domingo, 25 de maio de 2014

AS DEUSES DO AMOR I, por Artur Felisberto.

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Abissínia
Astar (masc.).
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Anatólia
Arinitti.
Arábia
Athtart (mas.)
Assíria
Milita.
Babilónia
Istar.
Canaã
Anat/Axtarte.
Cartago
Ashtoreth.
Egipto
Hathor/Isis.
Fenícia
Tanite.
Gales
Cerrid-Wen.
Grécia.
Afrodite.
Pérsia
Anahita
Roma
Vénus.
Suméria
Inana.
Ou então:
Anatólia
Arinitti
Queen of heaven and earth.
< Har-an-Titi < Kuran-kiki < *Ana-kur-Kiki.
Assíria
Milita
Mel-yta < Ma-El-Tita < Ma-Her-Kika < Ama-Kur-Kiki
Babilónia
Istar
Giver and taker of life, whose power is infinite
< *Ashtar < Her-at < kur-Kiki.
Canaã
Anat

Fertility and warrior goddess
< Anash < *Ana-Kiki > Ana-Tite > Anahit > Anat > Atena
Canaã
Acherá
Lady of the Sea.
< At-Her-at < *Ashtar-at < *At-Kur-at
Cartago
Tanite
Mother Goddess.
Tan-et(i), lit. «esposa de Tan» < Tan-tite < *Ki-An-Kiki.
Egipto
Hator //
Isis
Goddess of life cycle.
Ruler of the Universe
Hathor + Isis = Hator-ish < Ha-thaur-tite < *Ki-kur-kiki.
Fenícia
Astarte
Giver and Taker of life
< *Ashtar-at
Frigia
Cibel
Female principle of Nature
< Ki-Wer < *Ki-Kur > *Kiphura
Gales
Blodeuwedd
Moon and Love Goddess
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Blodeuwedd = *Theu-We-Wro-dide < Te Ha-Phrodite ó Deusa Afrodite.
Gales
Cerridwen
Nourisher of Life
Cerridwen < Kerit-Wen < *Kertu-Wen(us) < Kur-kiki-Kian.
Hebreus
Astorete
Great Goddess
< *Ashtar-at.
Hitita
Hannahanna
Fertility goddess.
< Hanna-Hanna ó Wen-ina < Ki-Inana
Pérsia
Anaíta
Goddess of the sacred waters.
< Ana-Tita + Kur < *Ana-kur-kika.
Roma
Vénus
< Wen-ush ó *Wen-Kiki.
Suméria
Inana
Queen of Heaven.
< Nanina < Nin-Ana.
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Goddesses Similar to Aphrodite: Venus, Ishtar, Astarte, Turan, Thalassa, Salacia, Thetis, Artimpasa, Argempasa, Tethys, Asherah, Deborah, Hathor, Galata, Atargatis, Derceto, Esther, Har, Dea Syria, Mari, Miriam, Mary, Marian, Marianne, Myrrhine, Myrtea, Myrto, Maria, Marica, Mary Almah, Branwen, Aslik, Biducht, Genetyllis, Nerine, Atthar, Belit, Tanit, Allat, Mylitta, Galataea, Mitra. -- [1]
The Sky Goddess Cybele in Anatolia, Tetlo-Inau by the Aztecs, to the Sumerians as Inanna or Innin or Ninna, to the Babylonians and Hittites as Ishtar or Eshdar, to the Roman’s as Venus, to the greek’s as Aphrodite, to the celtic Welsh as Gwener, to the Canaanites and Hebrews as Astarte.
Nesta série exemplificava de nomes das mais célebres e conhecidas Deusas Mães da antiguidade destaca-se a evidência de que a função de «deusa do amor» corresponde a uma mera diferenciação especificadora da função genérica da maternidade, tanto mais que esta corresponde, no plano da natureza das coisas, à consequência mais inevitável daquela, facto que, não sendo sempre o mais desejado, constituiu sempre o busílis do amor venal!
Do cotejo de todos estes nomes pode retirar-se a conclusão sumária de que o nome completo da Deusa Mãe deveria ter sido: *Ana/Ama Ki-Kur-Kiki, a *Kafura de império minóico e mãe do Minotauro!
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Figura 1: «Julgamento de Páris».
Destes vários étimos comuns o mais frequente é o que partilha a ressonância taurina da fonética de Istar. Notar que este étimo é já uma forma compósita em que sobressai o étimo Her- < Kur de Ashera e de Hera.
Outro étimo nuclear nos nomes da Deusa Mãe é o de Inana/Anat o que permite correlacionar etimologicamente Atena com Afrodite. Tanit, seria apenas uma variante que realçaria a relação com Enki / Tan, a “cobra d´água” que foi pai de Inana.
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Hera, Atena, Afrodite seriam assim variantes heterónimas da mesma Deusa Mãe ou forma tridiva das Horas, o que iria dar ao mesmo, ficando assim explicada parte do mistério do mito do “julgamento de Paris< Phar-ish < Kaur-ish > Ish-kur, que então não seria, afinal, senão o “julgamento final” de Iscur, o deus hermético dos mortos e dos infernos, o irmão gémeo e esposo da Deusa Mãe da Aurora!
Páris < Phahar-ish < *Kakar-ish, lit. «Iscur, filho de Sacar», o deus Sírio da aurora.
Esta trilogia de heterónimos da Deusa Mãe teria a contrapartida Egípcia nas “três mulheres na vida de Osíris” (também um juiz dos mortos),
Isis (<= Kiki), Néftis, Hator onde: =>
Hator(/Hera) + Isis = Afrodite,
Néftis = *Anakitis (> Per. Anaitis /> Anahita) = Atena – Isis e
Hator = Hera.
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Aliás esta trilogia tão típica da mitologia mais arcaica referia-se também à analogia do tempo cósmico com os tempos da mulher: Afrodite primaveril que era também a deusa da aurora matutina, Hera/Isis, a tão outonal quanto crepuscular deusa mãe Hórus, o poderosa e cruel deus do meio-dia, e Atena/Nut, a sempre «Virgem mãe», «Mater Dolorosa» das longas horas de esperas vespertinas às portas do inferno e das dores de parto que acompanham as noites de invernia! Entre as deusas clássicas Vénus, ainda que tenha sido mais suspeita do que Afrodite de partilhar a prostituição sagrada de Istar, tem com esta menos relação étmica do que aquela. No entanto, Vénus, como a seu tempo se demonstrará, manifesta já aqui, uma relação étmica muito arcaica com os deuses da aurora relacionados no Egipto com o pássaro fantástico Benu[2].
Ishtar < Ish-Thaur
< Ishkur
<=Kiki
-Kur

Hathor < Kau-Thaur
< Kahu-Thaur
<=Kiki
-Kur

Axtartee < Ashtoreth
< Ish-kur-at
<=Kiki
-Kur
-Kiki
Afrodite
< *An ou *At |-Kur-Kiki |???
<=???
-Kur
-Kiki
Quanto ao nome de Afrodite, embora não pareça numa primeira audição foneticamente aparentada com Ishtar, encontra-se perfeitamente adequado a esta série.
*Kiki-Kur > Kahu-Thaur > Kau-Thaur > Hathor > Haphor > *Aphor-
...................> Ishkur > Ish-Thaur > Ishtar > Abis. Astar (masc.).
                    + Ki-ki > *Ish-Tarat > Can. Axtarte > Fenic. Ashtoreth > Astarté.
    .> Ishkur + Ki-ki > *At-Kur-At ??? > Athurat > Athirat
............ .................... > Ash-Waur-kat > Aphrauthete => ??? Afrodite.
Um tal conjunto de equações só confirmaria em definitivo a tradição de que Afrodite nasceu na Assíria se pudesse explicar sem atropelos (e com toda a naturalidade própria das evoluções linguísticas) a origem do nome da deusa grega do amor. A verdade é que assim não parece acontecer pois, ainda que foneticamente semelhantes, não é fácil chegar de Athirat a Afrodite. Pelo contrário, nem sequer a hipótese de Athirat derivar duma arcaica forma do nome da deusa mãe *At-Kur-At pode ser demonstrada, ainda que pareça poder apoiar-se no facto de um dos nomes da deusa caldeia da prostituição ter sido Ishat (que, para ish = at, => *At-At!), o que permitiria apostar numa redundância do tipo de *At(-Kur/An-)At!
Eschaca = Diosa elamita de la fecundidad y las riquezas. Era equivalente a la Ops de los romanos.
Eschaca < Ish-kaka ó Ish-at.
O mais provável é que apenas que Istar derive directamente dum acasalamento em pé de igualdade com Ishkur, e por isso mesmo contemporâneo com o matriarcado, já que as formas Axtarte, Ashtoreth, Astarté se parecem com meras formas gramaticais do género feminino em linguagem semita! Ou seja, *At-Kur-At seria o feminino de *At-Kur que por sua vez seria o genitivo de Kur/Enki, pai tanto de Ishkur quanto de Istar!
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Figura 2: Baixela persa com uma representação duma deusa do Amor com a mesma semântica de Vénus & Afrodite.
Ora, embora foneticamente semelhante com a Síria Atirat, Hathor é estruturalmente parecida com Istar sendo assim muito mais provável derivarem duma antepassada comum que seria tão arcaica quanto estas e seguramente o suficiente para ter estado na origem do nome duma antiquíssima deusa das cobras de que teria derivado tanto o nome de Atena quanto o de Afrodite!
Assim, além de Ishat, Istar terá sido
*At-an-at > *Atanashi (> Atanasia) > Atanasai >Atena e *Kiki-Kur-kiki > Kahu-Kaur-Thushi > *Kau-Phaur-Dusha > Ha-phrau-dite > Afrodite.
Medusa < *Maidusha < Amathusia ou Amathuntia = a paciente, porque quotidianamente sujeita às «dores de parto» o sol.
Este epíteto de Afrodite, supostamente derivado do nome de Amathus cidade de Chipre e terra natal de desta Deusa Mãe, era de facto uma confirmação de que o papel das deusas do amor decorre da sua função de deusas da aurora e parideiras solares.
Em conclusão, a deusa das cobras dos cretenses terá tido o nome genérico de *Maidusha parecido com o nome de Medusa, uma das Gorgonas e terá sido *Kau-Phaur-Dusha, a deusa *Kaphura das cobras, que teria também por epíteto *At-an-ashi.

Ver: EOS (***) & MEDUSA (***)

Obviamente que Kalias tem a ver com as grutas sagradas da Deusa Mãe das cobras de Creta, relacionadas com o mito da morte solar de que originaram as pirâmides e o mito cosmológico da montanha do começo do mundo.
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Figura 3: Aphrodite da roca com o menino Eros (Tanagra, Late 4th century BC, Hermitage)
Afrodite Kalias - Goddess of the grotto; originally separate Samothrakian deity.
Partula = A minor birth goddess associated with the parturition. Parcae = Deusas que teciam o destino dos humanos ao nascer!
Na Mitologia grega, Galatéia era uma ninfa e uma das Neréiades, as filhas de Nereu e de Dóris. Era amada pelo ciclope Polifemo, mas ela amava Ácis, um pastor da Sicília. Quando Polifemo esmagou Ácis por ciúmes, Galatéia transformou o sangue que jorrava no rio Ácis ou Ácio. Nasceu nas espumas do mar.
Gala-teia, lit. “deusa Gala ou «Cale», das grutas calcárias < Hind. Kali
< Kalias < Kalyha < Kali-ka < Kal-(Ki)ka > Kalphiga < Ishkur > Istar.
Kal(Ki)ka < Kar-Kika > *Kar-tu, N.ª Sr.ª do «Parto» dos cretenses, seguramente depois de ter sido também a Deusa Mãe obesa dos malteses!
                                            Partula < *Phartu-(la) <
Fortu(na) < Fors, Fort(is) < Phortu < *Phartu < *Kartu
                                     Parcae < Parca < *Phartu <
Europa < Euraupa < Eo-Lapa.
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O facto de Cálias ser uma deusa das grutas, tal como a lusa Sr.ª da «Lapa», seguramente variante local da Lupa latina que foi Vénus, só vem confirmar o facto de *Kartu ter sido adorada nas grutas de Creta precisamente porque se acreditava que as grutas eram cavidades vaginais da Deusa Mãe Terra por onde se dava o parto do sol. O facto de tal crença estar longe da realidade física, que só teria ligeiras semelhanças com as grutas italianas relacionadas com túneis de rios de lava subterrânea, comprava que o carácter metafórico da mitologia terá sido espontaneamente aceite como tal com a mesma candura com que os crentes aceitam os dogmas mais incríveis e as descrições mais fantásticas do céu e o inferno!
A este nível de conotação a deusa Europa seria apenas uma forma enfática de nos referirmos a *Kartu como sendo a verdadeira «lapa», a vagina grotesca onde nasceu Zeus!
As formas masculinas de deuses do amor, Astar da Abissínia e Athtart da Arábia, não necessitam de significar uma espécie de perversão sexual, mais ou menos misógina ou mesmo tendencialmente homossexual porque devem corresponder a uma variante destes cultos na forma de adoração do «deus menino», filho das deusas do Amor, que foi Eros / Cupido na cultura clássica e Xara, filho de Istar na caldeia e Athar na cannaneia. De resto, este deus teria a variante taurina e «manda chuva» em Escur, um deus luciferino e, por isso mesmo, deus da luxúria, que suspeitamos que seria etimologicamente filho e esposo de Istar.

Ver: AFRODITE (***) & ISTAR (***)
& ASHERAH (***) & EROS / ATAR (***) & ELION (***)



[1] http://www.moonspeaker.ca/Aphrodite/aphsymbols.html
[2] Será que o nome gentílico judeu Ben-Hur, celebrizado pelo filme homónimo, seria uma variante fonética intermédia entre Vénus e Hera a meio caminho de Istar/Ashera?

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