segunda-feira, 17 de junho de 2013

DEUSES TELÚRICOS II - HERMES PROPILEU por artur felisberto.

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Figura 1: Jovem adulto prestando culto a Hermes Propileu, também conhecido por Agoraios e Logios, deus dos ginásios e mercados e da oratória cujo dom, este jovem estudante estará a solicitar a Hermes.

Homero disse que as últimas libações de um banquete eram dedicadas a Hermes, e Pausânias, que em seu tempo havia estátuas suas em todos os ginásios, seguindo um costume antigo que estava então sendo copiado pelos bárbaros. Em muitas cidades havia uma estátua na praça do mercado. Uma das formas de culto era oracular, como a estabelecida em Pharai. Na praça do mercado da cidade se erguera uma estátua de Hermes Agoraios, diante da qual havia um coração esculpido em pedra, com duas lâmpadas de óleo atadas com faixas de couro. O suplicante deveria queimar incenso sobre o coração, acender as lâmpadas e colocar uma moeda local no lado direito do altar. Então deveria sussurrar ao ouvido da estátua sua questão, e em seguida tapar seus próprios ouvidos e sair do mercado. Quando estivesse fora, abriria os ouvidos, e a primeira palavra ou frase que ouvisse teria um carácter divinatório.

Entre as suas imagens de culto as mais comuns eram as hermas, colocadas em todas as estradas para delimitar fronteiras ou assinalar distâncias, nas entradas das casas, nas divisões de bairros e nas praças do mercado. As hermas eram pilares quadrangulares com apenas a cabeça do deus esculpida no topo; muitas vezes aparecia também um falo, reforçando sua associação com a fertilidade e seu poder contra o mau-olhado e os espíritos malignos, uma vez que o símbolo da virilidade era também considerado protetor, estando ligado à força guerreira. Suas formas mais antigas eram simples montes de pedra, ou um pilar de pedra sem escultura alguma, mas Heródoto afirmou que as hermas itifálicas eram tão antigas quanto os pelasgos, o povo pré-helênico que ensinara os atenienses a esculpí-las. Pausânias disse que em Eleia a principal imagem de culto de Hermes era um pênis ereto, sobre um pedestal. -- Wikipedia

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Figura 2: Um estivador grego invoca forças a Hermes Propilaios, ao deus de toda a potência, e não apenas da sexual que, intuitiva e universalmente, passou a ser o paradigma metafórico de todas as forças, incluído a espiritual!

LI — Os Helenos tiraram ainda dos Egípcios outros ritos de que falarei no decurso desta narrativa; mas não foram estes que lhes ensinaram a fazer estátuas de Mercúrio com o membro em ereção. Os Atenienses foram os primeiros a adoptar esse costume dos Pelasgos, e, depois, toda a Grécia lhes seguiu o exemplo. Os Pelasgos habitavam o mesmo cantão que os Atenienses, desde essa época incluídos no número dos Helenos, motivo por que eles, Pelasgos, passaram a ter também a mesma denominação.

Quem quer que esteja iniciado nos mistérios dos Cabiros, celebrados pelos Samotrácios, compreende o que estou dizendo, pois Pelasgos que vieram morar com os Atenienses habitavam outrora a Samotrácia, e foi deles que os habitantes dessa ilha adoptaram os referidos mistérios. Os Atenienses foram, pois, entre os Helenos, os primeiros que aprenderam a fazer estátuas de Mercúrio com o membro ereto. Os Pelasgos oferecem para isso uma versão sagrada, explicada nos mistérios da Samotrácia. – História de Heródoto, II. Traduzido do grego por Pierre Henri Larcher.

Poderá ser mera coincidência irónica mas nesta pintura de vaso grego o estivador parece uma réplica inversa daquela em o adorador se transforma na coisa adorada! Na verdade nesta cena “he of the stone-heap” é mais o estivador do que Hermes. Claro que o estivador transporta seguramente uma gigantesca ânfora mas a sugestão com um menhir não deixa de ser possível. Estaria o artista a par desta arcaica relação do culto do deus Hermes com a sisífica tarefa do transporte de obeliscos dos povos megalíticos?

Um outro epíteto de Hermes foi Kadmilos. Ora, Cadmo é um óbvio mito Apolínio e Apolo o gémeo diurno de Hermes Psicopompo.

Kadmilos < Kadmiro < *Kadmo urash, “a cobra que Cádmo matou”? <

Ka-Thamuz-ur “a alma do guerreiro Thamuz”, o sol morto? <

Kaki-Ama-uro > Ka Himero, «o sol posto enquanto a alma alada do dia»?

Camilla, (Kima ur la < Kiurma la > Herma la, «a serva de Hermes») a virgin queen. She was so swift, it is said, that she could run over the sea without getting her feet wet. She was a warrior dedicated to the service of the virgin goddess Diana.

Numa primeira aproximação poderemos tentar supor que a verdadeira grafia grega deste nome era `ERMHS  (= `Ermhs = Her + mesh) o que pressupõe uma origem muito arcaica. Na verdade, como mesh era literalmente sinónimo de príncipe em sumério podemos aceitar que Hermes só não foi o próprio Kar porque foi colocado na posição de criado e mensageiro dos deuses! Hermes seria inicialmente um possível epíteto guerreiro de um Eros adulto em refregas militares de alcova.

Hermes < Ker «me»s < Leis de Ker = mensagens militares.

Hermes < Karmesh < Kar-Me-Kaki.

"...La etymologye de Hermes est enconue..." -- A. Boisacq, Dictionnaire étymologique de la langue grecque.

"The name is one of the few that are etymologically transparent and means ‘he of the stone-heap’." -- Martin P. Nilsson, History of Greek Religion p. 109:[1]

Hermes [her'meez] (Mercury), "pillar" or "support." [2]

Veremos se de facto será assim. Como se vê, nem sequer existe acordo entre os académicos sobre aspectos fundamentais da etimologia pois não é divergência menor de opinião que para uns autores a etimologia do nome de Hermes seja pura e simplesmente desconhecida e que para outros seja tão clara que signifique (literalmente?) O do pilar de pedra ou o próprio pilar enquanto Hermes Propieleu.

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Figura 3

De notar o estilo acádico do porte sereno, frontal e assírio (no cabelo encaracolado da estátua da Fig. 1, do museu de Berlim, e na barba da Fig:2, do Louvre). Em ambos os caso se poderia pensar numa não muito remota influência mesopotamica particularmente assíria.

 

Hermes Propilaios o deus dos «propileus» (< Lat. propylaeon < Gr. propýlaia, s. m. porta monumental grandiosa entrada circundada de colunas dos antigos templos ou palácios gregos.

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Figura 4.

Propilaios < *Kaur Kyr Kayus < Kur-Kur-Kaku ou Propileu

< propýl aia < pró, defronte + púle, porta de templo ou palácio,

seguramente numa acepção ja muito recente < (a)phro-Kyr-ahia

<= *Karkurakia, o logar sagrado do culto das cobras!

Quer assim dizer que este epíteto Propilaios, responsável por vários étimos de arquitectura, deve ter correspondido a uma variante muito arcaica do nome de Hermes relacionada com o culto dos pilares da deusa mãe símbolos da dupla montanha da Aurora e por isso com Atlas e Hércules.

 

Ver: ALVOR – A MONTANHA DA AURORA E AS ORIGENS

DO NOME DE HERMES. (***) & ATLAS (***)

 

A erudição clássica é mesmo assim, teimosamente atávica e conformista.

Como se «propileu» tivera a música de propylaeon e como se a via erudita não pudesse derivar directamente da fonte grega! Mesmo que «propileu» derivasse de propýlaia seria quase seguro que só teria herdado do núcleo original o étimo propýl- pois que o resto vem directamente deste epíteto de Hermes | Propilaios > pró-philaeus > | “o deus do sol posto” e guardião dos mortos.

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Figura 5: Hermes ictifálico. (Desenho da obra Elite des monuments ceramographiques de Charles Lenormant & Jean de Witte).

O Erma seria inicialmente um mero monte de pedras que se transformou num pedregulho anicónico mas como sempre terá sido considerado um pénis (Phalo) do deus do céu (quiçá por ter sido inicialmente um meteorito) acabou por ser ora um grande falo ora um marco com a forma de um deus com um grande falo ora ambas as coisas num só como acabou por ser o Erma Grego que tinha equivalente no deus Terminus latino e seguramente no deus Markus (> Martius > Marte) dos germâncos.

Hermes < Kur-Mesh, é literalmente o monte das leis (como o monte Sinai foi a fonte das tábuas da lei mosaica) que estranhamente adquirem força de poder pela sua relação criativa com a potencia jecundi do falo eréctil.

The Jewish temple was called hekal in Hebrew. The word is said to derive from the Sumerian e-gal through the Akkadian ekallu, meaning "big house". More likely, the Hebrew word and its Sumerian archetype derive from the Dravida e-kal meaning "lofty pillar". The radix e (or he or che) means "lofty", "strait" and implies an idea of "scepter" and "command". The radix kal (or chal) means "stone" and, by extension, a standing stone (menhir, pillar, obelisk, betyl, etc.). Hence, the Dravidian word can be interpreted as meaning "big house", as in the Sumerian e-galu, a name applied rather to the palace than to the temple. The Dravidian term evokes the Hebrew ones applied to pillars (mazzeba, bethel). These also embody the idea of "erect". More usually, the temples — particularly the Egyptian and the Hindu ones — were characterized by the presence of a lofty pillar (a pyramid, etc.) or even of a pair of such (obelisks, pylons, etc.). Very often, the building itself (adytum) was comparatively small. [3]

 

TOTEM & TABOO

Na verdade, o termo grego mais próximo da semântica e da fonética do totem é sthatemos que, não será por mero acaso, era “um poste colocado na vertical”, geralmente para suportar o telhado das casas, dai estar conotado com a semântica da domus latina (< Grec. Domos) e do duomo itálico, e do termo domínio que era temenos em grego.

Stathmos = poste colocado na vertical, freq. em Hom.; sts. pilar de suporte do telhado, (...) Theoc.24.15: stathmos sozinho = limiar, porta, LXX4 Ki.12.9, al.[4] Tithêmi = to set, put, place. Tem-enos = domínio.

«Domo» = • (< It. duomo, catedral), s. m. parte superior de um edifício, que forma cúpula de base circular ou poligonal, zimbório.

O infixo sta- seria então um dos tais candidatos a raiz indo-europeia da estabilidade, presente também em muitos termos relativos a objectos com a conotação da realidade concreta e física do totem, verificáveis tanto em sinónimos da língua portuguesa como inglesa.

Pt: Coluna, barrote, es-teio (< Ing. Stay?), es-peque (< Hol. speek, alavanca), estaca (<Gót. Stak-ka), haste, fuste, (peia >), pau, poio, pe-anha, pe-destal (< piedi-stallo, assento do pé), pe-lourinho (pil + louro?), pi-lar, pil-astra, poste, madeiro, mastro (Prov. Mast?), lenho, toro, tronco, trave, viga.

Eng: Column, doorpost, leg, mast, newel, pale, palisade, panel, pedestal, picket, pile, pillar, post, pole, prop, rail, shaft, stake, standard, stilt, stock, stud, upright.

Figura 6: Um mastro totémico no Totem Park, Victoria, BC.

Os tótemes são um dos mais arcaicos testemunhos, desta realidade arquitectónica religiosa.

Tóteme = • s. m. deus primitivo, de que certas tribos primitivas americanas se julgam descendentes; • animal, planta ou objecto considerado sagrado e que essas tribos respeitam, evitando matá-lo, comê-lo ou destruí-lo.

Totemismo (derivou da raiz -oode no idioma de Ojibwe) é uma convicção religiosa que é frequentemente associado com religiões de xamânica. O tótem normalmente é um animal ou outra figura naturalista que espiritualmente representam um grupo de pessoas relacionadas como um clã.[5]

Totemism fez um papel ativo no desenvolvimento das da religião teorias do século 19º e 20ª, (...). Utilizando a identificação de grupo social com totem espiritual em tribos Aborígines australianas, Durkheim teorizou que toda a expressão religiosa humana era intrinsicamente fundado na relação com um grupo.

Na sua composição Le Totemisme de aujourdhui (Totemism de Hoje), Claude Lévi-Strauss espetácula que o raciocínio humano, que está baseado o pensamento analógico, é independente de contexto social. Deste, ele exclui o pensamento matemático que opera principalmente com a lógica. Os Totens são arbitrariamente escolhidos com o propósito exclusivo de constuir para o mundo físico um sistema classificatório inclusivo e coerente. Lévi-Strauss discute que o uso de analogias físicas não é uma indicador de uma capacidade mental primária. É sobretudo, um modo mais eficiente para lidar com este modo particular de vida no qual as abstrações são raras, e onde o ambiente físico está em fricção direta com a sociedade. Ele também sustenta que a explicação científica requer a descoberta de um arranjo; além disso, como a “ciência do concreto” é um sistema classificatório que permite aos indivíduos classificar o mundo de forma racional, esta não é nem mais nem menos do que uma ciência como qualquer outra no mundo ocidental.[6]

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Fisicamente, os termos que em português têm conotação sinónima com a realidade física dum totem, enquanto poste de madeira, aprecem grande parte deles pertencer a uma família etimológica em torno da «haste» que deriva a sua semântica da deusa do lar *Kiast ou Vesta! Por sua vez, da etimologia da «haste» nasce a raiz semântica do infixo sta o que nos permite então compreender o termo grego Stathmos como sendo nem mais nem menos do que o esteio do «domo» da casa!

Família da «haste» < Hestia ó Wast ó Vesta.

               > hast + isho > estijo > «es-teio» ó es+ Célt. Pic > «espeque».

«Haste» < Ki-ast > Phaust > «fuste» > «poste».

                             > Ki-ash > wija > «viga».

                                Ki-esh > Pheja > peja > «peia» ó «poio».

                                Ki-ish > Phi-ish > Phik > Célt. Pic ó Lat. Picus.

Por analogia alargada o esteio da casa acabou em «padrão» físico da “ordem sagrada” totémica. E assim nasceu o nome do totem, aparentemente um dos poucos termos de remanejamento meramente linguístico e, por isso, com fraca relação semântica com Vesta, a divindade do lar que a tutelou na origem.

(Ter) totem = Ogiwbe: odoodemi (vai+o)

(Meu) totem = Ogiwbe: nin-doodem|ag (n3D), in-doodem|ag (n3D)

= Ogiwbe: oodi

«Tótem» < Thothem < Doodem < -oodi(= aí?)-Them < Grego Arc. *Heste-them > Stha-| Themos > Tem| os

                           > Grec. / Lat. Dom(?s) => «domínio» (territorial de Vesta).

Obviamente que espanta postular que o termo grego tenha uma correlação tão próxima com o totem de origem ameríndia Ogiwbe. Possivelmente este termo sofreu um remanejamento linguístico na porção sufixa em que o conceito de «haste» se aproximou dum termo relativo ponto de fixação deste. No entanto, espantosamente ainda, a essência semântica manteve-se. Porém, o espanto decresce ao verificar que o termo arcaico de que o totem deriva pode ter chegado também ao extremo oriental asiático na forma do termo chinês tuteng.

The mysterious Sanxingdui Culture in southern China, dating back more than 5000 years, possibly placed bronze and gold heads on totems. Chinese transliterates totem as tuteng (圖騰), which was a Zhou Dynasty name for "flags embroidered with animal patterns representing the barbarian tribes".

O totem das tribos ameríndias descobertas pela modernidade numa fase arcaica, obviamente que descrevem uma realidade evolutiva como que parada no tempo e a que a ocidente se reportam outras realidades aparentadas das quis podemos inferir um pouco mais da mitologia subjacente ao totemismo.

A este propósito Tito Cardoso e Cunha, um pensador português, refere o seguinte:

Pensamento selvagem esse cujo objectivo não é necessariamente um fim prático, mas muito simplesmente a satisfação de um desejo de conhecer a natureza e a sociedade. Esse desejo de conhecer é essencialmente classificatório. Procura, antes do mais, impor uma ordem porque «cada coisa sagrada deve estar no seu lugar» (Lévi-Strauss, 1962, p. 17), como precisava um «selvagem». (...) Há portanto, duas maneiras distintas de pensar cientificamente: uma, que é a nossa, muito conceptualizada, longe portanto do sensível, e a outra – o pensamento selvagem – bem mais próxima do concreto e da percepção sensível. É uma ciência do concreto que encontramos actuante no totemismo, tal como nos mitos ou nos sistemas de parentesco. -- [7]

Constatamos então que a grande vantagem da filosofia é não ter que comprovar no terreno o que se intui no mundo etéreo das ideias brilhantes, conseguindo-se deste modo o inefável milagre de sempre, que é a identidade impossível dos contrários nas meias palavras do tecnicismo ao serviço da poesia. É obvio que se o pensamento mágico fosse inteiramente uma “ciência do concreto”, que nem o pensamento grego alcançou senão superficial e empiricamente, teria sido então a forciore, também pragmático. Mas a verdade é que os facto comprovam que o foi em vão a maioria do tempo e então, poderia supor-se que se ficou como uma ritualidade diletante cujo objectivo poderia, por isso, não ser necessariamente prático, por ser acima de tudo a garantia de que “cada coisa sagrada deve estar no seu lugar”!

“Ordem natural “ não é o mesma que “ordem do sagrado”, nem pouco mais ou menos! Assim se entendem os equívocos dos que pretendem condicionar a moral (enquanto assunto dos hábitos e costumes sociais) moderna com o recurso a uma suposta “lei natural” também suposta de origem sagrada, quando Lévi-Strauss teria acabado de demonstrado o inverso! É obvio que a “ordem do sagrado” é uma crença de utilidade social, logo uma realidade politica onde tudo o que parece é! Este tipo de “ciência do concreto” acabou com o julgamento de Galileu pela Inquisição e Lévi-Strauss deveria sabê-lo e tê-lo dito em conta! O processo do pensamento humano é contínuo mas cheio de vicissitudes e irregularidades pois tem tido pontos de não retorno pelo que considerar o “pensamento mágico” como uma “ciência do concreto” tão válida como qualquer outra ciência feita de acordo com o método científico galileano é um abuso de linguagem inadmissível num purista da semiologia. O que há seguramente de comum entre o homem primitivo e o moderno é o uso dos mesmos operadores mentais mas a história tem demonstrado que, se características humanas típicas como a oponibilidade do pulgar, a postura erecta, etc. foram decisivas para o salto do homídio para o homo sapiens a verdade é que foi sobretudo a quantidade e qualidade informativa que a riqueza civilizacional permitiu ao homem moderno que permitiram o acesso à ciência moderna onde as coisas tendem a ser menos o que parecem e a ficarem mais próximas senão do que são, pelo menos daquilo que podem ser de acordo com o estado de desenvolvimento da ciência que as estuda! Tudo isto para concluir que o homem primitivo não se aproxima do moderno na qualidade da sua “ciência do concreto” mas no seu pragmatismo, que parece ter sido o mais negligenciado pelos estruturalistas a respeito da função do mito! Haverá algo de mais pragmático do que o pensamento político que nunca deixa nada sem resposta e encontra sempre uma boa solução nem que seja mentindo em nome da ordem social?

Obviamente que o totemismo respondeu deste mesmo modo pragmático a uma qualquer ordem social primitiva alterada!

É evidente que o que sobeja em delírio mágico no pensamento totémico escasseia em meta informação porque a verdade é apenas a de que o mito supera no homo sapiens a fragilidade operativa dos seus instintos de “macaco poeta”. Se qualquer animal territorial urina para marcar as fronteiras que vai explorando e conquistando, o homem primitivo que estava, tal como hoje, constantemente ameaçado pela competitividade, não podendo passar o tempo a urinar ousou fingir que poderia deixar um falo a urinar por ele (J!) e, na falta de falo adequadamente permanente e potente, deixou o calhau, que tinha à mão, com que costumava defender-se nos remotos e arcaicos tempos paleolíticos, sobre o qual terá previamente urinado e mais tarde untado com o sangue ou a gordura do animal acabado de abater! Afinal, assinalaria as fronteiras dum território de caça que teria acabado de encontrar!

Originalmente, las hermas eran simples montones de piedras usados para marcar un camino o una frontera. Todo el que pasaba cerca añadía su propia piedra al montón, anunciando también de esta forma su presencia. En lo alto de estos montones se colocaban figuras fálicas talladas en madera.

En las primitivas hermas «cilenias», la base de piedra y madera era simple y llanamente un falo. Sobre el año 520 Hiparco, hijo de Pisístrato, sustituyó los montones de piedra que marcaban los puntos intermedios entre los diversos pueblos (deme) de Ática y el ágora de Atenas por hermas de piedra con la forma definitiva.

Al dios se le denominaba propilaios, «él que está delante de la puerta», pues, protegía los dinteles de las casas.

Según Herodoto los primeros en erigirlas fueron los pelasgos, un pueblo legendario originario de la península Itálica, donde dejarían rastros de construcciones ciclópeas. Los pelasgos se habrían asentado en Grecia, fundando Atenas e introduciendo el uso de las hermas de madera, quizá por razones económicas.

Cometamos assim a entender que os pelágios mais não eram do que a cultura dominante no mar Egeu antes das invasões dos povos do mar!

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Figura 7: => Um cairn a marcar o cume duma montanha.

Starting in the Bronze Age, cists were sometimes interred into cairns, which would be situated in conspicuous positions, often on the skyline above the village of the deceased.

<= Figura 8: Outro a marcar o caminho dum glaciar.

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The stones may have been thought to deter grave robbers and scavengers. A more sinister explanation is that they were to stop the dead from rising.

clip_image012[1]Figura 9: An inuksuk or inukhuk in Inuinnaqtun is a stone landmark used as a milestone or directional marker by the Inuit of the Canadian Arctic. Inuksuit differ from some cairns in significance. The Arctic Circle, dominated by permafrost, has few natural landmarks and thus the inuksuk was central to navigation across the barren tundra. Inuksuit vary in shape and size, and perform a diverse array of tasks. It is a symbol with deep roots in the Inuit culture, a directional marker that signifies safety, hope and friendship. The word inuksuk means "something which acts for or performs the function of a person." The word comes from the morphemes inuk ("person") and -suk ("ersatz or substitute").

A mitologia de Hermes Psicoponpo começa assim a aflorar nos pequenos monumentos megalíticos, os cairns celtas. Mas é também patente que estes cairns eram «cornos» ou «hastes» topográficas mágicas e são hoje a sobrevivência rústica anacrónica duma realidade paleolítica que seria dominante na Europa do norte, precisamente no tempo dos menhires e dos dólmenes. Anacronismo idêntico seriam já os gigantes da ilha de Páscoa.

 

Ver: MEGALITO (***)

 

It is noteworthy that there is a still a Jewish tradition of placing small stones on a person's grave whenever you visit, as a token of respect. (Flowers are not usually placed on graves in the Orthodox Jewish tradition.)

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Figura 10: inunnguaq, a structure similar to an inuksuk but meant to represent a human figure, called an inunnguaq ("imitation of a person", plural inunnguat), has become widely familiar to non-Inuit. However, it is not the most common type of inuksuk and is distinguished from inuksuit in general.

In German and Dutch, a cairn is known as Steinmann and Steenman respectively, meaning literally "stone man". A form of the Inuit inukshuk is also meant to represent a human figure, and is called an inunguak ("imitation of a person"). In Italy a cairn is an "Ometto" a small man.

Stupas in India and Tibet etc. probably started out in a similar fashion, although they now generally contain the ashes of a Buddhist saint or lama. Although the practice is not common in English, cairns are sometimes referred to by their anthropomorphic qualities.

Chorten < Kaur(tu)-en > Kauren > Cairn

                                        > Karan => Crono ó Saturno

Stupas < Sta-pu < Hista-pu => Lat. stupore, da meditação e da morte!

Inu-| ksuk < Kusk <= Ki-ahs.

«Espantalho» < *espantolho por remanejamento conotativo com a palha de que é feita < Ish-Pan-Tal-yo º «estafermo» < It. stafermo < stà fermo, por remanejamento interpretativo a partir de “haste de Hermes”!

E assim apareceram os primeiros marcos totémicos megalíticos que chegaram até nós pela boca dos gregos nas «bermas» dos caminhos como hermes tutelados pelo esfíngico Horus Hermaquis das pirâmides e obeliscos do Egipto, por Hermes Propileu ou Perferaios, pelo latino Terminus, etc.

 

STUPAS

O costume de fazer montículos de pedras sagradas em veredas difíceis onde cada caminhante deixa o seu agradecimento aos deuses dos bons caminhos e da boa sorte ainda hoje se repete nas stupas dos Himalaias.

O Stupa (ou ainda Estupa) é um tipo de mausoléu, construído em forma de torre, circundada por uma abóbada e um ou vários chanttras (toldos de lona). Originalmente era um monumento funerário de pedra, semi-esférico, com cúpula, mirante e balaustrada. Com o advento do Budismo, evoluiu para uma representação arquitetônica do cosmo.

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O seu acesso é feito por meio de um arco ou porta, ricamente adornado com esculturas. Outros termos para designar o stupa são chaitya e pagode. Em sâncrito significa topo ou pilha de pedras.

<= Figura 11: Stupa de Ankor. Figura 12: simbolismo esquemático duma Stupa. =>

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As stupas são pequenos templos votivos, primeiro dedicados a proteger as relíquias de Buda depois a santos budistas mas que seriam apenas e adaptação duma tradição arcaica ainda patente nos corten dos altos Himalaias que resultava do monte de pedras que cada amigo parente ou peregrino deichava no local da campa.

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Figura 13: chorten, as variantes das sturpas dos altos Himalaias ainda com o seu aspecto antropomórfico, tipo “boneco de neve”. Figura 14: Chorten de estilo paleolítico.

O Gorinto é um tipo de stupa comum em templos budistas e cemitérios que consistem em cinco formas (um cubo, uma esfera, uma pirâmide, um crescente e uma flor de loto) cada um em cima do outro a representar os cinco elementos de cosmologia budista.

Que esta tradição arcaica remontava a Hermes parece evidente num objecto de culto do xintoismo japonês.

Mi-kura-Tana-Kami = Japan/ Shinto = A domestic guardian God that looks after storehouses.

Kami parece um genérico nome de deidade que remonta a *Kima.

Mi-kura-Tana < Kaur-mi-tan < *Kurmitano, lit. “a cobra ou o falo de Herma.”

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Figura 15: um Gorintō moderno.

Os Gorintos podem ser encontrados frequentemente nas caverna-tumbas chamados yagura comuns dentro e ao redor de Kama-kura. Também podem ser esculpidos nas paredes das tumbas. Por vezes são muito grandes como por exemplo no tumulo de Ninsho do templo de Gokuraku-ji que tem 3,06 m de altura.

Gorintō < Gaur-Intu < Kaur-intu, lit. “ritual ao heroi”. => *Kima-Kura > Kama-kura => Sa-Kura > Ya-gura (やぐら・窟・岩倉・矢倉・矢蔵・谷倉・屋倉, etc.) são cavernas artificiais usadas durante a Idade-Mediana em Kamakura, Kanagawa Prefecture, Japão, como tumbas e cenotafios. -- Wikipedia®

Os termos religiosos japoneses sugerem uma estreita relação com a protolinguagem cretense. É sabido que o povoamento deste arquipélago remonta ao Paleolítico. No entanto, a influência de outros povos seguidos por períodos de isolamento caracteriza a história do Japão o que tornou sua cultura uma mistura de influências externas e criações autóctones.

A primeira civilização com cultura cerâmica que se desenvolveu no Japão foi a do povo nómada Jomon que não desenvolveu a agricultura nem a criação de animais. Entre 250 a.C. e 250, esta cultura foi a substituída pela Yayoi vinda de Kyushu trazendo consigo o cultivo do arroz, as ferramentas de metal e a confecção de roupas. Seriam estes antigos colónos neolíticos do Japão descendentes de minóicos que de proximo em próximo que teriam calcorrados as cotas do mar até chegarem ao japão epenas por volta do ano 250 antes de cristo com uma cultura velha de mais de 3 mil anos? Ou pelo contrário a linguagem e a cultura subjacente teria ali dado entrada muito precocemente nos tempos da Atlântida paleolítica a que se reportam as estruturas submersas em Yonaguni-jima, em Okinawa, monumentos com mais de 11.000 anos de idade, as mais antigas do mundo?

Kyu-shu (Nove Províncias) é a terceira maior ilha do Japão. Seus nomes antigos alternativos incluem Kyu-koku (Nove Estados), Chinzei (Oeste da Área do Pacífico), e Tsukushi-nenhum-shima (Ilha de Tsukushi). O nome regional histórico Saikaido - (Circuito do Mar Ocidental) recorreu a Kyu-shu - e suas ilhas circunvizinhas.

Kyu-Shu < Kyu-koku = Ilha de Tsu-kushi,

literalmente a ilha do deus Ki-u-Shu

ó Diusho > Diasho => Di(on)ísho, o “deus menino” filho da Terra, Ki.

O conceito dos nove províncias (povos, cidades ou estados) seria um mitema importado da China onde tomava o nome Jiu(zho-u) usado na antiga história chinesa para divisões territoriais durante as dinastias Xia e Shang. Esta geografia política seria tão mítica que acabou por simbolizar e representar toda a China. De facto, em livros de Taoísmo Shi-zhou, tal como o Shi-zhou-ji refere-se à geografia mítica de “dez continentes e três ilhas” no mar. Na história mítica do antigo reino da Coreia, Silla, foi também dividido em nove regiões administrativas conhecidas como o Guju. No mito da criação dos registos xintoístas de Kojiki, o deus Iza-na-gi e a deusa Iza-na-mi deu à luz o O-ya-shima (as “Oito Grandes Ilhas”) do Japão.

Em conclusão, é difícil saber se Kyu-Shu esteve sempre relacionado com o número nove ou se acabou relacionado por coincidência inventada na China em torno dum mitema conservado no sul do Japão como relativo ao nome do deus menino também chamado Iz-ana-gi filho de Iz-ana-mi.

Iz-ana-gi < Ish-(Anu)-Ki

= Senhor | Ish-Ki = Ki-Ush > Kyu-Shu.

Se a maneira mais antiga de representar Dionísio foi um falo tal como Osíris foi um obelisco é quase seguro que a representação mais arcaica ainda presente em alguns locais dos Himalaias é um montículo de pedras.

Sendo assim, qualquer monte de pedregulhos era uma imagem natural do “deus menino” e, por convenção natural, o mínimo de pedras para fazer um montículo dedicado ao “deus menino” seriam 3 gogos que no limite simbolizavam os dois testículos e o pénis que teriam restado do primeiro sacrifício divino.

A Hermes Propilaios seriam consagrados desde os tempos arcaicos todos os campos santos repletos de erectas «pilas» votivas, «lápides» (< raphite < urphite < *Ur-kiki), estelas (< Ishteras < «brinquedos» de Ishtar) funerárias de cuja verticalidade, robustez e viril rectidão Hermes herdou esta relação semântica com os monumentos ictifálicos a que acabariam por ser comparadas os Herma dos gregos < Hermes <*Kur-Ama-ash, de caminhos «ermos» e os «bétilos» = nome das pedras dadas a comer a Saturno por Gea.

Betilos eran también los omphalos (piedras con forma cónica o redondeada) palabra griega que quiere decir "ombligo", y más exactamente "ombligo de la tierra", y en consecuencia relacionada también con la simbólica del "centro del Mundo". Los betilos eran generalmente aerolitos o piedras caídas del cielo, y por tanto considerados como mensajeros de los dioses y las energías sobrenaturales. De ahí su poder oracular, como en el caso del famoso omphalos del templo de Delfos, consagrado a Apolo, el dios hiperbóreo. -- LOS CICLOS EN LA HISTORIA Y LA GEOGRAFIA (cont.) FRANCISCO ARIZA

Os «pilares» [< Phyl-ares (> «folares», bolo alongado e fálico ou presente que os padrinhos dão pela Páscoa (falofórias, na Grécia clássica) aos afilhados (iniciados)] < Phal-ar > Al-Kares > “altares” de Kur > Ár. «algar» > «pilones» > «pilastras» < It. pil-astro < Phyl-aster dos «templos» [(< Lat. tem-pilum) < Them-philum, lit. “filão de Temis”, o fórum da deusa das assembleias comunais” | Phyl < Phul < Kur ó Kima-Kar-um, “o bazares de *kima ]!

As «colunas» (< Lat. columna < Kaulmuna < *Kar-Ama-An > Hermon, variante do nome de Hermes) que sustentavam os «propileus» megalíticos que eram as entradas monumentais de todos os lugares sagrados desde os tempos paleolíticos das antas e das mamôas, dos obeliscos e menhires!

Os «cruzeiros» (< crucheiros < Lat. cruciariu, o crucifixado ou < Kurish-halium, lit. o que sofre da sorte ditada pelas tábuas do destino detidas por Iscur, o deus da guerra que tanto pode dar a glória da vitória pelas mãos de Atena/Nikê (< Nix < Anish > Anat > Atan),

Os «pelourinhos» [< pelouro < Lat. piloriu ?, de pila ? ou antes de Philarium = ramos (da administração municipal) < Phyl-um < Kurum < Karum]

Os «marcos» (<Germ. marka < karma < Kerma > herma) das «bermas» (< Wermas < herma)

Os «termos» (< Terminus < Ker-Ama-anus) de caminhos, etc.

As «alminhas do purgatório»!

 

Ver: HERMES TRIMEGISTO / HERMES PSICOPOMPO (***)

 

Horos, Corc. orWos (written orbos au = IG = lr); Cret. and Arg. ôros, oros, Ion. ouros; Megarian orros (?):-- I. a boundary, landmark, and in pl. bounds, boundaries.

Horus Hermachis ó Hermes

ó Herme < Xerma < cherm-as, «large pebble or stone, esp. for throwing or slinging, sling-stone».

Notar que muitos destes termos têm o étimo Phyl-, da «pila de Hermes», cuja origem deve remontar ao nome da montanha primordial < Phyr- < Kyr- < Kur!

Figura 16: obelisco fálico ou «pila de Hermes». =>

"...We must not forget the possibility that the Arcadians found [HERMES] in Arcadia when they arrived there, and that his name is not Greek at all. Certain it is that he was often worshipped under the form of a mere stone [herma]..."[8]

Não se entenderia muito bem como é que os Arcádicos são colocados na situação de poderem ter tropeçado nos marcos herméticos da Arcádia se é verdade que eles são sus postos plágios autóctones por alguns autores clássicos.

Arcadians was aboriginal inhabitants of Peloponnese (Paus. 5.1.1, 2.) formerly called Pelasgians (Paus. 8.4.1, and Azanians: Paus. 8.42.6.)[9]

A verdade é que o domínio dos Arcádios na Arcádia remonta ao 2º milénio a.C. ou seja ao tempo das invasões micénicas. Ora, Hermes era um deus que já existiria no panteão micénico com o nome de E(r)-MA-(sh)A!

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(...) From the second millennium B.C. to the Roman imperial period Arcadia was occupied by Arcadians. Because their possession of the territory was never contested, not even by the Dorians moving into the Peloponnese after the twelfth century, the Arcadians not only maintained control of their region, but also managed to hold on to their own dialect. The dialect resembles old Cypriote, and preserves elements of Mycenaean Greek. [10]

Claro que numa saberemos se foi a toponímia da Arcádia que influenciou a história genealógica de Hermes ou se foi da particular influência dos cultos deste deus que esta toponímia derivou. De qualquer modo é obvio que estamos diante de um mito tão arcaico que mal consegue encobrir a sua origem pré-helénica. Qual será então a mais autêntica proveniência deste deus?

Os campos de Cilene (< Silene, a lua) só poderiam ser os domínios do deus Nana da suméria. Ora, não só mas, sobretudo, a análise do mito de Inana apontam para a ideia de que o deus sumério da lua foi pai e esposo da deusa do Amor e da guerra que foi Inana, enquanto avatar de Enki, nas suas funções de «sol posto» nos curros subterrâneos do Kur!

The mountainous region in the center of the Peloponnese is called Arcadia. The dominant feature of this region is the plain of Tripolis, a great plateau of fertile land. Apart from the Plain of Tripolis, Arcadia is ringed by great mountains: Mt. Kylline ( 2376 m), Mt. Erymanthos (< Herme Antu), and Mt. Khelmos (> hermos > hermes).

Sendo Hermes um deus do sol posto era um obvio deus lunar e seria inevitável que viesse a ser conotado com o monte Cilene na Arcádia quanto mais não fosse pela homofonia deste nome com Silene, o nome grego da lua. No entanto, como adiante se verá, a relação do nome de Hermes com montes da Arcádia pode ser pouco mais do circunstancial na medida em que Hermes era, por definição, um deus dos picos fálicos das altas montanhas, de que o remanescente e pequeno conceito da «pedra da berma» dos campos, o herma, seria apenas uma leve reminiscência.

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Figura 17: Mais do que meros marcos topográficos os Herma eram a sobrevivência expressiva de ritos arcaicos de virilidade fértil na forma redundante de deuses em forma de falos gigantes e com falos explicitamente erectos. Assim sendo, as lendas clássicas da paixão de Pigmaleão por estátuas devem ter sido tão verosímil como a paixão da esposa do rei Minos por touros brancos.

Terminus, (< | Thermi | < Kerma anus => Herme) the god of landmarks. His statue was a rude stone or post, set in the ground to mark the boundaries of fields. God of boundaries.

Mesmo que não o quiséssemos, nesta pesquisa sobre a origem do nome dos deuses, seria inevitável tropeçar nos inumeráveis megálitos fálicos do palio lítico superior enquanto possíveis antepassados dos herma helénicos e do deus latino dos extremos da terra, Terminus. Esta relação entre os marcos territoriais e os cultos fálicos relacionados com Hermes estavam de facto ainda explícitos na tradição helénica na tipologia dos herma, como se viu antes.

Como refere Hiróduto, o pai da história:

The Egyptians, they went on to affirm, first brought into use the names of the twelve gods, which the Greeks adopted from them; and first erected altars, images, and temples to the gods; and also first engraved upon stone the figures of animals. In most of these cases they proved to me that what they said was true. And they told me that the first man who ruled over Egypt was Min, and that in his time all Egypt, except the Thebaic canton, was a marsh, none of the land below Lake Moeris then showing itself above the surface of the water.

E tudo isto aconteceu numa época em que Minus foi o primeiro rei do Egipto e aqui começam as encruzilhadas da história! Terá sido Minus um rei cretense que invadiu o Egipto onde impôs a monarquia sacerdotal que imperava nas ilha do mediterrâneo, das Baleares a Malta e a Creta, na época das culturas megalíticas dos alvores da história?

 

LÁPIDES FUNERÁRIAS.

                                                               < Raupte => rupes

Lápide < Lat. lapide < laphite < lakite < Raki-et > «raquete»

                                                      Urphites > «orfideos»!

O santuário rupestre de Panóias, também designado por Fragas de Panóias, localiza-se Terras de Panóias, no concelho de Vila Real de Panoias (sua antiga designação) e constitui indiscutivelmente um dos conjuntos monumentais mais surpreendentes da Península Ibérica e um unicum em todo o mundo romano.

DIIS DEABUSQUE AE/TERNUM LACUM OMNI/BUS NUMINIBUS / ET LAPITEARUM CUM/HOC TEMPLO SACRAUIT / G. C. CALP(URNIUS) RUFINUS U(IR) C(LARISSIMUS) / IN QUO HOSTIAE UOTO/CREMANTUR.

"A todos os deuses e deusas, este eterno tanque, a todas as divindades e aos deuses das Rochas com este templo sagrou, Gaius c. Calpurnius Rufinus, varão esclarecido, no qual vítimas por promessa se queimam."

Além deste próprio lugar de mistérios o que torna este monumento particular e único é obviamente o seu carácter megalítico rupestre e seguramente pré-histórico. O senador que sagrou em latim este local quase que seguramente mais não fez do que aquilo que terão feito antes e muito mais ainda depois todos os arautos de novos cultos que se depararam com monumentos de beleza e sacralidade únicas: apropriaram-se deles adaptando dos aos cultos antigos que mais se assemelhavam aos novos. Neste caso, os “cultos dos rapazes” já lá estavam e por lá ficaram até hoje e os romanos, que começavam a adaptar na sua própria terra os seus rústicos e arcaicos ritos de passagem aos mais elaborados cultos de mistérios orientais de Mitra e Cibele, fizeram por cá o mesmo.

Com a vinda do cristianismo o local, de intensa severidade rupestre e de mui sanguinários ritos, terá sido votado ao esquecimento. No entanto, sendo um monumento impresso na rocha que já impressionaria o homem desde que este começou a ter tempo para pensar e particularmente para reflectir nos sacrifícios que fazia para sobreviver, atrevendo-se inclusivamente a sangrentos sacrifícios humanos, o monumento por cá ficou impresso na lápide granítica natural. Assim sendo, e quase seguro que o misterioso nome LAPITEARUM reflecte esta realidade exposta de forma explícita na nudez da rocha viva deste afloramento granítico.

Para além destas dúvidas a respeito de questões subsidiárias, há um conjunto de exemplos em relação aos quais não é possível determinar a que categoria pertencem. Nestas se integram, como se disse, o caso em análise, dedicado omnibus Numinibus et Lapitearum, ainda que a tradição tenha optado quase exclusivamente para a inclusão de Lapitearum no âmbito dos etnónimos. (…) Todavia, C. Búa observou, com razão, que poderia ser viável reconhecer em Lapitearum um genitivo de um topónimo plural. -- Omnibus Numinibus et Lapitearum: algumas reflexões sobre a nomenclatura teonímica do Ocidente peninsular, AMÍLCAR GUERRA.

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Figura 18: Santuário rupestre de Panóias.

O topónimo plural refere-se às próprias rochas do monumento e o facto de em latim rocha ser lápis só terá sido motivo de atrapalhação bem como o radical -arum ser próximo da ara dos altares. No entanto o nome já existiria no local como *lapitário, no sentido de deuses lapidares daquelas rochas! O carácter anterior do topónimo religioso fica patente no facto de o infixo Te ser egeu.

Lat. LAPI | < Lat. lapis, «pedra» < Ra-Phis | -TE-(ARUM)

Obviamente que os deuses lapidares seriam severos e infernais pela sua própria natureza rude, lítica e telúrica e estariam presentes em «ritos de passagem» de morte e ressurreição solar e finalmente me ritos seculares funéreos. Existem vários topónimos lusitanos com o nome de Panoias que importa então elucidar enquanto à sua mitologia.

Panditi - Deus da cultura e da sabedoria venerado pelos Lusitanos.

Sendo assim, o topónimo Panoias seriam localidades dedicadas e este deus Panditi, o deus das «paranóias» < Gr. paránoias, delírio. Dito de outro modo, Pandita, seria um teónimo de Deonísio, enquanto deu de todos os conhecimentos ou seja, *Pan-noias.

 

Ver: MEGALITOS (***)

 

 

CÍCLOPES

Uma das explicações para o mito dos Cíclopes (< *kiphur-ophis, lit. «o ciclo solar formado pela *kiphura, de rabo na boca» < Sacar-aukis) seria uma confusão com um «cometa» [< Lat. cometa < Gr. koméhés, estrela com «coma» (< Lat. coma < gr. kóime, cabeleira)] mítico! Este seria então concebido como um deus de «um só olho» e responsável pela terrível catástrofe diluviana do fim do neolítico ou do fim da Atlântida minóica de meados da idade do bronze?

Koméhés < kóime + tes, lit. «o deus da cabeleira» <= Kauhima < Ki-*Kima => *Ashma, a deusa do fumo sem fogo e do fogo sem fumo!

 

Ver: ASHMA (**)

 

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Figura 19: Guerreiros de Ulisses vasando o olho de Polifemo < Phuri-Phimo < Kuri-Kimu, lit. «o esposo de *Kima», um dos ciclopes, ou seja, Hermes enquanto um dos gigantes ciclópicos e fomorianos dos tempos megalíticos.

Por razões ainda pouco claras mas seguramente decorrentes de cultos fálicos de morte e ressurreição solar, o «olho único» da sabedoria gnóstica dos Ciclopes estaria relacionada com o uso de drogas alucinogénicas em «ritos de passagem» órficos e ofídios que nos reportam para o mito do «soma védico» e, por causa deste, para o mito «árvore do paraiso»!

In his own essay, "Persephone's Quest," Wasson also discusses a number of one-eyed, one-footed beings from various folkloric and iconographic sources, including the Cyclopes, and soma itself, which is described in Vedic Sanskrit as Aja Ekapad, "Not-born Single-foot." Mushrooms are "not born" because they have no seed; they are caused by lightning bolts. And mushrooms are single-footed, of course. The penis is the "one-eyed serpent," and the mushroom is a penis. Folklore can be scoured endlessly to rake up further examples; Wasson's point is that one-eyed one-legged beings are to be decoded as mushrooms, at least in certain contexts. -- Irish Soma,  Peter Lamborn Wilson.

O principio lógico do pensamento primitivo era o da «magia simpática» por meras relações associativas e analogia formal daí que não seja de espantar a relação entre «arvore da vida» e enquanto garantia de ressurreição solar > «fonte da eterna juventude» à semelhança da renovação da pele dos ofídios > «morte e ressurreição» metafórica do pénis no acto sexual > semelhança da cobra, particularmente das víboras, com o auróboro, a serpente solar de «um único olho» > semelhança do pénis com os cogumelos alucinogénios de talo único e de «capuchinho vermelho» > percepção da sabedoria órfica como aquisição duma 3ª visão transcendental que seria apanágio dos seres divinos e transcendentais > concepção dos ciclopes como gigantes antediluvianos, reptilínios, alados; «anjos caídos» em desgraça por estranhos processos de culpabilidade relativa ao pecado do orgulho na procura da imortalidade > fecho nostálgico do mito do «paraiso perdido» pré-genital no circulo dos cultos de morte e ressurreição!!!

The one-eyed Arimaspeans, who, as we have seen, were either just another name for the Hyperboreans or, as a separate people, were the first intermediaries in the transmission of the subterranean gold that was mined by the griffins. [They] are a personification of one of the attributes of soma as the "single eye." So, therefore, are the Cyclopes, whose murder as primitive surrogate occasioned Apollo's expiatory sojourn amongst the people of his northern homeland. There were two versions of these Cyclopes, and the Anatolian ones probably arose from a separate dissemination of the metaphor through Asia Minor, where the later discredited Lycian Telchines display the same attribute as their evil eye. These one-eyed creatures are a variant of another attribute of soma as the figure with a single foot, a characteristic of a supposed race of people called the Shade-foots, who came from the Indus valley and were fancifully implicated, according to Aristophanes in a profane celebration of the Lesser Eleusinian Mystery. It appears that the Arimaspeans may have come from the same general region, for Herodotus's supposed Scythian etymology of their name is probably not correct, but they were really an Iranian tribe, called the Argempaioi or Argimpasoi. All these fabulous creatures can be traced to fungal manifestations and testify strongly that it was some kind of mushroom, if not actually Amanita, that was originally the Hyperborean plant. In its Hesperidean version, the plant bears still another attribute of soma as the 'mainstay of the sky', which is the role that Atlas plays as 'pillar of heaven' in the west [7], just as his Titanic brother in the east, Prometheus, when presented as a Shade-foot, impersonates the sacred plant as a "parasol," which is the same Sanskrit word as mushroom. The single-footed trait can also be seen in certain Greek heroes who, like Oedipus, have mythical roles as Apolline surrogates." -- Irish Soma,  Peter Lamborn Wilson.

Estamos assim no campo mais arcaico da mitologia ou seja nos cultos megalíticos dos pilares do princípio do mundo relativos com o lado fálico de Hermes Propileu e ao povo Famoiro!

 

Ver: ALVOR - A MONTANHA DA AURORA E AS ORIGENS DO NOME DE HERMES / THE MOUNTAIN FALLEN AWAY (***) & ATLAS (***) & FAMOIROS (***)



[1] CLAS 315 (GREEK MYTH) / © J. P. ADAMS

[2] Mark Morford & Robert Lenardon, Classical mythology on line.

[3] THE ATLANTEAN SYMBOLISM OF THE EGYPTIAN TEMPLE (PART II), nota 3. Copyright © 1997 Arysio Nunes dos Santos.

[4] Stathmos = II. upright standing-post, freq. in Hom.; sts. of the bearing pillar of the roof, para stathmon tegeos Od.1.333 , 8.458, 18.209; para s. megaroio 17.96 , cf. 22.120,257: in pl., E.IT49; also doorpost, Od.4.838, 17.340: pl., argureoi s. en chalkeôi hestasan oudôi 7.89 , cf. 10.62, Il.14.167, Hdt.1.179, S.El.1331, E.Or.1474 (lyr.): later, pl. stathma in this sense, Id.HF999, Ar.Ach.449, IG22.1672.70, 173, 42(1).103.94 (Epid., iv B.C.); s. thuraôn Theoc.24.15 : stathmos alone, = threshold, door, LXX4 Ki.12.9, al.

[5] Totemism (derived from the root -oode in the Ojibwe language, which referred to something kinship-related) is a religious belief that is frequently associated with shamanistic religions. The totem is usually an animal or other naturalistic figure that spiritually represents a group of related people such as a clan. Wickpedia.

[6] Totemism played an active role in the development of 19th and early 20th century theories of religion, (…). Drawing on the identification of social group with spiritual totem in Australian Aboriginal tribes, Durkheim theorized that all human religious expression was intrinsically founded in the relationship to a group. In his essay Le Totemisme aujourdhui (Totemism Today), Claude Lévi-Strauss shows that human cognition, which is based on analogical thought, is independent of social context. From this, he excludes mathematical thought, which operates primarily through logic. Totems are chosen arbitrarily for the sole purpose of making the physical world a comprehensive and coherent classificatory system. Lévi-Strauss argues that the use of physical analogies is not an indication of a more primitive mental capacity. It is rather, a more efficient way to cope with this particular mode of life in which abstractions are rare, and in which the physical environment is in direct friction with the society. He also holds that scientific explanation entails the discovery of an arrangement; moreover, since the science of the concrete is a classificatory system enabling individuals to classify the world in a rational fashion, it is neither more nor less a science than any other in the western world. --

[7] Tito Cardoso e Cunha, Departamento de Ciências da Comunicação, Universidade Nova de Lisboa.

[8] - H. J. Rose, A Handbook of Greek Mythology p. 146.

[9] Perseus Encyclopedia.

[10] Perseus Encyclopedia.

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