quinta-feira, 14 de agosto de 2014

SANSÃO, O HÉRCULES CANAANEU, por Artur Felisberto.

Sancus permite-nos finalmente compreender o mito judeu de Sansão como tendo sido uma variante canaanita do Hércules fenício.
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Figura 1: Sansão. Representação maneirista (e amaneirada) desta figura da mitologia judaico cristã precisamente na postura pagã em que a «queixada de burro» faz a vezes da «moca de Hércules»!
11 Dessa forma foram mandados três mil homens de Judá para apanhar Sansão na rocha de Etã. “Tu não vês como nos estás a prejudicar?”, perguntaram­lhe. “Não te dás conta de que são os filisteus quem nos dominam?”
(...)
14 Quando ia chegando a Leí, os filisteus foram ao encontro dele aos gritos. Mas o Espírito do Senhor apossou-se dele. As cordas em seus braços se tornaram como fibra de linho queimada, e os laços caíram das suas mãos.
15 Encontrando a carcaça de um jumento, pegou a queixada e com ela matou mil homens.16 Disse ele então:
“Com uma queixada de jumento
fiz deles montões.
Com uma queixada de jumento
matei mil homens”.
17 Quando acabou de falar, jogou fora a queixada; e o local foi chamado Ramate-Leí.
– Antigo Testamento, Juízes capítulo 15.
Sabendo-se que a história de do Rei David corresponde à época heróica da criação do reino de Judá natural seria que esta contivesse referências à cultura típica destes tempos heróicos. De facto muitas seriam estas referências começando pêlos amores viris de David com o filho de Saúl, onde Joanes nos reporta para o deus Adad, dos exércitos canaaneus, e acabando no duelo entre David e Golias. Ora bem, o nome do campeão que os filisteus escolheram para enfrentar David é suspeito de não ser próprio mas uma referência de tal modo genérica...de que se pode concluir o que já se sabia: que os filisteus falavam uma língua indo-europeia.
Golias < Kolias < Kauries.
Samson (Derived from the Hebrew word for "sun"). (...) Because of certain resemblances some scholars have claimed that the biblical account of the career and exploits of Samson is but a Hebrew version of the pagan myth of Hercules. This view, however, is nothing more than a superficial conjecture lacking serious proof. Still less acceptable is the opinion which sees in the biblical narrative merely the development of a solar myth, and which rests on little more than the admitted but inconclusive derivation of the name Samson from shemesh, "sun". Both views are rejected by such eminent and independent scholars as Moore and Budde. The story of Samson, like other portions of the Book of Judges, is doubtless derived from the sources of ancient national legend. It has an ethical as well as a religious import, and historically it throws not a little light on the customs and manners of the crude age to which it belongs. -- The Catholic Encyclopedia, Volume XIII.
Claro que quando nos atrevemos a por em causa a autenticidade de mitos nacionais, sobretudo quando relacionados com os fundamentos da cultura ocidental judaico-cristã, arriscamos sempre a levar na cara com a “rejeição” de eminentes e independentes académicos!
Porém, mais ousado seria dar conta que Sansão na língua inglesa é Samson, termo que fica a meio caminho de filho do semita e somítico «tio Sam» e chega quase a ser o sol do mesmo tio descendente de Chem, *Sam-sun, o que deixa a suspeita de o sol inglês ser mais semita do que indo-europeu, para grande vergonha dos arianos anglófonos J! De qualquer modo, é a própria Enciclopédia Católica que começa este artigo aceitando para etimologia do nome de Sansão, shemesh, o nome do sol judaico. Em rigor a origem não é judaica mas semítica, relacionada com o sol dos babilónicos Shamash.
Lat. Samson < Samashon < *Shamash-an, lit. as «Chamas do céu»
               *Ashma-ash-an > *Shamash(an) > Jud. shemesh.
                                                                       > Shamathan > Samadan.
               *Ashma-| Kiki-an > Sam-kithi(us) > lat. Sanctus. ó Sabin. Sancus.
                                              > Kaki-an > Kashian > Thasian.
Ora, (pasme-se a gente!) um dos epítetos de Hercules grego foi Thasian.
Mas ficamos ainda mais incrédulos sabendo que um autor espanhol descobriu que a entidade que entre os assírios era parecida com Hércules levava ali o nome de Beladarsamdan, o mesmo que Samdan.
Beladar-samdan = Asimilado con Samdan, era el Hércules de los Asirios. [1]

Ver: HÉRCULES LATINO (***)

Quanto ao resto, seguramente que ninguém conseguirá descobrir toda a verdade. De resto, a maioria das vezes as contradições insanáveis nascem apenas de equívocos de linguagem pois que, se calhar não é mesmo inteiramente verdade que a lenda de Sansão seja de facto e apenas "a Hebrew version of the pagan myth of Hercules" mas antes uma versão judaica análoga deste “mito solar”, muito mais arcaico, que já tinha começado na suméria como Gilgameche e que teve versões canaanitas próprias em heróis como Daniel e Keret.
Keret, seria simplesmente o filho de Ker, a morte negra dos helenos que mais não seria do que a forma arcaica de Hera. Esta foi fortemente suspeita de ter sido mãe de Hércules, pelo menos de leite porque aparece num espelho etrusco a amamentar um Hércules crescido e barbudo!

Ver: ETIMOLOGIA DO NOME DE HÉRCULES (***)

De resto, o próprio mito de Hércules, enquanto culto nacional do heroísmo helénico, era já uma antologia de várias versões locais. Na Grécia existiram outros mitos épicos que partilham os mesmos trechos míticos anedóticos, como os de Perseu e Teseu! Por este andar acabaríamos por incluir Belerofonte nos rastos míticos de Hércules, pelo menos pelas semelhanças fonéticas como o nome do assírio Beladar-samdan e Daniel, podemos agora inferir, poderia ter relação com a raiz terminal -samdan.
Dito de outro modo, há que não perder a sensatez e dar conta de que os processos de retórica das culturas da oralidade dependiam de formalismos estereotipados míticos que permitiam contar histórias verídicas (lendas históricas) novas a partir de histórias antigas sabe-se lá se também elas outrora verídicas ou não? Os paradigmas da realidade fractal poderiam permitir-nos a analogia com os processos de modelização a um ponto tal que se nos torna impossível saber responder à velha questão cosmológica: se quem nasceu primeiro foi o mítico “ovo ou a ave”, primordiais!
Samson is also famous for his seven magical locks of hair. The Biblical writers transformed Samson into a Nazarite, a man dedicated to God. But, although he does not cut his hair, Samson hardly qualifies as the usual Nazarite: He drinks strong drink whenever he likes. Samson’s long locks endow him with superhuman strength, however. When shorn, he is, the Bible says, much weaker, “like any man” (Judges 16:17). There is a parallel in Greek epic: Scylla cut her father’s hair while he slept, thus removing his invincibility. The king was then captured by King Minos.
The riddle, the magic locks and a hero of superhuman strength were not the stuff of Canaanite or Hebrew lore; they were, however, very much a part of the later Greek, and probably Mycenaean-Minoan, world.
The adventures of Samson took place in the foothills of Canaan, the Shephelah, an intermediate zone of economic, social and cultural exchange between Greeks and Israelites, between Philistines and Hebrews. This border zone with its hybrid cultural elements is reflected not only in the stories we have examined but in the archaeology as well. It is significant, I think, that archaeologists using material culture data have always been confused about the ethnic and cultural affinities of the inhabitants of this intermediate zone during Iron Age I (1200–1000 B.C.). Was Beth Shemesh, on the edge of the Shephelah, for example, an Israelite or a Philistine settlement during stratum III, the Iron I stratum? The signals are confusing and disagreement abounds.
The ancient inhabitants were probably no less confused, for this was taboo territory, the meeting-ground of alien cultures.
Indeed, there is some uncertainty and confusion about the very identity of Samson’s tribe, Dan. Were the Danites originally Israelites or did they trace their origins to the Danaoi, the Greeks of Homeric epic?
According to Yigael Yadin, Cyrus H. Gordon and Allen H. Jones, the Danites of the Bible were identical with the Homeric Danaoi, the Egyptian Denyen (in Ramesses III’s inscription), the Danuna (in the Amarna Letters of the 14th century B.C.) and the DNNYM (in a Phoenician inscription from Karatepe). According to Yadin’s reading of the Biblical text, Dan “dwells on ships” (Judges 5:17). Unlike other Israelite tribes, Dan lacks a genealogy (Genesis 46:23; cf. Numbers 26:42). Yadin therefore concludes that Dan was not one of the original Israelite tribes in the early confederation; nevertheless, “Dan shall judge his people as one of the tribes of Israel” (Genesis 49:16). Yadin went even further and attempted to locate the Denyen/Danaoi/Danites in the area around Tel Aviv in the 12th century B.C., where he specifically identified the earliest settlement at Tel Qasile, stratum XII, with these immigrants. Eventually the Danites migrated north and established themselves at Laish/Dan in the north (Judges 18), by which time they were thoroughly integrated into the Tribal League of Israel during the period of the Judges. -- When Canaanites and Philistines Ruled Ashkelon, by Lawrence Stager.
Sansão seria muito possivelmente um danita e o seu nome verdadeiro teria sido então *Shamu-Dan
Dani-(el), lit. “Sr. Danó (Sam)-Dan > *Shamu-Dan-es > Çamudães
> Samodães?
Paróquia de Samodães [Lamego] - O documento mais antigo que refere esta povoação é de 1133, data em que Afonso Henriques fez doação de Çamudães a Mendo Viegas, com todos os seus lugares e termos. Foi concelho rudimentar dependente do concelho de Lamego.
Porém, o paralelismo entre os mitos de Hércules e Sansão não se fica apenas pela semântica porque, tal como os congéneres gregos, será o remanejamento de lendas semi-históricas ("ancient national legend") com relatos populares de arcaicos mitos solares (an ethical as well as a religious import). Sendo assim, o que se segue tem pouca razão para ter sido pensável.

HÉRCULES & AQUELÔO

É óbvio que a mitologia de Hércules constitui uma das mais grandiloquentes antologias de mitos solares arcaicos de variadas origens e que teriam por denominador comum apenas o nome, facto que já por si é espantoso e constitui uma forte suspeita de ter existido de facto na Grécia arcaica um culto solar em que o nome de Hércules seria um epíteto comum do deus do sol!
Depois de outros feitos, Héracles chegou a Calidon, nas terras do rei Eneu, que tinha uma filha encantadora chamada Dejanira. Sua beleza havia atraído como pretendente o deus-rio Aquelôo. Dejanira recusava-se a casar com ele, e foi então que Héracles se ofereceu também como pretendente. Ora, o rei Eneu não queria contrariar nenhum dos dois poderosos seres, e prometeu a mão de sua filha ao vencedor em um duelo. Héracles venceu o confronto, e desposou Dejanira, com quem teve um filho, Hilo.
Eneu < En-hehu < Enkiku > Enki-Ku
Dejanira < Tshinura < Chu-An-Ura = An-Urash = Ishtar.
                                              > Phil-otes > Philotes, lit. «filhotes».
«Filho» < Lat. Fillius < Grec. Phil-lus < *Killus < *Kur-lu
                   Esp. Hijo < Grec. Hyllus < Kyrlu < *Kur-lu > Kar-lu[2] + Apa = Apkallu > Apolo.                                             > Grec. Huios (uio/v)
Pois bem, mesmo que não tenha sido assim até pareceria que Eneu era filho de Anu ou seja, Enki, o «deus pai do céu» (ou o «deus filho» do céu e da terra), e Dejanira, a áurea «deusa da madrugada», Ishtar!
Não é preciso dar muitas voltas para descobrir que o nome do filho deste casal divino era o «deus menino» por se tratar literalmente do «filho» por antonomásia.
Quanto ao rio Aquelôo era um rio serpentino «das águas doces» de Enki que lavava os cuidados dos mortais como o rio do esquecimento dos infernos lavava as mágoas dos mortos!
Achelous or Acheloos, "he who washes away cares" A river god who fought unsuccessfully with Heracles for Deianira, he is the source of the cornucopia, or horn of plenty.
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Figura 2: A luta de Hércules & Aquilôo. Enquanto rio do esquecimento Aquilôo era o rio da morte de que Caronte era o barqueiro e uma metáfora dos rios do baptismo que lavavam e esqueciam os pecados dos mortais.
O rio Jordão era um bom exemplar deste tipo de rios sagrados onde se dava banho aos pecados pelo baptismo! Ora, será tão certo que esta profunda tradição do poder de lavagem física quanto de purificação espiritual dos rios sagrados do Jordão ao Ganges andou associada com Enki que nos é permitido associar os rituais do «bode expiatório» dos judeus com o baptismo de João Baptista no Jordão com a mesma convicção dos mandeienos ...
Hibil-Ziwa, of the Median hills, upon which they wandered from mountain to mountain. ... mountain to the city of the Nasoraeans is a distance of six thousand parasangs; it is called the enclave ('hdara') of Hibil-Ziwa... Then Yahia-Yuhana took the Jordan and the medicine Water (of Life)... and he cleansed lepers, opened (the eyes of) the blind and lifted the broken (maimed) to walk on their feet ... by the strength of the lofty King of Light - praised be his Name! - and gave speech and hearing to all who sought (him). And he was called in the world " envoy of the High King of Light " - praised be his Name! - (even) at the (very) abode and building of Ruha and Adonai and her seven sons. -- THE HARAN GAWAITHA.
... assim como com a mesma estranha coincidência da tradição cristã que representa João Baptista (que no texto mandeista é Yahia-Yuhana < Kaka Ku(r)kana [3]) como um andrajoso pastor com um cajado e uma cabaça de vinho vestido com peles de cabra como num arcaico ritual dionisíaco!
Achelous < Aker-hau-us < Sakur-Kakus < Ishkur-Caco
lit. “o filho da *Kaphura, por analogia com um rio de lava vulcânica???
Ora bem, a pomba do divino Espírito Santo que aparece no Baptismo de Cristo como um ribombar de trovão não era senão a cobra emplumada do caduceu dos sofistas e ofitas, o deus pássaro Anzu, a forma volátil de Enki o deus da criação entoado as palavras sacramentais da sua própria e divina geração a partir do poder fecundante do céu e da sábia fecundidade da terra: «Tu és meu filho hoje te gerei»!
Afinal, o nome de Hércules foi mesmo um epíteto majestático, solar e grandiloquente, de Enki.
A razão pela qual encontramos Hércules numa autêntica luta interior com a sua própria sombra e consciência na forma de Aquelôo, o rio de esquecimento é porque na verdade estaremos perante uma metafórica referência a todas as fontes de conflito que são os equívocos de saber e as confusões de linguagem. De facto noutros pontos se referirá que Hércules enquanto arcaico mito solar foi um avatar de Enki pelo que o mito da luta de Hércules & Aquelaus só pode ter sido um eco mal contado duma rivalidade de santuários pela posse duma deusa ou sacerdotisa de nome Djanira < *Di-Janura, um nome com uma fonética entre Diana, Jana, esposa de Janus (< Kian > Pan) e Ner-gal, o divino rei Nério dos infernos e da guerra, esposo de Vénus (< Wan < Kian) sempre no contexto étmico de Enki. Mas, como se pôde ver no capítulo sobre Hércules, Dejanira < Thesh-Anur < *Kika-An-Ur > Ish-An-Ur = An Ishura > Ishtar!

Ver: EL-ELION (***) & LÚCIFER /CAPRICORNIO (***)


[2] Lit. o «menino Carlinhos» das anedotas brejeiras, portuguesas!
[3] Nome análogo ao primeiro Apkallu, o Oanes de Berosus, e parecido com o deus latino da duplicidade, Janus.

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