sábado, 23 de janeiro de 2016

RIO CÔA, (actualização de DAGON E O MISTÉRIOS DAS ILHAS PERDIDAS ocidentais), por Artur Felisberto.

Por outro lado, é quase seguro que esta variante fonética, que implica o étimo Gu- e Côa, seria tipicamente ibérica e faria parte dos falares locais pré-celtas que teriam sido exportados para as Américas em época paleolíticas por via das rotas marítimas que passavam nas Canárias!
A este propósito à que suspeitar das referências eruditas a respeito do nome deste rio que andam por aí referidas.
Côa. Do latim Cuda posteriormente Coda, com possível origem no pré-celta kut (javali) ou no basco kuto (porco). Está na origem de transcudano, que é relativo a Ribacôa (adjetivo), natural ou habitante de Ribacôa (nome) ou antigo povo da Lusitânia (nome no plural).
Fazer derivar o nome de uma rio da existência de porcos selvagens nas suas margens faz pensar nos perigos da imaginação fértil de estudantes que passam mais tempo a ler a banda desenhada de Astérix do que a fazerem investigação e acabam a confundir bascos com celtas e estes com gauleses que passariam a vida atrás de javalis. Obviamente que todos os equívocos etimológicos sobre o Côa resultam dos seus supostos habitantes de Ribacoa que seriam os Trancudanos.
Transcudanos, Transcudani, Transkutani (tribo celta de Lusitanos Lancienses do norte) [área do Sabugal e concelhos vizinhos].
Situados no planalto da Guarda / Sabugal, os Lancienses Transcudani viriam até ao rebordo desse planalto ou, mais concretamente, até às alturas de Cabeço das Fráguas.
Referiremos, em primeiro lugar, que a proposta de situar os Lancienses Transcudani na margem esquerda do Côa, apresentada por muitos autores, assenta na ideia de que o Côa se chamava Cuda. Fernando Curado (1988-94, p. 216) observou já que o nome antigo do rio seria Cola, ainda atestado na época medieval. J. P. Machado (1993, voc. Côa) considerou Cola dos documentos medievais como um falso latinismo mas não cremos, neste particular, que o autor tenha razão. Situados no planalto da Guarda / Sabugal, os Lancienses Transcudani viriam até ao rebordo desse planalto ou, mais concretamente, até às alturas de Cabeço das Fráguas (1018 m), S. Cornélio (1008 m) e Mosteiro (939 m), três elevações que se observam na paisagem a muitos quilómetros de distância. A sul, o limite passaria pela serra da Malcata (que, aliás, poderia ter sido a Cuda romana, nome não atestado literária nem epigraficamente mas pressuposto pela própria designação de Transcudani). -- Novas perspectivas sobre os Lusitanos (e outros mundos), por JORGE DE ALARCÃO.
Na localização dos Lancienses Transcudani as várias teorias multiplicam-se. A primeira dúvida vai para a designação Cuda, para uns referente ao Côa, para outros, respeitante a um acidente geográfico. Alarcão, na sua obra O domínio Romano em Portugal, delimita a zona de influência dos Transcudani entre a Serra da Malcata a Sul e a da Marofa a Norte, confrontando com os Aravi e Cobelci, podendo ocupar as duas margens do rio Côa, sendo limitado a oriente pelo rio Águeda e a ocidente pela Serra da Estrela. (...)
Mais recentemente a teoria de Alarcão sobre a localização destes Túrdulos alterou-se, defendendo a sua influência apenas na margem esquerda do Côa, abrangendo o planalto Guarda / Sabugal. Já Marcos Osório relembra as duas hipóteses: ou os transcudani se situavam entre o Côa e o Águeda, ou apenas na margem esquerda do Côa, para ocidente. Este mesmo autor relembra a existência de um documento do séc. XIII ou XIV em que o Côa é denominado de Coam ou Cola, o que leva a alguns a defenderem a alternância do “d” para “l”, atestando a hipótese de que Cuda se refere ao Côa, e logo transcuda significaria para além do Côa. Já Luis García Moreno defende que entre o rio Côa e o Águeda ficavam os Interamnienses, colocando os Transcudani na margem direita do Côa. – Vilar Maior – Evolução de um castelo e povoado raiano de Riba-Côa,  Maria Virgínia Antão Pêga Magro.
Portanto quando tentamos resolver o problema da origem do nome do rio Côa a partir do nome dos residentes locais acabamos por cair numa dificuldade ainda maior que é a de não saber muito bem quem vivia nas margens do Côa.
Os Interamnienses lusitanos, omissos em Ptolomeu mas citados na ponte de Alcântara e em inscrições da Idanha, confrontavam a leste com os Colarni, povo da margem direita do Côa, antigo Cola.
A cidade Colarnum, estaria aí por Vilar Maior, no concelho do Sabugal. O topónimo “Vilar” aplica-se na acepção de alcarial, o mesmo que ruínas, geralmente romanas. Os Colarnos são o quinto povo da inscrição de Alcântara.
Os Lancienses cognominados Transcudanos (sexto povo) ocupariam a aba setentrional da Serra da Estrela que seria, por esse tempo a Serra de Cuda, a originar a distinção de Transcudanos. -- http://lancia.com.sapo.pt/Lusitania.htm.
Como se vê ninguém se entende sobre a localização dos povos lusitanos pré-romanos e não se entende como poderia ser que estando os Coilarni na área de Lamego houvesse uma civitas Colarnum em Sabugal...que outros colocam no Alentejo. Tendo que tomar partido pelo melhor aceita-se com Jorge de Alarcão que o território dos Transcudanos seria sobretudo na planalto da Guarda e Sabugal num território cujo limite a sul por “passaria pela serra da Malcata (que, aliás, poderia ter sido a Cuda romana, nome não atestado literária nem epigraficamente mas pressuposto pela própria designação de Transcudani.)”
Claro que é um risco presupor que a serra da Malcata seria a “Cuda romana” que, quiçá, nem seria romana porque Cuda é seguramente pré celta.
Em primeiro lugar, Salamati está directamente relacionado com o nome moderno da área montanhosa de Jálama (1492 metros), que na Antiguidade era chamada Sálama. Sálama provavelmente cobria a área da Serra da Gata até à Serra da Malcata ou à Serra de Las Mesas, muito perto dos locais onde as inscrições foram encontradas. Em segundo lugar, se a interpretação de Melena estiver correcta, o nome Salamati aparece numa inscrição como D(eus) O(ptimus)..
E de súbito os céus se iluminam com a verdade revelada como gata escondida com rabo de fora. Afinal Cuda não seria o Côa porque a serra da Malcata teria dado nome aos transcudanos de forma muito indirecta porque terá tido nome ressente por mera analogia com a “serra da Gata” onde proliferava o lince ibérico que na serra da Malcata seria a «mala-gata» ou seja a «gata» má porque só com o latim eclesiástico do baixo latim é que a maçã (malum) do pecado se transformou por antonomásia em nome do mal! Então que nome teria a serra da Malcata? O melhor será dizer que não sabemos mas que não seria também ela a dar nome aos trenscudanos que não andariam apenas por cima dela pois estes rudes beirões de antanho seriam os que, como os transmontanos que viviam atrás dos montes, habitavam na região do Alto Côa e do Sabugal atrás das fragas (*cudo > «godo» > «gogo») como em Sortelha e Monsanto.
«Gogo» = Regionalismo: calhau rolado pelas águas; «godo» < Lat. cotu < cotulu, m. s.), s. m. seixo boleado pelas águas. . Pedra lisa e arredondada sobre a qual os sapateiros batem a sola.
http://i1.trekearth.com/photos/88188/castelo_de_monsanto.jpg
Sortelha.
Monsanto.
Por el contrario hay algunos términos exclusivos del arco cantábrico que deben pertenecer a un substrato local; sería el caso del santanderino cudon canto rodado de cierto tamaño (También Bourg. codon, piedra) si aceptásemos su etimología pré latina, porque Tienne reflejos toponímicos hasta Galicia y porque quizá en ese caso estaría relacionado con el rio portugues Côa que dio nombre en la antiguidad a los Lancienses Transcudani (CIL 760, 5261).
(* TovAtt 955:19-20; en ultimo lugar con la bibliografía anterior GUERRA 2003. s. v. Lancienses Transcudani: restos de una redacción anterior s. v. Lancienses (Vert.). n° 3. Se ha propuesto también una etimología latina. cos, cotis. cf. cat. Codina guijarro' port. dialec. Godinito 'piedra'.)
La voz canto 'piedra' (III en COROMINAS-PASCUAL), atestiguada desde Berceo y en las Cantigas, que no debe ser confundida con canto 'extremidad' es común a los romances hispánicos y sin duda prelatina. Existe una errónea etimología oculta basada en el falso corte galo **kantena que no existe ya que se trata de dekanten 'diezmo'; hay testimonios toponímicos, como Cantanhede, Cantalejo o Benacantil ampliamente repartidos por la Península pero es imposible atribuir la forma a un estrato lingüístico concreto. -- Onomástica galega II - Dieter Kreme.
Quanto à etimologia do rio Côa continuamos a navegar em águas inseguras porque teimamos em não aceitar a etimologia corrente que o relaciona com cuda que, como já sabemos agora, se relaciona com pedras o que não é característica única da nascente do Côa.
Côa; Codes; (...) Côja - o mesmo que Côa? Cua *(Gz.) - do grupo "Côa" (Cuda). Hidrónimos, ou Nomes de Rios
O autor do texto “Hidrónimos, ou Nomes de Rios” enferma do preconceito corrente que faz derivar Côa de Cuda que só seria válido para o rio Codes deixando de fora o rio Alcoa que nada tem de pedregoso...nem de suspeitos javalis gauleses. Em boa verdade a etimologia do Côa deve encontrar-se no que ainda parece ser: um rio que se «escoa» por entre as penedias graníticas e xistosas da Beira Arreiana e que por isso teria etimologia comum com o verbo «coar», do latim colare de que resulta o francês couler.
Latin Colare = From earlier *quelō, from Proto-Indo-European *kʷel- ‎(“to move; to turn (around)”). Many cognates including Ancient Greek πέλω ‎(pélō), πόλος ‎(pólos), τέλλω ‎(téllō), τέλος ‎(télos), τῆλε ‎(têle), πάλαι ‎(pálai), κύκλος ‎(kúklos), Sanskrit चरति ‎(cárati), English wheel. Same Proto-Indo-European root also gave Latin in-quil-īnus ‎(“inhabitant”) and anculus ‎(“servant”).
Obviamente que com este tipo de etimologias repleta de falsos e irreconhecíveis cognatos é mais fácil fazer etimologia do que cartomancia!
É muito mais plausível que o latim colare derive de *coluvrare e de coluber que significava serpente do que de qualquer outra coisa.
«Côa» < Coam < Co(l)am <= Lat. colare < coluare < *coluvrare
< colubra < Ka-lu-pher, a cobra macho => Kupra,
a cobra fêmea como Afrodite Cipíria .
Obviamente que esta seria a etimologia do termo latino colare que pode não ter tido outra semelhança com o Côa que não fora a de serpentear entre vales e penedias.
https://allunos.files.wordpress.com/2012/11/vale_coa.jpg
Em conclusão esta etimologia serpentina do Côa não invalida a sua remota relação como o deus Gu-a da água doce e da sabedoria dos abismos primordiais precisamente porque Gu-a, ou Chu-(w)a o senhor das aguas das chuvas era a cobra emplumada das tempestades e filho adorado de divina mãe a deusa cobra do mar primordial e das cobras cretenses.

3 comentários:

  1. Como poderíamos interpretar Cola (Castro da Cola), no Alentejo?

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  2. Em primeiro lugar seria preciso procurar as referências históricas e míticas do lugar para nos orientarmos na melhor etimologia para o caso porque «existem poucas informações históricas sobre este importante sítio arqueológico» que teve também o nome de Cidade de Marrachique (<=> Marraquexe?). O nome «cola» não será contemporâneo e derivar de alguma tradição recente de colheita de goma de amendoeiras ou outras árvores existentes no local?

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    1. Só se antigamente. Agora é zona de montado.

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