terça-feira, 21 de maio de 2013

«ARVORE DA VIDA» OU OS CULTOS NEOLÍTICOS DE FERTILIDADE AGRÍCOLA, por arturjotaef

HULUPPU DE INANA.. 1

SICÓMORO.. 9

YGGDRASIL. 11

 

HULUPPU DE INANA

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Figura 1: Inana / Istar em todo o seu esplendor guerreiro e artemisino, junto do seu hullupu, a “ árvore da vida guardada por duas cabras.

The dark cypress (the Kishkanu tree) is associated with Enki (Ea) or Hermes, King of the Abyss, who shows the dark way, the night-time path, into the underworld. The white cypress (the Halub tree) is associated with Ishtar (Inanna) or Aphrodite, Queen of Heaven, who shows the bright way, the daylight path, into the heavens; it is she who pours the double libation at the pool. (Butterworth, Tree 68-71, 215-6; Nichols 302) (The lunar and solar paths are traversed in XVII.Moon and XVIII.Sun. Recall also that Hermes and Aphrodite are the parents of Hermaphroditus, the alchemical androgyne.)

According to the Orphic grave tablets, the deceased is to proceed to the pool by the dark cypress and drink there the water of oblivion; this is the path to the Underworld. The deceased is forbidden to drink from the pool by the white cypress, the Tree of Life, which is the way to Olympus, for this would confer the immortality of the gods. This pool contains the Water of Life, which flows from the spring in the roots of the Tree of Life. (Butterworth, Tree 144-5, 215-6; cf. the "Myth of Er" in Plato's Republic) (See XIII.Death for more on the two cypress trees.)

(...) The lion-headed bird is the Zu bird (the Amar-Anzu or Imdugud) of Sumerian and Babylonian legend, which nests in the sacred Halub tree planted by Inanna, and stole the Tablets of Destiny, which are on a sprig of the Tree of Knowledge and give order to the universe. These tablets belonged to Enki (the teacher of humankind, i.e. Hermes-Thoth) or to the primordial serpent Tiamat. The black color of the Tree of Knowledge represents destiny and is associated with Saturn/Kronos/Chronos, Lord Destiny, who is Hermes Senior (Black & Green 107; Butterworth, Tree 201, 205-6; Cooper s.v. color; Cotterell 56-7; see also I.Magician on the connection between Hermes and Saturn) -- Pythagorean Tarot homepage.

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Figura 2: De que espécie vegetal era o huluppu de Inana, a «árvore da vida»? Uma tamareira? A esquematização da presente figura, em estilo assírio, assim o parece sugerir e os querubins alados não serão senão representações zoomórficas dos pássaros de polinização.

Halub tree <= h(a)ulup-pu < Khuluppu > Ki + Kauruw-Wu

< *Kikurukuku!!! Lit. «a árvore onde o galo se empoleira para anunciar a aurora com o seu cocorocó»!

Khuluppu: The world-tree in Babylonian cosmology. It stands on the bank of the Euphrates; its wood is medicinal. It is made into a nuptial couch for Ishtar's lovemaking. -- SHORT DICTIONARY OF MESOPOTAMIAN RELIGION.

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<= Figura 3: Cacho de tâmaras de tamareira fêmea.

Figura 4: Tamareira macho com penachos polinizadores. =>

O poema seguinte, constitui uma das fontes do mito do génesis no que respeita à mítica da «árvore da vida eterna» e à serpente dragão enroscada no seu tronco.

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Este poema parece andar mal traduzido no que diz respeito ao nome de Lilit, pois é quase certo que este nome seria o feminino de Enlil na sua função de Ereshkigal.

 

CANÇÃO DO HULLUPU DE INANA, um dos mais belos poema sumérios!

Nos primeiros dias, nos dias primordiais,

Nas primeiras noites, nas noites primordiais,

Nos primeiros anos, nos anos primordiais,

Nos primeiros dias, quando tudo o que era necessário foi trazido à existência,

Nos primeiros dias, quanto tudo o que era necessário foi bem nutrido,

E o pão era assado nos santuários da terra,

E o pão era provado nos lares da terra,

Quando o céu se retirou da terra,

e a terra se separou do céu,

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Figura 5: A apresentação do sol diante da barca do deus Enki, entronizado sobre as águas! Como se vê, o mito da «barca solar», tipicamente Egípcio, aparecia também entre os sumérios.

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Figura 6: Grande painel assírio com deuses e Querubnis adorando a “árvore da vida”!

E o nome do Homem foi fixado;

Quando o Deus do Céu, An, carregou os céus,

Quando o deus do ar, Enlil, carregou a terra,

Quando à rainha do Grande Abaixo, Ereshkigal,

foi dado o mundo inferior para seu domínio,

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Figura 7: Inana ou a deusa mãe protectora da agricultura partilhando o Hullupu com outros deuses!

Ele velejou; o Pai velejou;

Enki, o Deus da Sabedoria, velejou para o mundo inferior.

Foram lançadas pedradas contra ele;

Grandes granizos foram arremessados contra ele;

Como uma investida de tartarugas,

Eles quebraram a quilha do navio de Enki.

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Figura 8: Querubins de guarda ao Huluppu de Inana a “árvore da vida”!

As águas do mar devoraram a proa do seu navio como lobos;

As águas do mar golpearam a popa do seu navio como leões.

Neste momento, uma árvore, uma solitária árvore, uma árvore huluppu

Foi plantada nas margens do Eufrates.

 

A árvore foi nutrida pelas águas do Eufrates.

O rodopiante Vento Sul apareceu, puxando suas raízes

e dilacerando seus galhos.

Até que as águas do Eufrates a levaram.

Uma mulher que caminhava temendo a palavra do Deus do Céu, An,

que caminhava temendo a palavra do Deus do Ar, Enlil,

Tirou a árvore do rio e disse:

"Eu levarei essa árvore para Uruk.

Eu plantarei essa árvore em meu jardim sagrado."

Inanna cuidou da árvore com suas mãos.

Ela firmou a terra ao redor da árvore com seu pé.

Ela pensou:

"Quanto tempo passará

até que eu tenha um trono reluzente para me sentar?

"Quanto tempo passará

até que eu tenha uma cama reluzente para me deitar?"

Os anos passaram; cinco anos? Então, dez anos!

A árvore cresceu grossa,

Mas a sua casca não se partiu.

O pássaro Anzu pôs os seus filhotes nos galhos da árvore.

E a donzela negra Lilith construiu a sua casa no tronco.

A jovem mulher que adorava sorrir chorou.

Oh, Como Inanna chorou!

(Ainda assim eles não deixariam a árvore.)

Logo que os pássaros iniciaram seu canto no alvorecer,

O Deus Sol, Utu, deixou seu dormitório real.

Inanna chamou seu irmão Utu, dizendo:

"Oh Utu, na época em que os destinos foram decretados,

Quando a abundância se derramava pela terra,

Quando o Deus do Céu pegou os céus, e o Deus do Ar, a terra,

Quando a Ereshkigal foi dado o Grande-em-baixo para seu domínio,

O Deus da Sabedoria, o Pai Enki, velejou para o mundo inferior,

E o Mundo Inferior se levantou contra ele e atacou-o...

Neste momento, uma árvore, uma solitária árvore, uma árvore huluppu

Foi plantada nas margens do Eufrates.

O Vento Sul puxou as suas raízes e dilacerou seus galhos.

Até que as águas do Eufrates a levaram.

Eu arranquei a árvore do rio

Eu trouxe-a para o meu jardim sagrado."

Eu cuidei da árvore, esperando por meus brilhantes trono e cama.

Figura 9: Inana a deusa que suportava os lares como os pilares de papiro que suportavam as habitações lacustres dos sumérios! Estes pilares seriam seguramente troncos de tamareiras relacionadas com a «árvore da vida». Desta tradição relacionada com o poder reprodutor e protector da Deusa mãe pode ter derivado à tradição mítica da simbologia relativa à deusa mãe das «colunas duplas» e das «duplas montanhas», ou vice-versa!

Então uma serpente que não podia ser encantada

Fez o seu ninho nas raízes da árvore do huluppu.

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O pássaro Anzu pôs seus filhotes nos galhos da árvore.

E a donzela negra Lilith construiu a sua casa no tronco.

Eu chorei.

Ai, como eu chorei!

(Ainda assim eles não deixariam a árvore.)

Utu, o guerreiro valente, Utu,

Não ajudaria sua irmã, Inanna.

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Figura 10: Istar / Inana junto ao seu Huluppu, a “arvore da vida”.

Logo que os pássaros iniciaram seu canto no alvorecer do segundo dia,

Inanna chamou seu irmão Gilgamesh, dizendo:

"Oh Gilgamesh, na época em que os destinos foram decretados,

Quando a abundância se derramava pela terra,

Quando o Deus do Céu pegou os céus, e o Deus do Ar, a terra,

Quando à Ereshkigal foi dado o Grande Em-baixo para seu domínio,

O Deus da Sabedoria, Pai Enki, velejou para o mundo inferior,

E o Mundo Inferior se levantou contra ele e O atacou...

Neste momento, uma árvore, uma solitária árvore, uma árvore huluppu

Foi plantada nas margens do Eufrates.

O Vento Sul puxou suas raízes e dilacerou seus galhos.

Até que as águas do Eufrates a levaram.

Eu arranquei a árvore do rio

Eu trouxe-a para o meu jardim sagrado."

Eu cuidei da árvore, esperando por meus brilhantes, trono e cama.

Então uma serpente que não podia ser encantada

Fez seu ninho nas raízes da árvore huluppu.

O pássaro Anzu pôs seus filhotes nos galhos da árvore.

E a donzela negra Lilith construiu sua casa no tronco.

Eu chorei.

Ai, como eu chorei!

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Figura 11: Damuz pastoreando as cabras de Inana junto à “arvore da vida”!

(Ainda assim eles não deixariam a árvore.)

Gilgamesh, o guerreiro valente, Gilgamesh,

O herói de Uruk, ficou ao lado de Inanna.

Gilgamesh firmou sua armadura de cinqüenta minas ao redor de seu peito.

As cinqüentas minas pesaram tão pouco para ele como cinqüenta penas.

Ele levantou seu machado de bronze, o machado do caminho.

Pesando sete talentos e sete minas, até seu ombro.

Ele entrou o jardim sagrado de Inanna.

Gilgamesh, golpeou a serpente que não podia ser encantada.

O pássaro Anzu vôou com seus filhotes para a montanha;

E Lilith destruiu a sua casa e fugiu para os locais selvagens e desabitados.

Gilgamesh, então, desprendeu as raízes da árvore huluppu;

E os filhos da cidade, que o acompanhavam, cortaram os galhos.

Do tronco da árvore ele esculpiu um trono para sua sagrada irmã.

Do tronco da árvore, Gilgamesh esculpiu uma cama para Inanna.

Das raízes da árvore ela talhou um pukku para seu irmão.

Da copa da árvore Innana teceu um mikku para Gilgamesh, o herói de Uruk.

Entre outras coisas este mito põe a descoberto a contradição conhecida de que Gilgameche [1] desprezou o amor de Ishtar/inana pois que, pelo menos na época mítica deste mito particular, se refere que:

Gilgamesh, o guerreiro valente,

Gilgamesh, o herói de Uruk, ficou ao lado de Inanna.

Que tipo de planta seria o Huluppu? Seria o «lúpulo»  , a planta que dá o sabor à cerveja? Seriam as «túlipas»?

 «Lúpulo» (< Lat. lupu-lu < Huluppu + lu?)

«Túlipas» (< Pers. dulband, turbante ( ??? [2])

Pelo porte destas plantas herbáceas dificilmente se pode esperar que delas viesse a despontar a autêntica e verdadeira «árvore da vida» de Inana mas pode ter havido uma relação com um termo arcaico de que estes apenas derivariam.

No Egipto poderia ter sido o «sicómoro».

Do nome grego Sykómoro parece inferir-se que significaria literalmente «figo-amora» ou, se morea não era «amora» mas uma ressonância de Tamar, o arcaico nome indígena do Egipto, então, «figo do Egipto»!

Sukomoros, hê, (moron) Ficus Sycomorus,.(Heb. shikemah). Sukon, Boeot. Tukon = hippo-kleidês, ou, ho, (kleiô) pudenda muliebria, = Lat. capri-fîcus = the wild fig-tree.

Uma etimologia que faça derivar o nome duma figueira brava dum verbo genérico como o grego kleiô, com o significado de «fechado à chave», mesmo que se tenha suspeitado que se trataria de um fruto que tinha as infrutescência fechadas, numa espécie de alusão metafórica a um útero vegetal, não parece muito convincente. Mesmo assim, chamar «cavalo fechado» ao figos bravo (= «bêbera»), mesmo que na alusão implícita de «vagina fechada de éguas», talvez seja imaginação a mais!

De facto, existindo a suspeita de Hippo-kleidês ser uma palavra afeiçoada pelas ressonâncias semânticas antes referidas poderíamos supô-la com a seguinte derivação:

Hippo-kleidês < Hi-ppo-ki-lu-edês < Hu-lu-ppu Kêôdês, lit. «a árvore do cheiro a incenso», o que só não faria sentido se de facto os «sicómoro» cheirassem mal e então não teriam sido a árvore da vida de Hator, a deusa bem cheirosa beleza e do amor!

Kêôdês, es, (kê- cogn. with kêïa, kaiô; -ôdês with odôda) smelling as of incense, fragrant.

Huluppu < Kul-pupu < Kur-phuphu < *Kur kuku?

 

SICÓMORO

Sinuhé «do Sicómoro», nome do mais célebre escritor do antigo Egipto, é suposto ser a reconstituição filológica de um hieróglifo que seria suposto também significar ideograficamente «filho do sicómoro» (< Gr. Sykómoros) no pressuposto de esta a «árvore da vida» de Hator viesse a ser auspiciosa a quem a levaria no nome dando-lhe a longa vida que Sinuhé de facto teve. Assim, Hator teria tido, entre outras múltiplas manifestações e funções, como Inana, «a de mil ofícios», a de amamentar os príncipes reais. Assim ela era associada frequentemente ao sicómoro, seguramente em funções de «árvore da vida» por ventura por produzir uma seiva semelhante ao leite de figo.

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ç Figura 12: «Sicómoro», aqui representado metaforicamente com um peito, com aspecto de odre de vinho, por onde mama um príncipe.

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Figura 13: «Menkheperré é amamentado por Isis».

Esta árvore, hoje em risco de extinção, era emblemática do antigo Egipto porque os seus frutos eram comestíveis e a sua madeira era utilizada em sarcófagos e estátuas não apenas por ser reconhecidamente de grande resistência mas sobretudo por ser esta a «arvore da vida» de Hator. No entanto, ou esta era apenas uma das várias manifestações da «deusa mãe» ou a deusa do sicómoro não teria sido apenas Hator pois sabe-se que, pelo menos Nut e Isis andaram também associadas com esta árvore da vida». Isis porque partilhava com Hator as funções de Deusa Mãe solar de Horus! Nut, porque esta arcaica Deusa Mãe primordial seria seguramente a mesma que Neith, a deusa archeira como Atena, e segura variante de Anat.

A verdade é que a função de amamentar os príncipes era de Anat na Canaaneia que tinha ali o mesmo papel de Artemisa (Galatófora) na Anatólia (mas não na Grécia), a deusa equivalente de Sequemete.

 

Ver ACTEON (***) e NUT (***)

 

Nem por acaso, o nome de Sinuhé em hieróglifos era:

clip_image018[4] = Sanu-h-et  + Heb. shikemah | >

Ash-Anu-at < Ish-Anat, lit. «filho de Anat» | & Sequemete?

Seria o sicómoro, a «árvore da vida» dos egípcios, o huluppu de Inana? Precisaríamos de saber o nome exacto que o sicómoro tinha no antigo Egipto para poder inferir da relação étmica deste nome com o Huluppu. Mas, como ficou dito, até o próprio nome de Sinuhé corresponde a uma mera inferências filológica sujeita a todas as reservas apontadas noutros pontos destes estudos e próprias dum sistema de reconstituição fonológica de uma língua morta que, a esta distância do tempo, por mais meritório que seja, ficará sempre debaixo de fortes suspeições epistemológicas!

In Ancient Egypt, several types of trees appear in Egyptian mythology and art, although the hieroglyph written to signify tree appears to represent the sycamore (nehet) in particular. The sycamore carried special mythical significance. According to the Book of Dead, twin sycamores stood at the eastern gate of heaven from which the sun god Re emerged each morning. The sycamore was also regarded as a manifestation of the goddesses Nut, Isis, and especially of Hathor, who was given the epithet Lady of the Sycamore. Sycamores were often planted near tombs, and burial in coffins made of sycamore wood returned the dead person to the womb of the mother tree goddess.

Obviamente que sem pista concretas esta derivação é demasiado genérica e daria para muitos outros nomes de árvore.

Seria o «carvalho», árvore sagrada dos celtas? Foneticamente parece que não pois mesmo no seu genérico «facáceas» falta a labial presente em huluppu.

Seria a «oliveira» (< lat. Oliva < hauluba < huluppu) que era a madeira sagrada em que outrora se talhavam os santos? Não era de certeza o «eucalipto» por este ter vindo da Austrália apenas com os descobrimentos portugueses! Pela madeira poderia ser:

O «cedro» (= • s. m. árvore conífera, cupressácea e outras; • madeira destas árvores.) < Lat. cedru < Gr. kédros < Ki-thros, lit. «o toro de Ki, ou seja o hulupu de Inana < *Ki-kurish< *Kaphurisco > *Kurkukiko > Hul-hu-phi-phu > huluppu.

O «cipreste» (= s. m. árvore cupressácea, da família das pináceas),< Lat. cypressu < Gr. kupárisso < kuphaurishu < *Kaphurisco < Ka-Iscur/Ishtar = *Ki-Kurish.

 

Ver: AFRODITE CHIPÍRIA (***)

 

YGGDRASIL

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Figura 14: Yggdrasil.

Oðin himself gave up one eye for a single drink from the mead of this spring. Another root lies in the spring of Urð, "which is so sacred that everything that comes into the spring becomes as white as the film... that lies within the eggshell". Snorri quotes from the Völuspá in the Poetic Edda:

I know an ash-tree
known as Yggdrasil
a tall tree and sacred
besprent with white clay
thence comes the dews
that fall on the dales
it stands ever green
over Urð's spring.

Parece assim que as runas, que teriam sido levadas pelos fenícios para as costas do mar do norte, recordavam, neste caso, o nome púnico do «freixo», que teria tido uma raiz comum com os latinos, talvez próxima de *Furatun. Que teria este termo próximo da cornucópia da fortuna a ver com os freixos (???). Talvez o mero facto de serem a norte a única fonte próxima do mel com o qual se fariam as bebidas licorosas mais próximas das que os povos mediterrâneos preparavam com hidromel! Por outro lado, esta pode ser a razão pela qual o freixo é a única ligação étmica na língua inglesa entre o étimo ash- da Ashera, que era a «árvore da vida» mais pelas suas relações rituais com o Soma das «poções mágicas» do que por ser uma fonte de infindáveis recursos alimentares, como inegavelmente eram as tamareiras!

Yggdrasil (nórdico antigo: Yggdrasill) é uma árvore colossal (algumas fontes dizem que é um freixo, outras que é um teixo), na mitologia nórdica, que era o eixo do mundo. 

Localizada no centro do universo ligava os nove mundos da cosmologia nórdica, cujas raízes mais profundas estão situadas em Niflheim, fincavam os mundos subterrâneos; o tronco era Midgard, ou seja, o mundo material dos homens; a parte mais alta, que se dizia tocar o Sol e a Lua, chamava-se Asgard (a cidade dourada), a terra dos deuses, e Valhala, o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.

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Figura 15: «Freixo», (s. m. árvore grande, silvestre, da família das oleáceas)

O «freixo» < freixinho < Lat. Fraxinu < *Phorash anu > *Furatun (> Fortuna) < *Kur ish

Many species of Fraxinus, the ash tree, exude a sugary substance which the ancient Greeks called méli, i.e. honey. This substance was harvested commercially until the early part of this century, and is found on Fraxinus excelsior in northern Europe and Fraxinus ornus in the mountains of Greece.

Ash = an Old English runic letter, = F = Ansuz (named from a word of which it was the first letter) Old English æsc, from Germanic.[3]

Na mitologia maia o Yaxche era a árvore do paraíso debaixo da qual as almas se reuniam. Ora, seja qual for a etimologia deste termo mais a verdade é que ele está foneticamente próximo das raizes ash- e Ygg- de Yggdrasil.

Uma prova adicional a reforçar esta tese pode ser fornecida pela etimologia do nome da cidade supostamente relacionada com o logar romano da actual Leiria.

Collipo > Coliphto < Kori-kito < *Karkito >> Corhtis > Cortes, em Leiria.

Ø     Colliphto < *Caulliphitu < Hullupu-Ki, a árvore do paraíso, o cólio, o lírio ou a flor do lis????

Segundo Jorge de Alarão a localização de Collipo já não oferece dúvidas porque se situava em (S. Sebastião do) Freixo. Co mo se vê, embora exista uma etimologia derivada directamente do termo sumério Hullupu-Ki no nome moderno a relação é já meramente indirecta. No entanto este facto não deixa ainda assim de ser espantoso pois manifesta uma verdadeira tradução dentro do âmbito de mesma semântica mítica. Se o hullupu de Inana era a «arvore da vida» e esta foi considerada pelos celtas como sendo o «freixo» natural seria que o nome collipo passasse a significar primeiro arvore da vida enquanto houve quem o soubesse e passou a ser traduzida por «freixo» por quem se ia esquecendo do collipo! Uma coisa, porém, se revela como segura: A «árvore da vida» na mitologia dos celtas era também na Lusitânia identificada com o «freixo»!

De facto, cada povo terá tido a sua «árvore da vida» de acordo com as vicissitudes dos nichos ecológicos que veio a ocupar. A videira foi a «árvore da vida» dos povos dionisíacos do mediterrâneo ocidental produtora do «xarope de sumo da uva» mas a oriente o xarope de tâmaras seria, quiçá, apenas uma das fontes possíveis do Soma, o Sumo Sagrado! Pelos vistos no norte da Europa o freixo terá sido uma inesperada fonte de Sumo Sagrado!

To the north, the Germanic peoples had a unified theory of honey which accounted for all its manifestations. The Prose Edda contains a concise account: The world ash tree, Yggdrasil, has three roots. One root lies in the spring of Mimir, which gives wisdom and understanding.

Darcílio < Ydrassilo < Yggdrasil < Gyg-Thrash-il lit. «Altíssima (=il) árvore (= Thrash) da vida (= Deusa Mãe, Gigi») < Asherat-el < (El-) Kiki-Kur => *Kur kuku => huluppu.

Há que notar que se o étimo do hulupu não é explícito o da arvore egeia é claro em –dra-.

Notar ainda a relação deste mito com o epíteto de Athena Zôstêria (= a «trave» mestra = o madeiro de Ashera) < Ki-Ashter-ia, lit. “da árvore das ashas da fogueiras de Ki” (> Engl. ash tree???) < Ki-Ish-Tar = Ish-Tar-ki => Tarki > tarwi > «tra-ve», feita do hullupo de Inana, a deusa do «tro-nco» e dos «tor-os» da «árvore da vida»!

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Figura 16: Bakkehaugen, Ingedal, Østfold II.

O mito do Yggdrasil é seguramente uma prova de que a cultura nórdica chegou à Suécia em barcos de guerra egeus como os provam as gravuras rupestres escandinavas.

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Figura 17: Obviamente que este desenho de barco grego arcaico é mais complexo que o da figura anterior mas, esquematicamente, ambos têm estilos idênticos: simples, ingénuos e primitivos.

There are a lot of "Aegean" rock-carvings at both sides of the Oslo fjord. The area was called Viken before the kingdoms and Bohuslen belonged to the area. There is the find of a short text in Minoan at Kongsberg then "silver mountain". Originally they could collect "silver hair" direct from the rock and that is why the Minoans wrote "purest pure" since it can be manufactured as such.

Por outro lado, existem evidências de que a árvore da vida separava vários mundos do além também na mitologia minoica, tal como superficialmente se pode inferir dum anel sinete minóico.

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Figura 18: Selo cretense representando a “árvore da vida” como áxis mundi guardada por uma esfinge leonina enquanto três as sacerdotisas adoram um Grifo. Este reprudução ciberneticamente colorida a partir do “Corpus of the Minoan and Mycenaean Seals” parece ser um esboço primitivo do que virá a ser o esplendor da iconografia clássica exemplificado na imagem seguinte.

A mitologia da árvore da vida e do áxis mundi não teve grande veneração no mundo helénico. Ainda assim apresente-se de seguida o desenho de um vaso grego onde aparece a árvore das Hespérides no centro do jardim das delícias de Hera como o centro axial do mundo sustentado por Atlas.

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Figura 19: A árvore das Hespérides de Hera como áxis mundi. (Trabalho cibernético do autor sobre imagem reproduzida na obra “Pitture di vasi etruschi” de Francesco Inghirami).



[1] < Gil Gomes?

[2] Eis mais uma das muitas etimologias que se parecem com fantasia bem mais incríveis do que a da nota anterior sobre «gil gomes»!

[3]"ash2," Microsoft® Encarta® 99 Encyclopedia. The Concise® Oxford Dictionary,  9th Edition. (c) © Oxford University Press. All rights reserved.

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