segunda-feira, 9 de junho de 2014

SÃOS & SANTOS ou DEUSES SACARÍDEOS e SATURNINOS, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Reia apresenta um dos seus filhos a Crono para que este os devore. A postura plácida de Crono sugere que os clássicos atribuiriam a este mito um valor metafórico.[1]


SÃO & SANTO


Ver: AKERU & OS DEUSES DA AURORA NA TRADIÇÃO EGÍPCIA (***)

*San- é étimo latino tanto da santidade quanto da sanidade o que pressupõe que, se no princípio o caos não era necessariamente o vazio nem a desordem, era, pelo menos, ainda o lugar incerto da indeterminação metafísica, anterior ao bem e ao mal, tal como era a indefinição andrógina do mito de Atum o deus egípcio das águas primordiais, que na típica inversão de género da mitologia Egípcia substitui Tiamat.
Este étimo *San- deve ter tido origem linguística precisamente a partir da aglutinação dos conceitos primitivos da criação relativos ao instante anterior ao “fiat lux” do Génesis, de que o Big-Bang moderno é reminiscência e herança, durante o qual os céus e a terra formaram o Chaos.
First of all, the Greeks bring forwardas a god Kronos, that is to say Chiun (Saturn). -- 13. 3 Cf. Amos v. 26, "Chiun, your star god," and Acts vii. 43.-- THE APOLOGY OF ARISTIDES
Chiun < Ziun < Kinu < Ki-Anu = Kian > Sião > Kion > Dan- > Fan- > .
> «cono», o lugar do feminino e da vida!
> Kan > Shan > San, «São e Santo»!
Terra do céu > campo santo > lugar de morte e ressureição
=> sítio sadio e coisa salutar.
São é afinal sitio sadio e coisa salutar o que hoje pode ser tão falso como o ser higiénica a água benta e salutar o sal! Mas era o que as coisas pareciam ser nos tempos míticos e obviamente que na mitologia, tal como na política, o que parecia ser santo começava por ser ritualmente perfeito e acabava sendo materialmente tal e qual se acreditava ser!
A semântica das palavras perde em veracidade o que ganha em simbolismo à medida que a mítica se afasta do sobrenatural para se aproximar da realidade comum!
Sumer. a = Arm = Drink = Fee = Glistening = Liquid = Might = Seed = Semen = Strength = Wage = Water = Wet = Wing
A = água => bebida => líquido => brilhando, etc.
                                 => Molhado => sémen => semente, etc.
                                               Asa <= braço ó força => possa, etc.
                                                                          Força => salário => taxa, etc.
A evolução semântica tem por mecanismo lógico intrínseco a pura associação de percepções, que é a mais simples e elementar forma de actividade pensante.
Ki + a = água de Ki, fluido menstrual > sangue. =>
Ka = espírito vital, no Egipto > coisa abstracta > «que», pronome relativo
> sumer. Kika > Sha = vazio > abertura > boca > porta =>
Ka-Kar, o que transporta o sangue < Sacher > Sacar,
= Lúcifer, o deus que era o cocheiro da aurora
< Sa tar < Sa t(a)ur(a)no < Sa taur ano = “Santo Deus Taurino”.
Coelus = "Sky". The Roman personified god of the heavens identified with Uranus. His wife was Terra.
«Ceú» ? < Coelus < Kaukelus < *Kakelus, filho de Caco > Sacar
         «Ceú» < Shew < (Re)Shef < (Ur) | Kishu º Kakishu < Caco-ish.
*Kakelus º Urkishu º Kakishu.
No entanto, neste esquema a respeito da palavra suméria a podemos concluir que no início da escrita já havia uma consciência empírica sólida de relações significantes baseada num processo reflexivo já muito próximo da verdadeira associação de ideias.

SATURNO

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In ancient myths, Geb (the earth) and his wife Nut (the sky) were snuggled up to each other so closely that there was no space between them for the sun to travel. So Re, the god of the sun, ordered their father Shu (god of the air) to come between them, separating the pair with a violent storm.
Shu held Nut up away from the ground to create air space in which the sun could travel. Darkness came daily, whenever Shu let her down, but every morning she was lifted off of Geb all over again.
As the god of the earth, it is Geb who causes earthquakes whenever he laughs.
O célebre complexo de castração não aparece na mitologia de pai para filho mas de modo inverso uma vez que no mitema de Crono / Saturno foi este que, sendo filho de Gaia, atendeu ao pedido da Deusa Mãe sofrida pelas sucessivas dores de parto e castrou a próprio pai com a faca que esta deusa da faca sagrada usaria enquanto Taveret para cortar o cordão umbilical dos filhos.

Ver: FACA SAGRADA (***)

Saturn, in Roman mythology, ancient god of agriculture. In later legends he was identified with the Greek god Cronus, who, after having been dethroned by his son Zeus (in Roman mythology, Jupiter), fled to Italy, where he ruled during the Golden Age, a time of perfect peace and happiness. Beginning on December 17 of each year, during the festival known as the Saturnalia, the Golden Age was restored for seven days. All business stopped and executions and military operations were postponed. It was a period of goodwill, devoted to banquets and the exchange of visits and gifts. A special feature of the festival was the freedom given to slaves, who during this time had first place at the family table and were served by their masters.[2]
Once Cronus had castrated Uranus, he and his wife Rhea took the throne. Under their power a time of harmony and prosperity began, which became known as the "Golden Age"; a time when it was said that people lived without greed or violence, and without toil or the need for laws. But not all was well for Cronus, as it was fated that he would be overthrown by one of his own children. To prevent this from happening he began to swallow his newborn, taking them at birth then swallowing them whole, retaining them inside his own body where they could do him no harm.
De facto, segundo Jöel Smidt, foi com a influência do orfismo que Crono passou de Titan impiedoso a rei justo e bondoso da Idade de Ouro. No entanto tal parece duvidoso porque Saturno seria um deus da antiga tradição latina dos indigetes e, portanto, longe de ter sido influenciado pelo orfismo seria uma reminiscência da tradição mais antiga que remontaria à suméria onde existia Istaran com estas mesmíssimas características de Saturno.
Ishtaran was the Sumerian tutelary god of Der. His wife was Sharrat-Deri, 'Lady of Der.' He was a protective god and noted as a peace maker. He served as the mediator between the cities of Umma and Lagash in their ongoing border disputes.
Assim, embora não seja explícita a presença de Kauran na teologia Suméria, ele pode ter estado encoberto sob a capa do nome de outros deuses como Ishtaran e Iskur. Na verdade, o deus que mais se assemelha aos futuros deuses supremo das mitologias antigas era deus da tempestade e dos trovões que será Adad na babilónia mas era Escuro na Suméria.
Ora, se ish for como parece ser, sufixo genitivo então teremos:
Ish-Kur = Deus da montanha, como Jeová e todos os deuses dos lugares altos, como era típico dos deuses supremos antigos e…
Istar < Ish-ta(u)r < ish ka(u)r, feminino deste deus Escuro.
De facto a confusa mas simplista mitologia caldeia aponta para a possibilidade de Istar / Eresh-Ki-Gal terem sido irmãs gémea e o verso e reverso da mesma deidade que até então teria Sido a grande Deusa Mãe Ki, a Senhora do Monte ou Uraz.

Ver: MINOTAURO (***)

Por outro lado, parece confirmar-se que os sacrifícios humanos resultariam dum complexo de culpa teológico pelo crime de parricídio do animal totémico, vivido como metáfora da morte do chefe da caverna, durante as lutas pelo lugar do macho dominante no matriarcado paleolítico! Seria este complexo de culpa, pela morte totémica do pai, aquele que Freud iria diagnosticar no povo judeu no seu magnífico ensaio sobre o monoteísmo! O monoteísmo seria então a manifestação duma regressão teológica à época dos titãs da época da caça e recolecção!
"Out of reverence for Kronos (Baal), the Phoenicians, and especially the Carthaginians, whenever they seek to obtain some great favor, vow one of their children, burning it as a sacrifice to the deity, if they are especially eager to gain success...When the flames fall on the body, the limbs contract and the open mouth seems almost to be laughing, until the contracted body slips quietly into the brazier." [3]
"There was in their city a bronze image of Cronus, extending its hands, palms up and sloping toward the ground, so that each of the children when placed thereupon rolled down and fell into a sort of gaping pit filled with fire." [Cronus = Saturn: Roman Pagan god][4]
A ideia de que o mitema da “morte e ressureição solar” seria uma invenção do neolítico pode ser suspeita na medida em que o regime de macho dominante viria de muito longe, da tradição mais profundo que remonta à raiz biológica dos primatas!
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Figura 2: Moloc, o Minotauro.

De qualquer modo, as saturnálias parecem-se de forma estranha com as manifestações carnavalescas e orgiásticas das bacanais ao ponto de serem quase que uma manifestação arcaica, pré-báquica, dos cultos dionisíacos. Por outro lado, embora a tradição romana não confirme antigas relações com sacrifícios humanos o mitema da teofagia dos próprios filhos de Saturno parece ser um indício mítico bastante para suspeitar que se trata duma forma metafórica encoberta de antigas praticas de sacrifícios de crianças, pelo menos. Na verdade, Saturno era um deus da fartura agrícola e estava conotado com o mitema de teofagia razão pela qual seria afinal uma versão de Moloc e do Minotauro.
A prova de que a divisão silábica de Saturno seria Sa-ta-ur-an pode ser reforçada por uma possível origem do termo Satan resultar de Satanaz e ser homónimo de Wothanaz, a variante de Odin satanizada pelo cristianismo medieval.
Wothanaz < Kauran az > Sa(u)tan az.
Outra possibilidade seria: se *At = Ash então o célebre étimo de Saturno e da satisfação satânica fica explicado como derivado da liturgia dos deuses do fogo de tal modo que *Sat = kiash = “poder do fogo da mãe terra”. Então, e na mesma linha de coerência linguística *Sac- do Deus Sacar e de tudo o que é sagrado e sacramental tem o mesmo significado de Sat pelo que Sacar = Sata(u)r > Satur + An = Saturno.
Porém a maior virtude desta equação reside no facto de dar à luz o étimo Sat gerador de deuses (Saturno, Satyron) e demónios (Satã, Satanás) como Saturno! E, como se esta virtude não bastasse para reabilitar este deus romano da «Sat-isfação» da época dourada do paraíso atlântico perdido, restaria ainda, para sua eterna glória, o elo etimológico que estabelece entre Urano, pai do Crono de Hisíodo, que é o equivalente do Saturno de Ovídeo, pela formula:
Deus de Ur e deus guerreiro (dos exércitos) => Urano
Santo deus das almas dos guerreiros = Sa –Ka-Urano > Saturno.[5]
Deus das almas dos guerreiros = Ka Urano = Kaurano > Chrono!
Sumer. An-Shar = Saturno
An-Shar > Shar-an < Ashuran > Kauran > Crono
                                                 > Saturan > Saturno.
Segundo Reynal Sorel[6]o nome Crono (Kronos) não tem, segundo Chantraine, etimologia clara. Sócrates ligava-o à ideia de «inteligência sem mistura» articulando-o com Koros, «clareza», e com nous, «inteligência» (Crátilo, 396 b).
clip_image008 Figura 3: Crono.
Platão lembrava ainda a interpretação «heraclitiana» que fazia derivar do nome krounos, «fonte» (ibid., 402 b). Supõe-se hoje que a origem menos inverosímil seria a raiz ker, «cortar»,[7] de onde alguns dizem vir kairos, «momento oportuno». Lembremos, contudo, que o nome do Titã Crono, decerto sinónimo a uma aspiração próxima da palavra chronos, nada tem a ver com a ideia de tempo. Crono que decepa[8] tem o epíteto ankulomêtês, «de mente tortuosa» ou ainda de «mente retorcida», qualificação atestada desde Homéro (i1. IV, 59), vem precisamente impor-lhe à faceta espiritual a forma curva da sua foice.”
Na verdade, «angulosa» seria a tradução etimologicamente mais literal como ângulo / An + kulos / seria literalmente o divino «cuzinho»! No entanto, o «cu» da divindade teria pouco a ver com o epíteto “de mente tortuosa” a nãos ser na medida em que a sexualidade terá sido uma das primeiras formas de intuir as realidades complexas, quanto mais não fora por ter feito, tal como continua a fazer de forma espontânea, parte dos primeiros conteúdos temáticos da iniciação dos jovens dos tempos antigos! Na verdade, o epíteto resultaria de conotação com o termo acádico kascäru que tinha o duplo significado de criar e torcer (ou seja, de transformar, como o oleiro torcendo o barro!) e zakäru, falar, discursar o que, em simultâneo, levaria a imaginar um deus retórico, com uma fala rebuscada e um pensamento sinuoso! De resto, os desígnios da divindade eram, tal como continuam a ser, insondáveis porque o tempo dos deuses não é o dos mortais e daí o valor teológico e simbólico deste epíteto do tempo da oralidade, idêntico ao aforismo do tempo da escrita de que deus escreve direito por linhas tortas! Quando o mesmo autor se estribas nos argumentos do próprio Hisíodo referindo que este autor clássico dota o deus Cronos com o “instrumento castrador” de “dentes agudos” (Karcharodous) para de seguida referir que outro autor clássico, Simónides, evoca o tempo (chrono) de “dentes agudos” utilizando a palavra hoksys, não está a conseguir provar nada em termos da etimologia do deus Cronos. Na verdade, termos diferentes deveriam, em rigor, ter tradução diferente o que não levantará grandes dificuldades quando a língua para que se traduz é ainda semanticamente mais rica que a língua original, como é o caso da maioria das línguas modernas, sobretudo as latinas. No entanto, estes périplos de erudição fazem tangente à verdade do étimo do deus na medida em que andam todos à volta do acádico kar-, na forma que tem por mais próxima o nome do deus cananeu Sacar.
O único conteúdo a reter destas etimologias à forma antiga é apenas a da avisada opinião de Chantraine de que “o nome Crono (Khronos) não tem etimologia clara”, à luz destas mesmas etimologias ao gosto clássico. Porém, a lição mais interessante a retirar é a de que os erros de forma da lógica etimológica já vêm do tempo dos clássicos. Pressupor que os conceitos abstractos precederam os concretos é corolário do platonismo e este corresponde ao estádio do pensamento racionalista em que se pretende dispensar os deuses sem ter que abandonar o idealismo. Ora, para a época pós-moderna é óbvio que os deuses nasceram primeiro que as ideias porque antes dos mitos foram, de facto cultural, eles a primeira forma de realidade virtual (idealismo) na medida em que correspondiam a uma personificação coisificante e redutora de realidades genéricas complexas, misteriosas e insondáveis! Assim, todos os conceitos invocados para explicar o nome do deus Crono são mais efeitos do nome do deus Kaur do que causa deste nome.
Koros < Kor < *Kaur < Kur + Anu >
Kauran-ish > Koran-ush > kroanos > Cronos.
Kauran-ish = Ish-Kauran> Ishtaran > Ashtauran > Saturan > Saturno.
Quanto a ker será o único a ter relação directa com o nome de Crono pois *Ker, com o seu significado de «cortar», deve estar relacionado com as armas cortantes dos exércitos da idade dos metais de que o deus Kauran era o chefe supremo, como adiante se verá. Ker era a nocturna “deusa da morte negra” que terá sido a patrona de Creta com o nome *Kertu e que teve por símbolo o “machado-duplo”, arma que começou como “faca sagrada” de pedra e só posteriormente terá sido transformada na “foice da morte e do tempo” depois de ter sido o machado de guerra ritual do deus dos exércitos, o “filho da mãe” Kauran!

Ver: FACA SAGRADA (***) & HERA (***)

Por Urano, pai de Ka-urano, ficaríamos também a saber que o animal totémico da mítica Ur foi (ou supunha-se que era) o Touro, como aliás terá sido o de todas as civilizações agrícolas desta época neolítica.
Assim, Ur será aqui mais sinónimo do início das civilização sedentárias agro pastoris e não tanto, da cidade Suméria do mesmo nome, embora seja quase impossível não corresponder a um rasto etimológico mnésico dos tempos da primeira grande civilização da história! Será sempre impossível saber se foi o ovo ou a galinha o que nasceu primeiro e daí que não nos seja possível propor se foi a cidade de Ur que gerou o étimo de «ur-(banidade)» ao ser extensivo por antonomásia a todas as cidades em geral ou na forma de um qualificativo de algumas outras (Uruk.v.g.) ou se pelo contrário foi a cidade de Ur e outras cidades que assim foram chamadas por ter sido a Suméria conquistada por indo-europeus vindos dos montes Urais numa fase muito remota da pré-história Suméria. O nome e o conceito de Ur é de pura e exclusiva criação dos indo-europeus que o transmitiram por conquista aos Sumérios ou foi a cidade de Ur que, pelo seu remoto e primevo prestígio cultural, impôs este som como étimo de civilização? Julgo que será impossível responder categoricamente esta questão circular! No entanto inclinar-me-ia para a defesa da tese de que foram os povos indo-europeus que levaram este étimo para a Anatólia e daqui para a Suméria porque já o traziam consigo desde os montes Urais. Sendo a inversa difícil de defender (que tenham sido os sumérios a irem aos Urais nomear aqueles montes ou terem os indo-europeus regressado a casa para nomearem os montes em honra dos sumérios) Ur é étimo indo-europeu e a mesopotâmia foi terra de gente indo-europeia antes de ter sido Suméria.
Na verdade o que a expressão pretende revelar é que a civilização passou a ter o touro como animal totémico e deus tutelar num determinado momento da idade do ferro o que e corresponde a um movimento de renovação religiosa começado por volta do sec XIII a.C., pelo menos no mundo mediterrânico indo-europeu, como adiante se verá.

ANCHAR

Quanto ao nome do filho de Urano a sua origem deve ter sido, entre outras possíveis, a que a seguir se refere:
Samuel Noah Kramer, no apêndice do seu livro a HISTÓRIA COMEÇA NA SUMÉRIA, refere que, numa planta da cidade de Nippur de 1500 a.C., se pode ver e ler:
O Kiri sha uru = literalmente, «parque (kiri) do centro da cidade» e
O Id sha uru = literalmente, «canal do centro da cidade». Então…
   Ka-ur-an
 
Sha uru = centro da cidade e Sha = centro
Sha ur(u) an > = deus do centro da cidade >
kára, kár = to encircle, besiege; to impute, accuse; to shine, illuminate (atributos dum deus dos exercitos) e
Zur = to furnish, provide; to arrange, tend; to offer; offering, sacrifice; to pray; prayer
Kur = mountain; highland; (foreign) land; the netherworld; to reach, attain; to kindle; to rise (sun).
De facto este significado pode ter sido o que apareceu na suméria mas pode ter sido adaptado pelos povos indo-europeus sobretudo pela sua conotação com o animal totémico que seria o touro então ainda Kaw. Assim, Kauran poderia ter sido sinónimo de «divina mascote dos guerreiros», Deus touro dos exércitos ou, deus das almas dos guerreiros (mortos em combate!). Enfim, pode ter sido um pouco de todas estas conotações complementares e concorrentes mas terá sido seguramnete o nome do deus dos exércitos de que derivou o nome genérico de deus dos indo-europeus.
Se Ea-sharru: "Ea the king" a form of Ea's name. Então => Sharru = Rei. Como Ur = Guerreiro, então Sharru < Shaur < Kaur = Chefe dos guerreiros = Rei o que implica => Sha = Xa = Chefe?
Se Angal (< Ishtaran): - Patron god of Der, a city East of the Tigris.
E Se Iscur = “A storm-god, canal-controller, son of Anu.  God of lightning, rain, and fertility.  Identified by the Romans with Jupiter” então:
Ishtaran > Ishtauran => Kauran > An Kar > Anshar > Angal.
Anshar - 'whole sky' He is the father of Anu and the child of Tiamat and Apsu. He is often paired with Kishara, and his qualities were assimilated with Ashur. His consort is his sister, Kishu. Anshar is the male principle, Kishu the female principle. Anshar led the gods in the war against Tiamat
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Figura 4: Variantes de Crono no mundo antigo.
Sendo assim, Kishara era Kishu. Ora, a possível existência desta variante ortográfica do nome de Kishara leva-nos a pensar que a mitologia arcaica não foi uma teoria absolutamente coerente, como nem poderia ter sido porque enquanto edifício especulativo foi construído sobre areias movediças, e portanto, Kishu pode ter sido o que parece, literalmente uma filha de Ki, possivelmente Istar como a deturpação do nome de Kishara poderia sugerir.
Kishara < ki-ish-ura = ish-ki-ura > Iscura > Ishara > Ishtar.
De facto, sendo «Anshar is the male principle, Kishu the female principle» estas entidade míticas só aparecem na mitologia babilónica seguramente para substituírem as entidades que tinham sido estes princípios criadores primordiais, Tiamat e Abzu que tinham caído em desgraça ideológica com a introdução do mito de Marduque.
An-shar = Shar-an < Karan > Kauran.
ð    Sharonte > Caronte.
A analogia de Anshar com Caronte e Crono não e seguramente contingente e permite colocar este deus numa posição de segunda geração sendo então um mero epíteto de Enki enquanto «Sr. do Kur», ou seja corresponde ao epíteto *En-Kur postulado para Enki por Kraemer.
Quase de certeza que uma das formas arcaicas de Kauran/Sacar teria correspondido ao deus Haharanu: A god, functions and meaning of name unknown. De facto,
Haharanu > Kakaranu > Sacaran.
Sacar(an) < Kauran = Ankar ó Anshar.

KAURAN / CARONTE, DEUS DOS MORTOS

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Figura 5: Caronte prepara-se para levar duas almas ao juízes dos mortos.
De acordo com os escritos dos Mandaenos:
RUHA was the daughter of Had and his wife Mad in the world of Darkness. It was Hiwel Ziwa who brought her out of the World of Darkness of which Akrun is the ruler. With him are Gaf and Gafan, who are male and female, Had and Mad of whom I have just spoken, Sargi and Sargani, also male and female, and Ashdum, who had Ruha for consort. The lion, scorpion, and hornet are their symbols. [9]
Akrun < Aker-un < Sa-Kauran
Gaf/an < Ka Phi an
Had/mad < Hathu / Mathu< *Kiat / Mut => Hadad
Sargi/ani < *Sarki (an) > Salki > Salket.
Ashdum < Ash-thum > Atum!
Ruha < Urki > Reia
Estes diversos deuses do reino dos mortos devem fazer parte daquele grupo de divindades que os hititas classificavam como deuses protectores. Had/mad é díficil de identificar no contexto das teogonias antigas anteriores embora sugira ser Hadade da mitologia Síria de que surgiu o Hades grego. Kaphian será o mais antigo dos deuses mediterrânicos correspondente ao deus cobra, guerreiro aureu (Champion > Campeão) da deusa mãe. Kaphian depois, Kauran > Sacar são o mesmo deus em contextos fonéticos e da tradição teológica diferentes. De qualquer modo é da boa tradição mandar para a paz tumular os deuses destronados pelo que é no reino dos mortos que vamos encontrar os antigos deuses dos exércitos o que não deixa de ser irónico uma vez que estes deuses eram os que mais contribuíam para crescimento dos infernos em almas. Como Inferno é literalmente sinónimo de deuses inferiores pode ser também eventualmente sinónimo de deuses milicianos se in-fer < in-kur, ou de deuses do Cemitério se infer- < inker < *Enkur. De qualquer modo o termo «inferno» encerra a triste evidência de que os deuses da guerra são deuses inferiores quando levam à derrota ou à paz dos túmulos o que aconteceria com muita frequência nos tempos antigos... e ainda nos actuais, infelizmente! Uma das principais razões que levava à queda em desgraça de antigos deuses dos exércitos seria a estrondosa derrota de todo um império ou de uma civilização mais ou menos universalista como era o caso da civilização neolítica.
O natural destino dos derrotados é o cemitério! Que lugar seria melhor para os deuses antigos descansarem em paz?
Evidentemente que esta metamorfose terá acontecido sobretudo aos deuses dos impérios mais flagrantemente derrotados e não tanto aos deuses de toda uma civilização que neste caso ou acabava por passear ao inferno mantendo um lugar de deus ocioso no céu ou acabava com um sósia no inferno. Claro que o destino de deus dos infernos só era fatal para os soberanos e as classes dirigentes derrotadas e escravizadas. Para o comum dos mortais o inferno era o lugar das almas dos parentes e amigos mortos. Assim se compreende a ambivalência do inferno que era o lugar dos pequenos deuses protectores (diebulos > diabos) familiares e do bezerro de Baal (Baalzebu < belzebu) para os deserdados de todos os impérios e o lugar do impropério, do sofrimento indigno e da maldição para a casta sacerdotal judia que se recusava a ver o seu deus dos exércitos derrotado por Júpiter e enterrado nos infernos, pois seria admitir a sua própria derrota e a sua ignominia política e a sua morte funcional!
Se *ória < uria
Vitória > Glória > Guerreiro Deus = Ur An
> Urano consagração divina no paraíso celeste
=> deuses uranianos = deuses celestiais
Derrota > humilhação > luto > Deus das almas dos guerreiros > Ka-ur-an
> Kauran > => Crono e os deuses telúricos> descida aos infernos
> enterramento dos corpos dos guerreiros mortos > decomposição
/ embalsamamento > morte / ressurreição > Amor gerador de saudade
> Consagração do corpo transfigurado > Kar isté > Caridade > cristianismo.


[1] Restauro cibernético do autor.
[2]"Saturn (mythology)," Microsoft® Encarta® 97 Encyclopedia. © 1993-1996 Microsoft Corporation. All rights reserved.
[3] Dr. John Currid, Archaeologist, Associate Professor of Old Testament. Reformed Theological Seminary. 5422 Clinton Ave., Jackson, Ms. 39056
[4] New Light On Ancient Carthage John Griffiths Pedley, Editor. The Rite of Child Sacrifice at Carthage (Chapter 1) by Lawrence Stager-Archaeologist. University of Michigan Press.
[5] De saturano > satiran > satyron
[6] AS COSMOGONIAS GREGAS de Reynal Sorel
[7] Segundo Pierre Lévêque no II volume DAS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES, Kurur, «guerra» em hitita pertence à família do verbo que significa «cortar». Ora, já em sumério ur era sinónimo de guerreiro e Kur de pais estrangeiro, de caos e desordem e de cemitério. Ou seja o étimo seria sumério importado por via hitita do termo kur que viria como Kaur de ki + ur.
[8] O membro viril de Urano!
[9] from E.S.Drower: The Mandaeans of Iraq and Iran, Clarendon Press, Oxford,1937

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