sexta-feira, 30 de agosto de 2013

AMAZONAS, SACERDOTISAS DA DEUSA MÃE, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Pentasileia morre às mãos de Aquiles!

Then, as the story goes, Vesosis waged a war disastrous to himself against the Scythians, whom ancient tradition asserts to have been the husbands of the Amazons. (…)

VIII (56) Fearing their race would fail, they sought marriage with neighboring tribes. They appointed a day for meeting once in every year, so that when they should return to the same place on that day in the following year each mother might give over to the father whatever male child she had borne, but should herself keep and train for warfare whatever children of the female sex were born. Or else, as some maintain, they exposed the males, destroying the life of the ill-fated child with a hate like that of a stepmother. Among them childbearing was detested, though everywhere else it is desired. (57) The terror of their cruelty was increased by common rumor; for what hope, pray, would there be for a captive, when it was considered wrong to spare even a son? Hercules, they say, fought against them and overcame Menalippe, yet more by guile than by valor. Theseus moreover, took Hippolyte captive, and of her he begat Hippolytus. And in later times the Amazons had a queen named Penthesilea, famed in the tales of the Trojan War. These women are said to have kept their power even to the time of Alexander the Great. -- [1]

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Mesmo os autores clássicos divagavam e trocavam os nomes à salgalhada de episódios anedóticos em torno de ciclos épicos em que os heróis alternavam em antiguidade e bravura, só faltando Perseu neste conjunto!

“Une dernière étymologie, proposée par Hérodien, serait celle d'Amazo, fils d'Ephesos, fondateur d'Ephèse (autre lien avec Artémis), lui-même produit des amours d'Achille et de Penthésilée, dans une variante peu connue du mythe. Cette version s'appuie sur l'emploi attesté du mot amazovides.”

Se, como diz o mito, Pentasilea foi morta por Aquiles não se percebe como, em plena guerra de Troia, teve um filho desta. Também não se poderia entender que o poder desta rainha tivesse chegado à época de Alexandre, a amenos que se trate duma metáfora relativa ao poder dos Citas e Partos.

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Mas, como pôde passar despercebido aos autores modernos que um neto possa dar nome ao reino de sua avó se Pentasilea já era rainha das amazonas antes de ter nascido Amázio, a quem Éfeso teria, muito mais logicamente, dado o nome em honra do reino de sua mãe?

Porém, levar os mitos a sério leva a estas intrigas. Seria coisa estranha encontrar uma rainha cita no grupo dos aliados de Troia?

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Figura 2: Amazonomaquia.

Déjà, Hérodote avait abordé le problème de l'étymologie du nom des Amazones. Mais, hélas, il s'est contenté de donner l'étymologie du mot, qui est le vocable scythe traduisant le µ grec et rien ne dit que la construction étymologique soit la même.

Les scythes appellent les Amazones Oiorpata ; ce mot signifie en langue grecque "tueuses d'hommes"; car les scythes appellent l'homme oior, et pata veut dire "tuer".

Cette simple affirmation est par ailleurs contestée par Emile Benvéniste. Cette querelle est donc une bonne introduction à une étude étymologique du mot Amazones car lui aussi soulève plusieurs interprétations. Michel Tichit en relève plus d'une douzaine. En fait, il est à craindre que chaque scientifique ou littéraire qui s'est penché sur la question a trouvé l'étymologie qui correspondait le mieux à sa propre vision du mythe. C'est d'ailleurs pourquoi il faut traiter cette question avant toute catégorisation.

 

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Le seul initial autorise plusieurs lectures. S'agit-il d'un a privatif, comme le croit, entre autres, Hippocrate ou d'un a augmentatif, voire d'un a unitaire dissimilé plus tard.

Le reste du terme peut-être également interprété différemment. Provient-il de mazun, le sein ou de maza, le pain ? Enfin, le préfixe est-il le bon? Car on peut aussi diviser le mot en ama, avec, associé à zun, la ceinture ou à zos , vivant.

De plus, il faut ajouter les étymologies non grecques. Le mot Amazones pourrait venir du slave, où le mot omocena signifie femme forte, comme de l'arménien, où il se traduirait par "femmes de la lune", c'est à dire adoratrices ou prêtresses d'Artémis dont la lune est le premier symbole.

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Une dernière étymologie, proposée par Hérodien, serait celle d'Amazo, fils d'Ephesos, fondateur d'Ephèse (autre lien avec Artémis), lui-même produit des amours d'Achille et de Penthésilée, dans une variante peu connue du mythe. Cette version s'appuie sur l'emploi attesté du mot amazovides.

Ainsi, par le jeu des possibles étymologiques, se dessine une première typologie des Amazones :

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- Les femmes au sein coupé (pour mieux tirer à l'arc),

- Les femmes au sein voilé (un seul sein montré),

- Les femmes à la belle poitrine (parce que dénudée ou volumineuse),

- Les femmes sauvages (mangeuses de chair),

- Les guerrières (à la ceinture d'Arès),

- Les vierges (à la ceinture d'Artémis),

- Les tueuses (qui vivent sans hommes),

- les lesbiennes (qui s'aiment entre elles),

- les femmes fortes (du slave),

- les prêtresses d'Artémis (les femmes de la lune en arménien)

- les filles d'Ephèsos (fondateur d'Ephèse).

Mais tout ceci doit être nuancé par les récits dont elles sont les héroïnes et par les attributs qu'on leur prête.

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L'armement des Amazones est particulier. Leur arme la plus fréquente est la hache bipenne, la sagaris ou labrys, également symbole de la fécondité mais remontant sans doute beaucoup plus loin.

Enfin,

Robert Graves attribue aux Amazones l'usage d'un signe de la main d'origine phrygienne (trois doigts levés, le pouce, l'index et le médius, et deux repliés, l'annulaire et l'auriculaire) qui était celui de la bénédiction au nom de Myrina. Ce signe a été repris par la suite par l'église catholique pour symboliser la trinité.

Claro que se depreende que o mito das amazonas só por mera distracção diferiria dos restantes mitos antigos. Se algum fundo de veracidade chegou a ter com algum costume bárbaro antigo, quiçá relacionado com o culto da deusa do fogo Cita, o essencial do mito não pode senão corresponder a uma lenda baseada nas tradições matriarcais de antiquíssimos cultos do fogo. Por um lado porque a etimologia o sugere, por outro porque “leur arme la plus fréquente est la hache bipenne, la sagaris ou labrys” que em Creta correspondia ao culto da deusa mãe.

Amazona < Ama-Chu-ana < Ama-Kiki-ana = Kima-Kina >

Thimekina > Damkina.

 

SR.ª DO PARTO

Quanto ao “signe de la main d'origine phrygienne (trois doigts levés, le pouce, l'index et le médius, et deux repliés, l'annulaire et l'auriculaire)” não seria senão, [2], uma referência simbólica (e possível equivalente feminino duma simbologia fálica) ao toque vaginal utilizado pelas deusas parteiras para o diagnóstico precoce do sinal de parto que consensualmente se admite como possível a partir de 3 dedos de dilatação e abertura do canal cervical do colo do útero?

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Figura 3: «tridigito» encontrado num hipogeu de Malta.

A ideia de que os primitivos hipogeus malteses, e não só, eram simultaneamente templos e túmulos faz sentido enquanto metáforas uterinas da Deusa Mãe Terra, a quem eram dedicados os mais importantes cultos da chamada época matriarcal. Se alguma coisa de útil e pragmático, em termos de sobrevivência da espécie humana, teriam tido estes cultos essa teria estado relacionada com os primeiros esforços institucionais de “cuidados materno infantis” que são particularmente patentes nos restos arqueológicos dos templos de malta onde as deusas deitadas seriam mulheres em trabalho de parto e as estranhas “ex-votos” na forma de 3 dedos esculpidos, que se tornaram no símbolo das amazonas, seriam um representação mágica dos 3 dedos de dilatação necessária para um bom desencadeamento do parto!

Que a Igreja católica o tenha transformado em símbolo da trindade e da “chave para o reino dos céus” não é de admirar pois esta religião não teria sobrevivido no poder mais de dois mil anos se não tivesse uma forte inteligência adaptativa e uma grande sensibilidade para se aculturar ao que existe de fundamental na tradição. Ora esta foi, neste particular como em muitos outros, herdada do culto de Cibel cujo último templo se erguia onde hoje é o Vaticano.

Assim, a tragédia da perda do ser amado, subjacente a todos os mitos de morte e ressurreição, terá começado precisamente com as primeiras angústias de parto da fêmea humana. A espécie humana tornou-se no filho querido da Deusa Mãe Terra precisamente porque, quando andava à procura da imortalidade inacessível, comeu o fruto da envenenado da árvore da sabedoria e, por castigo mítico, a mulher ficou a sofrer dores de parto e o homem, senão perdeu o paraíso, pelo menos ficou com saudades dele. Como é realçado por todos os antropólogos modernos, as dores e risco do trabalho de parto do homo sapiens deve-se precisamente ao facto de a aquisição da sabedoria ter exigido o aumento da cabeça humana que começa logo no aumento do diâmetro cefálico do feto humano o que tornou a maternidade num mistério tão invejado quanto temível, tão maravilhoso e desejado quanto fonte de dores e angústias. Na verdade, o parto seria a maior causa de mortalidade familiar e de grande causa da descoberta da morte pela espécie humana a partir da qual se desenvolveu toda a cultura.

Ora, nem por acaso, um dos mais antigo testemunho de cultura humana, por ser o mais antigo indício de ritualidade é, precisamente, a sepultura em Portugal, no Vale do Lapedo, Leiria, em 1998, e que revolucionou as teorias da origem do Homem. “Os arqueólogos descobriram a sepultura de uma criança de quatro anos e meio e que viveu há 25 000 anos. Os ossos desta criança têm simultaneamente características do Homem de Neanderthal e do Homem Sapiens Sapiens.” A época dos homens do Neanderthal ou dos “homens das cavernas” aconteceu na Euro-Ásia ocidental desde há cerca de 120.000 anos até há cerca de 35.000 anos. Estes homens tinham um esqueleto robusto, a face muito desenvolvida, o nariz grande e largo, e grandes dentes mas o tamanho do crânio é semelhante ao do homem moderno. Parece que enterravam os mortos e, pela forma como o faziam, infere-se que já praticavam rituais. Por exemplo: “na sepultura de um velho, em Shanidar, no Iraque, foram descobertas, restos de flores. (...) Mais para Oriente, na sepultura de uma criança encontrou-se uma enorme quantidade de chifres de Íbex”. No geral, existem “algumas evidências de enterros propositados, talvez alguns bens de sepultura, mas isto é raro, bem como ainda, controverso. [3]

The discovery of an early Upper Paleolithic human burial at the Abrigo do Lagar Velho, Portugal, has provided evidence of early modern humans from southern Iberia. The remains, the largely complete skeleton of a clip_image0104-year-old child buried with pierced shell and red ochre, is dated to ca. 24,500 years B.P.

Other things associated with early modern humans include ritual burials, such as that at Abrigo do Lagar Velho (Lapedo, Leiria), Portugal, where a child's body was covered with red ochre before being interred 24,000 years ago. (…) Há algumas evidências de que bebés e crianças foram enterrados em covas rasas, e outras em fissuras naturais como também em campas rasas. Possíveis bens de sepultura sérios incluem fragmentos de osso e ferramentas de pedra, mas estes são novamente um pouco controversos. -- Alguns Fatos Importantes sobre Neanderthals”. [4]

 

CONCLUSÃO

De todas as etimologias propostas a que mais se relacionará com a etimologia mítica será a que refere que “le mot Amazones pourrait venir du slave, où le mot omocena signifie femme forte, comme de l'arménien, où il se traduirait par "femmes de la lune", c'est à dire adoratrices ou prêtresses d'Artémis dont la lune est le premier symbole.”

Ora, os eslavos podem ter adoptado o termo a partir da mesma origem que os gregos, ou seja da mesma fonte (dita indo-europeia) a que os Citas pertenciam. A própria deusa Artémis seria originária da Cítia onde seria parédro de Argimpasa or Artimpasa = Aphrodite Urania e também deus da lua.

A tradição do culto da deusa mãe do fogo Tabiti foi célebre na Cítia, a terra das amazonas pelo que, o mais provável serias então que as amazonas tivessem sido sacerdotisas de Artémis (deusa masculinizada das artes e da caça, como Diana), possível parédro feminino do referido deus cita da lua, Artimpasa que andou confundida com Afrodite e com Artemisia de Éfeso. Ora tal confusão deve ser muito antiga pois já os clássicos a faziam.

Porém, alguma coisa de positivo se retira destas divagações etimológicas à l´envers e à posteriore. O culto de Artemisia talvez tenha sido levado na forma de um meteorito para Éfeso pelos Citas como culto do fogo lunar.



[1] JORDANES. THE ORIGIN AND DEEDS OF THE GOTHS, translated by Charles C. Mierow.

[2] ...e afirmo-o enquanto médico de «planeamento familiar»!

[3] Some evidence of purposeful burial, perhaps some grave goods, but this is rare and controversial as yet. Some evidence that babies and infants were buried in shallow pits, and others in natural fissures as well as shallow excavated graves. Possible grave goods include bone fragments and stone tools, but these are again somewhat controversial. -- A Few Important Facts about Neanderthals. K. Kris Hirst.

[4] Some evidence of purposeful burial, perhaps some grave goods, but this is rare and controversial as yet. Some evidence that babies and infants were buried in shallow pits, and others in natural fissures as well as shallow excavated graves. Possible grave goods include bone fragments and stone tools, but these are again somewhat controversial. -- A Few Important Facts about Neanderthals. K. Kris Hirst.

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