quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ETIMOLOGIA DO NOME DE HÉRCULES, por Artur Felisberto

 

HÉRCULES E ONFALA.. 1

HÉRCULES E HERA.. 7

HÉRCULES DOS CELTAS. 7

OGMIOS-OGMA.. 7

 

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HÉRCULES E ONFALA

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Figura 1: Hércules com a pele sacerdotal do leopardo e a sua moca simbólica de sete nós.

The most popular of all Greek heroes was Heracles. Originally perhaps a Mycenaean hero from Tiryns near Mycenae and named after Hera, the chief local goddess, he became the subject of a vast number of folktales. Like a Greek Paul Bunyan, he accomplished gigantic feats of prowess, but they were primarily against beasts and monsters rather than against men in the manner of the epic heroes. The derivation of Heracles' name suggests that he was originally thought of as Hera's champion; but in all the tales his labors are due to her hostility toward him because he was the son of Zeus by a mortal women, Alcmena.[1]

Que se saiba Hera > E-RA aparece como divindade micénica em Pylos pelo que não seria necessário localiza-la apenas em Tiryns.

Pelo contrário, Hércules é que não aparece no, é certo que escasso, glossário de divinas nomenclaturas micénicas. No entanto, dada essa mesma escassez de informação das placas micénicas, ficamos também sem saber se E-RA se referia à deusa Hera ou se era uma variante elíptica do nome de Hércules que, na sua forma mesopotâmica foi Erra.

 

Ver: ERRA (***)

 

Erragal, Erakal: Probably a pronounced forme of Nergal, may mean "Erra the great" probably pronounced "Herakles" in Greek.

Erkalla: "Great city" =Underworld.

Erra: God of war, hunting, plagues. Etymology "Scorched earth" probably incorrect. Assimilated with Nergal and Gerra.

Gerra < Sumer. Sharru, lit.« o rei»

Ø    Herra > Erra > Era + kal > Erakal

Ø     Her-kal-ish, lit. «filho do rei > Hércules.

Ø    Her-kal-la <= Kalla < Kar-la, lit. «rainha», esposa do K(a)ur.

      Irkalla < *Er-Kalla < Erkalla < (Devi) Kurukulla ó hind. Kali / Hera.

                              «Opala» < Om-phale < Haum-kale < *Kima-Kali.

Lat. opalu < Gr. ópalos < Sânsc. upala = pedra.

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Figura 2: Hércules & Omfala.

Enquanto deus solar detentor das duas colunas (de Gibraltar) do sol nascente, que eram os seios da Deusa Mãe, não faria sentido que Hércules combatesse as amazonas que seriam ou um povo de adoradores da Deusa Mãe ou as suas sacerdotisas. A verdade é que um mito tão complexo e sincrético como o do ciclo épico de Hércules teria que conter suficientes incoerências como esta, pelo que também se não pode estranhar a inimizade de Hera contra um campeão solar da Deusa Mãe!

Ou será o divino Hércules foi um avatar do deus supremo e Hera foi sua esposa ciumenta?

 

Ver: KALI (***)

& AMAZONAS (***).

Pois bem, o nome Hindu de Devi Kurukulla deixa-nos pistas bastantes para deduzir o significado místico mais arcaico do nome deste deus dos infernos.

Kurukulla < Kur-Kur-la, lit. «a Sr.ª da dupla montanha (= kur)» da aurora!

*Kurkurish => Herkales, o deus das duas colunas de Gibraltar.

He fell in love with a young lady named Iole, whose father evidently did not his bulging muscles and told him to go on his way. Heracles, who had a quick temper, killed Iole's brother. Once more the gods sent him into exile, this time to be slave for a year to Queen Omphale, of Lydiua. The queen took over his lionskin and club and ordered him to spend his time spinning, sewing, and baby-sitting. For a whole year Heracles acted the part of a sissy while the queen laughed at him. Heracles, always an easy mark of pretty women, liked Omphale so well that he gladly did woman's work for her. At the end of the year, however, he departed tired of spinning and unsuccessful in his courtship of Omphale. The scolars identify her with an oriental mother-goddess; Hreacles is her subordinate male consort.

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Figura 3: Hercules & Omphale. 1890 Chromolithograph of fresco from the House of Marcus Lucretius, Pompeii.

Hércules embriagado e coroado de folhas de vinho como Baco esta vestido de mulher num ambiente festivo. A pandeireta de Cibel e o falo erguido ao alto faz pensar numa cena carnavalesca dum qualquer rito de fertilidade em que Onfala mais parece Vénus vestida com as vestes sacerdotais da virilidade de Hércules. Esta cena dum semideus condenado a uma escravidão infamante por desvirilização constitui uma expressiva metáfora de morte e ressurreição sexual de Atis por castração, num rito de fertilidade pascal em honra da deusa mãe Cibel, a deusa dos castrados e eunucos. Assim, contrariamente ao sarcasmo seguinte esta provação de Hércules só ganha sentido à luz dum velho mito de iniciação militar.

This is a sample of the way scholarly analysis can ruin a good stroy. Heracles went on to more adventures and unhappy experiences with women.

 

HÉRCULES E HERA

Kleis, [kleiô] = I. that which serves for closing: 1. a bar or bolt, drawn or undrawn by a latch or thong (himas), Hom. 2. a key, or rather a kind of catch or hook, by which the bar (ocheus) was shot or unshot from the outside, id=Hom. 3. a key (unknown to Hom).

Kleô [Pass, epic 2nd sg. imperf. ekleo (for ekleeo )] to tell of, celebrate, Od., Hes., Eur.:--Pass. to be famous, ó kleos = a rumour, report, news. Dor. KleWos < kaleô = to call, summon.

Kleiô1. to shut, close, bar. Kleiô2. to celebrate.

Numa primeira impressão Heracles = Hera + | Cles < Grec. kleis > Lat. clavis | = o que tem as chaves de hera? Mas a chaves de que? Do «clitóris» (< kleitoris) de Hera, a Deusa Mãe dos Dórios?(J!)

Mas, também poderia ser o que conta a tradição clássica: Heracles = Hera + Grec. klêo = «o que é cantado em lira (celebrizado por aclamação calorosa) por Hera», igualmente a Deusa Mãe das duplas colunas da aurora! (J!)

Esta parece ser a conclusão a que chegaram alguns autores que se deixaram seduzir pelas ressonâncias semânticas do nome de Hércules. Esta é a convicção de Bernard Sergent que refere:

«Héraclès est textuellement «la Gloire d´Hera; en dehors de ceux formé sur le nom de Zeus, les anthroponymes théophores sont rares dans la mythologie grecque -- «Héraclès et l´apprentissage de la Guerre».

Em qualquer dos casos chegaríamos à conclusão de que o grego Heracles seria o campeão de da Deusa Mãe enquanto denominada Hera, quando afinal, parece que até nem era! Porém, a versão que faria derivar o nome de Heracles de kleis, a chave, poderia ser lida como significando literalmente, «o que foi preso (aos dozes trabalhos e vendido como escravo) por Hera»?

There is some comfort for unathletic men in the story of the great hero's failures as a lover. The admirers of brawn, however, will be pleased to know that when he died he was taken to Olympus where he married the goddess of youth and cupbearer to the gods, Hebe, and made up with Hera, who stopped persecuting him.[2]

Figura 4: Hércules rouba o trípode sagrado de Delfos

The Lydian queen Omphale actually owned Hercules, as a slave. She bought the hero from the god Hermes, who sold him following an oracle which declared that Hercules must be sold into slavery for three years. Hercules had sought the oracle to find out what he had to do in order to purify himself, after he murdered his friend Iphitus and stole the Delphic tripod.[3]

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A ambiguidade e ambivalência de Hera e Hércules ficaram famosas na mitologia antiga!

 

Ver: HÉRCULES & GERIÃO (***)

 

Ainda que os grandes ódios de morte sejam sempre suspeitos de antigos amores eternos, a verdade é que as ressonâncias semânticas do nome de Hércules parecem meras contingências étmicas quando embrulhadas no nome de Hera mais por causa da sua relação preferencial com a deusa mãe da aurora, enquanto deus solar. Por outro lado, a própria mitologia põe Hera a amamentar Hércules como se este fora o único “deus menino da soberana deusa mãe”! O mais provável é que esta cena corresponda a uma reminiscência relativa ao culto do divino Hércules que teria sido um arcaico deus solar, filho único e amantíssimo, gerado sem pecado por mítica e teogónica partenogénese de sua própria Virgem Mãe.

The paradigmatic example of a hero controlled by Hera is Herakles, whose birth and death are connected to her (117, 156). O'Brien reads the later version of the Herakles myth in which he marries Hebe (heroes who die lose their H(/BH) and attains a certain immortality as an Olympian perversion of Herakles' original heroic death (150, 192). (…) Conversely, O'Brien avoids questions of Hera's benignity in other instances, such as the necessity of binding the goddess to ensure fertility, and more importantly, the meaning and nature of a goddess who demands from or imposes upon men in the prime of their lives an early death. Is this goddess hostile to heroes, as she is to Herakles?--- [4]

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Figura 5: Cena dum espelho etrusco em que Hércules barbudo e crescidinho, mama, qual «deus menino» retardado, nas tetas de deusa mãe suprema na presença do pai babado e dos irmãos gémeos, Apolo, Afrodite e mais não se sabe quem.

De facto, tanto a imagem de patriarcal severidade quanto de aristocrática altivez de Hera, bem como a etimologia militar do nome desta deusa aproximam-na mais das Virgens Mães primordiais, derivadas do mito de Tiamat, tais como Atena / Minerva e Diana / Artemisa, do que de deusas da fertilidades como Vénus / Afrodite. Como se verá a seu tempo, o equivalente egípcio de Hércules deve ter sido Horus, «o velho», que na sua variante de esfíngico Hermaquis era simultaneamente «o sol nos dois horizontes», tal como Hércules, «das duas colunas», e Hermes Trimegisto.

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Figura 6. Triunfo de Hércules, entre Hermes e Nikê, a deusa da vitória de que Hebe seria seguramente um heterónimo.

Hera set in motion the events which led to his 12 Labors. (***) Even after Hercules finished the Labors, and went on to other adventures, Hera got in his way. When the hero sailed from Troy, Hera sent violent storms that tossed the boat around like a toy. Zeus got so mad at Hera for causing trouble that he hung her off the edge of Mount Olympus. Hercules did try to smooth things over with the angry queen of the gods; when he noticed that she had not opposed him during his fight against Hippocoon, he sacrificed goats to her, in thanks. When Hercules died, Hera's anger finally cooled, and after the hero ascended to Olympus, he married Hera's daughter, Hebe. -- [5]

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Figura 7: Apoteose de Hércules.

Hércules lotou com Apolo e foi vendido por Hermes, como José aos mercadores do Egipto pelos próprios irmãos. Este facto deixa a suspeita de que teriam existido antigas rivalidades de cultos entre a dupla Hermes & Apolo, e Hércules. Hércules nunca deixou de ser um heróico semi-deus porque teria que ocupar o «nicho mítico» que já era de Hermes & Apolo. Dito de outro modo, o deus Hércules de outras culturas acumulava as funções de Marte e Mercúrio da cultura Clássica. Sendo assim, é possível que a relação etimológica do nome de Hércules com Hera seja ambígua por ter resultado duma releitura tardia num contexto que já era ambivalente na origem porque não nos podemos esquecer que o mito mais arcaico da morte e ressureição solar coloca a Virgem Mãe, Mut ou Nut, a parir o sol quotidianamente para o devorar canibal e contabilisticamente, todas as noites! Esta relação ambivalente da Virgem Mãe já foi atestada na mitologia de Artemisa e de Medusa.

Sendo assim, Hércules bem poderia ter sido o «orgulho de sua mãe», mas então com toda a propriedade semântica e étmica!

«Orgulho» < Germ. ûrgoli < Hurgauri < Kur-Kaurish

> *Her-kaurihs > Hércules.

 

Ver: ARTEMISA (***), GLAUKORIS (***), NUT (***)

 

Dito de outro modo, tudo aponta para que o nome de Hércules tenha raízes no nome de Hera mas duma maneira mais arcaica e primordial.

De facto, de acordo com o já citado autor Bernard Sergent o étimo antroponímico -kles já era conhecido na época micénica e seria possivelmente de origem pré-histórica. Sendo assim, a relação deste étimo, seguramente gentílico na origem, teria mais a ver com actividade guerreira, que só secundariamente daria a fama, do que a fama propriamente dita que em Homero gerava termos como dourikleitos, «os famosos lanceiros»!

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Figura 8: Outra apoteose de Hércules.

Se Hércules nunca foi tão querido e tão creditado por Hera ao ponto de ter sido conhecido pelo nome virtual de *Heracleido então é bem possível que só tenha existido uma relação semântica com Hera em época tão tardia quanto a do casamento de Hera com Zeus!

Por sua vez, kleitos parece ter tido relações com outros determinativos antroponímicos de idêntica semântica.

Klei-tos < Kali-kos < *Kaurish > Phorisco > Phori-cos.

                                                    > (Mel)*Kartu.

Sendo assim, a origem etimológica mais plausível para o nome de Hércules terá sido:

Her + *Kauri-tu = (Mel)-Kartu, lit. o jovem famoso do exército (de Creta?)»!

A possibilidade de a etimologia do nome deste «deus menino» remontar à época mais arcaica da pré-história cretense é assim francamente possível.

 

Ver: PARACHURAMA, O HÉRCULES HINDU (***)

 

HÉRCULES DOS CELTAS

A etimologia proposta antes parece flagrantemente confirmada pelo nome do deus celta Curoi mac Daire que tem semiologia suficiente para ser um arcaico antecessor de Hércules.

Curoi mac Daire = A Celtic sun-deity, believed to be a storm-bringing giant, armed with an ax.

The Karakal-pak population is mainly confined to the central part of Karakalpakstan that is irrigated by the Amu Darya.(…) The word means "black hat" in Turkic and has caused much confusion in the past, since some historians have attempted to link them with other historically earlier groups, who have also born the appelation "black hat". Many accounts continue to falsely link the present day Karakalpaks with the Cherniye Klobuki of the 11th century, whose name also means "black hat" in Russian. In fact the Cherniye Klobuki were a cadre of mercenary border guards who worked for the Kievan Rus. They were of mixed tribal origin and many adopted Christianity and became settled agriculturalists. There is no archaeological or historical evidence to link these two groups, apart from the fact that their names have the same meaning.

Se o céltico irlandês mac = filho = ish, então:

Curoi mac Daire = Curoi (filho de = ish) Daire = Daire Curoi-ish

< Thaur *Kaurish, lit. «o jovem filho do Touro (do céu)»!

< Kaur-Kaur-ish < *Kurkurish, lit. «o filho da dupla montanha da aurora»!

>= Karakal-(pak) > Caracala

=> Herkaulish > Herkal(es) ó Hércules.

Além de outras inferências confirmamos uma correlação semântica positiva entre os deuses taurinos das tempestades e os deuses dos exércitos!

Claro que na evolução do nome de Hércules se ascite a um fenómeno interessantíssimo de economia semântica porque da inicial monotonia Kur-kur evolui-se para uma diferenciação semântica exército (her-) recruta (kauro), acompanhada da respectiva diferença fonética, seguramente perceptível no núcleo da proto-linguagem das civilizações do mar Egeu de que iriam derivar as chamadas línguas indo-europeias ocidentais.

In Sumerian mythology, Kalkal is Enlil's doorkeeper in Nippur.

Este porteiro de Enlil não era mais do que uma variante da divindade que guardava as portas da dupla montanha aurora como Hércules guardava as colunas do poente!

Kur-Kur > Kalkal > Her-(ura)-kal > Erragal.

No entanto, a precocidade destas evoluções terá sido tal que foi como se tudo isto tivera ocorrido logo nos alvores do neolítico, em época anterior ao fenómeno que os autores bíblicos definiram como da «confusão das línguas» e que mais não foi do que aquele em que as civilizações do mar Egeu e as da Suméria e regiões satélites (povos centro-europeus e índicos!) partilhavam dos mesmos pressupostos culturais (e logo, míticos, e linguísticos).

Derivado da mesma mitologia relacionada com o culto heróico da força e bravura miliciana terá sido o nome do rei lendário Cuchulinn.

In Celtic mythology, Cuchulinn is a hero-king of Ulster and son of Lugh. He is a warlike figure and tales tell of his warlike deeds.

Cuchulinn < Ku®-Ishulino (> Isolino) < Ish-Kurkuran > *Kurkuranus.

 

OGMIOS-OGMA

"According to Lucian, who wrote during the second century A.D., Hercules was known to the Celts as Ogmios. He describes a Gaulish picture of him armed with his familiar club and bow but portrayed uncharacteristically as an old man, bald and grey, with skin darkened and wrinkled by the sun, more like Charon than Hercules, and drawing behind him a joyful band of men attached to him by thin chains which linked their ears to the tip of his tongue. By way of elucidation, Lucian quotes a Caulish informant who explained that his fellow Celts did not identify eloquence with Hermes, as did the Greeks, but rather with Hercules because he was much the stronger. The existence of Ogmios is further confirmed by two defixiones, inscribed tablets on which he is besought to wreak a curse on certain individuals.

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Figura 9. Ogmio.

(…) Ogma's counterpart in Gaul is Ogmios, a Herakles and a god of eloquence, thus bearing the dual character of Ogma, while Ogma's epithet grianainech, "of the smiling countenance," recalls Lucian's account of the "smiling face" of Ogmios.[6]

His name apparently means "the provider" or "the purveyor". He is a bearded athlete who, with a club, is about to kill a snake. He was thus a god of abundance known from inscriptions in Gaul. He was linked to Mars as Mars Smertrius. He was especially popular amongst the Treveri.

Ogma < Haukimia > (St.) Eufémia.

                                < Thaugma > «dogma».

Ogmios < Hau-Kimaush < Ka-*Kima-ish < *Ashma-ish ó Shamash!!!

Sob o ponto de vista semântico a relação de Hércules com a sabedoria pode ser encontrada no arcaísmo das relações deste deus com cultos iniciáticos que Bernard Sergent refere na secção “Héraclès et l´apprentissage de la Guerre” do seu livro sobre a componente homossexual da iniciação arcaica dos indo-europeus. Se no estudo deste autor cerca de 20% dos mitos de «pedofilia iniciática» tiveram Hércules como eraste seremos obrigados a suspeitar que este herói foi mal compreendido pelos autores clássicos. Apesar de terem exaltado o salutar do princípio da “mens sana in corpore sano”, ou haviam esquecido o lado intelectual da iniciação militar, de que Atena era a patrona (enquanto deusa das tácticas e da estratégia militares), ou já não se recordavam do arcaico papel de Hércules neste campo, quiçá em resultado dum preconceito ateniense. De facto, na dicotomia do antagonismo ideológico com Esparta, ao atribuir-se o papel da sagacidade militar a Atena relegava-se o papel masculino dos iniciadores militares para o campo exclusivo do treino físico e da exaltação da força bruta que justificava o relativo desprezo a que Ares era votado na piedade do mundo grego, bem como a omissão dum papel intelectualmente construtivo nos mitos de Hércules. Ora, sendo assim, o facto de este papel aparecer na cultura celta não e motivo de espanto!

Pelo contrário, o espantoso é ter este passado de Hércules para Hermes quando este deus Propileu é que presidia aos ginásios ainda que lhe seja imputado apenas um “mito de iniciação”! Pelo contrário, toda a atribulada vida de Hércules é um longo mito de iniciação juvenil e miliciana, sobretudo no caso dos 12 trabalhos de Hércules (que mais não são do que provações de treino militar e desafios iniciáticos), no mito da descida aos infernos, e no da iniciação de Hércules nos ritos de eleusinos de Deméter.

 

Ver: CÉRBERO E O 12º TRABALHO DE HÉRCULES / INICIAÇÃO DE HÉRCULES (***)

 

Claro que na origem a iniciação para a vida adulta se confundia com a iniciação guerreira. Na Grécia clássica democrática começou a separação destas duas componentes que, apesar do seu arcaísmo ideológico, permaneciam juntas em Esparta. Esta separação fez com que Hércules fosse transformado num deus menor que nunca deixou de ser um mero herói relegado para a posição secundária de patrono do treino militar e votado ao culto pouco prestigiado de Ares. Porém, antes da separação ocorrida por causa da rivalidade entre Atenas e Esparta, os cultos de Hermes Propileu e de Apolo Karneios eram heranças do culto de dum Enki juvenil que teve continuação em Iscur ou em variantes heróicas como no caso de Guilgamez.

Apolo, deus reconhecidamente sábio tem na variante Karneios um possível elo étmico com Hércules.

Karneios < Karnei®os (> «carneiro») < kur-ne-uros < *Kurkuranus.

De resto, noutros pontos se verá que:

Hermes º Mercúrio º Mercoles º Marte º Melciber º Melkart º Hércules.

Quer isto dizer que aos deuses mais conhecidos da iniciação clássica tardia poderíamos juntar deuses de iniciação mais arcaica encontrados no cortejo de Dionísio como sejam Pan, Hefesto, os silenos e os centauros.

A correlação que os celtas da romanização fizeram entre Osgmio e Mars Smertrius permite reforçar a inferência de que o lado miliciano da iniciação juvenil era, entre os celtas, uma marca, senão do arcaísmo desta cultura, pelo menos do seu forte pendor miliciano que poderia resultar do seu carácter colonial. De resto, talvez tenha que se repensar o mito dos chamadas povos indo-europeus que mais não seriam do que o resultado crioulo de antigas colónias de civilizações egeias ou mesmo de países como o crescente fértil ou do vale do Indo. De qualquer modo, a origem mais arcaica dos mitos de iniciação juvenil que deram origem ao ciclo de sagas milicianas de Hércules deve ser procurada nos arcaicos ritos solares que tiveram no Egipto Horus por protagonista.

 

Ver: HORUS, O HÉRCULES DO EGIPTO (***)

Smertios = The Celtic war-god who was especially worshipped by the Gaulish Treveri peoples. He is portrayed as a bearded athlete who, with a club, is about to kill a snake.

A morte da cobra é um símbolo iniciático que faz parte da infância de Hércules. Este aspecto, só por si, relacionaria este deus com Hércules, bem como obviamente com Ógmio, e todos eles com Enki.

                                             *Shama-Urtius > Smertios

                                                                        > Martu-ish > Marte.

Lat. Samson < Samashon < *Shama-ash-an, lit. as «Chamas do céu»

               *Ashma-ash-an > *Shamash(an) > Jud. Shemesh.

Pois bem, a etimologia de Ógmio só se compreende sob o ponto de vista étmico conotando a sua semântica com a de Sanção e com a de Smertios!

 

Ver: SANÇÃO, O HÉRCULES FENÍCIO E CANAANEU (***)



[1] Copyright © 1996 P.F. Collier, A Division of Newfield Publications, Inc. Michael Jameson, MYTHOLOGY, CLASSICAL, Colliers Encyclopedia CD-ROM, 28 Feb 1996.

[2] www.mvrhs.org/netsite/School/departments...hologyMain.html. MythologyMain.

[3]http://www.perseus.tufts.edu/Hercules/index.html, Perseus Project, Hércules Greece´s Greatist Hero: Omphale, the Barbarian Queen.

[4] Holmberg, 'Transformation of Hera: A Study of Ritual, Hero, and the Goddess in the "Iliad"', Bryn Mawr Classical Review 9502.

[5] http://www.perseus.tufts.edu/Hercules/index.html, Perseus Project, Hércules Greece´s Greatist Hero. Hera Made Hercules' Life Difficult

[6] The Religion of the Ancient Celts, John Arnott MacCulloch.

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