how trauma can serve as a "stabilizer of memory" across a millennium, but it also shows the dangers of cultural suppression and traumatic distortion. The Egyptian phantasm of the religious enemy first became associated with the Asiatics in general and then with the Jews in particular. It anticipated many traits of Western anti-Semitism15 that can now be traced back to an original impulse. This impulse had nothing to do with the Jews but very much to do with the experience of a counter-religion and of a plague. –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

De resto, no relato bíblico misturam-se em vários momentos o eco lendário dos terríficos e fenomenais acontecimentos do sec. 17 a. C. nomeadamente no episódio da confusão das línguas e queda da torre de Babel, e na destruição de Sodoma e de Gomorra. O êxodo de Moisés, ao omitir o mais indesejável que seria a relação deste herói fundador do povo judeu com um faraó herético que expulsou misturados com leprosos, resolveu juntar ao mito do êxodo um romance histórico onde incluiu os aspectos mais gloriosos da expulsão dos hicos e também a ressonância dos portentosos fenómenos da época da expulsão de Santorini que tal como aos Egípcios da fábula Atlântida de Platão eram a marca do castigo dos pecados cretenses passaram no êxodo de Moisés o sinal do castigo divino pela culpa da sua expulsão transformada em recusa de saída para irem ver a deus em terras prometidas orientais!

Abstemo-nos de comentar a relação que sempre existiu entre judeus as pestilências desde os tempos romanos, passando pelo tempos medievais e acabando no anti-semitismo e no holocausto higiénico nazi o que tem tanto de preconceituoso quanto de maledicência racista.

In 1321, Jews and lepers were accused of a conspiracy against Christianity, leading to their persecution, extermination, and confinement. The lepers were accused of having strewn poisonous powders in the fountains, wells, and rivers, so as to transmit leprosy to the healthy. The Jews were believed to be accomplices in this crime. Some versions fixed the ultimate responsibility for the entire scheme on the Muslim king of Granada, who had offered the Jews a huge amount of money to destroy Christianity. In turn, the Jews had instigated the lepers to spread their disease. The chronicles tell the story in many different versions: the lepers alone; the Jews and the lepers; the Muslims, the Jews, and the lepers. We find a complete re enactment of the Egyptian scenario: the native lepers, the resident aliens, and the foreign kingdom operating from afar. Again we find the identical pattern of a strongly contagious and bodily disfiguring disease, a counter-religious attack, and a political conspiracy. –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

De qualquer modo a histórica bíblica é responsável por ter assumido de forma ostensiva e orgulhosa que a peste e as pregas eram uma manifestação do Deus do povo eleito primeiro nos relatos do Êxodo e depois nas guerras com os Filisteus.

A crueldade dos relatos das pragas do Egipto no Êxodo fala pelo Deus de Israel como resposta vingadora à crueldade dos Egípcios que ousaram ser os primeiros a usar os judeus como bodes expiatórios das calamidades naturais que ocorreram no fim das dinastias dos hicsos que aprece que até aí tinham sido pacíficas, prósperas e vantajosas para a civilização Egípcia.

1 Samuel 5: 5 Depois que os filisteus tomaram a arca de Deus, eles a levaram de Ebenézer para Asdode 2 e a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado de sua estátua. 3 Quando o povo de Asdode se levantou na madrugada do dia seguinte, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor! Eles levantaram Dagom e o colocaram de volta em seu lugar. 4 Mas, na manhã seguinte, quando se levantaram de madrugada, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor! Sua cabeça e mãos tinham sido quebradas e estavam sobre a soleira; só o seu corpo ficou no lugar. 5 Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram em seu templo, em Asdode, não pisam na soleira.

6 Depois disso a mão do Senhor pesou sobre o povo de Asdode e dos arredores, trazendo devastação sobre eles e afligindo-os com tumores. 7 Quando os homens de Asdode viram o que estava acontecendo, disseram: “A arca do deus de Israel não deve ficar aqui conosco, pois a mão dele pesa sobre nós e sobre nosso deus Dagom”. 8 Então reuniram todos os governantes dos filisteus e lhes perguntaram: “O que faremos com a arca do deus de Israel?”

Eles responderam: “Levem a arca do deus de Israel para Gate”. E então levaram a arca do Deus de Israel.

9 Mas, quando a arca chegou, a mão do Senhor castigou aquela cidade e lhe trouxe grande pânico. Ele afligiu o povo da cidade, jovens e velhos, com uma epidemia de tumores. 10 Então enviaram a arca de Deus para Ecrom.

Quando a arca de Deus estava entrando na cidade de Ecrom, o povo começou a gritar: “Eles trouxeram a arca do deus de Israel para cá a fim de matar a nós e a nosso povo”. 11 Então reuniram todos os governantes dos filisteus e disseram: “Levem embora a arca do deus de Israel; que ela volte ao seu lugar; caso contrário ela matará a nós e a nosso povo”. Pois havia pânico mortal em toda a cidade; a mão de Deus pesava muito sobre ela. 12 Aqueles que não morreram foram afligidos com tumores, e o clamor da cidade subiu até o céu.

Outro facto estranho é o dos querubins na arca da aliança.

Querubins = Kur ibu (em hebreu) = touros alados com ou sem cabeça humana ou, menos frequentemente, leões alados com cabeça humana e patas de touro. Kur pode ser o nome encoberto do deus primitivo que procuramos nas cinzas de Urano, K(a)ur(ano). Ibu será o mesmo que zebus (< zabus < Ka ibus) , touros selvagens de origem indiana importados pelos egípcios do novo império ou seja, na época do êxodo![5]

The Seuclid Greeks - 168 B.C.E. In the desecration of the Temple in 168 B.C.E., there is no mention of the Ark of the Covenant. "Antiokhos [a successor of Alexander] was initially successful in occupying Jerusalem. He entered the inner sanctuary of the Temple, removed the sculpture of a male and female kherub [cherub] copulating, and replaced it with the 'desolation-inducing sacrilege', a statue of Olympian Zeus. The copulating kherubs he paraded through the streets of Jerusalem in a cage, sneering, 'You used to say that this nation was not serving idols. Now see what we found and what they were worshipping'." - William Harwood, Mythologies Last Gods: Yahweh and Jesus.

Estes seres quiméricos, tal como a bíblia os fixou, a ladear as duas extremidades da arca da aliança, são típicos da civilização assíria. Este facto indicia que o texto bíblico seja de época próxima da dominação ressente às mãos pesadas dos assírios (sec. V a. C.) e levanta a possibilidade de os querubins serem uma espécie de tradução aproximada da forma primitiva do misterioso conteúdo da arca da aliança! Seriam estes querubins, no sentido de touros alados, as imagens do deus Ápis e de qualquer outro dos vários deuses alados (Maat ou Ra)? Seriam pura e simplesmente especímenes preciosos, e por isso mesmo sagrados, de zebus transportados para aculturação na terra prometida? Ou seriam apenas imagens esculpidas de touros com bossa, zebus?

Para um povo que acabava de sair do Egipto o estranho episódio do bezerro de ouro ressoa a algo fora do contexto por não corresponder a nenhum ritual egípcio conhecido! No entanto, é um episódio de idolatria demasiado flagrante (e tanto que se tornou em paradigma deste fenómeno na literatura judia) para ser verdadeiro, sobretudo depois de se ter posto a hipótese de os querubins que ornamentavam a arca da aliança serem de facto bezerros (crias de zebus)!

Assim sendo, este episódio corresponde a uma história tão mal contada no Êxodo (32, 26) que deve estar a encobrir algo de muito mais grave. Um crime de idolatria que teve o exagerado castigo o “cerca de três mil homens morrerem nesse dia, entre o povo” às mãos dos levitas sem que a cumplicidade de Aarão tenha sido sequer reconhecida apesar de duplamente confessa é no mínimo estranho num clima de cólera e fanatismo revolucionário! Ou a história está próxima dos factos e terá servido mais para que Moisés manifestasse a sua liderança contra o oportunismo de Aarão ou em vez de exemplificar um crime de idolatria corresponde a uma descrição distorcida duma disputa de liderança. “Colocando-se à entrada do acampamento gritou “quem é pelo senhor junte-se a mim!” seguida de um crime político, facto que, esse sim, pode explicar a mortandade referida.

Possivelmente esta lenda bíblica é apenas o eco da forma como os puristas de Aten encararam a tolerância que Aquenaton terá tido com o culto do boi Mnevis de Heliópolis contra o qual se limitou a mandar enterrar a sua estátua.

When Akhenaten abandoned the other god in favour of The Aten he claimed that he would maintain the Mnevis cult. The cult may have retained his favour because of its solar associations, but archeologists have not discovered any indication that the pharaoh made good his promise.

Akhenaten's intentions to bury Mnevis bulls at Akhetaten were probably not realized.

No ponto de vista de Freud, no livro referido, foi Moisés quem acabou por ser assassinado facto que muito naturalmente levou a que “todos os filhos de Levi se unirem à volta dele”, mas sem sucesso!

A verdade é que os chifres eram frequentemente um símbolo de divindade no antigo oriente. Os altares eram ornados com cornos de touro e mesmo a bíblia fala em “cornos ou hastes do altar”. O próprio Moisés é representado com “cornos de luz”!

Êxodo 34:29 Ao regressar da montanha com as placas escritas Moisés não se deu conta de que o seu rosto resplandecia, por ter estado na presença de Deus. E por causa desse brilho da sua face Arão e o povo de Israel receavam aproximar-se dele.

A versão mais original parece ser: do seu rosto saiam «cornos» de luz e foi isto que Miguel Ângelo esculpiu.

Supostamente seria um erro de tradução por troca da palavra hebraica Karan (raios de luz) por Karen (cornos). Mas como com os cornos do diabo todo o cuidado é pouco na traduções modernas já nem os raios aparecem. Obviamente que os raios de luz dos relâmpagos jupiterianos eram cornos luminosos e é muito provável que o touro fosse também o animal simbólico da divindade madianita e vulcânica de Yhavé, mas não o de Adonai. Assim, o episódio do bezerro de ouro pode ser apenas uma reminiscência das lutas teológicas de Aquenaton contra os cultos populares do Egipto, particularmente o importantíssimo culto dos mortos a que Osíris presidia e de que o boi Ápis era uma das incarnações nas cheias do Nilo! Mas, nem sequer esta hipótese é segura porque Adónis aparecia na Grécia ligado a estes mistérios! A ambiguidade entre o Adonai monoteísta de Aquenaton e o culto javaista do Deus supremo, idêntico à corrente dos deuses taurinos das forças da Natureza comum no oriente da época do bronze, irá permanecer possivelmente até ao tempo de Jesus.

Assim, o que pode ter acontecido realmente nunca o saberemos mas, é bem possível que nos montes do Sinai se tenha dado um compromisso doutrinário entre o culto de Aton e as correntes emergentes dos cultos Javaista e medianitas do Deus Pai na forma duma divindade que tinha por animal totémico o zebu ou querobim, símbolo das forças vulcânicas e tempestuosas da natureza como viria a ser Júpiter Doliqueno, ou Zeus Velcheno! Este compromisso pode ter tido como preço o assassino de Moisés e o trunfo do Yhavé medianita com Aarão como sumo-sacerdote mas, a longo prazo, teve como resultado, segundo Freud, o aparecimento dum sentimento de culpa nacional na forma dum pecado original de idolatria o que lentamente levou à prevalência do puritanismo fanático e monoteísta, típico do judaísmo!

Então, a uma evolução no nome assistiu-se entre os judeus a uma mutação do conceito de Deus no sentido da sua universalização em direcção ao conceito de Deus Pai. O Eloim, pai benévolo dos patriarcas e fenícios deu lugar ao mosaico Adonai, ciumento deus nacional do povo eleito que, com o evoluir das vicissitudes e atribulações pouco felizes da história de Israel tenderia a tornar-se num Deus pai da humanidade de nome Yhavé ou Jeová. Ora, por coincidência ou não e tal como Freud o referiu também no mesmo estudo, Yhavé é foneticamente aparentado com Zeus (< Jhaué > zau > zeu) e Jeová ainda mais o é, com o nome latino de deus Pai Jovis, nome poético de Júpiter. Ou seja, antes de se tornar no pai dos homens Deus começou por ser o pai dos deuses e na imagem genérica e simbólica de todos os pais ideais e por isso de Pai de Toda a Humanidade e arquétipo do Patriarcado.

"The chief expression of the Kabbalah is a work know as the Zohar ('Splendor') which was written as a commentary on the Pentateuch. Though it is ascribed to a rabbi of the second century, the work, in the form in which circulated in the last part of the thirteenth century A.D. was composed only a little earlier than then. Since Kabbalism originated in Europe, chiefly in Provence and Spain, the book can probably be ascribed to Moses de Leon, a native of Granada, who died in 1305." Ninian Smart, The Religious Experience of Mankind

O que há de mais intrigante neste facto não é tanto a «cabala» que muito provavelmente não passaria de um movimento de cultura religiosa judia sujeita à clandestinidade dos ambientes cristãos. Neste contexto o cabalista corresponderia a um artifício defensivo de interpretação na base de mnemónicas que em português também se chamam «cábulas» nome que terá derivado deste termo judeu Kabbalah, reforçando assim esta hipótese. O intrigante reside no nome do romance judeu de nome Zohar (= «Esplendor») < Sokar < Sacar que, se não prova que também os judeus adoraram este deus canaanita, pelo menos demonstra que dele herdaram a lembrança agradável do esplendor do seu culto!

Mas, mais intrigante ainda é o conceito Sacher relativo aos tabus da pureza alimentar (termo tão pró-cimo do latino sacer, sagrado) que acaba por impregnar toda a cultura judaica de um tal puritanismo endogâmico que inevitavelmente acaba por tornar o judaísmo numa doutrina tão antipática que nem sequer faz esforço por deixar de o ser.

This "hygienic" reason for the expulsion of the infected persons from Egypt also accounts for the exclusive character of Moses' legislation: "And because he remembered that they had been expelled from Egypt due to fear of contagion, they took care not to live with outsiders lest they become hateful to the natives for the same reason (i.e., fear of contagious infection). This regulation which arose from a specific cause, he [Moses] transformed gradually into a fixed custom and religion." The "hygienic" explanation of the Law would become enormously important: Friedrich Schiller would point to a similar link between the circumstances of the expulsion and the extreme importance which the Law ascribes to leprosy, its early diagnosis and its treatment. –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

Ora bem, é precisamente o puritanismo higiossanitário do judaísmo presente nas leis da pureza alimentar, de diagnóstico e prevenção da lepra e doenças de pele, das abluções e da prevenção das contaminações por contactos com os mortos, com as mulheres menstruadas e com fluxos suspeitos de serem venéreos e os correlativas princípios de moral puritana avessa a todas as formas de imundice, perversão sexual e prostituição, que levantam a suspeita de ter existido um grande e profundo trauma sexual e venéreo na géneses do povo judeu.

Mas sendo um aspecto fascinantemente psicanalítico relacionado com uma fixação anal estranha-se que Freud tenha ignorado o depoimento de Flávio Josefo sobre o testemunho de Maneto a respeito do vexame a que foi sujeito o povo judeu por parte dos Egípcios.

Este conto lendário da querela entre os dois faraós reinantes na época da XV dinastia dos hicos e a XVI de Tebas aparece relatada na época ramessida precisamente para enfatizar não apenas o mito fundador das dinastias tebanas como sobretudo para justificar em contraponto a abominável damnacio memoriae dos sucessores do faraó heréticos de Amarna tendo como justificação comum explícita o monoteísmo (que nos caso de Apofis era mais suposta que real porque Baal não era Set mas apenas campeão dos deuses do panteão canaanita que por acaso não era tão prolixo como o egípcio) e como pressuposto inconfessado a ideia de que a impiedade do monoteísmo era a causa da peste.

THE STORY of the lepers is about purity and defilement. A situation of lack (invisibility of the gods) or distress (famine, plague) is explained by an oracle or an inspired sage as the result of pollution. The country suffers from defilement by the presence of "strangers" and can only be cured by their expulsion. In her fascinating and convincing analysis of the book of Numbers, Mary Douglas has discovered a cyclical structure which closely relates the laws to drive out the lepers (Numbers 5:1-4) and to expel the idolators (Numbers 33:50-56).50 Leprosy and idolatry are among the most dangerous forms of pollution because they prevent God from "dwelling amidst his people." The Egyptian story tells us about the corresponding fears and abominations on the side of the "idolators." It sheds light on the opposite term of idolatry. Idolatry does not merely denote a certain religious attitude based on the worship of "idols" or images; in this sense, the opposite term would be "aniconism." But idolatry means more than iconism. It is a polemical term which expresses a strong cultural/religious abomination and anxiety. With the term "idolatry," the "aniconists" refer to the "iconists" as the group where the strongest menace resides. Idolatry is the umbrella term for what must be warded off by all means. There is a marked crescendo to be observed in the texts dealing with idolatry. As has already been stated, both the concept of idolatry and the repudiation of it grew stronger and stronger in the course of Jewish history. –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

De facto a lógica teológica do politeísmo na versão do antigo Egipto baseava-se na Verdade de Maat pela qual tanto os deuses como as criaturas tinham um papel específico único na ordem natural e cósmica que quando alterado só poderia trazer a morte e a desgraça! Já vimos que Jan Assmann na sua obra Moses the Egyptian demonstrou de forma exímia que a grande “peste asiática” que dizimou o mundo durante cerca de 30 anos no final do reinado de Aquenaton foi implicitamente atribuída à impiedade herética deste faraó seguramente não apenas pelos sacerdotes de Amon com sobretudo pelo senso comum popular que nesta matéria não era muito diverso do da aristocracia.

As endemias infecto-contagiosas grassam em populações miseráveis e promíscuas.

Schiller's essay begins with a recapitulation of the historical facts concerning the sojourn of the tribes of Israel in Egypt. Closely following the model set forth in Reinhold's book, Schiller's reconstruction is based more on pagan than on Biblical sources. But Schiller highlights the motif of illness and dwells upon questions of public hygiene. He holds that because of suppression and neglect, leprosy became a hereditary epidemic among the Egyptian Hebrews and that this was the reason for both their concentration and their extreme oppression in Egypt. This also accounts for the great attention paid to the diagnosis and treatment of leprosy in the Law. Once again, the motif of illness comes to the fore, but now in a completely unsymbolic and naturalistic form. In characterizing the miserable situation of the Hebrews, Schiller anticipates Max Weber's famous comparison with the Hindu Pariah. –- Moses the Egyptian, THE MEMORY OF EGYPT IN WESTERN MONOTHEISM, JanAssmann, HARVARD.

Ora, a diáspora judaica foi sempre elitista não fazendo sentido pensar que esta comunidade tenha tido mais doenças infecto-contagiosas que a população comum. Pelo contrário, os seus tabus higiénicos eram de certo modo uma protecção empírica muito antiga contra as doenças infecto-contagiosas que já viria do tempo da expulsão dos hicsos.

Em relação à época dos hicsos não temos tantas evidências mas podemos tirar algumas ilações que vão no mesmo sentido e que, de resto, não são caso único no Egipto.

In his fifth regnal year Akhenaten founded his new capital Akhetaten in Middle Egypt, thereby crowning his religious reform intended to promote the cult of Aten to the exclusion of the rest of the Egyptian pantheon. Half a century later Muwatalli founded his new capital at Tarhuntassa in the Lower Land, as the apex of a religious reform promoting the cult of the Storm-god of Lightning at the expense of other major deities of the Hittites. Both reforms collapsed shortly after the death of the ‘heretic’ kings, but Tarhuntassa continued to exist as the seat of a competing Great King. The similarities and the differences between these major religious reforms of the Late Bronze Age will be examined in the light of the contemporary sources and some historical analogies.

(…) Since the days of his grandfather a terrible plague, probably spread by Egyptian soldiers, decimated the population of Hatti and caused a constant sense of self-accusation at the royal court. This calamity must have weighed heavily on the conscience of Muwatalli as well, bringing about a deep sense of penitence and piety. -- The failed reforms of Akhenaten and Muwatalli, Itamar Singer.

A Guerra de Tróia parece ter tido causas idênticas pelo menos em resultados das confusões blasfemas e desrespeitos protocolares míticos provocados pela reforma do panteão de Tudália IV.

Que terá então acontecido na época da expulsão dos hicos?

Desde logo o facto hoje cada vez mais incontroverso da catástrofe mundial da expulsão de Santorini, que levou a quedas de impérios por todo o lado do Egipto até à China, e que provocou alterações climáticas tais que redundaram em fomes, guerras e pestilências generalizadas.

Se a ordem de Apofis para matar os hipopótamos para acabar com o ruído que incomodava a corte de Avaris a 900 km de distância de Tebas era absurda é de facto porque seria uma figura de retórica para uma ameaça de morte velada contra o faraó de Tebas que teria os seus dias contados por causa das intrigas decorrentes da crise das pragas do Egipto e que possivelmente Apofis não saberia exactamente quais eram.

This inscription confirms three points: 1) the disaster linked to Hyksos occurred before the reign of Ahmose and it affected all Egypt; 2) the unprecedented violence of climatic elements explains the consternation of Seqenenre and his council when they met Apopi; 3) the origin of this conflict is linked to the Hyksos deity (Apopi's single god), because of the amazing sentence: « How much greater is this than the impressive manifestation of the great god, than the plans of the gods!». (…)

Why Apopi who, was a powerful pharaoh (there were, for example, 300 ships in the port city of Avaris, more than Byblos the biggest port of that time!), disappeared in a ditch without fighting? Why Kamose did not mention what was the serious damage Apopi had done inside Egypt? The only rational explanation of this confused story is the detailed capture of the rebel Teti, the son of Pepi. We can assume the following scenario: after a serious dispute with Seqenenre (or an unknown reason), Apopi a Hyksos king would have gone to Palestine accompanied by his supporters including some Egyptians. In retaliation Kamose plundered the rich city of Avaris, which had been abandoned. (…)

The Egyptians indeed hammered only the Seth of Apopi after his departure, but not the ancient god Seth. This fact is unique in their history because there were two Seth at Avaris, worshiped and cursed at the same time! The most plausible explanation is to assume there was a violent conflict, just before the war of the Hyksos, between the "Master (Seth/Baal)" of Apopi and the other Egyptian gods.

Directa ou indirectamente os políticos de todos os tempos e lugares acabam sempre por ser culpados de todas as desgraças do seu povo incluindo as naturais que ou não tiveram os deuses do seu lado para as evitar ou não as souberam prever nem prevenir.

Na descrição de Maneto sobre a fuga de Amenófis para a Etiópia temos um caso típico de memória deslocada, por confusão com a possível fuga pouco voluntária de Apofis para a Síria séculos antes.

A forma como Josefo contesta as afirmações de Maneto contra Moisés só o convencem a ele...e aos que pensam em judaico-cristão!

279. Me queda por contestar a las afirmaciones de Manetón acerca de Moisés. Los egipcios lo contemplan como un ser maravilloso, hasta divino, pero desean reclamarlo como propio mediante una calumnia increíble, alegando que pertenecía a Heliópolis y que fue apartado del sacerdocio por padecer la lepra.   FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

O espantoso é que o facto relatado por Maneto se torna verosímil precisamente por ser natural que um sacerdote heliopolitano caísse em desgraça ao apanhar a lepra e que por isso mesmo acabasse por se vingar e tornar num revoltoso.

281. De sus propias palabras se desprende que no sufrió este tipo de enfermedad. De hecho, prohibió a los leprosos quedarse en la ciudad o morar en un pueblo. Deben vivir solos y con las vestiduras rasgadas. Cualquiera que los toca o vive bajo su mismo techo es considerado impuro por Moisés.  FLAVIO JOSEFO CONTRA APIÓN SOBRE LA ANTIGÜEDAD DEL PUEBLO JUDÍO.

Por outro lado, nada impede que um leproso honesto e piedoso com poderes de jurisdição previna a contaminação da sua doença e como mais ninguém o poderá fazer com conhecimento de causa!

286. Pero es que además el nombre ha sido transformado de una manera extremadamente improbable. Según Manetón, Moisés se llamaba Osarsef. Estos nombres, sin embargo, no son intercambiables. El nombre verdadero significa «salvado del agua», porque agua se dice «mo-y» entre los egipcios (Esta etimología es utilizada también por Josefo en Ant. II, 228, y por Filón en Vida de Moisés, I, 4, 17. Su base estaría en la palabra «mu», que en egipcio significa agua. Con todo, el punto no está establecido de manera indiscutible. A. H. Gardíner («The Egyptian Origin of some English personal names», en Journ. of Amer. Orient. Soc., 56, 1936, pp. 192-194) indica que la terminación de Moisés podría venir del egipcio «jsy» (en copto «hasie», favorecido), que significa «alabado».)

«Molhar» = • b. Lat. molliare por mollire, amolecer, v. tr. meter, embeber em líquido; • humedecer; • derramar líquido (? Obviamente que o líquido que mais molha é a agua) sobre. => «Molinhar» = termo popular do Alto Douro que significa chuviscar o que, se não encharca, molha!

O grande pecado de Israel é o de continuar a teimar no orgulho político de ainda se considerar o povo eleito no pressuposto aberrante duma teologia racista que deixa fatalmente de fora do alcance do amor divino todo o resto da humanidade que teve a pouca sorte de não ter nascido judeus! Disse-se frequentemente que a religião judaica até nem é uma religião expansionista uma vez que só muito excepcionalmente aceita o proselitismo! Pois o problema do judaísmo é precisamente o de ser uma forma refinada de elitismo cultural. Claro que é suposto que toda e qualquer religião se considere culturalmente superior quando desafiada ao confronto com outras religiões limítrofes ou concorrentes no mesmo espaço o que é próprio de qualquer opção social! A verdade é que o atavismo conservador é sobretudo forte quando a escolha doutrinária, longe de ter sido libre e consciente, resulta duma tradição herdada. Ora bem, além destes pecados humanamente justificáveis em todos os sistemas de identidade cultural o judaísmo acrescenta ainda o pecado do orgulho de se considerar o único povo eleito ao ponto de se tornar impossível separar as questões de doutrina das questões de nacionalidade. Porém, a questão seria meramente semântica se o conceito de povo eleito fosse meramente metafórica como o conceito de «messias» e de «reino de Deus» para os cristãos! Aliás podemos dizer que o cristianismo começou quando um punhado de judeus se deus conta do pecado original do judaísmo e descobriu que, depois da queda de Massada e da derrota definitiva dos zelotas, a única saída possível para o monoteísmo judaico ultra nacionalista num universo doravante inelutavelmente dominado pela hegemonia romana seria aceitar a leitura metafórica que Cristo fez da «velha aliança» mosaica, e S. Paulo glosou à exaustão.

Claro que se poderia refutar que os judeus tinham tido desafios semelhantes diante de todos os outros impérios que passaram regularmente ao longo do corredor Sírio em direcção do Egipto. Porém, a verdade é que o messianismo judaico, longe de ser uma velha tradição mosaica, não passava de uma recente invenção da dinastia asmodeia, que, por ter sido criada artificialmente pelos Persas iria sobreviver cerca de 200 ou seja muito para além do que seria natural esperar na nesta região canaanita. Assim, um messianismo que nasceu com a queda da monarquia asmodeia e seria forjada no confronto recente com o helenismo não era um a tradição tão antiga que não tivesse que ser necessariamente subvertida, como já havia começado a sê-lo em ambiente helenísta, sob a pressão da superioridade cultural dos romanos.

De facto, se o judaísmo se não diluiu no império romano ou depois no árabe foi porque continua a levar o messianismo à letra ou seja como uma questão de nacionalidade racista. Se a recusa da diluição cultural do povo judeu tivesse por base apenas uma questão de convicção doutrinária há muito que esta teria sido superada com a complexa e multifacetada história da evolução natural da ideias. Claro que este racismo snobe até nem será inteiramente genético e será sobretudo um tradição cultural herdada da xenofobia dos egípcios faraónica mas a verdade é que acaba por ser mais insidioso que o racismo genético.

Ao recusarem o proselitismo os judeus não estão a fazer uma confissão de pacifismo e tolerância mas antes a revelar um insuportável complexo de superioridade que, por não ser inteiramente étnico nem doutrinário, também não é susceptível de miscigenação pois que radica na convicção de uma superioridade de estatuto de classe social inerente a um correlativo estatuto de superioridade económica que quase sempre lhe andou paralelo pela mera lógica de solidariedade de casta que lhe é intrínseco.

De facto, o problema da questão judaica reside no facto de judaísmo não ser uma religião como as outras mas antes uma espécie de clube de acesso limitado e condicionado. Ao longo da história os judeus têm sido casos únicos de migração constante com o mínimo de desgaste migratório cultural porque longe de, como qualquer outro povo, tenderem à adopção das religiões dominante os judeus recusam acintosamente misturarem-se com os povos dos países por onde migram porque, por estes não serem cacher, são culturalmente impuros ou seja por racismo de tipo simultaneamente étnico e cultural. Mais do que recusarem a ideia absurda de serem um povo eleito universal, porque as elites não são na verdade compatíveis com a igualdade universal, recusam tornarem-se numa religião popular para não deixarem de pertencer a uma religião de casta e de classe. Assim, foi inevitável que os judeus tenham inspirado ao longo da história reacções racistas. Claro que este trágico infantilismo dum povo sem nação e duma cultura sem civilização corresponde a uma tremenda regressão narcisista em consequência da força traumática da memória bíblica do cinismo do imperialismo militar dos assírios e que tende não apenas a repetir-se e a perpetuar-se ao longo da história de todos os imperialismo mais ou menos cínicos como foi o caso da moderna versão do nazismo. O mais mórbido nesta histórica é pensar que não terá sido por acaso que o nazismo iria contrapor ao monoteísmo racista dos judeus um neo-paganismo fora de época ainda mais racista!



67 Sincelo añade: «Sólo Eusebio coloca en este reinado el Éxodo de Israel bajo Moisés, aunque ningún argumento sostiene tal punto de vista, ya que todos sus predecesores mantienen una opinión contraria, como él mismo testifica.»

[1] .O Novo Testamento remontam ao sec. IV D. C.

[2] Por desgracia, Josefo fue antes ideólogo tendencioso que historiador y nos privó de todo el testimonio manetoniano, sustituyéndolo por unos amaños del texto insostenibles y que, para nosotros, revisten mucho menos interés.

[3] Organizada pelas S.R.Digest

[4] Pierre Lévêque, volume I- DOS IMPÉRIOS DO BRONZE

[5] Jean-Claude Goyon em les paysans du Nil et leurs produits, science &vie, hors série nº179/12/96

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