sábado, 23 de agosto de 2025

ASHUR, o pastor que se transformou em militar, por Artur Felisberto.



Figura 1: Ashur, senhor da fertilidade dos animais e da vida natural e deus da caça e da guerra e do poder supremo dos assírios.

Ashur corresponde a uma representação do deus supremo dos assírios em forma de «disco solar» alado pairando sobre a «árvore da vida». Claro que uma representação tão explícita como esta não deixa dúvidas quanto ao facto de este deus ser o Sol (Shamaz). Por outro lado, também fica evidente que esta figuração aglutina simultaneamente o disco solar alado dos egípcios a pomba do espírito santo correlativa do pássaro Anzu.


Figura 2Part of alabaster wall panel; relief; was behind royal throne; symbolic scene; Ashurnasirpal II appears twice in ritual robes and holds a mace in front of a sacred tree; he makes a gesture of worship to Ashur/Shamash represented by a god in a winged disc with a ring in one hand (symbol of god-given kingship); there are protective spirits on either side behind the king; inscription. © The Trustees of the British Museum.

Na mitologia assíria, Ashur é o deus guardião da cidade de Assur, elevado mais tarde a deus nacional da Assíria. Ele tomou o lugar do deus Enlil sendo posteriormente identificado com Ansar. Era o deus do Sol e da condução da guerra. Era representado com um Disco Alado do Sol (semelhante Horbehutet e ao Faravahar), transportando um arco de flechas como Apolo.

It is likely that the deity was a local tradition before Assyria's militaristic rise to power in the thirteenth century and thereafter. According to Jeremy Black and Anthony Green, Aššur's symbolism is indistinct because the traditional winged sun disc was used in other iconography. Instead, the scholars believe that this deity was more likely associated with sun deity Šamaš (Utu) or as the "Assyrian Enlil."

According to Jeremy Black: "The modern attribution to Aššur of the solar disc is certainly incorrect. Some scholars, however, believe that the winged disc, very common in Assyrian art and often on Assyrian sculptures with the image of a god above it, and placed over scenes of battle, ritual and the chase, must represent Aššur. The evidence, however, points strongly to this emblem as a symbol of the sun god Šamaš (Utu). Again, there may be some borrowing of an image proper to another god.

Então, uma das etimologias possíveis do nome deste deus seria:

Ashur < | An > Ã | + ashur < Anshur < An Ishkur, lit. Sr. Escuro.

                                                Anshar ó Sumer. An gal,

lit. “Rei do Céu”!

Obviamente que esta etimologia não convence.

Originalmente, Assur é talvez a deificação do afloramento rochoso em que o seu templo e a cidadela primitiva de Assur foram construídos, sendo o culto das montanhas algo comum na Alta Mesopotâmia antiga.

La divinisation des collines ou des montagnes est un phenomene connu en Orient comme l'a rappel recemment J. Starcky "a propos de la stele d'Elahagabal, le dieu-montagne (*) J. Stareky, StHe d'Elahagabal, Melanges de 1'UniversitO Saint-Joseph, t. XLIX, Beyrouth, 1975-76, p. 503-520

Isso pode significar que o nome deste deus seria primitivamente *Ash-Kur ó Ish-Kur, ou seja o filho da Senhora do Monte (Kur) como seriam primitivamente todos os deuses meninos ao colo da Virgem Mãe. Assim, se o carácter único de Assur é difícil de definir, pela relação especial que este deus teve com a sua cidade e depois com o povo assírio, originalmente pode ter sido uma divindade da fertilidade agrícola como eram todos os filhos da Virgem Mãe.


Figura 3: Ashur nos fragmentos de um friso de marfim do Palácio Novo de Assur datado aproximadamente do século XIV AC. J.-C. Notar a similitude desta iconografia com a de Enki particularmente notável na figura seguinte.

Esta parece ser a representação de Ashur nos fragmentos de um friso de marfim, representando um deus da montanha dispersando as correntes de agua erodeado por árvores, encontrado no terraço do Palácio Novo de Ashur datado aproximadamente do século XIV AC. J.-C.

Assim o deus Ashur começou por ser o deus do local do promontório onde veio a nascer a cidade de Assur possivelmente em épocas rupestres remotas pré-neolíticas. Este deus montanha teria a mitologia intuitiva dos deuses colectores de água como Enki e Marduk por um lado e dos deuses das tempestades, primeiro Iskur da Suméria e depois Adade e obviamente com o deus do vento, da soberania e das leis que era Enlil.

Um dos templos mais antigos da cidade de Assur é de Istar. Se o nome da cidade de Ashur pode ser lido como Atur então é possível que tenha sido também *Astur / Astar confirmando o postulado de que Iskur ó Istar.

A-šur ou Aš-su3r, neo-assírio frequentemente abreviado como Aš, também An-ša3r, an-šár, antigo babilônico A-usar.

A forma original de nome deste deus parece ter sido Ausar, "campo de água", provavelmente da área onde a cidade de Assur foi construída. Sua identificação com Marduque / Merodaque, se alguma vez foi aceita, pode ter sido devido à semelhança da palavra com Asari, um dos nomes daquela divindade.

A forma do acádico antigo A-usar é tão parecida com o nome egípcio de Osíris que quase de poderia suspeitar que são o mesmo deus, ctónico e infernal.

O teónimo Osíris é a transliteração para o alfabeto latino do grego antigo Ὄσιρις, que por sua vez vem do antigo egípcio Wsjr, transcrito de várias maneiras, de acordo com os autores, como Asar, Asari, Aser, Asir, Wesir, Usur ou Usir, uma vez que a pronúncia egípcia original é desconhecida, uma vez que a escrita hieroglífica não contém vogais. No entanto, aceita-se que os gregos terão feito a transliteração o mais próximo possível da realidade fonética local. Claro que para a identificação ser perfeita deveria haver mais semelhanças entre ambos os mitos, o de Ashur e o de Osíris mas tirando as semelhanças fonéticas do nome possivelmente só poderemos referir que a coluna Dyed símbolo da estabilidade de Osíris seria uma forma arcaica de relação deste deus com o cedro das montanhas do Líbano.

Figura 4Temple of Ishtar at NinevehEnki atendido pelos Apkallus.

O templo principal de Assur está localizado no topo do afloramento rochoso do centro da cidade, que domina o resto do local e a planície circundante. As inscrições de fundação mais antigas indicam que foi construído na segunda metade do século 20 aC. DC, sob o reinado de Erishum I, cujo nome cerimonial é "touro selvagem" (rimmum em acádico). Foi reconstruído por volta de 1800 por Shamshi-Adad I, que em suas inscrições o considera um templo de Enlil e lhe dá o nome cerimonial de “touro doméstico dos países” (em sumério é-am-kurkurra). Os arqueólogos não foram capazes de identificar um estágio anterior a esses tempos.

“Naquela época, a "Casa-montanha dos países" (é-hursag-kurkurra), o antigo templo que Ushpia (en), meu antepassado, vigário do deus Ashur, havia construído, (depois) de arruinado Erishum, meu anpeassado, vigário do deus Ashur, o reconstruiu, (e depois disso) 159 anos se passaram, Shamshi-Adad, também meu antepassado (e) vigário do deus Ashur, o reconstruiu. 580 anos se passaram e o templo foi destruído num incêndio. Limpei completamente (os destroços) deste templo até as suas fundações. Fiz suas (sólidas) fundações como a base de uma montanha. Como extensão, acrescentei duas torres que não haviam sido construídas antes. Aumentei consideravelmente, além da localização anterior da corte do deus Nunnamnir e da extensão da corte do deus Ashur, meu senhor. Coloquei assentos e plataformas de culto em seus santuários (e) coloquei todos os deuses da “Casa da Montanha” (é-kur) lá. Coloquei minhas inscrições monumentais e minhas inscrições na argila ali. " A reconstrução do templo do deus Ashur durante o reinado de Salmanazar I, relembrando as obras dos seus antepassados”.

O deus Ashur personifica a cidade homónima (condições semelhantes estão documentadas na Alta Mesopotâmia, na Síria, na Anatólia e na região de Diyala, mas não são tão frequentes nem tão relevantes) como uma possível expressão da santidade do lugar perto da atual Shirqat, onde um esporão imponente era o local da cidade antiga (deve-se notar que os louvores que foram dirigidos às cidades ou templos dos deuses no sul da Mesopotâmia tinham a intenção de alusões à "glória" do deus que ali se manifestou: um fenómeno algo diferente). Al-Shirqat é uma cidade árabe sunita a oeste do Tigre, na governadoria de Saladino, no Iraque, localizada a 294 quilômetros (183 milhas) a noroeste de Bagdá. É a principal cidade do distrito de Al-Shirqat e fica perto das ruínas da antiga cidade assíria de Assur.

Al-Shirqat < A Shir-qat = o monte Shir < Ashyr < Ashur.

A deusa mãe dos cretenses era Kurija e o seu filho seria Ij-kur e por isso esta cidade síria seria Assur.

Kurija > *Keruja > Seruya > Šerua.

Sabemos que nas costas canaeias de Síria asherah era um bosque sagrado e este termo teve entre os judeus conotações com um conjunto de árvores capazes de fornecer lenha cortada por dez servos para a combustão dum boi sacrificial (Jz 6: 26-27) e sabemos que a asherah era a «árvore da vida» o que em parte explica o disco solar alado de Ashur sobre a árvore da vida. Assim, o bosque sagrado ou ashera ficaria no promontório da primitiva cidade de Assur que seria o *Asheru ou Ashur. Por isso o nome de esposa de Ashur era Ashuritu que afinal seria uma variante local de Asherat.

Ora bem, a ideia de que a mitologia antiga era única e própria de cada civilização antiga faz cada vez menos sentido na medida em que encontramos cada vez mais mitemas e conceitos teológicos comuns a todas as grande religiões politeístas arcaicas e de que só nos falta uma ideia clara de partilha comum da mesma cosmovisão porque perdemos o elo de ligação que a cultura Egeia pré helénica era entre as grandes culturas do crescente fértil. Um destes conceitos que partilham seguramente origem comum é o asheru egípcio.


Figura 5: O recinto de Mut é um dos quatro recintos principais do imenso complexo do templo de Karnak, localizado perto de Luxor, no Egito. É dedicado à deusa egípcia Mut, a deusa mãe, que veio a ser identificada como a esposa de Amon-Ra na tríade tebana da 18ª dinastia e mãe do deus da lua Khonsu. Mut (transliteração: mwt) significa "mãe". A área em que o recinto está localizado era originalmente conhecida como Isheru (Asher ou Asheru), nome da nascente que alimentava o lago sagrado em forma de meia-lua que circundava o templo de Mut. Mut foi reverenciada como "Senhora do Asheru".

Deve notar-se que asheru é uma palavra de origem incerta que se refere a charcos semicirculares onde deusas leoninas iradas identificadas como o Olho de Ra são apaziguadas refrescando-se no que foi concebido como sendo o abismo aquoso da Nuno...mas que na suméria seriam as águas do Abzu, marido de Tiamat. Se o mais famoso isheru era o de Mut em Karnak, havia também isheru de Wadjet perto de Memphis, de Bast em Bubastis e de Sekhmet em Memphis.

Portanto, se o asheru egípcio focava sobretudo o charco onde as leoas se espojavam depois das suas caçadas é quase seguro que a tradição original, de que todos os mitos leoninos da deusa mãe derivam, particularmente o de Cibel, reportar-se-á à savana africana onde o homo sapiens moderno se diferenciou e que acabou no bosque sagrado das deusas caçadoras mediterrânicas. Se a origem da palavra egípcia é incerta há que relacionar asheru ó Akeru, ou seja, recordar a redundância pictográfica que significava: “os dois Akeru”, os leões que guardavam os dois montes da deusa mãe da Aurora. Notar também a ambivalência o conceito do Kur sumério, contido na etimologia destes termos, e que tanto se pode referir aos infernos abissais das águas subterrâneas de Enki como às montanhas que continham as fontes, cavernas e subterrâneos.

Ashratu (ou Ashiratu em documentos de Larsa) era uma deusa amorreia que na Mesopotâmia veio a ser associada a Amurru. Além de serem vistos como um casal, eles compartilhavam uma associação com montanhas e estepes.

Aššur: God of the City of Aššur. Father of Zababa.

Mullissu, wife of Aššur. = Šerua, Goddess, wife of Aššur, is the one who saves. AššurituGoddess associated with Ištar, wife of Aššur.

Mullissu é uma deusa consorte do deus assírio Ashur. Mullissu pode ser idêntico à deusa suméria Ninlil, esposa do deus Enlil, o que seria semelhante ao fato de o próprio Ashur ter sido modelado em Enlil. O nome de Mullissu foi escrito "dNIN.LÍL". Mullissu se identifica com Ishtar de Nínive nos tempos do Império Neo-Assírio. Mullissu é também a deusa a quem Heródoto chamou de Mylitta e identificou com Afrodite. O nome Mylitta pode derivar de Mulliltu ou Mullitta, a variante babilônica de Mullissu, onde um culto estava conectado com o templo Ekur em Nippur e o outro com Kish (Suméria).

Nin Lil, deusa da fruta doce e do mel = Srª Lil

= Mel-lil + Ish / tu > Mellissu > Myllitta > Mullissu.

A razão porque este deus primitivo montanhês passou de divindade de fertilidade agrícola a deus da guerra parece ser uma fatalidade de todos os deuses tutelares de comunidades pacíficas que as circunstâncias tornam militaristas e imperialistas. Essa origem peculiar é provavelmente a razão de sua marcante diferença com os outros deuses do panteão mesopotâmico. Ashur não tem relações familiares, nenhum epíteto é lhe é atribuído, nem mostra conexões claras com o mundo dos poderes cósmicos naturais. Ele não é elogiado em hinos, nem nunca se envolve em encantamentos, e nenhum poema mitológico é conhecido sobre ele. Suas imagens não são antropomórficas, mas apenas ícones simbólicos. No entanto esta peculiaridade deve ter acontecido a muitos deuses locais das diversas cidades estados mesoputâmicas e um deles foi, precisamente, Marduque que acabou por absorver as mitologias de outros deuses, alguns também locais.

Transformação de Ashur

No início do segundo milênio aC, entretanto, Ashur começou a se transformar de um numen loci (presença divina do lugar) em um deus persona (pessoa divina). O primeiro passo nessa passagem gradual foi a combinação do deus Ashur com o deus das tempestades, Adad (século XV aC), uma ressonância evidente da tradição síria em que El e Baal eram as divindades à cabeça do panteão. Até a posição do rei em relação ao deus mudou lentamente. Shamshi-Adad I (1812–1780 aC), um usurpador que liderou o primeiro momento da expansão assíria assumiu o título de "rei". No entanto, não foi até a época de Adad-nirari I (1305-1274 aC) que o deus ordenou que seu rei empreendesse guerras de conquista, uma missão que o soberano acima mencionado se esforçou ao máximo para cumprir, iniciando assim a segunda momento do expansionismo assírio. O processo de fortalecimento da monarquia levou - sob seu sucessor Salmanassar I (1273–1244 aC) - à nomeação do rei e de sua dinastia pelo deus. Os tempos estavam maduros para um ponto de viragem e, sob Tukulti-Ninurta I (1243-1207 aC), Ashur foi identificado com o rei dos deuses sumério-babilônico, Enlil, e até mesmo sua esposa, Ninlil, foi considerada a esposa de Ashur (Ninlil era chamado de Mullissu na Assíria) e a cidade de Assíria se tornou o centro sagrado da Assíria, assim como a cidade de Nippur - a sé de Enlil - era para a Babilônia. Ashur era, portanto, o rei indiscutível dos deuses e o único deus ligado a um povo por meio de uma ligação tão significativa. Devido a esse vínculo exclusivo, o povo assírio acreditava que estava investido com a missão de conquistar o mundo e, portanto, se considerava quase um povo eleito.

Ashur e os Sargonidas

Uma outra fase da história do deus Ashur ocorreu sob os Sargonidas que queriam que ele superasse Marduk, a cidade-deus da Babilônia, quando este substituiu Enlil como rei dos deuses. O usurpador Sargon II (fundador dos Sargonidas; r. 721-705 aC) desenvolveu a teologia de Ashur a fim de atribuir a ele uma omnipotentia divina, designando-o assim como o poder divino do qual tanto os homens quanto os deuses dependiam (ambos tendo sido criado a partir desse poder). Com esse objetivo, Sargão II introduziu a identificação de Ashur com An-shar. An-shar era um deus primordial mencionado no Enuma elish, o poema de exaltação de Marduk ao senhorio dos deuses e do universo, provavelmente composto por volta do século XI aC. Nele, An-shar desempenha o papel de progenitor dos deuses tendo acabado de sair das águas doces e salgadas (Apsu e Tiamat, respectivamente) quando o portão cósmico do universo foi gerado (cf. WG Lambert, "The Pair Lahmu- Lahamu in Cosmology, "Orientalia 54 (1985), pp. 189-201). Essa identificação tornou possível a preeminência geracional do deus: Ashur / An-shar era o primogênito entre todos os deuses (e, portanto, era seu princípio); ele era o ancestral de Marduk, sendo de fato três gerações mais velho. Marduk era filho de Ea e neto de An, sendo este último gerado por An-shar. An-shar foi mencionado em textos antes de o Enuma elish ser composto (é um dos primeiros elementos que foram absorvidos e remodelados no poema) - seu nome é encontrado na tradição mesopotâmica mais antiga em listas de deuses primitivos, e um destes listas é a dos ancestrais de Enlil. A identificação com An-shar foi, portanto, um sucesso extraordinário e significou a aquisição de uma posição de prioridade absoluta para um deus como Ashur, que nem mesmo fazia parte da principal tradição religiosa mesopotâmica, que não o incluía em seu panteão.

O filho de Sargão II, Senaqueribe (r. 704–681 aC), desenvolveu ainda mais essa teologia combinando-a com elementos básicos do pensamento religioso sumério-babilônico, que ele convenientemente adotou. Sua luta contra a Babilônia acabou levando-o a destruir aquela cidade em 689 aC, uma política que espelhava sua reforma teológica com a intenção de anular Marduk, substituindo-o por Ashur. O rei foi ainda mais longe com a eliminação da adoração na Assíria dos cultos do Sul (até mesmo o do filho muito importante de Marduk, Nabû). Nesse contexto, ao aumentar as características de An-shar, o deus Ashur se torna deus summus omnipotens e criador absoluto. Consequentemente, resultou desses atributos que só ele poderia determinar os destinos do universo e - isso é particularmente crucial para a compreensão de sua posição - que ele era "o criador de si mesmo", como afirma um texto assírio. Neste contexto, a cerimónia akitu foi transferida para a cidade de Ashur. Ao realizar a cerimónia, o deus Ashur foi visto lutando contra Tiamat, um feito que Marduk realizou no Enuma Elish. Essa sobreposição não deve ser considerada meramente um comportamento ultrajante, mas sim uma explicação teológica tradicional da derrota. Babilônia foi destruída porque Marduk a abandonou como consequência direta de seus atos supostamente ímpios. O filho e sucessor de Senaqueribe, Esarhaddon (r. 680-669 aC), mencionou explicitamente esse conceito quando, ao inverter o curso da política de seu pai, reconstruiu a Babilônia e restabeleceu os cultos nos templos restaurados. Em qualquer caso, ele de forma alguma repudiou a teologia de Ashur de seus predecessores.

Simo Parpola apresentou uma teoria do monoteísmo de Ashur: era uma realidade limitada a uma elite e não a toda a população. Ashur, como "universo metafísico de luz, bondade, sabedoria e vida eterna" (2000, pp. 165-209), foi considerado a "entidade intermediária entre existência e não existência" (com referência à não existência criativa). Os deuses eram hipostase de sua onipotência, dos "poderes e atributos de Deus" (ou seja, Ashur). Parpola os compara aos arcanjos judeus e cristãos; ele lembra, além disso, o Elohim na Bíblia (uma possível influência assíria) como a designação de um deus transcendente. Para apoiar sua tese, Parpola citou não apenas dados textuais e iconográficos, mas também dados onomásticos - por exemplo, os nomes pessoais Gabbbu-ilani-Ashur, que significa "Ashur são todos os deuses"; Ilani-aha-iddina (= "Deus [literalmente: os deuses] deu [no singular] um irmão"); e a do rei Esarhaddon (a forma assíria é Ashur-aha-iddina, "Ashur deu um irmão"). São conhecidas formas análogas que foram definidas, senão como "monoteísmo", pelo menos como "politeísmo sofisticado". Em alguns textos, os deuses foram denotados como aspectos particulares de Marduk (Lambert, 1975). A imagem de Ashur, especialmente como ele é delineado no período Sargonid, está muito próxima dessa teologia de Marduk. No antigo Oriente Próximo, uma forma de monoteísmo havia aparecido anteriormente: era a reforma do deus Aton, que o faraó Ekhnaton desejava no século XIV aC (Assmann, 1997). Raffaele Pettazzoni, em seu primitivo L'Essere Supremo nelle religioni (1957, pp. 156-162) alertou os pesquisadores para começar a partir de elementos conhecidos para revelar os desconhecidos - e os elementos conhecidos são os monoteísmos históricos. Agora todos eles parecem compartilhar características comuns: um profeta ou reformador pregando uma nova religião que é precisamente monoteísta e que considera omnes dii gentium daemonia (todos os deuses gentios são demônios). Tal revolução não é registrada na Assíria, então - assumindo a nomenclatura de Pettazzoni - não se pode falar de um monoteísmo na Assíria (o caso de Aton, no entanto, deve ser incluído nesta classe), mas sim de uma teologia do Ser Supremo.[1]

Mas antes de Ashur se ter transformado no Ser Supremo da teologia assíria foi seguramente um deus local modesto relacionado com os cultos pascais de fertilidade agrícola e de morte e ressurreição solar como parece sugerir uma placa de calcário encontrada no templo de Ashur.


Figura 6: Baixo-relevo de pedra calcária encontrado no templo do deus Assur, representando uma divindade (Assur?) Alimentando duas cabras, com duas deusas com vasos brotando a seus pés. Início do 2º milênio AC. DE ANÚNCIOS Museu Pergamon(Reprodução por IA)

Se foi esta representação calcária foi encontrada no templo do deus Ashur na cidade de Assur não deveria haver dúvidas sobre a sua natureza mas parece haver na medida em que é explicitamente um deus de fertilidade agrícola como Tamuz. Mas na origem este deus montanhês, como se infere pela forma de montanha do seu vestido e pelos ramos de pinheiros que as cabras montesas comem, não poderia ser um deus de pastoreio de montanha? Obviamente que sim tanto mais que a relação etimológica entre o nome de Ashur e o de Osiris é evidente e a postura osiríaca nesta representação é flagrante. Por tudo isto nada nos impede de postular que na origem Ashur fosse o mesmo que Tamuz tanto mais que o segundo rei lendário da cidade foi precisamente Adamu.

Adamu foi um dos primeiros reis assírios, e listado como o segundo entre os "dezessete reis que viviam em tendas" nas Crônicas da Mesopotâmia. As Crônicas da Mesopotâmia afirmam que Adamu sucedeu a Tudiya. O assiriologista Georges Roux afirmou que Tudiya teria vivido c. 2.450 AC - c. 2.400 AC. O primeiro uso conhecido do nome “Adam” como um nome histórico genuíno é Adamu. Como no caso de seu predecessor, virtualmente nada se sabe sobre o reinado de Adamu ou sobre ele pessoalmente; sua existência permanece não confirmada arqueologicamente e não corroborada por qualquer outra fonte.

                                > Ish-Min > Ishmun de Sidon > Apolo Esménio.

Adamu < Atha-Min > Adam > «Adão» < Adónis

                                 > Atum.

The Display of Dumuzi at AššurThe representation of the Corpse of Dumuzi is laid to rest from the 27th to the 29th day of the month of Tammuz, each day being followed by the rites: The rites of Screaming, The rites of Release, the Rites of Dumuzi.

Agudu, Guardian of the city of Aššur

En-ge-gen-gen, Guardian of Aššur

Enpi, The Gate Keeper of Aššur

En-nun-dul, Gate Keeper of Aššur.

Melû, deified staircase of the Aššur Temple.

Zababa War God, son of Aššur, consort of Ištar, tutelary deity of Kish. His main Temple at Kish is the Emeteursaĝ.

Hašhur, God of the Apple.

Ki-dudu, Protective Deity of the Walls of Aššur.

A riqueza gerada pelo comércio em Karum Kanesh proporcionou às pessoas de Assur a estabilidade e a segurança necessárias para a expansão da cidade e, assim, lançaram as bases para a ascensão do império. O comércio com a Anatólia era igualmente importante para fornecer aos assírios matérias-primas a partir das quais conseguiram aperfeiçoar o artesanato do ferro. As armas de ferro dos militares assírios provariam uma vantagem decisiva nas campanhas que conquistariam toda a região do Próximo Oriente. Possivelmente foi esta súbita vantagem militar que transformou uma cidade de pacíficos mercadores inteligentes e bem organizados e crentes no deus de fertilidade agrícola do promontório da sua cidadela numa sociedade imperialista de sucesso apoiada num exército de grande sucesso baseado na vantagem do uso de armas e carros de guerra de ferro e poderosas máquinas de assalto.

Kriwaczek comenta sobre isso, escreveu: A Assíria certamente deve ter um dos piores anúncios na imprensa de qualquer estado da história. A Babilónia pode ser um apelido para corrupção, decadência e pecado, mas os assírios e seus governantes ficaram famosos, com nomes aterrorizantes como Salmanazar, Tiglat-Pileser, Senaqueribe, Esarhadon e Assurbanipal, classificados na imaginação popular logo abaixo de Adolfo Hitler e Gengis Kan pela crueldade, violência e pura selvajaria assassina. (208)

Embora não haja como negar que os assírios eram implacáveis e claramente não brincavam em serviço mas no final não eram mais selvagens ou bárbaros do que qualquer outra civilização antiga. Para formar e manter um império, eles destruíram cidades e assassinaram pessoas, mas nisso não foram diferentes daqueles que os precederam e seguiram, a não ser por serem mais práticos e eficientes do que os seus vizinhos.

Salmanazar, escolhido pelo deus Enlil, sagrado vice-regente do deus Assur, escolhido pelos deuses, príncipe, favorito da deusa Ishtar, aquele que mantém os rituais e as oferendas puras, aquele que torna abundantes as oferendas apresentadas a todos os deuses, aquele que fundou os centros sagrados de adoração, que construiu a Ehursagkurkurra - coroa dos deuses - (e) montanha dos países - grande dragão surpreendente, pastor de todas as localidades, aquele cuja conduta agrada a Assur, herói valente, capaz nas batalhas, esmagador do inimigo, aquele que ressoa como o estrondo da batalha aos ouvidos dos seus inimigos, cujos ataques agressivos são rápidos como as chamas e cujas armas atacam como uma armadilha mortal implacável, príncipe devotado, que actua com o apoio de Assur e todos os deuses, seus senhores, e não tem rival, aquele que captura os distritos inimigos acima e abaixo, o senhor a cujos pés o deus Assur e dos grandes deuses são submetidos todos os soberanos e príncipes.

Desde os primeiros tempos da cidade-estado de Assur, na primeira metade do segundo milênio aC. DC, Ashur é apresentado como o verdadeiro rei da cidade, o soberano humano sendo apenas um príncipe (rubūm), ou, mais revelador, o “vigário de Ashur” (iššiak Aššur). Se a partir da segunda metade do segundo milênio os reis assírios tomam o título de "rei" (šarru), essa relação não muda, como mostra o fato de que, a cada coroação de um novo rei, se proclama "Ashur é Rei! », Salientar que o deus é o verdadeiro dono do reino. Assim, o hino de coroação de Assurbanipal especifica "Ashur é rei!" Ashur é rei! Assurbanipal é o vigário de Ashur, a criação de suas mãos. "

A personalidade desse deus foi enriquecida com a ascensão política da Assíria, tomando os aspectos das outras divindades soberanas da Mesopotâmia, em primeiro lugar Enlil, o rei dos deuses, a quem ele é regularmente assimilado. No início do século 7 aC. DC, foram os aspectos da personalidade do grande deus babilónico Marduk que foram retomados, durante o reinado de Senaqueribe, que transpôs os elementos do culto da Babilônia para Assur, em particular a festa de Ano Novo.

Si Assur n'est plus la capitale politique de l'Assyrie après le IXe siècle, elle demeure toujours sa capitale religieuse même après la fin de l'Empire, car leur dieu et souverain Assur y a son domicile terrestre. Ainsi, la cité conserve une grande importance pour les rois assyriens, dont le pouvoir est légitimé par Assur, leur maître. Les souverains résident d'ailleurs toujours une partie de l'année à Assur pour accomplir les lourdes tâches de leur fonction religieuse, car ils sont aussi les grands prêtres du dieu.

Sur l'emplacement de l'ancien temple d'Assur, un nouveau sanctuaire est érigé dans le courant du IIe siècle. Les graffiti qui y ont été retrouvés indiquent qu'il est toujours consacré à la divinité locale, désormais appelée Asor, et à sa parèdre Sherua. Le temple possède sa propre enceinte intérieure, qui disposait sans doute à l'origine d'arcades. La façade du sanctuaire, disposée sur le côté nord de la cour, comprend trois iwans rapprochés ouvrant sur l'esplanade principale. Cette disposition est similaire à celle du grand temple de Hatra, son contemporain, caractéristique de l'architecture parthe. Les inscriptions du sanctuaire sont datées des fêtes principales de l'ancien calendrier cultuel assyrien, qui a donc été préservé après la chute de cet empire117.

 

Ver: SURIA (***)

 

When Assyria conquered Babylon in the Sargonid period (8th–7th centuries BC), Assyrian scribes began to write the name of Ashur with the cuneiform signs "AN.SHAR", literally "whole heaven" in Akkadian, the language of Assyria and Babylonia. The intention seems to have been to put Ashur at the head of the Babylonian pantheon, where Anshar and his counterpart Kishar ("whole earth") preceded even Enlil and Ninlil. Thus in the Sargonid version of the Enuma Elish, the Babylonian national creation myth, Marduk, the chief god of Babylon, does not appear, and instead it is Ashur, as Anshar, who slays Tiamat the chaos-monster and creates the world of humankind.

Portanto a tendência para a etimologia popular é muito antiga e pelos vistos já os assírios pensavam que Ashur era Anshar, até porque lhe convinha politicamente que fosse uma vez que Anshar da Babilónia era até mais antigo e, por isso, mais importante que Enlil.

In the Sumerian, Akkadian, Assyrian and Babylonian creation myth Enuma Elish, Anshar (also spelled Anshur), which means "whole heaven", is a primordial god. His consort is Kishar which means "Whole Earth".

Sumer šúr = (to be) furious, angry, haughty, enraged. = furioso, irado, altivo, enraivecido...etc.

A fabricação de novos deuses nunca foi coisa fácil e seguramente que os babilónios não inventaram deuses que os Sumérios, de quem herdaram quase toda a cultura, não tivessem tido. Assim é óbvio que estes deuses são formas encobertas de Anu / Anshar & Ki / Kishar. As traduções de línguas arcaicas são sempre discutíveis mesmo quando etimologicamente muito bem conotadas.

Anshar < Anshur < Anu + | šúr < Kur | > En-kur = Enki

Kishar < *Kishur < Ki + | šúr < Kur | > Ki-kur = Nin-Kur + Sag

> Ninhursag.

Então o mais natural será suspeitar que Ashur corresponda a uma divindade também já existente encoberta pela ganga do abuso linguístico assírio que deu nome à sua cidade tutelar que era Assur.

The Assyrians of today always referred to themselves, as confirmed by many historians, as Atourayeh, to their land in the plains of Nineveh as the land of Atour, and to their God as Ashur, hence their neighbors called them Ashuriyeen (singular Ashuri) reference to their God Ashur.

Assyrians were known too as Athouriyeen and Athour for the people and the land respectively in Aramaic and Arabic. When the Greek under Alexander the Great passed by the land of Atour in 337 BC, he called the inhabitants ‘Assyrians’ instead of ‘Ashurians’ since the Greek do not have the letter ‘Sh’ in their alphabet.

Later the Greek modified the term to Syrians in a wider range to refer to Assyrians and when used with "The" as the definite article (al, in Arabic), it appeared as ‘The Syrians’, in Arabic it read ‘al-Syrian’ or as truely pronounced ‘al-Sir-yan’ (‘Sir-ya-ni’ in singular form) and in our mother language Syriac ‘Su-ra-yeh’ and the singular ‘Su-ra-ya’.[2]

Notar a similitude entre o nome “Su-ra-ya” e o do deus hindu do sol, Suria, que deste modo se revela uma variante de Ashur!

The earliest indication of the presence of Aryans on the Iranian plateau comes, surprisingly, from the south-west of the land; for in Babylonia about 1760 B.C. there is named among the gods of the conquering Kassites (a mountain people from Babylon’s eastern border) a sun-god Suriiaš, who is generally interpreted as representing the Indo-Iranian *Surya-s. -- A HISTORY OF ZOROASTRIANISM BY MARY BOYCE

Na verdade, o mais natural será suspeitar que foi o Indo-Iranian *Surya-s que derivou do nome do deus assírio Ashur.

Ashur > Shur-i-ash > Suriiaš > *Surya-s.

Aššur (Akkadian) (English | Ashur/Assyria, Assyrian / Aššur; Assyrian Neo-Aramaic / Ātûr; Hebrew: אַשּׁוּר‎ / Aššûr; Arabic: آشور‎ / ALA-LC: Āshūr; Kurdish: Asûr), also known as Ashur, Qal'at Sherqat and Kalah Shergat, is a city from the Neo-Assyrian Empire.

Os apelidos incluem bêlu rabû (grande senhor), ab ilâni (pai dos deuses), šadû rabû (grande montanha), Enlil dos deuses e ilu aššurû (deus de Aššur). Nos tempos antigos da Assíria, costuma ser referido apenas como bēlī ou ilum / ilī.

Visto que Aššur também foi chamado mais tarde dEn-lil, talvez fosse originalmente um deus ctónico e da montanha o que também é indicado por sua adoração em É-ḫur-sag-kur-kur-a e o apelido šadû rabû (Grande Montanha). Ele pode ter sido o deus do Monte Ebih a sudeste do Tigre (Ǧabāl Maḫul ou Ǧabāl Ḫamrin) [[3]]. Um templo ficava no Monte Ebiḫ. A montanha é rica em cabras selvagens e outros animais selvagens.

O facto de se ter chamado grande montanha reforça a suspeita de ser um deus ctónico muito arcaido aplicado a uma montanha sobre a qual terá reinado o deus Iskur da Suméria como deus da tempestade.

Os antigos atributos assírios de Achur são o patru e o šugariaū, mas o significado destes termos não é claro, talvez com patru se refira a uma adaga de ferro. No período Assírio Novo, a arma assíria (kakru) é particularmente importante, pois era adorada como tal e é mencionada nas fórmulas dos juramentos. Presumivelmente, também foi usado em campanhas, análogas ao šuri do deus urartiano Ḫaldi.

Em conclusão, Ashur seria uma variante linguística local de Iskur, o deus sumério das tempestades que acabou com o tempo por ser o “disco solar alado”, não tanto por ser o sol mas por teologicamente ser aquele que o transporta no céu.

Ashur Aššur = Ach-Chur < Ach-Kur > Ishkur ó Istar.

Assim, a etimologia deste deus pareceria não deixar dúvidas de que o “rei do céu”, que era obviamente o sol, era também filho de Enki, que por ser também Enkur / Kar era um psicopompo significativamente representado como a pomba do Espírito Santo que atira do céu flechas de sabedoria na forma de raios de luz que iluminam o mundo e permitem ver a verdade das coisas!

Entretanto, com os progressos no domínio da domesticação animal que levaram à revolução agro-pastoril pós diluviana o homem descobriu que podia ser Pai. Uma vez na posse deste saber não só se aproveitou dele para reforçar a sua legitimidade de «macho dominante» como para construir um novo regime de fundamentação da autoridade social a que chamamos patriarcado, baseada na consagração do princípio da primazia das relações familiares patrilineares com as quais passou a ser possível a transmissão hereditária da riqueza e do poder, que entretanto tinha passado a ser possível de acumulação.

Assim sendo, a análise do nome de Apolo revela-nos epifania dos primeiros passos no sentido da elaboração do «eu ideal» a partir interiorização da imagem mítica do Pai[4] Solar / Mãe telúrica e lunar, por sublimação do complexo de castração pós-diluviano com que começou o patriarcado.

The most interesting expression, however, from the point of view of the history of Zoroastrianism is Vedic asura, Avestan ahura, which is a title meaning “lord”, used in both languages for men as well as gods. 4 In the Vedas this title is freely given to divine beings in general, the one who receives it most often being in fact Dyaus Pitar, “Father Sky”, 5 the Indian equivalent of Jupiter, who was originally perhaps the mightiest of the devasIn the often more conservative Iranian tradition, however, only three gods are ever addressed as ahuraThey form a group, appearing closely linked in concept and function; and it seems very likely that it is these three who were the original “Lords” of the Indo-Iranian pantheon, and that it was only gradually that among the Indians their characteristic title came to be used respectfully for other gods also.

(…) In the case of the asuras this process must have been going on for several thousand years before the oldest surviving texts in their honour were composed; and it is plainly, therefore, no easy matter to retrieve the primary concept and comprehend the fundamental nature of these gods. The one among them who best lends himself to study, and through whom one may therefore hope to reach an understanding of the whole triad, is Vedic Mitra, Iranian Mithra. -- A HISTORY OF ZOROASTRIANISM BY MARY BOYCE.

 



[1] Bibliography

Assmann, Jan. Moses the Egyptian: The Memory of Egypt in Western Monotheism. CambridgeMass., 1997. See chapter 2.

Fales, Frederick Mario. L'impero assiroRome and Bari, 2001.

Lambert, W. G. "The Historical Development of the Mesopotamian Pantheon: A Study in Sophisticated Polytheism." In Unity and Diversity, edited by H. Goedicke and J. J. M. Roberts, pp. 191200. Baltimore and London, 1975.

Lambert, W. G. "The God Ashshur." Iraq 45 (1983): 8286.

Livingstone, A. "Assur." In Dictionary of Deities and Demons in the Bible, edited by K. van der Toorn et al., pp. 108109. Leiden, Boston, and Cologne, 1999.

[2] The Assyrian continuity by Fred Aprim.

[3] W. G. Lambert, The God Aššur. Iraq 45/1 (Papers of the 29 Rencontre Assyriologique Internationale, London, 5-9 July 1982), 1983, 84.

[4] Dado o conservantismo do Direito, próprio das antiquíssimas ciências que se renovam a partir do melhor que podem herdar do passado, nele podemos encontrar conceitos operativos que são verdadeiros fosseis ideológicos, como é o caso da figura legal do «bom pai de família», prevista no N.º 2 do Artigo 487º do C. C. P., enquanto critério de avaliação da culpa. No domínio da culpabilidade com que se tece e sublima o «super eu» cabe ao pai mítico o papel da ordem cósmica com que se definem os limites da licitude criativa através dos instrumentos da repressão autoritária ou pelo perdão paternalista.

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