sexta-feira, 26 de abril de 2013

GANIMEDES, UM DEUS MENINO DA PEDERASTIA INICIÁTICA, por Artur Felisberto.

As analogias no formalismo das iconografias de Ganimedes e Scanda comprovam que a sua análise pode ser um elemento importante para a mitologia comparada.

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"Among the Dravidians the god of youth is called Kumara or Skanda in the Puranic literature. Kumara is said to be the son of Siva. This Kumara is analogous to the Egyptian god Horus, the son of Osiris.[1]"

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Figura 1: Ganimedes alimentando a águia de Zeus que o transportou ao céu!

Figura 2: Scanda no seu animal de transporte, o pavão!

Por sua vez, estas só não serão mais do que meras coincidências fortuitas difíceis de explicar se postularmos que tiveram um passado comum em cultos de iniciação pascal de morte e ressurreição solar. Obviamente que a posterior separação geográfica do mito comum terá feito algumas alterações que, por sua vez poderão ter alguma significação importante na explicação evolutiva do mito. Scanda parece ser uma versão mais arcaica porque se transporta no pavão de Juno levantando a suspeita de que faria parte dum mito matriarcal do tipo da “virgem e o menino”! O facto de a Juventude / Ganimedes ter deixado de ser Juventa / Hebe no mundo greco-romano revela uma reconversão do mito a uma ideologia explícita de tipo patriarcal que se terá iniciado com a queda do mundo micénico que o mito hindu ainda não manifestaria inteiramente.

Dans l'hindouisme, Kârttikeya ou Skanda (du sanskrit, skand, «émettre», Skanda signifiant littéralement «jet de sperme »), souvent présenté comme étant le fils de Shiva et Pârvatî, est le dieu de la guerre. (…). Éternel adolescent (Kumâra), il était vénéré sous les Gupta dans l'Inde du nord où il était la divinité tutélaire des Chalukya. Il est surtout populaire dans l'Inde du sud où il est connu sous le nom de Murugan (le garçon) ou encore Subrâhmanya, Shankamukha, Pa-vaki, Saravanan/Saravanam (Bois de Roseaux), Velan (le porteur d'épieu), Sheyyan ou Sheyyavan (le rouge).

Hay varios mitos relacionados con su nacimiento. De acuerdo con una leyenda — según el Atharva Veda, el Taittiriya Samhita y el S'atapatha Brahmana —, Karttikeya nació sin la participación de Parvati.

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Figura 3: Shiva ladeado pelos seus dois filhos: Ganesha e Skanda

En una ocasión, el semen de Shivá (que según algunos tenía forma de rayo) cayó en el fuego. Era tan caliente y brillante que sólo podía tocarlo Agní, el dios del fuego. Siguiendo las instrucciones de S'ivá, Agní depositó este semen en el río Ganga (el Ganges). La diosa Ganga entonces lo nutrió, hasta que un bebé con forma humana, Karttikeya, surgió del río. Por eso a veces se dice que Ka-rttikeya es hijo de Agní y Ganga.

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Figura 4: Ganimedes parece ter acabado como copeiro dos deuses sem grande animosidade mesmo da parte de Hera que terá reservado a sua vingança para a época da guerra de Tróia apoiando os troianos com Atena. No entanto, Apolo que seria uma variante de Ganimedes, apoiará os troianos.

Na mitologia grega, Ganimedes era um príncipe de Tróia, por quem Zeus se apaixonou. Nas imediações de Tróia, o jovem cuidava dos rebanhos do pai, quando foi avistado por Zeus. Atordoado com a beleza do mortal, Zeus transformou-se em uma águia e raptou-o, possuindo-o em pleno vôo. Ganimedes foi levado ao Olimpo e, apesar do ódio de Hera, substituiu a deusa Hebe e passou a servir o néctar aos deuses, bebida da imortalidade, derramando, os restos sobre os homens. Em homenagem ao belíssimo jovem, Zeus colocou-o na constelação de Aquário.

O mito de Scanda / Karti-keia / Kumara repotaria mais directamente para um esposo de Hebe / Juv-entas do que para Ganimedes que parece ter sido divinizado à posteriori para ser um mero copeiro de Zeus. E não seriamos tentados a procurar mais similitudes entre deuses gregos e Hindus que aparentemente nada têm em comum se não aparecesse em português de Portugal o termo escanção como sinónimo mais comum de copeiro.

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Figura 5: Ganimedes o escanção particular de Zeus.

«Escansão» = • (Lat. scansione, subida), s. f. acção ou processo de escandir; • (Lat. scandere, subir), v. tr. medir os versos latinos e gregos, dividindo-os em pés; .• subida de ritmo em verso; • (Mús.) elevação de tom. • (fig.) examinar cuidadosamente

Em Portugal, ao lado do mordomo apareceu o copeiro ou «escanção» = • (< Gót. skankja, copeiro), s. m. aquele que, nos banquetes, deitava vinho nos copos dos convivas; • copeiro real; • actualmente, profissional de um restaurante de luxo, internacionalmente conhecido pelo galicismo sommelier.

O escanção apenas sobreviveu em Portugal porque nem os espanhóis nem os brasileiros reconhecem este termo que no entanto parece ter ressonâncias nórdicas no «senescal» = s. m. (ant.) mordomo-mor ou vedor em certas casas reais. < O. Fr. seneschal < baixo latim *senescalcus, < P. Gmc. *sene-skalk = L. senex "velho" + P. Gmc. *skalkoz "servente" (cf. Goth. skalks, < O.H.G. scalc, < O.E. scealc;).

Entrar na língua gótica para entender a relação entre o “copeiro” skan-kja e o mero “servo” skalks é tarefa para especialista embora seja estranho que pareça ser apenas o étimo ska- o núcleo deste termo que nos reposta para o deus Hindu da juventude. No entanto, Skandá significa ‘o que salta’, ‘o atacante’, ‘sémen’ com possível relação com o Gr. Skán-dalon, a pedra que faz tropeçar e com o verbo latino Lat. scandere, subir.

A verdade é que este mito arcaico relativo ao “nascimento do deus menino” ainda contado aos jovens hindus terá sido sempre uma forma escandalosa do nascimento abrupto do deus menino protágono da luz primordial, Fanes ou Pan. Por isso este deus menino seria filho do Fogo e de Galateia, a noite iluminada apenas pela Via láctea. Este “deus menino” em fogo rubro ora subiria em cânticos de alegria festiva nas festas dos rapazes do solstício de inverno como o jovem rubro de pudor o *Escandeu, ou deus Scanda ora poderoso e possante como Ganesha.

Ganesh(a) seria um deus elefantino na Índia e na suméria seria Hanesh, o filho de Enki

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Figura 6: Ganimedes e as divinas ambiguidades de Deus (restauro cibernético do autor). Esta figura dum vaso grego tem com a seguinte em comum apenas a criancice juvenil do jogo do arco porque a figura seguinte disfarça mal a idade pós púbere do “filho predilecto de Zeus” que parece uma criança traquinas e faz de Zeus um velho pedófilo, em flagrante contraste com a representação típica da pederastia grega entre homens aristocratas recém-casados e amantes (erastoi) e jovens amados (eromenoi) pós-puberes.

O mito grego contado em idênticos ritos de passagem seria ainda mais explícito em termos de pederastia iniciática e apoteose do patriarcado. Na verdade o patriarcado apareceu como conhecimento iniciático do papel fecundante do macho dominante como garantia da fertilidade animal, ou seja, como mito rústico de pastores. Os gregos terão ido muto mais longe na ousadia do delírio da secundarização da mulher na fecundidade animal ousando acreditar que Zeus se fartou de ser servido pela sua filha Hebe pensou na modernice de ter um escravo humano como copeiro e súcubo privado. Em vez fazer um filho à criada ou à filha Hebe, como até ai faria qualquer mortal, teria tido a ousadia de gerar sozinho um filho divino fecundando um belo espécimen humano. E é assim que a iconografia clássica do mito de Ganimedes acaba como um culto ao patriarcado na forma de pederastia iniciática homossexual.


Figura 7: Rapto de Ganimedes. O rapto de crianças para satisfação pedófila era um instituto consuetudinário cretense sacralizado pela obrigação do raptor educar a criança rapatada.

Ganimedes era de origen troyano y no griego, lo que le identifica como parte del nivel más antiguo da mitología egea prehelénico. Platón opinaba en su Timeo que el mito de Ganimedes había sido inventado por los cretenses — la Creta minoica era un centro de poder de la cultura pre-helénica — para justificar sus inclinaciones homosexuales, que más tarde fueron importadas por Grecia, en lo que coinciden los autores griegos.

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As racionalizações míticas helenísticas nunca fundamentam as suas razões porque partem sempre do princípio retórico hiper-corrector de que os mitógrafos antigos eram como crianças cegas pela sua fé e ingénuas por natureza. No entanto, especular racionalmente sobre crenças antigas na base de que ninguém mente sempre e inteiramente pode ser uma nova forma de mentira! Digamos que os mitos são por natureza mentiras infantis em volta de verdades difíceis de aceitar e compreender. Se Platão deu conta de que a homossexualidade explícita do mito de Ganimedes poderia envergonhar tantos os deuses como a cultura helénica apressadamente atribuiu o mito aos cretenses. Ora, ao faze-lo deixou-nos uma nova informação: a de que a celebridade do vício sodomita cretense era sobejamente conhecida no mundo antigo confirmando os vários mitos recolhidos por Bernard Sergent no seu grosso livro: “L`Homosexualité Iniciatique Dans L´Europe Ancienne”.

Estas racionalizações continuaram até à época tardia bizantina, obviamente já inteiramente de acordo com o modo de pensar do racionalismo cristão.

Suidas s.v. Ilion (trans. Suda On Line) (Byzantine Greek lexicon C10th A.D.): "In the territory of the Phrygians Tros, the father of Ilos and Gannymedes, was king after founding Troy in his own name and Ilium in his son's name. After filling all the cities he won over the local rulers from Tantalos, the King of Thrake. And after some time he sent his son Gannymedes, strongly loved by him, with 50 men, to take sacrifices and gifts to European Zeus for thanksgiving. So Tantalos, thinking that he was sent to spy on his kingdom, overpowered him before he reached the temple. And after learning the real reason he nursed him. But he (Gannymedes) after a short while was overcome by disease and died. Tantalos in grief placed him in a coffin, and sent men to tell his father of his death. The poets wrote that Gannymedes was kidnapped by Zeus, turning the bitterness of his death into myth."

Obviamente que o mito de Ganimedes se cruzou com o equivalente hindu na época do início da civilização micénica que terá coincidido com o fim desastroso não apenas da talassocracia minóica como da civilização mundial que esta ajudaria a sustentar desde o mar Egeu até à civilização de Harapa. Assim sendo, é pouco provável que o mito de Ganimedes tenha surgido na época da fundação de Tróia a menos que esta remonte à época em que Tântalo seria neto de Crono / Saturno.

Plouto (a riqueza) era uma Ninfa de Monte Sipulos na Lídia (Anatolia) filha de Cronos que foi amado por Zeus ou Tmolus e assim concebeu Tantalos, o primeiro Rei de Lídia. De acordo com Heródoto, Manes foi o primeiro Rei mito da Lídia. O filho dele era Atis ou Atullos, o Atlas grego ou Tântalos. O reino de Lídia era notoriamente rico, o que levou os gregos a chamarem à sua deusa tutelar, que seria Cibele, como deusa da cornucópia, da Riqueza (grec. Plouto) e da Abundância.

O interessante é dar conta que Manes seria uma referência à dinastia cretense do lendário rei Minos que foi também o primeiro rei lendário do Egipto. Assim, duma assentada temos o mito de Atis frígio misturado com o do sardónico Talos que seria o guardião de bronze da Atlântida platónica e ambos com Atlas e Tântalo reportados para a época dourada dum Saturno cretense onde seriam afinal comuns os sacrifícios humanos e o rapto de crianças ora para sacrifícios humanos ora para pederastia iniciática.

Atis /< Atyllos > Atila > Atlas > Talos => Tan-Talos

 

Ver: ATIS (***) & TALOS(***)

 

Suidas s.v. Minos: "[King Minos of Krete] hearing of the great fame, in Phrygia, of Tros the king of Troy and of his sons, he went to the city of Dardanos where Tros lived. Tros had three sons: Ilos, Assarakos, and Ganymede, [the last] of whom had a great name for beauty. So Minos stayed as a guest with Tros, both giving and receiving presents, and he ordered Tros to summon his sons, so that he might see them and give them presents too. But Tros said that they had gone on a hunt. [So] Minos too wanted to hunt with them. At first [Tros] sent one of his attendants into the place where the boys were hunting, around the Granikos river; but Minos, having sent out his ships a little beforehand to the river, came later to the sons and saw Ganymedes and fell in love with him. And having given out orders to the Kretans and snatched the boy, he him in the ship and sailed away. The place was called Harpagia. Minos took the boy and went to Crete. The boy to ease his pain killed himself with a sword, and Minos buried him in the temple. Hence, of course, it is said that Ganymede serves with Zeus."

Dito de outro modo, mais do que uma racionalização bizantina tardia sem fundamento este texto do dicionário enciclopédico Suda, parece haver uma recompilação de fontes entretanto perdidas e que revela um verdadeiro esforço de racionalização com base nas fontes consideradas mais credíveis. Este texto, de facto conta uma história parecida com a de Teseu e o Minotauro.

Assim, como não era credível que Zeus tivesse abduzido Ganimedes o mito foi reportado para episódios plausíveis recolhidos e descritos por autores helenísticos que reportavam a lenda para a época de Minos, ou seja par a tradição cretense minóica onde todos os mitos neolíticos terão começado, incluindo os que escondiam raptos para sacrifícios humanos e para pedofilia iniciática.

Em qualquer caso se Scanda acabou significando “divina esporra” entres os gregos teria o mesmo significado de iniciação sexual em ritos de passagem na medida em que segundo Robert Graves significaria tanto o “divino gozo viril ou sublime orgasmo” como a própria ejaculação “enquanto medida do gozo”.

Sobre a etimologia da palavra Ganimedes Robert Graves propõe, em Os Mitos Gregos, que a palavra seja formada de duas palavras gregas: ganý-esthai que significa regozijar-se, estar repleto de alegria, mais médea que quer dizer as partes pudendas do homem ou as suas nudezas, dando uma possível tradução como aquele que se regozija na virilidade.

Ganimedes, do latino Ganumedes, de ganumai grego, “gozar”. (O sufixo -meda do nome vem de *med indo-europeu – “tomar medidas” ou “meditar”, e está contido nos nomes: Medusa, Diomedes e Andromeda). De acordo com Klein o prefixo gany no nome de "Ganymedes" está relacionado a gaud, ornamente, como no gaude Medio Inglês, provavelmente de gaudir francês Antigo, “alegrar, rejubilar”, de *gaudire baixo latino, que corresponde a gaudere latino, “rejubilar”, do latino gaudium “alegria”, e é correlativo do gaio grego, “eu exulto de alegria”, do grego getheo, “rejubilo”. Compare alegria, alegre. (…) O palavra catamito, menino usou em pederastia pedófila, vem do latino Catamitus, do Etruscan Catamite, e é uma forma corruptela colateral de Ganymedes, do grego Ganumedes. – Michael's Thread [2]

Obviamente que os mitos sempre permitiram leituras em diversos níveis de interpretação como era próprio da fase da oralidade onde a memória era traiçoeira. De facto, no que diz respeito a correlação entre Ganimedes e Scanda a mitologia da etimologia indo-europeia fará algum sentido enquanto fase comum indo-ariana da linguagem europeia da periferia das regiões cultas do mediterrâneo oriental e do crescente fértil. No entanto, esta origem se fosse menos mítica manifestaria uma relação mais clara no nome dos deuses hindus da juventude, o que não acontece. Na verdade o termo “gaudeamus dominum” revela uma fórmula litúrgica arcaica a Gaudeo, o deus Gau, ainda comum na patronímica catalã como no nome de Gaudi, o autor da catedral inacabada da Sagrada Família de Barcelona. A raiz –medes seguramente que tem a ver com medida mas por estar relacionada com a deusa da justiça que foi Metis com quem está relacionado o nome de Media e Medusa. De resto, Ganimedes invoca pela raiz o nome de Prometeu e Epimeteu

No entanto, o mito grego encontra-se fortemente humanizado e distante do carácter cósmico da ejaculação de Chiva sobre a Noite de Galateia que assim teria provocado a “via láctea”. Quer dizer que a proposta de Robert Graves só faria inteiro sentido se fosse uma criação original dos gregos. Ora, tudo aponta para que o nome fosse anterior ao mito grego que numa vertente meramente linguística tem parte do de Scanda (que variantes futuras fariam relacionar com um copeiro divino aparecendo então nos termos góticos que deram forma ao «escansão» e ao «senescal») e o nome do irmão gémeo de Scanda, Ganesha.

Gan-i-medes < | kani < Enki | + Metis, ou antes:

Gan-esh(a) ó Gan(ma)esh < Ganimestu < Ganimesh, “o príncipe *Gan”!

Em conclusão, Ganimedes seria um jovem príncipe filho de deus que os gregos depois da idade das trevas já ignoravam e que confundiram com um belo troiano quando andaram por aquelas paragens na guerra que motivou a ruína da cultura arcaica. O que os gregos perderem neste mito foi o seu carácter proeminente como celebração do culto do “deus menino” nas festas do solstício de inverno!

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Figura 8: Ganimedes, o copeiro divino.

En una posible versión alternativa, la titánide Eos, diosa del amanecer y experta en belleza masculina, secuestró a Ganimedes junto con su hermano Titono, su más recordado esposo, a quien le fue concedida la inmortalidad, pero no la eterna juventud.  De hecho Titono vivió para siempre pero se hizo más y más anciano, terminando por convertirse en un grillo, en lo que es un ejemplo clásico del elemento mitológico de la bendición con trampa.

Na verdade, é possível que Ganimedes fosse em tempos arcaicos uma variante de Hermes e de Horus ficando assim explicado o facto de ter aparecido na Índia como tendo um irmão gémeo como teria sido em tempos o caso de Hermes & Apolo.

Kumara < Ky-me-Kar < Kur-Me-Ki(ish) > Her + me+ ish

=> Hermes ó Kar-ish => Horus.

Visnu < *Visheno < Wi-ash-nu

< Ki-ash-Anu, literalmente filho de Ki e de Anu, como Enki.

Visnu, pai hindu destes gémeos, seria um deus arcaico do fogo como Vulcano / Hefesto, herdeiros e descendentes de Enki, se é que não se trata de suas variantes! Como deuses do fogo, fabricariam o Soma, o licor da eterna juventude na mitologia clássica pelo que, estes deuses eram os legítimos descendentes dos esposos das potinijas de antanho.

No entanto, fosse por ter sido empiricamente descoberto que os enjoos da gravidez lhes eram contrários, fosse porque o precioso líquido, enquanto estimulante da coragem, teria passado a ser importante na estratégia militar, o certo é que as mulheres perderam o controlo sobre as bebidas fermentadas e o direito ao exclusivo do seu fabrico que passou em determinada altura a ser um segredo militar.

Ao mesmo tempo, e por força das alterações sociais que a criação do instituto militar autónomo acarretara à vida social, o seu estatuto começaria a alterar-se passando a ser, no domínio doméstico, donas de casa e/ou concubinas, que é como quem diz, criadas de dentro, ou cortesãs de fora (do palácio); no domínio da gens e da tribo, prostitutas de “taberna e tabernáculos” mas, mesmo aqui, já menos isso, pois a concorrência masculina intensificava-se em resultado do gosto por rapazes que os guerreiros cretenses e depois gregos, relaxados pela paz burguesa e confinados aos limites procriativos da etreiteza de horizontes das superpovoadas ilhas jónicas, começavam a explicitar com algum orgulho aristocrático! Enfim, a homossexualidade seria uma forma empírica de controlo da natalidade. Fosse como tivesse que ser, o certo é que quem passou a servir o licor da eterna juventude à mesa dos deuses olímpicos foi um rapaz de nome Ganimedes, príncipe mensageiro da luz da aurora e das tábuas do destino (me) do deus Enki?

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Figura 10: Majestosa representação barroca do rapto de Ganimedes pela divina Águia de Enki que mais parece uma apoteose da pedofilia homossexual clássica?

Este facto pode constituir um rasto de expiação simbólica do crime de matricídio cultural perpetrado pelo patriarcado emergente e que teria que ser redimida com a tragédia do rapto, não tão mítico como se poderia pensar, duma criança destinada ao sacrifício cruento para serviço de escravo à mesa dos deuses. Primeiro, na fase heróica da cultura grega, como «pajens» destinados à instrução militar na condição básica de servos, cocheiros e impedidos dos guerreiros adultos. Mais tarde, em época de prosperidade democrática, para a prática desportiva nos ginásios em regime de criados para todo o serviço cívico, público e privado.

Então, para não incorrer nas mesmas suspeitas, Hebe ou mudou de sexo ou então... foi a cultura grega que mudou de preferências à mesa, obviamente que não inteiramente, nem sequer principalmente, mas em grande quantidade de vezes! De qualquer forma estamos no terreno de Kar filho solar de Enki onde se criaram os deuses da juventude.

Ora bem, ao deslindar estas linhas semânticas começa a insinuar-se uma coligação semântica indo-europeia que inclui o nome persa de Gayomar.

Gayomard = The first man or first mortal ancestor. The word comes from the old Persian gayo, "life", and maretan, which means "mortal".

O papel de Gayomar faz pensar no de Prometeu com quem tem mesmo algumas semelhanças etimológicas por meio de Hermes.

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Figura 9: Zeus & Ganimédes ou uma luta simulada de galos e galifões!

Gayomarth < Gayo-Martu, Gaio, esposo mortal de Gaia, ou seja uma das infindáveis variantes dum deus pascoal?

< Ka-jau-ma-urt ó Kaur-mashtu > Haurmazduu => Haura Mazda.

                                                       < Kur-Mashu > Hermes.

Em boa verdade, esta etimologia não está de todo em todo fora do referido contexto avéstico. De facto, para o «mortal» maretan = me arth an, teremos => Gayo + me art an, expressão que poderia ser traduzido, mais ou menos literalmente, e sem cair em nada de muito absurdo, por “vivente mortal”! É possível que estes semantemas se tenham fixado na língua persa muito posteriormente à arcaica origem desta expressão pois é possível que, inicialmente, tenha tido um significado mais próximo do conceito de Kumara, deus da juventude e filho de deus Pai Shiva, e de Hermes, o anjo mensageiro dos deuses.

Catamitus = The Latin name of Ganymede.

Em qualquer dos casos, a mitologia grega conservou rastos de ambas as vias. A divina em Hermes e a mortal em Ganimedes.

Senão vejamos:

Ganimedes < ga ani me (ar)thes <

Ki(u)

An

Ama

(Kar)

Kish

 

Ga

ni

me

(ar)

des

Gayomard < ga o(n) me art(y) <

Ki(u)

(An)

Ama

Kar

Kish

 

Gay

on

me

ar

t(es)

Catamitus < (An) Ca(r) Tha me thus

Ki

An

Ama

(Kar)

Kish

 

Tha

(an)

me

Ka(r)

thus

Então, Gaiomard seria literalmente um ardo/homem de Gayome/Enkime [= o Sr. (da ciência) das leis da Natureza] que poderia ser semanticamente idêntico aos apolíneo Apkallu se não fora um mortal como Addapa. Os mitos dos filhos de Enki, os solares Apkallu e os mortais Adappa, têm seguramente apoio astrológico no paralelismo dos ritos de fertilidade agrícola relativos à ressurreição equinocial do sol de Verão e no despertar do sono do sol-nascente e à morte equinocial do sol de Inverno e do adormecimento do sol-posto.

Kiu-an me Kar-thes = Enki me Kar-Thes seria seguramente uma antiquíssima invocação solar cujo étimo Kar-Thes nos faz pensar na porção terminal de Mel-Kart(u) e de Belatu-Cadros, e que seria a deusa mãe das cobras cretenses, *Kertu.

 

Ver: SURIA / BELATUCADROS (***)

 

Ora bem, a expressão Enki me Kar-| Thes < Kaki > ish > esh > es | deve ter tido as seguintes variantes:

Kur Enkimesh = Kar mesh, o jovem filho de Enki => Hermes e kumara!

Kur Kimesh an => Guil-gamesh, o jovem príncipe da epopeias suméria, variante civil dum mito solar arcaico e transição para os conceitos dos primeiros reis mortais, derivados do conceito do «rei-morto, sol-posto» e que seriam simbolicamente Ganimedes, na qualidade de escravo mortal e copeiro dos deuses, e Gayomard, como o primeiro dos mortais!

No mito Bíblico, seguramente herdado por via suméria do conceito de Adappa sumério, Gaiomard, é ainda Adappan > Adão, mas funcionalmente é já um mortal, caseiro da quinta (< Ki-Antu, terreno sagrado de enterramento da deusa mãe!) dos deuses, pois já não é o sírio Adónis que, tendo sido um deus primaveril, dos cultos de fertilidade agrícola, é um deus do sol-posto, na transição do dia solar para a noite lunar. Assim sendo, existe lógica na relação dos mitos dos deuses da eterna juventude com os cultos das bebidas fermentadas e, todos estes, com Hebe e Eva! De facto,

Skanda < Kikanda < Kik Anath, apela para Anath e Kiw < Hebe, por meio da arcaica deusa do fogo que foi Kika.

“In Hindu and Vedic mythology Varuni, waif of Varuna, was originally the waters of origin, she became the goddess of golden liquor, wine and intoxication”.

Se foneticamente tem pouco a ver com a série dos deuses da juventude pelo menos confirma a relação funcional entre os deuses das águas primordiais e as bebidas alcoólicas.

Porém, o mais interessante contributo deste mito reside no facto de nos confirmar que o nome dos deuses das aguas primordiais foi o divino guerreiro da deusa mãe, Varuna, que foi também Enki e guerreiro do céu, Urano! De facto,

Urano < Ura An > War An > Varuna

...ou, o que é mais provável por resultar quase duma mera permuta de letras:

Kauran > Wauran > Waruna!

Porém, só nos mitos dos poetas é que Kaurano/Crono é relevantemente diverso de Urano pois, desde que se iniciou o patriarcado, sempre existiu uma divina trindade familiar com um filho varão (< Varuna)!

Ora bem, se o mito Indu coloca Varuni, esposa de Varuna, na posição funcional de Hebe é, porque terão sido a mesma entidade. Sendo assim, se Varuna não foi Urano foi filho deste pois um dos dois foi Enki, o deus das águas primordiais e da sabedoria profética e gnóstica. O mais verosímil é que tenha sido de facto Urano, o primeiro esposo de Ki/Geiae e, pelo menos a respeito deste elemento mítico, talvez Hesíodo tenha tinha conhecimento da tradição mais acertada. A reforçar esta tese está o estranho mito de Nereu.

Nereus = Father of the Nereides, he was the ancient sea god, who ruled before Poseidon. Represented as an old man with a look of dignity, Nereus lost his dominion over the sea when the Earth was divided among Zeus, Hades and Poseidon, and the latter was alotted the kingdom of the deep, but Nereus obtained a position under Poseidon, and also the power of prophecy.

Ora, Nereu é foneticamente aparentado com Urano.

Urano = Ur(a) An = An Ura > Naura > Narau > Nereu.

E, não apenas pelo dom da profecia mas, pelo domínio dos mares, Nereu era Enki/Urano na sua qualidade de velho lobo-do-mar!. Nesta mesma onda semântica andou Nergal, que seria uma manifestação esquecida da época suméria em que Enki era o deus do Kur de que Hades viria a ser, na cultura helénica, o rei, em consequência das vicissitudes da reforma religiosa levada a cabo pelos hititas cerca do sec. XIII antes de Cristo.

Nergal: Also pronounced Erakal,  "Lord of Erkalla (the great city)" Chief god of the Underworld, consort of Ereshkigal (and of Mammetum; see Ninhursag).

Nergal = Ner < Narau (< An Ur > Urano) + Kar!

Porém, o deus pai das águas primordiais terá andado também associado com os cultos órficos pois é de boa tradição que os cultos da sabedoria e do Espírito Santo andem ligados com o ocultismo e com o profetismo sibilino. Que as Sibilas derivam de Kiwil[3] > Phiel é foneticamente obvio. Que os deuses ofídios nos reportam para os primórdios da cultura religiosa pode ver-se, em capítulo próprio, que estes cultos fálicos tinham Enki como o equivalente sumério mais plausível.

Em conclusão, seja pelo carácter primevo da tradição do deus das águas primordiais, seja porque os mistérios e o ocultismo profético reportam para o culto da sabedoria de que Enki foi o mais arcaico representante, podemos associar a tradição dos deuses dos mistérios a este deus a partir de Damuz.

Do igual modo, se Ab = pai e ba = filho (<= Baal = Ba El = filho do Senhor) então o filho do Pai = Abba > Abab > Addad de que derivaria Hadad?

Ki e Eia terão sido o primeiro casal divino de que Adad (= filho de Ab) pode ter sido o primeiro filho de deus. Não pode ser por mero acaso que o deus da guerra aparece em quase todas as teogonias como sendo o primeiro filho de deus! Este facto está tanto mais dentro das possibilidades míticas quanto se sabe que deusas da sabedoria como Atena e Minerva eram deusas guerreiras.

Re-goni – Deus local adorado por tribos lusitanas. Ronco (Roncoe, Rongo) - Divindade da juventude do norte da Lusitânia.

Regoni < Roeng < Rongoe < Roncoe > Ronco > Rongo

<= Ranucu < Urân-ico = Saturno..

Novamente a raiz sobrevivente destes deuses da juventudes seria, no caso lusitano o étimo Goni < Gauni > Gani-medes.



[1] THE PROTO-SAHARAN RELIGIONS by                                      Clyde A. Winters

[3] Um dos nomes do deus da Luz, Kiwel Ziws, dos mandaenos!

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