quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TÉTIS, a deusa de todos os deuses, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Cortejo de deusas cretenses do mar: Anfitrite, Europa e Tetis. Tétis montada num cavalo-marinho, segura o escudo de Aquiles! A armadura que parece nas mãos da nereida do lado fazem é um complemento da armadura de Aquiles, supostamente tão antiga que havia sido oferta desta arcaica Deusa Mãe. - Eduard Gerhard - Apulische Vasenbilder.

Tétis é representada como uma mulher jovem, de aspecto sabido. Passeava-se numa concha de marfim, puxada por cavalos brancos como Anfitrite.

Na mitologia grega, é uma titânide, filha de Urano e de Gaia. Da sua união com o seu irmão Oceano, nasceram as infinidades das três mil oceânides e dos três mil rios. Personifica a fecundidade da água conformada pelos povos ribeirinhos e marinheiros e reconhecida pelos continentais na seiva da vegetação.

Os mitógrafos clássicos explicam a sua ausência do panteão olimpo de forma muito conveniente. Durante a guerra dos Titãs, seguramente a que marcou a invasão de Creta pelos micénicos, ela e seu marido abstiveram-se de participar nela. Para sobreviver teve que ter a protecção de Hera. Para manter a paz na nova ordem emergente, Reia confiou-lhe o cuidado de Hera, durante a luta entre titãs e os deuses olímpicos.

 

Ver: TITANOMAQUIA (***)

 

Em reconhecimento, a rainha do Olimpo reconciliou-a com Oceano, quando o casal se desentendeu.

Tétis recolheu Hefesto quando foi precipitado do Olimpo por Zeus. Amada pelo soberano dos deuses, resistiu-lhe, temendo magoar Hera. De acordo com outra versão, foi o próprio Zeus que a repudiou. O senhor olímpico temia a realização de um oráculo segundo o qual Tétis conceberia dele um filho que o destronaria. Numa variante da lenda, tal oráculo referia-se a Zeus e a Poseidon, ambos enamorados da nereida.

Em boa verdade a mítica Tétis não poderia mesmo casar com Zeus porque, enquanto uma variante mais que provável de Anfitrite, já estaria casada com Poseidon. Contam os mitos que este deus dos máres tinha uma particular fixação por cavalos. Na querela com Atena ofereceu um cavalo branco à cidade de Atenas e no casamento de Peleu com Tétis, ofereceu o cavalo Bálios.

Bálios = Cavalo, filho de Zéfiro e Podarge. Foi dado por Neptuno a Peleu, quando este se casou com Tétis. Depois pertenceu a Aquiles. Por ocasião da morte do herói, Neptuno recuperou-o.

Por isso nem o seu filho Poseidon, o senhor da talassocracia cretense, teria conseguido casar com ela, a sempre virgem como Atena. A importância desta Deusa no mundo da navegação cretense expressa-se ainda pela sua relação com o mito astronómico da ursa maior. Enfim, algum segredo oculto impedia esta deusa mãe de acasalar com o soberano olímpico e em boa parte porque esta seria a Deusa Mãe de todos os deuses, Tiamat, a deusa do mar salgado primordial cujos filhos seriam sempre destronados pela geração seguinte, pelo que, em parte a lenda do oráculo seria uma herança de Gaia. Recolheu Hefesto porque este seria afinal o latino Caco, o seu primeiro filho nascido aleijadinho como muitos dos monstros primitivos parido pela deusa mãe do Caos primordial.

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Figura 2: Vase of the Foundry Painter: Drawing of the tondo, showing Thetis receiving Achilles' armor from Hephaistos. She holds a spear and shield, the shield device a bird carrying a snake in its claws.

CALISTO

Debido a su amistad con Hera, que estuvo a su cargo durante la guerra de los Titanes, excluyó a la constelación de la Osa Mayor del Océano, lugar por el que daban la vuelta el resto de las constelaciones al desaparecer del firmamento por un lado hasta que aparecían por el otro, condenándola, al tratarse de Calisto, a dar vueltas eternamente en torno a la estrella polar.

Calisto era uma ninfa, amante de Zeus e odiada por Hera que a transformou em ursa e Zeus colocou-a no céu como a constelação da Ursa Maior.

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Figura 3: Constelação da Ursa Maior na Uranografia de Johannes Hevelius (1690)

Como fervorosa devota de Artemisa, Calisto que, segundo Hesíodo era filha de Lucaião, rei de Arcadia, fez o voto de virgindade, como todas as ninfas de Artemisa.

No entanto, tal como o rei D. João V era um apaixonada por freiras, desde sempre que os grandes soberanos acima da lei tiveram a vertigem do pecado de desflorar e comer os mais belos, puros e inocentes filhos da humanidade. Por outro lado, estávamos na época dos sacrifícios humanos decretados pela terrível deusa mãe das cobras cretenses na forma de Medusa que veio a ser Artemisa, a Pótnia Teron, caçadora indomável como Diana / Atena. Como foi que Zeus seduziu Calisto obviamente que nem o sabemos ao certo nem faria grande sentido sabe-lo porque terão sido tantas as maneiras quanto as manhas dos engenho humano ao longo da história.

A versão mais antiga que se conhece para esse mito parece ser a da Astronomia, épico perdido de Hesíodo do século VIII a.C. ou VII a.C. citado pelo pseudo-Eratóstenes:

A Ursa Maior (Arktos Megale): Segundo Hesíodo, ela [Callisto] era a filha de Licáon e viveu na Arcádia. Ela escolheu caçar as feras nas montanhas na companhia de Ártemis e, quando ela foi seduzida por Zeus, isso deixou por algum tempo de ser notado pela deusa, mas depois, quando ela já estava grávida, foi vista no banho e descoberta.

Devido a isso, Ártemis ficou enfurecida e transformou-a em uma fera.

Calisto tornou-se uma ursa e pariu um filho chamado Arcas. Mas enquanto ela estava na montanha, foi caçada por alguns pastores de cabras e dada com seu filho a Licáon. Algum tempo depois, sem saber da proibição, ela entrou no perímetro sagrado de Zeus e foi perseguida pelo próprio filho e pelos árcades e estava por ser morta por causa da lei, mas Zeus a libertou por sua ligação com ela e a pôs entre as estrelas, dando-lhe o nome de Ursa (Arktos) por causa de seu infortúnio.

O comediógrafo ateniense Ânfis (século IV a.C.) parece ter introduzido o conto de Zeus seduzindo Calisto com o disfarce de Ártemis em uma comédia desaparecida chamada Calisto. Sua versão é aparentemente foi mais tarde resumida na Astronomia do pseudo-Higino (adaptação do século II de trabalho do Higino original, de 64 a.C. – 17 d.C.):

Mas Ânfis, o comediógrafo, diz que Júpiter, assumindo a forma de Diana, seguiu a jovem como para ajudá-la na caça e a abraçou quando estava longe da vista das demais. Quando Diana lhe perguntou por sua gravidez, ela disse que era culpa da deusa e por causa dessa resposta, Diana a transformou da maneira já mencionada.

Quando vagueava como uma fera na floresta, ela foi capturada por etólios e levada à Arcádia para o rei Licáon, junto com seu filho, como um presente. Ali, por ignorar a lei, ela teria entrado no templo de Zeus Lykaios. Seu filho a seguiu e os árcades os perseguiram e tentaram matá-los [por sacrilégio], quando Júpiter, preocupado com sua indiscrição, a salvou e pôs a ela e seu filho entre as constelações. Ele a chamou Arctos (Ursa) e a seu filho Arctophylas (Guarda da Ursa)

(...) Alguns dizem, também, que quando Calisto foi abraçada por Júpiter, Juno, com raiva, transformou-a em ursa; então, quando ela encontrou Diana caçando, foi morta por ela e mais tarde, sendo reconhecida, foi posta entre as estrelas. Mas outros dizem que, quando Júpiter perseguia Calisto na floresta, Juno, suspeitando do que estava acontecendo, correu para lá para apanhá-lo em flagrante. Mas Júpiter, para esconder sua falta, transformou Calisto em ursa. Juno, então, encontrando uma ursa em vez de uma jovem naquele lugar, apontou-a a Diana, que estava caçando, para que esta a matasse. Júpiter perturbou-se ao ver isso e pôs Calisto no céu com a aparência de uma ursa representada com estrelas.

Essa constelação, como muitos notaram, não se põe e aqueles que desejam alguma razão para esse fato dizem que Tétis, esposa de Oceano, recusa-se a recebê-la quando as outras estrelas vêm se por, porque Tétis foi a mãe adotiva de Juno, em cujo leito Calisto fora uma concubina.

Araeto de Tegéia, porém, escritor de histórias, diz que ela [a Ursa Maior] não era Calisto, mas Megisto e não era filha de Licáon, mas de Ceteu e, portanto, neta de Licáon. Ele diz, também que o próprio Ceteu foi chamado de [a constelação do] Ajoelhado. Os outros detalhes concordam com o que já foi dito. Tudo isso teria acontecido na montanha de Nonácris, na Arcádia.

A seguinte versão é contada nas Fábulas do pseudo-Higino:

Diz-se que Júpiter (Zeus) foi hospedado por Licáon, filho de Pelasgo e seduziu sua filha Calisto. Deles nasceu Arcas, que deu seu nome à Arcádia... A filha de Licáon foi transformada em ursa pela ira de Juno (Hera), porque se havia deitado com Júpiter. Mais tarde, Júpiter a pôs ente as estrelas como uma constelação chamada Septentrio (Ursa Maior) que não se move do seu lugar, nem se põe. Porque Tétis, esposa de Oceano e mãe adotiva de Juno, a proíbe de se pôr no Oceano. Esse, então, é o grande Septentrio, sobre o qual está escrito em versos cretenses: "Tu, também [Arkas], nascido da ninfa licaoniana transformada, que roubada das frescas alturas da Arcádia, foi proibida por Tétis de mergulhar no Oceano porque um dia ousou ser concubina de sua filha adotiva". Essa ursa era chamada Hélice pelos gregos. Ela tem sete estrelas apagadas em sua cabeça, duas em cada orelha, uma no ombro, uma brilhante na cauda, uma em sua pata dianteira, uma na ponta da cauda, duas atrás das coxas, duas na base dos pés, três na cauda - vinte, no total.

O pseudo-Apolodoro, na Biblioteca (século II d.C.), conta o seguinte:

Eumelo e alguns outros dizem que Licáon teve uma filha chamada Calisto, mas Hesíodo diz que ela era uma das ninfas, ao passo que Asios [poeta do século VIII a.C. ou VII a.C.] identifica Nicteu como seu pai e Ferécides como Ceteu. Ela era uma companheira de caça de Ártemis, imitando suas roupas e permanecendo sob o voto de virgindade feito à deusa. Mas Zeus se apaixonou por ela e a forçou em seu leito, tomando a aparência, dizem alguns, de Ártemis e outros, de Apolo. Para tentar fazê-la escapar da atenção de Hera, Zeus transformou Calisto em ursa. Mas Hera persuadiu Ártemis a atirar na jovem com seu arco, como se fosse um animal selvagem. Há aqueles que mantêm, porém, que Ártemis atirou nela porque ela não protegeu sua virgindade. Quando Calisto morreu, Zeus tomou seu bebê e o entregou a Maia para que fosse criado na Arcádia, dando-lhe o nome de Arcas. A Calisto, ele a tansformou em estrela, que chamou de Arktos (Ursa).

Na Descrição da Grécia (século II d.C.), Pausânias faz várias alusões ao mito:

Licáon tinha uma filha, Calisto. Esa (repito o mito grego corrente) era amada por Zeus e copulou com ele. Quando Hera descobriu a intriga, ela transformou Calisto em ursa e Ártemis, para agradar Hera, matou a ursa. Zeus enviou Hermes com a ordem de salvar a criança que Calisto levava no útero e transformou a própria Calisto na constelação conhecido como Ursa Maior (Arktos Megas), que foi mencionada por Homero em sua viagem de retorno de Calipso: "Olhando para as Plêiades e o Bootes que tarde se põe, e a Ursa (Arktos), que também chamam de Carroça (Amaxa)". Mas pode ser que a constelação seja simplesmente nomeada em honra de Calisto, visto que seu túmulo é mostrado pelos árcades. Após a morte de Nictimo [irmão de Calisto], Arcas, o filho de Calisto, subiu ao trono [da Arcádia]. (…) Descendo de Krounoi [na Arcádia] por cerca de 30 estádios (6 km), chega-se ao túmulo de Calisto, um monte de terra elevado no qual crescem muitas árvores, tanto cultivadas quanto das que não dão frutos. No alto do monte há um santuário de Ártemis, dita Kalliste. Acredito que Panfo tenha sido primeiro poeta a chamar Ártemis pelo nome de Kalliste por ter aprendido com os árcades."

Ovídio, um devasso piedoso do começo da era cristã, conta nas suas célebres Metamorfoses divinas o mito da forma seguinte:

Zeus ficou fascinado pela beleza de Calisto, ninfa de Nonácris armada de lança e arco que pertencia ao cortejo de Ártemis e era a mais amada pela deusa, caçando a seu lado como líder das ninfas.

À tarde, quando Calisto se deitava para descansar em uma clareira oculta, Zeus tomou a forma da própria Ártemis e aproximou-se de Calisto para lhe perguntar sobre sua caçada. Calisto saudou a suposta Ártemis dizendo-lhe que era maior que o próprio Zeus, que ficou muito satisfeito de ser preferido a ele mesmo e a beijou e abraçou enquanto ela lhe contava sobre a caçada até que ele, subitamente, voltou à forma masculina e a violentou.

Calisto correu de seu refúgio e Ártemis, que caçava com seu cortejo de virgens nas encostas do monte Mênalo, a viu e chamou. Calisto, pensando ser ela Zeus novamente disfarçado, recuou por um momento, até perceber o cortejo que garantia sua identidade. Juntou-se a elas corada, calada, de cabeça baixa por ter violado seu voto de virgindade à deusa. Mas Ártemis, por sua própria falta de experiência no assunto, não percebeu o que havia acontecido até nove luas depois, quando as ninfas se despiram para se lavar em um regato e ela se escondeu, receosa. Então Ártemis, furiosa, a expulsou: "Vá embora! Você não pode profanar nossas fontes sagradas".

Até aqui o mito de Ovídio está cheio de sugestões lésbicas consumadas, de fantasias de heterossexuais disfarçados entre lésbicas e dos ferozes ciúmes de lésbicas enganadas!

Hera soube do que acontecera e quando ouviu dizer que Zeus tivera um filho humano chamado Arcas, ficou furiosa com a possibilidade de que Calisto se vangloriasse de ter tido um filho com seu marido.

Então, atacou-a, arrastou-a rudemente pelo chão e transformou-a numa ursa, incapacitando-a de pedir ajuda a Zeus porque ainda que tentasse manter-se erecta os seus apelos ao pai dos deuses ressoavam apenas como grunhidos!

Com receio de se aventurar em terreno desconhecido, Calisto passou a vaguear nos campos onde antes caçara, fugindo dos caçadores e, ao mesmo tempo, de lobos, ursos e outros animais selvagens. Quinze anos depois, o jovem Arcas foi caçar na floresta de Erimanto e viu sua mãe sem reconhecê-la - ninguém havia lhe contado sobre sua origem. Reconhecendo o filho, Calisto pôs-se de pé, admirada e muda, quando ele se aproximou. Arcas, assustado, ergueu a lança contra ela, mas Zeus não permitiu que a matasse e os removeu para os céus, transformados em constelações.

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Figura 4: Jupiter & Kallisto, De Troy, Francois (Paris 1679-1752 Rom)

A inclusão no mitema de Tétis de um mito astrológico relativo a Calisto além ser a confirmação de que a mitologia seria, nos tempos antigos antes de mais uma forma de os teóricos e sábios arcaicos dos tempos da oralidade manterem a memória viva da cultura comum a coberto do respeito sagrado e de mnemónicas feitas de historietas infantis relacionadas com eventos sociais frequentes e quase sempre traumáticos. Na verdade, as ciências da aprendizagem sabem que as situações que provocam ansiedade e angústia são as que mais perduram na memória!

El catasterismo es la transformación mitológica de un personaje en una estrella o en una constelación en la mitología griega. La palabra es un cultismo tomado del griego καταστερισμοί (κατά (encima, abajo) + ἀστήρ (estrella, astro)), cuyo significado es colocado entre las estrellas.

Por outro lado, o nome Kalliste (Καλλίστη), “a mais bela”, pode ser reconhecido como um epíteto da deusa Artemis, encontrado em inscrições em Atenas que registam sacerdotes de de Artemis Kalliste (Άρτεμις Καλλίστη), de date anterior ao terceiro século BCE. Artemisa Kalliste foi adorado em Atenas num santuário que se ao lado da estrada para a Academia. O carácter ursino de Artemis era uma característica do seu culto em Brauronia (Βραυρώνα), nome de uma pequena cidade da costa egeia da Ática e possível epíteto de Artemisa.

Grec. Moder. Βραυρώνα = Vravrona / Vravronas < Wrava-Rauna > Brava Urana, literalmente, Urânia, a brava, a celestial guerreira.

Grec. Moder. Βραυρώνα < Barberona < Kar- | Kerona

ó Belona => *Hercala.

Esta semântica astral inerente ao culto de Artemisa seira idêntico ao de Istar enquanto deusa da estrela da manhã.

Assim sendo, o mito de Calisto no Catasterismo pode ter derivado do fato de um conjunto de constelações muito próximas no céu estelado, no signo zodiacal da Balança, isto é, Ursa Menor, Ursa Maior, Boieiro e Virgem. A constelação do boieriro foi identificado explicitamente Astronomia de Hesiodo como Arcas, o domador de ursos que é Arkas o filho de Kallisto e de Zeus, e que viveu no reino de Lucaião.

Depois de Zeus ter seduzido Calisto, Lucaião, fingindo não conhecer o assunto, recebeu Zeus em sua casa e serviu-lhe à mesa a criança [Arkas] assada como um leitão num espeto. Zeus como castigo, transformou-o em lobo iniciando-se assim a lincantropia com o nome do próprio Luciano / Lucaião.

O contexto do mito reporta-nos para tempos arcaicos da licantropia e dos sacrifícios humanos em honra do deus da agricultura, Saturno, na sequência de ritos de sacrifícios humanos violentos em épocas mais recuadas de fome e carestia de caça!

Hera, indignada com a glória conferida a Calisto e seu filho, voou para Tétis e Oceano, queixando-se de que sua rival fora divinizada e sentada no Trono do Céu, sobre o próprio Eixo do Mundo, envergonhando-a a cada noite e incentivando outras rivais e pediu aos deuses do Oceano que ao menos proibissem Calisto de de mergulhar em suas águas: "que não deixem uma concubina banhar-se nessas águas pura". Tétis e Oceano a atenderam e, por isso, a Ursa Maior nunca se põe.

Por outro lado, a aparente futilidade vingativa de Hera deixa pressupor que tenha havido necessidade de adaptar o mito a uma tradição astrológica arcaica incontornável e que seria a possibilidade de a Ursa Maior ter tido em tempos um percurso no Zodíaco de passagem pelo mar o que nos reporta para a história da precessão dos equinócios.

O processo mais remoto da formação das primeiras constelações teve início por volta de 5600 AC, quando do desenvolvimento das bases da civilização urbana. Segundo Alexander Gurshtein, do Instituto da História da Ciência e Tecnologia da Academia Russa, a formação das constelações foi um processo dinâmico que evoluiu durante milhares de anos. Os antigos observadores buscavam fixar certas áreas importantes do céu e não agrupar estrelas. Para este pesquisador os nomes das estrelas e constelações não foram estabelecidos pela visão de figuras formando heróis ou animais, como foram posteriormente descritas por Aratos, Eratosthenes ou Higino.

Primeiro elas foram marcas celestes e depois receberam os nomes simbólicos.

Para Gurshtein as constelações do zodíaco foram aparecendo em quartetos, começando por Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes.

Através dos tempos em função da precessão dos equinócios, os quartetos foram mudando, embora sempre conectados com o movimento do Sol entre as constelações.

Para outros pesquisadores como Richard Allen, o processo da formação das primeiras constelações zodiacais, ocorreu na Acádia, com Touro, no equinócio vernal, Leão, na culminação, Escorpião no outro equinócio e Aquário na culminação inferior, porque todos já estavam representados nos mais antigos textos cuneiformes. O touro do deus Anu, um leão ou leoa (da deusa mãe), um escorpião e um gigante.

Entre 4000 e 3000aC ocorreram grandes mudanças nas condições económicas, socioculturais e religiosas no Oriente próximo. Isto correspondeu à passagem do ponto vernal de Gémeos para Touro. A vida religiosa atingiu uma camada social mais elevada e os sacerdotes assumiram um papel importante também na economia e cultura, além do mais a suprema divindade passou a ser masculina.

O símbolo primordial da fertilidade masculina, o touro representava a primavera e leão era o símbolo do poder supremo e isto foi mantido durante muitos séculos. Neste quarteto Leão correspondia ao ponto mais alto do Sol.

Por volta de 1500 AC ocorreu a entrada na constelação de Áries. O curioso é que do quarteto composto por Áries, Câncer, Libra e Capricórnio, apenas este tem origem na Babilónia. A Libra só apareceu bem mais tarde, pois Escorpião era uma constelação dupla, dividida em corpo e garras. Quanto a Áries, o carneiro, foi uma substituição feita pelos gregos embora seja possível que a origem esteja no Egipto, pois na Babilônia era "o mercenário". (…)

A idea fundamental do esquema zodiacal apareceu em 700 AC em um dos textos do conjunto "Mul Apin" e por volta de 419 AC o sistema dos 12 signos estava estabelecido com total clareza e precisão, entretanto os signos ainda deveriam corresponder às constelações, porque tomaram os seus nomes e assim foram passados para a Índia, o Egito e a Grécia através da Escola de Alexandria. (…)

Também foi Plínio quem afirmou que, após Anaximandro, o Zodíaco Grego foi introduzido por Cleostrato de Tenedos por volta de 500 AC. Cabe ressaltar que este zodíaco não foi resultado de um desenvolvimento gradual iniciado com extensas e cuidadosas observações de planetas e constelações como o da Mesopotâmia.

Embora na Babilónia o calendário fosse regulado pela aparição do primeiro crescente da Lua, após o equinócio da primavera, não havia preocupação quanto à precisão dos equinócios e solstícios, porque as posições do Sol, Lua e planetas não estavam relacionadas com o Equador.

Já na Grécia, os equinócios, que determinam os dois pontos de interseção do caminho do Sol com o Equador, e as extremidades, os pontos trópicos ou solsticiais, eram de sua importância. Eudoxo (366 AC) e Aratos (270 AC) situaram o equinócio de primavera em 15º de Áries, posteriormente Eudoxo o corrigiu para 8º, embora, pela precessão, o correto fosse 6º. – CONSTELAÇÕES E SIGNOS, Celisa Beranger.

Se bem que a cultura continental dos astrónomos caldeus fosse a dos longos registos e tabelas, feitas de muito saber matemático e geométrico, usadas na complexa astrologia profética dos sacerdotes caldeus (e depois pelos magos persa) a cultura grega recebeu das suas relações muito antigas com a Anatólia, pela permeabilidade dos arquipélagos do mar egeu, o fundamental do mapa zodiacal caldeu.

A determinação dos Equinócios tinham muito valor nos tempos antigos porque era a parir da sua identificação que se calculava o calendário anual a partir do qual se poderiam prever as estações mais propícias para as actividades agrícolas do começo do neolítico.

No entanto, o uso que os egeus davam ao mapa celeste, além do seu papel na determinação do calendário era o de serem os elementos de referência da navegação nocturna. As constelações das ursas, por serem as de mais fácil identificação, são do conhecimento comum e seriam usadas pelos navegantes minóicos. O facto de o mito de Calisto referir a sua passagem das águas para o céu indicia aqui um efeito de precessão dos equinócios reportando este mito para a época do touro, ou seja, da talassocracia cretense anterior à invasão micénica.

Supõe-se que foi Hiparco, considerado o pai da Astronomia, que na Grécia, no século II a.C, descobriu a precessão dos Equinócios. No entanto no Egito, o Zodíaco era sagrado. Cada constelação correspondia a uma era diferente e sempre que uma nova era começava, reconstruíam-se os templos, jardins, estátuas, para que se enquadrasse com a mesma. Os antigos Egípcios e outras culturas anteriores, reconheceram que por volta de 2150 em 2150 anos o nascer do Sol durante o Equinócio da primavera, ocorria num diferente signo do Zodíaco. Isso tem a ver com a lenta oscilação angular da Terra quando roda sobre seu eixo. É chamado de precessão porque as constelações vão para trás, em vez de permanecerem no seu ciclo anual normal. O tempo que demora cada precessão através dos 12 Signos é de 25.765 anos. Este ciclo completo é chamado também de 'Grande Ano', e algumas civilizações ancestrais sabiam disso.

Este período de aproximadamente 26.000 anos é chamado de “Grande Ano”, “Ano Vernal”, ou ainda “Ano Platônico”. Durante este transcurso, o Ponto Vernal vai atravessando as doze Constelações Zodiacais à razão de aproximadamente 2160 anos para cada uma, em tempo médio, o que é então considerado um “Era Astrológica”.

Referiam-se a cada ciclo de 2150 anos como "Era". De 4300 a.C a 2150 a.C, foi a "Era do Touro". De 2150 a.C a 1 d.C, foi a "Era de Áries", e de 1 d.C a 2150 d.C é a 'Era de Peixes', a Era em que permanecemos nos dias de hoje, e por volta de 2150, entraremos na nova Era, a Era de Aquário.

 

TÉTIS E AQUILES

Tétis é frequentemente confundida com a sua neta, a nereida Tétis, filha de Dóris (uma das oceânides) e mãe de Aquiles.

Tétis do pé prateado é uma ninfa do mar, uma das cinquenta Nereidas filhas do antigo deus marinho nos vestígios históricos da maior parte da mitologia grega. Quando descrita como uma Nereida, Tétis era a filha de Nereus e Doris, e neta de Tétis, a titânide. No entanto, Nereu seria uma mera variante do deus cretenses dos oceanos, até porque faria pouco sentido existir uma neta com o mesmo nome da avó e com funções marítimas semelhantes. É possível que ela fosse uma das primeiras Deidades, adorada na Grécia antiga, e cuja registos não existem, com excepção de um fragmento, um primitivo hino álcman que identifica Tétis como a criadora do universo e a adoração de Tetis como uma deusa é documentado como tendo persistido em algumas regiões. Teve vários filhos, entre eles, Aquiles.

Tétis Argyropeza, “a de pés de prata” como as águas do mar ao luar, aparece como filha do Caos em Hesíodo e na teogonia de Alcmann, neste caso confundida com Témis.

A interpretação do fragmento de Alcman como primeira análise da estrutura do mundo não considera Tétis como a divindade marinha, aquela Nereide que o mito dá por esposa de Peleu e mãe de Aquiles, mas como um nome de agente que seria uma forma lacónica de thésis significando a acção de dispor. Dois escólios autorizariam esta interpretação: «Diz-se que Tétis é a disposição (thésis) e a natureza (physis) de todas as coisas (tou pantos (escól. T à llíada, 399); “Tétis é o mar porque ela é a causa da boa disposição (aitia euthesias) de tudo (escó1. a Lícofron, Alexandra, 22, II, p. 23, Scheer). O nome de Tétis, aproximado ainda do verbo tithémi, “dispor”, “colocar”, seria uma forma de designar a que dispõe, estabelece, ordena, portanto, “a criação do mundo expressa em termos de ordenação e ocupação de lugares no espaço”. -- AS COSMOGONIAS GREGAS, Reynal Sorel

De facto, este último período do texto é uma óbvia referência ao papel de Témis na mitologia clássica. O verbo tithémi se não tem nada a ver com Témis, a deusa da justiça que “punha e dispunha” nas assembleias olímpicas então a mitologia seria uma farsa e a etimologia um logro de casualidades!

Tétis é o contrário de uma matéria (hylê) indistinta, confusa, da forma não trabalhada. Para atenuar o estado de inconclusão que a precede na ordem dos dados, e em conformidade com a sua natureza de «artesão» (technitês), o agente «Tétis» recebe ajuda de dois princípios que serão a arkê e o telos de tudo: Poro & Tekmor. Estes dois nomes servirão, respectivamente, para significar os princípios de «separação» e de «delimitação». Poro (lit. «passagem») seria uma maneira de designar «o que separa as coisas e lhes permite existir à distância umas das outras. -- AS COSMOGONIAS GREGAS, Reynal Sorel

Poro era seguramente uma corruptela de Aphor-, um étimo de Afrodite possivelmente no mesmo sentido em que caos significava a fenda vaginal da Mãe primordial. Tekmor < *Kakimur seria, quem sabe, uma forma arcaica de Hermes o filho primogénito da deusa mãe primordial, ou variantes de deuses dos bons e maus humores, ou seja de «amores e temores»! Arkê e Telos foram seguramente epítetos da deusa mãe, pois particularmente a forma próxima da Telus latina, foi um dos seus nomes.

Obviamente que Alcman esteve a fazer especular metafísica em torno de uma arcaica cosmologia mítica em que Tétis figurava como a Deusa Mãe primordial das «tetas» da «via láctea» tão fartas como as da taurina Noite celestial deusa mãe Fortuna Primigénita, a gorda Úberitas suporte de todas as Fecunditas da Vénus Félix de abundantes e fartas formas.

Tétis é a deusa das águas sombrias das profundezas marinhas. Pausânias conta que ela era particularmente adorada em Esparta, onde tinha um templo com uma parte secreta, xoanon, e a sua sacerdotisa (Il, 14, 4). Filha de Nereu, o Velho do mar, reside na obscuridade dos abismos marinhos, en bénthessin halos (Il. I, 358; XVIII. 36. 38, 49; cf. Eurípides, Andrómaca, 1224). É sob o aspecto de um nevoeiro sombrio, komiklê, que ela aparece na terra para consolar o seu filho Aquiles (Il. I, 359); é coberta por um véu azul-escuro, kalluma kuaneon, que ela surge aos Olímpicos (II. XXIV, 93-94). Os Órficos chamavam as Nereides kua-naugeis, e o epíteto kurnéa (sombrio, escuro) era ainda atribuída a Tétis numa reza que os Tessálicos lhe dirigiam (segundo Filóstrato, Heróica, XIX. l4 sg.).

Tétis é, portanto, uma força das profundezas. Tira da sua natureza fluida aquele poder de metamorfose próprio de todas as divindades marinhas que «já continham de alguma forma no seu próprio interior, dissimulando-as e revelando-as de seguida uma por uma à luz, todas as formas susceptíveis de aparecerem no decurso do futuro».

Nas teogonias clássicas antigas Tétis ocupava o lugar do caótico mar primordial tão lodoso e pantanoso como os charcos donde pareciam germinar por geração espontâneas metamorfoses de batráquios peixes e girinos e toda a espécie de pequenos monstros, vermes cobras de água, insectos e toda a espécie de animais aquáticos. Tétis era assim a deusa mãe primordial produtora de todos os seres e de todos os monstros dragões e quimeras como Tiamat.

Assim definida como natureza polimorfa habitante dos abismos, Tétis opõe-se ao «material» que parece precede-la. Esta tinha «uma natureza semelhante à do bronze» e, desde Homero, é precisamente o céu que é de bronze (Od. VI. 43; cf. Píndaro Neaieias Vl. S-7). -- AS COSMOGONIAS GREGAS, Reynal Sorel.

Não fora Atena andar sempre protegida com o egis e as versões guerreiras de Tétis quase se confundiriam com aquela deusa. As relações de Tétis com Hefesto no mito das armas de Aquiles bem como a cara duma gorgónia no escudo de Aquiles, cantado por Homero, quase que permitem a suspeita de que o poeta inventou parte da lenda de Aquiles a partir do mito de Perseu!

The Armour of Achilles had long been a favourite theme with Attic vase-painters, but it is not until the late archaic period that we are taken into the workshop of Hephaistos. Four of the five vases with the subject belong to the decade 490-480 (…); the fifth, a white alabastron in Brussels, (Brussels A 2314), is later, about 460 (…)In the Brussels alabastron, Hephaistos sits holding a helmet. The goddess standing in front of him, holding spear and shield, is not Thetis, but, as the aegis shows, Athena. It is probable, though not certain, that the painter means Hephaistos to be working at the armour of Achilles. That the armourer is Hephaistos and not a mortal is shown by his long hair. In two of the vases mentioned above, Athena is present as well as Thetis.

Uma coisa é certa: a incerteza é mestra nas questões míticas. Se tanto Atena como Tétis estão presentes em cenas míticas idênticas tal facto só pode ter acontecido porque de se tratavam de entidades permutáveis, ou seja, de variantes ou avatares da mesma entidade mítica que foi a Deusa Mãe. Claro que Tétis foi esposa de Zeus mas, tanto este deus como o seu antepassado sumério Enki passaram a vida a cometer incesto com as filhas.

O mais divertido nesta história é a «gárgula» (< Karkura < *Kartu-la? Lit. «Gorgonia, a mulher da Istar cretense) no centro do escudo da Figura 4.

Ilíada: Resumo do canto XVIII – Antíloco dá a Aquiles a notícia da morte de Pátroclo. — Dor profunda de Aquiles.— Tétis com as Nereidas vem consolar seu filho. — Vendo-o animado do desejo devingança, ela promete-lhe para o dia seguinte uma nova armadura fabricada por Vulcano. —Despede as Nereidas e dirige-se para o Olimpo. — Durante este tempo o combate se reanimaem redor dos restos de Pátroclo.

Na verdade, a descrição idílica que Homero faz do escudo de Aquiles não é senão o pretexto para um interlúdio de sapiência astronomia e de geografia política da cultura grega para suavizar a tensão dramática da súbita morte do amante do herói da epopeia. Na verdade os escudos guerreiros seriam decorados com motivos simples, geométrico e heráldicos senão mesmo de símbolos aterradores como cobras e gorgónias como aliás a tradição e o senso comum da época pareciam ver no escudo de Aquiles visto ser a cabeça da Medusa a representação mais frequente.

Pois bem, todas estas similitudes e tíbias possibilidades de confusão se justificam na medida em que, Tétis e Atena, teriam sido na origem a mesma Deusa Mãe primordial, tão violenta e aguerrida devoradora de homens, particularmente na sua qualidade de devoradora dos mortos, como solícita parideira do sol quotidiano. As relações de Atena com as gorgónias, o mito de Eritónio, o misterioso filho desta Virgem Mãe, a suspeita de que esta deusa foi casada com Poseidon bastam para inferir que Atena foi uma Virgem Mãe primordial.

“In the Boston vase the helmet hangs beside the greaves on the wall, and Hephaistos is polishing the shield with a soft rubber.

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His himation is tied round his waist, and he wears a workman's cap of wool or fur.” He has a short, unfashionable beard and looks just like a workman. Thetis, wearing chiton, himation, spotted saccos, bracelet, stands facing him, eager if not impatient, giving an order or urging haste.

(...) In the Brussels alabastron, Hephaistos sits holding a helmet. The goddess standing in front of him, holding spear and shield, is not Thetis, but, as the ægis shows, Athena. – (.[1] )

Figura 5: Hefesto &Tétis.

It is probable, though not certain, that the painter means Hephaistos to be working at the armour of Achilles. That the armourer is Hephaistos and not a mortal is shown by his long hair. In two of the vases mentioned above, Athena is present as well as Thetis.” ([2])

Porém esta relação fica foneticamente explícita por intermédio do nome de Tanit, a deusa cartaginesa que era literalmente o feminino de Tan, a cobra marítima de *Nephi-tan ó Neptuno, o deus de Tunis.

 

Ver: ATENA (***) Ver: TÉMIS (***),

        MEDUSA (****) & HERA (***)

 

Tanit < Tan-et(u) < Tan-at < Ti-An-At = Ti(an)at > Teat > Tétis.

                                               Ti-am-At ó Tiamat ó Tétis.

Métis relaciona-se com Tétis (|< Kiathish < Ish-Ki-at > *At-Ki-At .

=> Ishat, «a Puta divina» como era considerada Allatu a deusa mãe das populações matutinas como Eos e dos infernos, seguramente a mesma deusa primordial dos abismos caóticos que só pode ter sido a deusa Mãe Terra, também chamada Tiamat. De Tiamat a Tétis não é fácil a derivação etimológica mas quase todos os autores concordam que deve tratar-se da mesma entidade. Ora entre *At-Ki-At e *Kimeash pode haver apenas a substituição de *Ish-Ki, lit. “deusa do fogo telúrico”, por *Kima, lit. “deusa mãe da terra”, o que constitui uma substituição legítima, por ser quase sinónima!

De facto,

Tethis <= The-this, “deusa dos deuses” < Ki-Ki-ish, lit. “a filha de Ki, (a Terra)” > (An-fro)-Tite > Anfitrite ó Afrodite.

Tiamat < *Kima-at = Ki + Maat = Ki-Ma-kaki = Ki-ma-ish > Themis.

                                                       = Ma-ki-ish > Métis + *Kar => Artemisa.

Tiamat + Her(a) ó Thiamater > Deméter.

An-at º Atena º Diana, pelo menos!

Métis e Témis podem ser etimologicamente a mesma divina pessoa, tanto mais que se referem a nomes que são verdadeiros anagramas mútuos.

 

PELEU & TETIS

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Figura 6: Tétis tentando libertar-se do importuno mortal que se supõe Peleu ter sido ou antes uma versão mal compreendida do amplexo primordial cantado em Enuma-Elish, em que as águas de Tiamat se misturam com as dos abismos do Ponto.

A relação mais famosa de Tétis não é com a Teogonia mas com a lenda da “Guerra de Tróia”, razão pela qual esta deusa passou de Titânide primordial e cretense e neta casada com o rei micénico Peleu, que viria a ser pai de Aquiles.

"Canto, deusa, a destruidora ira de Aquiles, filho de Peleu,

que trouxe incontáveis dores aos Aqueus,

e mandou muitas almas valorosas de heróis a Hades,

enquanto os seus corpos ficavam para alimento de cães e pássaros,

e a vontade de Zeus foi feita... "

 

Ver: AQUILES (***)

 

Um dos primeiros elos da cadeia de eventos que formaram o prelúdio da guerra de Tróia foi forjado por Prometeu, o grande benfeitor da humanidade. Prometeu, um primo de Zeus, tinha dado o fogo aos homens, um elemento cujos benefícios tinham tão-somente sido desfrutados pelos deuses. Tinha também ensinado os homens para oferecer aos deuses apenas a gordura e os ossos em sacrifícios de animais, mantendo as melhores partes para eles próprios.

Como se infere facilmente a lenda da guerra de Tróia teria sido no imaginário grego um evento tão fantástico que teria que acabar por ficar envolvido na própria géneses mítica da história da humanidade, na mesma lógica de demonstração por derivação hereditária que levaria S. Paulo a fazer de Cristo um «novo Adão»!

Para punir Prometeu, Zeus o acorrentou num alto penhasco nas montanhas e diariamente enviava uma águia para comer seu fígado, o qual voltava a crescer à noite. De acordo com algumas fontes, Prometeu acabou libertado por Hércules, mas outras dizem que foi libertado por Zeus, quando aquele concordou finalmente em contar-lhe um importante segredo. Este segredo relacionava-se com Tétis, que era uma ninfa tão bela que contava com vários deuses como admiradores, incluindo Poseidon e o próprio Zeus; entretanto uma profecia conhecida apenas por Prometeu predisse que o filho de Tétis estava destinado...

...a ser mais importante do que o próprio pai. Ao saber disso, Zeus rapidamente abandonou a ideia de ser pai dum filho de Tétis, decidindo, ao invés, que esta se deveria casar com o mortal Peleu; o filho nascido deste casamento seria Aquiles, o maior herói da «guerra de Tróia».

Peleus, who had been banished from the island of Aegina by his father Aeacus on account of the death of his half-brother Phocus, was appointed to be the husband of enchanting Thetis, a greater honour for him than for the goddess, who saw herself, by the decree of heaven, bound to a mortal. Of this inferior wedlock she always complained.

Peleu, filho de Aiakos, teria sido uma variante de Adónis ou de Átis. Esta figuração de Tétis, mesmo adocicada pelo maneirismo delicado do estilo grego da pintura em vasos da época clássica, é mesmo assim suficientemente agressiva para poder ser comparada com Deusa de Tetitla, ambas seguramente derivadas de arcaicas representações da Deusa Mãe do tempo da deusa das cobras cretenses, de que medusa foi seguramente uma variante abastardada e caricatural.

Claro que este lendário Peleu não poderia ser um simples mortal da época da guerra de Tróia que podemos situar mais ou menos já em plena época histórica no começo da idade do ferro. Quanto muito teria tido o nome desse deus primordial que foi o marido de Tétis sendo portanto uma variante do nome de Neptuno.

De facto,

Nereu + Phereu (< Peleu) = (Ne-phe)reu, ou seja, o deus *Nefer.

*Nefer + Tuno = Nefertuno > Nep(er)tuno > Neptuno.

*Nefer + Tet(is) = Nefertite ó Anfitrite.

 

Ver: NEFER (***)

O resto ou é pura mitologia ornamental e retórica ou um reflexo lendário de gravíssimas querelas de panteões e guerras de religião resultantes das alterações do panteão hitita do reinado de Tudália IV com reflexos no frágil equilíbrio etiológico da politica micénica decadente.

Durante as bodas de Peleu e Tétis, Éris (a Discórdia), enraivecida por não ter sido convidada, vingou-se provocando uma disputa acerca de uma maçã na qual se encontrava a seguinte frase: «A mais bela»!!!.

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Figura 7: Tétis inicialmente resistiu aos avanços de Peleu, assumindo a forma de fogo, serpentes, leões e outras quimeras. A capacidade metamórfica desta deusa não deixa dúvidas quanto ao seu carácter de Deusa mãe primordial aspecto que seria suficiente para qualquer grego mais avisado considerar impossível o casamento desta deusa com um simples mortal da idade do ferro. As cobras e o leão eram armas exclusivas da Deusa Mãe primordial. A deusa mãe cretense com aspecto de medusa parece transportar um leão à cabeça.

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Figura 8: Deusa Mãe das cobras cretenses. A suavidade de formas da representação desta deusa cretense indiciava já a evolução humanizada e submissa que iria ter na época clássica enquanto Tétis. Os peitos descobertos eram os de uma Deusa Mãe de «fartas tetas», como seria Tétis, contextualmente!

Porém, Peleu segurava-a fortemente apesar de todas as suas transformações, acabando por subjuga-la facto mítico que só faz sentido enquanto acrescento tardio patriarcal e paternalista, ou seja enquanto metáfora da sujeição da mulher às novas regras do patriarcado iniciada com a vitória de Marduque sobre os exércitos monstruosos da Deusa Mãe, metáfora telúrica da erupção de Satonoini no sec. XVII ªC.

Por outro lado, não deixa de ser sugestivo e freudiano que os laços de paixão sejam subliminarmente descritos como grilhetas de cobras que apertavam os pulsos dos amantes.

As três deusas presentes, Hera, Atena e Afrodite, naturalmente, pretendiam ter direita à maçã. Zeus, então, determinou que as deusas fossem levadas por Hermes ao monte Gárgaro para serem submetidas ao julgamento do pastor Páris. Hera prometia-lhe poder e riqueza, Atena sabedoria e fama e Afrodite o amor da mais bela mulher do mundo. Páris declarou Afrodite merecedora do prémio.

Estas três deidades do julgamento de Paris, fariam parte duma trindade de tridivas primordiais de que as gorgónias e Medusa foram, como se referiu varias vezes, uma variante caricatural. Não será assim por mero acaso ornamental que o monto deste julgamento teve o nome de Gárgaro, “o monte das gárgulas”, ou seja das *karkuras da aurora ou seja a deusas mãe Artemisa / *Herkala das cobras em que andou o nascimento de Hércules enredado[3]!

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Figura 9: Uma das muitas representações míticas num vaso grego arcaico do famoso concurso de beleza que precedeu a guerra de Tróia.[4]

 

Ver: TETITLA (***) & TUTELA (***)



[1]Caskey-Beazley Catalog of Attic Vase Paintings in the Museum of Fine Arts Boston.

[2] Crane, Gregory R. (ed.) The Perseus Project, http://www.perseus.tufts.edu, November, 1998.

[3] O monte do Gólgota da paixão de Cristo, este sim será uma referência literária ornamental extraída deste mito.

[4] Restauro e planificação cibernética do autor.

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