sábado, 17 de maio de 2014

SERIAM OS ETRUSCOS PARANÓICOS? por Artur Felisberto.

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Retro-Iinguistic formation may explain these Latin words of *unknown origin which heretofore have not been connected with Etruscan:

*CAUPo from PAUCus

*SPATium > TOPOS

*SAGitta >GHAISo

*CATena > TEXum

*TUBus > BOTulus

*CAPSO > PUXos

*TEMporis > METor

*SEQUI > QUES

*FURor > RABer

*PRAVus > VERPa.

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The mention of Etruscan in connection with arbitrarily contrived speeches, cants, jargons etc. may sound far fetched, Etruscan is an ancient language whereas the notices of cant and other secret languages are of more recent occurance, with one exception and this is Shelta, the language of the Irish Travelers or Tinker clans. Shelta is a cant or arbitrarily contrived speech which the eminent Gaelic scholar Kuno Meyer believed to have been at one time the possession of the Filid or ancient poets of Ireland, and to be the same as the cryptic speech called Ogham. (...) Meyer declarou o Shelta é principalmente uma perversão sistemática do Gaelico pre-aspirado falada na Irlanda em épocas anteriores ao décimo primeiro século e que em manuscritos irlandeses era menciona e registada com vários nomes e que, entretanto, se limitou aos funileiros, sabendo-se que outrora era um possesso usado pelos poetas irlandeses e estudantes que, provavelmente foram os seus inventores. (...) "Uma certa porção de Shelta consiste em palavras de Gaelic ordinárias pronunciadas para trás. Assim ' o filho de mac', se torna ' kam'; ' da' dois, se torna ' anúncio ' ou ' od '; ' carr' um vagão ou carro, se torna ' rag'; ' naoi' nove se torna ' ayen', etc.. (...) Usando o método mais simples de encriptar palavras, o de escrevendo ou pronunciando certas palavras etruscas para trás alguns resultados interessantes podem ser obtidos usando o latim e, em alguns casos, o grego, para explicar formação da língua etrusca.» (...) Para começar, é quase certo que form(a) (forma) entrou em latim pelo etrusco do grego morph(e) (forma);

a perfect example of Etruscans reversing a borrowed word before adding it to their own vocabulary in order to disquise it's meaning. [1]

Pois bem, aproveitando todas as letras, verifica-se que a inversão é meramente aparente. Na alternativa seriam ainda necessários pelo menos dois passos derivativos pressupondo mais de um século de evolução linguística do estranho e premeditado jargão militar que seria então este etrusco virtual.

Grec. Morfe > inv. efrom > forme > lat. Forma.

 

Ver: AFRODITE MORFOS (***)

 

A verdade é que, em rigor fonético, apenas se deu a inversão de duas consoantes, M**F*/F**M* em resultado de um trocadilho de gosto musical muito frequente em evoluções linguísticas, sobretudo em proto-linguagens, necessariamente monossilábicas e aglutinantes.

Ora, como nesta teoria conspirativa da história linguística do etrusco se supõe que estes usaram o grego como base deste disfarce estamos a aceitar que os romanos não sabiam grego, nem tinham palavra própria para designar as «belas formas» e teriam que a ter emprestada aos etruscos, ainda por cima sem se terem apercebido, na sua ingénua ignorância, que se tratava de um produto avariado e corrompido. Todos nascemos incultos mas não se construiu o maior império do mundo antigo com princípios ingénuos nem com debilidade mental congénita. Não faz sentido aceitar que os etruscos falassam a língua dos romanos ao contrário sem que estes nunca se tivessem apercebido disso! Uma monstruosidade destas teria dado que falar.

…from the uninitiated. In a similar case , the Latin word for lead, plumbum (of unknown origin), seems to have been derived from the Greek word for lead, molubdos , Latin plum(b) is the phonetic reverse of Greek molub(d), (Gk. b = Etr. p) .

Plumbum (de origem desconhecida), parece ter sido derivado da palavra grega para chumbo, molubdos, plum(b latino) é o contrário fonético de molub(d) grego), (Gk. b = Etr. p).

Molubdos < molub(dos) > Inv. bulom > pulom > pluom ¹  plumbu.

                 < Molubid(os) ó Morub-ik < Borum-wi > Plombiu > Plumbu.

De novo a mera permuta M***B/B***M não pode ser uma verdadeira leitura inversa mas um processo de mutação linguística baseado em motivações de natureza subjectiva em ambiente de aprendizagem oral. De facto, a natureza semântica deste e do exemplo morfe/forma são demasiado fora do contexto da vida comum que necessitaram de ter sido aprendidos numa qualquer forma de escolaridade oral, em ritos de passagem e em processos de iniciação guerreira e/ou religiosa.

Etruscan spur (cidade) é praticamente o contrário fonético de Lat. urbs (cidade). De forma interessante o quarteirão Etrusco de Roma foi chamado Subura.

E de subura derivaram os termos para os subúrbios e a semântica para a suburbanidade. Ora,

  Subura < Sub-hurha < sub-burwa > sub-Kur-ki

Etrusc. Spur < Sipur < Ki-pur < Ki-kur = Kur-ki > Hurwi > Lat. Urb.

Não é necessário postular um jogo de palavras e trocadilhos mafiosos para explicar a regra linguística derivativa das frequentes rotações silábicas que ocorrem em quase todas as línguas. O que tem acontecido até hoje é que esta regra de retórica não tem sido explicada e tem sido invocada por ser um facto comprovado pela evidência dos resultados derivativos.

Pois bem, nunca ninguém ousou apoiar tal regra num contexto conspirativo da história.

O mais habitual tem sido aceitar que, tal como os trocadilhos, podem acontecer intencionalmente, quase sempre por jogo fonético e contexto musical. Se as mutações genéticas podem ser intencionalmente provocadas nos laboratórios, por via de regra ocorrem em consequência de mutações estocásticas. Do mesmo modo, as alterações na forma das palavras (durante o seu processo de reprodução cultural por aprendizagem inter-geracional) também podem acontecer de forma aleatória ao longo de século, de uso e abuso duma língua por via oral. Embora se possa aceitar que os textos escritos possam ser sujeitos ao risco termodinâmico de idênticas degradações e erros, a verdade é que estes resultam mais facilmente de interpolações correctivas, ou mesmo de falsificações intencionais, do que por lapsus calami, sobretudo depois da descoberta da imprensa e dos modernos processos de produção, registo e reprodução de informação.

The earliest known form of Irish is preserved in Ogham (Old Irish spelling 'ogam') inscriptions which date mainly from the fourth and fifth centuries of our era. The linguistic information preserved in Ogham is sparse, as the inscriptions contain little more than personal names on boundary marking megaliths, but it is sufficient to reveal a form of Gaelic much older than Old Irish, the earliest well-documented variety of the language. Some claim that it stems from a cryptic way of writing runes, some others say that it is inspired from the Roman alphabet, and yet others hold that it is independently invented. (…)

The word Ogham (pronounced OH-yam) has been used to refer to:

An alphabet of twenty-five characters used for stone and wood inscriptions in Celtic Britain and Ireland.

An alphabet of twenty characters reportedly used for divination and hand-signing in Celtic paganism.

A group of twenty sacred trees that give names to the letters of the Ogham alphabet.

A calendar of thirteen months named for certain sacred trees.

-- Copyright 1997-99 Angel Illumination Studio Savannah, Georgia.

Os exemplos apontados são muito poucos no vasto contexto da realidade linguística e têm contra si vários óbices de peso:

Primeiro, o Ogham não é uma língua mas um alfabeto secreto de que pouco ou quase nada sabemos sobre a sua origem. Sabemos que os seus propósitos secretos ou eram místicos ou resultavam da necessidade sentidas a partir do sev. IV de fugir à repressão dos invasores romanos e depois, do cristianismo. O próprio nome esta ligado ao deus Oghema, o deus celta do «dogma», da escrita e da sabedoria!

O exemplo do Shelta (ó Celta) pode servir como termo de comparação estrutural mas não como método de prova e explicação linguística. Línguas secretas de corporações e códigos militares sempre os ouve. Em Portugal existe, (ou existia até há bem pouco tempo) em Minde uma «fala» deste tipo

Muitas corporações profissionais antigas tinham os sues jargões secretos ou privados e, seguramente, muitos contribuíram para as alterações sofridas pelas linguagens comuns mas, em todo os casos trataram-se sempre de falares muito localizadas, nunca chegando a ter a expressão de dialectos populares, ou, de outro modo, rapidamente teriam deixado de ser secretos. Em qualquer caso, foram sempre falares de utilização reservada a grupos e situações específicas e pontuais, em paralelo e quase sempre à margem da linguagem comum. Mesmo a comunicação secreta por assobios dos pastores da Córsega era do conhecimento comum dos habitantes das respectivas comunidades e não envolvia alterações na língua comum.

Assim, a existir uma língua exclusivamente secreta e utilizada tanto na coloquialidade quotidiana quanto na ritualidade litúrgica seria estranho e exclusivo apanágio dos etruscos. A verdade é que, a não existir uma língua etrusca comum, esta secreta língua, virtualmente artificial, teria mais tarde ou mais cedo acabado por ser do domínio comum, sobretudo quando passou a andar escrita em placas comemorativas, éditos legais e placas funerárias.

É certo que os etruscos tinham tendência para a pirataria mas não menos que os fenícios que, no entanto e pelo contrário, foram os inventores do alfabeto fonético como sendo a melhor forma de garantir a transparência, nos registos de contabilidade comercial, o rigor da palavra dada.

Na verdade, tendo os etruscos chegado a ser uma poderosa potência itálica que afinal deveria ser, à época, conhecida por metade da Itália e um pouco mais nos arredores, não se poderia ter dado ao luxo de falar uma língua secreta. Não se estaria a ver a motivação ideológica duma língua secreta que acabava por ser do domínio comum! Aliás, os latinos nas suas guerras e querelas com os etruscos teriam acabado por ter descoberto este ardil que teriam explorado como arma psicológica contra os etruscos do mesmo modo que utilizaram a arma do puritanismo, a propósito da violação duma virgem patrícia romana num banquete etrusco, como pretexto para iniciarem as guerras que levaram a queda dos etruscos. Os sacrifícios de crianças dos cartagineses eram relativamente secretos e os romanos acabaram por descobri-los e utiliza-los como arma de táctica psicológica nas guerras púnicas!

A tese de que o etrusco era uma forma encriptada em que as palavras de referência, do latim ou do grego, eram lidas ao contrário vai passar a ser escalpelizado não com o propósito desacreditar o autor, que, acabou por «escrever direito por linhas tortas» ao confirmar a evidencia do s parentesco do etrusco com as restantes línguas itálicas, mas para provar que a linguagem não nasceu complexa ab inicio mas a antes a partir de semantemas arcaicos muito simples cuja aglutinação obedeciam às mesmas regras da linguagem actual.

Por outro lado, confirma-se que a língua etrusca seria parente das línguas clássicas mas...de origem muito mais arcaica e possivelmente com um parentesco mais chegado com as línguas do mediterrâneo ocidental, nomeadamente ibéricas, de que infelizmente não existem informações escritas em estado de leitura que permitam a respectiva comparação.

Uma frase latina é como uma equação em que a ordem dos termos é arbitrária! As palavras antigas devem ter começado como aglutinações de monossílabos que eram semantemas simples na origem mas que acabavam por formar palavras e termos com uma semântica que, de acordo com o contexto e com o uso, ora dependiam da ordem dos semantemas ora não!

Sabemos que em português a ordem dos adjectivos não é, semanticamente, sempre arbitrária e que em inglês só não o é porque têm sempre a mesma posição. Sendo assim, um extraterrestre que tentasse entender a relação entre ambas as línguas quanto à sua estrutura sintáctica acabaria por ser levado a suspeitar que os portugueses gostam de se tornar confusos e semanticamente complexos perante os aliados ingleses que a história demonstrou terem um pouco a tendência para serem amigos da onça (de tabaco)!

Como o Lat. urbs é de origem obscura, é evidente que os latinos de Roma aprenderam o conceito de cidade do Etruscos, muito mais avançado. Então, temos que fazer a pergunta "onde é que o Etruscos obtiveram em primeira mão o seu termo para cidade?

Eis uma pergunta perfeitamente estudantil baseada numa suposição que não tem qualquer fundamento. A origem da palavra ur-bs é seguramente anatólica porque o étimo ur- não deixa dúvidas a ninguém que, sem preconceitos arianos, se recorde da bíblica cidade de Ur, pátria de Abraão!

Depois, obviamente que os etruscos obtiveram os seus termos do mesmo modo que todos os outros. pela via popular da tradição e pela via erudita dos neologismos. Seria a «cidade» uma novidade para os etruscos? Não terão existido sempre cidades, ainda que mais ou menos primitivas, nas zonas ribeirinhas do mediterrâneo desde o início do neolítico?

A ideia de relacionar o Etrusc. Spur à cidade que deu nome aos sibaritas é uma especulação estudantil típica da «geração rasca» que aprendeu história em filmes de ficção científica e em jogos de computador com colagens históricas delirantes! E Nipur, a cidade santa dos sumérios, e todas as cidades terminadas em -pur na civilização do vale do indo ou dela derivada, também resultaram duma inversão do urbs latino?

Ora, de *Supuru ó Suburu poderia ir-se a «sobro e sobreiro» mas dificilmente a urbis.

"Pelo século de oitavo a. C., a primeira, e principal, cidade de Itália à qual os Etruscos estiveram exposto era a cidade de porto grega de Sybaris que se tornou também o seu principal parceiro comercial. É bastante possível que Sybaris, que, de acordo com ortografia Etrusca deveria escrever-se a *Supuru, também se tornou a sua mais recente designação para cidade.[2]

Verdadeiramente engenhoso e romanesco!

Este enredo deixaria o Lat. Urbs como empréstimo de segunda mão:

Sybaris > *Suburu < urubus > uribus > urbis.

Tão estonteado se fica o com a maravilha destas possibilidades que nem se repara que, por esta nova azinhaga feita de encomenda, seriam agora os latinos que andariam a fazer o jogo sujo da encriptação por transliteração inversa!

The Etruscans were an elite people, when it came to military matters they were the masters, leaders, and officers, they depended on the humiles (lower classes of people) to fill the ranks of common soldiers (miles), thus I believe that Lat. miles (soldier) and militia (army) are Etruscanized versions of (hu)miles and (hu)militas.

Ora, ic busílis est (J!), não se entende muito bem porque é que os etruscos, sendo uma potencia muito mais civilizada e poderosa do que os miseráveis e subjugados latinos haveriam de ser o ponto de partida deste jogo de palavras que a ser intencional e generalizado, e sem evidente interesse ideológica ou místico, teria que ser por alta estratégia militar defensiva e, então, precisamente dirigida contra os romanos seus inimigos desde que Roma se libertou do jugo dos Tarquínios! Se o tivessem feito a partir do grego ainda vá que não vá. Mas tê-lo feito a partir da língua da escumalha republicana do lácio, que tinha ousado desprezar a monarquia etrusca, não lembraria nem a Fuflan!

En conclusão, não havendo motivação clara para que os etruscos recorressem a uma complexa encriptação da língua dos seus vizinhos restaria aceitar que era a língua dos vizinhos que era a mesma que a sua. Ou seja, os etruscos estariam a ser acusados de encriptar a própria língua. Mas, como esta era comum à dos seus inimigos, se os etruscos tivessem pretendido fazer uma encriptação eficaz tê-la-iam feito a partir grego, que eles bem conheciam mas que duvidamos que tivesse sido já prendida pelo latinos que estavam por essa altura ainda na fases formativa do império romano.

Um das razões por que Etrusco tem confundido os linguistas é que muitos palavras de Etruscas foram formadas por sufixos invertidos de palavras latinas, resultando daqui um ramo de palavras Etruscas que parecem não ter nenhuma conexão com as palavras latinas das quais foram derivados, conduzindo no final das contas ao consensos comum de que o Etrusco não é um idioma Indo-europeu. Um bom exemplo deste processo é a palavra Etrusca lauchum (o rei) que não aguenta nenhuma semelhança com rex, regis (o rei), que é o equivalente latino, mas o Etr. lucair (reger) pode ser reconhecido facilmente como uma versão inversa de regula latino (regra),[3]

Lauchu(m) < Rauxu => Rex...onde é que está a dúvida e a inversão??? Para uma teoria das inversões sistemáticas já começam a existir muitas excepções. Pelo contrário:

Lat. regula ó Inver. aluger <??> lucair necessita de remar contra a corrente da etimologia num processo evolutivo depois da suposta inversão?

Pelo contrário, é muito mais conforme a uma evolução linguística corrente supor que:

Lat. reger(e) < re-cer < *Ur-kaur > ul-kair > lucair.

Mesmo sendo verdade que:

C represents both the Lat. hard C (k), and Lat. G, cf. Lat. Graecus (Greek), Etr. (Creice) Greek

Por via de regra, C > G, e, não ao contrário!

In comparing the Etruscan word nets'vis with it's Latin equivalent haruspex, one would be hard pressed to find any similarities, for haruspex is formed from the Proto-Indo-european roots gher1 (gut, entrail), and spek (to observe), but if you take the Etr. word neths'rac, pronounced nyee(pt)surach (haruspicine), in it's reverse form, i.e. cars'then, the destinctive Italic, Indo-European nature of Etruscan becomes evident, Lat. Haru(s) = Etr. cars', Lat. Picine = Etr. then, cf. also Etr. athumic (noble), Nethune, with Lat. Optimus (noble), Neptune).

Porem, esta especulação explica haruspicin(e) < Inv. *nyee(pt)surach > neths'rac mas não nets'vis!!!

Ora, se o autor tivesse evitado a tradução literal teria visto que, como em latim o correspondente para gher1 é o Lat. viscera, pl. de visc(us) (= entranhas), então o etrusco nets'vis© seria uma espécie de tradução do termo «hauruspex» mas, na forma de uma frase aglutinada em que só vis seria comum às duas línguas, e em que existiria também uma inversão, mas agora só de tipo sintáctico.

 

Ver: 5º - APOLLO PEIDÃO & ARS HARUSPICINA.

 

«Haruspex» < Lat. Haru-spice, lit. «o que inspeciona o boi» < Kar-hau | shphich < *espik- > Lat. especulo. Como a raiz haru- já não era comummente identificado com «viscera» ou era de forma indirecta em termo de baixo latim que vieram a dar o português «víscera» < B. lat. *visc-haura, lit. «tripas de vaca», temos que concluir que estamos perante um termo que teria caído em desuso e ficado como nome duma função sacerdotal duma antiga corporação de médicos veterinários especializados na inspecção das carcaças sacrificiais.

Os etruscos teriam um termo que seria a aglutinação duma frase cujo significado seria:

Nets'vis = nets-'vis, lit. “o que (vê) nítido as víscerasou simplesmente Net-ge® vis(a), o que “visa os deuses”

Quer dizer que na comparação linguística nos esquecemos quase sempre que a falta de correspondência entre termos de línguas diferentes pode resultar do facto de essas línguas terem passado por fases de relativa complexidade e riqueza de sinónimos de tal modo teriam usado formas diferentes de dizer o mesmo por outras palavras (ou monossílabos sinónimos). De passagem chama-se à atenção que nets deixou rasto no português no «ver nítido (Lat. nitidu)»!

Que o lat. picine, lit. «peixino»(?) tenha tido o equivalente etrusco then < tan, semitic. «cobra», também faz sentido porque no princípio era o caos e a confusão entre espécies, sobretudo quando tinham algumas semelhanças formais pois não têm membros tanto os peixes quanto as cobras.

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Figura 1: Enki na forma de peixe com a balança da equidade.

O que importaria investigar seria a relação semântica entre os peixes e a especulação que, numa primeira abordagem, deriva do facto de serem ambos estes seres esguias e aquáticas manifestações de Enki, o deus do signo do aquário, da sabedoria e da especulação!

A relação do símbolo do signo dos peixes com o nome de Cristo não seria apenas o resultado duma feliz relação com o anagrama do nome de Cristo em grego mas a apropriação pelos cristãos deste arcaico símbolo de verdade e sabedoria.

Tal como os Ingleses colocam os adjectivos ao contrário dos continentais também os etruscos e os romanos teriam os mesmos problemas de teimosa simetria sintáctica...só para marcar a diferença ou para confundir o adversário? Claro que o latim e o etrusco eram aparentados, quanto mais não fora por fazerem parte da mesma tradição mediterrânica. Porém, é óbvio que se tratavam de duas línguas em fases evolutivas muito mais afastadas do que a proximidade geográfica poderia supor já que a proximidade histórica seria aparentemente pouca. Os latinos seriam emigrantes anatólicos muito mais recentes do que os etruscos!

Quanto a Etrusc. athumic (< Atum-n-ic) ó lat. (Ophi-(a)tum-nus > ) optimus nem sequer se pode falar numa qualquer forma de inversão porque são quase literalmente o mesmo termo o que constitui mais uma excepção à regra!

Etruscan tem duas palavras para espelho, um que é malena, que é transposto de Lat. lamina, significando qualquer pedaço fino de metal etc. (nota que só a raiz lam é que foi invertido enquanto o ina de sufixo, ena permaneceu no mesmo lugar).

Outra exepção à teoria conspirativa da inversão! No entanto a etimologia mais plausível terá sido:

Lat. lamina < Ramina < Urmina < Urmeana

< Urme ó meur > Mer

> Mel (Melkart).

Este tipo de inversões encontra-se com tanta frequência nos estudos comparativos da mitologia que teríamos que postular a «teoria conspirativa da história» como regra geral.

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Seria a encriptologia antiga a arma de guerra psicológica que mais devastação provocou nas regras da evolução linguística?

The other Etruscan word denoting mirror is malstria, which appears to be composed of the Etr. root mal(malena) ,and stria which is possibly a retro version of Latin aeratus (made of bronze), thus malstria = aeratus lamina.

E porque é que -stria não houvera de ter derivado de Lat. striga, (= a traço, risco), já que quase todos os espelhos eram ricamente gravados no reverso e quase sempre de prata e não de bronze?

Figura 2: espelho de prata etrusco. O verde só denota que se tratava de um espelho de prata com grandes quantidades de cobre. Os antigos sabiam bem diferencial a liga de cobre e estanho que era o bronze da prata falsificada.

De facto, ainda que todas as civilizações manifestem o uso dos instrumentos ao seu dispor comuns a todas as civilizações envolventes no espaço e no tempo, no entanto, no que respeita a suportes de informação, existem certas preferências que acabam por se tornar na «imagem de marca» de cada uma delas. São exemplos característicos as placas sumérias, os selos mesopotâmicos, os papiros egípcias (um muitos outros porque este povo escrevia em tudo e por todo o lado!), os vasos gregos, os anéis minóicos, etc. Os etruscos ficaram célebres pelos registos deixados no reverso dos seus espelhos quase sempre de prata.

Notar que, para compor a inversão, conforme as conveniências da teoria, ora se aceitam ora não, os prefixos declinativos, particularmente, os nominativos. Ora, os casos declinativos eram um artificialismo de linguagem erudita de tradição acadica herdada pelos romanos do império hitita nas terras da sua origem anatólica, anterior à «guerra de Tróia»!

On the shorter version of the Etruscan-Punic bilingual inscription from Pyrgi, Etr. cleva has been translated from the Punic version as referring to a precinct or enclosure built for the goddess Athena. Cleva or cleua is possibly derived from Lat. aulikus (court), or Greek aulikos, aule (court, dwelling), in retro.

Estamos, quase de certeza, perante uma referência indirecta a Cloaquina.

Cloacina - Etruscan Goddess of Sewers and Filth; also the protector of sexual intercourse in marriage.

Cleua Atina ó Clauakina > Cloaquina.

 

Ver: VÉNUS (***)

 

E é então que o autor começa a forçar a tecla! Se este fizesse derivar o termo etrusco só do termo grego aulikos alguma razão teria, como teve no trocadilho mosfos/forma. Porém faz pouco sentido dar conta que os latinos tinham o termo aulicus por via erudita esquecendo que tiveram clavis por via popular! É certo que a regra da inversão funciona em alguns casos mas não por razões conspirativas! As regras de derivação fonética são mesmo assim.

Umas vezes resultam da repetição monótona em sistemas de aprendizagem.

Aulikaulikaulik > ulika

Ø    likau

Ø    ikaul

Ø    kauli.

Outras vezes por lapso de por inversão silábica:

Aulik = Lik-au

Outras, por inversão total, quase sempre por vias derivativas complexas demoradas e longas:

Aulik ó kilau

Grec. Aulik(os) > *Aulik ó Inv. *Kilau > Claui >Clawi > Lat. Clav(is) > Etrusc. Clava.

Segundo este processo verifica-se que, em tese, a inversão começou muito antes de chegar ao latim e mesmo assim antes de chegar ao etrusco. Se houve conspiração ela teria começado da Grécia para a Anatólia onde se suspeita terem nascido os povos que colonizaram a Itália antiga.

Ora, é precisamente no nó inversor que se encontra o mistério da origem das linguagens ocidentais!

*Aulik [< Haulik < Kaur-ki ó kur-Kau > Kulkau > Kilhau >] *Kilau.

The Etruscans had a very unusual method of recording time, at the close of each year they ceremoniously drove a year nail into the wall of the temple of the goddess Nortia (the Fortuna of Volsinii), to record it's passing. The Latin expression Clavus anni (the beginning of the year) finds it's origin in this Etruscan year nail ceremony, as do the dating terms used on Etruscan funerary inscriptions which incorporate the Etruscan words, sval (alive), svalce (lived), avil (year), ril (at age of...years), and lup, lupu (to die)

Notar que nenhum dos inversos etruscos apresentados:

lavs, liva, lir, pul tem o sentido, respectivamente de, “vivo, ano, idade, dia”»!!!

*Lavs é mesmo mais próximo do Engl. alive que do latino vivu.

Lup tem uma vaga ressonância com lapsu.

A investigação lexicográfica do termo clavo é difícil em dicionários ingleses porque estes confundem a semântica do prego e da unha no mesmo termo. Aparecendo clavu, na vintena de termos que existem no latim para designar prego/unha, de acordo com o Perseus text tools, com uma frequência de 3%, é obvio que esta frequência subiria para quase 100% se a semântica se fixasse em «cravos de metal».

“as variantes de svalce são todas derivadas de clavus latino (prego de ano) em retro, e as variantes de «morto» de lup, lupu (= morrer) são ramo da reversão de raiz de pello latino (dirijo, enfrento, «luto» de guerra > «luto» de morte)”.

                                                                > «Ferro», > prego de ferro, etc.

               Lat. « bello» < Lat. pello < Pher-ro < Wer-ru.

Urash > *Urat > luth > luph > lup.

Ø    “luta (de guerra) > luto (de morte)”!

Quer assim dizer que o lup etrusco e o pello latino podem ter conotação semântica mas de modo muito remoto e sem que nada tenha a ver com uma teoria da inversão conspirativa generalizada!

Clavus ó *suvacle??? Ilariante! Nem sequer se deu conta que o us final é declinativo infixo que normalmente se perde nos processos de derivação linguista. Eis um exemplo típico de “etimologia a martelo”!

to a Tuscan usage the ancient Romans designated the number of the year by nails, which the highest magistrate annually, at the Ides of September, drove into the wall of Jupiter's temple

A meu ver o termo clavus significou originalmente «fechado» e deu nome ao prego por ter sido o clavus annalis, a «chave» do mistério do rito que assinalava o encerramento contabilístico dos dias do ano anterior.

Clâvus, i, m. [root klu-, v. claudo; prop. that which shuts or fastens]. Claudo = To shut something that is open, to close, shut up

Se o verbo cravo só foi comum com Augusto o substantivo nãos seria muito antigo pelo que teria pouca hipótese de ter sido termo de referência para os etruscos. Então, o termo conhecido, de modo mais plausível, pelos etruscos teria sido claudo.

Ora, o inverso de claud [(ó inv. thuacl < *kuacl ó Lat. cloaca, (= protecção contra a morte => vida)] já faria mais sentido, mas, ainda então, com necessidade duma transposição inversa do «l» na cadeia semântica dos cravos e dos pregos! Depois então, já faria sentido, *kuacl > k(i)wacl > *suvacle.

Ora, isto é pura derivação fonética e não encriptação! Aliás, em alguns dos exemplos apontados, quem deveria ser acusado de fazer inversão verbal deveriam ser os latinos. De facto, no exemplo seguinte:

Quando o Etrusco se inscreveu ziva (o morto, defunto) nos seus monumentos funerário é provável que se referissem aos próprios pais e avós. Então, parece lógico que Etr. ziva (avi-s) = Lat. avi (os avoengos, os antepassados).

Ora, isto é partir do pressuposto que são os latinos quem tem o termo correcto. A verdade é que este conceito era demasiado genérico para ser preciso mas, de uso tão comum que estava sujeito a um grande desgaste imaginativo.

Lat. pater, avus, pró-avus, ab-avus, at-avus, trit-avus, vetus.

Grec. Propatôr > pappos, Ano = Comp. anôterô, abs., higher, a. thakôn . . Zeus > anôthen = from above, from on high. < Cald. Anu.

Quer dizer que este conceito acabava por se cruzar com o de «deus pai» do céu que foi na suméria An e Anu na babilónia, Days Pitar => Zeus pater > Ziw > Etrusc. ziva!

Terão sido então os latinos a inverter a fonética deste termo? Talvez estejamos diante duma mera coincidência porque em boa verdade a verdadeira inversão teria sido:

Av(us) ó Inv. Vu > Zu, o que até nem faria muito non sense porque Zu/Anzu pode ter sido a forma alada de Enki/Zeus!

 

Ver: ANZU (***)

 

Porém, o que faz mais sentido é pensar que o termo original, de que avus seria a contracção, seria Aba-v(us) < Ap-ap < Sumer. apa-apa, lit. «pai do pai» = avô. Quanto ao exemplo seguinte nem sequer existe inversão.

In Etruscan law terminology zeri is believed to mean a legal action or rite. I beleive it to simply be juris or as in early Latin iurus, again reversed by the Etruscans to hide it's meaning from the uninitiated.

Etrusc. Zeri < Sheri(f) < *Kuriku > Chu-rish > lat. Juris.

Cecha (ceremony, right, law: praetor), cechase, and cechaneri (titles of Etruscan magistracies) possibly could have been derived from Lat. juridicus in retro *irenachec .

Acto ou efeito de se queixar • = queixume; < • ofensa; • > causa de ressentimento; > • participação à autoridade judicial sobre ofensas recebidas; > • querela. Pois bem, em nada me admiraria se fosse possível provar que o núcleo semântico da queixa fosse o resultado legal da ofensa de que a forma mais depreciativa seria a querela sem fundamento ou queixume exagerado que teria dado, por reforço e semelhança onomatopaica, nome ao coaxar das rãs!

«Queixa» < ??? > Lat. coaxare, (= coaxar, crocitar).

                 = *Kecha > Etrusc. cecha, ó lat. (ac-)cûso, quest(o)

> sist(o)? > (grec. sche-tliazô, schet-asmos?)

«Queixa» seria portanto um termo autóctone do mediterrâneo ocidental, tipicamente jurídico ab início, justificando a rica tradição jurídica direito romano que uma precoce cultura jurídica teria ali fomentado.

A case of complex syllabic transpositioning may be found in the Etruscan word for sun which is us il , it appears to be a cryptolect of Latin so lis , i.e. (os sil).

Pois bem agora já não é à martelada que se força a teoria mas a compressor! É evidente que esta complexa inversão não é senão aparente porque, de facto, não existe inversão alguma nem mesmo sílaba-a-sílaba porque is e sufixo nominativo! Mas isso resulta seguramente da «vis fonética» do etrusco.

Usil ó Inv. Lisu ¹.Sol > inv. *Laus???

Sol(is) < Shaul < Kauris < Kurish = Iscur > Ushur > Ashur.

                                               Osíris < Ausir <            > Ushir > Usil.

There are a series of Etruscan words which appear to have been formed from Latin by the dropping of initial consonants and sometimes the following vowel. Thus we have itus (ides, middle ) from Lat. (m)edius; am (to be) from Lat. (s)umma; ati from (m)ater, apa from (p)apa, ateri (paternal) from Lat. (p)atrius (parental); Etr. ais (god) from Lat. (d)eus; Etr. ac (make, offer) from Lat. (f)ac(io); Etr. car, cer , (make,build) from Lat. ( fa)cere; Etr lein (to die) from Lat. (si)leo (cease), (si)len(s) (the dead)., etc..

Mas não, não e não!

·      Itus, não tem ainda significado categórico e pode, portanto, não significar meio mas a outra metade, por derivar do semântica da divisão, como outros autores postulam, aproximando-se assim da semântica «do que vem depois e é passado» presente em formas passadas do verbo ire!

·      Se o etruco Am veio do sum(ma?) latino de onde veio o (I) am dos ingleses?

·      Ati vem de *Aki < Kaki > Aka, que na Anatólia era mãe!

·      Apa vem directamente do sumério apa!

·      Ateri pode vir de Ati, e corresponder ao mesmo conceito de amor e poder familiar mas com conotação matriarcal!

·      Ais pode ser aparentado com Deus mas por outra via. Ais < Hais < Ka(h)u(s) < Caco > Kehus > Theus > Deus.

·      Ac não e senão a raiz semântica de acto.

·      Car, cer vem directamente de Kar > As-kar = Ish-kur, deus sumério da guerra e das tempestades > sumer Kar = «transportar» > sumério Gar = fazer.

·      Lein < Re-in < Re-in(fer), lit. Re nos infernos, por-do-sol > morrer? As formas latinas seriam derivadas por serem as etruscas mais arcaicas e já com a conotação de morrer e enterrar implícita no prefixo si < Ki.

Os Etruscos chamam Turan a Vénus que acredito significar «senhora, dona» (ela normalmente é representada em espelhos Etruscos como madura e digna) pode ser derivado de latim (ma)trona.

Bom quem tirou a dignidade a Vénus foi a tradição puritana pós augustiniana porque Vénus foi sempre uma arcaica Deusa mãe logo uma autêntica Matrona (< Mataur(i)na) que mais não é que uma «Mãe Turan». Como Ma é mãe na Anatólia então Turan já era o nome desta deusa nos tempos arcaicos em que foi título de Artemisa enquanto Pótnia Teron.

Atri, Atrium is both a word and architectural feature thought by some to have been borrowed by the Romans from the Etruscans. It was the main ,and entrance room of the Roman house, and the hall of temples and public buildings. The residential atrium was a place where the family's treasured ancestral masks were displayed, and in public atria the images of city fathers lined the walls. Since it is has been noted that Etr. ateri = Lat. (p)atrius would it not seem logical that atrium, a sacred place in the home set aside to honor the fathers derive from p-atrium instead of the commonly accepted notion that it finds it's origins in the Latin word ater which means black, gloomy, malicious, poisonous, and also forms the basis for Lat. 'atrox' (terrible, horrible ) .

Este parágrafo é um perfeito romance.

Etr. Ateri < ataire < Ath-arie, junto à área e basta!

Restaria agora procurar a arcaica etimologia das arenas e das areias na semântica do deus carneiro que foi Áries, Amon e Enki e teríamos a explicação para a sacralidade deste espaço doméstico! Quanto ao fado do «pai cruel» e atroz nem vale a pena falar do quanto pode haver de judaizante nesta tese que tem tanto de verdade quanto de injusto. Não é preciso fazer derivar a atrocidade dos pais porque terrível era o deus das tempestades e das guerras que eram os deuses taurinos anatólicos, Iscur ó As-kur < *Hator = Adad.

Depois, apenas se conjectura o que já se sabia. Que o etruscos eram mais antigos, cultos e civilizados que os latinos e que, por isso mesmo exerceram sobre este uma forte influência, particularmente em aspectos religiosos e técnico-científicos.

A propósito de ludio apenas refiro o «laudeamos dóminum» com a conotação com o gozo festivo que tinham os jogos comemorativos das divindades vitoriosas!

Sprinkled throughout Etruscan texts there are words which are purely Latin,(…)

Que é como quem diz que existem palavras latinas que foram copiadas directamente do etrusco porque a antiguidade costuma ser um posto! Outras nem tanto mas talvez expliquem a razão porque existem palavras ibéricas que estão mais próximas do etrusco do que do latim. A possibilidade de as línguas ibéricas terem estado mais próximas do etrusco do que do latim por meio dum fundo linguístico arcaico comum ao mediterrâneo ocidental explica a fácil latinização dos ibéricos bem como o paradoxo de algumas etimologias populares serem um pouco arrevesadas e outras francamente suspeitas de não serem tão latinas comos afirmam os gramáticos oficiais e poderem ser autóctones.

Um exemplo etrusco pode ser este:

Grec. Cata- (= para cima).

Cath, cathin to grasp, perceive [az96] /Etruscan.

Cathe shrewd, intelligent, sly [az96] /Etruscan.

Cathna perception [az96] /Etruscan.

cati, cathni, catni examination, perception [az96] /Etruscan.

Pt. «exacto» (depois de examinado) < esxath = «to investigate, interrogate, to seek [az96]»/ Etruscan < *ex-cathe < esxathce > *cathce > *kakithe > capihte > Lat. captare > Pt. «catar»

= v. tr. buscar; • pesquisar; • examinar cuidadosamente • espiolhar; < • buscar e matar os parasitas (particularmente piolhos na cabeça, facto que deve ter sido uma metáfora para a busca da solução mental para um problema acto previamente expresso pelo gesto macacoide de «coçar» a cabeça!)

=> • acatar; = • obedecer;

Como já só os macacos é que se catam só se aplica a forma erudita captar e a forma popular, acatar, que, de atitude prazenteira própria dos poderosos pacificados pelo despiolhamento se tornou num privilegio de crianças com piolhos antes da descoberta do DDT e logo numa metáfora de submissão ao controlo maternal e posteriormente a todos os poderes.

Pois bem, o português só não é uma língua esquizofrénica porque somos uma cultura de brandos costumes e porque as duas componentes, o português popular e o erudito, têm a mesma matriz que não é exclusivamente latino porque mesmo este, foi caldeado nesta grande, arcaica e fecunda cultura linguística a deve chamar-se mediterranieidade em contraponto à chamada cultura indo-europeia.

Em conclusão:

A teoria do etrusco escrito como processo encriptado de informação com finalidades obscuras tem contra si vários óbices:

Tem mais excepções do que exemplos regulares.

Vários termos etruscas são literalmente iguais a equivalentes latinos ou gregos.

Nem todas as palavras etruscas são inversas de palavras latinas ou gregas equivalentes.

Certas inversões são incompletas ou paradoxais!

O fenómeno da inversão fonética das palavras é previsível num contexto de oralidade exclusiva ou preponderante, sobretudo quando se trata da aprendizagem de palavras novas pelo processo da repetição intensiva.

A linguística moderna não é coincidente com a linguística que se deve pressupor para os falares arcaicos onde a palavras seriam aglutinantes em resultado de semantemas foneticamente curtos, silábicos e num contexto gramatical simples, flexível e infalivelmente…falível! Toda a evolução pressupõe a mutação na transmissão da informação e em linguística este não é senão o resultado de erros de aprendizagem. As regras da derivação linguística devem então ser procuradas em constantes probabilísticas destes erros. A normalização da linguagem pela repressão gramatical, controlada pelos suportes informativos, pode conseguir a estabilização da linguagem mas não elimina os erros criativos de informação nem a evolução cultural.



[1]

[2] In the eigth century B.C. the first major city in Italy to which the Etruscans were exposed was the Greek port city of Sybaris, it also became their major trading partner . It is quite possible that Sybaris, which according to Etruscan orthography would be written *Supuru, also became their ultimate designation for city. This scenario would leave Lat. Urbs a second hand borrowing (Sybaris > Suburu > urbis).

[3] One of the reasons why Etruscan has remained so confusing to linguists is that many Etruscan words were formed from the reversed suffixes of Latin words, the resulting Etruscan word stems appear to have no connection with the Latin words from which they were derived, ultimately leading to the common consensus that Etruscan is a non-Indo-European language.

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