sábado, 29 de novembro de 2025

CURETAS, CABIROS E CORIBANTES & O NASCIMENTO DO FILHO DE DEUS, por Artur Felisberto.

 

CURETAS, CABIROS E CORIBANTES

& O NASCIMENTO DO FILHO DE DEUS, por Artur Felisberto.

 


Figura 1: Rea vigia Zeus criança alimentado pela cabra Amaltea enquanto os Curetas batem ruidosamente com as armas nos escudos para que Cronos não pudesse ouvir a voz da criança. Ilustração dos 19C DC.

HESIOD AND THE CRETAN CAVE: A problem that plagued ancient authors who dealt with the birth of Zeus was the plethora of myths that placed his nativity in diverse locations. The discovery of cave sanctuaries on both of these mountains suggests that variant traditions arose because there was no single cave of Zeus, but a number of them, each the center of a local cult. Apollodorus (1.1.6-7) attempted to account for two rival traditions by insisting that Zeus was born in a cave on Mt. Dicte, then naming one of his nurses `Ida', a reference to the myth that placed his birth on Mt. Ida. Callimachus (Hymn to Zeus 33-4) outdid Apollodorus by alluding to three different traditions; he located Zeus' birthplace in an Arcadia, then transported him to Mt. Ida where he was tended by the nymphs of Dicte inside a Cretan cave. Hesiod, too, may have known of divergent traditions, but instead of resorting to the method employed by Callimachus and Apollodorus, he tried to reconcile them in a much more subtle manner by using word-play. Hesiod's love of word-play is evident throughout the Theogony.

(…) If we accept the dual nature of Gaia implied by the ambiguous words xenthemôn and lóchos, we may detect Hesiod's attempt to reconcile the variant traditions of the location of Zeus' birth. In lines 477-85, Rhea gives birth to Zeus near Lyctus on Crete, then hands him over to Gaia. Gaia places him in a “deep cave” on Mt. Aigaion that is described (…) “in the recesses of sacred earth”. But, in light of the double meaning of xenthemôn, it can also be construed as “in the womb of holy Gaia”. Rhea's placement of the infant Zeus into Gaia's xenthemôn on Mt. Aigaion and his eventual emergence from it suggest a second birth. Thus, Hesiod skilfully reconciled two contradictory traditions about the birth of Zeus by saying that he was born near the town of Lyctus, then implying that he was born in a cave on Mt. Aigaion. -- Carbondale, Illinois, Shawn 0´Bryhim.

Embora o nascimento de Zeus tenha sido colocado pelos mitógrafos gregos em diversos locais a verdade é que nasce sempre numa caverna no sopé dum monte e sempre em Creta. Porém, como mito que é, o nascimento de Zeus não terá sido em lado algum deste mundo não tanto porque os deuses nascem na cabeça dos homens em qualquer lugar mas porque este mito específico de Zeus teria aparecido com a queda do império minóico miticamente retratada no mitema da Titanomaquia. Antes de Zeus teria reinado Crono, o deus da civilização minóica que viria já dos primórdios do neolítico nas zonas que estariam a descoberto na última glaciação em torno da ilha de Malta que seria uma zona de pradaria semi-paradisíaca que incluiria a ilha de Creta e onde terá começado a cultura dos cereais para uso regular no fabrico da cerveja. Esta primeira prosperidade económica da humanidade iria dar origem ao mito do “paraíso perdido” e de Crono como deus da época dourada dos tempos antigos.

Úrano e Gaia ou Anu e Ki teriam por sua vez nascido nos primórdios da humanidade assim que esta teve tempo para pensar nisso lá pelos finais do paleolítico nas cavernas cantábricas e pirenaicas.

En la mitología griega, los Dáctilos (en griego antiguo Δάκτυλοι, ‘dedos’) fueron una raza arcaica de hombrecillos fálicos relacionados con la Gran Madre, bien Cibeles o Rea, hombres-espíritu como los Curetes, Cabiros y Coribantes. Los Dáctilos fueron antiguos herreros y hechiceros sanadores. En algunos mitos aparecen trabajando para Hefesto, y enseñaron a trabajar el metal, las matemáticas y el alfabeto a los humanos. Cuando Rea, la madre de los dioses, supo que el momento del parto le había llegado, marchó a una cueva sagrada del monte Ida. Cuando se acuclillaba para parir clavó sus dedos en la tierra (Gea), lo que dio origen a esto daktyloi Idaioi (‘dedos ideos’), por tanto considerados a menudo diez en número, o a veces multiplicados a una raza de diez decenas. A menudo sin embargo se dice que eran tres, o treinta y tres. Cuando los griegos prestaban un juramento solemne, a menudo presionaban las manos contra la tierra al pronunciarlo.

Legend has it that they were not born but sprang from the earth when it was wet by the first tears of the infant Zeus.

This symbolises that they were native sons of the earth. This is why tradition speaks of the Curetes as the first inhabitants of Crete and even, through folk etymology, that the words Crete and Cretan are derived from the word Curetes (C-u-retes).

Na verdade, os Curetas já existiam quando Zeus nasceu e seriam pelágios autóctones de Creta e portanto as lágrimas de Zeus seriam uma forma de os mitógrafos dizerem que Zeus teria que ter pré-existido aos primeiros habitantes de Creta. Esta característica única da origem local da civilização cretense não pode ser tomada como infalível mas contrasta com os mitos fundadores da maioria de outras civilizações antigas precisamente pelo facto de não ser considerada alienígena.

Strabo, Geography 10. 3. 19 (trans. Jones) (Greek geographer C1st B.C. to C1st A.D.): "Further, some call the Korybantes (Corybantes) sons of Kronos (Cronus)."

Strabo, Geography 10. 3. 22 (trans. Jones) (Greek geographer C1st B.C. to C1st A.D.): "And they [some writers] suspect that both the Kouretes (Curetes) and the Korybantes (Corybantes) were offspring of the Daktyloi Idaioi (Idaean Dactyls); at any rate, the first hundred men born in Krete (Crete) were called Idaian Daktyloi, they say, and these were born of nine Kouretes, for each of these begot ten children who were called Idaian Daktyloi."

Strabo, Geography 10. 3. 19:  "Some call the Kouretes (Curetes) ‘Kretes,’ and say that the Kretes were the first people to don brazen armour in Euboia, and that on this account they were also called ‘Khalkidians’ (of the Bronze)." [N.B. Khalidians means both "of Khalkis," a town in Euboia, and "of the bronze."]

Os imaginativos helenistas teriam pensado que teriam sido os curetas que teriam dado nome a Creta mas o mais provável é que tenha siso a Deus Mãe dos Curetas, *Ker-tu, a Senhora que dá à luz na caverna dum monte, e que seria precisamente a mãe dos titãs que precederam Zeus.

En Creta, tres Dáctilos llevaron nombre sugestivos de curación: Paionio (más tarde asociado con Asclepio), Epimedes y Yaso. Se decía que había introducido el trabajo del cobre y el hierro. De Yaso se contaba que yació con Rea en un campo arado tres veces y que la diosa engendró a Pluto (‘riqueza’) con la forma de una cosecha abundante. Zeus derribó esta figura arcaica impía con un rayo. Un Dáctilo ideo llamado Heracles (quizá la primera encarnación del héroe posterior) dio origen a los Juegos Olímpicos al azuzar una carrera entre su cuatro ‘dedos’ hermanos. Este Heracles era el «pulgar», y sus hermanos eran Eonio (índice), Epimedes (corazón), Jasio (anular) e Idas (meñique).

A antiguidade de Hércules só era desconhecida dos gregos clássicos porque os egípcios entendiam que este deus teria mais de sete mil anos e era considerado por muitos autores como de origem ibérica e por isso contemporâneo da arte rupestre do paleolítico superior cantábrico e peri-pirenaico. Por isso mesmo, é obvio que estes nomes podem nem sequer ser cretenses e serem meras reminiscências dos cinco deuses que presidiam aos cinco dígitos da mão. Hércules porque seria o deus do primeiro dedo, o mais gordo e mais forte, Paeonaeus, porque apontaria para a luz do sol de Apolo Paeão, ou porque seria um deus do «pirete» (< Phyrete < *Kur-et) como algumas variantes arcaicas de Apolo teriam sido, Epimedes, porque seria literalmente o superior em tamanho e o de posição média ou *Epi-Me(n)des e por isso fálico como Min(os), Iasius, de que teria derivado o nome de Jasão, porque seria Zeus, o “deus menino” do dedo mindinho nascido no monte Ida, e por isso também chamado Aces-idas!

A tradição dos três dedos frígios relacionados com parto da Virgem Mãe de Zeus deve ser um mitema amazónico de origem maltesa derivado duma arcaica tradição de fraternidade matriarcal de assistência a matronas em trabalho de parto que usariam os três dedos para fazerem o toque vaginal e avaliar da dilatação ideal do colo do útero que poderia permitir uma boa hora de parto! Sendo assim, Epimedes seria o que restava de uma tradição da bênção dos três dígitos da criação e do parto em que o dedo médio seria Epimeteu, irmão de Prometeu e por isso, presentes ao nascimento da humanidade.

Figura 2: O nascimento de Pandora.

Por conta dos mortais terem o fogo, Zeus armou uma armadilha: mandou o filho de Hera, o deus coxo e ferreiro Hefesto, plasmar uma mulher ideal, fascinante, ao qual os deuses presentearam com alguns atributos de forma a torná-la irresistível. Esta mulher foi batizada por Hermes como Pandora, (pan = todos, dora = presente) e ela recebeu de Atena a arte da tecelagem, de Afrodite o poder de sedução, de Hermes as artimanhas e assim por diante. Pandora foi dada de presente para o atrapalhado Epimeteu, que ingenuamente a aceitou, a despeito da advertência de seu irmão Prometeu. A vingança planejada por Zeus estava contida numa jarra, que foi levada como presente de núpcias para Epimeteu e Pandora. Quando esta, por curiosidade feminina, abriu a jarra e rapidamente a fechou, escaparam todas as desgraças e calamidades da humanidade, restando na jarra apenas a esperança. -- O mito de Prometeu e Epimeteu segundo Ésquilo, Hesíodo e Platão por Miguel Duclós.

HESÍODO, TEOGONIA: Mas o nobre filho de Iapetus o enganou e roubou o brilho distante do fogo incansável em um talo oco de erva-doce. E Zeus, que troveja no alto, foi picado em espírito, e seu querido coração ficou irado quando ele viu entre os homens o raio de fogo visto de longe. Imediatamente ele fez uma coisa má para os homens como o preço do fogo; pois o muito famoso Deus Manco formou da terra a semelhança de uma donzela tímida como o filho de Cronos quis. E a deusa Atena de olhos brilhantes cingiu-a e vestiu-a com vestes prateadas, e de sua cabeça estendeu com as mãos um véu bordado, uma maravilha de se ver; e ela, Pallas Athene, colocou em sua cabeça lindas guirlandas, flores de ervas recém-cultivadas. Ela também colocou na cabeça uma coroa de ouro que o muito famoso Deus Manco fez para si mesmo e trabalhou com suas próprias mãos como um favor a Zeus, seu pai. Nele havia muito trabalho curioso, maravilhoso de se ver; pois das muitas criaturas que a terra e o mar criam, ele colocou sobre elas coisas maravilhosas, como seres vivos com vozes: e grande beleza brilhou dela.


Figura 3: Pandora.

[585] Mas quando ele fez o belo mal ser o preço da bênção, ele a trouxe para fora, deliciando-se com a elegância que a filha de olhos brilhantes de um pai poderoso lhe dera, para o lugar onde os outros deuses e os homens eram. E o assombro tomou conta dos deuses imortais e dos homens mortais quando eles viram aquilo que era pura astúcia, insuperável pelos homens.

[590] Pois dela é a raça das mulheres e da espécie feminina: dela é a raça mortal e a tribo das mulheres que vivem entre os homens mortais para seu grande problema, sem ajuda na pobreza odiosa, mas apenas na riqueza. E como nas colmeias de palha as abelhas alimentam os zangões cuja natureza é fazer travessuras - durante o dia e durante todo o dia até o pôr do sol as abelhas estão ocupadas e colocam os favos brancos, enquanto os zangões ficam em casa nos cepos cobertos e colhem a labuta de outros em suas próprias barrigas - mesmo assim Zeus, que troveja no alto, fez das mulheres um mal para os homens mortais, com uma natureza para fazer o mal. E deu-lhes um segundo mal para ser o preço do bem que tinham: quem evita o casamento e as dores que as mulheres causam, e não quer casar, chega a uma velhice mortal sem ninguém para cuidar de seus anos, e embora ele pelo menos não tenha falta de meios de subsistência enquanto vive, ainda, quando ele está morto, seus parentes dividem suas posses entre eles. E quanto ao homem que escolhe a sorte do casamento e toma uma boa esposa adequada à sua mente, o mal continuamente luta contra o bem; pois quem quer que tenha filhos travessos, vive sempre com tristeza incessante em seu espírito e coração dentro dele; e este mal não pode ser curado.

[613] Portanto, não é possível enganar ou ir além da vontade de Zeus; pois nem mesmo o filho de Iapetus, bondoso Prometeu, escapou de sua raiva pesada, mas necessariamente fortes bandos o prenderam, embora ele conhecesse muitos artifícios.

Na verdade, Pandora teria sido no nordeste transmontano da Lusitânia a deusa das Pandorcas e a deusa mãe Amorca, esposa de Pan ou Paeonaeus pelo que ficamos na dúvida se não teria sido casada primeiro com Prometeu, deus do fogo como Hefesto e Vulcano e, por isso, deus das formas, casado com Vénus / Afrodite Morfo e só mais tarde, por uma qualquer conveniência mítica com Epimeteu, supostamente tão atrapalhado quanto Vulcano. Então, os deuses beatos, fálicos e curativos destes três dedos seriam os curetas Prometeu ou Hermeteu, próximo do frígio Celmis, seu irmão Epimeteu que deu o trocadilho frígio Da-m(e)na-meneo e…*Akimeteu ou Akmonides, talvez o mesmo que Himeneu, cujo original teria dado origem ao frígio Acmón.

"[Ouranos is called] revolving Akmonides, son of Akmon [Aither]." Callimachus, Fragment 498 (trans. Trypanis) (Greek poet C3rd B.C.)

Acmón < Ash-min < Jas-min => Yaso!

Obviamente que poderíamos aqui envolver os três juízes minóicos dos infernos suspeitando que o frígio Celmis teria sido Radamanto antes de acabar em Ada-manto, deus do aço que afinal seria Adónis o que, sem muito esforço nos faria relacionar Prometeu & Pandorca com Adão & Eva.

Los Dáctilos del monte Ida en Frigia inventaron el arte de trabajar los metales para darles formas útiles usando el fuego. También descubrieron el hierro. A los tres Dáctilos frigios, al servicio de la Gran Madre, suele dárseles los nombres de Acmón (el yunque), Damnameneo (el martillo) y Celmis (la fundición). De Celmis cuenta Ovidio la historia de que cuando Rea fue ofendida por este compañero de infancia de Zeus, le pidió que le transformase en adamanto, duro como espada templada. Zeus así lo hizo.

Los Cabiros (Kabeiroi), cuyo hogar sagrado estaba en la isla de Samotracia, fueron considerados por Diodoro Sículo dáctilos ideos que habían llegado al oeste desde Frigia, y cuyas prácticas mágicas habían logrado convertir a los habitantes del lugar a su culto secreto.

En Rodas, los Telquines fueron unos hombres ctónicos parecidos, nueve en número, recordados por los griegos como peligrosos herreros y hechiceros del Inframundo, y multiplicados hasta una raza autóctona completa que crió a Poseidón.

Crono era então o senhor Almirante de terra, mar e céu. Como tinha medo de ser destronado, Cronos engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos excepto Zeus, que Réia conseguiu salvar enganando Cronos enrolando uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca. Os curetas fizeram a sua primeira invenção na caverna onde nascera Zeus infante aquando lhe fizeram um berço suspenso.

O berço de Zeus, embora debaixo da terra, não tocava a terra, nem o mar ou o claro céu, escondido como estava nas profundidades da terra.


Figura
4: Curetas guardando o Zeus menino filho de Rea.

Em rigor, Dion-isho, literalmente filho de Dione ou Rea, seria o menino Jesus / Zeus que em Creta era considerado como um deus morto onde ainda na época clássica e helenista o seu túmulo era mostrado com orgulho aos visitantes da Gruta de Dodona.

Para mantê-lo escondido de seu pai canibal, o titã Cronos, eles abafavam o choro e os gritos de Zeus com uma dança frenética na qual chocavam ruidosamente suas lanças e escudos. Esta primeira invenção do Curetas foi seguida por muitas outras.

O curetas eram assim arcaicos deuses das montanhas selvagens e inventores das artes rústicas do trabalho em metal, pastoreio, caça e apicultura. Foram também os primeiros guerreiros armados e os deuses das danças de guerra, pírricas e orgiásticas, executadas pelos jovens de Creta e da Eubéia.

Diz-se que a dança tradicional cretense, ainda mantêm vivo o espírito deste dia (Pentozalis, Malevisiotikos Pidichtos) que lança as suas raízes nas danças pírricas dos curetas.



Figura
5: A dança dos três dígitos ou Dáctilos.

Diz-se também que os dáctilos fizeram a primeira pandeireta ou adufe estirando uma pele dum animal sacrificado que eles deram a Reia.

Pyrrichos, also Pirichos, Pirrichos and Pyrichos is one of the oldest towns in Mani peninsula. It was promised to Achilles by the Achaeans if he took part in the Trojan War.

A dança pírrica é uma dança de guerra famosa na antiguidade que recebeu o seu nome de Pyrrichos, na Lacónia dos dórios. Esta dança não seria original de Creta mas apenas a sobrevivência local de todas as danças de guerra e de caça usadas por todas as culturas antigas e que espantaram os europeus quando a foram encontrar nas tribos ameríndias como danças masculinas que preparavam a guerra mas que ficavam por cá em tradições rústicas desprezadas pela aristocracia em locais inacessíveis como era o Nordeste Transmontano onde ainda hoje permanecem as tradições das danças dos «gigantones» em qualquer romaria popular e a dos «caretos» no carnaval e nas festas de invernos dos rapazes!

Foi dançado à flauta, com tempo muito rápido. Julius Caesar introduziu esta dança em Roma e terão sido estes que terão mantido a tradição levando-a para bizâncio. Assim, a Romaika, dançada ainda actualmente na Grécia, será uma relíquia desta antiga dança Pirrica.

El helenista francés Henri Jeanmaire señaló que los Curetes, así como el Zeus cretense (llamado «el más grande kouros» en himnos cretenses), tenían una estrecha relación con el paso de los jóvenes a la edad adulta en algunas ciudades cretenses.

A problem is arising from the fact that this dance has a strong simularity to the dances of the Korybantes. These are known as attendants of the Great Mother Kybele. In the beginning these two were strictly differentiated; the dance of the Korybantes was much more orgiastic, the dance of the Kuretes more moderate. But with the diffusion of the Kybele cult to Greece both are mixed together. Therefore it is difficult to discriminate between the various names under which these deities appear. A plausible theory from Georg Kaibel, Göttingen 1901, is seeing the Kuretes together with the Korybantes, the Kabires, the Idaic Daktyles and Telchines only as names for the same entities at different times and different places. Kabel suggests that they have a phallic meaning too and that they were in the beginning primitive fertility deities which have sunk to an indeterminate and subordinate position due to the development and formalization of the greek religion. So in historic times they have survived only as half divine, half demonic beings which were worshipped only in connection to the various forms of the great Goddess of Nature.

Figura 6: A dança dos coribantes. (Relevo Neo-Ático, Museus do Vaticano)

Seja qual tenha sido a tradição, a verdade é que na aristocracia cretense continuou a chamar-se curetas aos aristocratas da classe dos cavaleiros que cultivaram de forma particular a pederastia iniciática que veio a servir de modelo à pederastia clássica praticada sobretudo ou exclusivamente pela aristocracia e de forma acintosa pelo grupo dos cavaleiros da ordem equestre – Curetes ou Kourètes.

Relacionado com estes teriam estado também os estranhos e arcaicos deuses Coribante, que também praticariam de forma ainda mais ostensiva a homossexualidade ao ponto de se auto castrarem nos cultos frígios de Cibele e dos deuses Cabiros.

Kabiroi < Cabiri < Kawur < Kur > Kur + akas = Kuretas

There is in the Romagna a spirit, fairy or goddess (male or female), who is of a gay and festive nature. She is called Curedoia or Corredoio, and loves dances and festivals. She is a vera fanatica per la musica -- wild after music -- and though you may not suspect her presence, she is sure to attend wherever there is a frolic or a ball. I offer with all modesty, or even distrust, the suggestion that we may have in her the beau reste or possible fragment of Curitis or Quritis -- the is and us of Latin are very commonly changed to vowels in Italian, which would make Curitoio at once.

"Curitis," says MÜLLER, "was the name in Falerii, where she was zealously worshipped, of Juno." Magnificent festivals with every circumstance of splendour and gaiety were held in her honour. White cows were sacrificed, the streets laid with carpets (OVID, iii., 12, 13, 24), maidens wrapped, according to Greek custom, in white garments, bore as cannephoroe, the holy utensils on their heads. -- Etruscan Roman Remains in Popular Tradition, by Charles Godfrey Leland

Se existem dúvidas a respeito do género sexual da deidade Romanha Corredoio elas só ocorrem pela analogia infeliz com Juno Quiritis que seria apenas a equivalente de Rea, a mãe de Zeus / Júpiter, então ainda esposa de Jano.

Corredoio < Corredojo < Corredolio < Corredorio > «Corredor».

«Corrupio» • s. m. designação de vários brinquedos e jogos de crianças; • (fam.) rodopio; • roda-viva; • azáfama; • afã.

«Curropio» < Kaur-opia, literalmente a cobra do Kur das cavernas cretenses que seriam a deusa mãe dos curetas e «caretos».

Em português o corredor ou corredoira é tanto o agente como o espaço da acção de correria também chamado de «corrupio». Ora, este possivelmente seria o nome mais adequado para este deus.

Neste caso Corridoios seriam os latinos quirites ou cauretas.

"Corredoio e uno spirito che va molto nelle feste da ballo!

Corridoio < Cauritojo < Kauretush

< Kur-et-es > Kauretis > Quirites.

O facto do disco simbólico solar ter acabado por se tornar na pandeireta dos ritos musicais ruidosos dos curibantes não é senão uma confirmação da evolução da simbologia mítica por efeito de transferência formal.

"Rhea, when she was heavy with Zeus, went off to Krete and gave birth to him there in a cave on Mount Dikte. She put him in the care of both the Kouretes and the Nymphai Adrasteia and Ide, daughters of Melisseus. These Nymphai nursed the baby with the milk of Amaltheia, while the armed Kouretes stood guard over him in the cave, banging their spears against their shields to prevent Kronos from hearing the infant’s voice." - Apollodorus, The Library 1.4-5

The Telkhines play a variety of roles in myth, sometimes they appear almost identical to the Hekaton-kheires (Storm-Gods) and Elder Kyklopes (Lightning-Thunder metalworkers), at other times they take on the role of Kouretes and Daktyloi, and later as those Rhodian sons of Poseidon known as the Daimones Proseoous.

Os Coribantes, são divindades misteriosas, assim como os Curetas e os Cabiros, Também estavam presentes no ciclo de Zeus infante; e compõe os mistérios da Somatotrácia. (...). Mas a corrente mais Coerente, é de serem prole de Helios com uma musa pré-olimpica Texínoe.


Figura
7: Espelho etrusco: Casamento do terceiro cabiro.

Os cabiros (kábeiroi, em grego), são deuses ctônicos, propiciadores da fertilidade e das riquezas. Costumam ser representados com martelos e tenazes, como auxiliares de Hefesto e deuses do fogo e da metalurgia e usando barretes pontudos. Seu nome pode estar relacionado ao do deus indiano Kubera, ao grego kóbalos (espécie de pequenos dáimones), ao eslavo antigo kobi ("espírito protetor"), ao alemão Kobold, ao francês gobelin e ao inglês goblin,

palavras aproximadamente equivalentes a "duende". Seu santuário mais famoso se localizava na Samotrácia, embora seu culto se ramificasse por várias regiões, chegando até mesmo a Mênfis, segundo Heródoto. Embora a origem e a natureza dessas divindades menores sejam interpretadas de maneiras diversas pelos mitógrafos antigos, os Cabiros, segundo a tradição mais comum, eram quatro.

Passavam por filhos de Hefesto e Cabiro ou, segundo outras versões, Hefesto, unindo-se a Cabiro, foi pai de Cadmilo, tendo este gerado os outros três: Axi-ero, Axi-oqu-er-sa e Axi-oqu-er-so, identificados respectivamente com Hermes, Deméter, Perséfone e Hades. Seus locais de culto, além da Samotrácia, encontravam-se em Lemnos, Imbros e nas vizinhanças de Tebas.

Como divindades de mistérios, não podiam ser invocados impunemente, a não ser por iniciados. Integravam normalmente o cortejo de Hera, a protetora dos amores legítimos, já que o ápice de uma iniciação, télos ho gámos, é exatamente o casamento.

Após a época clássica, os Cabiros tornaram-se, como os Dióscuros, Cástor e Pólux, os protetores da navegação, daí o conselho de Orfeu para que os argonautas se iniciassem nos mistérios da Samotrácia.

Cabiri < Kawir < Kaphur < Kakia + Ur

Sabaoth <= Sabazius < Kakia + kius => Ziuz > Zeus.

Axi < Aka < Kaka => genérico de deus => o eixo do universo!

Axi Erus < Kaki (> Axi) Urus,

(Axi) Ocersa/us < Osurka/Osurko < Kaphur Kius => Osiris

Cadmilus < Kiath me Urus => Guerreiros de Cadmus?

                    Kiath Urus me => Phta, Hermes solar?

A relação dos eunucos com o culto de Cibel afigura-se obscura mas era inequívoca quanto à sua efectiva importância no ritual dos curibantes que faziam o cortejo ruidoso das procissões de Cibel.

E já agora, porque será que Chiblis será nome de eunuco entre as culturas vodu? Afinal,

Cibel(is), lit «filhos de Cibel» < Chiblis > Cabris

=> Kabirus > «cabras» e «gabirús»!

Los Cabiros eran representados unas veces como enanos y otras como gigantes, como acontece igualmente con los herreros de las mitologías que trabajan el "fuego subterráneo" (El reino de la cantidad y los signos de los tiempos, René Guénon, Paidós, Barcelona, 1997, p. 142). En opinión de Pausanias, Hércules fue el último de los cabiros (ver nota 17). [1]


Figura
8: Iniciação de Agamenon aos cultos dos Cabiros de Samotrácea. Marbre, œuvre grecque archaïque, vers 560 av. J.-C. Provenance: Samothrace.

Ponto assente, os Cabiros eram deuses do fogo e supostos filhos de Vulcano, tal como o suposto para Cacus.

De gauche à droite: Agamemnon, Talthybios et Épéios, identifiés par des inscriptions en alphabet ionien («Agamemnon» figure en écriture rétrograde). Fragment de bas-relief, peut-être l'accoudoir du trône d'une statue de culte; représenterait l'initiation d'Agamemnon au culte des Cabires à Samothrace.

Cabiri = Certain gods (Phrygian) worshipped in Asia Minor and Greece. The religion of the Phrygians was an ecstatic nature worship, in which the Great Mother of the Gods, Rhea, or Cybele, and a male deity, Sabazius, played a prominent part. The orgiastic rites of this religion influenced both the Greeks and the Romans. Their center of worship was Samothrace, and their rituals involved scandalous obscenities. The main gods were Axierus, Axiocersa, Axiocersus, and Cadmilus who promoted fertility and guarded mariners. Originally, the Cabiri were Phrygian chthonic and fertility deities, and protectors of sailors, who were imported into Greece. The Cabiri are identified with the Dioscuri, the Curetes, Corybantes, and with the Roman Penates.

Cabari = Greek fertility deities. Their origin can be traced back to Asia Minor, and they were proberbly imported in Greece in the Hellenistic and Roman era. There is some mysterious cult connected to them and the god of fire Hephaestus. There were sanctuaries on the islands of Lemnos, Imbros and especially Samothrace, where traces of those mysteries can still be fount. Some sources mention that originally there were only two of them, but that the number varied over the sebsequent centuries. The male deities were Axiocersus, Cadmilus (his son), and the female deities Axierus and Axiocersa. Later, they became protectors against misfortune and dangers.

Os nomes dos deuses correlacionados com estes cultos não nos espantam pois que Sabazius era Dionísio, Baco ou Yaco, “filho de Kako” e Cadmilus era Hermes, quase que seguramente o antigo pai de Dionísio! Etimologicamente os Cabirus eram *Kaphuras, lit. «bestas sagradas de transporte solar» originariamente cobras aladas, depois, ora renas ora touros alados e mais tarde cavalos solares.

Sabazius < Kawakius < «Kavaco») < Kakako.

Cabirus < *Ka-Phur-ish < Ishkaur < Ish-Kahur < *Kiki-Kakur =>

·       Kakur-Kiki > *Kaphur(ish)! < Ka-Pher-Ish

·       Axierus < Ashi-*Pher-us = Luciferus < Iscur > Ish-pher > «Esfera».

·       Axiocersus < Ashi-Hau-*Pher-kus.

Estes deuses só foram identificados com o culto da arcaica deusa mãe dos frígios que era Cibele na medida em que os gregos tinham perdido o contacto com os arcaicos cultos matriarcais dos cretenses.

El geógrafo Estrabón contó que en Lemnos la madre (no tenían padre) de los Cabiros era Cabiro (en griego Καβειρω), una hija de Proteo y diosa a la que los griegos podrían haber llamado Rea.

«Cabiro» < Κα-βειρω < Ka-Pher-ia, litralmente “a que transporta a vida”

> *Kafura.                < Ki-Wer > Cibele.

Sendo assim, quem se atreveu a correlacionar Hércules com os «deuses de transporte solar» foram já os antigos quando o associaram aos cabiros. Porém, o antigo nome de Hércules, Alexikakos era já uma variante do nome Axiocersus o que confirma a afirmação de Pausanias, de que Hércules foi o último dos cabiros.

Alexikakos => Ash-Hal-kakos < *Iscur-Kakus < Ish-Ka-ker-kus <= Axiocersus.

Assim sendo, estamos perante a mesma mitologia relativa a muito arcaicos deuses do fogo subterrâneo e vulcânico.

El santuario arcaico de Samotracia fue reconstruido al estilo griego. Pero en la entrada al santuario, que había sido minuciosamente excavada, el anticuario romano Varrón halló que había habido pilares gemelos de latón, hermas fálicas, y que en el santuario se entendía que el hijo de la Diosa, Cadmilo, era en algún sentido místico también su consorte.

O deus das “duas colunas de Hércules” é o mesmo tão amado deus das duas montanhas da aurora. O amor-ódio de Hera por este heroi só pode explicar-se em consequência dum qualquer equívoco mitológico pois que, etimologicamente, Hércules só poderia ter sido filho ou esposo de Hera, a deusa suprema dos «helenos» (< herenos, lit. fieis da deusa mãe Hera < Turan > Kali, esposa do deus dos infernos).

 

CORIBANTES

En los mitos, la Cabiros presentan muchas similitudes con otras razas fabulosas, como los Telquines de Rodas, los Cíclopes, los Dáctilos, los Coribantes y los Curetes. Estos grupos diferentes eran a menudo confundido o identificados unos con los otros debido a que varios de ellos, como los Cíclopes y los Telquines, estaban también asociados con la metalurgia.

Diodoro Sículo dijo de los Cabiros que eran Idaioi dactyloi (‘Dáctilos ideos’). Los Dáctilos ideos eran una raza de seres divinos relacionados con la Diosa Madre del monte Ida, una montaña de Frigia consagrada a la diosa. Hesiquio de Alejandría escribió que los Cabiros era karkinoi (‘cangrejos’). Aparentemente así se les concebía como seres anfibios (recordando de nuevos a los Telquines), con pinzas en lugar de manos que usaban como tenazas (en griego karkina) para trabajar el metal.

Los Coribantes son hombres con armadura, que siguen el ritmo del panderetas, cuernos, flautas y platillos, y lo marcan con sus pies. La danza, según el pensamiento griego, era una de las actividades educadoras, como la elaboración del vino o la música. La danza con armadura (llamada «danza pírrica» o simplemente «pírrica») era un ritual de iniciación para los jóvenes que «alcanzan la mayoría de edad» y estaba vinculada a la celebración de una victoria en la guerra.

Coribantes são os Sacerdotes de Réia, peritos na arte de trabalhar em metais. Receberam honras divinas, por haverem contribuído para a salvação de Zeus, quando ameaçado pela voracidade paterna, e para educá-lo. Nos seus êxtases sagrados, executavam danças, ao som da flauta e dos címbalos.

Os Coribantes, são divindades misteriosas, assim como os Curetes e os Cabiros, Também estavam presentes no ciclo de Zeus infante; e compõe os mistérios da Somatotrácia. Alguns autores citam sua paternidade a Apolo e uma das Musas. Mas a corrente mais Coerente, é de serem prole de Helios com uma musa pré-olimpica Texínoe. Foram chamados Coribantes os seguintes: Acmon, Cyrbas, Damneus, Idaeus, Melisseus, Mimas, Ocythous, Prymneus, e Pyrrhichus.

De qualquer modo, a relação de Hércules com os Cabiros passa assim a ser muito mais bem compreendida por intermédio das suas relações ancestrais com a deusa mãe da aurora, que foi também Cibel, compreenda se pensarmos que:

Cibel < Kiwel > *kawir => Kerish > Ceres.

                          > Hind. Kubera.

Kubera = The Hindu god of wealth. He is also known as Dhanapati, "lord of riches".

Este deus hindu habitava numa cidade fantástica denominada Alcamanda, lit. “a alta mandala” porque situada nos picos dos montes Kailas dos Himalaias!

The Enigmatic Enaries = Cannabis was not only used by the Scythians for relaxation and ceremonies for the dead. These ancient nomads had a class of shaman-magicians called the Enaries. These were ancient transvestites who uttered prophecies in high pitched voices. This at first sounds bizarre, but was actually a very common trait among shamans world wide. The Scythians believed that these people, who had characteristics of both sexes, were somehow also living in both worlds, and could travel between the two. The Scythians, by Chris Bennet.

En la Tebas griega hay más hallazgos diversos, que incluyen muchos pequeños toros votivos de bronce y que continuaron hasta la época romana, cuando el viajero Pausanias, siempre alerta a la historia de los cultos, aprendió que fue Deméter Kabeiriia quien instigó el rito de iniciación allí en el nombre de Prometeo y su hijo Etneo.


Figura 9: Ulisses e as Sereias.

Independentemente da forma um tanto ou quanto anacrónica com que os investigadores americanos interpretam o passado que lhes falta quando investigam o passado alheio, possuídos como são deste deslumbramento, típico dos neófitos que imaginam o passado ao virar da esquina e com um tal fervor de clarividência que chegam a representa-lo de forma cinematográfica de acordo com a “lei dos factos actuais” copiando acriticamente gestos análogos dos tempos modernos esquecendo que o contexto histórico pode acabar por ser mais importante do que o texto que a maior parte das vezes é pura imaginação (afinal os Citas nem sequer tinham escrita e o que sabemos deles foi-nos relatado em segunda mão por alguém que mesmo sendo o pai da história teve os meios que lhe eram possíveis há dois milénios e lhe permitiam ser pouco mais do que jornalista de fontes quase sempre muito em segunda mão!) este texto revela que a realidade dos enários parece ser a mesma dos cabiros.

                                                           Kar-la > sumer. Galla.

Enários < En-| Haryes < karjes <* Kar-ke(s) > karwi- > *kawir(os)|!

                 «Sereias» < Seren < Sariens <* Kar-ke(s) > Harphi- > Harpias.

Apesar desta relação semântica, obviamente que não iríamos cair na tentação de forçar uma relação etimológica entre os dois termos chegando ao ponto de exigir que entre ambos deveria existir uma relação fonética linearmente audível. No entanto, podemos mesmo assim tentar uma aproximação etimológica entre ambos os termos. É que, a realidade etimológica não é feita de evidências primárias, como é óbvio, ou de outro modo nem seria necessária a investigação etimológica!

O estranho não reside na facilidade com que se cruzam as linhas étmicas de nomes com a mesma semântica! Afinal, com um pouco mais de manuseamento etimológico acabaríamos por ir dos enares às hárpias gregas que seriam tão prostitutas quanto as serias!

O espantoso é verificar que a corja de enares possa ter tido o mesmo étimo das corjas de árias e arianos bem como dos guardas infernais dos sumérios que eram reconhecidamente Gallu, lit “homens dos poderosos”! Galla seria então o mesmo que “a mulher dos poderosos”, ou seja, a concubina! Dito de outro modo, o nome em sumério dos sacerdotes de Cibel era bem mais sugestivamente explícito do que em cita ou em frígio!



[1] SACRALIDADRQUETÍPICAY TRADICIONAL DEL MUNDO ANTIGUO, MONCAYO, CELTÍBEROS Y MITOS VARIOS, Ángel Almazán de Gracia.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

ESTANDARTE, por Artur Felisbeto

 


Figura 1: Estandarte da bandeira nacional num juramento de bandeira do exercito português

Figura 1: Estandarte da bandeira nacional num juramento de bandeira do exercito português


STANDARTE ou da Chanson de Roland ao «estandarete» popular: uma arqueologia da nomeação simbólica.


A palavra, «estandarte» como o pano que a tece, não se limita à sua forma: ela convoca, orienta, cura e resiste. O que aqui se propõe é uma arqueologia da linguagem que restitua à palavra “estandarte” a sua dignidade cerimonial, cruzando etimologia, mito, oralidade e gesto político. O que se ergue ao vento não é apenas tecido porque é sobretudo memória.

I. Definições e Confusões Semânticas: A distinção entre bandeira, padrão e estandarte.

Por definição o estandarte distingue-se de uma bandeira por esta ser a forma genérica dum padrão de armas desenhada num pano enquanto o estandarte se reporta a bandeira hasteada e montada em suportes próprios.


Adiante veremos que a confusão entre estes dois conceitos teceu as vicissitudes do estandarte.

O termo estandarte distingue-se da bandeira por ser uma insígnia hasteada em suporte próprio, com função cerimonial e simbólica. A sua origem é complexa, surgindo em variantes como estendardestandardstandart, e em formas latinadas como standardum ou standarum.

II. A Palavra em Trânsito A genealogia fonética e semântica: patronpattern, padrão, standard.

Muitos exemplos se poderiam dar do quanto de duvidoso anda pelo campo da etimologia particularmente no que respeita às línguas mais recentes, ainda que muito faladas pelas mesma razões de sempre: fala-se sempre sobretudo do que está na moda e que é sempre “o que está a dar”…dinheiro ou nas vistas!

Ao longo da história, as línguas predominantes foram sempre as línguas francas fosse por razões de conquista fosse por motivos comerciais. O Inglês é uma caso típico que consegui associar a razão de império à de negócio. Porém, os novos-ricos nem sempre são os mais avisados ainda que possam ser os mais cheios de orgulho e presunção! O Inglês está longe de ser já uma língua padrão ainda que comece a falar-se por toda a parte um Inglês estandard.

Pattern (n.) = 1324, "the original proposed to imitation; the archetype; that which is to be copied; an exemplar" [Johnson], from O.Fr. patron, from M.L. patronus (…).

Patron = "a lord-master, a protector," c.1300, from O.Fr. patrun (12c.), from M.L. patronus "patron saint, bestower of a benefice, lord, master, model, pattern," from L. patronus "defender, protector, advocate," from pater (gen. patris) "father." Meaning "one who advances the cause" (of an artist, institution, etc.), usually by the person's wealth and power, is attested from 1377; "commonly a wretch who supports with insolence, and is paid with flattery" [Johnson]. Commercial sense of "regular customer" first recorded 1605. (…)

Extended sense of "decorative design" first recorded 1582, from earlier sense of a "patron" as a model to be imitated. (…)

The difference in form and sense between patron and pattern wasn't firm till 1700s. Meaning "model or design in dressmaking" (especially one of paper) is first recorded 1792, in Jane Austen. Verb phrase pattern after "take as a model" is from 1878. (…)

The dates beside a word indicate the earliest year for which there is a surviving written record of that word (in English, unless otherwise indicated). This should be taken as approximate, especially before about 1700, since a word may have been used in conversation for hundreds of years before it turns up in a manuscript that has had the good fortune to survive the centuries. -- http://www.etymonline.com/index.php

O termo standar de que os brasileiros já se aproveitaram tem em português o óbvio equivalente semântico no termo «padrão» que mais não é que um compromisso fonético entre o *pedrãoou grande pedra com que se fizeram os padrões da história trágico-marítima lusitana e a semântica de patrão que ditava as regras e as lei do patriarcado que substitui o matriarcado do neolítico pré-histórico. E a este propósito conviria dizer que muitos anglicanismos fazem fortuna nas línguas alheias não tanto porque as línguas latinas mais velhas não tenham termos próprios para traduzir os modismos inventados pelo génio industrioso dos anglo-americanos, mas, sobretudo, porque os termos quase sempre singelos e pouco inovadores nas línguas mãe fazem furor nas línguas latinas pelo seu exotismo aparente. A inversa nem sequer terá acontecido com a última semântica do “patron” posterior a 1700, que a língua inglesa terá recebido dos portugueses no fundo do baú das parcelas de império marítimo que os lusos tiveram de dar de mão beijada aos ingleses, uma vez que seria uma mera antonomásia em moda dum termo inglês, por sinal nem muito antigo. Obviamente que é foneticamente difícil fazer derivar pattern do O.Fr. patron quando é foneticamente óbvio que isso terá acontecido literalmente com o EnglPatron. Pelo contrário, não será este que deriva directamente do latino pater mas o Englpattern, e não do genitivo patris mas do adjectivo paternus, sobretudo porque a confusão gramatical patente denuncia a sua origem popular e crioula, ainda durante a domínio romano da Bretanha.

Voltando ao termo standar:

Standard = 1138, "flag or other conspicuous object to serve as a rallying point for a military force," from O.Fr. estandart, probably from Frank. *standhard, lit. "stand fast or firm," a compound of words similar to Gothic standan "to stand" and hardus "hard”. So called because the flag was fixed to a pole or spear and stuck in the ground to stand upright. The other theory connects the O.Fr. word to estendre "to stretch out," from L. extendere. Meaning "unit of measure" is 1327, from Anglo-Fr., where it was used 13c., and is perhaps metaphoric, the royal standard coming to stand for royal authority in matters like setting weights and measures.

O interessante é que de todos os sentidos etimológicos possíveis o inglês padrão vulgarizou precisamente o sentido prático mais recente de padrão precisamente pela via das unidades de medida padronizadas que os ingleses não aceitaram da revolução francesa por terem derrotado Napoleão.

Se uso e abuso da fala facilita a diversificação das palavras é sobretudo o poder político quem fixa a semântica dominante.

Os Ingleses dizem que o seu standard deriva do antigo francês dos francos como aglutinante de stand-hard que os ingleses poderiam produzir por si mesmos. Por outro lado voltaram a importar de França o estandart.

III. A Chanson de Roland e o Gesto Nomeado A análise dos versos e da insígnia de Maomé.

Uma das primeiras aparições ocorre na Canção de Rolando, onde o autor chama estandart à insígnia de Maomé e Termagante, levada perante o emir Baligant. O poema, escrito entre 1040 e 1115, deriva de tradição oral e foi fixado em manuscritos medievais, incluindo uma versão anglo-normanda.

A Canção de Rotllan teve um impacto profundo em toda a Europa desde a sua origem, com o herói Rotllan surgindo em versões locais como Roldán (Espanha) e Orlando (Itália). Ele representa o arquétipo do cavaleiro cristão: leal em combate, valente e disposto a morrer. A canção servia tanto para entreter como para incitar os ouvintes a participar nas Cruzadas, dado o seu tema de luta contra os sarracenos.

Embora o manuscrito mais antigo date do final do século XII, acredita-se que o poema seja bem anterior. Com cerca de 4000 versos, a palavra em questão aparece apenas três vezes, todas no episódio de Baligant, o emir da Babilónia; trecho que o estudioso Gaston Paris atribui a um autor distinto.


Figura 2: As oito fases da Canção de Roland em uma imagem; ilustração de Simon Marmion de um manuscrito iluminado das Grandes Chroniques de France (século XV), actualmente no Museu Hermitage em São Petersburgo.

3265. Li amiralz mult par est riches hum

Dedavant lui fait porter sun dragun

l'estandart Tervagan e Mahum.

[O Emir é um grande homem

Diante dele carregou o seu dragão

E o estandarte de Tervagan e Maomé.]

3329. Carles li magnes, cum il vit l'amiraill

E le dragun, l'enseigne, e l'estandart,

[Carlos o Magno, quando viu o emir

E o dragão, a bandeira e o estandarte,]

3551. Baliganz veit sun gunfanun cadeir

E l'estandart Mahumet remaneir.

[Baligant vê o seu gonfanon cair

E o estandarte de Maomé permanece (indefeso).]


Figura 3: A morte de Rolando na Batalha de Roncevaux, iluminada c. 1455–1460 de Jean Fouquet.

Ao falar das bandeiras, o poeta (ou talvez poetas) utiliza as palavras "enseigne" ou "gunfanun" ou, num caso, "orie flambe". O que era então o "Estandarte de Maomé" que o autor desta secção tem em mente? A história que está a contar é, obviamente, puramente mítica, de tal modo que ele, ou o inventor original do mito, deve ter encontrado a palavra e o objecto que conotava noutra ligação qualquer. -- CAMBRIDGE NAVAL AND MILITARY SERIES GENERAL EDITORS SIR JULIAN S. CORBETT, LL.M., F.S.A. H. J. EDWARDS, C.B., C.B.E., M.A.

O próprio nome de Rolando tem muitas variações linguísticas em pontos medievais muito próximos do determinando Cantar de Roldán (> Roldão) em navarro, Canzone di Orlando em italiano, Chanson de Roland em Francês, e Roland também em Inglês, Rolando em português e espanhol, Rotllan o Rotllà em catalão, Rolán em galego, Errolan em eukara.

Origem etimológica profunda

Etapa

Forma

Significado

Proto-Indo-Europeu

*kreH-

“gritar, chorar”???

Pré-Germânico

*kréh₂tis / *kréh₃tis

raiz de famaclamor

Proto-Germânico Ocidental

hrōþi + land → Hrōþiland

“terra da fama” ou terra do herói?

Franco Antigo / Francônio

HrōþilandHruodlandHruotland

terra do herói / épico

Latim Medieval

HruodlandusRotholandus

formas latinadas para uso literário e clerical.

2. Variações linguísticas medievais

Língua

Forma do nome

Observações

Francês antigo

Roland

Forma canónica da Chanson de Roland

Navarro

Roldán

Base do Cantar de Roldán

Espanhol

Roldán / Orlando

Dupla tradição épica

Português

Rolando / Roldão

Roldão como forma popular derivada

Italiano

Orlando / Rolando

Orlando Furioso

Catalão

Rotllan / Rotllà

Preservado em lendas pirenaicas

Galego

Rolán

Forma medieval habitual

Basco

Errolan

Adaptação fonética local

Occitano

Rotland

Variante regional

Alemão

Hruodland / Roland

Presente em estátuas e lendas urbanas

Holandês / Germânico

Roeland / Roelant

Formas populares e literárias

Proto-GermOcid. *hrōþi < Proto-Germanic *hrōþiz

< pré-germânico *kréh₂tis ou *kréh₃tis, < proto-indo-europeu *kreH- (“gritar, chorar”). ó sânscrito कीर्ति (kīrti, “discurso, relato; fama, renome”.

Ou antes: Her-rōþi > hrōþi + land > *Hrōþiland > B. LatHruodlandus

Rotholandus > *Rotland > Roland > Rolando ó Orlando ó Errolan

                         > *Rotland > Rotlan > Rotllan > Rotlà > Rotllà

                                                           > Roldán > Roldão.

Assim a etimologia do termo standard remontaria supostamente ao franco standhard (“ficar firme”) relativa à irigem da língua que primeiro o escreveu, embora alguns autores proponham uma origem latina alternativa em extendere (“estender”).

A palavra foi usada para designar um objecto visível que servia de ponto de reunião militar, como o poste capturado por Roberto da Normandia em 1099, descrito como longissima hasta quod vocant standart.

Durante o século XII, o estandarte evolui para uma máquina cerimonial, como a usada por Ricardo I em 1191: uma viga sobre rodas, reforçada com ferro, que sustentava a bandeira real. Este objeto era centro de cura, orientação e autoridade. A batalha de Northallerton (1138) ficou conhecida como Batalha do Estandarte por envolver uma estrutura semelhante.

A transição do nome do suporte para o pano que ele sustentava começou no século XIII. Em 1282, o vexillum de São Jorge em Génova torna-se o Stantarium B. Georgii. Em Inglaterra, o termo estandartz aparece em 1323, referindo-se a bandeiras com armas reais feitas de lã de Aylesham. Contudo, o nome estandarte não se aplicava a qualquer bandeira, mas a um tipo específico, descendente do gonfanon, com caudas reduzidas e forma afilada.

No final do século XV, os arautos fixam a forma: caudas curtas e arredondadas, cruz de São Jorge em chefe, lema e crachás no corpo, mas sem brasão completo. Assim, o estandarte real passa a designar oficialmente a bandeira das armas reais, uso que persiste desde os tempos Tudor.

Propõe-se aqui uma lei de ressonância fonética popular: quando o povo não sabe a origem, escuta a rima. E quando a rima ressoa com o gesto, ela torna-se nome verdadeiro. Assim, labarumstandardumestandaretelabaru e lauburu não são apenas palavras — são formas de nomear o pano cerimonial, o verbo funerário, o gesto que convoca o invisível com vento e intenção.

O termo estandarete, como forma diminutiva de estandal, representa o símbolo modesto mas significativo, que não comanda — convoca. E o labaru, recolhido em lápides cántabras, talvez seja o verbo funerário original, anterior ao lauburu basco. A rima entre labarum e standardum não é capricho — é restituição poéticaescuta popular, tentativa de nomear o gesto com o nome que convinha.

IV. O Estandarte Cruzado: Função e Forma O termo “standard” passou por uma notável evolução semântica desde o século XI, reflectindo transformações culturais, militares e simbólicas no uso das bandeiras. Inicialmente, designava objectos cerimoniais ou militares que nem sempre eram bandeiras, mas postes altos com emblemas, ou mastros montados em carroças usados como ponto de reunião em batalhas.

A fonte mais provável deste conhecimento é a Primeira Cruzada. Durante a luta pela posse de Jerusalém no verão de 1099, Roberto da Normandia, em combate pessoal, apreendeu de um dos os emires sarracenos um objeto que é descrito como um poste muito longo coberto de prata, tendo no topo uma bola ou maçã dourada (pomum aureum). Isto foi chamado de «estandarte», uma palavra que era evidentemente naquele momento de introdução recente, para o contemporâneo historiadores, alguns dos quais foram testemunhas oculares dos eventos que relacionar, têm várias maneiras de a soletrar e geralmente se referem a ele de tal forma uma forma de indicar que a palavra não era de uso familiar[3 E.g. Albert of Aix: longissima hasta quod vocant standart. Baldric of Doladmiravisi stantarum. Peter Tudebode: Quod stantarum apud nos dicitur vexillumRobert the Monkvexillum admiravissi quod standarum vocant.] Segundo a Alberto de Aix este «estandarte» foi transportado à frente do exército do "Rei da Babilónia" e era o centro em torno do qual a flor do exército se reunia e para o qual os retardatários regressavam. Alguns anos mais tarde, Fulcher de Chartres observa a captura de mais três "estandartes", mas não os descreve. --  CAMBRIDGE NAVAL AND MILITARY SERIES GENERAL EDITORS SIR JULIAN S. CORBETT, LL.M., F.S.A. H. J. EDWARDS, C.B., C.B.E., M.A.

Um exemplo marcante é o “standard” capturado por Roberto da Normandia durante a Primeira Cruzada, descrito como um poste prateado com uma esfera dourada no topo, símbolo de autoridade e centro de coesão para o exército.

· V. A Máquina Cerimonial de Ricardo I O estandarte como eixo de cura e orientação.

No século XII, surge uma forma mais elaborada: uma estrutura móvel com rodas, como a usada por Ricardo Coração de Leão em 1191, que sustentava a bandeira real e servia como ponto de referência, abrigo e símbolo de liderança no campo de batalha. Essa máquina, protegida por soldados, era vital para a moral das tropas porque a sua queda indicava derrota iminente.

Num compromisso com os Sarracenos perto de Acre, no final de Agosto de 1191, a bandeira de Ricardo I foi transportada no alto numa máquina da qual o desconhecido mas contemporâneo autor do Itinerarium Regis Ricardi faz a seguinte descrição:

Os normandos formaram uma muralha em redor do «estandarte», que, para que fosse mais bem conhecido, não nos descuidámos de o descrever. Consiste, portanto, numa viga longa, como o mastro de um navio, apoiada sobre quatro rodas numa estrutura solidamente fixada e presa com ferro, de tal modo que parece incapaz de ceder à espada, ao machado ou ao fogo. Afixada no topo desta, a bandeira real, vulgarmente chamada de «estandarte», agita-se ao sabor do vento. Para a protecção desta máquina, especialmente em batalha em campo aberto, é designada uma tropa seleccionada de soldados, para que não seja desmantelada pelo ataque do inimigo ou derrubada por qualquer ferimento, pois se por acaso fosse derrubada, o exército ficaria disperso e confuso, pois não saberia em que parte do campo se reunir. Além disso, os corações dos soldados estariam cheios de medo de que o seu líder tivesse sido derrotado se não vissem a sua bandeira ser erguida. Nem os que estavam na retaguarda avançariam prontamente para resistir ao inimigo se, com a retirada da sua bandeira, temessem que algum infortúnio tivesse acontecido ao seu rei. Mas enquanto aquele «estandarte» se mantivesse erguido, o povo tinha um lugar seguro de refúgio. Para lá eram trazidos os doentes para serem curados, para lá eram trazidos os feridos e até homens famosos ou ilustres [5 Unde quia stat fortissime compaginatum in signum populorum a stando standardum vocitatur] exaustos da luta. Por isso, por se manter firme como sinal para todo o povo, é chamado "Estandarte". É colocado sobre quatro rodas, não sem razão, a fim de que, de acordo com o estado do batalha, pode ser antecipado à medida que o inimigo cede ou recuado enquanto eles avançam. . --  CAMBRIDGE NAVAL AND MILITARY SERIES GENERAL EDITORS SIR JULIAN S. CORBETT, LL.M., F.S.A. H. J. EDWARDS, C.B., C.B.E., M.A.

A batalha de Northallerton (1138), conhecida como “Battle of the Standard”, também envolveu uma estrutura semelhante, com uma píxide e três bandeiras. Esse tipo de “standard” tornou-se comum nas forças europeias dos séculos XII e XIII, e o nome passou gradualmente do suporte físico à bandeira que ele sustentava.

· VI. A Transferência do Nome Da estrutura ao pano: o nome migra para o símbolo.

Por volta de 1282, em Gênova, o “vexillum” de São Jorge passou a ser chamado “Stantarium B. Georgii”. Na Inglaterra, a mudança ocorreu um pouco depois, com registros de 1323 mencionando “estandartz” com as armas reais. No entanto, o termo não se aplicava a qualquer bandeira com cruz de São Jorge ou brasão real, mas a um tipo específico — intermediário entre o “streamer” e o “banner”, descendente direto do “gonfanon”.

O uso desta forma de padrão não se limitou aos ingleses; na verdade, parece ter sido de uso geral nos exércitos ocidentais Europa nos séculos XII e XIII, e a transferência do nome do suporte para a bandeira real, ducal ou estadual que O tédio foi uma consequência natural. Esta transferência começou evidentemente a ocorrer por volta do final do século XIII, pois em 1282 o Gonfanon do estado de Génova, até então chamado de "vexillum" de São Jorge, nos Annales Genoenses, torna-se o "Stantarium B. Georgii". Em Inglaterra, a mudança parece ter ocorrido um pouco mais tarde. Fui reunir-me com ele antes do ano de 1323, quando as contas do Tesouro contêm referências a normas (Estandartzestandardes) com as armas reais e feitas de lã de Aylesham.

VII. O Estandarte Heráldico e Popular A fixação da forma pelos arautos e a emergência do estandarete.

Nos selos reais medievais, esse tipo aparece no topo dos mastros dos navios, sugerindo sua praticidade e prestígio. No século XIV, o formato foi refinado: duas caudas, corpo afilado, e no final do século XV, os arautos definiram um modelo com caudas arredondadas, cruz de São Jorge no topo, lema e insígnias no corpo, mas sem o brasão completo. Assim, o “standard”, quando qualificado como “real”, passou a designar oficialmente o estandarte das armas reais, uso que persiste desde os tempos Tudor até hoje.

Mas o nome não foi dado em Inglaterra a todas as formas de bandeira ostentando as armas reais ou a cruz de São Jorge. Estava confinado a um tipo específico de comprimento intermédio entre a serpentina e o banner [6 Em 1337, as flâmulas tinham de 14 a 32 ells de comprimento e 3 a 5 panos de largura; Padrões tinham 9 ells de comprimento e 3 panos de largura; enquanto os estandartes tinham 13/4 ells de comprimento e 2 panos de largura.]. Este tipo era evidentemente o descendente directo do "gonfanon", que é a única forma de bandeira representada em tal dos grandes selos dos nossos primeiros reis como bandeiras de exibição [7 Por exemplo, os de Guilherme II, Henrique I, Estêvão e Alexandre I da Escócia.]. Pelo facto de ser esta forma que é representada no mastro dos navios no início selos, como por exemplo os de Hastings e Lyme Regis (décimo terceiro século) e de Dover (1305) reproduzido na Placa III, podemos inferir que era o tipo mais conveniente para uso na cabeceira do "padrão" e, portanto, o tipo para o qual o nome gradualmente tornou-se aplicado. Durante o século XIV, as caudas foram reduzidas em número para dois e a bandeira feita para afunilar gradualmente ao longo do seu comprimento. Por fim, os arautos estabeleceram uma forma em que as caudas eram curtas, rombas e arredondadas no final, o que decidiram deve conter a cruz de São Jorge em chefe com o lema e crachás do proprietário, mas não dos seus braços, na mosca. Esta mudança parece ter ocorrido por volta do final do século XV. Pela restrição das armas reais às bandeiras de estandarte, o nome "estandarte", quando qualificado pelo adjetivo "real" (mas apenas nesta conexão), foi transferido para a bandeira real de armas, não apenas no discurso popular que não tem em conta tais subtilezas técnicas, mas também no uso oficial desde os tempos Tudor até hoje. --  CAMBRIDGE NAVAL AND MILITARY SERIES GENERAL EDITORS SIR JULIAN S. CORBETT, LL.M., F.S.A. H. J. EDWARDS, C.B., C.B.E., M.A.

Em suma, o “standard” evoluiu de um objeto cerimonial para uma bandeira com função militar, simbólica e heráldica, refletindo a complexa relação entre poder, identidade e representação visual na história europeia.

Porém o nome do estandarte terá vindo de onde?

As línguas cultas do centro mediterrânico há muito que tinham deixado de aglutinar conceitos para produzir novas semântica em parte porque tinham já termos de sobra para quase tudo e depois porque sendo línguas altamente flexionantes e sufixativas não careciam do recurso à aglutinação para criarem novos sentidos bastando-lhes modelar e declinar os que tinham para deles extraírem os sons e aromas mais adequados a cada nova situação.

Depois se permanecessem ainda na fase da rudeza rural da sexualidade explícita poderiam ter criado em vez de «estandarte» um “sempre-em-pé” ou mais próximo da fonética do standard termos como *estendeirito < *estende-hirto ou *esten-direito < *estende-recto.

Obviamente que pela sua obvia liberalidade se tratariam de etimologias de conveniência belicista própria de bárbaros mas não de autores de canções de amor e trovas de amigo!

Também não se discute a raiz semântica sta-.

Stand (v.) = O.E. standan (class VI strong verb; past tense stod, pp. standen), from P. Gmc*sta-n-d- (cf. O.N. standa, O.S., Goth. standan, O.H.G. stantan, Swed. stå, Du. staan, Ger. stehen), from PIE base *sta- "to stand" (cf. Skt. tisthati "stands," Gk. histemi" cause to stand, set, place," L. stare "stand," Lith. stojus, O.C.S. stajati). Sense of "to exist, be present" is attested from c.1300.

A etimologia de *sta- não difere muito da do latino “cedere” e dos deuses do trono. O sânscrito tisthati parece reportar-nos para um deus Hati, ou seja para o terreno cultural dos hititas germinada nas franjas e na sombra dos impérios minóicos e do crescente fértil que viria a engrossar a corrente sociocultural e crioula dos movimentos bárbaros antigos.

Já os portugueses fazem derivar «estandarte» do provençal estendart 

Lat. extendere = «estender».

Porém, onde foram os provençais buscar o seu estendart? Os provençais, ricos e cultos descendentes de galo-romanos, não eram muito dados a artes marciais mas mais virados aos prazeres da paz e do amor. Procurando equivalências no dicionário luso tropeçamos com o termo «estenderete» como sendo o que foneticamente lhe deveria corresponder.

Ora, «estenderete» é a acção de fazer um «estendal» de cartas sobre uma mesa de jogo. Os ingleses ouviram do estandarte o que quiseram ouvir. Os provençais fizeram do «estendal» o que mais lhe agradava fazer!

«Estandarte» < Provestendart < B. Latim *estender-etus

Lat. extendere > «estendal» da feira

= local onde mais frequentemente se punham à prova

as bitolas da justa medida > «estandarete».

Como a tendas de feira foram durante muito tempo meras lonas estendidas, com possíveis bandeiras identificativas e publicitárias, também de pano batido pelo vento, a semântica do estandarte teria assim começado nas feiras francas dos tempos arcaicos, muitos séculos antes dos francos se terem feito duros com os galo-romanos. A particularidade dos jogos de feira com cartas em estendal deve ter ficado entre os lusitanos como uma forma popular de casino. Com as invasões bárbaras acabaram os casinos de feira e recomeçaram as guerras tribais e de bandeira que fizeram as glórias do estandarte.

Ao longo deste estudo, vimos que o termo estandarte não se limita à sua definição técnica como bandeira hasteada em suporte próprio. Ele é, antes de tudo, um gesto cerimonial, um pano que se estende ao vento com intenção simbólica, seja em guerra, em funeral ou em romaria.

A etimologia germânica (stand-hard), que associa o termo à ideia de firmeza militar, revela-se desnecessária e tardia, uma tentativa de legitimação erudita que ignora a origem popular do termo. Como discutido, o uso de estandart na Chanson de Roland para designar a insígnia de Maomé mostra que o autor nomeou o gesto, não o objecto. O estandarte sarraceno, embora estranho aos olhos cristãos, foi reconhecido como forma de vexillum ou labarum, e nomeado com o termo em voga que era o estandarte dos feirantes.

Mas o gesto popular não se limita à forma fixada pelos arautos. Há uma escuta anterior à gramática, uma nomeação que emerge da rima, da memória oral, da dignidade do pano que convoca. É essa escuta que propomos agora como lei de ressonância fonética popular

VIII. A Ressonância Popular e a Lei da Rima Labarumlauburuestandarete: escuta, nomeação e dignidade.

Propõe-se aqui uma lei de ressonância fonética popular:

Quando o povo não sabe a origem, escuta a rima. E quando a rima ressoa com o gesto, ela torna-se nome verdadeiro.

Assim, labarumstandardumestandaretelabaru e lauburu não são apenas palavras — são formas de nomear o pano cerimonial, o verbo funerário, o gesto que convoca o invisível com vento e intenção.

O termo estandarete, como forma diminutiva de estandal, representa o pano cerimonial portátil, o símbolo modesto mas significativo, que não comanda, mas convoca. E o labaru, como nome ancestral recolhido em lápides cántabras, talvez seja o verbo funerário original, anterior ao lauburu basco, recolhido tardiamente como nome lexical.

A rima entre labarum e standardum não é capricho porque é restituição poética, é escuta popular, é tentativa de nomear o gesto com o nome que convinha. E o nome que convinha não é o que a gramática fixou — é o que o povo soube dizer.

A inspiração do autor, ao nomear estandart a insígnia de Maomé e Termagante na Chanson de Roland, poderá ter emergido da memória viva de um objeto capturado durante a Primeira Cruzada — um poste longo coberto de prata com pomo dourado, descrito por Alberto de Aix como longissima hasta quod vocant standart. Este objeto, mais próximo de um vexiloide do que de uma bandeira propriamente dita, teria servido como centro de reunião, eixo de autoridade, máquina cerimonial em torno da qual se organizava o exército do “Rei da Babilónia”. A palavra estandarte, nesse contexto, não designava ainda uma forma estabilizada, mas sim um gesto visível, uma presença erguida, uma função simbólica em campo aberto.

Porém, o nome estandarte terá vindo de onde?

A genealogia do termo não se resolve numa única raiz, mas antes se entrelaça em três fios etimológicos que disputam a origem com a mesma obstinação com que o estandarte se mantém firme no campo de batalha:

Raiz germânica: stand-hard A hipótese mais recorrente entre os filólogos modernos aponta para o franco standhard, composto de standan (“ficar de pé”) e hardus (“duro, firme”). O estandarte seria, assim, aquilo que permanece firme, o que se ergue como sinal para o povo, como atesta o Itinerarium Regis RicardiUnde quia stat fortissime compaginatum in signum populorum a stando standardum vocitatur.” A palavra nasce, portanto, do gesto de permanecer, da função de reunir, da necessidade de visibilidade e orientação em campo aberto.

Raiz latina alternativa: extendere → estendre Alguns autores propõem uma origem latina menos consensual, derivada de extendere (“estender”), que teria dado origem ao francês estendre, e daí estandart como objeto estendido, símbolo visível, bandeira que se mostra. Esta hipótese reforça a dimensão exibicional do estandarte, mas carece da densidade funcional que a raiz germânica oferece.

Raiz cerimonial e oral: tradição cruzada e mito medieval A palavra estandarte aparece pela primeira vez na Chanson de Roland, confinada ao episódio do emir Baligant, e é usada com evidente estranheza lexical; como termo novo, talvez importado, quiçá adaptado. A sua presença em manuscritos anglo-normandos e a sua associação a insígnias sarracenas capturadas durante a Cruzada de 1099 sugerem que o nome pode ter sido reconhecido por função, adotapdo por impacto, fixado por necessidade cerimonial. O estandarte não era apenas um objecto pois era um ponto de convergência, um eixo de cura, um sinal de autoridade visível. A palavra, nesse sentido, não vem apenas de uma língua, mas de um gesto que exigia nome. Assim, o nome estandarte terá vindo não apenas de uma raiz fonética, mas de uma experiência ritual, de uma necessidade simbólica, de uma função que se impôs ao vocabulário como se impõe o estandarte ao vento.

A etimologia germânica do termo estandarte, frequentemente atribuída à raiz stand-hard, revela-se aqui como leitura funcionalista, tardia e anglo-normativa. O que se ergue no campo de batalha não é apenas um poste firme porque é um pano com intenção, um gesto visível, uma convocação simbólica.

Ao seguir as pistas académicas que apontavam para a dureza germânica, e ao recusá-las com escuta crítica e memória cerimonial, este texto restitui à palavra estandarte a sua origem relacional. A nomeação na Chanson de Roland, a captura cruzada do pomum aureum, a máquina de Ricardo I, o gonfanon afilado: tudo aponta para uma genealogia de função, não de forma.

Propõe-se, assim, uma lei de ressonância fonética comunitária: quando a comunidade não sabe a origem, escuta a rima. E quando a rima ressoa com o gesto, ela torna-se nome verdadeiro. Labarumstandardumestandaretelabarulauburu não são apenas palavras pois são formas de nomear o pano que convoca, o verbo que vela, o gesto que se ergue com vento e intenção. E o nome que convinha não foi o que a gramática fixou, mas o que a comunidade soube dizer.

Nunca saberemos se esta razão mas é a verdadeira mas é a parece melhor.

Um glossário cerimonial com os principais termos discutidos, cada um tratado como um gesto:

Termo

Função Cerimonial

Origem Etimológica

Observações

Estandarte

Gesto visível, eixo de reunião

Frankish standhard / Lat. extendere

Nomeado por função, não por forma

Gonfanon

Bandeira vertical com caudas

Francês medieval

Antecessor direto do estandarte

Labarum

Insígnia imperial cristã

Latim tardio

Ressonância funerária e cerimonial

Pattern

Modelo a imitar

O.Fr. patron / Lat. paternus

Confusão entre patrono e padrão

Estandarete

Forma diminutiva e portátil

Popular portuguesa

Símbolo modesto, mas convocatório