quinta-feira, 3 de abril de 2014

TOPONÍMIAS LATINAS DA LUSITÂNIA por Artur Felisberto.

Nome Romano
Nome Moderno
Abelterium < Ad Alter-ium
Alter (do chão)
Ad Aquas < Aquilares > Aguilar > Aguiar
Aguiar da Beira
Ad Septem Ares. (1) < 7 = septem
< septa < septata < serrata < «serra»
=> Serra
Serra de Aires.
Æminium < * Hi-Ama Ani > *Ci-an-(A)ma
Coimbra
Ammaea < Ama º Kima º Kiana >
Viana (do Alentejo)
Aquæ Flaviæ
Chaves
Arandis > *Alandobriga? > Alandouria >
> Alandrua-Al > Alandrual
Aranna > Ana Aura => *Aura-kia
Auraquia >Ourique
Aritum Pretoruim > Perto(rum) Altium
Porto alto
Arruchi novum
Arroche
Balsa < Warka < Ka-War < *Ka-Phura >
> Thawura > Tavira
Bracara Augusta
Braga
Caeciliana > Cacilliãa >
Cacilhas?
Caepiana < Phian-kia >
Pancas?
Cætobriga <= Ki-Tu-bal-ica > Cætobrix
< *Ki-Tubal, terra de Tubal (Caim) > Setúbal
Caladunium < Karathan > Tarakanes > Trawanes
Trevões?
Cale < Kare < Kalia > Garya >
Vila Nova de Gaia
??? < Collipo < Colliphto < *Caulliputi < Hullupu-Ki de Inana, a árvore do paraíso, o cólio, o lírio ou a flor do lis? < Kori-kito < *Karkito > Corhtis > Cortes, em Leiria
Leiria < Leirria < Leira-ria = Leira alagadiça = Leziria
Complutaca < Colump-cata > Columbae-catha => o logar das casas, *casha, das pombas  =>
St.ª Comba da Vilariça
Concordia < Karki-kana > Kerthiana
Sertã
Conimbriga = *Coni-ma + Briga <= Ki-an-(A)ma = *Kima-An. =>
*Coni-ma + *Kitaki, (variante de cidade, terra do fogo de Kika) > Konm-thaka-ki >...
Conthaixa > Condeixa-a-Velha
Conistorgis < Cun + Istor + kis => Esto(r)his
Estói
Ebora < *Kiphura >
Hiphura > Évora
Elphias ? < (Min)-Hervas > Elwas
Elvas
Equabona, localisada pelos romanos na margem errada do Tejo? < Kaeka-Hepona
Sacabona => Sacavem?
Esuris < Ishkuris >
V. Real de S.to António
Fraxinus < | Phrak > wrig-| Kina < *Brigançia > Brib-Enki => Enkia > Nikê >
Nisa
Ierabriga < Iria + briga > Alan-thria
Iria (da Azoia) & Alverca?
Igtedita / Igedita > Igtania >
> Itagnia > Idanha
Lacobriga < LaKu + brig- => Lagus
Lagos
Lama + Kiu > Lamakio > Lamaigo >
Lamego
Lancio opidana < Uran-Kikca (> *Kikuran > «segurança» => Guarda)
Kur-ki-an > Kaurta (ophitana) > Guarda
Limia
Lima
Matusarum < Matus Saru => Saur > Sor
Ponte Sor.
Medceca < *Mar-ad-ceca > Marateca
Marateca
Mirobriga < | Mero <=> *Kakima > | briga
Santiago do Cacém (< Kakem < *Kakima)
Mirobriga < Milo + -briga => Melides
Meli kaka > Kachemer > Cachem > Cacém
Moron < *Maurinus > Meirin + Al arabizante =>
*Al-Meirim > Almeirim
Mundobriga

Myrtilis < *Mel-Kur(t)is > Miercoles
Mertulia > Mértola
Olisipo < Helis-hipona, «cavalos do sol» < *Karish-Kahi-Ana > Ulis-Hipona> Lishibo(n)a >
= fenic. Alis-Ubbo (Porto das Sereias??, os cavalos de Enki, o deus das talassocracias mediterrânicas, também deus *Kur > Kar < KAL > hel, do sol??) > Lisboa.
Ossonoba < Hossanupha <*Aush Anu-Ki
Faro
Pax Iulia > Bajulha > Baijua
Beja
Pinetus <= *Pinekurus > Pikanurus > Pignelus
Pinhel
Praesidium > Perasido >
Pereirão ou Pereiro
Rarapia < Raraphia < *Ura-Ki-Kura =>
*Aurkishtar > Hal-Ushter > Aljuster
Roboretum
Serra do Roboredo
Salacia
Sitânia de Lousada de Vizela?
Salacia = terra do Sal
Alcácer do Sal
Scallabis < Esculapius < Ish-Kuraphis =>
Saturanum > Santarem > Santarém
Sellium < Kermia >
Therma >Temar > Tomar
Serpa < Kerpha < *Kaphura = serpente.
Serpa
Talabriga
Marnel???
Veniatia
Vinhais?
Vesto ? < *Ki-ish + Kiku > Vesh-hiho > Veseo > Veseu
Viseu
Vipasca < Netalum ([1]) Vipasca < Wipiasca < *Kiphi ashka
#> Aljustrel
(1) - Eis o que pode revelar-se como prova de um óbvio equívoco de geógrafo mal informado! Por confusão com algum termo luso com o significado explicito de “serra”, e reconhecido como tal pelo povo de Mira Daire e seus arredores e traduzida pelos romanos como «serra» de serrar pela simples razão de que em latim a «serra», enquanto acidente orográfico, é sempre monte (mons) e nunca serra!
É reconhecido que o conjunto orográfico da serra de Aire e Candeeiros separam o mar do interior condicionando o clima e os ares húmidos desta zona da Estremadura portuguesa. Os locais identificariam a serra de Aire como sendo o que ainda hoje é “a serrada da Iria” ou seja uma metáfora descritiva da silhueta dentada, como que por uma serra de serrar, da deusa da Aurora (Iria).
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Figura 1: A serra de Aire vista de Torres Novas para Norte.
Espantosamente a «serra» de serrar em gaélico é sabh e serrada é sàbhta.
Sabendo-se que a Irlanda se chama em gaélico Eyre, Eire, or Eiriu por ser a terra da deusa Eiru e suspeitando-se que o gaélico era uma língua galaica decorrente de imigrações galega pré-históricas podemos concluir sem surpresa que à época dos romanos já se falava gaélico na Lusitânia e a serra de Aire seria já isso mesmo a “sàbhta Eira”.
É também reconhecido que os romanos consideravam as terras húmidas como insalubres. Sendo assim, os romanos eruditos que por aqui passavam e perguntavam pelo nome da serra ouviam o que queriam entender. Como os romanos achavam a serra de Aire um local escalvado como que varrido pelo vento que tudo leva e pouco mais deixa além de “sete (maus) ares”, quando os indígenas lusitanos se referiam a “sàbhta Eirs só ouviam o que queriam ouvir e por isso entendiam sàbhta como se fosse septe(m) = 7, numeral.
Assim, a Serra da Iria, por ser considerada por puro preconceito romano de maus Aires, passou a chamar-se em latim, Ad Septem Ares = A dos sete Ares em vez de ser apenas o que é, a serra (silhueta) da Iria.
No entanto, as ideias míticas surgem como as cerejas num açafate e de repente lembramo-nos que a serra da Iria poderia ser o arco-íris, a ceitoira do crescente lunar com que esta deusa faria as cegadas às searas da Primavera ou o caduceu de mensageira de Hera.
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Figura 2: Uma Tridiva Irlandesa: Banba, Fotla and Eriu, as três Horai das estações do ano.
Nesta representação são teluricas como Hermes da esfinge de Gizé
Quando os Milesianos chegaram da Espanha, cada uma das três irmãs pediu ao bardo Amergin que seu nome fosse dado ao país. Ériu (Éire, e em sua forma dativa Éirinn, resultando no inglês Erin) parece ter vencido a disputa, mas os poetas consideram que todas as três tiveram seu desejo satisfeito, e assim Fodhla é por vezes usado como nome literário para a Irlanda, da mesma forma que Banba.
Diz a lenda que santa Iria foi raptada da sua casa por um hóspede nocturno e é degolada num outeiro. Sete anos mais tarde, o seu assassino regressa àquele local, onde já se ergue uma ermida em memória da sua vítima. Ele pede perdão mas, numa atitude pouco cristã, a sua vítima nega-lho. Por isso nunca viria a ser uma deusa canónica. Segundo outras lendas santa Iria nasceu na aldeia da Torre da Magueixa, concelho da Batalha. Posteriormente partiu para Tomar onde tinha família e onde seguiu carreira religiosa.
Seguramente que nenhuma, destas lendas, é verdadeira porque seria uma deusa lusitana e pré-grega que veio a dar origem a irlandesa Eiru. É representada a segurar uma "panela de manteiga” em Magueixa (Batalha) e com uma colher de pau na Faniqueira (Batalha) o que permite supor que Eiru seria primitivamente uma deusa de pastoreio e do fabrico da manteiga.
Desgraçadamente Iria ou Irene não deixou rasto lapidar na Lusitânia, nunca foi santa canónica, mas ficou eterna o Arco-Íris.



[1] Netalum < Metalun => *Latanum > Leta(n)o > Latão => Vale de Leitão.

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