terça-feira, 5 de abril de 2016

DEA SYRIA I - ATARGATIS, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Deusa Síria usando uma coroa amuralhada ladeada por pombas, provavelmente Atargate identificada com Afrodite. (Templo de Adonis em Duro-Europos.)
Esta representação de Dea Syria confirma a razão de ser deste epíteto da Deusa Mãe oriental de indefinida correlação com outras congéneres egeias e anatólicas. É evidente que os pombos que aparecem ao lado de Baba e o castelo na cabeça da deusa não deixam dúvidas quanto à sua semelhança com Cibele. Porém, ela é Atargate.

ATARGATE
Manbij ou Hierápolis Bambice foi uma antiga cidade da Síria. Era um santuário desde um tempo muito recuado, mas registros históricos só começam na época dos Selêucidas, que a fizeram a principal cidade na estrada entre Antioquia e Selêucia.
The sanctuary of Atargatis predate the Macedonian conquest as it seems that the city was the center of a dynasty of Aramean priest-kings ruling at the very end of the Achaemenid Empire; two kings are known, ‘Abyati and Abd-Hadad.
Atargate /ou Ataratheh (aramaico: ‘Atar’atheh ou Tar’atheh) foi a principal deusa do norte da Síria na Antiguidade Clássica. Ctésias de Cnido também a chamou Derceto, e os romanos, Dea Syriae ("deusa síria"). Ela era principalmente uma deusa da fertilidade, mas, como Baalat ("senhora") de sua cidade e das pessoas, ela também foi responsável pela sua protecção e bem-estar. Seu santuário principal era em Hierápolis, moderno Manbij, a nordeste de Aleppo, na Síria. Ás vezes é descrita como deusa-sereia, devido à sua identificação com a deusa peixe de Ascalon. No entanto, não há nenhuma evidência de que Atargate fosse adorada em Ascalon (onde era adorada Derceto) e toda a sua evidência iconográfica é como antropomórfica.
Hierapolis (the “holy city”) was originally known as Manbug from the Semitic root nb’ meaning “to come out”. The name is interpreted as a pouring forth of water from the rock. Devotees came to pour libations down a crevice in the rock under the temple, said to be the place where the Great Flood was swallowed up. (…). Its water ceremonies continued, with processions carrying the image of Atargatis to her sacred lake to be immersed, while others brought ocean water to the temple. – Goddess Temples in Western Asia II  by Max Dashu.
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Figura 2: Atargate & Hadad. Reprodução ciberneticamente manipulada de achado arqueológico romano muito danificado. A deusa parece segurar na mão direita um cistro.
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Figura 3: Escultura em calcário encontrado no templo de Atargate em Dura-Europos.
Coins struck at the city before Alexander’s conquest record the Aramean name of the city as Mnbg (meaning spring site). For the Assyrians it was known as Nappigu (Nanpigi). The place appears in Greek as Bambyce and Pliny (v. 23) tells us its Syrian name was Mabog (also Mabbog, Mabbogh).
                                                             < M(a)n(a)bog (= Mãe-d´água).
                                           Assir. Ma ó Nappugi > Nappigu > Nanpigi.
Bambice < Bambyce < Ma-Babu-Ki > Mabbaugi > Mabbog > Mabog.
Baba – Também conhecido como Bau ou Bawa, era a deusa suméria de Lagash, a deusa mãe da fertilidade, conhecido como “Dona dos Animais” (Potnia Teron) e Senhora da Abundância.
Existia a antiga tradição de as festas de Nossa Senhora das terras costeiras acabarem com a submersão da Virgem no mar o que hoje já não ocorre,  não por ser demasiado pagão, mas por causa do comodismo da vida moderna.
In this entrance those phalli stand which Dionysus erected: they stand thirty fathoms high. Into one of these a man mounts twice every year, and he abides on the summit of the phallus for the space of seven days. The reason of this ascent is given as follows: The people believe that the man who is aloft holds converse with the gods, and prays for good fortune for the whole of Syria, and that the gods from their neighbourhood hear his prayers. Others allege that this takes place in memory of the great calamity of Deukalion’s time, when men climbed up to mountain tops and to the highest trees, in terror of the mass of waters. The Syrian Goddess, by Lucian, tr. by Herbert A. Strong and John Garstang, [1913]
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Figura 22: The fishpond of fish sacred to Atargatis survives at Şanlıurfa, the ancient Edessa, its mythology transferred to Ibrahim.
Obviamente que todos os deuses antigos, particularmente helenistas, eram antropomórficos segundo o panteão olímpico o que já tendia a ser assim na alta antiguidade (mais Caldeia e menos Egípcia) mas seguramente que assim não seria nos tempos arcaicos do neolítico e, sobretudo, não seriam senão zoomórficos nos tempos do paleolítico superior. Quer isto dizer que a tradição de Atargate como deusa peixe pode ser aceite desde que haja para isso suficientes evidências porque estranho é que assim não tivesse acontecido no modo de vida marítimo da civilização Egeia de cuja tradição se supõe ter derivado a cultura Síria, a do Curdistão e a da Arménia, esta última de que derivou a ariana.
It has also been proposed that the element -gatis may relate to the Greek gados "fish".[*] (For example, the Greek name for "sea monster" or "whale" is the cognate term ketos). So Atar-Gatis may simply mean "the fish-goddess Atar". – Wikipedia.
[*] Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, s.v. "Atargatis":
Ἀταργατῖς , gen. ῖδος, acc. ῖν (cf. Hdn.Gr.1.107, 2.761): dat. A.“Ἀταργατεῖτι” IG12(3).188 (Astypalaea): also gen. “Ἀταργάτιος” BCH 6.499 (Delos); dat. “Ἀταργάτει” SIG1135 (Delos), “Ἀταργάτι” IG12(3).178 (Astypalaea): — Atargatis, a Syrian divinity, Mnaseas 32, Str.16.1.27, Corn.ND6, etc.: — also Ἀταργάτη , LW1890, v.l. in Str.16.4.27: Ἀτταγάθη , Hsch.
Na verdade não se confirma que os dicionários de grego relacionem Astargatis com o termo grego gados. O erro da referência da citação da Wikipédia seria este:
Γάδος , a A. fish, = ὄνος, Dorio ap.Ath.7.315f. II. = γάνδος (q.v.). — Henry George Liddell. Robert Scott. A Greek-English Lexicon.
Atargatis, īdis, f., = Ἀτάργατις, I. a Syrian deity, called also Derceto (Δερκετώ), Plin. 5, 23, 19, § 81; Macr. p. 1, 23. — A Latin Dictionary. (…). Charlton T. Lewis, Ph.D. and. Charles Short, LL.D. Oxford. Clarendon Press. 1879.
Esta relação de Atargate com gados não é prova da linha de evolução etimológica mas explicação da ressonância fonética que modificou o termo grego para aquilo que parecia ser: uma deusa peixe como seguramente seriam as referencias externas locais que os gregos não poderia ter simplesmente inventado do nada! De resto, Plínio acabou por reconfirmar que Atragatis também se chamava Derceto e não seria por mera pressão dum hipotético equívoco do médico de Cnído. Por outro lado, é possível que a sílaba -gatis de Atargate tenha recebido influências dos epítetos acádios da deusa suméria Baú…particularmente de Ga-tu-m-dug.
Bau: deusa dos cães e da Cura. O seu nome é uma a forma onomatopaica de latido do cão. Variantes do seu nome são Nin-Karrak, Nin-Issina, Nin Ezen, Nin-Nibiru, Nin-Tinuga, Nm-din-dug, Gula, Ga-tum-dug.
At Ugarit, cuneiform tablets attest a fecund "Lady Goddess of the Sea" (rabbatu at?iratu yammi), as well as three Canaanite goddesses — Anat, Asherah and Ashtart — who shared many traits and might be worshipped in conjunction or separately during 1500 years of cultural history.
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Figura 23: Atargate de Heliopolis -Baalbek.
The goddess ‘Atah worshipped at Palmyra may possibly be in origin identical with ‘Anat. ‘Atah was combined with ‘Ashtart under the name Atar into the goddess ‘Atar’atah known to the Hellenes as Atargatis. If this origin for ‘Atah is correct, then Atargatis is effectively a combining of ‘Ashtart and ‘Anat. (Cognates of Ugaritic ‘Ațtart include Phoenician ‘Aštart — Hellenized as Astarte — Old Testament Hebrew ‘Aštoreth, and Himyaritic ‘Athtar. Compare the cognate Akkadian form Ištar.) – Wikipedia.
De qualquer modo, o nome de Atargate parece indiciar que não só esteve relacionado com o dragão como esteve relacionada com o nome da deusa draconiana de Ascalon, Decreto, a deusa que o médico Ctésias de Cnido confundia como sendo a mesmo, e ele lá saberia porque é que o fazia.
*KaK(a)ur Ki-Ki > Ha-Tar-Ka-Te > Atar-ga-ti(s) > Atargate.
*KaK(a)ur Ki-Ki > Ha-Fhaur-thite > Afordite > Afrodite ó Anfitrite.
    Taverete  < Ta-ker-hate ó Hator.
*KaK(a)ur-ka-te > Hator-Hate > Atar-ate < Ash-Kar-Ki > Astar-te.
ó Istar < Ish-Kura > Shara > Sala.
*KaK(a)ur Ki-Ki > *Hatauratete > ‘Atar’atheh > Atar‘atah
> Tar’atheh > Tar‘atha ó Thar-ka-(ta) > *Ker-ka-te
> *Der-Ke-to > *Der- ce(to) < Draca(ina) => «Dragão»
          > Ceto.
Alternatively, the second half may be a Palmyrene divine name ‘Athe (i.e. tempus opportunum), which occurs as part of many compounds. – Wikipedia.
Quanto à raiz –ate, o mais provável é que resulta de a uma decomposição silábica errada do nome aramaico ‘Atar’atheh de que deriva Atargate e que seria algo como *KaK(a)ur Ki-Ki > *Hatauratete de que derivariam muitos nomes de deusas mães primordiais egeias e do médio oriente.
Terão sido as coisas assim tão simples? Não há como sabe-lo!

Athtart (Atar) + Anat (Ata) = Atarata.
Athtart (Atar) + Anat (Ata) + Thirat ¹ Atarata. 
Ashtar(t) + Attis > Atar-ash-tis > Atarogtis > Atarga-tis, etc.??? 
Atar + Ag(dos) + (At)tis => Ataragdis ó Atarga-tis ???
Num penhasco deserto, denominado Agdos, na fronteira da Frígia, Cibele era adorada sob a forma de uma pedra negra.– Wikipedia.
As deusas fenícias referidas não eram bem assim denominadas porque eram: Asherah, Anath, Astarte. Depois ainda porque é forte a suspeita de estarmos perante o nome duma deusa que seria a verdadeira antepassada fenícia de Afrodite e possivelmente o nome a que certos autores se refeririam quando postulavam a origem fenícia de Afrodite.
A fonética da origem taurina das deusas do amor não se ouve bem no nome de Inanna, mas sim no de Anat o que começa a ser explícito a partir da análise dos antecedentes semânticos de Istar. Tendo-se a certeza de que Irnini foi um epíteto de Istar então é possível inferir que este nome constitui o elo de ligação semântico que transformou fonética e nominalmente Inana na deusa guerreira e taurina que já era ao ser uma deusa mãe leonina e "goddess of love, procreation, and war".
Assim, mais do que evolução étmica estes nomes devem ter sido vítimas de corruptelas por homofonia durante a longa fase oral do culto destas divindades.
                                     > Sumer. Ashtar-tu ó Estar-tu = Istar.
                                     > Ash-Taur-at > Hebr. Ashtoreth > Ashtaroth.
Atar-ata < A(sh)-Taur- | Hata < Ki-at > Gat | > Atargat(is).
                                     > Ashtar-at > Phoen. `Ashtart > `Athtart > Atar.
                                     > Ugar. Athirat.
Em Ugarit, as tabuinhas com cuneiformes atestam três grandes deusas cananeias: Aṭirat (> Asherah) – descrita como um "Senhora fecunda do Mar" (rabbatu at̪iratu yami) – Anat e Attart (> Astarte), que compartilharam muitas características e podem ter sido adoradas em conjunto (em épocas de maior confusão cultural?) ou separadamente como variantes da mesma deusa durante cerca de 1500 anos de história.
Na verdade, a dificuldade de encontrar vestígios claros uniformes e persistentes de uma cultura religiosa centrada numa mitologia e panteão únicos para os povos da região da Dea Siria radica precisamente no facto de estarmos no corredor Sírio por onde passavam todas grandes migrações e invasões históricas em torno do crescente fértil. O destino final trágico de Ugarit é bem expressivo na sua rica arqueologia.
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Figura 24: Mapa da Síria antiga.
Muito depois de Sansão, Gaza voltou a conhecer destruição quando, em Outubro de 332, depois de três a cinco meses de cerco (há as duas versões), a cidade foi conquistada por Alexandre, o Grande, no avanço das forças macedónias em direcção ao Egipto. Como castigo pela não rendição do governador local, toda a população masculina foi massacrada. As mulheres e as crianças foram vendidas como escravas. A região foi posteriormente repovoada com beduínos (nómadas) em áreas circundantes. — In Revista Publica de 18 de Janeiro, 2008 / Margarida Santos Lopes.
Da mais recente cultura filisteia o que os judeus macabeus não destruíram caiu nas mãos de Nabucodonosor II em 604 aC, acabando queimada e destruída e o seu povo exilado enquanto toda a Síria acabava mais tarde dominada pela cultura persa de que o helenismo a tentou resgatar. Por fim o que a sanha anti pagã do cristianismo bizantino não destruiu os árabes ocultaram ou abandonaram para que os cruzados a não conseguissem conquistar…e destruir ainda mais.
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Figura 25: Friso Assírio colocando lado a lado o culto da árvore da vida e do lago sagrado das águas vivas no centro do paraíso! (Retirado da obra “Monuments of Nineveh from drawings made on the spot by Austen Henry Layard).
“To Zeus, sender of fair winds, and Astarte of Palestine, and Aphrodite Urania, to the divinities that hearken, Damon son of Demetrios of Ashkelon, saved from pirates, makes this vow. It is not lawful to offer in sacrifice an animal of the goat or pig species, or a cow.
The Palestinian Astarte is here distinguished from the Aphrodite of Ashkelon; and though there obviously was much confusion between them, the distinction was real. From Lucian we learn that there were two goddesses, whom he keeps carefully apart, and who indeed were distinguished by their bodily form.
The goddess of Hierapolis, of whose worship he gives us such a lurid description, was in human form: the goddess of Phoenicia, whom he calls Derkĕto (a Greek corruption of the Semitic Atargatis) ‏ had the tail of a fish, like a mermaid.
The name of this goddess, as written in Sidonian inscriptions, was long ago explained as a compound of ‏עתר‎ and ‏עתה‎, ‘Atar and ‘Ate. These are two well-established divine names; the former is a variant of ‘Ashtart, but the latter is more obscure: it is possibly of Lydian origin. In Syriac and Talmudic writings the compound name appears as Tar‘atha. The Philistines, by R.A.S. Macalister, [1913]
Assim, aceitamos que na época do ferro e depois da crise da idade das trevas que acabou com Ugarite a deusa fenícia Atargate continuou a ser uma deusa peixe como pescadores e marinheiros eram os seus adoradores e se terá diferenciado da deusa Cananeia Astarte e da judaica Astorete cujos povos se continentalizaram na medida em que deixaram de ser pescadores e passaram a ser pastores quando entraram pela Síria adentro em direcção à Mesopotâmia.
De resto a progressiva humanização dos deuses em detrimento da arcaica zoolatria teve aqui o seu papel. Se nem todas as deusas Sírias foram sereias como explicitamente era a deusa filisteia de Escalhão / Ascalon a verdade é em todos os templos de Atargate havia uma piscina de peixes.

Ver: ASCALON (***)

Por outro lado, não deixa de ser um estranho atavismo cultural que os antigos sírios abominassem a carne de peixe e do cisne, ambos animais de lagos sagrados, enquanto o cristianismo passou a fazer do peixe a carne do jejum sagrado.
Diodorus Siculus (ii. 4). ‘In Syria is a city called Ashkelon, and not far from it is a great deep lake full of fishes; and beside it is a shrine of a famous goddess whom the Syrians called Derketo: and she has the face of a woman, and otherwise the entire body of a fish, for some reason such as this: the natives most skilful in legend fable that Aphrodite being offended by the aforesaid goddess inspired her with furious love for a certain youth among those sacrificing: and that Derketo, uniting with the Syrian, bore a daughter, and being ashamed at the fault, caused the youth to disappear and exposed the child in certain desert and stony places: and cast herself in shame and grief into the lake. The form of her body was changed into a fish: wherefore the Syrians even yet abstain from eating this creature, and honour fishes as gods.’
The legend is told to the same effect by Pausanias (II. xxx. 3).
Brito-mar-(tis) < Wer-teo Mater-ish < Ker-tu Ma-ter-kiki
< Kurija *Matereja
Dictynna < Dictumna < Kiki-Tumna ó *At-Tumnu = Adonis.
This legend is of great importance, for it helps us to detect the Philistine element in the Ashkelonite Atargatis. An essentially identical legend was told in Crete, the heroine being Britomartis or Dictynna. According to Callimachus’ Hymn to Artemis Britomartis was a nymph of Gortyna beloved of Artemis, whom Minos, inflamed with love, chased over the mountains of Crete. The nymph now hid herself in the forests, now in the low-lying meadows; till at last, when for nine months she had been chased over crags, and Minos was on the point of seizing her, she leaped into the sea from the high rocks of the Dictaean mountain. But she sprang into fishers’ nets (δίκτυα) which saved her; and hence the Cydonians called the nymph Dictynna, and the mountain from which she had leaped called they Dictaean; and they set up altars to her and perform sacrifices. — The Philistines, by R.A.S. Macalister, [1913].

Ver: AS DEUSAS "MÁSCULAS
/ DICTINA AFAIA BRITOMARTIS (***)

Britomartis era filha de Zeus e de Carme, a senhora das colheitas e antepassada das latinas Carmentas e da Senhora do Carmo, todas divinas mães do deus menino Kar / Carpo / Hórus Carpocrates.
The cult of Britomartis was evidently very ancient. Her temple was said to have been built by Daedalus. The name is alleged to mean uirgo dulcis; and as Hesychius and the Etymologicon Magnum give us respectively γλυκύ and ἀγαθόν as meanings of βριτύ or βρίτον, the explanation is very likely correct. The name of the barley drink, βρύτος or βρύτον, may possibly have some connexion with this word. See also the end of the quotation from Stephanus of Byzantium, ante p. 15.´– The Philistines: Their History and Civilization: The Schwiech Lectures, R.A. Stewart Macalister.
"Her name is supposed to mean the ‘Good Maiden’ — which like Aristaios and Kalliste, may be a euphemism for its opposite, the Maiden of Death." (Carl A.P. Ruck and Danny Staples, The World of Classical Myth [Carolina Academic Press], 1994:113).
De facto, o nome de Britomartis tem ressonâncias marciais que não serão inteiramente ocasionais e as suas funções másculas de deusa da caça não condizem com a doce candura duma jovem virgem.
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Figura 26: Deusa caçadora num selo cretense. (Corpus of the Minoan and Mycenaean Seals CMS-XI-026-1).
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Figura 27: Potnia Teron ou Dictina. (Corpus of the Minoan and Mycenaean Seals CMS-XI-026).
Son aspect inspirant la terreur a été atténué par l’appellation Britomartis, la "douce vierge" afin d’apaiser son aspect dangereux. En effet elle avait les caractéristiques d’une Gorgone, accompagnée d’une hache à double tranchant symbole de la puissance divine et tenant des serpents.
La déesse antique n’a jamais complètement disparu; elle est restée sur des pièces de la ville Olous, sous son nom ou celui de Diktynna, la déesse du Mont Dicté.
Cette dernière est représentée avec des ailes, un visage humain et saisissant un animal dans chaque main tout comme Potnia Theron, la maîtresse des animaux.

O rei Minos apaixonou-se por Brito-Matris, a que foi Cleto, a amante atlântida de Poseidon mas que seria Kertu / Kurija que veio a ser a deusa mãe de Beirute, e que, ainda virgem temerosa, fugiu para as montanhas onde esteve nove meses, seguramente para esconder uma gravidez indesejada. Regressou mas como continuasse a ser importunada por Minos acabou a praticar o tipo mais comum de suicídio das mulheres e dos jovens na Grécia antiga: o «catapuntismo» que depressa se transformou numa lenda e a vítima numa deusa. Como é de regra nestas tragédias lendárias o milagre aparece logo pelo que Britomartis acabou nas redes dos pescadores…como se fosse um peixe o que levou os autores antigos de etimologias populares a relacionar o nome desta deusa com o da deusa Artemis Dictina ignorando que esta deusa não era pescadora embora usasse redes de caça. No entanto, o nome desta deusa deriva mais seguramente da mesma entidade sagrada que deu nome à serra cretense Dikti (Δίκτη) ou "Dicteion" porque seria a Deusa Mãe de Zeus e das divinas leis, dos «ditos» e «ditados» como foi Temis. A prova de que a lenda de Britomartis começou entre pescadores antes ter passado a mito de caçadores continentais é o facto de Pausânias lhe atribuir a invenção das redes de caça...que todos sabemos serem copiadas das dos pescadores!

O SEMEION
One of the most important elements of Lucian’s account which the relief of Hadad and Atargatis found at Dura Europos corroborates is the standard with circles on it surmounted by a dove placed between the deities. It is called the semeion by Lucian and interpreted to be a symbol of the Babylonian queen Semiramis (c. 800 BC) who supposedly founded the temple in another of Lucian’s foundation myths. An interesting aspect of the cult revealed by the Dura relief is that Atargatis was apparently more important that Hadad because she is depicted as larger than Hadad and he appears pushed to the side and behind her. This belief is underscored by the inscriptions at Delos which mention Atargatis more often than her consort. – Goddess Temples in Western Asia II  by Max Dashu.
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Figura 2: The god and goddess of Hierapolis (Hadad & Atargate, com o sagrado Semeion entre eles). ((From a Coin of the 3rd cent. A.D.).)
O grego clássico desconhece o termo semeion mas a grego bíblico neo testamentário usa-o com o significado de sinal e milagre numa evidente inclusão do aramaico dos judeus no grego dos primeiros cristãos. Afinal o arameu bíblico usou o símbolo semita de Atargate com o significado do que ele era: o sinal miraculoso da presença da Deusa Mãe (sagrado para Dionísio, Deucalião e Semiramis).
11 Os fariseus chegaram e começaram a discutir com ele e, testando-o, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal (semeion) do céu. 12 Mas Jesus, dando um suspiro profundo, disse:
— Por que é que esta geração pede um sinal (semeion)? Digo a verdade a vocês: nenhum sinal será mostrado para esta geração. — Marcos 8:11-12, Portuguese New Testament: Easy-to-Read Version (VFL).
Aparentemente o grego importou deste mesmo culto vários termos em volta de σεμνός (semnos) com o significado de solenidade com pompa e circunstância…bem como o nome da mãe de Dionísio: Semele.
De facto o grego moderno tem σημαία, como bandeira mas seguramente que importado do arameu por via neo-testamentária porque nenhum dicionário de grego clássico reconhece este termo.
Ora bem, na Grécia os cultos orgiásticos que costumam ser votadas a Dea Syria e a Cibele eram dedicados ao seu filho, o “deus menino” Dionísio.
According to some linguists the name "Semele" is Thraco-Phrygian, derived from a PIE root meaning "earth". Julius Pokorny reconstructs her name from the PIE root *dgem- meaning "earth" and relates it with Thracian Zemele, "mother earth" [*1][*2]. However, Burkert says that while Semele is "manifestly non-Greek", he also says that "it is no more possible to confirm that Semele is a Thraco-Phrygian word for earth than it is to prove the priority of the Lydian baki- over Bacchus as a name for Dionysos".
[*1] Julius Pokorny. Indogermanisches Etymologisches Woerterbuch: root *dgem. Compare Damia:"Demeter" (mother earth).
[*1] Compare Žemyna (derived from žemė – earth), the goddess of the earth (mother goddess) in Lithuanian mythology, and Zeme, also referred to as Zemes-mãte, a Slavic and Latvian goddess of the earth: Ann, Martha and Myers Imel, Dorothy. 1993. Goddesses in World Mythology. Santa Barbara. CA: ABC-CLIO.
Do mesmo modo que o sémen latino deu «semente» em português e semilha em espanhol, também a cretense *Ge-Ma, de que derivou o PIE root *dgem- meaning "earth", pode ter originado o nome de grego de Semele, o trácio Zemele e a eslava Žemyna. Logo, Semele foi uma variante grega da cretense *Ge-Ma de que derivaram todas as Deae Syriae.

Lucus erat, dubium Semelae Stimulaene vocetur;
maenadas Ausonias incoluisse ferunt:
quaerit ab his
Ino quae gens foret. Arcadas esse
audit et Euandrum sceptra tenere loci;
dissimulata deam Latias Saturnia Bacchas
instimulat fictis insidiosa sonis:"
Ovid, Fasti, 6.503

Havia um bosque, de dúvio chamamento ora Semele ora Stimulena:
Habitado, dizem, por Ménades italianas.
Ino, pedindo-lhes de que gente eram, soube que eram árcades,
E que Evandro tinha ceptro no lugar.
Dissimulada diva Saturnina as latinas Bacantes
Estimula insidiosamente com sons fictícios:
Ovid identifies Semele’s sister Ino as the nurturing goddess Mater Matuta. This goddess had a major cult center at Satricum that was built 500–490 BCE. The female consort who appears with Bacchus in the acroterial statues there may be either Semele or Ariadne. The pair were part of the Aventine Triad in Rome as Liber and Libera, along with Ceres. The temple of the triad is located near the Grove of Stimula, and the grove and its shrine (sacrarium) were located outside Rome’s sacred boundary (pomerium), perhaps as the "dark side" of the Aventine Triad.
As associações e identidades míticas entre o panteão latino e grego parecem longe de ser simples. Originalmente os deuses do vinho do Lácio eram Liber & Libera, que faziam tríades com Ceres por serem seus filhos…como Dionísio e Prosérpina eram de Deméter. Então, Semele era nem mais nem menos que a Deusa Mãe Terra e por isso era uma forma de Deméter e de Ceres, ou seja, uma senhora das colheitas tendo por isso mesmo que ter tutelado as «sementeiras» e as «sementes» de cereal.
Quanto à romana Stimul-ena, a deusa que presidia ao «estímulo» dos touros e animais de cobrição como Baal *Sha-Min (lit. proteção de Min, o touro da fertilidade) e depois como desejo sexual dos humanos podemos constatar que é um exemplo flagrante em como nomes significantes de divindades se transformam em "reprodutores" de conceitos e de palavras várias.
Baal-Shamin era o “chefe do panteão do Oeste da Síria”, um deus ligado aos astros, à chuva e à fertilidade.
«Jasmim» < [French jasmin, from Old French jassemin, from Arabic yasmclip_image021[1]n, from Persian yasmclip_image021[2]n, yclip_image022[1]sman, from Middle Persian yclip_image022[2]sman.]
                            «Jasmim» < Yasmin < U-Ash-Min
«Semente» < Lat. sementis < Lat. semen < *Ash-Min > Sha -Min
= poder protector (Egit. Min) de Min > Žemyna
Ma-an ó Ma-ur => | Ash + Te |-| Mur + Ana | > Stimulena.
    > Sha-| Mu-ra > Mira > Mil(ita) | > Shamile > Zemele > Semele.
A origem grega de Semele é demasiado confusa para ser incontestável e muitos dos locais de origem ou são tebanos, supostamente fundada por Cádmo, o fenício, ou em ilhas perto da costa asiática ou nos montes fenícios de Naxos, tudo suficiente para se ficar com a suspeita de que Semele não seria grega mas antes fenícia, ou seja, relacionada com o mito de Semíramis.
Semíramis (em grego Σεμίραμις; em armênio Շամիրամ [Shamiram]), também conhecida como Sham-murā-mat foi uma rainha mitológica que segundo as lendas gregas e lendas persas reinou sobre a Pérsia, Assíria , Armênia, Arábia, Egito e toda a Ásia, durante mais de 42 anos, foi fundadora da Babilônia e de seus jardins suspensos. Subiu ao céu transformada em pomba, após entregar a coroa ao seu filho, Tamuz (/ Adónis / Dionísio).
As Sammu-rammat was evidently a royal princess of Babylonia, it seems probable that her marriage was arranged with purpose to legitimatize the succession of the Assyrian overlords to the Babylonian throne. The principle of "mother right" was ever popular in those countries where the worship of the Great Mother was perpetuated if not in official at any rate in domestic religion.
(…) In Babylonia the fish goddess was Nina, a developed form of Damkina, spouse of Ea of Eridu. In the inscription on the Nebo statue, that god is referred to as the "son of Nudimmud" (Ea). Nina was the goddess who gave her name to Nineveh, and it is possible that Nebo may have been regarded as her son during the Semiramis period.
(…) Semiramis was similarly deserted at birth by her Celestial mother. She was protected by doves, and her Assyrian name, Sammu-rammat, is believed to be derived from "Summat"–"dove", and to signify "the dove goddess loveth her". Simmas, the chief of royal shepherds, found the child and adopted her. (…) After her death she was worshipped as a dove goddess like "Our Lady of Trees and Doves" in Cyprus, whose shrine at old Paphos was founded, Herodotus says, by Phoenician colonists from Askalon. Fish and doves were sacred to Derceto (Attar), who had a mermaid form. "I have beheld", says Lucian, "the image of Derceto in Phoenicia. A marvellous spectacle it is. One half is a woman, but the part which extends from thighs to feet terminates with the tail of a fish."
Obviamente que o nome Sam-mu-ram-mat, escrito em sumeriogramas poderia ser uma forma ortográfica complexa cuja leitura fonética seria menos literal e mais próxima do que restou do nome por via helenista.
Sam-mu-ram-mat < *Ash-Myra-Mat > Samiramish > Semeramis.
Derceto, (Dérceto, o Dércetis, según qué autores se consulten) es una diosa en la mitología siria, a la que representaban en forma de pez con cabeza, brazos y pecho de mujer; por lo que fue confundida con Dagón, que igualmente aparecía en las iconografías como semipez, aunque su parte humana era masculina. Que sepamos, sólo esta diosa y Eurínome fueron representadas por los griegos, entre las diosas femeninas, con la misma morfología anfibia.
Segundo dizem os órficos, Eurinome foi uma arcaica rainha dos Gigantes que governou o Olimpo ao lado da cobra macho Ofião, seu filho e marido. Na guerra da titanomaquia foi derrotada por Crono e Rea que os lançaram no mar que cerca os Oceanos.
O nome de Eurinome pensa-se derivado do grego eurys "largo", "mar alto", e "nomos" que rege ou de “nomia", terras de pasto. Foi identificada de perto com outra Eurynome, uma das esposas de Zeus e mãe das três Graças.
Eurínome foi a princípio o protótipo da Deusa Mãe Criadora e a mais importante divindade dos Pelasgos, o povo que ocupou a região da Grécia em tempos pré-históricos antes da invasão jónia e dórica. Segundo o que os gregos clássicos recordavam o seu nome significa algo como "aquela que governa de longe". O seu culto espalhou-se por todo o Mediterrâneo, servindo de base para a maioria das deusas mães da da região. Eurínome está associada ao mar e de entre os títulos que lhe são atribuídos, alguns são: Grande Deusa, Mãe Primordial, a Criadora do Universo, a Governanta, Deusa do Universo, Deusa de Tudo, e Aquela Que Se Move Na Eternidade.
No entanto, etimologicamente ela seria apenas o «nume» ou aquela cujo divino «nome» é Euru(pa) / Auru-ka ou *Kurija, ou seja, a que veio a ser a celta Eiru e a lusitana Aires e que possivelmente seria Inana /Irnina.
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Figura 3: Seleucid Kingdom. Demetrius III Eucaerus (97/6-88/7 BC)
Eurinome em forma de peixe é morfologicamente parecida com Artemisa de Éfeso mas neste caso trata-se de uma imagem de culto de Atargate.
Figura 4: SELEUKID KINGS of SYRIA. Antiochos XII Dionysos. 87/6-84/3 BC.
Cult statue of Hadad standing facing on double basis, holding barley stalk, flanked by two bull foreparts
Há várias moedas helenistas do reino Sírio dos seleucidas com este tema. Em poucas aparece Hadade, esposo de Atargate. Em várias a deusa aparece com uma coroa radial mas sempre com espigas de cereal o que faz dele uma equivalente de Ceres / Demeter.
"O rio Lymax (Depois do Nascimento) entra no Neda [na Arkadia]. Onde os fluxos se encontram está o santuário de Eurynome, uma velha mancha santa de difícil acesso por causa da aspereza do chão. Ao redor há muitos ciprestes crescendo muito juntos. Ali as pessoas de Phigalia acreditam que Eurynome é um sobrenome de Artemis. Porém, Alguns deles a quem chegaram antigas tradições, declaram que Eurynome era uma filha de Okeanos que Homero menciona no Iliada, dizendo que junto com Thetis ela recebeu Hephaistos. – Pausânias, Descrições da Gécia 8. 41.
Se Eurinome era uma titânide pré-olímpica criadora natural seria que fosse a Deusa Mãe das cobras dos cretenses. A etimologia do nome proposta a partir do nome grego eurys "largo", "mar alto" reposta-nos apenas para uma deusa do mar como era de facto e por direito morfológico já que é a única deusa grega com cauda de peixe. Eurinome será assim apenas *Kurija / Irene, a verdadeira Mãe das suaves correntes da Aurora, ou um dos numenes, ninfas ou naides, dos bons fluxos marítimos da civilização cretense possivelmente correlativa em importância de Inana / Irinina.

Pois bem, como vimos antes Britomartis / *Brito-Mater foi amada por Minos possivelmente no mito de Zeus / Europa e, por isso, teria sido *Min-Auruka de que derivou a Minerva latina que, enquanto contraponto das deusas Diana / Artemisa onde Diana = Atena deixa, como terceiro excluido a evidente equivalência de Atena / Minerva ó Diana / Artemisa.


De forma colateral, e depois de passar pela fenícia de Brígida / Beirute, Britomartis / *Brito-Mater reporta-nos para Ta-Veret / Mut, deusa egípcia do parto e da aurora, todas variantes da "Senhora do Monte" a deusa mãe *Kurija das cobras cretenses.
 
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Figura 5: Artemisa de Éfeso.
Figura 6: Hera Samian, de Samos.
Figura 7: Deusa de Caria.
Eurinome seria então um mero avatar de Hera que, com Artemisa e Afrodite seriam pilariformes o ictifálicas como seriam todas as grandes deusas mães orientais antes da reforma olímpica a que parece que o mundo grego ultramarino das costas anatólias, sírias e fenícias e de Chipre teriam ficado imunes. Supõe-se que Eurinome seria conhecida entre os judeus de Elefantica como esposa de Jeová com o nome Anat-Yahu (Anat-Yahweh) e que em sumério significaria a "pomba sublime" da Sabedoria.
Samos é uma ilha grega que terá ficado isolada das influências olímpicas como o resto das colónias gregas da Anatólia, de que fica muito mais perto.
Ainda no século II d.C., era famoso o seu Heraion, que alguns diziam ter sido feito pelos argonautas, e outros por um contemporâneo de Dédalo o que indicia que o seu arcaísmo remontava aos tempos da talassocracia Cretense. É certo que Pausânias[1] afirma que no reinado de Leogorus a ilha foi conquistada pelos efésios que expulsaram os samios da ilha acusando-os de conspirar contra a liga jónica a favor dos cários. Obviamente que se expulsos foram terão retornado em devido tempo porque a cultura dos efésios não era distinta da dos cários.
O importante neste caso é dar conta de que a deusa cretense que os samios adoravam seria, como a deusa dos cários, *Kurija / Ker-tu antepassada da olímpica Hera…e de Ker, a deusa grega da morte negra.
Kerkis o Kerketeus (griego, moderno: Κέρκης, Kérkis; antiguo: Κερκετεύς, Kerketeús) es un volcán extinguido, que constituye la mayor parte del centro de la isla griega de Samos.
O monte Kerkis ou Kerketeu era o deus *Kerku da ilha de Samos porque era filho de Ker.
A terra dos samnitas era mesmo ao lado do Lácio e nada se sabe da origem histórica deste povo pelo que as tentativas para reconstruir a origem etimológica do nome deste povo são patética porque acabam na questão circular de termos de questionar também a origem dos indo-europeus…que tudo leva a crer que seriam antigos emigrantes das costas do mar Egeu.
Assim podemos especular à vontade que tantos os Samnitas itálicos quanto os samios da ilha grega eram ambos povos egeus sob a protecção (Egipt. cha) da talassocracia minóica.
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Figura 21: Afrodite de Afrodisia na Caria. (Restauro cibernética do autor).
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As Guerras Samnitas foram uma série de conflitos armados da Antiguidade, entre 343 a.C. e 290 a.C., nos quais a incipiente República Romana enfrentou o povo itálico dos samnitas, que dominava os montes Apeninos ao sul do Lácio, pelo controle da região central da península Itálica.
Figura 8: Samnite soldiers from a tomb fresco from Nola, 4th century BCE. Museo archeologico nazionale di Napoli (inv. nr. 9363). Notar que nesta representação os guerreiros samnitas são tipicamente egeus.
Uma deusa anatólica com a cidade à cabeça perto de Éfeso era Afrodite de Afrodisia, na Caria um seguro erro de Interpretatio graeca, porque desconhecemos como se chamava a deusa mãe dos cários mas esta teria seguramente nome cretense e seria mais Hera que Afrodite. No entanto, sabemos de outros contextos que Hera, Atena e Afrodite teriam derivado de um trio de deusas mães cretenses.
We do not know for sure what they, themselves, called their own land in their own language. But we do know that the Caria land was called Karuwa (the land of the summits) in one of the oldest languages of Anatolia, the Luwian language; in Hittite texts, Karkusha; in Greek texts, Kares/Karkoi; in Persian texts, Karka; and in Egyptian hieroglyphs, Keres.
The name of Caria appears in a number of early languages: Hittite Karkija (a member state of the Assuwa league, c. 1250 BC), Babylonian Karsa, Elamite and Old Persian Kurka. Allegedly, the region received the name of Caria from Car, an ancestral hero of the Carians.
                                        < Kaurkisha < Cret. *Kurkissa = terra de Kurija.
Luw. Karuwa < Kaurka < Pers. Ant. Kurka > Bab. Karsa
                                        < Karkusha < Kurkija.
Samos < Grec. Σάμος < Zamnos < Cha-Minos < *Ash-Min,
lit. “sob a protecção (Cha) de Min”, o poderoso deus taurino de Creta.
Embora este símbolo apareça relacionado com Atargate a verdade é que ele parece ser um estandarte típico do casal Atargate & Hadade / Nergal.
And between the two a tall cabinet with a very strange device called Semeion, i.e. “sign”. It is a kind of holy standard with discs or whirls attached to it. The holy instrument is a symbol of the ascension to heaven, a symbol of ecstasy and magic like the caduceus. It is known in many variations, but as the tree of life it is a symbol of the world pillar. But it is also seen as a god, and fortunately we seem to have a picture of this god: in Hatra is found a relief of a semeion with 7 discs guarded by a god with a lion´s face [1[2]] — 18. Mabbug/Hierapolis / GailAllen.com
Allatu (Allatum) is an underworld goddess modeled after the mesopotamic goddess Ereshkigal and worshipped by western Semitic peoples, including the Carthaginians. She also may be equate with the Canaanite goddess Arsay.
Arsay < Harsau < Kaursaw < *Kur-sak + Nin > Ninhursag.
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Figura 9: Negral, o deus chifrudo como o diabo dos infernos apresenta  aspecto de um deus semita barbudo coroado com cornos de touro e de bode com a pomba Anzu ( > «Anjo») à cabeça (Espírito Santo?) e cobras nos ombros e nos pés. O seu animal de estimação era um cão ticéfalo como Cérbero. Armado com o “machado duplo” da deusa mãe das cobras cretenses ele é verdadeiramente o «deus menino» da Deusa Mãe aqui representada pela metade quiçá mais por convenção de perspectiva de afastamento do que por menosprezo porque de facto quem empunha o semeion é Ela A que em Hatra se chamava Allat ó Allatu.
Senhora dos montes da Aurora e deusa do Parto solar Allat ó Allatu era uma variante de Herechquigal…e de Atargatis. Notar os dois peixes no rodapé da cadeira de Atragate. Nesta figura, o semeion é visualizado de forma clara: tem a forma de um estandarte formado por um tridente lunar (possivelmente em memória do “machado duplo cretense”) onde foi espetada uma boneca de trapos, «nana», e presas três argolas que possivelmente rodariam batendo sobre a haste do tridente que seria de metal produzindo assim um ruidoso barulho como se fora um sistro ou uma matraca como a que os católicos usam na Semana Santa. Da cabeça da «nana» saem raios solares deixando-nos a suspeita de que a Dea Síria por ser uma deusa leonina era também em tempos arcaicos uma deusa solar como a Arina dos Hititas.
De facto Enki, deus das pombas e dos peixes, foi casado com Ninhursag, e era, enquanto senhor do Kur muitas vezes confundido com Negral, o touro alado dos assírios.
O termo Allāh é derivado de uma contração do artigo definido al- ("o") com ilāh ("divindade", "deus"). L. Gardet, "Allah", Encyclopedia of Islam. A forma correspondente em aramaico é Elah (אלה), mas sua forma enfática é Elaha (אלהא)
Os árabes têm tendência a considerar que o Al inicial seria um mero artigo mas no caso do nome de Deus ele é mesmo um componente essencial já muito contraído. Porém, se a Deusa Mãe dos árabe foi Alilat(u), que é literalmente o esposo de *Alla / Alá, e se Allatu, a deusa dos infernos sumérios, precedeu os semitas antigos em vários milénios é natural suspeitar que há muito de etimologia popular a gosto na moderna mitologia judaica e árabe.
Aruru: A name for the Great Mother goddess in Babylonian mythology. She created people. See Ninhursag. Arali (Arallu): Name of the desert between Bad-tibra and Uruk, where Dumuzi was killed; perhaps also a semi-mythical land from which gold was obtained, also known as Harallum. Evolved into a name for the Underworld.
Kur-Kur > Ker-Kur-ish > Herkules
                                                                    > Herkales > Herakles.
Kur-Kur > Ker-Kur-ish > Her-Kal-(ish) > Nin-Her-gal > Nergal.
Kur-Kur > Kaur-kaur > Karhalu > Haral-lu(m) > Aral-lu > Arali(t)
> Ara(u)ri(t) > Aruru(t) > Alalu(t) > Al(i)lat => Aurora.
                                                          > *Alla-Ka > Allaha > Allāh.
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Figura 10: Alilat.
A Marble altar depicting the Goddess Allat with a lion from the Temple of Baal Shamin.
Alat (em árabe: al-Lāt) foi uma deusa da Arábia pré-islâmica, que era uma das três deusas supremas de Meca. É mencionada no Alcorão (Sura 53:19), a qual indica que na Arábia pré-islâmica era considerada uma das três filhas de Alá, junto com Manat e al-‘Uzzá.
Claro que Alat poderia ter sido “A Lato”, ou seja, Leto ou Latona mãe de Apolo, pois segundo Wellhausen, os nabateus acreditavam que esta a mãe de Hubal, seguramente uma forma semita de Apolo mas só e apenas aceitando que Leto ó Re-tu / Uraz, é já uma forma elidida de Alilat, já que era assim que Heródoto chamava à deusa mãe dos árabes que ele equiparava a Afrodite. O leão ao lado de Alilat não permite dúvidas quanto a sua equivalência com Cibele e Atragate.
Não se contesta que o genérico divino árabe ilāh exista mas, deriva do fenício Elaha com ressonâncias com Enlil.
Os deuses infernais eram deuses da abundância, da riqueza e da fecundidade da terra vulcânica porque o subsolo eram as entranhas da vida e da morte da Deusa Mãe Terra que todas as Deae Syriae eram. Então, o semeion era um sinal típico de Atargate como deusa protectora do «cereal» fosse porque identificava e protegia os celeiros, fosse porque seriam um antigo instrumento de protecção das searas tipo «tramela» espanta pássaros que acabou numa espécie de sistro ritual de Atargate.
The semeion is a sign of balance between male and female power. It also has to secure that the sea does not start flooding the land like in the days of Deucalion. This is done with a magic ritual: many small portions of sea-water are taken from the beach and brought to the temple where it is poured into a cleft through which the mighty waters after the great flood were said to have disappeared, leaving the earth to dry. (…)
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Figura 11: Um caso raro de tridivas semitas que fazem lembrar as 3 filhas de Alá (Alilat, Menat e Al-Uzza), segundo Maomé. (A Parthian artifact discovered at Hatra).
Na verdade só as tribos árabes têm esta trilogia divina que de facto são a mãe, a nora e a filha. O interessante deste trio é as duas mais novas usarem o semeion, como se fossem papel das mais novas da casa a ir à monda e espantar os pássaros das searas! Importa também notar que o semeion pode estar relacionado com o menat de Hator.

Ver: DO MENAT EGÍPCIO AO MANAIA DOS MAORIS A LONGA VIAGEM DO NEOLÍTICO MINOICO (***)

(…) The rituals to secure balance in cosmos were said to have been introduced to the local population by the Magi. Now it is a wellknown fact that the very same Magi believed in the two primeval principles in the universe, the moist, female priciple and the dry, male, and they believed that the universe was constantly moving from flood to ecpyrosis (the world being destroyed by fire) and back again in an unending row of cycles. The ritual year of Mabbug is meant to secure balance. 18. Mabbug/Hierapolis / GailAllen.com
Em conclusão o Semeion seria uma espécie de sistro com que se propiciava a fertilidade dos touros de cobrição, que estavam sob a proteção de Min e de Baal Shamin (lit. proteção de Min), e que acabou como símbolo genérico da Dea Syria  e da fertilidade e abundância em geral particularmente a da agricultura decorrente das boas sementeiras...daí que seja inevitável relacionar a etimologia do semeion com a das sementes e sementeiras.

DIES SANGUINIS
É suposto que Artemisa, Hera, Hermes e Dionísio faziam parte dum grupo de deuses arcaicos que tinham em comum o facto de, nos seus mitos, os “rituais de reversão” desempenharem um papel importante nos seus cultos sendo por isso chamados também de deuses “amarrados” (como os santos católicos da semana santa) porque em algumas cidades gregas só eram desatados uma vez no ano aquando dos seus festivais caricatos e licenciosos o que nos recorda imediatamente as festas dionisíacas onde participava Hermes e Dionísio e as festas frenéticas de Dea Síria (que afinal Hera e Artemisa eram) e das hilarias romanas particularmente no Dies Sanguinis de Magna Mater Deum Cibeleia em que ocorriam castrações.[3]
Rituals of inversion, also known as rituals of reversal, occur when a ritual or special event provides a framethat gives license for people to violate everyday cultural norms and social codes. The modifier “ritual”suggests that these violations are in some sense considered temporary, playful, or restricted to a specialtime and/or place. It is these constraints and frames that provide license for behavior that would incur social sanctions outside of the ritual setting. Ritual inversions are frequently humorous and often includesatire and mockery — expressions intended to elicit a humorous reaction from a given segment of a population by recourse to making fun of another at the other’s expense.
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Figura 12: Atargatis, a deusa soberana de Hierópolis, empunhando um ceptro ou uma lança, ataca os inimigos do helenismo de Filipe II como divina leoa! (Philip II, AE of Hierapolis, Syria. 247-249 AD).
A relação das deusas mães leoninas com os cultos orgiásticos de castração deve ter ocorrido em ritos de passagem em que a bravura da deusa mãe era comparada à das leoas. Hércules, o herói amado e odiado de Hera quando se veste de mulher junto de Omfala esconde mal o complexo de castração que a deusa mãe impunha aos guerreiros.
Na verdade, a forma como Freud desvendou o complexo de castração em volta da lenda de Édipo é já de facto a visão acabada de uma inversão paternalista deste fenómeno psicológico pré formador da personalidade neurótica do homem civilizado. De facto, o lar, a cidade e a civilização foram imposta pelas necessidades das mulheres cuidarem dos filhos e não foram desejadas pelo homem, que quando lhes é dada a plena liberdade de continuariam machos, mais alfa do que “machos dominantes”, se comportam como misóginos “filhos da mãe” incógnita, selvagens militaristas capazes de destruírem tudo e todos mas não em nome das mulheres deste mundo que ostensivamente desconhecem mas das mil virgens no paraíso da infantilidade.
As Ataratha she may be recognized by the self-mutilation of her votaries, recorded in a perhaps sensationalist Christian passage from the Book of the Laws of the Countries, one of the oldest works of Syriac prose, an early-third-century product of the school of Bar Daisan (Bardesanes):
"In Syria and in Urhâi [Edessa] the men used to castrate themselves in honor of Ataratha. But when King Abgar became a believer, he commanded that anyone who emasculated himself should have a hand cut off. And from that day to the present no one in Urhâi emasculates himself anymore."
A Deusa da Síria de Luciano: 51. Durante estes dias é que se fazem os Galli. Enquanto os Galli cantam e celebram as suas orgias, muitos ficam frenéticos e muito mais dos que tinham vindo como meros espectadores são posteriormente consideradas como tendo cometido o grande acto. Vou narrar o que eles fazem. Qualquer jovem que resolveu envolver-se nesta acção retira as suas roupas e, por entre a gritaria que irrompe no meio da multidão, pega uma adaga de uma série delas que suponho terem sido mantidas afiadas para esta finalidade por muitos anos. Ele a toma e castra-se e, em seguida, corre solta à solta pela cidade, tendo em suas mãos o que ele cortou. Ele lança-o em qualquer casa à escolha, e é a partir desta casa que ele recebe vestes e ornamentos de mulher. Assim eles agem durante suas cerimónias de castração.[4]
Uma das principais razões pela qual estas deusas eram todas semelhantes pode ser porque originalmente seriam virgens de vestir como a célebre Virgem de Macarena à semelhanças dos Ermes gregos de que facilmente se faziam ídolos vistosos depois de vestidos e enfeitados. Em moedas de Samos da época romana aparece um Erme pinacular e ictifálico devido mais à cunhagem deficiente do que à deterioração do tempo (visto existirem duas da mesma época em museus diferentes com uma das faces ligeiramente diferentes mas iguais no lado do Erme onde aparece o mesmo defeito de impressão indecisa).
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Figura 13: Samos (AD 0-100) AE 14.
(Bearded herm facing. Dark patina)
Figura 14: Samos – Samos (AD 177-192) AE 18. (Cult statue of Hera Samion standing facing, wearing modius or Isis crown).
Porém isso não quer dizer que em Samos o culto de Hermes fosse conjunto com o de Hera porque sabemos que, como era frequente, tinha um mesmo templo com Afrodite…obviamente na mesma área sagrada do Heraião. Teria acontecido mesmo assim que o culto de Hermes de Samos seria também famoso ao ponto de o seu erme ter direito a fazer parte de moedas romanas que tinham a tendência para nelas incluir aspectos exóticos das cidades que lançavam moeda? Tentamos sabe-lo mas nada descobrimos. A única coisa que sabemos é que no festival de Hermes de Samos era permitido o “ritual de inversão” onde o roubo era permitido[5] em paralelo com o facto de em Creta o festival de Hermes ser idêntico às saturnálias romanas[6].
Assim, até prova em contrário tratar-se-á de uma representação tosca da estátua de vestir de Hera (xoanon), aliás não menos rude que a impressão de uma moeda de uma hera vestida dos anos de 177-192 aC.
(…) So the Argive literary tradition, like the Samian, supports both aniconic representation (in a makros kion, which Clement understood as a column) and rudely iconic representation (in a statue made from a pear tree, which Peiras shaped into an agalma or the small image seated upon a column seen by Pausanias [2.17.5]).
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Figura 15: Afrodite de Afrodisias. (180-192 dC. Restaurada ciberneticamente.)
Figura 16: Hera Samiana. (THRACE Perinth Octavia Augusta, 54-62)
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Figura 17: Hera de Samos no Heraião com o seu opulento peitoral. Samos (AD 193-217) AE 30.
Figura 18: Hera de Samos semelhante a Artemisa de Éfeso. Samos (AD 253-260) AE
The Samian habit of dressing the earliest cult statues in real clothes supports the notion that this statue was a sacral plank (sanis). Presumably worshipers would more likely clothe a plank of Hera than an anthropomorphic statue with clothes incised into the wood (…) (*).
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Figura 19: Montfaucon’s Antiquities: Diana d´Efese várias.
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Figura 20: Montfaucon’s Antiquities: Mais Diana d´Efese várias.
(*). Romano 1980.130 notes that clothes were added to Hera’s xoanon at Samos and Olympia, and to other cult statues like Artemisian Artemis: "The evidence suggests that probably only cult statues, as distinct from votives, wore real clothing."
(…) Aniconism, while less clear, is discernible in the planklike appearance of the archaizing imperial coin images (Fig. 3a-b); and in the uniquely rounded, trunklike bases of Samian stone statuary.16 Both the planklike coin images and the rounded trunklike figures are consistent with a desire to preserve a vestige of a tree in the votives given to the goddess.
(…) The combination of these literary and archaeological pieces of the puzzle leads me to conclude that at early Samos there must have been, in addition to a fully anthropomorphic statue, a treelike image, which suggests that the worshipers believed the goddess had her epiphany in a tree, whether a lugos, olive, pear, oak, or whatever kind local circumstances provided (Chaps. 5-6). — The Transformation of Hera: A Study of Ritual, Hero, and the Goddess in the Iliad, Bay  Joan V. O’Brien.
Portanto, não seria uma mera moda religiosa copiada de Efeso, o facto de as moedas helenista, da época alexandrina à romana, representarem a Dea Síra, Hera de Samos e a “deusa de Caria” como pilariformes e ictifálicas como se fossem todas a mesma entidade.



[1] Descrição da Grécia, 7.4.2.
[2] H.Ingholt, Parthian Sculptures from Hatra,1954,pl. III,3 and VII,2. Foto N.al Asil.
[3] Greek Religion and Culture, the Bible and the Ancient Near East, Bay Jan Bremmer. Pag 187
[4] 51. During these days they are made Galli. As the Galli sing and celebrate their orgies, frenzy falls on many of them and many who had come as mere spectators afterwards are found to have committed the great act. I will narrate what they do. Any young man who has resolved on this action, strips off his clothes, and with a loud shout bursts into the midst of the crowd, and picks up a sword from a number of swords which I suppose have been kept ready for many years for this purpose. He takes it and castrates himself and then runs wild through the city, bearing in his hands what he has cut off. He casts it into any house at will, and from this house he receives women’s raiment and ornaments. Thus they act during their ceremonies of castration. — The Syrian Goddess, by Lucian, tr. by Herbert A. Strong and John Garstang, [1913].
[5] Hermes the Thief: The Evolution of a Myth, pag. 6.
[6] Hermes, Ecopsychology, and Complexity Theory, Volume 3 bay Dennis L. Merritt, pag 46.

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