sábado, 4 de janeiro de 2014

DESENHOS DE VASOS GREGOS VI - A ARTE DIFICÍLIMA DO RESTAURO, por Artur Felisberto.

Um dos Vasos Gregos que custou a restaurar é uma peça do “Museu Britânico de Londres no Reino Unido, de que fiz um primeiro esboço de reprodução em data anterior a 2008 para o meu artigo LEDA E O CISNE / AFRODITE E O GANSO saído no meu brlog Numância de Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012.
Ao pesquisar nos arquivos pessoais verifico com algum espanto que a minha proposta mais antiga o restauro deste vaso se baseavas numa foto de baixíssima resolução e era por isso incipiente, pequena, difusa e cheia de ruído mas já tinha o gracioso “desenho da postura da mão que vim a adoptar actualmente.
Figura 1: Afrodite transportada ao colo fálico de um cisne, de um dos seus animais totémicos preferidos. Este facto terá sido causa de confusões na figuração mítica com o mito de Leda.
Claro que Leto deve ser variante de Leda e ambos os nomes epítetos duma arcaica deusa mãe correlacionada com Afrodite pois é muito estranho que a representação de «Leda e o cisne» se possa confundir com figurações conhecida da deusa do amor!
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Entretanto, com fotografias maior resolução, fui trabalhando este primeiro resultado expurgando-o de ruído de fundo e do desgaste do tempo e era este o resultado em 2012:
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Depois de sobrepor o desenho de 2012 com foto anterior de alta resolução descobre-se que a minha proposta de solução para o enigma do “desenho da mão", não fazia justiça à elegância da arte grega pelo que não poderia estar certa!
Entretanto vim a encontrar soluções que se aproximavam da minha proposta inicial.
A primeira corresponde a um selo postal grego de 1986 e o segundo, pela data de 2013 deverá ser uma reprodução livre da anterior.
Observando atentamente um fotografia de alta resolução do desenho original verifica-se que estas soluções se aproxima da que terá sido a original mas não são as mais acuradas.
Assim, o drapeado original ao longo da perna esquerda é em ziguezague revelando-se muito mais complexo, ainda que estilizado segundo convenções que vieram a ser as dos desenhos de mantos reais das iluminuras medievais. Existem linhas de drapeado que a maioria das reproduções fotográficas de baixa resolução ocultam e os desenhos a olho nu facilmente menosprezam por parecerem irrelevantes.
O principal enigma deste vaso reside no facto de que o pouco que dele foi destruído sobrepõe-se precisamente no braço esquerdo da deusa não nos permitindo saber se este braço está livre, total ou apenas parcialmente coberto pelo manto de púrpura.
A proposta de que Afrodite esticaria o antebraço nu parece-me definitivamente arredada por ser manifestamente deselegante tanto por deixar a postura da mão semifechada sobre nada como inexplicavelmente descoberta pelo manto purpúreo que recobre todo o lado esquerdo da deusa. Na verdade, os segredos femininos nunca se desvendam inteiramente e os dos seus complexos atavios só se apreciam superficialmente imitando-os como o fazem os transformistas de maneira não despicienda e ainda mais naturalmente faziam os actores antigos e medievais.
E então, só pondo o xaile pelas costas, pelo menos num difícil exercício mental, se descobre que a mão esquerda de Afrodite segura suavemente a ponta do manto que se enrola no braço, descai pelo ombro esquerdo sobre o peito que traça em direção à porção anterior direita do tronco para se enrolar em volta de ambas as coxas e metade das pernas envolvendo-se debaixo majestoso traseiro que pudicamente protege prendendo assim a ponta direita do manto com a pressão do corpo sentado sobre o dorso do cisne, a divina montada de Afrodite e de Apolo.
Na verdade, noutros pontos destes trabalhos mitológicos se confirma que o cisne de colo serpentino foi o animal de transporte das almas, a *Ka-phyra, a Deusa Mãe que transporta e dá a vida ao “deus menino” solar e a ave de transporte solar de Apolo, o que novamente levanta a suspeita de que Afrodite foi Leto.

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A linha de fractura do prato tem o inconveniente de se superpor a uma das linhas diagonais deste complexo drapeado que na reconstrução em desenho tende a ser confundido com um artefacto. No entanto, com mais atenção, verifica-se que a linha de fractura do prato encobre uma linha transversal que lhe é quase sobreposta e interrompida perto da curva posterior do joelho.

E eis o resultado final! Deu trabalho mas valeu a pena!
Afrodite ficou celestial. Cavalgando um cisne é de facto Afrodite Urânia!

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Português: Afrodite sobre um cisne. Tondo Ático de um cílice com figuras vermelhas em fundo branco. Proveniência: túmulo F43 em Camiros (Rhodes).
English: Aphrodite on a swan. Tondo from an Attic white-ground red-figured kylix. From tomb F43 in Kameiros (Rhodes).
Français: Aphrodite sur un cygne. Tondo d'un kylix attique à figures rouges et fond blanc. Provenance: tombe F43 à Camiros, Rhodes.

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