domingo, 15 de fevereiro de 2015

A TEORIA É UM MITO II - A CAUSA MATERIAL DA GRAVITAÇÃO, por Artur Felisberto.


26. É requerida tanta acção para o movimento como para o repouso.
Mas facilmente nos libertamos deste preconceito se tivermos em conta que não fazemos nenhum esforço para mover os corpos que estão perto de nós, nem para os interromper, caso não tenham sido amortecidos pela gravidade ou por outra causa. Assim, empregamos tanta acção para fazer deslizar, por exemplo, um barco que está em repouso na água calma e sem corrente como para o parar de repente enquanto se desloca; [e se a experiência nos mostra] neste caso [que] não é preciso tanta para o parar como para o pôr em marcha, isso deve-se ao peso da água que levanta [quando se desloca] e à sua lentidão [porque imagino a água calma e adormecida].
27. O movimento e o repouso são apenas duas maneiras diferentes do corpo em que se encontram.
Mas porque aqui não se trata da acção que está naquilo que se move ou que trava o movimento, mas principalmente do transporte e da sua paragem ou repouso, é evidente que este transporte não está fora do corpo que é movido, sendo apenas um corpo que quando é transladado está disposto de outra maneira do que quando não o é, de modo que nele o movimento e o repouso não passam de duas diferentes maneiras.
37. A primeira lei da Natureza: cada coisa permanece no seu estado se nada o alterar; assim, aquilo que uma vez foi posto em movimento continuará sempre a mover-se.
A primeira é que cada coisa particular, enquanto simples e indivisa, se conserva o mais possível e nunca muda a não ser por causas externas. Por conseguinte, se vemos que uma parte da matéria é quadrada, ela permanecerá assim se nada vier alterar a sua figura; e se estiver em repouso, nunca se moverá por si mesma; mas, uma vez posta em andamento, também não podemos pensar que ela possa deixar de se mover com a mesma força enquanto não encontrar nada que atrase ou detenha o seu movimento. De modo que, se um corpo começou a mover-se, devemos concluir que continuará sempre em movimento [e que nunca parará por si próprio]. Mas como habitamos uma Terra cuja constituição é de tal ordem que os movimentos que acontecem à nossa volta depressa param e muitas vezes por razões que os nossos sentidos ignoram, desde o começo da nossa vida pensámos que os movimentos que assim terminavam - por razões que desconhecíamos -, o faziam por si próprios. E ainda hoje a nossa inclinação é crer que o mesmo acontece com tudo o que existe no mundo, isto é, que acabam naturalmente por si próprios e que tendem ao repouso [porque aparentemente a experiência assim no-lo ensinou em muitas ocasiões]. Mas isso não passa de um falso preconceito que repugna claramente às leis da Natureza: com efeito, o repouso é contrário ao movimento; e, pela sua própria natureza, nada se torna no seu oposto ou se destrói a si próprio.
38. Por que razão os corpos impelidos pela nossa mão continuam a mover-se depois de os largarmos: do movimento dos projécteis.
Presenciamos diariamente a prova desta primeira regra·nas coisas que atiramos para longe; não há razão para continuarem a mover-se quando estão fora da mão que as lançou, a não ser que [de acordo com as leis da Natureza] todos os corpos que se movem continuem a mover-se até que o seu movimento seja travado por outros corpos. É evidente que o ar e os outros corpos líquidos, nos quais vemos estas coisas a moverem-se, gradualmente diminuem a velocidade do seu movimento: se abanarmos um leque agitadamente, a nossa mão consegue sentir a resistência do ar (o que também é confirmado pelo voo das aves). E na Terra o único corpo fluido que oferece tanta resistência aos movimentos dos outros corpos é o ar.
39. A segunda lei da Natureza: todo o corpo que se move tende a continuar o seu movimento em linha recta.
A segunda lei que observo na Natureza é que cada parte da matéria, considerada em si mesma, nunca tende a continuar o seu movimento em linha curva mas sim em linha recta, embora muitas destas partes sejam muitas vezes obrigadas a desviar-se porque encontram outras no caminho, e quando um corpo se move toda a matéria é conjuntamente movida e faz sempre um círculo [ou anel]. -- René DESCARTES, PRINCIPIOS DA FILOSOFIA.
A física cartesiana, por querer dar um quadro geral da natureza, foi considerada, mesmo pelos seus contemporâneos, como demasiado vaga, sem rigor científico. Descartes considerava o choque que transmite o movimento de um corpo a outro como causa dos fenómenos físicos. Ao adoptar simplesmente este princípio como explicação dos fenómenos naturais, Descartes sabia que daria uma visão geral da natureza que corria o risco de ser imprecisa quando se descia ao pormenor. Contudo, preferia isso a encontrar simplesmente «as razões de alguns efeitos particulares»: a natureza nos seus detalhes não era o objecto próprio do cientista, tal como ele o entendia.
“Do que ficou dito se infere indubitavelmente que o movimento cartesiano não é movimento, pois não tem velocidade, nem definição, não havendo tampouco espaço ou distância percorridos por ele.” (NEWTON, 1974, p. 39).
De facto, Descartes omite mesmo os trabalhos já feitos de Gelileu sobre o movimento suspeitando-se que não os teria lido por ser católico respeitoso e ter receio da Inquisição que tinha colocado os trabalhos de Galileu no Índex.
A primeira definição de movimento de Descartes resumia-se em tudo aquilo que fazia os corpos mudarem de um lugar para outro. Porém, esta definição se alteraria com o tempo, transformando-se em uma complexa engrenagem relativista, impossível de se encaixar na emergente ideia newtoniana. Por exemplo: como consta nas definições já apresentadas, o lugar que para Newton seria uma “parte do espaço que um corpo ocupa”, não encontrava correspondencia nos escritos cartesianos, pois, levando-se em conta que o corpo é somente sua extensão, o lugar poderia ser confundido com a própria definição de corpo. Diante de tantos problemas, a posição cartesiana em relação ao movimento sofreu uma drástica mudança. O movimento até poderia ser considerado como uma simples mudança de lugar, mas esse lugar teria que assumir outra conotação, bem diferente daquela proposta inicialmente por Descartes. Para o filósofo francês, o lugar, antes confundido com o corpo, devido a definições pouco claras, torna-se a “superfície que circunda o corpo”. O movimento passa a ser definido como a transferência do corpo, ou de uma parte desse, de uma vizinhança contígua para outra; essas vizinhanças contíguas são outros corpos que estão em repouso com relação ao corpo que se move. Portanto, diferentemente de Newton, os princípios e regras que governam o movimento, segundo os cartesianos, não podem nem devem ser verificáveis por seus próprios significados ou por qualquer observação empírica: esses princípios e regras provinham diretamente da imutabilidade de Deus, da constância de Suas ações ao preservar o mundo a cada momento. Isso implica, primeiramente, na conservação de todos estados que não necessitam de mudanças e na conservação total da quantidade de movimento em si mesma, isto é, de todos os corpos simultaneamente, não apenas um, a cada momento. Por conseguinte, não só o instante da criação deve ser preservado, mas tudo o que Deus coloca no mundo. Deste modo, a quantidade de movimento é preservada. (SAPUNARU, 2005, p. 52-55)
Dificilmente se pode considerar coerente consigo mesmo o Filósofo, que utiliza como fundamento da filosofia o movimento entendido na acepção vulgar do termo [...] e agora rejeita esta noção como sendo totalmente inútil, sendo que anteriormente a tinha qualificado como sendo a única verdadeira e filosófica, em conformidade com a verdade das coisas. (NEWTON, 1974, p. 34).
Claro que a física cartesiana tinha pouco rigor científico mas era de um rigor metafísico difícil de por à prova mesmo pelos escolásticos. Não podemos imaginar que Descartes confundisse inteiramente a extensão dos corpos com a extensão geométrica das medidas dos lugar ocupado pelos corpos porque nesse caso teriam sido inúteis as coordenadas cartesianas.
La Geometría analítica, mucho más que cualquiera de sus especulaciones metafísicas, inmortaliza el nombre de Descartes y constituye el máximo paso hecho en el progreso de las ciencias exactas. -- John Stuart Mill
Assim somos levados a pensar que Descartes conhecia mal a física de Galileu e não leu nunca as suas obras porque católico e crente na infalibilidade papal nunca se atreveu a desrespeitar o Índex.
No quedó desalentado cuando fracasó en su intento, pues pudo visitar libremente Roma, donde gozó del más brillante espectáculo que sus ojos vieran: la ceremonia celebrada cada cuarto de siglo por la Iglesia católica. (...) Si el matemático hubiera tenido la filosofía suficiente para postrarse una semana o dos ante los pies del padre de la ciencia moderna, sus especulaciones sobre el Universo físico hubieran sido menos fantásticas. Todo lo que Descartes obtuvo de su viaje por Italia fue un celoso resentimiento para su incomparable contemporáneo. (...)
Descartes era muy cauto de los juicios de la justicia eclesiástica. Conocía también las investigaciones astronómicas de Galileo y de los arriesgados defensores del sistema de Copérnico. En efecto, estaba impaciente, esperando ver la última obra de Galileo antes de dar los toques finales a su obra, y en vez de recibir la copia que un amigo había prometido enviarle, recibió las asombrosas nuevas de que Galileo, a los 70 años de edad y a pesar de la sincera amistad que el poderoso Duque de Toscana tenía por él, había sido conducido a la Inquisición y forzado (22 de junio de 1633) a abjurar de rodillas, como una herejía, de la doctrina de Copérnico de que la Tierra se mueve alrededor del Sol. Descartes tan sólo podía hacer conjeturas acerca de lo que hubiera sucedido a Galileo de negarse a abjurar de sus conocimientos científicos, pero los nombres de Bruno, Vanini y Campanella vinieron a su memoria. Descartes estaba abrumado. En su misma obra exponía el sistema de Copérnico como una cuestión ya admitida. De su propia cuenta había ido mucho más lejos que Copérnico o Galileo, debido a que estaba interesado en la teología de las ciencias, que a Copérnico y Galileo poco les importaba. Había demostrado, a su propia satisfacción, la necesidad del Cosmos tal como existe y le parecía que si Dios, hubiera creado cierto número de Universos diferentes, todos ellos, bajo la acción de la "ley natural", hubieran caído más pronto o más tarde en la línea de la necesidad y habrían evolucionado hasta constituir el Universo como, realmente es. Brevemente, Descartes, con su conocimiento científico, parecía conocer mucho más acerca de la naturaleza y caminos que Dios sigue, que el autor del Génesis o los teólogos. Si Galileo había sido forzado a abjurar de rodillas de su moderada y conservadora herejía, ¿qué podría esperar Descartes?
Decir que tan sólo el temor detuvo la publicación de Le Monde es no conocer la parte más importante de la verdad. No sólo estaba amedrentado, como cualquier individuo lo hubiera estado en su lugar; también estaba profundamente confundido. Se hallaba tan convencido de la verdad del sistema de Copérnico como de la infalibilidad del Papa. Ahora el Papa se le aparecía un necio al contradecir a Copérnico. Éste fue su primer pensamiento. Su enseñanza casuística, venía en su ayuda. De alguna forma, mediante alguna síntesis sobrehumana incomprensiblemente mística, el Papa y Copérnico podrían demostrar que ambos tenían razón. En consecuencia, Descartes esperaba confiadamente que llegaría el día en que podría contemplar con la serenidad filosófica el desvanecimiento de la aparente contradicción en una gloria de reconciliación. Era imposible para él dar la razón al Papa o a Copérnico. Suspendió, pues, la publicación de su libro, manteniendo su creencia en la infalibilidad del Papa y en la verdad del sistema de Copérnico. Como una satisfacción para sus opiniones subconscientes decidió que Le Monde fuese publicado después de su muerte. Para entonces quizá habría muerto el Papa y la contradicción habría quedado resuelta por sí misma. -- Biografía de René Descartes, Gentilhombre, Soldado y Matemático, por Patricio Barros.
Outro ponto de inspiração para a Física de Newton, baseado na sua discordância com Descartes, era a questão do atomismo grego antigo. Descartes não aceitava a indivisibilidade da res extensa nem o espaço vazio. Contrariamente Newton considerava que a divisibilidade da matéria tinha limites nas porções últimas mais ínfimas e havia espaços vazios entre as suas partes e por isso o mundo poderia ser plenum como queria Descartes. A esta parte última, Newton chamou de corpúsculo, um corpo minúsculo, rígido e indivisível. Não tinha chegado ainda o tempo para lhe chamar quantum de matéria mas era já o prenúncio da física quântica moderna baseada na suspeita de que a natureza parece superar os paradoxos de Zenão dando saltos quânticos particularmente em situações de transição de fase.
Mas é bom que não se esqueçam os argumentos metafísicos de Parménides de que as ideias que os nossos sentidos fazem da realidade podem não passar de pura ilusão por incapacidade do entendimento humano de abarcar num único conceito a duplicidade aparente da realidade tal como parece acontecer com a natureza da luz como onda corpúsculo.
No entanto, apesar de atribuir tal significado ao vácuo, o próprio filósofo não acreditaria completamente em sua existência, como deixa claro em uma correspondência ao pensador Marin Mersenne:
Ao imaginar que um corpo se move em um meio totalmente destituído de resistência, o que suponho é que todas as partículas de corpo fluido que circundam tem uma tendência a se moverem precisamente com a mesma velocidade como está fazendo, quer cedendo a ele o lugar que ocupavam quer indo para aquele lugar que ele abandona; e assim não existem fluidos que não resistam a certos movimentos. (NEWTON, 1974, p. 52)
A pressa de Newton em fundamentar a sua filosofia Natural de acordo com um Deus ex máquina irá faze-lo tropeçar em alguns erros metafísicos grosseiros.
A Definição I debruça-se sobre a noção de quantidade de matéria ou massa. Newton define esta grandeza como o produto da densidade pelo volume. Uma definição feita à custa de uma relação entre duas novas grandezas, situação que coloca de imediato uma outra questão: o que é a densidade? A esta pergunta não é dada previamente qualquer resposta: parte-se do princípio que a densidade é um dado a priori. No seu comentário à definição de quantidade de matéria, o autor dos Principia escreve: «(...) E é a esta quantidade que, a partir de agora, passarei a designar por corpo ou massa; é proporcional ao peso, como eu determinei por experiências com pêndulos (...)»
De facto, é inacreditável que Newton tenha iniciado a física moderna com uma petição de princípios como foi a definição de massa que é quase um erro do tipo dos que fazem entrar o definido na definição. Na verdade a densidade é um conceito relativo à quantidade de matéria por unidade de volume o que nunca poderia ter sido considerado um dado à priori tanto mais que teve que se tem de pedir de empréstimo o principio de Arquimedes para poder que a densidade seja obtida com precisão. Teria sido mais revolucionário ter optado pela definição da massa gravítica como sendo a quantidade unitário de matéria pesado em condições convencionais do quilograma padrão...pelo menos antes de se ter chegado à massa atómica da química moderna que é de facto a última fronteira material da massa enquanto somatório quântico de protões . Em condições do dia a dia não há outra forma de conhecer a quantidade de matéria senão pesando-a seja lá em que condição experimental for. Do mesmo modo que não há forma de medir as distâncias sem as comparar com bitolas. De resto, toda a objectividade da física resulta da constante avaliação da natureza por meio de quantificações a partir de meios de avaliação e medida objectivos e expeditos. 
O comentário de Newton a esta definição termina do seguinte modo: «(...) movimento e repouso, tal como são vulgarmente entendidos, só se podem distinguir de uma forma relativa, nem estão verdadeiramente em repouso os corpos que comumente são tidos como tal». A noção relativa de movimento, bem como o repouso entendido como um estado particular do movimento, é aqui, nos Principia, colocado pela primeira vez, sendo a diferença entre estes estados associada à existência de uma força particular, a vis insita. -- Os Principia de Newton, alguns comentários, (Primeira parte, a Axiomática), Augusto J. Santos Fitas.

MASSA = VIS INSITA
vis incita não é senão a massa gravítica, ou peso de um corpo. Ainda antes de se poder dizer, por analogia com as cargas eléctricas, que o peso poderia ser chamada de “carga gravítica” já o poderia ter sido assim desde os tempos dos animais de carga do mesmo modo que o trabalho era o transporte de carrêgos e a força, o esforço necessário para os carrear!
A ciência destes [Galileu, Descartes] não é o produto de engenheiros e artesãos, mas de homens cuja obra raramente ultrapassou o domínio da teoria. A nova balística foi elaborada, não por fabricantes de munição ou artilheiros, mas ‘contra eles’. E Galileu não aprendeu seu ofício com os homens que labutavam nos arsenais e estaleiros de Veneza. Muito pelo contrário: ele lhes ensinou o ofício deles. (KOYRÉ, 1991, p. 153).
Espanta assim que, pelo menos a física da idade média gótica, que noutras coisas se revelou tão prática, não tenha formalizado as coisas nestes termos de carroceiro, deixando Koyré sem razão para pensar que a filosofia natural pouco ou nada aprendeu com engenheiros nem construtores navais...o que se tem como quase seguramente falso. A ciência muito deve a taxistas, mecânicos, tal como sempre dependeu de pedreiros livres e outros mestres artesões.
As definições I e III apontam para duas grandezas que são, respectivamente, a quantidade de matéria ou massa gravítica (grandeza presente na expressão da Lei da Gravitação universal) e a massa inercial. Newton tem necessidade de postular a existência de ambas: a primeira tem para ele um significado físico (material) muito preciso, enquanto que a segunda corresponde a uma necessidade conceptual da sua teoria. Para Newton estas “duas massas” de qualquer corpo são iguais. Assume de uma forma implícita esta conclusão, não a prova (* - É com Einstein, como conseqüência do “princípio de equivalência” da Teoria da Relatividade Geral, enunciado em 1916, que se mostra a equivalência entre a massa inercial e a massa gravítica. Na mecânica newtoniana esta equivalência tinha um carácter meramente empírico e acidental, enquanto que na Teoria da Relatividade Geral ela surge como uma decorrência lógica dos princípios teóricos estabelecidos.) -- Os Principia de Newton, alguns comentários, (Primeira parte, a Axiomática), Augusto J. Santos Fitas.
As inseguranças teóricas de Newton a respeito do conceito de quantidade de matéria irão fazer as delícias do pensamento delirante relativista. E nem era preciso provar a equivalência entre a massa gravítica e massa inercial que aparecem agora como meros artifícios de teoria porque bastava definir apenas uma a partir do peso saidos das balanças que pela sua natureza experimental ficaria variável de acordo com o local de pesagem. Bastaria ter dito que a quantidade de matéria não se define porque simplesmente se pesa ou então que seria a quantidade de matéria gravítica por unidade de pesagem. Mas para isso teria que se dar razão a Descartes fazendo ver que a matéria é a forma concreta da "res extensa" e que não havia outra maneira de a definir senão dizendo que ela é a quantidade de substancia extensa de um corpo, que se “mede” pesando-a seja qual for a fiabilidade da balança usada. Desde logo e porque de moto próprio se tinha descoberto que a substancia (extensa) dos corpos se definia pela sua capacidade para a acção (forma indirecta de voltar a aceitar o movimento potencial de Aristóteles) Newton poderia ter também descoberto que a vis incita na massa gravítica dos corpos resultava do «movimento potencial» que eles encerram, mesmo relativamente parados ou "inertes".
Mas é óbvio que embora possa ser demonstrado que Newton poderia ter formalmente criado toda a física matemática moderna até à termodinâmica também é verdade que este sofreu dos mesmos estorvos de Aristóteles que eram os preconceitos pessoais e do seu tempo tal como Descartes que embora tenha tecido considerações epistemológicas interessantíssimas a este respeito não deixou de ficar, como se referiu antes, imune aos limites tacanhos do século da contra reforma em que sobreviveu. 
Num mundo eminentemente relacional todos somos produto do nosso tempo e lugar de existência e ninguém consegue ficar imune aos preconceitos das condições de origem e crescimento. No entanto, e a título de conclusão podemos afirmar que a física deve muito mais a Newton por causa da tradição empirista que o inspirou do que a Descartes que a desprezou em favor do racionalismo. Porém, encontramos neste filósofo barroco a marca do génio da modernidade em estilo académico francês ou seja, sem perder a essência da cultura ocidental que foi a do realismo aristotélico este filósofo da dúvida metódica irá acabar muito mais bem representado nas modernas teorias sistémicas das antigas ciências da natureza e sobretudo nas ciências sociais e humanas e nas físicas relacionais do que no relativismo fantasmagórico de Einstein que tentou fazer a quadratura do círculo ao tentar manter o espaço absoluto da física newtoniana numa camisa-de-forças conceptual feita de espaço-tempo cozido com linhas de calculo tensorial a quatro dimensões. 
De resto o próprio conceito lapaliciano de força enquanto qualquer agente externo que modifica o movimento de um corpo livre ou causa deformação num corpo fixo” nunca chegou a ser assim formalizado por Newton.
Deste corpo de definições pode concluir-se: primeiro, a existência de imprecisão na definição do conceito de força, Newton jamais o define, procurando associar a certos efeitos, a existência de uma grandeza que passa a designar por força, donde aceitar-se a força como um conceito dado a priori (surgia intuitivamente de uma certa analogia com a força muscular); segundo, também o conceito de massa aparece definido de uma forma equívoca, este termo aparece associado a duas grandezas que são, respectivamente, a quantidade de matéria ou massa gravítica e a massa inercial que se assumem iguais; terceiro, as considerações tecidas por Newton sobre o conceito de força estão metodologicamente relacionadas com os seus estudos sobre a gravitação, a explicação dinâmica dos movimentos planetários, dados pelas três leis cinemáticas de Kepler, era o grande problema da época. -- Os Principia de Newton, alguns comentários, (Primeira parte, a Axiomática), Augusto J. Santos Fitas.
Apenas se deduz o que seja a força pela segunda lei de Newton que afirma em latim quase macarrónico: mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae, etfieri secundum lineam rectam qua vis illa imprimitur.
Quando se trata de força, Newton a define como “[...] o princípio causal que produz o movimento e o repouso.” (NEWTON, 1974, p. 53).
[...] o esforço que as partes contíguas fazem para penetrar umas nas dimensões das outras. [...] A pressão só existe entre partes contíguas ate que a pressão seja transmitida às partes mais longínquas de um determinado corpo, quer seja duro, mole ou fluido. (NEWTON, 1974, p. 54)
Todavia, com o termo “ir para baixo” não se entende aqui exclusivamente o movimento em direção ao centro da terra, mas também em direção a qualquer ponto ou região, ou mesmo a partir de qualquer ponto. Assim sendo, se conatus (esforço) do éter que gira velozmente em torno do sol em afastar-se do seu centro for considerado como gravidade, poder-se-ia dizer que o éter, ao afastar-se do sol vai para baixo. (NEWTON, 1974, p. 54)
Descartes teria dito que sendo o movimento causado por outro movimento a força seria sempre uma certa "quantidade de movimento" que mais tarde se verificaria só ser útil e actuante quando a massa se situa num campo de forças e que no limite seria a "vis incita" no dos inertes. De facto, o resultado f = mj traduz a realidade matemática da taxa de variação (derivada) deste movimento e tem, estranhamente, o significado de uma massa acelerada, o que só é possível pela acção contínua de uma força sendo possivelmente esta intuição de que a “mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida” que levava os clássicos e pensar que o movimento uniforme dependia sempre de uma acção contínua. Na verdade, o que se passaria é que sendo Aristóteles mais biólogo que físico e na falta de um espírito como o de Arquimedes que a seu tempo tivesse formalizado as leis da mecânica em desequilíbrio Aristóteles pensou de acordo com o senso comum do seu tempo pensando que o movimento uniforme era proporcional à força motora que resultava em velocidade constante mas era causada por uma aceleração que se dissipava no atrito enquanto durava o movimento.
Seja como for, a força de Newton basicamente gravítica, tem pouco a ver com a de Descartes que era um conceito mais geral relacionado com o impulso na forma de quantidade do movimento instantâneo responsável pelo movimento uniforme e a sua segunda lei, ainda que mais clara que a idêntica de Descartes, aplica-se ao movimento circular da força contínua e centrípeta e não à força instantânea responsável pelo movimento linear uniforme. Newton foi mais claro nas formulações matemáticas das leis físicas mas manteve alguns equívocos conceptuais relativos aos conceitos de espaço e de força que a tornarem incompatível com a física cartesiana com prejuízo geral para a física enquanto ciência da natureza, que por isso deve ser realista e relacional, ou seja, compatível com a relação sistémica dos objectos com o respectivo meio ambiente e domínio de acção das leis físicas. As críticas azedas de Leibniz não serão resultado de mera competição pela paternidade do cálculo diferencial mas uma queixa verdadeiramente sentida do racionalismo iluminista tendencialmente seguidor dum certo realismo bem pensante contra o dogmatismo duma teoria da gravitação funcionando como relógio divino de um Deus ex máquina por fantásticas acções à distância!

DE BALDE PROCUROU NEWTON O REFERENCIAL ABSOLUTO
2. O Experimento do Balde: A questão imediata que se coloca é: como provar a existência desse movimento verdadeiro (em relação ao espaço absoluto)? Será preciso, pois, provar a existência de movimentos absolutos, pois decorrerá dessa existência, a prova de que existe o espaço absoluto. Para tal, Newton percebe ser necessária uma investigação das causas e efeitos dos movimentos. -- Filosofia da Física (USP- 2011) Cap. V: Experimento do Balde e Espaço Absoluto, Prof. Osvaldo Pessoa Jr. – Depto. Filosofia (FFLCH).
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Figura 1: (a) Balde e água parados. (b) Balde girando e água ainda parada. (c) Balde girando e água girando junto. (d) Balde parado, mas com a água continuando a girar.
Se um recipiente, suspenso por uma longa corda, é tantas vezes girado, a ponto de a corda ficar fortemente torcida, e então enchido com água e suspenso em repouso junto com a água; a seguir, pela ação repentina de outra força, é girado para o lado contrário e, enquanto a corda desenrola-se, o recipiente continua nesse movimento por algum tempo; a superfície da água, de início, será plana, como antes de o recipiente começar a se mover; mas depois disso, o recipiente, por comunicar gradualmente o seu movimento à água, fará com que ela comece nitidamente a girar e a se afastar pouco a pouco do meio e a subir pelos lados do recipiente, transformando-se em uma figura côncava (conforme eu mesmo experimentei), e quanto mais rápido se torna o movimento, mas a água vai subir, até que, finalmente, realizando suas rotações nos mesmos tempos que o recipiente, ela fica em repouso relativo nele. Essa subida da água mostra seu esforço a se afastar do eixo de seu movimento; e o movimento circular verdadeiro e absoluto da água, que aqui é diretamente contrário ao relativo, torna-se conhecido e pode ser medido por este esforço. De início, quando o movimento relativo da água no recipiente era máximo, não havia nenhum esforço para se afastar do eixo; a água não mostrava nenhuma tendência à circunferência, nem ascendia em direção aos lados do recipiente, mas mantinha uma superfície plana, e portanto, seu movimento circular verdadeiro ainda não havia começado. Mas, posteriormente, quando o movimento relativo da água havia diminuído, a subida em direção aos lados do recipiente mostrou o esforço dessa para se afastar do eixo; e esse esforço mostrou o movimento circular real da água aumentando continuamente, até adquirir sua maior quantidade, quando a água ficou em repouso relativo no recipiente. E, portanto, esse esforço não depende de qualquer translação da água com relação aos corpos do ambiente, nem pode o movimento circular verdadeiro ser definido por tal translação. Há somente um movimento circular real de qualquer corpo em rotação, correspondendo a um único poder de tendência de afastamento, a partir de seu eixo de movimento, como efeito próprio e adequado; mas movimentos relativos, em um mesmo e único corpo, são inumeráveis, de acordo com as diferentes relações que ele mantém com corpos externos e, como outras relações, são completamente destituídas de qualquer efeito real, embora eles possam talvez compartilhar daquele único movimento verdadeiro. E, portanto, em seus sistemas, há aqueles que supõem que nossos céus, girando abaixo da esfera das estrelas fixas, carregam os planetas junto com eles; as diversas partes desses céus, bem como os planetas, os quais estão de fato em repouso relativo nos seus céus, no entanto, realmente se movem, pois mudam suas poisções uns com relação aos outros (o que nunca acontece com corpos que estão verdadeiramente em repouso), e sendo carregados junto como os seus céus, compartilham de seus movimentos e, como partes de todos em rotação, tentam afastar-se do eixo de seus movimentos. (II) Principia (1687):
Sua solução é atribuir o aparecimento da concavidade ao movimento que a água possui em relação ao espaço absoluto. No primeiro caso, como a água está parada, juntamente com o balde (em relação ao espaço absoluto), sua superfície seria plana. Mas quando o conjunto é posto a girar e a água progressivamente adquire o movimento do balde, esta ganha movimento em relação ao espaço absoluto. É a rotação em relação ao espaço absoluto o agente responsável pelo surgimento da concavidade do movimento da água dentro do balde. -- Filosofia da Física (USP- 2011) Cap. V: Experimento do Balde e Espaço Absoluto, Prof. Osvaldo Pessoa Jr. – Depto. Filosofia (FFLCH).
Obviamente que atribuir a responsabilidade do “surgimento da concavidade do movimento da água dentro do balde” à “rotação (da água do balde) em relação ao espaço absoluto” é pouco mais do que uma forma pomposa do que dizer que a água do balde demora algum tempo a adquirir do balde movimento rotatório próprio confirmando-se assim a regra da transmissão da quantidade de movimento proposta por Descartes mas sem se dizer muito mais desse processo misterioso. No entanto, esta rotação poderia ser perfeita como a do balde, ou seja, em tronco de cone gerado pela translação perfeita de um trapézio rectângulo... como seria o caso se o conteúdo do balde gelasse e passasse a comportar-se como um corpo rígido. No entanto, por ser a água do balde de Newton uma substância líquida e sem forma permanente própria tende quando em rotação a ganhar quantidade de movimento que a impele a opor-se à lei da gravidade adquirindo a forma de concavidade por tender a subir as paredes do continente, ou seja neste caso, do balde...como se todos os corpos em movimento tendessem ao seu «estado natural» de percorrerem o espaço em linha recta...ou, na impossibilidade desta, no que mais próximo dela estiver.
O que se revela espantoso e deveria ser motivos de debates metafísicos sérios é verificar como a natureza responde aos constrangimentos naturais adaptando-se de forma expedita sem deixar de cumprir todas as leis físicas pelos caminhos mais simples e económicos alternativos. Neste caso, há que dar conta de que enquanto se mantiver o constrangimento ao movimento rectilíneo termos um movimento circular forçado, exactamente pela força centrípeta, a que o princípio da reacção oporá a força centrífuga...mas só e apenas no caso de a força centrípeta ser radial como é o caso da funda de Descartes, mas não é o caso do balde de Newton...que afinal é um caso complexo particular do movimento radial aplicado a líquidos.
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E já nos certificámos disto por experiência, pois esta pedra quando sai da funda segue em linha recta para C e nunca tende a mover-se para B. O que claramente nos mostra que qualquer corpo que se move circularmente tende constantemente a afastar-se do centro do círculo que descreve; até o sentimos com a mão quando giramos a pedra na funda [porque a pedra estica e estende a corda para se afastar directamente da nossa mão]. Esta consideração é de tal importância, e ser-nos-á útil em tantas ocasiões, que devemos assinalá-la imediatamente, propondo-me eu explicá-la ainda melhor quando for ocasião disso.
“Pois, esta é uma lei da natureza, que todos os corpos que se movem numa órbita, na medida em que dependem de si mesmos, afastam-se do centro de seus movimentos” (Art. 55, vers. latina-1982-p.108). Tal disposição dos corpos que giram para afastarem-se de seus respectivos centros, Descartes denominou de conatus recendendi a centro (esforço para afastar-se do centro). Segundo ele, esse esforço (...) está intimamente ligado ao movimento ao qual foram submetidos e que produz seu efeito apenas se o corpo for impedido de mover-se em linha reta por alguma outra causa.
Se Descartes não tivesse descambado num racionalismo platónico que mais não é do que um pecado contra o Espírito Santo da sabedoria com afirmações orgulhosamente disparatadas como “estas demonstrações são tão certas que, embora a experiência pareça provar o contrário, seremos contudo obrigados a acrescentar mais fé à nossa razão do que aos nossos sentidos” Descartes teria tido muito mais influencia no pensamento moderno do que realmente teve a não ser na propensão para o disparate arrogante da modernidade.
Eu acrescento que, no texto em Latim [41], Newton usa a expressão conatus recedendi, portanto, o corpo está-se afastando do centro e não em queda. Desses cálculos, Newton tira a seguinte consequência ([41], p. 197): Finalmente, como, nos planetas primários, os cubos de suas distâncias ao Sol estão entre si na razão inversa dos números de revoluções e num dado tempo, a tendência de se afastar do Sol está na razão inversa dos quadrados das distâncias ao Sol. Isaac Bernard Cohen [30] argumenta que esse resultado indica que a expressão matemática da Gravitação Universal, constante × clip_image005, não só era plausível, mas também conhecida, no século XVII. O mérito de Newton foi estender a idéia de um "poder" entre o Sol e cada um dos planetas, sugerido por Johann Kepler, em um efeito universal entre massas (além, é claro, dos conceitos de força, massa e outras novidades). -- F=ma?!! O nascimento da lei dinâmica, Penha Maria Cardoso Dias, Instituto de Física, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Neste caso, o movimento uniforme rectilíneo que as moléculas da água tenderiam a percorrer gera, em circunstâncias adversas de contenção nas paredes do balde, movimentos fictícios (no sentido de serem artificialmente forçados e constrangidos, nada tendo no entanto de ilusório) de força centrífuga que em boa verdade têm a forma de um vórtice helicoidal e a física de um pêndulo cónico de apoio variável resultante das componentes: tangencial do movimento próprio adquirido e da resistência centrípeta gravitaria.
Se num referencial inercial um corpo revelar uma aceleração, então deverá estar sob a acção de uma resultante não nula e deveremos ser capazes de reconhecer a origem dessa força. Essa é a racionalidade contida nos referenciais inerciais.
Nem todos os referenciais são assim. Os referenciais não-inerciais, dão causa a uma irracionalidade no estudo do movimento e, a partir deles, parecem surgir forças cujas causas não podem ser estabelecidas.
Uma pessoa que está em um carro que freia subitamente é lançada para frente. Qual foi a força que empurrou essa pessoa? Nenhuma. Simplesmente o corpo da pessoa segue a Lei da Inércia e, enquanto não surgir alguma força que o impeça, continua sua trajectória para frente com a mesma velocidade com que vinha, prosseguindo até que encontra um obstáculo, talvez o para brisa do carro.
Para se poder aplicar a 2ª lei de Newton a referenciais acelerados é necessário utilizr forças fictícias – pseudo-forças. Estas forças não são exercidas por nenhum agente. São introduzidas apenas para que a equação FR = ma seja válida num referencial não inercial.
Num referencial de inércia é válido o princípio de inércia: se não há força a actuar sobre umapartícula a velocidade mantém-se constante. Por outro lado, quando estamos, por exemplo, num autocarro, há acelerações sem forças físicas visíveis. Diz-se então que temos um referencial acelerado. Nesses sistemas o princípio de inércia não é válido.
Como se pode confirmar, os paradoxos da física têm e terão sempre raízes metafísicas em repostas incorrectas a questões mal formuladas. Ou se afirma que uma pessoa que segue em frente, num veículo travado bruscamente, o faz pela força do seu próprio movimento, de que só no momento do choque toma consciência, ou se reformula a pergunta deste modo: de que forma misteriosa se dá a transmissão de movimento se nem a nossa sensibilidade de arrastados por outros móveis toma consciência senão quando enjoamos nas curvas, por termos sensores de equilíbrio auriculares que raramente usamos como fonte de informação espacial segura? A verdade é que, seja qual for a força que nos faz enjoar nas curvas, ondulações e solavancos, esta existe porque é sensivelmente percebida como tal não sendo portanto uma mera força formal introduzida nas equações do movimento “para se poder aplicar a 2ª lei de Newton a referenciais acelerados” porque de outro modo os seus efeitos reais apareceriam como mágicos ou psicossomáticos.
A Física começou a partir de especulações metafísicas ainda pejadas de mitologia celestial e que Aristóteles tentou, com pouco sucesso, fazer descer à terra do realismo antropocêntrico de Protágoras e do geocêntrico de Ptolomeu.
A questão do «referencial de inércia» foi introduzida precisamente por este motivo: uma vez que a terra deixara de ser o centro do universo e como Galileu havia descoberto as lei do movimento uniforme havia que estabelecer critérios para se saber quem observa e descreve o quê! Porém, esta questão apenas relativiza a validade da observação sendo a definição do «referencial de inércia» apenas uma mero critério de legitimidade científica para separar a verdadeira observação experimental da mera observação empírica que pode chegar a ser mera ilusão enganosa. Dito de outro modo, o «referencial de inércia» é um critério de validação experimental e não um critério metafísico para definir o que é ou não real. Dai que a definição da força centrífuga como fictícia resulta discutível e geradora de equívocos. Declarar como ilusória uma força objectivamente tão real como a centrífuga ao ponto de provocar vómitos por sensação de desequilíbrio é um pouco o contrário do pensamento mágico que tende a aceitar a existência real de forças ocultas porque inexistentes.
A este propósito há a referir que Aristóteles, ainda que tenha confundido a força propulsora contínua que deve superar a força de travão do atrito dos movimentos naturais com a causa do movimento uniforme linear faz parte da clareza aristotélica que iria acabar com o mistério das forças místicas ocultas da magia a aceitação racional de que não há movimento sem a acção por contacto de uma força. Infelizmente, Aristóteles não se apercebeu da importância e da natureza da força do impulso o que impediu este sábio de fundar verdadeiramente a física dinâmica.
L'impetus est une doctrine élaborée à Alexandrie puis au Moyen Âge par les savants arabes ou latins, pour améliorer la physique d'Aristote et expliquer le mouvement des corps physiques.
Selon Aristote, il existe deux types de mouvements, le mouvement naturel ramenant les objets vers leurs lieux d'origine, et le mouvement violent, impulsé par un objet à un autre. Ainsi, la pierre tombe car elle revient naturellement à son lieu d'origine, la Terre, alors que le feu s'élève car son lieu d'origine est l'air. D'autre part, tout objet pour être déplacé doit être mû par une action, l'arrêt de l'action entraînant l'arrêt de l'objet.
Se pose alors la question d'expliquer pourquoi une pierre lancée en l'air continue son mouvement avant de retomber. Aristote explique cela par le fait que la pierre qui se déplace laisse un vide derrière elle, vide qui se remplit d'air et qui contribue à pousser la pierre en avant.
Obviamente que esta explicação arrevesada nunca foi convincente e o facto de nunca ter sido motivo de acessos debates só prova o pouco pendor que os filósofos têm para os trabalhos mecânicos. No entanto, este tipo de explicações arrevesadas, por não corresponderam ao recorte simples e reducionista da navalha de Occam surgem frequentemente nas teorias científicas brilhantes começadas com princípios apressados (ou de conveniência social) quando decorrem falhas graves na sua aplicabilidade real.
Cette dernière explication sera contestée à Alexandrie puis au Moyen Âge et donnera lieu à une autre explication, celle de l'impetus. Selon cette théorie, l'action initiale effectuée sur la pierre lui communique un impetus, et c'est cet impetus qui entretient le mouvement. L'impetus perd peu à peu de sa force à cause de la pénétration de la pierre dans le milieu aérien, et une fois cet impetus épuisé, la pierre prend son mouvement naturel et tombe.
Os resquícios dos preconceitos aristotélicos relativos à perda do ímpeto pela progressiva penetração no meio aéreo mantêm-se porque se manteve o princípio da acção contínua na génese do movimento ignorando a força da gravidade que irá cair no oposto da irracionalidade de aceitar a sua aplicabilidade por acção à distância infinita.
La notion d'impetus disparaîtra au cours du XVIIe siècle pour donner place peu à peu à celle de quantité de mouvement, puis de force vive, ancien nom de l'énergie cinétique. Par bien des aspects, l'impetus ressemble à l'énergie cinétique, mais il serait erroné de les confondre. D'une part, l'énergie cinétique se place dans le cadre général du principe de conservation de l'énergie, alors que le principe de l'impetus reposait sur l'épuisement de celui-ci. D'autre part, l'impetus avait pour but d'expliquer l'état de conservation du mouvement, alors qu'en physique moderne, le fait qu'un corps soit en mouvement rectiligne uniforme par rapport à un référentiel galiléen représente un état du corps, au même titre que l'état d'immobilité. En physique moderne, il n'y a pas de différence entre ces deux états, le passage de l'un à l'autre se faisant par changement de référentiel galiléen ; alors qu'au Moyen Âge, on cherchait à expliquer pourquoi un corps se mouvait sans s'être posé la problématique du système de référence.
Grande parte dos paradoxos teóricos resulta de equívocos nos discursos em linguagem corrente. Qual é a força que empurra uma pessoa quando um carro trava? A força do seu próprio corpo em movimento, recebido do veículo que o transportava antes da travagem, o que implica não perder de vista o facto de a quantidade de movimento ser transmitida de corpo a corpo como o calor ou qualquer outra forma de energia. Afinal, a energia básica em todos os processos de transformação de energia é o movimento que afinal, sendo a energia igual à matéria, faz do movimento a substância de todas as coisas como Descartes não chegou a aceitar mas que Heraclito já intuía como sendo a única forma metafísica de entender a mutabilidade da realidade. Obviamente que no oposto desta postura estão os idealistas que entendem o movimento como pura ilusão! Porém, a aceitação das forças fictícia é uma forma desta postura idealista que roça o pensamento mágico.
O que são forças fictícias? A aplicação da segunda lei de Newton a um referencial acelerado leva às forças de inércia ou fictícias, como as vezes são chamadas, mas têm existência bem real e estão sempre no sentido contrário ao movimento. Tudo se passa como se forças adicionais estivessem actuando sobre os objectos no referencial não-inercial. As forças “fictícias” mais conhecidas são as de Coriolis e a centrífuga.
A 2a Lei de Newton relaciona forças com aceleração. As forças não dependem do referencial e a aceleração depende do referencial, consequentemente deverão existir referenciais para os quais a Lei é válida e outros referenciais para os quais a Lei não é válida. Denominamos de referenciais inerciais aos referenciais para os quais a Lei é válida e de referenciais não inerciais aos referenciais para os quais a Lei não é válida.
O que são forças inerciais? São forças fictícias criadas para transformar situações problema em referenciais não inerciais em problemas de equilíbrio. As forças inerciais são também forças fictícias usadas em movimentos realizados em referenciais não inerciais para representar um efeito.
É evidente que nesta experiência do dia-a-dia, que tanto pode ser dum “balde de água fria” de Newton como de uma taça de chá mexida por uma colher, se levanta apenas a questão da quantidade de momento angular do balde transmitido à água que determina nesta uma “força centrífuga” tal que passa a ser maior do que a força da gravidade obrigando a água contida a tender a sair do continente.
A única questão misteriosa que aqui se coloca é a da forma como se dá a transmissão da “quantidade de movimento” e dos estranhos e novos poderes que este dá aos objectos que a recebem. A bicicleta ganha equilíbrio, o pião vence a gravidade e estranhas forças como a centrifuga aparecem como que do nada! Ora, se alguma coisa se pode concluir a respeito das forças fictícias no estudo dos movimentos circulares é a de que, contrariamente ao que pensava Aristóteles eles não são naturais e as forças circulares são relativamente forçadas, seja artificialmente ou por constrangimentos naturais derivados de outras causas e por isso sempre fictícias enquanto não se dá conta do que as obriga a andar às voltas e de seguirem o princípio universal do equilíbrio na economia de meios que tende a percorrer o caminho mais curto em movimento rectilíneo uniforme, que é o que sempre trilharia a luz e a verdade se não houvesse empecilhos e forças mais ou menos ocultas a estorva-las e a barrar-lhes o caminho!
Ninguém nega que há dificuldades na análise da mecânica Newtoniana quando realizada apenas em termos do mecanicismo de segunda ordem [não previa a existência do éter]. Em contraste, porém (ao que nos parece), se afirmarmos que, para Newton, todas as forças eram meros pseudoconceitos e a realidade estava sempre no impacto corpuscular etéreo, estaremos dizendo, na verdade, que os Principia dizem respeito a uma pseudoconsciência [...]. Será que os Principia contêm uma visão da realidade, ou serão eles apenas um modelo matemático conveniente –um modo de calcular os efeitos do éter, sem de fato introduzir o mecanismo etéreo? (HALL; HALL, 2002, p. 110).
No entanto, na física clássica a “força centrífuga” permaneceu fantasmagórica e por isso reportada para um referencial Absoluto porque o espírito absolutista dos tempos e a religiosidade de Newton o exigiam!
Sempre foi um ponto fraco da mecânica clássica que ela tivesse de postular a existência de um sistema inercial (do qual se derivam um número infinito de tais sistemas) e não fosse capaz de indicar um a não ser de forma aproximada; à questão de quais são os sistemas de coordenadas para os quais o princípio da inércia é realmente válido, ela não pode dar outra resposta que ele é valido para aqueles sistemas para os quais é válido.
Claro que a resposta insuficiente à razão de ser da relatividade dos sistemas de inércia deriva do desconhecimento da própria natureza do processo científico que desde o realismo Aristotélico se vem relativizando ao longo do tempo sujeitando-se às condições da lógica indutiva do empirismo científico.

Em condições idênticas, causas idênticas produzem efeitos idênticas!

E nem é preciso adiantar que isso tem que ser válido para qualquer parte do Universo porque dadas as mesmas causas e as mesmas condições o resto passa a ser consequência do determinismo universal. Dizer que isso ocorre porque Deus o quis no instante da criação ou quer necessariamente caso a caso (ocasionalismo) porque se acredita que Deus não seja ocioso mas zeloso cumpridor da sua pró-pia lei acaba por ir dar ao mesmo porque afinal o principio da causalidade determinística apenas garante a essencialidade das mesmas condições mas não a sua variabilidade contingente porque são as próprias leis matemáticas da divisão irracional que postula a possibilidade do acaso e do determinismo probabilístico.
De facto, “no sétimo dia Deus acabou de fazer todas as coisas e descansou” (Génesis 2:2) o que implica a possibilidade de Deus ter passado a partir daí a jogar aos dados, contrariando Einstein por ser um judeu irreverente. Se o povo sabe que Deus escreve direito por linhas tortas deve ser por pura intuição indutiva a partir da forma como a Natureza se comporta à escala humana onde imperam as leis da biologia e das ciências sociais que devem tanto à necessidade probabilística quanto ao puro acaso do capricho e do livre arbítrio!
As leis da natureza não são arbitrária ao ponte se serem feitas à medida do observador nem variam na perspectiva do observado mas apenas se tornam mais complexas as condições de análise da observação feita; desde logo porque a nossa percepção nunca é instantânea; dependendo sempre do tempo que, sendo escalar, usa sempre duma corrente linear de estados de consciência guardados numa memória sem relógio biológico e que acaba por se apoiar na moleta do ritmo intenso da vida compassada no espaço; enquanto a nossa percepção do que é extenso é vectorial dependendo de uma atenção perspectivada pela razão inversa do quadrado da distância...que leva tempo a focalizar e a discernir a realidade! Para acompanharmos os passos do tempo necessitamos de espaço e para abarcarmos o espaço precisamos de sentir o tempo e deste relativismo nunca nos havemos de livrar pelo que o nosso entendimento do movimento será sempre relativo por essência ontológica.
Porém, de balde este teste newtoniano provará outra coisa que não seja que o “agente responsável pelo surgimento da concavidade do movimento da água dentro do balde” é a força centrífuga, tão real, objectiva e factual que sem ela não haveria centrifugadoras nem a tecnologia bioquímica que dela depende.
Se não houvesse mais provas para discordar do referencial absoluto de Newton como algo meramente formal a substituir logo que possível, seria este que permite dizer:
Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não”...
...porque mais será a mesma sem as máquinas de lavar!
A força centrífuga não é uma força fictícia mas uma força resultante dos constrangimentos da força centrípeta precisamente porque princípios como o do compromisso decorrem mais da necessidade da economia da meios naturais do que da racionalidade e do bom sendo que no mínimo são afinal o reconhecimento da “ordem natural” das coisas...que mais não é do que o “lugar natural” de Aristóteles
Decididamente, este teste newtoniano é um verdadeiro “balde de água” fria relativamente à possibilidade de conseguir usar a razão para resolver problemas metafísicos do âmbito da física e tem o mesmo contra-senso da experiência de Michelson-Morley!
No entanto, em todos os sistemas de compreensão que aspiram ao absolutismo acabam sempre por aparecer tentações pouco racionais com paradoxos reais deste tipo. Leibniz, que tinha litígios pessoais com Newton a propósito da paternidade do cálculo diferencial dos “infinitesimais” saltou a terreno para condenar a irracionalidade do referencial absoluto.
À esta época, é importante lembrar, Newton já havia acusado Leibniz de plágio por seu trabalho na área de cálculo diferencial – anos mais, tarde foi constatado que os dois chegaram às mesmas conclusões independentemente. Por isso, fica aqui a curiosidade sobre o motivo pelo qual o próprio Newton não respondeu às cartas de Leibniz. (…)
Ora, disso se segue (suposto que o espaço seja alguma coisa em si mesmo fora da ordem dos corpos entre si) ser impossível que haja uma razão por que Deus, conservando as mesmas situações dos corpos entre si, os tenha colocado assim e não de outro modo, e por tudo que não se fez ao contrário (por exemplo), trocando-se o Oriente e o Ocidente. Mas, se o espaço não é mais que essa ordem ou relação, e não é, sem os corpos, senão a possibilidade de aí os pôr, esses dois estados, um tal como é, e o outro suposto ao contrário, não difeririam entre si. A diferença deles não se encontra, pois, senão em nossa suposição quimérica da realidade do espaço em si mesmo. Mas, na verdade, um seria justamente a mesma coisa que o outro, como são absolutamente indiscerníveis; e, por conseguinte, não se poderá perguntar a razão de se preferir um ao outro. – A Crítica De Leibniz À Questão Espaçotempo De Newton Baseado Nas Correspondências Com Clarke, Cynthia E. F. Thomas, Mestranda do HCTE/UFRJ, cynthiathomasbr@gmail.com
Leibniz, portanto serviu-se (e muito bem) apenas de argumentos da lógica formal apelando para a “razão suficiente” que em física leva a princípios importantes como sejam os da conservação e economia de meios de acção.
Na figura e na grandeza, o tempo absoluto e o relativo são a mesma coisa, mas não permanecem sempre numericamente o mesmo. Assim, p. ex., se a terra se move, um espaço do nosso ar que permanece sempre o mesmo relativamente, e com respeito à terra, ora será uma parte do espaço absoluto no qual passa o ar, ora outra parte, e nesse sentido mudar-se-á sempre absolutamente. (NEWTON, 1987, p.156) -- A Crítica De Leibniz À Questão Espaço tempo De Newton Baseado Nas Correspondências Com Clarke, Cynthia E. F. Thomas,
Se o tempo absoluto e o relativo são a mesma coisa porque teria que haver dois? Por isso poderia também invocar-se o princípio da economia divina!
O ponto de vista do alemão se baseia no princípio de razão suficiente, que em sua segunda carta é expresso da seguinte maneira: “nada acontece sem uma razão pela qual ela deva ser de uma maneira ao invés de outra”. (…). Não haveria razão suficiente para a criação das coisas no mundo em uma certa posição e não em outra. Porém, elas de fato foram criadas. Assim, o espaço absoluto não poderia existir. O espaço seria a ordem das coexistências, ou seja, seria a própria relação entre as coisas materiais. (…) -- Filosofia da Física (USP- 2011) Cap. V: Experimento do Balde e Espaço Absoluto, Prof. Osvaldo Pessoa Jr. – Depto. Filosofia (FFLCH).
A tentação para a vertigem do “espaço absoluto” vai aparecer de novo com Einstein que lhe recusa peremptoriamente a entrada pela porta grande onde faz guarda permanente a relatividade geral mas acaba por o deixar entrar pela porta da cozinha deixando-se seduzir pelas almofadas geodésicas do espaço-tempo e acabando em relações promíscuas com a Absoluta Constância da Luz que irão parir monstruosidades e singularidades várias, cada vês mais difíceis de controlar sem cair no puro delírio alucinatório.
Podermos perguntar-nos se em parte estes abismos onde se pode precipitar a ciência não poderão ocorrer por perda de suporte teórico da tradição filosófica. Sabemos que a Newton terá ocorrido algo de parecido ao ignorar por completo o esforço feito por Descartes para voltar a dar suporte racional à física moderna iniciada por Copérnico.
Tal reconstrucción exige una estructura de conocimiento donde la metafísica, o más bien, los principios metafísicos, se convierten en la parte fundamental, sin los cuales, no es posible llegar a un conocimiento cierto de los fenómenos de la naturaleza. En otras palabras, la misma estructura que defendían los escolásticos, pero cuyos contenidos no estaban articulados a los nuevos descubrimientos experimentales – como los hechos por Galilei con el anteojo – ni a los avances científicos que fueron posibles por las demostraciones matemáticas – como las leyes del movimiento planetario de Kepler – . Las novedosas explicaciones de los fenómenos naturales del siglo XVII planteaban la necesidad de una nueva metafísica para fundamentar esa inédita visión del mundo. Asistimos, pues, al resurgimiento de la metafísica – en este caso cartesiana – que la metodología filosófica galileana había intentado destruir. (…)
Generalmente, tal historia de la ciencia se hace por la línea de los trabajos de Kepler y Galilei, hasta llegar a Newton, sustentándose en aquella conocida afirmación newtoniana de que sólo fue posible llevar la física – matemática, hasta sus máximas consecuencias, en sus Principia, porque se apoyó, precisamente, en los hombros de dos gigantes, esto es, los mencionados Kepler y Galilei. Las referencias a Descartes son mínimas, por no decir, insignificantes. Asunto sospechoso si tenemos en cuenta que Newton estudió y asimiló la obra de Descartes, como nos lo hacen saber sus biógrafos. De todas maneras, nuestra intención es mostrar que a pesar de que se haya llegado a afirmar, y se siga sosteniendo, que la física de Descartes es “equivocada”, muchos aspectos de sus teorías físicas fueron y seguirán siendo válidas – aun en la actualidad –, como elementos esenciales de la modernidad y como aspectos que sirvieron de apoyo a la construcción del pensamiento científico moderno; por ejemplo, la formulación de la ley de inercia y la consideración definitiva, para la cosmología moderna, de un universo ilimitado o infinito. -- LA FILOSOFÍA DE LA NATURALEZA CARTESIANA, por: Johman Carvajal Godoy.
A fatalidade da humana condição em alcançar as verdades absolutas coloca mesmo o pensamento mais racional na eterna vertigem pendular das antinomias, dos antagonismo dogmáticos mais ou menos fundamentalistas até que o bom senso faça repousar o pêndulo! Perante o único Absoluto a que ninguém parece conseguir fugir, a herança dos mortos acaba por pacificar as vertigens febris dos sobreviventes das guerras do pensamento e o bom senso mais tarde ou mais cedo põe ordem ao pensamento possivelmente do mesmo modo que a sintropia organizará o universo.
Como a energia potencial se perde em calor quando se transforma na energia cinética, esperar-se-ia que com a evolução da física se começa-se a pensar que a outra metade era a equivalente energia térmica. Mas de modo algum assim aconteceu! A comunidadec cientítica tem-se revelçado afinal tão consevador e preconceituoso quanto outrora o eram as congregações religiosas.
Na verdade,foi preciso usar os complicados calculos da termodinâmica para convencer os físicos de que a realidade era de facto tão simples quanto isso: aquilo que é revelado pela dura e crua lei da natueza e não uma pura ilusão!
"Uma ilusão. A distinção, entre passado, presente e futuro, não passa de uma firme e persistente ilusão." (Albert Einstein).
Claro, se tudo é espaço-tempo e se nem o tempo nem o espaço têm substância por serem meras categorias a priori do entendimento de Kant e, por isso mesmo, meros formalismos ideais, a realidade relativista do espaço-tempo tende a ser mais irreal do que relativa. Mas tudo isto é sobretudo um problema na mente dos que pensam como Albert Einstein mais por falta de cultura humanística de do que por culpa da realidade.
Entonces, la familia Einstein intentó matricular a Albert en la Escuela Politécnica Federal de Zúrich (Eidgenössische Technische Hochschule) pero, al no tener el título de bachiller, tuvo que presentarse a una prueba de acceso que suspendió a causa de una calificación deficiente en una asignatura de letras. Esto supuso que fuera rechazado inicialmente, pero el director del centro, impresionado por sus resultados en ciencias, le aconsejó que continuara sus estudios de bachiller y que obtuviera el título que le daría acceso directo al Politécnico. Su familia le envió a Aarau para terminar sus estudios secundarios en la escuela cantonal de Argovia, a unos 50 km al oeste de Zúrich, donde Einstein obtuvo el título de bachiller alemán en 1896, a la edad de 16 años.
Il a d’excellents résultats en mathématiques, mais refuse de s’instruire en biologie et en sciences humaines, car il ne perçoit pas l’intérêt d’apprendre des disciplines qu’il estime déjà largement explorées. Il considère alors la science comme le fruit de la raison humaine et de la réflexion.
Esta prosaica realidade relativa a deficiente formação humanística de Einstein contrasta com outra de que teria tido uma formação filosófica precoce incluindo a Crítica da Razão Pura de Kant.
Aos dez anos, Albert conhece Max Talmud, um jovem estudante de medicina que costuma jantar com a família Einstein. Max foi uma influência importantíssima na vida de Albert porque o introduziu, apesar da sua tenra idade, à leitura de importantes obras científicas e filosóficas, como por exemplo Os Elementos de Euclides ou a Crítica da Razão Pura de Kant. Em consequência dos seus estudos sobre ciência, Einstein abandona completamente a fé judaica aos doze anos.
Obviamente que é impossível entender a intragável Crítica da Razão Pura de Kant aos 10 anos e deve ser esta a razão pela qual Einstein virá a ter mais tarde uma relação enviesada com o espaço e com o tempo que substancializou no espaço-tempo.
De facto, o que mais estranha na física moderna é a aceitação de princípios aberrantes e contra natura. Desde logo, na relatividade, a substancialidade física e concreta do espaço e do tempo de que resulta um ente mítico e monstruoso chamado espaço-tempo de estranhas singularidades contraditórias e impossíveis. De notar que os cartesianos já tinham feito o mesmo com a "res extensa" o que, como atrás se viu, resultou no descrédito da física francesa em face das propostas metafísicas mais realista de Newton.
Mas, como vamos ver os equívocos da física moderna começaram logo que, a par da rejeição dos erros empíricos inaceitáveis do pensamento aristotélico e cartesiano, se deitou fora a sua menina dos olhos que era o "realismo racional".
Obviamente que os gregos nunca iriam ser os criadores da física porque esta promove sobretudo técnicos e artesãos (mecânicos e engenheiros) que os preconceitos clássicos afastavam das artes liberais. Por ouro lado, razões culturais relacionadas com o politeísmo dificilmente os iria deixar entender os movimentos celestes reservados ao repouso eterno dos deuses olímpicos.Por isso mesmo, só podemos aceitar que foram preconceitos culturais que impediram Aristóteles de aceitar que o caminho mais curtos entre dois pontos é a linha recta e que portanto o movimento circular teria que ser sempre constrangido. Na verdade, nem o pensamento moderno reparou que a rotação do balde de Newton só foi possível pela transmissão de um movimento de torção o que nos reposta para a mecânica do equilíbrio e das alavancas sem a compreensão do qual não é possível entender o movimento. De facto, entre o “estado natural” e o “movimento natural” de Aristóteles deveria ter-se dado conta que existe o estado de repouso natural que é o do equilíbrio mecânico que leva os corpos físicos a procurarem uma situação de mínimo consumo energético que, quando estável, é nulo como nos caso de um corpo inorgânico ou literalmente morto.
O equilíbrio mecânico acontece quando a força resultante que actua no sistema é nula ou, seja, quando o somatório das forças aplicadas ao sistema é igual a zero. Em mecânica, um corpo em desequilíbrio tende a mover-se para a «posição natural» de equilíbrio que no caso da energia potencial origina a queda dos graves. De facto, muito antes da física newtoniana poderíamos intuir a queda dos graves como sendo o resultado da perda súbita do equilíbrio dos corpos que só descansam quando encontram o seu «local natural» de equilíbrio.
Mas um novo mistério foi levantado por Galileu quando se deu conta de que esta procura do «local natural» de equilíbrio não se faz em movimento uniforme mas de maneira acelerada pela gravidade. Como a aceleração implica a actuação de uma força constante teve que se concluir que a força da gravidade actuava constantemente sobre os corpos como na mecânica celeste newtoniana. Porém, não sendo visível nem aceitável uma vis à tergo como Aristóteles postulava para o movimento de tracção teve que se postular uma força actuando constantemente à distância de maneira fantástico, na razão inversa do quadrado da distância o que até hoje permanece como um mistério mais insondável do que o da Santíssima Trindade e que a contracção do espaço-tempo da relatividade de Einstein veio tornar ainda mas fantasmagórica. A força da gravidade é, a par da força magnética, por ventura a mais espiritual das realidades modernas...deixando de lado o facto de a física quântica ser quase uma realidade sobrenatural quase tão estranha como a do país das maravilhas da Alice!
No caso do movimento circular, nunca foi dada atenção ao facto de a sua natureza particular resultava do facto de depender de um binário, ou seja, da acção simultânea de pelo menos duas forças de sentido oposto. De facto, para que um corpo deixe a posição de equilíbrio e entre em rotação basta aplicar-lhe uma alavanca em balancé de jardim infantil.
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Figura 2: La gravure du vingtième chapitre des Institutions. Cette gravure du vingtième chapitre dépeint les raisonnements qu‘elle va introduire dans ce chapitre et dans le suivant. Il y a deux actions qui démontrent la validité des forces vives. La première, c‘est le levier au centre de la gravure : comme nous le verrons, la force motrice nécessaire pour lever un bras est la même que celle nécessaire à le faire descender. ([1])
O caso típico de dois binários cruzados na perpendicular é a suástica, razão pela qual esta se transformou no símbolo arcaico do mítico movimento solar e da roda. Uma alavanca está em equilíbrio quando a soma de todos os seus «momentos» é nula sendo sempre por isso sempre muito instável oscilando como o fiel de uma balança à mais leve variação de peso até porque quanto maior for o braço da alavanca maior será o momento da mais pequena força aplicada e maior será o efeito rotativo produzido.
“A Estática já era estudada desde a Antiguidade Greco-Romana. Ela era descrita pelo Princípio da Alavanca e um dos problemas era justificar essa lei.
Figura 3: A alavanca. Os lj’s são os braços de alavanca; os fj’s são pesos aplicados nas extremidades, respectivamente; o ângulo de rotação é δφ; os sj ’s são os comprimentos dos arcos de rotação. ([2])
Hoje em dia o Princípio da Alavanca é justificado pelo Principio da Velocidade Virtual que parece ter sido descoberto por Descartes.
Figura 4: Demonstração do Equilíbrio Princípio do da alavanca pelo Princípio da Velocidade Virtual. ([3])
“Dê-me uma Alavanca (suficientemente longa) e um ponto de apoio (seguro e moverei o mundo” -- Arquimedes.
O braço desta alavanca poderia ter 4x105km / 4x1028km.
Vejamos então o raciocínio de Perelman: "Se supusermos que Arquimedes podia levantar um peso de 60 quilos a 1 metro de altura em 1 segundo o que é próximo da capacidade de trabalho de um cavalo vapor, para 'levantar a Terra' um único centímetro, ele levaria algo por volta de 32 trilhões de anos".
Esses simples cálculos mostram os valores reais a que podem chegar algumas declarações, se forem interpretadas literalmente.
Ningún ardid del genial inventor le hubiera servido para reducir sensiblemente este plazo. Porque la "ley de oro de la Mecánica" dice que, en cualquier máquina, lo que se gana en fuerza se pierde en camino recorrido, es decir, en tiempo. Por eso, aunque Arquímedes hubiera conseguido que su mano alcanzara la máxima velocidad posible en la naturaleza, es decir, la de 300.000 km por segundo (igual a la de la luz), habría "levantado la Tierra" un centímetro al cabo de diez millones de años de trabajo.
No caso dos movimentos planetários sabemos que a forma elíptica das rotas de translação resulta da existência de um binário cujo centro fica entre o de gravidade do astro maior e o do respectivo planeta ou satélite em órbita, ou seja, praticamente dentro deste no caso do sol como astro central. O que nunca ninguém questionou foi por que razão os astros ainda mantinham as regalias olímpicas de não terem alavancas físicas detectáveis nem fulcro resistente conhecido!
O único cientista que parece ter intuído esta realidade para o sistema planetário foi Borelli.
É preciso ressaltar que Borelli não considerava uma força de atração para um centro, na forma de uma "gravitação universal". A origem dessa atração é peculiar, como se vê pela análise que se segue (apud [56], p. 492-493):
Figura 5: - A “Atração Celeste”, de Borelli. A Lei da Alavanca é a base da teoria de Borelli ([4]).
Seja ASBC uma barra pivotada em S. Pelo Princípio da Alavanca e pelo Princípio da Velocidade Virtual, se um corpo for colocado em B e a barra ASBC ficar em equilíbrio, ; se equilíbrio acontecer em C, então , onde P designa "potência" e os R's designam "resistência"; no equilíbrio da barra, os pesos em B e C são diferentes, de modo que . Borelli supõe, agora, um mesmo corpo colocado ora em B, ora em C; nesse caso, equilíbrio é rompido; ele introduz um novo princípio, a saber, que a resistência em C é maior que a resistência em B ou , portanto, , logo vB < vC. Ora, se S é o centro do Sol ou de Júpiter e AS, seu raio, então as velocidades dos planetas ou dos satélites de Júpiter crescem com a distância a S. -- F=ma?!! O nascimento da lei dinâmica, Penha Maria Cardoso Dias, Instituto de Física, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Seja como for, a formação e a decomposição das forças do movimento de translação para a produção da força centrífuga passam necessariamente a ser diferentes do proposto por Newton, porque a forças tangenciais fazem parte de um binário que não costuma ser considerado.
O problema do balde não foi satisfatoriamente resolvido por Leibniz. Na verdade, foi Clarke quem vislumbrou a possibilidade de que “se um corpo existisse sozinho, seria incapaz de movimento, ou [...] as partes de um corpo que circula (ao redor do Sol, p. ex.) perderiam a força centrífuga que nasce de seu movimento circular, se toda a matéria exterior que as cerca fosse aniquilada” (in ASSIS, p. 113). -- Filosofia da Física (USP- 2011) Cap. V: Experimento do Balde e Espaço Absoluto, Prof. Osvaldo Pessoa Jr. – Depto. Filosofia (FFLCH).
O físico austríaco E. Mach contestou o raciocínio de Newton e escreveu: «A experiência de Newton com o balde de água em rotação informa-nos simplesmente que o movimento relativo da água em relação às paredes do balde não produz forças centrífugas, mas que estas forças são produzidas pela rotação em relação à terra e aos outros corpos do universo (...) acrescentando que nada se pode dizer se a experiência for feita noutras condições (diferente massa e espessura do balde). A experiência de Newton não era suficientemente geral para provar o que quer que fosse. -- Os Principia de Newton, alguns comentários, (Primeira parte, a Axiomática), Augusto J. Santos Fitas.
Ou seja, um corolário da gravidade universal…e das restantes forças fundamentais que actuam fora e dentro dos objectos.
“Tente fixar o balde de Newton e girar o céu das estrelas fixas e então prove a ausência de forças centrífugas”.
Este é o desafio imbatível de Mach! Em boa verdade esta proposta de Mach é tão absurda que não prova nada a não ser a dúvida que lança sobre os argumentos de Newton!
Como tal projecto tecnológico é impossível logo também não é possível provar a ausência de forças centrífugas até porque elas são tão evidentes e objectivas que fica por se entender o que é que passou pela cabeça de Newton para não o ter compreendido assim!
De resto, quanto mais não fora, a interpretação que Newton faz da força centrífuga vai contra a lei da inércia que ela manifesta por resultar neste caso específico da quantidade de movimento recebido pela água a partir da rotação do balde. A Definição III preparou o caminho para esta lei. A inércia deixou de ser, pura e simplesmente a resistência ao movimento; a inércia passa a ser a resistência à mudança do estado de movimento. A permanência do movimento deixou de implicar a acção contínua de uma força porque um corpo pode estar em movimento de moto próprio e sem ser sob a acção de uma força externa como pretendia Aristóteles.
Muitas guerras teóricas, doutrinárias ou religiosas decorrem de álibis que mais não são dos equívocos linguísticos. Por definição comum «inerte» é o que está inactivo.
As definições de esforco (conatus), impeto, inercia, pressao e gravidade a seguir estão em sintonia com essa mesma orientação: “Conatus é a força impedida, ou a força à qual se opõe resistência”; “Impeto é uma força, na medida em que é impressa a alguma coisa”; “Inercia é a força interna do corpo para que seu estado não seja facilmente modificado por uma força externa aplicada sobre ele”; “Pressao é o esforço que as partes contíguas fazem para penetrar umas nas dimensões das outras”; “Gravidade ou peso é uma força que existe em um corpo e que o impulsiona a ir para baixo” (NEWTON, 1979, pp. 83 e 4). Esses conceitos são os principais fundamentos sobre os quais Newton reconstruirá as ciências mecânicas. A noção de forca, juntamente com as noções de espaco, corpo e movimento, significou o afastamento radical de Newton em relação aos conceitos da filosofia cartesiana, fruto das transformações que empreendera nos princípios mecânicos herdados dessa tradição.
«Inerte» = < L. inertem (iners nom.) < de in- "sem" + ars (gen. artis)
"habilidade" > não qualificado, desprovido de arte; sem valor • ocioso.>
, apático, letárgico, adormecido, inactivo, impotente, lento, parado,
morto > que não tem actividade própria; • sem acção; • ineficaz
< Que produz inércia.
Figura 6: For movement to occur, there must be a cause for that movement: thus all bodies at rest will stay at rest forever unless a cause puts them into motion, as, for example, if I remove a support on which a rock is resting, or if a billiard ball pushes another. Institutions Physiques by Madame Émilie du Châtelet.
Assim sendo a definição física de inerte e de inércia passou a ser equívoca!
«Inércia» (Fís.) propriedade que têm os corpos de não poderem modificar, por si mesmos, o estado de repouso ou de movimento em que se encontram.
Quando Newton enunciou com Descartes a lei geral da inércia como principio conservador absoluto e de resistência geral dos corpos à alteração do seu estado deveria ter-lhe dado outro nome porque o termo corrente já se tinha especializado demais no sentido da ausência de movimento para que não se viesse a tornar equívoco falar na inércia de um corpo em movimento.
La primera es: cada parte de la materia en particular permanece siempre en un mismo estado mientras el encuentro con otras no le obliga a cambiarlo. En otras palabras: si tienen un cierto tamaño, no disminuirá a menos que otras partes la dividan; si es redonda o cuadrada, no cambiará esta figura sin que las otras la fuercen; si está quieta en cierto lugar, no saldrá de allí si otras no la echan; y, si ha empezado a moverse, continuará siempre con la misma fuerza hasta que otras la detengan o la disminuyan. -- Descartes, Traité de la lumière.
Según esta primera ley, el reposo y el movimiento son estados contrarios. Esta es una idea que se encontraba en la base de la física de Aristóteles, pues su cosmología refería todos los movimientos que hay en el Cosmos, esto es, los circulares y los rectilíneos, al centro absoluto del universo, en donde los movimientos ocurrían alrededor, desde y hacia el centro. En Descartes, podemos afirmar, que ésta es una concepción clásica, pues la moderna noción del movimiento hace del reposo y el movimiento estados equivalentes, como es evidente en la obra de Galilei, a través del principio de relatividad del movimiento. -- LA FILOSOFÍA DE LA NATURALEZA CARTESIANA, por: Johman Carvajal Godoy.
Claro que Descartes nunca iria afirmar que o repouso e o movimento seriam estados contraditórios mas apenas diferentes em quantidade de movimento, que seria nulo no repouso.
Descartes considerava o choque que transmite o movimento de um corpo a outro como causa dos fenómenos físicos. Ao adoptar simplesmente este princípio como explicação dos fenómenos naturais, Descartes sabia que daria uma visão geral da natureza que corria o risco de ser imprecisa quando se descia ao pormenor. Contudo, preferia isso a encontrar simplesmente «as razões de alguns efeitos particulares»: a natureza nos seus detalhes não era o objecto próprio do cientista, tal como ele o entendia. -- O RACIONALISMO DE DESCARTES (XVI) - A FÍSICA CARTESIANA, LUIS RODRIGUES.
Há situações em que inovar por capricho e andar sempre a alterar nomenclaturas e gramáticas é tarefa diletante e confusionista mas neste caso teria sido mais benéfico e imperativo ter criado um termo inovador para um conceito físico que era tão inovador quanto revolucionário. O termo «resistência» que veio a ser usado em electricidade teria sido aplicado aqui com propriedade mas ainda mais o termo «persistência»!
Verdadeiramente, a relatividade enquanto postura filosófica genuinamente realista, interactiva e quase sistémica dos seres físicos começa com Mach e poderia ter coroado a Mecânica quântica se também esta não tivesse entrado em delírios ao aceitar o preconceito contra o Éter lumínico suspeito de ser o ente sublime e subliminar dos gnósticos espíritas mas que poderia ter começado a descer dos espaços siderais onde os antigos o colocavam, aos pés dos deuses olímpicos, e depois dos santos cristãos, para aparecer debaixo dos pés da ciência como meio ambiente e de acção para a creche das partículas subatómicas que começaram a aparecer como cogumelos com a investigação atómica já que não seria a cama mais adequada para deixar repousar as equações das ondas electromagnéticas de Maxwell.
Para Mach, “Todas as massas e todas as velocidades, e conseqüentemente todas as forças, são relativas [...] o sistema do mundo é nos dado apenas uma vez, e a visão ptolomaica [ou melhor, a de Tycho Brahe] ou copernicana é nossa interpretação, mas ambas são igualmente verdadeiras. Tente fixar o balde de Newton e girar o céu das estrelas fixas e então prove a ausência de forças centrífugas.” Mais adiante: “Os princípios da mecânica podem, de fato, ser concebidos tal que mesmo para rotações relativas surgem as forças centrífugas”.
A tese de que o espaço, tempo e velocidades são relativos passou a ser conhecido como princípio de Mach. Em outros termos, é a tese de que as forças fictícias são reais e geradas pelo movimento em relação à matéria.
Uma consequência do princípio de Mach, incorporado na abordagem conhecida como “mecânica relacional”, é a tese de que a massa inercial de um corpo é devido à interacção gravitacional com os outros corpos do Universo. Ou seja, se quase toda a matéria do Universo, fora da Terra, desaparecesse, você poderia parar um caminhão que estivesse se movendo em ponto morto na horizontal com suas próprias mãos (desde que seus pés estivessem em contato com o chão, sofrendo atrito estático)! Isso ocorreria porque a massa inercial do caminhão ficaria reduzida, já que a quantidade de matéria no Universo se reduziu. -- Filosofia da Física (USP- 2011) Cap. V: Experimento do Balde e Espaço Absoluto, Prof. Osvaldo Pessoa Jr. – Depto. Filosofia (FFLCH).
NB: E não ficariam reduzidas na mesma proporção as diferentes forças de tal modo que o resultado final seria como se tudo ficasse na mesma? Os desafios metafísicos têm esta vantagem: são tão improváveis que ninguém arrisca também a contesta-los em definitivo.
A Natureza, mesmo inorgânica, sempre esteve longe da perfeição matemática que os formalistas desenham para a física teórica mas os engenheiros que aplicam as tecnologias da física sabem que tal como são raros os cristais perfeitos e por isso caros os diamantes poucas são as situações prática em que as leis físicas se aplicam com rigor matemático. Por mais complexas que os teóricos as elaborem com o intuito de as aproximarem da complexa desordem natural, mais aparente do que real, a física teórica estará sempre muito aquém da compreensão da riqueza e complexidade natural onde a ordem nasce da desordem e a vida da morte.
Como as teorias unitárias perfeitas acabam por ser uma utopia começamos a suspeitar que a realidade termodinâmica da degradação dos sistemas abertos demarca a fronteira da física com a química e também a lei da conservação da energia começa a perder evidência. Supostamente esta equação só era válida na ausência de entropia. No entanto, a lei de conservação de energia é consequência da simetria dos fenómenos físicos; a conservação de energia é comprovada através do fato empírico de que as leis da física não se modificam com o tempo. Filosoficamente, isso pode estabelecer que "nada depende do tempo, só por si". Em outras palavras, se a teoria é invariante na simetria contínua sobre o tempo, então a energia é conservada.Mas estaremos perante crenças ou evidências? Obviamente que no limite estamos sempre perante crenças relativas à constância e coerência da realidade mas…para isso teríamos que exigir aos agentes de pensamento a mesma constância e coerência em relação aos princípios da realidade. Porém, a mitologia está sempre à espreita atrás da porta do medo que se vislumbra na desordem e no ruído ininteligível da complexidade do desconhecido aproveitando a primeira oportunidade para nos fazer tropeçar em teorias que põem em causa os princípios do bom senso e nos fazem perder a cabeça com utopias que acabam por gerar quimeras e monstruosidades teóricas várias.
Os conceitos científicos de massa, que diferem do conceito também científico de peso, sempre se mostram de alguma forma associados ao conceito de inércia, e mesmo na relatividade, onde energia e massa mantêm, em acordo com a famosa equação E = mc², íntima relação, esta associação está presente: não só a matéria mas também a energia apresenta inércia. Entretanto, apesar de muito bem definida dentro de cada área de estudo onde aparece, "explicar" a massa não é uma coisa muito simples, e actualmente existem algumas teorias que tentam elucidar nas origens o que é massa. Ou seja, a matéria está longe de ser tão materialista que consiga evitar os formalismos formais das teorias que acabam, afinal, por a remeter para o campo da energia onde outros pensam que seria tudo pura e imaterial espiritualidade.
Quando se descobriu que o calor era uma radiação eletromagnética como a luz depressa se poderia ter passado, sem a necessidade de grandes cálculos matemáticos, à conclusão de que, sabendo-se a velocidade da luz, se poderia calcular a totalidade da energia envolvida em sistemas com transformação de energia como sendo E = mc2 = (1/2)mv2 + (1/2)mc2, uma vez que a energia cinética era o equivalente da energia termica perdida. Mas obviamente apenas e enquanto se aceitar que a velocidade da luz é uma constante universal, o que pode ser duvidoso. Na verdade se nos ficarmos pelo mero formalismo E = mv2 seja qual for a velocidade envolvida no processo de trocas de quantidade de movimento possivelmente ficaremos mais dentro do bom senso.
Ora, em última análise a vida distingue-se da morte por não ser inerte! A vida começa com a quantidade de movimento mas o Universo sem movimento organisado não seria universo. Ora, o principio da ordem é a informação!
É nesse sentido que digo que para pensarmos na possibilidade da existência de um movimento absoluto num sentido não tão light como aquele descrito pela VERSÃO 1, precisamos de outro ingrediente, e esse nada mais é senão a informação do movimento. Ou seja, nesta versão as três hipóteses existenciais (espaço, matéria e movimento) não são suficientes, devendo-se acrescentar mais uma, e quero crer que já dei a entender qual seria: a informação do movimento.
Possivelmente a conservação da energia organizativa do universo implica o princípio mais geral da conservação do tropismo como gande lei unitária do universo:
T (quantidade total de tropismo no universo)
= ½ S(intropia)3 + ½ N(egantropia)3 = 1 = 0 * ∞.
De facto, na incapacidade para quebrar os átmos a evolução da física tem perdido muito tempo em calculos matemáticos para chegar a valores exatos em condições reais de tecnologia quando seria mais simples (caso fora socialente mais fácil por opção idiológica educativa) abrir as mentalidades para a evidência de que os principios gerais da natureza são afinal mais lógicos e sensatos do que as mentes habituadas à arbitraiedade que a fé pretenderiam.Na verdade não é a Natureza que viola o direito natural mas os humanos que o interpretam a seu belo prazer!
Afirmar que a equação geral da energia esteve na base de construção de bombas nucleares é um mito de divulgação científica de quem pouco sabe do assunto porque esta teve mais a ver com a tecnologia do isolamento e controle dos elementos radioactivos do que com a física teórica respectiva que, naturalmente, evoluiu em paralelo com a física teórica nuclear. A quem de facto se deve a física nuclear é sobretudo a trabalhos quase anónimos e solitários como os de madame Curie que literalmente perdeu a vida nestas perigosas investigações.
Concluindo, Newton e Descartes tinham em comum a Filosofia mecanicista e é através dela que a Filosofia natural de Newton tem início: ela é o ponto de partida para a construção da Física newtoniana mesmo que posteriormente ele viesse a trair radicalmente esta Filosofia mecanicista ao introduzir o conceito de ação à distância (um corpo agindo sobre outro sem que houvesse contato direto entre eles) para explicar a dinâmica dos céus e da Terra.


[1] - LE LABORATOIRE ÉPISTOLAIRE DANS LES OEUVRES SCIENTIFIQUES DE LA MARQUISE DU CHÂTELET, By Arianne Nicole Margolin
[2] - História da Física e Ciências Afins. F=ma?!! O nascimento da lei dinâmica, Penha Maria Cardoso Dias
[3] - História da Física e Ciências Afins. F=ma?!! O nascimento da lei dinâmica, Penha Maria Cardoso Dias
[4] - História da Física e Ciências Afins. F=ma?!! O nascimento da lei dinâmica, Penha Maria Cardoso Dias

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