sábado, 6 de abril de 2013

DEUSES DA MORTE, (ACTUALIZADO A 20/02/2016) por artur felisberto.

Figura 1: Autor: Pieter Bruegel - O velho-. (ca. 1525-1569) Flamengo. Obra: Triunfo da Morte, ca. 1562 (têmpra e óleo sobre tábua.). Museo do Prado, Madrid.

Obra moral que mostra o triunfo da Morte sobre as coisas mundanas, simbolizado por um grande exército de esqueletos devastando a Terra. No fundo aparece uma paisagem árida onde cenas de destruição ainda se desenrolam. Em primeiro plano, a Morte liderando seus exércitos em um cavalo avermelhado, destrói o mundo dos vivos, que são conduzidos a um enorme caixão, sem esperança de salvação. Todas as classes sociais estão incluídas na composição, sem poder ou devoção podendo salvá-las. Alguns tentam lutar contra seu terrível destino, outros se abandonam ao destino. Apenas um par de amantes, no canto inferior direito, permanece alheio ao futuro que eles também terão de suportar. A pintura reproduz um tema comum na literatura medieval, como a Dança da Morte, frequentemente usada por artistas nórdicos.

12– Vida e morte. Antes de responder a esta questão, quero citar duas frases bastante conhecidas: a primeira de Fiódor Dostoievsky, “Se Deus não existe, então tudo nos é permitido” (*); e a segunda de Friedrich Nietzsche, “Deus está morto”. Não acredito em Deus. Entendo as palavras de Nietzsche, o que ele quis dizer com elas, mas no sentido literal, não posso concordar com elas; para estar morto, era necessário que antes tivesse existido.

Pelo contrário, embora não acreditando em Deus, posso afirmar que ele existe, que está vivo. Ele existe na cabeça das pessoas, lugar onde verdadeiramente existe toda a realidade. Se as pessoas acreditam nele, à partida agem em função dele...

Todavia, se eliminarmos Deus da equação da vida, então tudo nos é permitido; assim sendo, como seria suportável a vida uns com os outros, se não houvesse nada que pudesse servir de referencial? É aí que entra em jogo a morte. A morte é a única lei da vida (embora seja impossível provar que todos morrêramos!).

É a morte que dá sentido à vida. Se não morrêssemos, tudo nos seria permitido. Mas morremos, e como tal esse “tudo” não nos é permitido. Estamos limitados pela morte. É a morte que nos compele a dar um sentido à vida. A morte é o verdadeiro Deus. Não é por acaso que Deus e a Morte estão interrelacionados em todas as religiões. Há quem afirme que parte substancial da razão porque as pessoas tendem a acreditar em algo sobrenatural, é libertarem-se da angústia de saber que um dia vão morrer. Não concordo com isso; no dia-a-dia, as pessoas não andam no meio da rua a pensar “vou morrer, vou morrer”. As pessoas acreditam em algo, para que a sua vida faça sentido, aqui e agora. E o que está por detrás disso é a morte. Se não morrêssemos não precisávamos, por exemplo, de comer, não precisávamos de trabalhar, podíamos adiar tudo, eternamente. Assim, a morte é a lei que orienta a vida. Dêem-lhe o nome que quiserem... A vida é o aqui e o agora. -- Entrevista a André Benjamim (*) (A propósito da publicação do seu primeiro romance: Os cadernos secretos de Sébastian, pela Editorial 100. Janeiro 2007).

(*) A frase "Se Deus não existe, tudo é permitido", frequentemente atribuída a Dostoiévski (via personagem Ivan Karamázov), sugere que sem uma autoridade divina, a moralidade se torna relativa e sem fundamentos objetivos. Jean-Paul Sartre adotou-a, argumentando que a ausência de Deus liberta o homem para criar os seus próprios valores, assumindo total responsabilidade por eles e pelos seus acto…não é por isso que Deus existe ou não porque Ele é o Ser que transcente as coisa e a Substancia imanebte da existência.

A reflexão de André Benjamim parte de duas frases célebres — a de Dostoievski, segundo a qual a inexistência de Deus permitiria tudo, e a de Nietzsche, que proclama a morte de Deus — para afirmar um ateísmo que não elimina o absoluto, apenas o desloca. O autor rejeita a existência de Deus como entidade transcendente, mas reconhece que Deus existe enquanto construção mental e social, pois tudo o que orienta a acção humana existe na realidade psicológica e simbólica. A partir daí, formula a tese de que, eliminando Deus como referencial moral, o único limite universal que resta é a morte. A morte surge como lei absoluta, inevitável, estruturante, e é ela que confere sentido, urgência e direcção à vida. Sem morte, não haveria necessidade, ética, escolha ou acção; tudo poderia ser adiado indefinidamente. A morte, enquanto limite intransponível, funciona como princípio organizador da vida humana. Assim, o autor é ateu...graças ao deus da Morte o que significa reconhecer que o seu pensamento repousa sobre o único absoluto que não depende de fé: a finitude entrópica que governa tudo o que nasce, se transforma e se desfaz, que molda a vida, orienta a acção e delimita o possível. A morte é o primeiro absoluto porque é o primeiro universal inferido pela experiência humana — e continua a ser o único que resiste à crítica, à dúvida e ao tempo.

Esta concepção moderna reencontra, de forma implícita, a estrutura religiosa mais antiga da humanidade. As primeiras manifestações do sagrado surgem nos túmulos, nas cavernas funerárias e nos rituais mortuários paleolíticos, onde a morte é o primeiro objecto de culto e o primeiro espelho da condição humana. Antes dos deuses celestes, guerreiros ou legisladores, existiam divindades do submundo e figuras telúricas associadas simultaneamente à vida e à morte. O Kur sumério, Amenti egípcio, Hel nórdica, as Górgonas gregas e, sobretudo, a arcaica Deusa-Mãe neolítica representam a matriz original: entidades que geram e devoram, que acolhem os mortos e sustentam os vivos, que simbolizam o ciclo natural de nascimento, transformação e desaparecimento. A masculinização do divino é tardia e não elimina o poder simbólico do subsolo, que permanece como o domínio mais antigo e mais absoluto da imaginação religiosa.

Assim, a formulação de Benjamim — a morte como verdadeiro Deus — inscreve-se numa longa continuidade antropológica: a morte como primeiro absoluto humano, como força normativa anterior a qualquer teologia, como fundamento da ética e da acção. O seu ateísmo não é ausência de absoluto, mas reconhecimento de que o único princípio universal é o limite imposto pela finitude. A vida adquire sentido porque é finita; a morte orienta a vida porque a delimita; e a necessidade de sentido nasce precisamente da consciência dessa limitação. A vida é o aqui e agora porque a morte é inevitável e absoluta.

 

Deus como força ontológica que impede o colapso do pensamento no nada.

A formulação segundo a qual Deus aparece como força ontológica que impede o colapso do pensamento no nada não autoriza, contudo, a concluir que a Morte introduz o nada no real. A Morte revela apenas que o nada é nada, que não tem consistência ontológica, que não possui forma nem presença; o que ela mostra é a dissolução do ente, não a existência de um negativo substancial. A Morte é quase tudo face ao tempo da vida porque a vida é breve e a Morte é certa, mas essa desproporção não converte o nada em realidade. A Morte é forma da finitude, não substância do vazio. O nada não se manifesta: o que se manifesta é a cessação do ente, a interrupção da sua duração, a queda da sua forma. A Morte é absoluta enquanto limite, não enquanto entidade.

E, no entanto, só o pensamento vivo pode reconhecer que o Ser é tudo. Só a consciência finita, exposta ao limite da Morte, pode intuir a eternidade do Ser que não nasce nem morre. O paradoxo instala‑se porque o pensamento que sabe que vai cessar é o mesmo que apreende a impossibilidade do nada; o pensamento que se sabe mortal é o mesmo que reconhece que o Ser não pode não ser. A Morte mostra o limite do ente; o Ser impede o limite de se converter em aniquilação. A Morte revela a finitude; o Ser revela a eternidade. E o pensamento, situado entre ambos, só pode operar por paradoxos, porque tenta compreender o infinito a partir da finitude, a eternidade a partir do tempo, o Ser a partir do ente.

Assim, os paradoxos ontológicos não são falhas da razão, mas a forma necessária que o pensamento finito assume quando tenta apreender a eternidade do Ser. A dualidade quântica — simultaneidade de estados, indeterminação, complementaridade — é apenas a expressão física contemporânea desta impossibilidade de reduzir o real a uma única descrição coerente. O pensamento finito, confrontado com a Morte e com o Ser, só pode pensar por tensões, por duplas pertenças, por estruturas que não se deixam unificar sem perda. A Morte impede que o pensamento se iluda com a infinitude do ente; o Ser impede que o pensamento se perca na ilusão do nada. Entre ambos, o pensamento vive — e é essa vida que permite reconhecer que o Ser é tudo.

É no limite onde o pensamento começa a falhar, que o paradoxo se torna ferramenta e não ornamento porque aparece como sinal de que tocams o limite operativo do discurso. Assim, O paradoxo não destrói a metafísica — revela o que ela não consegue dizer porque é a ferramenta do pensamento quando este toca o indizível. O paradoxo é o único instrumento que resta quando o pensamento chega ao ponto onde a lógica já não consegue acompanhar o real, com ele ainda presente.

O paradoxo torna‑se inevitável quando o pensamento encosta ao ponto onde a razão já não consegue acompanhar o real, e no entanto o real continua ali, intacto, silencioso, irredutível. É precisamente nesse limite — onde a lógica se desfaz mas a presença permanece — que a Morte humana e a eternidade de Deus se confrontam como duas formas extremas do mesmo enigma ontológico. A Morte, enquanto finitude absoluta do ente, expõe a insuficiência de qualquer sistema conceptual que pretenda explicar o Ser a partir das coisas; a eternidade de Deus, enquanto condição de possibilidade do próprio existir, recusa ser capturada por categorias que só servem para ordenar o que nasce e perece. Entre ambas abre‑se o intervalo onde o pensamento se vê obrigado a abandonar a segurança da dedução e a entrar na zona de fricção onde só o paradoxo tem força suficiente para não trair o que tenta nomear. A Morte revela que o ente não se basta; a eternidade revela que o Ser não se esgota. E é no choque entre estas duas evidências — a dissolução do ente e a persistência do Ser — que o paradoxo se impõe como o único instrumento capaz de manter juntas duas verdades que a lógica separaria por impossibilidade formal. A Morte mostra o limite do humano; a eternidade mostra o limite da linguagem; e o paradoxo é o ponto onde ambos os limites se tocam sem se anularem. Porque pensar a Morte é pensar o nada que ameaça o ente, e pensar Deus é pensar o Ser que impede o nada de triunfar; e nenhum destes pensamentos cabe na gramática da razão sem que esta se quebre. Assim, o paradoxo não é ornamento nem falha: é a forma rigorosa que o pensamento assume quando se vê obrigado a dizer simultaneamente que tudo acaba e que o fundamento não acaba, que o ente morre e que o Ser permanece, que o humano se extingue e que Deus não entra no tempo. O paradoxo é a única linguagem possível quando o real se apresenta na sua dupla face de finitude e eternidade.O Ser tem de ser aquilo que permite que haja entes, sem ser ele próprio um ente.

A condição finita do pensamento humano obriga‑o a aproximar‑se do Ser através de paradoxos, porque toda a tentativa de compreender a eternidade a partir da temporalidade produz uma tensão estrutural que não pode ser resolvida pela lógica. O pensamento, limitado pelo tempo, tenta apreender aquilo que não está no tempo; tenta compreender o Ser que não nasce nem morre a partir de uma consciência que nasce e morre. Daí que os paradoxos ontológicos não sejam acidentes discursivos, mas a forma rigorosa que o pensamento assume quando se confronta com a eternidade do Ser. Além das dualidade das antinomias da  filosofia clasica a dualidade quântica — simultaneidade de estados, indeterminação, complementaridade — não é apenas um fenómeno físico, mas a metáfora contemporânea da impossibilidade de reduzir o real a uma única descrição coerente dentro dos limites da razão finita. O paradoxo é a linguagem natural do ponto onde o finito toca o infinito.

A Morte, enquanto limite absoluto da existência, torna esta tensão ainda mais evidente. A consciência da finitude confronta‑se com a intuição da eternidade, e é nesse confronto que o pensamento se dobra sobre si mesmo, incapaz de resolver a contradição mas igualmente incapaz de a evitar. A Morte revela o limite do ente; a eternidade revela o limite da linguagem. Entre ambas, o pensamento só pode operar por paradoxos, porque qualquer tentativa de conciliar finitude e eternidade numa única gramática conceptual destrói a própria possibilidade de pensar. O paradoxo não é falha: é o único modo de manter juntas duas dimensões do real que não podem ser unificadas sem perda.

Assim, os paradoxos ontológicos não são ornamentos nem artifícios: são a forma necessária da metafísica quando esta reconhece que o pensamento finito não pode compreender o Ser eterno sem se quebrar. A dualidade quântica, a tensão entre Morte e eternidade, a impossibilidade de pensar o Ser como ente e a necessidade de o pensar como fundamento, tudo converge para a mesma conclusão: o paradoxo é a estrutura do pensamento quando este toca o real no seu ponto mais profundo.

1. O paradoxo do Ser que não é ente: este paradoxo é inevitável porque o Ser tem de ser aquilo que permite que haja entes, sem ser ele próprio um ente.

2. O paradoxo da imanência transcendental é o de Spinoza e de Heidegger, porque o Ser está em tudo sem ser nada do que está.

3. O paradoxo da liberdade que emerge da necessidade pois se o Ser funda tudo, então tudo é necessário. Mas, se o homem é ente consciente, então emerge nele uma liberdade que não é exterior ao Ser. Logo: a liberdade humana é necessária (porque decorre da estrutura do Ser), mas é livre (porque não é determinada como causalidade física). É o paradoxo que irritaria Sartre e faria Spinoza sorrir: A liberdade é a forma consciente da necessidade. E isto deriva do paradoxo anterior: se o Ser é imanente, a liberdade não pode ser uma excepção; se é transcendente, a liberdade não pode ser mera mecânica de liberdade de acção!

4. O paradoxo da existência como epifania do Ser: se o Ser não é ente, e se é imanente, então a existência dos entes é: manifestação acontecimentos, expressão de acçoes, e epifania do ser na existência é ocomo modo como o Ser aparece sem deixar de ser invisível.

A ontologia só se sustenta quando reconhece que o Ser, para poder fundar os entes, não pode ele próprio ser um ente; e, contudo, para que os entes existam, o Ser tem de lhes ser imanente sem jamais se confundir com eles. Daqui decorre que o Ser é simultaneamente exterior à ordem das coisas e interior ao acto pelo qual as coisas se dão, transcendendo cada ente enquanto permanece como a substância silenciosa da sua possibilidade. Esta duplicidade não é contradição mas condição: o Ser não participa do mundo e, no entanto, o mundo é a sua expressão inevitável. Assim, a liberdade humana emerge não como ruptura da necessidade, mas como a forma consciente da necessidade que atravessa o Ser e se reflecte no ente capaz de se saber ente; a liberdade não é excepção mas epifania, não é acidente mas clarificação da estrutura ontológica que a antecede. A existência, por sua vez, não é simples presença, mas o modo como o Ser se manifesta sem jamais se esgotar naquilo que manifesta, aparecendo em cada coisa como aquilo que nela excede a própria coisa. O Ser, não sendo ente, torna-se o horizonte que permite que haja entes; sendo transcendente, torna-se a imanência que sustém o real; sendo necessário, produz a liberdade; sendo invisível, dá-se a ver na existência. E é neste entrelaçamento que se compreende que cada paradoxo não é falha mas consequência, não é ornamento mas estrutura, não é limite mas o único modo rigoroso de dizer aquilo que, por definição, não cabe na linguagem dos entes. O Ser funda, excede, atravessa e aparece — e cada uma destas operações é simultaneamente verdadeira e insuficiente, porque o Ser só pode ser pensado na tensão que o mantém fora do mundo e, ao mesmo tempo, como a condição de que o mundo não colapse no nada. Assim, a ontologia não resolve paradoxos: reconhece-os como a forma própria do pensamento quando este toca o real no seu ponto mais íntimo.


Figura 2: Hipostásia. Funerary plaque, ca. 520–510 B.C.; Archaic, black-figure.

A reflexão sobre a Morte como primeiro absoluto não nasce apenas da especulação filosófica, mas da proximidade reiterada com o limite onde o humano se desfaz e revela a sua estrutura. Há saberes que se adquirem por leitura, outros por tradição, e há ainda aqueles que só emergem do contacto directo com a matéria extrema da existência. A observação sistemática da Morte — não como metáfora, mas como realidade física, entrópica, irreversível — produz uma compreensão que não depende de crença nem de doutrina: a Morte impõe‑se como lei, como forma, como arquitectura do real. A repetição desse encontro, multiplicada ao longo de anos, transforma a Morte de acontecimento em estrutura, de fim em fundamento, de interrupção em princípio organizador. Não se trata de experiência pessoal, mas de uma exposição prolongada ao ponto onde o corpo deixa de ser sujeito e se torna texto, onde a causalidade se revela sem véus e onde a finitude se apresenta na sua forma mais pura. É desse contacto com o limite que nasce a possibilidade de pensar a Morte não como acidente, mas como absoluto operativo.

A Morte, vista assim, deixa de ser o termo final da vida para se tornar a condição que a torna possível. A finitude não é falha, é forma; não é negação, é estrutura; não é ausência, é o horizonte que delimita o sentido. A vida adquire densidade porque é interrompida; a acção adquire urgência porque é limitada; a ética emerge porque há um fim que não pode ser adiado. A Morte é o primeiro absoluto porque é o primeiro universal inferido pela experiência humana e o único que resiste à crítica, à dúvida e ao tempo. Esta compreensão não é teológica nem psicológica: é ontológica. A Morte não é apenas o que acontece ao corpo, é o que estrutura o possível.

É por isso que a formulação moderna que desloca o absoluto de Deus para a Morte reencontra, sem o declarar, a matriz religiosa mais antiga da humanidade. Os túmulos paleolíticos, as cavernas funerárias, as figuras telúricas que geram e devoram, as divindades do subsolo que acolhem os mortos e sustentam os vivos, constituem a primeira gramática do sagrado. Antes dos deuses solares, guerreiros ou legisladores, existia apenas o domínio subterrâneo, onde a Morte era simultaneamente origem e retorno, lei e promessa, limite e fundamento. A masculinização tardia do divino não eliminou esta camada arcaica; apenas a recobriu com narrativas que tentam domesticar o que nunca foi domesticável. O subsolo permanece como o domínio mais antigo e mais absoluto da imaginação humana.

Assim, a Morte como verdadeiro Deus não é metáfora, mas continuidade antropológica e ontológica pois é o primeiro absoluto humano porque é o primeiro limite que se impõe sem mediação simbólica; é o fundamento da ética porque delimita o possível; é a origem do sentido porque torna a vida finita; é a estrutura do real porque impede o colapso na indiferença. Pensar a Morte como estrutura — e não como fim — é reconhecer que é ela que organiza a vida, que molda a acção, que funda a necessidade e que sustém a própria ideia de tempo.

A Morte é o absoluto que permanece quando todos os outros se desvanecem.

O envelhecimento é uma acumulação de danos químicos nas moléculas dentro das nossas células, que danificam as próprias células e, consequentemente, os tecidos e, por fim, a nós próprios enquanto organismos. Surpreendentemente, começamos a envelhecer quando estamos no útero, embora nessa altura estejamos a crescer mais depressa do que estamos a acumular danos. O envelhecimento ocorre ao longo da nossa vida, desde o início. (...) A duração da vida tem tudo a ver com o facto de a evolução maximizar as hipóteses de transmissão dos genes. (...)

A maioria de nós não quer envelhecer ou deixar esta vida. Não queremos ir embora enquanto a festa ainda está a decorrer. Mas mesmo que as células do nosso corpo sejam criadas e morram a toda a hora, continuamos a existir. Da mesma forma, a vida na Terra continuará enquanto os indivíduos vêm e vão. A um certo nível, temos de aceitar que isso faz parte do esquema das coisas.

Penso que esta busca da imortalidade é uma miragem. Há 150 anos, podia-se esperar viver até aos 40 anos. Actualmente, a esperança de vida é de cerca de 80 anos, o que, como disse o autor Steven Johnson, é quase como acrescentar uma vida extra. Mas continuamos obcecados com a morte. Penso que se vivêssemos até aos 150 anos, estaríamos a preocupar-nos com o facto de não estarmos a viver até aos 200 ou 300. É interminável. - Venki Ramakrishnan.

O envelhecimento é descrito como acumulação progressiva de danos moleculares, um processo entrópico que se inicia ainda no útero e acompanha o organismo ao longo de toda a vida. Esta visão coloca a morte e o envelhecimento no domínio das leis físicas e químicas, não como meros acidentes objectivos ou ontológicos, mas como consequência necessária e suficientes da termodinâmica aplicada à biologia. A evolução não seleciona organismos para viverem indefinidamente, mas para transmitirem genes com eficiência; a longevidade é um subproduto e não um objectivo. Assim, a morte não é falha do sistema, mas parte estrutural do finalismo evolutivo enquanto limiar absoluto inscrito na própria orgânica da matéria viva.

A resistência social e emocional humana ao envelhecimento — o desejo de permanecer na festa enquanto a música toca em modo de encerramento — é apenas a forma consciente da tensão entre o conhecimento da finitude e o impulso vital que a nega. A busca da imortalidade, sempre renovada, é miragem que se desloca com cada aumento da esperança de vida, porque o questão não é a duração mas a existência do limite. A morte permanece como horizonte absoluto, independentemente do tempo que se lhe antepõe.

Mesmo sabendo que as células se renovam e morrem continuamente, o indivíduo mantém a sensação de continuidade pessoal, enquanto a vida na Terra prossegue indiferente à sucessão de indivíduos. A aceitação da morte como parte do “esquema das coisas” não elimina o impulso emocional de permanecer, mas revela a tensão entre o conhecimento biológico e o desejo existencial.

A busca da imortalidade é apresentada como miragem: cada aumento da esperança de vida gera um novo patamar de insatisfação. A história recente mostra que duplicámos a longevidade média, mas não eliminámos a obsessão com a morte. A projecção de vidas de 150, 200 ou 300 anos apenas deslocaria a ansiedade para novos limites cada vez mais distantes, mais difíceis e mais caros, até esbarrar no limiar genético da espécie.

A morte permanece como horizonte absoluto, independentemente da extensão temporal da vida. A insaciabilidade humana confirma que o problema não é a duração, mas a existência do limite.

Esta constatação converge com a ideia de que a morte é o primeiro absoluto inferido por indução e não imposto por dedução dogmática.

A sua universalidade deriva da observação repetida da finitude a todos os níveis e em todos os organismos e da irreversibilidade entrópica que governa a matéria viva.

A vida adquire forma e intensidade porque está limitada pela morte, que é a medida que torna cada instante significativo. A tentativa de escapar ao limite apenas reforça a sua presença. A saudade, mais do que a morte própria, é o que envelhece: a perda contínua de objectos reais ou imaginários é a erosão afectiva que acompanha a sucessão dos dias.

A morte é simultaneamente fenómeno biológico, estrutura evolutiva e fundamento existencial. A recusa em abandonar a festa, a insistência em dançar a última valsa até à exaustão macábra, são manifestações simbólicas da consciência desse absoluto. A vida adquire forma e intensidade porque está limitada pela memória antiga da morte futura que torna cada instante significativo. A tentativa de escapar ao seu limiar apenas reforça a sua presença.

Assim, o texto de Ramakrishnan aqui antes apresentado reforça a tese central de que a morte é o único absoluto que não depende de fé, revelação ou dogma. É a expressão biológica da lei entrópica que molda todos os sistemas. A vida é o intervalo luminoso que se desenrola dentro desse limite, e a consciência humana oscila entre a aceitação racional e a resistência emocional.

A festa continua enquanto dura, e alguns permanecem no salão até ao último compasso, não por negar a morte, mas porque a sua proximidade dá sentido à dança.

Obviamente que a imortalidade é uma miragem que a humanidade persegue desde sempre sem outros resultados que não sejam maravilhas culturais como a arte tumular e os cultos pascais de morte e ressurreição solar. No entanto, não é apenas a luta contra a morte do nosso corpo que nos envolve na estratégia obscura e inconsciente da sobrevivência genética da nossa espécie e em suma da própria razão de ser do elan vital. O que verdadeiramente nos «mata» de saudades e envelhece de fadiga é a constante perda de objecto real ou de fantasia ou seja, não é a própria morte a nossa maior fonte de angustia até porque ninguém se recorda da sua morte mas da dos entes queridos ou da sua prolongada ausência.

No limite, uma longa vida acabaria no suplício duma dolorosa e delongada convivência com os fantasmas do passado, suplício de memórias que se acumulam sem possibilidade de retorno.

No fim e ao cabo está sempre a Morte recorrente invevitável e incontornável e os cultos funérios têm sido, em certa medida isso mesmo: cultos da saudade e nostalgia em luto transformados em projecções angustiantes das nossas perdas de objecto na forma de todo poderosos e perigosos fantasmas de substituição impossivel.

Os cultos funerários nasceram desta dinâmica: o luto transformado em projecção simbólica das perdas, a saudade convertida em figura divina, o morto elevado a antepassado para que a ausência não se tornasse insuportável.

Tanto os historiadores quanto os antropólogos são unânimes em considerarem que a cultura começou com o culto dos mortos e a primeira religião foi o animismo como imagem pós-mortem, socialmente ritualizada, dos antepassados mais queridos e saudosa memória dos heróis fundadores.

Assim, se a vida começa com a deusa da Noite e da Aurora e o “deus menino solar” a religião enquanto culto organizado de memórias colectivas começa com a Deusa Virgem Mãe do Mar Primordial de cujo seio despontou o primeiro monte do Amor Protágono e por isso ela é a Sr.ª da vida na Terra e da Morte fatídica.

No seu seio se enterravam no Inverno as sementes dos primeiros passos da civilização agrícola do neolítico para que delas despontassem os rebentos verdejantes e a Flora da Primavera para que a Fauna ameaçada pela canícula se alimentasse com as primícias do Verão.

Enquanto Deusa na Noite dos tempos ela era a terrível Terra Mãe que quotidianamente devorava ao pôr-do-sol o próprio primogénito nas antas do ocidente para o parir “deus menino”, auto gerada nas cavernas naturais dos montes orientais da Aurora! Senhora das cobras, supostamente detentoras dos segredos da eterna juventude, foi em honra da sua tripla face Lunar que se iniciaram os primeiros cultos de morte e ressurreição solar.

A cultura humana nasce desta dialéctica entre perda e regeneração, entre finitude e continuidade, entre o “viver de vida e morrer de morte” de Heraclito. A compreensão deste paradoxo termodinâmico — a vida como fluxo que se sustenta na morte — encontra uma síntese exemplar na obra de Edgar Morin, O Homem e a Morte, onde a morte é analisada como força estruturante da consciência, da cultura e da organização simbólica da espécie.

A morte é uma experiência universal, mas o vocabulário que a designa é estruturalmente instável em praticamente todas as línguas humanas.

Essa instabilidade não resulta de evolução fonética normal, mas do facto de a morte constituir um tabu absoluto, culturalmente perigoso e ritualmente carregado. Por ser inaceitável nomeá-la diretamente, as sociedades evitam a palavra literal e recorrem a eufemismos, circunlocuções, empréstimos religiosos ou substituições periódicas. O mesmo interdito explica o silêncio que envolve os deuses ctónicos: não eram secundários, mas perigosos; não eram malignos, mas próximos demais da força que dissolve o ente. O submundo não era moralmente negativo; era ontologicamente perigoso e a sua negatividade moral é leitura tardia, estranha à tradição mítica universal.

Como consequência, os verbos que significam “morrer” raramente são herdados de forma regular; frequentemente são opacos, irregulares ou derivados de nomes divinos fossilizados. O tabu impede a fixação lexical e força a renovação constante do termo, produzindo instabilidade semântica e formal. Assim, embora a morte seja universal, as palavras que a nomeiam são historicamente voláteis, porque nomear a morte é, em si, um acto ritual que as culturas procuram evitar ou deslocar.

Os cultos da morte estiveram no centro das sociedades antigas: organizaram calendários, rituais, espaços sagrados e estruturas de poder. Contudo, apesar dessa centralidade, quase nada sabemos sobre eles e a razão é simples e estrutural: a morte é tabu. O interdito que envolve a morte não só impede a pronúncia direta do seu nome como também silencia os deuses, os rituais e as narrativas que lhe pertencem.

Este tabu atua apagando nomes divinos, fragmentando mitos, empedindo registos explícitos e transformando práticas religiosas em segredos iniciáticos. Por isso, figuras como Orcus, Nergal ou a própria filha de Deméter permanecem quase sem conteúdo narrativo e não porque fossem secundárias, mas porque a inefabilidade era parte do próprio culto.

Um deus ctónico não é maligno: é perigoso. O perigo não vem de moralidade, mas da sua ligação à morte — uma força que o pensamento mágico infantil percebia como real, concreta e contagiosa. A negatividade moral associada ao “infernal” é uma leitura judaico‑cristã tardia, estranha à tradição mítica universal, onde o submundo é parte necessária da ordem cósmica.

Assim, o paradoxo é apenas aparente: os cultos da morte foram dominantes, mas o interdito que os protegia destruiu a memória direta que poderíamos ter deles. O que sobrevive são vestígios — ecos, sombras, fósseis linguísticos e simbólicos — que testemunham a sua importância sem revelar o seu funcionamento. A morte é simultaneamente fenómeno biológico, estrutura evolutiva, fundamento existencial e matriz religiosa. É o primeiro absoluto porque é o primeiro universal inferido pela experiência e o único que resiste à crítica. A vida é o intervalo luminoso que se desenrola dentro desse limite, e a consciência oscila entre a aceitação racional e a resistência emocional. A festa continua enquanto dura, e alguns permanecem no salão até ao último compasso, não por negar a morte, mas porque a sua proximidade dá sentido à dança.

 

Ver: NUT (***) & FORTUNA & TAVERET (***)

 

DUAT


Figura 3: Julgamento dos mortos no tribunal de Osíris no átrio de Maat.

Já as línguas germânicas parecem ter encontrado a nome da morte muito longe do mar, ou seja numa civilização já um pouco afastada da cultura mediterrânica. A forte evolução dos nomes relativos à morte netas línguas é, de facto, um exemplo flagrante de como “a lei do menor esforço” pode funcionar ao extremo da constrição em ambientes culturais taciturnos e gélidos com longos invernos nocturnos e verões sombrios.

Alemão

A. Inglês

Inglês

Din.

Sueco

Holand.

Norueg.

Gut.

Gótico

Island.

Opfer-tod Todes-fall, Tod

deaþ,

cwilld

death

Døds-fald, død

Döds-fall,

död

dood,

død, døden

dauþr

 

dáuþus, sm.

dauði, and-lát

Tote, Tot-er, öde

Deað-werig, dead

dead

død

dåd, avliden, död

doods, dode-lijk

død

dauþr

dáuþs, adj.

dauð-ur dá-inn, lát-inn

Wür-fel,

 

Acwell-an, þro-wian

die

dö,

tätning

Dood-gaan,

doya

Dáuþ-jan, diwan, dáuþ-nan,

deyja, and-ast

Mesmo sem ser preciso recorrer à fonética específica de cada das línguas nórdicas (que será bem mais complicada do que o quadro anterior pode deixar transparecer[1]) e depois de excluir termos compósitos ou resultantes de evidentes e idiomáticas expressões perifrásticas aglutinantes (como no caso do alemão moderno e do Inglês Antigo), uma análise simplista de conjunto, revela a sua evidente origem gótica comum, com raras excepções que a análise linguistica esmorece, a partir duma proto-linguagem que os linguistas germanófilos denominam impropriamente proto-germânico porque deveria ser, com mais propriedade, chamada de proto escandinavo já que é aí que parecem encontrar-se os remanescente  mais arcaico, o Gútnico Antigo.

Na verdade, a forma dauþr do nome da morte nesta língua arcaica parece indiciar uma origem diversa da proposta de seguida.

                                                                > An-| Phaurka > Parca.

Inglês Antigo þro-wian < Phrau-ki-na > for-ti-na > Fortuna.

*Kaphura > Kapher > Kawer > *Akwel > Inglês Antigo cwilld

> Inglês M. kill ó Pt. «quilha-r».

Gutic. Dau-þr < Thau | < Gau < Kau |-pher

ó *Kaphura, a cobra que transporta o ka dos mortos para o além

e o sol para o céu.

Devemos aceitar o gútnico Dauþr como mais próximo da origem da morte nórdica do que o gótico dauthus? A verdade é que ambos partilham o prefixo dau- que em nada repugnaria relacioná-lo com Gau. Pelo contrário, tudo aponta para que Gau, que passou pela Ibéria e deixou rastos na Catalunha e no nome do Guadalquibir e do Guadiana, tenha chegado aos países nórdicos, logo no fim da era glaciar, passando pela Galícia, pelas Gálias e pela Jutlandia antes de terminar no mar Báltico e dar origem aos gútnicos e aos gódos.

ENGLISH

GOTHIC

Die (v.)

Diwan, sv. V; ga-dauthnan, wv. 4., swiltan, ga-swiltan, sw. III.; "I die" af-dauthjada, (passive of af-dauthjan, wv. 1).

Death

Dauthus, sm., *swults, sm.; (hell, death as concept) halja, sf.; "put to death" dauthjan, af-dauthjan, wv. 1.; "death, execution" dautheins, sf.; "to be at death's door/on the verge of death" aftumists haban, wv. 3., swulta-wairthja wisan, irreg.; "sentenced to death" dauthu-bleis.

Claro que teria que ser o nome dos próprios nórdicos que nos dariam pistas para a razão do misterioso nome nórdico da morte.

«Gótico» < Gothi-c < Gau-ti, Lit. “Deus Gau“ < Gut(-ni) <

Kau-et > Tuat > Duat.

Tudo leva a crer que as línguas góticas têm tanta unicidade quanto as línguas semitas e daí, quiçá o desentendimento mimético recente entre estas! O interessante é constatar que enquanto as línguas semitas se revelam de origem mais elaborada e arcaica, as góticas revelam-se quase infantis.

It was in the, Duat, the Hall of Maat, that the judgement of the dead was performed. In Egyptian mythology, Duat, or Tuat, Akert or Amenthes is the underworld, where the sun traveled from west to east during the night and where dead souls were judged. In Egyptian mythology, Duat (or Tuat) (also called Akert or Amenthes) is the underworld.

Dead = Old English dead "dead," also "torpid, dull;" of water, "still, standing," from Proto-Germanic *daudaz (source also of Old Saxon dod, Danish død, Swedish död, Old Frisian dad, Middle Dutch doot, Dutch dood, Old High German tot, German tot, Old Norse dauðr, Gothic dauþs "dead"), from PIE *dhou-toz-, from root *dheu- "to die"

Dead < O.E. dead, < P. Gmc. *dauthaz,

< from PIE *dheu-. Meaning "insensible" is first attested c.1225.

Se a ideia gótica de dauthus era mesmo a da morte porque é que os escritos do Alto Inglês haveriam de expressar conceitos qualitativos conotados com o estado de cadáver, insensível, inactivo e sem espírito, senão por pura inversão metafórica eufemística dum hipotético PIE *dheu-? Não é que causasse alguma surpresa encontrar o nome latino de Deus associado aos deuses da morte, porque só este é senhor tanto dela como da vida, nem que nórdicos, que nomeiam o nome de deus na variante gótica, só tivessem ficado com a memória fóssil do «Deus»/*dheu- indo-europeu associado aos mortos, pois, em tempos arcaicos, o rigor do clima nórdico não seria muito aprazível em vida! O difícil de entender e ouvir é uma relação fonética imediata entre *dheu- e *dauthaz!

Pelo contrário, coisa estranha para os purista do arianismo, estas revelam-se também fortemente influenciadas na sua origem pelo semitismo egípcio pois tudo indicia que o proto-germânico *dauthaz derivara de Duat, o nome egípcio do submundo, na mesma linha semântica que fez com que os gregos nomeassem os infernos, não pelo seu deus da morte mas pelo nome clássico do rei do submundo, Hades, possivelmente na origem uma variante de Tánatos. A prova é que a variante gótica *swults da morte nos reporta para o deus caldeu dos infernos, Iscur. Então, Duat seria uma variante egípcia do nome deste.

Du | < Gu < Ku | -at ó A-Du-at ó (An)-Gu-ast > «Angústia» / Agosto.

                                                       > Dau-ast > *dauthaz.

É óbvio que o Duat era geograficamente o ocidente onde se punha o sol, logo um nome de Nut / Neith. Aker eram os leões da deusa mãe que guardavam as portas do inferno, logo Aker(e)t seria a uma forma de Taweret tal como Amen-thes. Mas outras seriam as variantes do nome desta deusa.

Isl. Deyja < Deuja < Thausha < *Te-usha > H.G. doya< Dodja <

         Hegipt. Duat > *dauth + az > daudza > dáuþs

Isl. Dauði < daydu > daidu > Daiud > Eng. Dead

Eng. death < dayth < *dauth > dauads >

doods > død > dod > tod > tot

                      > dö.

No entanto, as ressonâncias com a Deusa Mãe *Te-usha permanecem ainda na forma de morrer para que alguns nomes nórdicos evoluíram.

Assumindo que em islandês o termo látinn não é um derivado composto, nem dáinn uma mera corruptela fonética do Eng. dieing, verificamos que a Deusa Mãe do Caos Primordial e seu filho, a primeira epifania da luz e deus do mortífero mar, deixaram rastos vários noutros termos nórdicos.

Island. látinn < ratinni > Ur-Tan-inu ó dáinn < *Dan-Nu ó diwan.

                      ó Tanatos ó Tan-nitu > Tantin(g) > Suec. Tätning

Atum < *Atumnu < Athaumin ó Tam-Nu > (Nep)tanu > Neptuno.

Porém, Duat deriva seguramente de nomes de deusas primordiais egípcias Hauhet e Kauket, pertencentes à Ogdoada egípcia e ambas funcionalmente quase a mesma coisa. Kauket (> Kaukat < Ka-aush > Caos), sendo foneticamente a mais primitiva, era deusa da Noite primordial, ou seja variante de Nut.

Hauhet, variante fonética mais elaborada, era deusa do infinito, variante metafísica do caos primordial.

Hauhet (Hehet) - The Egyptian goddess of the immeasurable / infinity. She is one of the Ogdoad. => Kauket An Egyptian primordial goddess who represents the darkness of primal chaos. She is one of the Ogdoad.

Estas deidades tão arcaicas terão dado origem ao nome cantonês da morte, kuet ding, que, deste modo, coloca os chineses numa época *camuriana um pouco mais antigos do que a dos godos.

Japão

Cantão

Zulu

Ogibwe

Albanez

Cheien

Quechua

Nahuatl

Oujou, zetsumei, shou-ten, shikyo, sendo

kuet ding

ukufa

nibo-win|an,

ishkwaa-bimaa-dizi-win|an

vdekun

Naévêháne

Ho-ván-eehéo-tse, ta'eoh-tsé

Wañ-uq

miquiztli

deddo, nai

seio

 

jiibay|ag

 

Hováneehéo-tse

 

micqui

Saik-oro, kieus-eru

soss-uru, nakun-aru, yuku, kotokir-eru, hat-eru, shinu

 

 

booni-bimaadizi, nibo, onjine

 

hováneehéotse,

ta'eoh-tsé

wañuy

 

 

VEIVE

Foi provado em 1854 pelo filólogo alemão Franz Bopp que o albanês é um idioma indo-europeu. O idioma albanês é um ramo independente da família de idiomas indo-europeus sem parentes próximos vivos (embora haja muitos dialectos de albanês, muito distantes e remotos). Não há nenhum consenso académico sobre a sua origem. Alguns estudiosos mantêm que este deriva do Ilírico, e outros reivindicam que deriva do Daco-Trácio (porém, Ilírico e Daco-Trácio poderiam ter sido idiomas com relações próximas). Esta questão anda frequentemente carregada de implicações políticas, mas linguisticamente, o problema está muito em aberto; um recente linguista declarou que o Ilírio e o Trácio podem ter sido tão íntimos quanto o checo e o eslovaco (Paliga, 2002).[2]

Alban. Vdekun < Vide-kan-o, perífrase de “Sr. da vida” e da morteJ?

Vdes (aoristo vdiqa, particípio vdekur) = morrer (utilizado apenas para humanos e abelhas) < *awa-deja, do anterior *dej, continuando o proto-indo-europeu *dhew-, o que me parece rebuscado e duvidoso.

Este termo albanês terá pouco a ver com a linha etimológica indo-européia, pois será tão arcaico como o seu homólogo etrusco Vetis, divindade subterrânea da morte e da destruição que seria quase seguramente uma forma fonética surda da «verdura» primaveril, Wer-tis, literalmente o deus caldeu Wer, nome virtualmente homónimo de Sete o esposo da egípcia Ta-Wer-et.

                              > Ve®diouis > Vei®dauuis > Vi®duuis > Lat. Viduus.

Vei-ovis = Ve® (di)-owis = Ve®-di-| owis < Ophis = Kan > Tan.

                         Alban. Vdekun < | Vde < Vi®-de + Kan.

                 Ve® (di)-(owi)s => Ve®-Dis > Vethis > Ve®-tis

= Ve®-| tis ó Lat. Dis (Pater) | = Dis-| Water < *Ta-We® => Taweret.

=> Vdekun + *Ta-We® ó *Viduus Vulcanus.

Assim, o nome da morte dos albaneses parece ser a reminiscência duma actividade mítica relativa aos cultos dos mortos que envolviam arcaicos deuses etruscos e romanos de que Vulcano será um dos mais conhecidos. Se tivéssemos escrúpulos em passar das suspeitas à certeza de que o etrusco Vetis era uma variante fonética de Ve®-tis / Ve®-mis (potativo esposo de Taveret, deusa egípcia, variante de Mut, a Deusa Mãe primordial e, como esta, nocturna e detentora do duplo papel de Sr.ª da vida e de morte), estas acabariam por se dissipar ao dar conta de que o mesmo deus teve nome idêntico entre os eslavos.

Ve®tis < Wer-| Dis < This <| Wer-Kis > Wer-his > Werish

> Esl. Weles, Veles, Volos, Voloh +An => Vulcano.

Veles, Volos, Weles o Voloh es el dios eslavo de la tierra, las aguas y el Mundo Subterráneo, asociado a los dragones, al ganado, la magia, los músicos, la riqueza y las travesuras. Asimismo, es el adversario del dios del trueno, Perun, constituyendo la batalla entre ambos uno de los mitos más importantes de la mitología eslava. Veles resulta ser un dios complejo y antiguo, incluso se piensa que pueda ser una reliquia proveniente del panteón proto-indoeuropeo. Se le ha representado (al menos en parte) como una sierpe, con cuernos (de toro, carnero u otros herbívoros domésticos) y con luenga barba. – Wikipedia.

A discussão em torno de vdekun / vdes em albanês parte da etimologia tradicional, segundo a qual o verbo “morrer” (vdes, aoristo vdiqa, particípio vdekur) remontaria a um proto-albanês *awa‑deja, com base dej continuando um suposto proto‑indo‑europeu *dʰew‑, e *awa‑ funcionando como prefixo incoativo (“entrar no estado de X”). Esta análise, repetida em obras de referência, é formalmente possível: o prefixo awa‑ reduzir-se-ia a va‑ e depois a v‑, explicando a sequência inicial vd‑, e o sufixo em ‑s justificaria a forma vdes. No entanto, do ponto de vista crítico, esta reconstrução é frágil: não há documentação albanesa antiga que ateste dej como raiz autónoma com o valor “morrer”; o prefixo awa‑ é ele próprio uma entidade reconstruída, inferida por analogia com outros ramos indo‑europeus, mas não diretamente atestado em albanês; a ligação a \dʰew‑* é mais uma tentativa de ancoragem indo‑europeia do que um cognato sólido; e, sobretudo, a semântica parece excessivamente “técnica” e tardia para um verbo que designa uma experiência tão arcaica e carregada de tabu como a morte. Acresce que o uso de vdes é restrito a humanos e abelhas, o que é típico de vocabulário religioso ou tabuizado, não de um verbo neutro e transparente herdado diretamente do léxico indo‑europeu comum.

Daqui nasce a dúvida metodológica: tudo na etimologia tradicional depende de uma aposta em awa + dej, mas nada obriga a que a história da palavra tenha sido assim. A forma moderna pode ser o resultado de um verbo inovado no proto‑albanês, de uma raiz não indo‑europeia, de um composto fossilizado ou de um termo religioso pré‑IE que foi posteriormente reinterpretado à força dentro do quadro indo‑europeu. A suspeita ganha força quando se observa que, em muitas línguas, as palavras para “morrer” são instáveis, sujeitas a substituições e eufemismos, e frequentemente ligadas a camadas religiosas muito antigas, por vezes pré‑indo‑europeias. No caso do albanês, cuja história lexical é turbulenta e cuja fonética é fortemente erosiva, não é de estranhar que a forma atual esconda um estrato mais profundo.

É neste ponto que se torna pertinente a leitura que aproxima vdek‑ de um complexo ctónico mais vasto, visível em nomes de divindades subterrâneas e da morte em outras tradições euroasiáticas. A comparação com o etrusco Vetis, divindade subterrânea da morte e da destruição, com estrutura fonética V‑T‑S e sem etimologia indo‑europeia clara, sugere a possibilidade de um radical arcaico associado ao mundo inferior, à destruição e à passagem. A articulação com a figura eslava Veles / Volos / Voloh — deus da terra, das águas, do mundo subterrâneo, associado a serpentes, gado, magia, riqueza e travessia, adversário do deus do trovão — reforça a ideia de um arquétipo ctónico pan‑europeu, em que um radical em V‑L/V‑N/V‑R (e variantes) designa uma potência subterrânea, ambivalente, ligada tanto à fertilidade quanto à morte. A presença de formas bálticas como Velnias aponta na mesma direção. Neste quadro, vdek‑ poderia não ser um derivado transparente de dej + awa‑, mas um reflexo local, balcano‑paleo‑mediterrânico, de um antigo nome ou epíteto de divindade ctónica, reanalisado mais tarde como verbo comum “morrer”.

A hipótese alternativa que lê vdekun como algo do tipo *Vide‑kan‑o (“aquele que tem a vida”, “senhor da vida”), invertido ritualmente para “aquele que tira a vida”, inscreve-se nessa lógica: composição arcaica de elementos “vida” + “ter/possuir” + sufixo agentivo, reinterpretada como designação da morte enquanto potência pessoalizada. Mesmo que a forma exata *Vide‑kan‑o seja especulativa, o modelo conceptual é coerente com padrões mitológicos bem atestados, em que a mesma entidade ou o mesmo nome cobre simultaneamente a vida e morte, fertilidade e destruição, superfície e subterrâneo. A ligação a figuras como Vetis, Veles e Velnias e Vulcano sugere que o campo semântico de vdek‑ pode estar enraizado num estrato religioso pré-indo-europeu, posteriormente encaixado na morfologia albanesa e só depois reinterpretado, em chave indo‑europeia, como *awa‑deja.


Figura 4: *Ve®-tis.[3]

Vetis = Etruscan underworld god of death and destruction.

<= Vei-ve = Etruscan god of revenge and an associate of Maris. In art, he was depicted as a youth holding a laurel wreath and some arrows, standing next to a goat.

Viduus / Vedius ("divider") is the Roman deity who separates soul from the dead body.

<= Veiovis / Vejoves (Vediovis) is one of the oldest of the Roman gods. He is a god of healing, (…).

In spring, goats were sacrificed to avert plagues. Is portrayed as a young man, holding a bunch of arrows (or lightning bolts) in his hand, and is accompanied by a goat. He is probably based on the Etruscan god Veive.

Vejove < Vejovis < Latin: Vēiovis < Vēdiovis (rare Vēive or Vēdius) was a Roman god. Romans believed that Vejovis was one of the first Gods in this world.

Vē-i < Ve-ive < Ve®-iove < Ve®-iovis < Ve®-diovis < Ve®-di + Iovis

                       > Ve®-tis > Ve®-dius > Vi®-duus < Vē®-dii > Vē®-di.

 

Ver: DEUSES LATINOS – DEUSES DA MORTE – VEIOVE (***)

 

A forma como a pintura tumular etrusca represente o deus Vei / Veive / Vetis reporta-o para o grupo dos deuses titânicos pré-olímpicos e logo, para os deuses alados ofídios da talassocracia cretense.

The studies about Vejovis are very poor and unclear. They show a constant updating of his condition and his use by people: escaping from the netherworld, a volcanic god responsible for marshland and earthquakes, and later guardian angel in charge of slaves and fighters refusing to lose. God of deceivers, he was called to protect right causes and to give pain and deception to enemies. His temple was described as a safe haven for wrongly persecuted people, and dedicated to the protection of newcomers to Rome.

Que Vulcano tivesse sido em tempos o rei dos infernos comprova-o o facto de ser ferreiro, vulcânico e...esposo de Vénus.


Figura 5: AR denarius struck in Rome 84 BC by C. Licinius L. f. Macer. obverse: diademed bust of Vejovis left, seen from behind, hurling thunderbolt. Reverse: Minerva in quadriga right with javelin & shieldr C·LICINIUS·L·F / MACER references: Licinia 16; sear5 #274; Cr354/1; Syd 732.

Aulus Gellius, in the Noctes Atticae, written almost a millennia after; speculated that Vejovis was the inverse or ill-omened counterpart of Jupiter; compare Summanus. Aulus Gellius observes that the particle ve- that prefixes the name of the god also appears in Latin words such as vesanus, "insane," and thus interprets the name Vejovis as the anti-Jove.

Ora, é evidente que o latino ve-sanus é uma corruptela de ve®-sanus o que nos deixa na suspeita de que termos como ver-so e in-ver-so, Inverno e Inferno, eram formas de dar voltas e revoltas à questão da vida e da morte; da contrariedade e do mal do mundo e no final da questão gramatical da antinomia e da negação desde cedo reportada aos deuses infernais, inferiores e nocturnos. Por isso mesmo, sendo Júpiter um deus da luz solar do céu diurno, *Ve®-Iovis, que mais não era do que a in-versão dum Jove «verrinoso», teria que ser o deus da luz do luar nocturno e, por isso, um deus infernal, um Anti-Jovem mas...mais por razões de passagem do sol pelo submundo nocturno do que por qualidade antitética intrínseca de ambos os deuses que, afinal, seriam o mesmo em posição inversa. Na verdade virá a ser o cristianismo, por influência judaico-cristã de origem maniqueísta, a diabolizar as antinomias do bem e do mal intrínsecas as voltas e revoltas da vida e da morte de modo tal que a questão do Anticristo se tornará crucial para anatmizar a negatividade oposta a Deus e a Jesus Cristo. No entanto, na origem os deuses dos infernos eram tanto ou mais poderosos do que os do claro dia. De facto, era crença entre os celtas que os seus deuses e o seu povo eram filhos de Dis Pater, o Grande Deus do Submundo!

Endovellico - Este é sem dúvida o mais conhecido dos Deuses Antigos da Lusitânia. O seu templo no outeiro de S. Miguel da Mota, no Concelho do Alandroal, foi estudado abundantemente. Leite de Vasconcelos explica o seu nome pelo céltico Andevellicos, comparando-o com nomes galeses e bretões, dando-lhe o significado geral de "o Deus Muito Bom" - curiosamente o mesmo espíteto do deus irlandês Dagda.

Endovélico era um deus da Idade do Ferro de medicina e segurança, de carácter simultaneamente solar e ctónico, venerado na Lusitânia pré-romana. Depois da invasão romana, o seu culto espalhou-se pela maioria do Império Romano, subsistindo por meio de sua identificação com Esculápio ou Asclépio, mas manteve-se sempre mais popular na Península Ibérica, mais propriamente nas províncias romanas da Lusitânia e Bética. O culto de Endóvelico sobreviveu até ao século V, até que o cristianismo se espalhou na região.

Endouelico < Enthu-Werico < *Enki-Kar-kiko

> Inti-Pherico, «o que transporta o Intu, o sol para o «inferno».


Figura 6: Aita Conjuring. A relief carved on a 2nd c BC ash urn from Perugia, in the Museo Etrusco Romano at Perugia. Drawing from Otto Volcano, Die Etrusker. (Desenho alterado por IA).

Notar que o deus Aita etrusco é uma corruptela de Hades e a sua esposa, Phersipnai, análoga inalterada da Perséfone e a sua figuração uma confusão do deus com o lobo tricéfalo, que é o animal de transporte de Hades, o Cérbero (em grego clássico: Κέρβερος; Kerberos – trad.: “demónio do poço”; em latim: Cerberus.


O nome do sol hitita era Ishtanu, lit. “o filho da cobra (solar)”. A relação deste deus com o «estanho» espanhol deve ser remota mas não é improvável. Já o rimar do nome do «inferno» com «inverno» e com «interno» e «eterno» pode ser mais do que mera coincidência porque parecem decorrer da mesma realidade mítica astrologicamente funcional.

«Inferno» < In(tu)-Pher-Anu < In-wer-ano > «Inverno»!

Para Intu (< En-Uto > Inca Inti) equivalente a Ishtanu, o sol e deus da luz teríamos Luxi-fer, o que transporta a aurora, retirando o sol dos infernos ao terceiro dia, seguramente um mito nórdico duma região em que haveria um inverno sem sol de 3 dias! Os infernos teriam sido sempre identificados como o interior da terra e por isso seria «in-ter-no»! No entanto, depois da ressurreição no equinócio da primavera passaria a ser «e-ter-no», literalmente o templo (morada sublime) do sol, etc, etc.

Quetch. Wañ-uq < Waniushk < Wanushi > Venus

                            < kaniuak > Kanujak > Than-athuj > Tanatos.

> Ogiv. -Win.

Ogib. booni-bimaadizi é quase literalmente em linguagem latina

a boa (booni) deusa (dizi) *Bima < *Kima (= “coisa” em Kimbundu).

Ogib. Onjine < An-| Gina < En-Kina[4] <?> Grec. ankhon

Ogib. Ish-kwaa < ush-Kuwa < Kuka.

       Zul. Ukufa < ush-Kuwa < Kuka-At-=> Hekat.

Se não podemos tirar muitas conclusões a respeito dos nomes da morte de África pelo menos ficamos a pressentir que estes têm muito a ver com a cultura mediterrânica que, na época glaciar seria comum com as estepess das terras de Sacar, hoje deserto do Sará. Particularmente, pressente-se que estes nomes têm também a ver com deuses do mar muito antigos como é o caso da esposa de Enki, En-Kina, outro nome de Tiamat, também Hekate ou apenas Ati, como na Etrúrua.

Nuat. Miqui-ztli < Mikishtel < Micas-Istar.

Cheien. Naévêháne < *Naevekana < Na-Hevy | > Hebe > Wia |-kain ó Lusa Newia-Kian = a Lusa Nebia, esposa de Enki, deusa mãe do mar.

                                          > Ogib. Nibo-win|na.

              Hováne-ehéo-tse = (termo aglutinante seguramente compósito

ou flexionante)                ta-'eoh-tsé => Ho | Kau |-váne º Na-évê-há-ne

 º T(e)a!

Do outro lado do Atlântico a influência da mitologia mediterrânica parece incontornável com fortes suspeitas de esta ter ocorrido também muito precocemente da Lusitânia fenícia, a julgar pelo nome Micas que a Deusa Mãe por aqui deixou, a par com o de sua filha Nabia.

Xibalbá es el peligroso inframundo habitado por los señores malignos de la mitología maya. Se decía que el camino hacia esta tierra estaba plagado de peligros, era escarpado, espinoso y prohibido para los extraños. Este lugar era gobernado por los señores demoníacos Vucub-Camé y Hun-Camé. -- Mitología Maya, Wikipedia, la enciclopedia libre.

Xibalbá < Ki-Wal-Vate < Ki-war-wat < Ki-Kur-Kika > Ki-Wur-Hita

              > Te-Wer-iat > Tawret.

Xibalbá es el peligroso inframundo habitado por los señores malignos de la mitología maya. Se decía que el camino hacia esta tierra estaba plagado de peligros, era escarpado, espinoso y prohibido para los extraños. Este lugar era gobernado por los señores demoníacos Vucub-Camé y Hun-Camé. En ambos casos son llamados por los Señores de Xibalbá debido a que les molesta que hagan ruido al jugar a la pelota sobre la superficie de la tierra. Una vez allí serán retados a realizar varias pruebas y a jugar al juego de pelota. Así, mientras se cuentan los acontecimientos de dichos enfrentamientos, se hace una descripción de Xibalbá y del camino que hay que recorrer antes de llegar a él, lo cual permite dar una idea de la visión maya quiché del inframundo.

El camino hacia Xibalbá se describe como un descenso por unas escaleras muy inclinadas que desembocan en la orilla de un río, el cual recorre barrancos y jícaros espinosos. A continuación hay otros ríos e incluso uno de sangre, para después abrirse un cruce de cuatro caminos: uno rojo, otro blanco, otro amarillo (o verde en el caso de Hunahpú e Ixbalanqué) y otro negro. El último es el que se dirige a Xibalbá, exactamente a la sala del consejo de los Señores de Xibalbá.En cuanto a las pruebas que los Señores de Xibalbá hacían pasar, el Popol Vuh cuenta que eran muchos los lugares de tormento y los castigos de Xibalbá:

El primero era la Casa oscura, en cuyo interior sólo había tinieblas;

El segundo era la Casa del frío, donde un viento frío e insoportable soplaba en su interior;

El tercero era la Casa de los tigres, donde los tigres se revolvían, se amontonaban, gruñían y se mofaban;

El cuarto era la Casa de los murciélagos, donde no había más que murciélagos que chillaban, gritaban y revoloteaban en la casa;

El quinto se llamaba la Casa de las navajas, dentro de la cual sólo había navajas cortantes y afiladas;

El sexto se llamaba la Casa del calor, donde sólo habían brasas y llamas.


Figura 7: Os seis senhores de Xibalva, o reino dos infernos dos Maias presidido por Itzamna, tal como Osíris no tribunal dos mortos.

É óbvio que Xibalbete seria a caverna uterina da Terra Mãe onde a nasceu o homo herectus por onde terá sempre ficado abrigado e onde depois nasceu humanidade pelo menos quando começou a expressar-se em arte rupestre nas grutas péri pirenaicas e cantábricas.

Balbe. Se llama así en varios lugares de Vizcaya a la muerte personificada, o al genio que causa la muerte.

«Xi-balbete» seria literalmente em biscainho a terra (Xi < Ki) da morte (balbe < Kar-Ki).

Outra curiosidade basca, que reforça a natureza arcaica desta cultura linguística é a Senhora Morte, Herio Anderea.

Existe una creencia popular muy arraigada, la cual nos indica que cuando a una persona le llega el momento de morir, esto es, la hora de partir del mundo terrenal al otro mundo, interviene un genio. Este personaje mitológico, que va en busca de las ánimas y trae la muerte, es Herio. La muerte de un ser puede ser causada por una maldición o mal de ojo. Cuando a una persona se le echa un mal de ojo o maldición, Herio hace su trabajo y lo envía al otro mundo. Los continuados aullidos de un perro, anuncian la llegada de Herio, revelan que en esa casa va a fallecer alguien. Cuando un enfermo recibe la visita de este genio y Herio se sitúa a la cabecera de la cama, el enfermo morirá; sin embargo, si se sitúa a los pies sanará.

O facto de Herio rimar com cemitério é obviamente um falso cognato por mera casualidade fortuita. Do mesmo modo deve ser considerada a relação com as falas ibéricas que passam pelas «feridas» de morte que quanto muito tem etimologia colateral. Na verdade Herio Anderea deriva directamente do nome da deusa cretense da morte negra, *Ker-tu, a mãe das Queres...do mesmo modo que Anderea, senhora em basco, deriva de Antu e deve ser considerado um termo com evolução colateral com o grego andros.

Kami é a palavra japonesa para os objectos de adoração ou temor na fé do Xintoísmo. Embora a palavra seja às vezes traduzida como "deus" ou "divindade", os estudiosos do Xintoísmo demonstram que tal tradução pode causar enganos sérios (Ono, 1962). Em alguns exemplos, como Iza-na-gi e Iza-na-mi, kami são personificação de divindades semelhante aos deuses de Grécia antiga ou de Roma.[5]

Também há por um lado semelhanças entre Izanami e Izanagi, e as deidades maias Itzamna e Ix-Chel. Entre os Maias como no Yamato, o deus masculino é uma deidade suave, criador do sol e da lua, enquanto a deusa feminina (Ix Chel na América Central) só é benevolente enquanto em companhia do marido. Se isolado deste, ela se torna numa deusa malévola de inundações, destruição e morte. Ela tem uma serpente que lhe cresce da cabeça, muito igual a Izanami em Yomi. Porém, tal comparação é comum em religiões antigas, e não há nenhuma forte evidência, linguística, antropológico, ou arqueológica, para sugerir alguma conexão especial entre o Japão antigo e as Américas. Se tal conexão existir, esta data provavelmente de tempos pré-históricos muito antigos, da época do paleolítico, ainda antes dos antepassados do Maias terem cruzados a Ásia do norte para chegarem às Américas.[6]

Pois bem, entre os kami japoneses e o radical –Camé dos maias deve haver tanta diferença etimológica quanto existe de semelhança semântica e fonética como entre kami Iza-na-mi do Yamato e Itzamna maia existe apenas de troca de género ou seja, são quase a mesma coisa e só não o vê quem anda distraído o que só pode ser explicado por um ele comum contemporâneo entre ambas as civilizações. O mitema é um evidentemente relativo a deuses de morte e ressureição solar que no caso dos maias quase reproduz a deusa Ix-Chel / Istar enquanto Iza-na-mi é espantosamente a forma mais arcaica destes deuses intuída como minóica

Ix-Chel < Ish-Ker (> *Kertu) > Istar-

Yamo Iza-na-mi < Itzamna > tza-mi-na > Ataminu > *Atumnus.

Ora, a ocidente, comprova-se que *Atumnus seria o antepassado mítico de todos os deuses mortais festejados em ritos primaveris e pascais.

Dito de outro modo, enquanto não se conseguir provar “por evidência forte, linguística, antropológico, ou arqueológica, para sugerir alguma conexão especial entre o Japão antigo e as Américas” os japoneses não colonizaram outrora o Iucatão mas é quase seguro que a civilização que justifica que tal comparação “seja comum em religiões antigas” foi a mesma que levou as pirâmides ao México e a cultura neolítica ao Japão. A razão pela qual esta ultima civilização só muito superficialmente manifesta semelhanças com aquela, que seriam maiores se soubéssemos mais da pré-história japonesa, resultam do facto de esta ultima ter evoluído e recebido influências de todo o lado ao longo da sua história, ainda que insular, enquanto a civilização maia ficou isolada num ignoto continente condenada a reproduzir-se igual a si mesma até à exaustão.

Então, Vucub-Camé y Hun-Camé seriam o equivalente de Hades e Koré, mas estes então já difíceis de vislumbrar por entre a ferrugem da distorção étmica de ambas as mitologias face aos mitos mais arcaicos.

Vucub < Wukuwu < Kaukauku > Hathathe > Adad.

Hun < Kuni (> Tunis) < Thunia > Diana ó Anat.

Hun-Camé é descrito como o demonio que, junto com Vucub-Camé, governava os Xibalba e os outros Senhores dos Xibalba aos quais ele designa suas funções.

Hun-Camé e Vucub-Camé ficaram furiosos devido ao barulho que o deus Hun-Hunahpú fazia ao jogar bola com seu irmão Vucub-Hunahpú, então os senhores de Xibalbá decidiram convidar Hun-Hunahpú e Vucub-Hunahpú para jogar bola com eles. No entanto, isso acabou sendo uma armadilha.


Os senhores de Xibalba torturaram e sacrificaram Hun-Hunahpu e Vucub-Hunahpu e cortaram suas cabeças. Depois, enterraram seus restos mortais no chão e deles brotou uma árvore jícara que deu crânios em vez de frutos. Algum tempo depois, como vingança por terem matado o pai, os deuses gêmeos Hunahpú e Ixbalanque se vingariam, viajando para Xibalbá, onde confrontariam Hun-Camé e o matariam.

Ah Puch or Hunhau is a Maya death god who rules over Mitnal, the land of the dead and the lowest and worst of the nine hells. He is also known as Ah Puch. He is depicted with the head of an owl. Also Known As: Ahpuch, God-A, Hunhau, Hunahau, Cizin / Kisin, Yum-(Cimil, Cimih, Kimil)

Ah Puch < Aka-pusho < Micenic. Upojo?

Hunhau < Hunahau < Kanu-kau > Tanu-tau

> Tanato(s).

Cizin / Kisin < Ki-ish-an < Ishkian > Istano.

Cimih < Cimil < Kimil < Kimel < Khmer

> «Quimera»

                                       > Jukiho > Jap. yuku.

        Xu-Kiko > Xykiho > Xykiho > Jap. shikyo.

    > Xu + Tan > Shou-ten = tensu > sentho > Jap. sendo.

Hau-Xu > Oxou > Jap. Oujou

> «oxa(la)» ó Ár. insh(allah) > «acho» <???> Lat. Afflo. «azo»

=> «Azar» < Ár. azzahr, dado de jogar => “má sorte”

(ó morte) no jogo > “boa sorte” no amor ó flor de laranjeira

= Ár. Azhar.

Jap. zetsu | < *Set-Xu | - | mei < Meri | <= ? (Txuze?)

< José / Jesus Maria, por ressonância conotativa com o catolicismo

dos jesuítas portugueses?

      => *Set | < Ket > | Wet-Xu > Hit. Texub.

             | Set < Sati < Kaki | Kaurhau < *Kati-haurau

                                > Saki-Horu > Jap. Saik-oro ó Sakar.

Jap. hat-eru < Hati-eru < *Kati-aurau < Kata-Haurur ´

< Kata-Kaur-Kaur < *Kaka-Kur-Kur > kautau-| kyr-keur

> kir-*heru| >Jap. kotokir-eru.

              Jap. kieus-eru < | Kiheus < Kikeush-*heru => Teos Horu.

Jap. sos-suru < shaushuru < Kaukaur > Sakar.

Jap. shinu < Gino < Kinu < Ki-Anu

= Enki > Naki > naw (> «nau») > nay > Jap. nai.

Jap. deddo < The-dod

A denominação da morte no Japão é complexa e variada, denotando uma forte conotação com a mitologia egípcia. Ora, tal facto não seria nunca de espantar porque, esta longa e intensa civilização, apaixonadamente religiosa e reflexiva, tanto na escrita sagrada (heiroglífica) como na monumentalidade dos seus templos, acabaria por influenciar toda a cultura mediterrânica dos primórdios da história. A civilização minóica, que parece ter sido a fonte original desta cultura terá acabado também por vir a ser mais tarde fortemente influenciada, em sucessivas vagas de refluxo durante as suas crises recorrentes de terramotos e maremotos, terá espalhado a fé da Deusa Mãe *Kaka-Kur-Kur, dos montes da aurora e da morte solar, por todo o mundo. Notar que, segundo esta mesma mitologia, Khenti-mentiu era um deus da morte e senhor do submundo ocidental.

Khentimentiu = The Egyptian god who rules the destiny of the dead, seen as the guardian 'dog of the dead'.

Amenti - In ancient Egyptian cosmology, the abode of the dead where the souls of the deceased are judged by Osiris and punished or rewarded for their deeds.

Amentet - Goddess of the west, of the Necropolis, she recieves the dead as they enter the beyond.


Figura 8: Am(a)mut ao lado do lago de fogo (o inferno) esperando pelo destino dos mortos.

Ammut, Great of Death, Eater of Hearts, The Devourer... 


Ammut (Ammit, Ahemait, Ammemet) was was a netherworld dweller who waited by the scales of judgement to consume the heads of those who did evil during their lives.

She was not worshiped, and was never regarded as a goddess. Instead she embodied creatures that the Egyptians feared, threatening to eat them if they did not follow the principals of Ma'at. She had the head of a crocodile, the body of a leopard and the backside of a hippopotamus - all fierce creatures to the Egyptians. All man-eaters. It's no wonder that she was depicted as one who consumed the unworthy dead! (…) She was also known as the 'Dweller in Amenty' or the 'Devourer of Amenty', the place where the sun sets. Amenty, as used by the Egyptians, was applied to the west bank of the Nile - Egyptian cemeteries and funerary places were all on the west. To the Egyptians, west was a direction linked to death. Amenty was also the name of the underworld - the place where Ra travelled during the night. Ammut, therefore, was not only a demoness of death, but a demoness of the underworld. In at least one papyrus, Ammut was depicted as crouching beside the lake of fire in the infernal regions of the underworld! -- [7]

Obviamente que os ensinamentos de Maat eram os das leis do equilíbrio universal que impunham aos crentes o respeito pelas leis morais e aos governantes uma boa e sensata aplicação da justiça. Notar que da variante Ahemait do nome desta deusa se pode intuir a etimologia dos «cemitérios».

«Cemitério» < Lat. coemeteriu < Gr. Koi-métér-(ion) (= dormitório, ou seio da terra mãe onde repousavam os mortos num “sono eterno”) < *Kau-Ki-Ma- | ter < Ta-Ur | > Kahimait(ur) > Ahemait.

Khenti-mentiu = Khen-thi + Amen-tiu, ou seja uma aglutinação de dois deuses que seriam a dupla Khen e Amentet (= Ammut). Pois bem, este deus Khen-thi teve no Japão o nome Sendo enquanto a variante constrita Khen foi Shinu, que por ser senhor do Ocidente deu nome à China numa perspectiva japonesa. Quer dizer que sendo o Japão um arquipélago foram marinheiros e, a oriente, os equivalentes minóicos que deram ao mundo o nome da China por ser terra do submundo ocidental onde se punha o sol.

 

MORTE


Figura 9: Hipostásia. Cena fúnebre. Vaso grego Atribuído a Sappho Painter, ca. 500 A.C. - 480 AB.C. Museu do Louvre. Restaurado ciberneticamente pelo autor.[8]

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The Hitt. verb mer-zi mar- 'to disappear' is generally considered cognate with the PIE root *mer- that denotes 'to die' in the other IE languages (Skt. mar­ 'to die', Av. mar- 'to die', Gr. ἄμβροτος  'immortal', (Hes.) ἑμορτεν 'has died', Lat. morior 'to die', OCS mrěti 'to die', Lith. Miřti 'to die', Goth. maurpr 'murder', Arm. Meranim 'to die'). Because typologically it is improbable that an original meaning 'to die' would develop into 'to disappear', whereas a development of 'to disappear' to 'to die' is very common,9 we must assume that the original meaning of the root *mer- is 'to disappear', as  is still attested in Anatolian, and that the semantic development to 'to die' as visible in the other IE languages must be regarded as a common innovation of them. The Hittite Inherited Lexicon, Alwin Kloekhorst

O verbo hitita mer-zi mar- 'desaparecer' é geralmente considerado cognato da raiz do PIE *mer- que denota 'morrer' nas outras línguas do IE (sânscrito mar 'morrer', av. mar- 'morrer', grego ἄμβροτος 'imortal', (hebraico) ἑμορτεν 'morreu', latim morior 'morrer', grego mrěti 'morrer', lit. miřti 'morrer', grego maurpr 'assassinato', grego meranim 'morrer'). Como tipologicamente é improvável que um significado original 'morrer' se desenvolva em 'desaparecer', enquanto um desenvolvimento de 'desaparecer' para 'morrer' é muito comum,9 devemos assumir que o significado original da raiz *mer- é 'desaparecer', como ainda é atestado em anatólio, e que o desenvolvimento semântico para 'morrer', como visível nas outras línguas IE, deve ser considerado uma inovação comum delas. –– The Hittite Inherited Lexicon, Alwin Kloekhorst

Antes de mergulharmos na figura de Morta, terceira das Parcas romanas, importa restaurar a dignidade da raiz mer- que lhe dá nome. Alwin Kloekhorst, em The Hittite Inherited Lexicon, propõe que o verbo hitita mer-zi ('desaparecer') seja o significado original da raiz indo-europeia mer-, e que o sentido de 'morrer' nas demais línguas IE seja uma inovação posterior. Contudo, esta hipótese enferma de uma falácia tipológica: assume como improvável que 'morrer' evolua para 'desaparecer', ignorando que, na experiência humana, quem morre desaparece, e quem desaparece morre lentamente nos corações.

Além disso, a raiz mer- aparece como estruturalmente imotivada, sem relação demonstrada com 'morte' ou 'desaparecimento'. Ignora-se ainda que, sendo a forma hitita a mais arcaica, a origem da raiz mer- pode ser egeia, onde o mar — mare, morior, mors — era uma das principais causas de morte na época do PIE. Assim, mer- não é apenas uma raiz fonética, mas um murmúrio marítimo, um gesto ritual de travessia entre presença e ausência.

A raiz mor- em morior, mors, mortuus partilha campo fonético e simbólico com mare (mar) e Mars (Marte). Esta tríade não é apenas sonora, mas funcional:

Mare: matriz de desaparecimento e travessia — o mar engole, oculta, leva.

Marte: agente da morte violenta — o deus que ceifa vidas em combate.

Mors: resultado ritual — o nome que designa o fim, mas também o meio.

A cadeia mare–Mars–Mors revela uma causalidade mitológica: o mar como origem, Marte como força, Mors como consequência.

A hipótese de que Marte derive de uma divindade amorrita — Martu ou Marratu — devolve-lhe a memória líquida e semita. Os amorritas, povo nômade do deserto e do mar, cultuavam deuses ligados à travessia, à tempestade e à guerra. A transposição de Maru para o panteão romano, com apagamento da sua matriz marítima, é um gesto editorial de esquecimento que este verbete procura restaurar.

Martu (também grafado Amurru), deus amorrita do ocidente, é nomeado nos textos sumérios como divindade dos errantes, dos ventos e das travessias. Representa o estrangeiro, o liminar, o que vem do deserto ou do mar. A sua função não é apenas guerreira, mas geográfica: ele é o deus da margem.

Marão, serra portuguesa que guarda no nome um eco fossilizado de Martu, pode ser lida como altar geológico da travessia. A serra, entre litoral e interior, entre Douro e Trás-os-Montes, torna-se estandarte da memória amorrita, onde o nome do deus se sedimenta como murmúrio de pedra.

Marnas, deus principal de Gaza na Antiguidade tardia, é possivelmente um avatar urbano de Martu. O nome aramaico Mar-na (“nosso senhor”) preserva a raiz mar- como gesto de soberania e travessia. Gaza, porto final da errância semita, torna-se o palco onde o deus do deserto se transforma em senhor da cidade.

Mors, mortis = From Proto-Indo-European *mor-t (“death”), from *mer- ‎(“to die”). Cognate with Ancient Greek βροτός ‎(brotós, “mortal”) (from an earlier form *μροτός ‎(mrotós)), Proto-Germanic*murþą (Old English morþ, English murder), Celtic *marwo- (Old Irish marb, Welsh marw ‎(“died”)), Lithuanian mirtis ‎(“death”), Proto-Slavic *merti, Sanskrit ‎(mṛtyú).


Figura 10: Gela Painter - Black-Figure Pinax: velório de um guerreiro. (Restauro cibernético).

Morta es, en la mitología romana, la tercera de las tres Parcas romanas. Determina la muerte de las personas; es quien corta el hilo de cada una de las vidas humanas. Se relaciona con la concepción romana del destino de la mitología griega, las Moiras. Su padre es el dios de la noche (Júpiter?) y su madre la diosa de la oscuridad, Nox. En la mitología griega corresponde a Átropos.

Los romanos identificaron las Parcas con las Moiras griegas (hijas de Zeus y Temis), también las llamaron la tría Fata, las tres hadas o los tres destinos, representando Nona el nacimiento, Décima el matrimonio y Morta la muerte.

Morta, a name apparently borrowed from the Greek Μόрτη Mortē "destiner"; not to be confused with the minor Roman god Mors "Death". 1. Mors, a goddess, the daughter of Erebus and Nox, Cic . – Wikipedia.

Grec. Mortê , A. part, portion, esp. the portion of a métayer in the proceeds of an estate. < meiromai = to receive as one's portion or due.

Murcida - Deusa etrusca responsável por tornar uma pessoa «esmorecida», «esmaecida», «desmaiada» e quase morta (em morte aparente).

«Esmaecido» ó «desmaecido» < «desmaiado» < *Dis-Ma®iatu

< «marear» = enjoar a bordo de um navio, normalmente no «mar».

Obviamente que, como obra humana, também as enciclopédias podem conter enganos. O termo mais próximo da morte latina seria moro e não há nenhuma necessidade de procurar a etimologia da deusa Morta num pedaço de linguagem grega. Os nomes dos deuses sempre foram coisas demasiado sérias para se terem formado a partir de «piaces of shit». De facto, adiante se verá que o grego mortê está mais próximo da latina «merda» do que esta da morte latina. Em qualquer dos casos, adiante se verá também que, no fim “tudo são borras” informes e Afrodite Morfo, foi Deusa Mãe tanto do amor (Eros) como da morte (Tánatos)! Aliás, a morte é para as pessoas o que a «merda» é para os alimentos e o lixo para as coisas…uma dolorosa intuição social da fatalidade da entropia!

Moro < Mor(f)o < Amaur-ki > Grec. Morphi > Morfeu

                                                 > Morwi > Lat. Morbu ó Morte.

 

Ir para: => TANATOS (***)

 

Pois bem, o nome da morte de muitas línguas celtas aproxima-se do latino Morbu que, deste modo, se revela uma variante arcaica de mors, tis.

grego

Latim

Pot.

Espanh.

Franc.

Romeno

Bretão

Gales

Escocês.

Cornish

Gaélico

Manx

Tanatos

Mors

morte

muete

mort

mort

maro

marw

marbb

marow

marbh

marroo

neuvio,

Pedames

Mortu

morto

muerto

mort

 

marv

celain

bàs

 

éag

baase

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marbh = dead, Irish marbh, Old Irish marb, Welsh marw, Cornish marow, Breton maro, Middle Breton marv; *marvo-s, root mr@.; Latin morior, die; Lithuanian mirti, die; Greek @Gmaraínw, destroy; Sanskrit mar, die.

Mart = a cow, Irish mart, a cow, a beef, Early Irish mart, a beef; hence Scottish mart, a cow killed for family (winter) use and salted, which Jamieson derives from Martinmas, the time at which the killing took place. The idea of mart is a cow for killing: *martâ, from root mar, die, of marbh?

Irish. Mar(u)t(h)i-nmas < ma | ruti < turi | < -mnas < Tur-minous

= Minos-Taur > Minotauro.

Dito de outro modo os latinos tiveram a intuição de temerem a doença em função da sua mortalidade e a morte do nome duma deusa a que os Hindus chamaram Mara que mais não será do que um nome marítimo da Virgem Mãe Amorca, do mar primordial de que derivaram as muitas forma do nome da Virgem Maria. Ora, estas eram seguramente as mesmas que Taveret.

Na mitologia romana dos di indigetes (deuses e espíritos indígenas não adoptados de outras mitologias), Averna era a rainha dos mortos e pode ser equivalente de Proserpina.

Um dos nomes góticos da morte, swulta, leva-nos a ela.

                                                    > *Ta-Wer-Ana ó Taveret

Averna < Haverna > Kawerna > «caverna».

Lietuva lavonas < rawaunas < raw-(anu)-ash < *Wer-Kaka = Caca-Wer

> Lat. cada-wer ó Lat. Sepult(are) < spul-ta-

< Gotic. s-Wul-ta < Ka-Wer-Ka (= *Wer-Kaka)

< Ish-Wer-ta > Ta-Wer-et.

Swults (*) (Crim. schwalth) [akin to Eng swelter]: death. Deriv. Swiltan, perish, swulta (*) death. Comp. Gaswiltan, die, swultawairthja, near to death.

Swelter (v.) = c. 1400, "faint with heat," frequentative of swelten "be faint (especially with heat)," late 14c., from Old English sweltan "to die, perish," from Proto-Germanic *swiltan- (source also of Old Saxon sweltan "to die," Old Norse svelta "to put to death, starve," Gothic sviltan "to die"), perhaps originally "to burn slowly," hence "to be overcome with heat or fever," from PIE root *swel- (2) "to shine, beam" (see Selene). From the same ancient root comes Old English swelan "to burn." For specialization of words meaning "to die," compare starve. Related: Sweltered; sweltering.

Swelter < Inglês Antigo sweltan < Proto-germânico *swiltan-

< PIE *swel- > Inglês Antigo swelan "queimar".

Ora bem, se estivermos atentos à plenitude do saber damos conta de que *swel- se aproxima fonética e semanticamente da runa sowilo que é nem mais nem menos que o Sol e cujo pictograma é incontornavelmente o zig-zag dum relâmpago.

           *Kauphiro > Shauwilo => Jarilo.

«Sovela» ó Sowilo < Sha(u)-Wi-lu< Awilu > Souilo

> Sol ó Etrusc. Usil.

Com mais pesquisa iríamos dar conta de que esta runa deriva dum culto solar muito arcaico relacionado com a morte e ressurreição dum deus menor que na suméria era Awilu e que no mito de Atrahasis foi morto pelos deuses para com o seu sangue se formar o género humano que se iria substituir ao trabalho dos deuses.

No primeiro, sétimo e décimo quinto dia do mês,

Enki estabeleceu como purificação, um banho.

Mataram Awilu, que teve a inspiração de falar na assembelia.

Nintu misturou argila com a carne e o sangue do deus que foi morto.

Aparentemente a etimologia do termo gótico swelter relaciona-se com a morte por pura analogia metafórica banal com a morte por insolação ou doença febril ou com a analogia mais subtil e profunda da morte do deus solar sumério Awilu que deus origem ao género humano.

No entanto, o nome da Deusa Mãe que veio a dar o nome ao «mar» e à «morte» e que nos povos latinos e eslavos seria *(A)Ma-Kur-at.

Hurt = Forma de Isis, adorada en Nejen (Hierakónpolis).

Mehturt (Me-hurt, Mehet-Weret, Mehet-uret) An Egyptian sky-goddess, represented as a colossal cow, with the sun disk between her horns, lying on a mat of reeds. Along her belly Re proceeded by day in his solar barque. She was early regarded as the waterway of the heavens, but later she came to be equated with the primeval waters from which Re emerged. This earned her the epithet 'mother of Re'. Her name means "Great Flood". => Meret (Mert) = The Egyptian goddess of song and rejoicing. => Meri = Isis adorada como deusa do mar. => Chin. Mei.

Mert-seger (Merseger) = Goddess that lived in the pyramid peaks of the burial ground of Thebes, having a snake body with either three heads (one a snake, one human, one a vulture) or one human head. See Ta-Dehnet.

                                             > Mahur-at > Maurta > Lat. Morta.

*Ma-Kur-at > Ma + Hurt > Me-Hurt ó

Mehturt < Meh-te-ur-te < Meh-et-ur-et < Me-het-Wer-et.

*Ma-Kur-at > Ma-hur-et > Ma-ur-et > Meret > Mert.

Mert + Sakar > Mert-seger > Mer-seger.           > Merit > Meri.

Mari / Mari-ha(m)/ Meri / Mar-(ra)tu (Syria, Chaldea, Persia): Basic name of the Great Goddess; she wore a blue robe and a pearl necklace, both symblols of the sea, fertility, childbirth, the Moon.

Como se pode concluir, *Ma-Kur-at enquanto nome da Deusa Mãe primordial foi variante arcaica de Afrodite Morfo na forma de Amorca.

                               > Morta.

Amorca > Morka > Morfo.

                               < Ama-Urki = Ama-Ki-Ur

= Makur + Ana => Macarena

                              > Mahurena > Marena.              > Mariha > Maria.

Makur => Meri > Mari + ish > Marisca > Marika > Mari-ha(m).

                                         + ash > Marashu > Maratu > Mar-(ra)tu.


Figura 11: Mara: um "demónio" feminino da cosmologia budista que personifica a Tentação. (Detalhe de um mural em Wat Dusidaram, um templo em Bangkok, Tailândia, ciberneticamente alterado).

This inescapability reflects Aphrodite's original form, Moira 'strong one' the Fate (Later Mor-gana the Fay). Every ram belonged to her, the animal's curling horns representing the cycles of dissolution and becoming she guided each soul through. Astrology still marks her holy time, the March-April span of the sign of Aries. Gradually people forgot the various versions of the Fates were in fact versions of Aphrodite herself in triple Goddess form, such as: the spinning and weaving Klotho 'spinner,' Lachesis 'measurer,' and Atropos 'inevitable' or the sea Fates Amphitrite 'surrounding queen,' Thetis 'disposer,' and Nereis 'the wet one.' The Greeks forgot these connections and called her by many pretty names, hoping to avoid her ire by the same sort of flattery applied to the Erinyes. But Aphrodite was well known across Europe by her older name, if not always as a triple Goddess. The Lithuanians still know her as Mor'the Goddess of Death' or 'the Crone.' The Germans and Slavs called her Mara and Marava, translating her name as 'nightmare or butterfly' a meaning the word 'mora' finally settled on in Greek. Aphrodite was the death mare no one could outrun and the butterfly who carried souls on to rebirth. -- [9]

A Iluminação do Buda: Existem várias versões desta história; alguns bastante diretos, alguns elaborados, alguns fantasmagóricos. Aqui está uma versão simples:

Enquanto o futuro Buda, Sidarta Gautama, estava sentado em meditação, Mara trouxe suas mais lindas filhas para seduzir Siddhartha. Siddhartha, porém, permaneceu em meditação. Então Mara enviou vastos exércitos de monstros para atacá-lo. No entanto, Siddhartha permaneceu imóvel e intocado.

Mara afirmou que a sede da iluminação pertencia por direito a ele e não ao mortal Siddhartha. Os monstruosos soldados de Mara gritaram juntos: "Eu sou sua testemunha!" Mara desafiou Siddhartha, quem falará por você?

Então Siddhartha estendeu a mão direita para tocar a terra, e a própria terra falou: "Eu te dou testemunho!" Mara desapareceu. E quando a estrela da manhã surgiu no céu, Siddhartha Gautama alcançou a iluminação e tornou-se um Buda.

A ideia de que a morte deriva duma raiz indo-europeia *mer- revela-se assim um pouco intelectualista demais pois passa por cima das inúmeras deusas da “vida e da morte” que tiveram por nome Mara, Marava ou Maria (< Maruja < *Marisha,!)

Mara é a deusa de mais alto escalão na mitologia letã, a Terra Mãe, uma contraparte feminina de Dievs. Ela toma espíritos após a morte. Ela pode ser considerada o lado alternativo de Dievs (como em Yin e Yang). Outras deusas letãs, às vezes todas elas, são consideradas suas assistentes, ou aspectos alternativos. Māra pode ter sido também a mesma deusa de Lopu māte, Piena Māte (Mãe do Leite), Veļu māte ou Vélių motę (mãe das almas / espíritos), Zemes māte (Terra Mãe) e muitos outros "mães", como de Madeira, Água, Mar, Vento. Nomes alternativos: Māre, Mārīte (diminutivo), Mārša, Māršava (oeste da Letônia)

Mâra had a number of functions. Considering how complicated a deity she is, it seems likely that her many functions are the result of a syncretism of several deities (possibly including the Virgin Mary!). She is strongly associated with childbirth; children are said to enter the world "through the gates of Mâra". She is the protector of women, especially mothers, and children. She is also the goddess of the hearth. Mâra is also linked with death, and often takes the form of black animals such as ravens or black hens.

A palavra Māra vem da forma sânscrita da raiz verbal mṛ. Assume uma forma indicativa presente mṛyate e uma forma causativa mārayati (com fortalecimento da vogal raiz de ṛ para ār). Māra é um substantivo verbal de raiz causativa e significa 'causar morte' ou 'matar'. Está relacionado a outras palavras para morte de mesma raiz, como: marana e mṛtyu. Este último é um nome para a morte personificada e às vezes é identificado com Yama.

A raiz mṛ está relacionada à raiz verbal indo-europeia *mer = मर् (mar) que significa "morrer, desaparecer" no contexto de "morte, assassinato ou destruição". É "muito difundido" nas línguas indo-europeias, sugerindo que é muito antigo, de acordo com Mallory e Adams.

Herdado do proto-indo-ariano *māráyati, do proto-indo-iraniano *māráyati, do proto-indo-europeu *moréyeti (“matar”). Cognato com Avestan (mar-), morte persa (mordan), mirin curdo do norte, morte (mirdin), armênio antigo (meṙanim), eslavo eclesiástico antigo мрѣти (mrěti), mirti lituano, morior latino.

Māra é a deusa de mais alto escalão na mitologia letã, a antiga deusa do Amanhecer, anteriormente chamada de Austra, e de forma alguma, embora frequentemente afirmada, [esclarecimento necessário] o mesmo que Zemes māte ( Mãe Terra, ritmo).

Ela é a padroeira de todos os deveres femininos (crianças, gado), padroeira de todas as atividades econômicas ("Deus fez a mesa, Māra fez o pão"), até mesmo do dinheiro e dos mercados. Sendo o lado alternativo de Dievs, ela leva o corpo de uma pessoa após sua morte, enquanto Dievs leva a alma. Ela é a deusa da terra, que é chamada de Māras zeme ( terra de Māra ). Ela é chamada de 'Mãe das Vacas' – Govu māte – da mesma forma que a deusa Védica da Aurora é chamada gávām mātár-.

No oeste da Letónia , e em menor grau no resto da Letónia, ela estava fortemente associada a Laima, e pode ter sido considerada a mesma divindade .

Nomes alternativos: Māre, Mārīte ( diminutivo ), Mārša, Māršava (Letônia Ocidental).

«Maria» < Marija < Mar-isha/usha, diminutivo carinhoso de Mara

                             > «Maruja» = marinhagem, mulher de marinheiro.

Mâra = (Goddess of Birth and Death; Protector of Women and Children; Goddess of the Hearth; Goddess of Earth and Water.)


Mâra has several symbols attributed to her. Mâra's Sign (Mâras Zîme) looks something like God's sign (which represents the sky, as a roof over the earth), but Mâra's Sign is an inverted version.

O sinal de Mara é o inverso do olho massónico ou da divina Providência colocado no meio dum triângulo que representa o *piramidão ou do cume da montanha cósmica primordial. É invertido pela relação obvia dom o monte de Vénus da anatomia genital feminina, tal como o M sempre foi o símbolo de Maria por representar as duplas montanhas dos seios da Autora de que Mara era deusa, tal como Vénus e todas as deusas do amor, do sexo e da tentação.

ó Mara: no folclore germânico, particularmente escandinavo, era uma criatura que se supunha causar pesadelos. < Mara "ou "Marena" (em mitologia de Bielorussa): o deus de escuridão e da morte. > Na Bíblia no Livro de Rute, Naomi chamou a si mesmas Mara, enquanto significando "amargura", depois que ela sofrer as mortes do marido e dos seus dois filhos. ó Mara é em Sânscrito e Pali um termo que significa trazer a morte ou a desgraça. <= Mara: deusa hindu da morte. - Wikipedia [10]

Como se pode confirmar, as culturas em que Mara, ou qualquer uma das suas variantes diminutivas (Morta, Marena) ultrapassam a esfera de influência cultural do império romano sendo predominantes na vastidão das estepes eslavas.

Russo

Ucran.

Lituano

Polac.

Chec.

Eslovac.

Servio

Croácio

Hungaro

Macedónio

Смерти

mertvyy

mirtis mirti (miršta, mirė)

nuþudyti (nuþudo/nuþudë), kristi (krenta/krito)

martwy

zánik, s-mrt, úmrtí

mrtva

zo-mriet

mrtav, mrtac taèno, izvestan,

izvjestan, ravan, toèno, mrtva, mrtvac, sasvim

мъртъв

mrtov

É claro que não se pode tratar duma contaminação cultural recente pois foi o império grego bizantino que levou a ortodoxia

às terras eslavas. No entanto, o que seria de estranhar é se não existisse alguma variedade terminológica na vastidão das ca cultura eslava.

                          > Lit. nuþu-do/nuþu-dë ó Lituan. Nâve ó Nâsvîg.

Lit. Nuþu-dyti ó Deus Nepu + tan = Neptuno.

                                                                      > Zanit > Chec. Zánik.

Serv/Croat. Iz-ve(je)s-tan < Vejes-| Tan-iz < Tanish < Tanit| ó Tánatos.

ó Tanushi (> Ishtan) < Ta-ki-nu < Tahenu < Tauenu < Serv. Toèno.

           Fin. tuoni < tuauni < tyauni < tauini <

Os termos lituanos kristi (krenta/krito) poderão ser uma cristianização, por analogia com o Cristo morto, duma antiga deusa Krito de origem cretense (> Grec. Clito, rainha da Altântida e esposa de Poseidon).

Grec. Cristos > Lit. kristi < Lit. Krito < *Kertu ó Kera / Hera.

ó Ker-enta > Lit. Krenta.

Ora bem, como seria de esperar, todos estes termos se podem reportar a um arcaico deus do mar ou da morte, quase sempre de origem minóica. Mesmo o basco herio se pode reportar a Kera / Hera.

Finnish

Letónio

Estoni.

Lituano

Basque

kuolema surma, tuoni, loppu, kuolo, kalma, tappo

nâvîg

surnud, elutu, viljatu; närtsinud

nâve



Fin. kuolema < kaulema < Kalma (> Lat./pt > «calma» > «alma»)

< Kar-Ma = Ma-Kar ó Macarena.

       Loppu < Low-ipu < lowico ó Lit. lavonas.

       Tappo < Tap-ipu < Tapico < Tapu (> pt. «tapar», os mortos com terra = enterrar???) ó Anpu > Lit. *Napu.

Em relação ao estónio, que deveria estar próximo do finlandês, é difícil estabelecer uma vizinhança mitológica intuitiva imediata. Mas pode tentar-se: Sur-nud, que parece sumério, pode ser foneticamente mais próximo do deus «cornudo» dos infernos do Kur do que seria credível; eluto, parece o nome dum deus «enlutado»!

Vilj-ato é quase «Viriato», o herói lusitano que deveria ter tido o nome emprestado do deus da «virilidade», | Bel < Wer < Ker | -ish ó Iscur, deus dos infernos.

Närtsi | Naurtish < *Nortish > «Norte» | < -nud o que, de forma bizarra, faz com que os estónios enterrem os mortos ora a sul, ora a norte (J!)

Mari, A deusa suprema do panteão basco é a deusa de trovão e do vento, como também a é a personificação da Terra. (…). Ora é como uma mulher bonita, uma cabra preta, uma mulher com pernas de cabra, um esqueleto, ou um foicinha de chamas; Ora é vista voador pelo céu cercada de chamas. Tem o poder das tempestades e o laisons dela com o cônjuge dela Maju produzem temporais violentos com granizo e raio. As pessoas dizem que Mari está bravo quando um temporal se aproximar e eles colocarão freqüentemente um foicinha ou machado na jarda dianteira com a lâmina para cima para se preotegerem.[11]

O nome da noite entre os bascos confirma o facto de que a deusa do mar só veio a ser a deusa da morte por antonomásia numa época tardia do neolítico, quiçá mesmo da época mais recente da derrocada do império minóico por acção do maremoto que se segui à catástrofe de Santorini, cerda do ano 1650 ª C.

Mari seria a sempre Virgem Mãe primordial, por isso também senhora do mar primordial. Se as lendas bascas dizem que esta viveria no sub-mundo infernal por onde entraria por portas cavernosas apenas revela a sua faceta telúrica já que esta deusa mãe que teria gerado os deuses e os homens e todas as coisas restantes, seria também a senhora dos infernos. O facto de o seu companheiro ser o Dragão que sempre se supôs guardião das portas do paraíso e das colunas de Hércules, que dariam acesso ao mar profundo além mediterrânico, só confirma que esta era a deusa mãe das cobras cretenses. Seu filho, o Dragão, era o caldeu Draco e o sírio Sacar, o “deus menino da aurora” da época dourada de Saturno. A filha desta relação seria a mesma que era entre os caldeus Istar e entre os sírios Anat, ou seja a egípcia (A)nut, a Deusa Mãe da noite que quotidianamente devorava o pôr-do-sol para o parir pela alba.

Istar < Ish-Tar = Tar-ish > *Kaur-ish > Korish

> | Egipt. Horus > Gri. (H)Eros | => Basc. Herio.

Quanto à Pérsia, suposto paradigma do indo-europeu, o panorama é dos mais incómodos para os puristas do racismo ariano pois o léxico dos persas tem tanto de caucasiano quanto de semita. Mor-dan, se não é a inflexão que parece ser, seria mesmo uma sínteses de duas correntes étmicas.

Persa

Kurd.

Urd.

Hindi

Kpsig.

meiyet (morto) vafat, fout, marg, mavât (terras mortas), morda, Tâs, rakht bas-tan, dar goz-ash-tan, mor-dan,

mirin

maut

maut, mrityoo, mrityoo, ni-dhan

Meet

                         Amorka > Maurha > grec. Moira > Hindu. Mara.

«Murça» < Lat. Murcia < Murtia < Morta < Ma-Hurt-ia <

< Ama- | Hurt < *Kertu < Wer-et | > Mavorte > Maurte > Morte >

M®ot.

                                                           > Mirthu > Kurdish Mirdu.

                                                 Marta > Mertha > «merda».

Tudo é vaidade, neste mundo vão...

Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!

E mal desponta em nós a madrugada,

Vem logo a noite encher o coração! – Florbela Espanca.

Acabada a fartura do vinho nos túneis no “fundo são tudo borras”!

E assim toda a vaidade deste mundo acaba na morte e tudo o que se come acaba em «merda»!

 

Ver: APILIA / O MEL COMO “MERDA” DE ABELHA (***)

 

MO®T ou MOT?

A teimosia das teses a respeito das raízes indo-europeias faz esquecer que o deus semita da morte era Mot, ou seja, quase o nome latino em fonética norte-americana, onde os “erres” mudos morrem facilmente.

No entanto, talvez Mot tenha sido sempre assim, sem erre mortal por ter sido a masculinização semita de Mut, a deusa Mãe!

Em Ugaritic Mot ' Death' (mt) é personificado como um deus de morte. A palavra é cognato com significado de formas ' death' em outros idiomas de Semitic: com hebreu ות (moth ou maveth); com Canaanite, arameu egípcio, Nabataean, e Palmyrene (mwt); com arameu judeu, arameu palestino Cristão, e Samaritan מותא (mwt'); com mautā Siriaco; com muta de Mandaean; com mutu de Akkadian; com maut árabe; com mot de Ge'ez. Embora não são relacionados idiomas de Semitic de perto a idiomas indo-europeus, as palavras para morte em Sanskrit (' mrit') e latim (' mortus') é semelhante. – From Wikipedia, the free encyclopedia.[12]

Como é de evidência imediata a quase monótona unanimidade do nome da morte nas línguas semitas só demonstra a antiguidade e unidade genésica das culturas que as moldaram bem como o culto comum a uma antiga deusa dos mortos que, numa primeira aproximação foi Mavet.

Mavet: God of Death and Sterility. His name means Death. In one hand he holds the scepter of bereavement, and in the other the scepter of widowhooed. His jaws and throat are described in cosmic proportions and serve as a euphamism for death. A son of El. After Baal defeated Yam, he then sent a message to Mavet demanding that he keep his domain in the underworld city of Miry where he belonged. Mavet was enraged by this and sent a threatening message to Baal, who was afraid and attempted to flatter his way out of it. This, however, was to no avail and Baal was forced to face Mavet. Mavet defeated him and held him in the underworld until Anath tracked him (Mavet) down and defeated him herself. Mavet did not actually die, as he and Baal had to face off once more seven years later. Neither defeated the other, but Mavet did give in (at the command of Shapash) and proclaimed Baal the King of the Gods.

Um dos nomes da mitologia antiga que me deixava com poucas hipóteses de defesa nesta análise sobre a unicidade semântica original do nome de Deus era precisamente Mot, o nome do deus canaaneu da morte. Se entre a latina Mor, tis e Mot parece haver proximidade etimológica por mero ensurdecimento do «erre» (coisa frequente em linguística) já não era tão fácil fazer derivar Mot do nome de outros deuses da morte do panteão grego, hitita ou caldeu!

Como o Egipto foi a terra do “livro dos Mortos” natural seria que grande parte da mitologia da morte tenha sido elaborada no longo período em que se desenvolveu de forma exuberantemente conservadora esta grande cultura antiga. Como já se referiu a respeito do Duat, Grande Deusa Mãe, também chamada Nut, a nocturna deusa primordial como a grega Nix, paria quotidianamente o sol para o devorar ao por do sol. A tanatologia e o embalsamamento nasceram dos complexos cultos dos mortos que fazia parte fundamental da religião do Egipto antigo. Assim, tal como Nut foi Nwt então é quase seguro que Mut foi Mwt que não seria senão o mesmo deus canaanita Mavet referido. Inegavelmente, Mot derivou da Grande Deusa Mãe Egípcia Mut sendo a única diferença uma troca de sexos, coisa que os egípcios faziam com frequência aos nomes divinos, em relação com nomes de mitologias vizinhas!

Muut era a personificação de morte na cultura índia Cahuilla, e normalmente foi descrito como uma coruja. A Morte foi considerada uma parte necessária de vida pelos Cahuilla, e assim Muut foi visto como mais de um Psicopompo do que com um carácter de severo ceifeiro amedrontador.[13]

Neste caso até pode ter sido ao contrário. Os canaanitas importaram do Egipto Mavet no lugar de Mut, o que faz pressupor uma transacção muito antiga, e Mot seria um importação independente da faceta mortífera da deusa mãe Mut / Mutu, a «bruxa má» e a «avó torta» das histórias infantis e a deusa mãe da vida e da morte dos povos mais arcaicos de todo o mundo! Assim, nem sequer será necessário fazer apelo para uma derivação complexa pois que:

Mut = Mwt > Mave®t = Mauet => Maut > Mot!

                                        > Morta > Lat. mor-tis > «morte».

Mut < Maut < *Maurt < Ma-wer(e)t > Mawet > Mout > Mot.

                                         > Mater

Na mitologia romana, Morta era a deusa da morte. Acreditava-se que ela presidia aos bebés que morriam. Aulo Gélio entendia que seu nome era semelhante ao de Moreia. O nome de Morta provavelmente significava destino.

A novidade desta equação é que ela nos permite fazer a ponte de ligação de Mut com Taveret por intermédio duma virtual *Mavert ó Mavorte, variante de Marte, o deus latino da guerra e da morte marcial.

De facto:

Taveret ó *Maveret > *Mavert = Ma-Urt <= Mehurt.

*Kikurrat > Kaphurat > Taveret => Ta(/Ma)-Wert.

Os romanos conservaram a variante semita no nome da deusa Muta e do deus Mutinus.

Larentina era uma deusa romana da morte. Júpiter arrancou-lhe a língua depois que esta ter revelado uma das suas indiscrições amorosas, e foi então chamado Muta, ou seja, a «muda». Está também é associada com Acca Larentia, Larunda, Mania, e Lara, Mãe do Lares[14] e a Dea Tacita deusa da terra e da morte e personificação do silêncio!

Mutinus Mutunus = deus romano da fertilidade, invocado por mulheres em risco de aborto. Ele foi representado com falo erecto ou simplesmente como um falo. Foi forma romana (Mutinus) do grego Príapo.[15]

Mutinus < Mu(r)tunus < Mutumnus = Mut + Min(os).

As divindades ditas alegóricas constituem variantes de transição entre a mitologia com todas as suas variantes mais ou menos conhecidas dos crentes, de arcaica aquisição ou de importação recente, sobretudo no caso dos grandes impérios que na tradição babilónica hitita conquistavam as cidades e os seus deuses, e a formação da linguagem comum. No caso de Muta e Tacita, a transposição do nome da deusa para a semântica do termo de que foi alegoria e duma evidência óbvia, pois todos os discursos épicos e eloquentes se calam perante a morte. Já a etimologia de Tacita (< Kaki-tu < ? Kika-et ? > Hecate) não é tão clara no conjunto das deusas de “vida e de morte” que, por isto e por outro lado, foram mães de deuses guerreiros, de fertilidade e de guerras mortais. Marte, na forma de Mavorte, era seguramente filho e esposo de Morta, na sua variante oriental *Mavorte, tal como Maruth era esposo de Mari.


Figura 13: distribuição geográfica do nome dos deuses da guerra e da morte.

Maruth = deus das tempestades Hindus e esposa de Mari.

Mârtius = "Month of Mârs," Mârs (Genitive Mârtis; Old Latin, Mâvors, Mâvortis), god of weather and war, later identified with the Greek Ares (Genitive Areôs). The "month of Mârs" (Mârtius) was originally the first month of the year, the first sixty days after December being uncalendared.

A epêntese, como outras mudanças fonéticas, pode ocorrer sincronicamente por conveniência do escritor – particularmente, do poeta –, quando se classifica como metaplasmo. Dessa forma, Camões transforma “Marte” em “Mavorte” em Os Lusíadas (CAMÕES, s. d.: 63).

A celta Morgana reporta-nos obviamente para a ibérica Virgem de Macarena, Sr.ª das dores de parto e das angústias da morte.

 

Ver: MACARENA (***)

 

Morrigan = Morrigan was the Celtic goddess of war and death who could take the shape of a crow.

Morrigan < Maur-Urik + (an) > Mar®ica ó ??? > «maruca»

> (ver: Marduque)

Mar-Waca ó Maw-ert ó Ma-*Kartu.

          < Ama-Kur-Antu > Ma-*Kartu-An > Makarhuan > Macarena.

                     > Maw-Horos > Lat. Mavors > Mavorte.

                               Ker < (Ma)-*Kartu ó Ma-Urt > Lat. Mor/tis

> «morte»!

Além do facto de Marte ser Mavorte e, enquanto deus da guerra ser também um deus de amores tão venais quão mortíferos, a verdade e a etimologia deixam a suspeita de o nome deste deus ter derivado do nome de Horus, o deus vingador de seu pai e filho de Ísis e/ou de Hator e de todas as deusas mães primordiais.

In The Latvian Dainas, Nave = Death & Meness = The Moon.

Facto interessante é o de nave seja sinónimo de morte em lituano. Interessante não apenas porque relacione a morte com a actividade marítima como porque faz suspeitar que a antiguidade da cultura báltica remonta aos primórdios das civilizações megalíticas peri-mediterrânicas, de que tanto as irlandesas quanto as nórdicas serão originárias, a menos que se prove que todas estas derivaram de focos mais arcaicos peri-pirenaicos. Em qualquer dos casos estaríamos nos primórdios da cultura humana em tempos imediatamente posteriores ao degelo da última época glaciar, até porque teria sido impossível colonizar este locais boreais em épocas anteriores.

Prior to about 8000 B.C. there was apparently no burial of bodies anywhere in Europe among humans at all - they were probably simply left out for the vultures or burned. Between about 8000 BC and 6500 BC at places like Catal Huyuk and Jericho, only the skulls (sometimes all the bones) of the deceased were buried indoors under the house floor, and at Jericho, the eyes were replaced symbolically with mussel shells.

In Latvia, for the first time among civilized humans in Europe, - at least as far as the archaeological record goes - the entire body (Latvian Kermenis = body (root of German?) is now buried in toto in a separate area set out for this purpose and the eyes are replaced with pieces of amber.[16]

Sendo assim, estamos perante uma das primeiras manifestações de colonização de novos mundos por via marítima. A relação da nave com a morte e desta com a arcaica deusa mãe seria inevitável. Porém, para irmos de Mawet ao lituano nave precisamos apenas de identificar Mut com Nut, ou seja, identificar Ker, a morte negra, coma Afrodite Melania e como a escura Noite. Então, o lituano Ker-menis passa a ter todo o seu sentido se o correlacionarmos com a conotação de «corpo morto», cadáver, sujeito às leis (me-anis) de Ker!

Ker-minos < Ker-Meness < ker-me-anus > Hermanus > Hermax.

Os Erma eram então o equivalente de todas as variantes megalíticas das «estelas funerárias», ou seja uma representação material do corpo dos mortos. Por outro lado, a recorrência dum marcador minóico nestas etimologias só vêm confirmar o papel fulcral que esta civilização marítima teve no eclodir das mais arcaicas civilizações marítimas neolíticas. Por outro lado, compreende-se que o nome de Minos derive dum culto lunar da deusa mãe na medida em que a Lua foi desde sempre suposta como responsável pela regulação dos ciclos menstruais das mulheres bem como das marés. Deste modo o lituano permite-nos entender a semântica dos mês sumérios, do nome de Minos, o legislador cretense bem como da deusa etrusca Mean, seguramente a antepassada de Mena, a deusa da menarca e das «regras feminina».

 

MICTLANTECUHTLI


Figura 14: Mictlantecuhtli, deus azeteca da morte e Tezcalopoca, deus azeteca da guerra, irmanados no mesmo afinco de levar as almas dos humanos para o céu para alimentarem os deuses vampiros com sangue de humanos.

Mictlantecuhtli (en náhuatl: mictlanteuctli, ‘señor del mictlán’ o ‘señor del lugar de los muertos’‘mictlān, Mictlán o lugar de los muertos,desde miquitl, muerto; teuctli o tecuhtli, señor’)?1 en la mitología mexica, zapoteca y mixteca es el dios del inframundo y de los muertos, también era llamado Popocatzin (en nahuatl: popocatzin, ‘ser humeante’‘popoctli, humo, fuego; catl, ser: popocatl o popoca, ser humeante, humeante, ardiente; tzintli, diminutivo’)?, por lo tanto era el dios de las sombras. Junto con su esposa Mictecacíhuatl, regía el mundo subterráneo o reino de Mictlán.

Mictlantecuhtli foi um deus tão importante no panteão asteca porque, como governante de Mictlán, todas as almas o encontrariam um dia cara a cara, pois acreditava-se que apenas aqueles que sofriam uma morte violenta, as mulheres que morriam no parto ou as pessoas mortas por tempestades ou inundações evitavam o submundo na vida após a morte. Os astecas não acreditavam num paraíso especial reservado apenas aos justos, mas sim que todas as pessoas partilhavam o mesmo destino após a morte, independentemente do tipo de vida que tivessem levado. As almas desceriam as nove camadas do submundo numa árdua viagem de quatro anos até eventualmente alcançarem a extinção na parte mais profunda – Mictlan Opochcalocan. Mic-tlan-te-cuhtli era particularmente adorado no mês asteca de Tititl, onde, no templo de Tlalxicco, era sacrificado um imitador do deus, e incenso era queimado em sua honra.

Mictlan: Significa "o lugar dos mortos" ou "o submundo". Esta palavra, por sua vez, divide-se em: Miqui(ztli), que significa "morte". + -tlan, um sufixo locativo que significa "lugar de" ou "junto a" + Te-cuhtli: Significa "senhor", "governante", "chefe" ou "dignatário".

Nahuat. Miqui z-tli (muerte) < miqui-shtri < Ma-Ki-sh-tir

> Ma-wi-sh-ter > Mau-ster < Ma-ur-te > Morte.

Nahuat. Miqui-tl, muerto < Mikitr < Mawirt < mauirt > moirt

> Mo-t(er)

ó Mater ó «Morte».

A relação da morte com a deusa mãe é óbvia e quase universal pelo que encontra a deusa mãe terra *Ma-Ki (ou Micas) na etimologia da morte, não espanta!

O nome da esposa do deus dos mortos azeteca era Mictecacíhuatl também tem origem no idioma náuatle e segue a mesma lógica de construção linguística do nome do marido, traduzindo-se como "A Senhora do Lugar dos Mortos".A sua estrutura divide-se em dois componentes principais:Micteca: É o gentílico de Mictlan. Significa "habitante do Mictlan" ou "aquela que pertence ao lugar dos mortos". Deriva de Mictlan (miquiztli = morte + -tlan = lugar).Cíhuatl: Significa "mulher" ou "senhora".Assim, enquanto o sufixo -tecuhtli define o governante masculino, o sufixo -cíhuatl define a governante feminina do submundo. Na mitologia asteca, ela é conhecida como a Rainha de Mictlan e a protetora dos ossos dos mortos.

Se compararmos o náuatle com as suas línguas irmãs da mesma família (as línguas uto-astecas, faladas desde o Utah, nos EUA, até ao México), os linguistas reconstróem que a palavra original, dita há cerca de 4.000 anos, era *mukki. [1, 2, 3]

A teoria da Matriz Monossilábica Universal postula que a linguagem humana não evoluiu de forma isolada em bolhas culturais independentes, nem surgiu pronta através de milagres ou matrizes bíblicas. Pelo contrário, ela desenvolveu-se a partir de um processo sistémico e contínuo onde gritos primordiais e reflexos biofísicos concretos foram codificados em monossílabas físicas universais.

Estes blocos sonoros primordiais funcionavam como átomos conceituais baseados na anatomia e na observação direta da matéria. A mecânica biológica do som determinava o significado: consoantes bilabiais como MU indicavam o fecho, o recolhimento, a essência do ser ou o sopro vital interno, enquanto sons oclusivos e guturais como CAKO/KA mimetizavam fisicamente o bloqueio do ar, o sufoco, o colapso e a degradação da matéria perecível.

A formação estrutural de conceitos abstratos complexos ocorreu pela aglutinação sistemática destas monossílabas materiais, operando estritamente através do senso comum evolutivo — do concreto para o abstrato. Sob esta ótica, a palavra ancestral para a morte não nasceu como uma ideia metafísica, mas sim como uma frase descritiva concreta (*mu-cako-ki) que significava literalmente "o ser/sopro (Mu) cujo corpo colapsa e apodrece (Cako) na terra (Ki)".

Esta matriz explicativa confere à linguística uma lógica sistémica global irrefutável: a presença da raiz Mic- no deus asteca Mictlantecuhtli na Mesoamérica e de radicais idênticos nas línguas mediterrânicas e sumerianas arcaicas não é uma coincidência geográfica ou o resultado de migrações improváveis. É a prova empírica de que a humanidade sempre esteve interligada consigo mesma e partilha o mesmo código-fonte cognitivo. As línguas ergativas-absolutivas preservam a anatomia desta fundação estrutural primitiva, onde o foco inicial da gramática era mapear o estado puro daquilo que sofre o impacto físico da realidade antes de isolar a causalidade.

Desta forma, a linguagem humana revela-se um organismo único e unificado, destruindo hierarquias eurocêntricas e provando que a cultura global evoluiu em rede a partir de uma cartografia fonética universal e partilhada por toda a espécie.

Plusieurs mois plus tard, l'enfant se trouve confronté au nomos tout aussi redoutable, et à son premier commandement: "tu ne mangeras pas ta mère". De la genèse de cette injonction, la psychanalyse nous enseigne que lorsque l'enfant éprouve la sensation de faim, il fantasme une mère terrible qui veut le dévorer et le mettre en morceaux. Il projette ainsi sur elle sa propre faim, sa propre soif et surtout ses douloureuses crampes d'estomac qui signent les appétits urgents de son ventre et qui sont en eux-mêmes comme une dévoration.

Ainsi, ce n'est pas lui qui est affamé, c'est elle. Manger ou être mangé, voilà l'angoisse dévorante qui trouble la bouillie de bébé, avant que celui-ci, repu, ne s'assoupisse dans les bras de sa mère. Ce n'est que l'expérience renouvelée qui réussit à transformer la sensation de faim, d'un traumatisme en une promesse de satisfaction.

(…) L'endophagie funéraire permet d'expliquer ce curieux phénomène de cannibalisme brutal envers un étranger parfaitement intégré. Cette seconde forme de cannibalisme (si on excepte le sacrifice humain) relève de la question du sort à réserver la dépouille de celui qui a cessé de vivre. Que faire du mort qui laisse au groupe un corps si encombrant, comment gérer cette chose?

La réponse occidentale traditionnelle a longtemps été (avant la vogue de la crémation) de le faire manger par (ou le réintégrer à) la Terre-Mère. Certes, la réponse n'était pas formulée ainsi, mais cela en est le sens. Dans les groupes de chasseurs- cueilleurs auxquels s'intéresse l'ethnologie, la révolution agraire du néolithique n'a pas pu induire une telle pratique. Au contraire, on y retrouve une pratique plus ancienne, quia peut-être fondée la nôtre: faire manger la dépouille (ou la réintégrer) au groupe. -- [17]

 

Ir para: => DEUSES MORTOS (***)

 

Também já não nos surpreende constatar que o nauatle seja quase falar ibérico deformado. O que é de facto fascinante é verificar que o nahuatl nos esclarece que a morte pode derivar do fenício Mot e esta da deusa mãe egípcia Mut enquanto deusa mãe guerreira responsável pela vida e morte e pela mitologia do Amenti.

Amenti era o nome que os egípcios davam ao templo onde as almas dos mortos eram reunidas depois da morte, para serem julgadas e onde a alma da pessoa era destruída por Ammit, devorada e engolida.

De facto amenti é corruptela de Ammit e esta de Ama-Mut que por sua vez é uma redundância de deusa mãe. Então, novamente nos espantamos: o mito de mictlan decalca o amenti Egípcio ainda que o não apareça.

Amenti < Ama-An-tu = Mãe das Antas = Mãe-mae = avó

= mãe e senhora avó brava = Ama-An-Mut + ur (=> Ama

ó Ki) Ma-Ki-ana-tu-ur > Macarena < Ma-Ker-Ana < Ma-ki-tur-na.

Por outro lado Mot-er é quase a latina mater. A passagem de moter a morte deve ter acontecido por ressonância com Marte, que era o deus que mais mortos mandava para o outro mundo, ou com a deusa do mar que era a mesma *Ma-Ker-Ana e o principal cemitério dos povos marinheiros da cultura egeia.

El Míctlān o Mictlan (en náhuatl: mictlān, ‘'lugar de muertos'’‘mic- 'muerto'; -tlānlocativo’) en la mitología mexica o nahua -que se puede considerar representativa de Mesoamérica-, era uno de los posibles recintos post mortem.

A palavra "cemitério" (do latim tardio coemeterium, derivado do grego κοιμητήριον [kimitírion], a partir do verbo κοιμάω [kimáo] "pôr a jazer" ou "fazer deitar") foi dada pelos primeiros cristãos aos terrenos destinados à sepultura de seus mortos.

A cerâmica (do grego κέραμος "argila queimada" ou κεραμικὀς, translit. keramikós: 'de argila')

Cerâmico, também chamado de Cerameico, é um cemitério situado na região da Ática na Grécia, região esta onde estava localizada a pólis ateniense. O cemitério estava localizado a noroeste da ágora numa região onde também estava localizado o subúrbio de Atenas.

O distrito antigo ganhou o seu nome do herói grego Céramo (também chamado Kéramos), que era filho de Ariadne e Dionísio e herói dos oleiros, ou porque, na antiga Atenas, este era o lugar onde ficavam os oleiros (kerameis).

A mitologia deve quase tudo a uma certa tendência dos povos para a etimologia popular. Obviamente que o Kerameikos terá sido antes de mais um cemitério desde logo porque Ker foi deusa da morte súbita e violente. Os oleiros vieram trabalhar para este local seguramente porque era neste que eram procurados os vasos de cerâmica votivos (onde se guardavam as cinzas dos incinerados) e os vasos votivos. Porque a morte violenta e súbita era uma forma de Morte Negra, porque negra era Ker por ser Nut e porque negra seria a argila deste local uma das etimologias populares acabou por ser local da argila e do ocre negro. Fosse como fosse a verdade é que é possível uma relação étmica entre este termo, o «cemitério» e o miclan azeteca.

Kerameik(os) + Anu > Ker-ami-con < Mi-ka-ker-on > Mika-ther-ion

> kimitírion ó coemeterium

Nahuat. mictlan < Ma-ki-te-ra (no) < Ki-ma-ter-ana

> kimitírion ó coemeterium > «cemitério».

 

RESUMO

O texto parte da premissa antropológica de que a cultura humana nasce do culto dos mortos e que a primeira religião organizada é o animismo funerário. A morte é apresentada como a única lei universal que estrutura a vida, funcionando como limite, regulador moral e fundamento de todas as construções simbólicas. A figura da Deusa Mãe primordial — associada ao mar, à noite, à fertilidade e à devoração solar — é identificada como origem dos primeiros cultos de morte e ressurreição, sendo a matriz de uma vasta família de divindades ctónicas que atravessam Egipto, Mediterrâneo, Egeu, Próximo Oriente, Europa e Américas.

A análise linguística e mitológica percorre múltiplas tradições para mostrar que os nomes da morte raramente derivam de raízes indo-europeias regulares, mas antes de estratos religiosos arcaicos, pré-históricos e pré-indo-europeus. O texto examina as línguas germânicas, mostrando que dauþr / dauthus não se explica satisfatoriamente pelo *dheu- indo-europeu, propondo antes uma ligação ao egípcio Duat, o submundo onde o sol viaja durante a noite. A hipótese é reforçada por paralelos fonéticos e semânticos com divindades egípcias como Kauket, Hauhet, Nut, Aker e Taweret, todas associadas ao caos primordial, à noite, ao submundo e à regeneração solar.

Segue‑se uma comparação transversal com línguas africanas, ameríndias, austronésias e asiáticas, sugerindo que muitos termos para “morte” derivam de nomes de deusas primordiais do mar, da noite ou do caos, frequentemente representadas como serpentes, vacas celestes, aves noturnas ou híbridos monstruosos. A recorrência de radicais como ka-, ku-, kau-, ker-; mar-, mor-, mer-; mat- mut-, mot- é interpretada como vestígio de um léxico religioso comum, anterior à diferenciação das famílias linguísticas históricas.

O texto dedica extensa atenção ao complexo semítico Mot / Mavet, deus da morte em Ugarit, e à sua relação com a deusa egípcia Mut, propondo que a masculinização de Mut deu origem a Mot e que este, por sua vez, influenciou nomes indo-europeus como mors, mortis, morte, muerte, morte, marbh, marow, marv, mirti, mrityu, etc. A raiz mer- é reinterpretada não como “morrer”, mas como radical marítimo associado ao desaparecimento no mar, à travessia e à violência das tempestades, ligando mare, Mars, Mors e Morta num mesmo campo simbólico.

A análise estende-se à mitologia báltica, eslava e céltica, onde surgem figuras como Velnias, Veles, Volos, Mara, Marena, Morana, Morrigan, todas associadas à morte, ao inverno, ao submundo, à magia, à serpente e à fertilidade. A presença de radicais vel-, ver-, wer-, mar-, mor- é interpretada como continuidade de um arquétipo ctónico pan-europeu, possivelmente derivado de uma deusa mãe neolítica ligada ao mar, à noite e à regeneração.

O texto propõe que o etrusco Vetis, deus da morte e da destruição, é variante de *Wer-tis / *Ver-tis, putativo esposo da egipcia Taveret, deusa do parto de damorte, e que este nome se prolonga no eslavo Veles e no romano Vulcanus, sugerindo uma cadeia fonética e mitológica contínua entre Mediterrâneo, Báltico e Balcãs. A figura de Veiovis / Vediovis, divindade romana arcaica associada à cura e à vingança, é interpretada como avatar deste mesmo complexo.

A partir desta rede mitológica, o texto propõe que o albanês vdekun / vdes não deriva da reconstrução indo-europeia *awa-deja, mas de um composto arcaico *Vide-kan-o (“aquele que tem a vida”), reinterpretado como “aquele que tira a vida”, funcionando como título ou epíteto de uma divindade ctónica semelhante a Vetis, Veles ou Velnias. A estrutura fonética vd-k-n seria, assim, o fóssil de um nome divino pré-indo-europeu, preservado no albanês como verbo comum para “morrer”. A coincidência entre vdek- e Vetis / Veles é apresentada como indício de uma origem religiosa comum, não indo-europeia, mas paleo-mediterrânica ou paleo-bálcânica.

O texto conclui que a morte, enquanto conceito religioso, linguístico e cultural, deriva de um arquétipo feminino primordial — a Deusa Mãe do mar e da noite — cujo nome se fragmentou em múltiplas tradições: Mut, Mavet, Mara, Morta, Morrigan, Mari, Macarena, Taweret, Amentet, Ammut, Hekate, Anat, Istar, Ix-Chel, entre outras. A etimologia dos termos modernos para “morte” é vista como sedimentação tardia deste complexo religioso, e não como simples continuidade de raízes indo-europeias regulares. O caso albanês é apresentado como exemplar: vdekun seria um dos mais antigos fósseis linguísticos deste sistema mitológico, preservando na fonética e na semântica a memória de um deus ou deusa da morte anterior à própria formação das línguas indo-europeias.

Quadro comparativo dos radicais ctónicos pan‑euroasiáticos

Radical

Valor simbólico

Domínio mítico

Exemplos culturais

Função ctónica comum

KA

caos, noite, escuridão primordial

submundo, pré‑criação

Egípcio Kauket; Maia Camé; Japonês kami (formas arcaicas)

matriz do caos, ventre noturno, origem da morte

KU

escuridão, ocultação, serpente

noite, inferno, travessia

Egípcio Kuk; Cantonês kuet ding (morte); Zulu ukufa

morte como passagem para o invisível

KAU

caos aquático, abismo

mar primordial, noite

Egípcio Kauket; formas caucásicas Kauk‑; Maia Kaukauku

morte como retorno ao mar primordial

KER

destruição, devoração, noite

morte violenta, destino

Grego Ker (deusa da morte); Báltico Kermenis (corpo morto)

morte como força devoradora e inevitável

MAR

mar, travessia, desaparecimento

morte marítima, limiar

Latim mare; Celta marbh; Hindu Mara

morte como travessia para o além

MOR

morte, sombra, dissolução

submundo, doença

Latim mors; Gaélico marbh; Eslavo mor‑

morte como apagamento vital

MER

desaparecer, afundar

mar, submersão, destino

Hitita mer‑zi; Latim mergo; Egípcio Meret

morte como submersão no mar primordial

MAT

mãe, matriz, terra

deusa mãe, sepultura

Sumério Ma‑tu; Indo‑iraniano Mātṛ; Eslavo Mat’

morte como retorno ao ventre da terra

MUT

deusa mãe da morte

submundo, julgamento

Egípcio Mut; Ugarítico Mavet (derivado)

morte como poder feminino primordial

MOT

morte personificada

inferno, destruição

Ugarítico Mot; Árabe mawt; Hebraico mavet

morte como entidade masculina derivada de Mut

Quadro comparativo dos radicais ctónicos pan-euroasiáticos

KA / KU / KAU → radicais da noite primordial, do caos, da serpente, do abismo. → origem egípcia clara (Ogdoada), espalhados até Mesoamérica e Ásia.

KER → radical da morte violenta, da devoração, do destino. → presente no grego, báltico, basco e indo‑iraniano.

MAR / MOR / MER → radicais do mar, da travessia, do desaparecimento. → base das palavras latinas e célticas para “morte”.

MAT / MUT / MOT → radicais da deusa mãe, do submundo, da morte personificada. → Mut → Mavet → Mot → Mors → Morta → Mara.

A distribuição sistemática destes radicais em culturas egípcias, semíticas, indo‑europeias, bálticas, eslavas, célticas, ameríndias e austronésias indica a existência de um léxico religioso pré‑histórico comum, centrado na figura da Deusa Mãe ctónica e na sua dupla função de vida e morte. A recorrência fonética e semântica não se explica por evolução indo‑europeia regular, mas por herança mítica profunda, anterior à diferenciação das famílias linguísticas.

A questão inicial — a aparente impossibilidade de reconstruir um radical proto-ctónico ancestral — resulta da perceção de que a fonética pré-histórica é demasiado instável para permitir uma forma única e verificável. A erosão sonora, a metátese, a adaptação a sistemas fonológicos distintos e a ausência de documentação tornam inviável qualquer tentativa de reconstrução fonética direta. Contudo, a análise comparativa de radicais associados à morte, ao caos, ao mar, à noite e à terra em múltiplas tradições (KA, KU, KAU, KER; MAR, MOR, MER; MAT, MUT, MOT) revela uma convergência semântica e funcional que não pode ser explicada por coincidência fonética. Esta recorrência aponta para um padrão simbólico comum, anterior à diferenciação das famílias linguísticas históricas.

A partir desta convergência, torna-se possível reconstruir não uma forma fonética, mas uma forma estrutural: um radical tripartido *K‑M‑T, onde K representa Ki, a terra mãe primordia e o caos, a noite e o abismo; M representa a mãe, o mar, a matéria e a devoração; e T representa a divindade, o túmulo e a travessia. Este radical estrutural explica a persistência de padrões rituais e mitológicos em culturas tão diversas como a egípcia (Kemet, Kauket, Mut, Maat), a mesopotâmica (Tiamat), a anatólica (Kybele), a egeia (Artemisa arcaica), o etrusca (Vetis), o eslava (Veles), o báltica (Velnias) e a balcânica (vdek‑).

A demonstração, portanto, não depende de correspondências fonéticas diretas, mas da estrutura ritual que atravessa milénios: a figura da Deusa Mãe Terra, simultaneamente criadora e devoradora, senhora da noite, do caos, do mar e da morte. A forma hipotética *Kima‑te, sugerida como nome ancestral dessa deusa, é coerente com este padrão estrutural e encontra reflexos em múltiplas tradições. Assim, a reconstrução do radical proto-ctónico não é fonética pura, mas ressonância simbólica: a fonética murmura; a estrutura permanece. A verdade não é documental, mas estrutural, e a coerência do sistema torna a reconstrução não apenas possível, mas necessária.

De facto, morte, enquanto objeto de estudo, tem um limiar natural: ultrapassá-lo não acrescenta conhecimento, apenas desgaste. O essencial está feito; o resto pertence ao silêncio que sempre a envolveu.

Uma reflexão metafísica sobre a física exige a presença sistémica da vida porque a física, enquanto descrição do real, não tolera um cosmos organizado apenas pela morte. A morte é um fenómeno derivado, secundário, parasitário: depende da existência prévia de sistemas vivos, de organização, de complexidade, de informação. A morte não é um princípio; é uma interrupção. Por isso, quando esta investigação se desloca da mitologia para a metafísica, a morte deixa de ser suficiente como eixo estruturante. A física não admite um universo cujo fundamento seja a cessação; exige um princípio de emergência, de auto-organização, de continuidade, de persistência. A vida, entendida não como biologia mas como processo de organização contra a entropia, torna-se inevitável.

A mitologia semita que temos vindo a desmontar é uma cosmologia da morte: o Sol que desce ao submundo, o deus que irrompe para destruir, a ausência de feminino gerador, a eliminação de deuses de fertilidade, a centralidade do deserto, da esterilidade, da travessia, da ameaça. É um sistema onde a vida não tem estatuto ontológico próprio. Mas a metafísica que estmos a construir não é a mitologia semita: é uma leitura estrutural do real. E o real não funciona como o panteão israelita porque este exige continuidade, gradiente, fluxo, auto-organização, emergência de forma, estabilidade dinâmica. A vida, nesse sentido, não é um tema: é uma condição de possibilidade.

Um texto sobre a morte cresce porque a morte é o ponto de condensação simbólica do sistema mítico que estamos a analisar. Mas uma reflexão metafísica exige vida porque a física não pode ser pensada sem processos que resistem à entropia, que criem ordem, que mantenham formas, que produzem a diferença. A morte é um fenómeno local contra a vida como fenómeno estrutural. A morte é episódica enquanto a vida é sistémica. A morte é um limite; a vida é um processo. A morte é um acontecimento acabado; a vida é uma dinâmica constante.

A morte é uma fatalidade mitológica desnecessária, mas a vida é um encontro improvável com a especulação porque é uma necessidade ontológicamente imperiosa.

 

O TABU DA INEFABILIDADE DA MORTE QUE AINDA CONTAMINA O RISCO DE DOENÇA GRAVE

A mitologia semita opera sob um duplo tabu estrutural: o tabu da morte e o tabu do Nome. O primeiro impede a nomeação direta da morte, porque nomeá‑la é convocá-la; o segundo impede a nomeação direta da divindade, porque nomeá‑la é expô-la à morte. Ambos derivam da mesma matriz simbólica: aquilo que pertence ao domínio do perigoso, do subterrâneo, do irrepresentável, não pode ser pronunciado sem risco. A inafabilidade do Nome não é um gesto metafísico, mas uma consequência ritual da natureza da divindade mosaica: um deus vulcânico, eruptivo, telúrico, cuja presença é destrutiva e cuja manifestação é mediada por fogo, fumo e voz. A inefabilidade não é transcendência; é proteção. O Nome inafável é tabu porque o deus que o impões é perigoso.

A ausência do feminino não deriva deste tabu, mas de um processo distinto: a eliminação sistemática das potências geradoras, férteis e cíclicas que estruturavam o panteão semita anterior. A supressão de Asherah, Anat, Astarte e Qudshu remove do sistema a dimensão da geração, da continuidade e da regeneração. A cosmologia resultante perde o princípio feminino como operador de vida e de retorno, substituindo‑o por uma estrutura exclusivamente masculina, solar e telúrica, onde a criação não é gestação, mas imposição; não é ciclo, mas decreto; não é nascimento, mas ordenação. A ausência do feminino não é tabu, mas amputação: a eliminação de um princípio ontológico que permitiria pensar a vida como processo e não como exceção.

A cosmologia semita resultante é uma cosmologia da morte. O Sol desce ao submundo; o deus irrompe para destruir; o feminino gerador é eliminado; as divindades de fertilidade são suprimidas; o deserto, a esterilidade, a travessia e a ameaça tornam‑se eixos simbólicos. A vida não possui estatuto ontológico próprio: não é princípio, mas intervalo; não é fundamento, mas concessão; não é origem, mas exceção. A morte é estrutural; a vida é contingente. A morte organiza o sistema; a vida apenas o interrompe. O tabu da morte impede a sua tematização direta, mas a sua presença organiza toda a mitologia. O tabu do Nome impede a tematização direta da divindade, mas a sua presença organiza toda a teologia.

A metafísica que se constrói a partir da física não coincide com esta cosmologia. A física exige continuidade, gradiente, fluxo, auto‑organização, emergência de forma, estabilidade dinâmica. A vida, nesse sentido, não é um tema mitológico, mas uma condição de possibilidade ontológica. A morte é um fenómeno local; a vida é um fenómeno estrutural. A morte é episódica; a vida é sistémica. A morte é um limite; a vida é um processo. A morte é um acontecimento acabado; a vida é uma dinâmica constante. A morte é uma fatalidade mitológica; a vida é uma necessidade ontológica.

Um texto sobre a morte cresce porque a morte é o ponto de condensação simbólica do sistema mítico analisado. Uma reflexão metafísica exige vida porque a física não pode ser pensada sem processos que resistem à entropia, que criam ordem, que mantêm formas, que produzem diferença. O tabu da morte explica a ausência de uma mitologia da vida; o tabu do Nome explica a ausência de uma teologia da vida. Ambos são sintomas de um sistema que só sabe pensar a morte e que só pode nomear o divino através daquilo que não pode ser dito.

É certo que o tabu contemporâneo que impede a nomeação de doenças graves não deriva de crenças religiosas específicas, mas de uma estrutura ontológica profunda: a linguagem é percebida como tendo poder de convocação. Por isso, nomear o indesejado nos limites do sofrimento físico é tratá‑lo como moralmente possível e, eventualmente, interiorizá‑lo como iminente e, de imediato, real. A palavra funciona como operador ontológico virtual e não como mero signo oratório. Assim, a recusa em pronunciar o nome do “cancro” não é superstição, mas defesa ontológica ao nível da virtualidade, evitando o desconforto de uma ameaça possível à integridade humana em abstrato e, por isso, trans-pessoal, o que invoca a necessidade de uma catarse da inefabilidade oratória.

A reação em ambiente clínico — “não diga isso”, “cruzes canhoto”, “não chame essa coisa” — reproduz o mecanismo arcaico que tornava a morte e o Nome divino impronunciáveis. A estrutura é idêntica: o perigoso não se nomeia. A diferença é apenas de conteúdo. O que antes era morte, divindade subterrânea ou destino, hoje é doença, prognóstico ou ameaça biológica. O tabu mantém‑se porque a função permanece: impedir que a linguagem estabilize o indesejado no real.

O tabu moderno que impede a nomeação de doenças graves opera como defesa ontológica porque protege uma dimensão ainda mais fundamental: a esperança, entendida como o último valor que o sujeito aceita perder antes da morte. A esperança não é racional, nem discursiva, e ainda menos argumentativa; é uma estrutura afetiva que sustenta a continuidade do sujeito perante a ameaça absoluta da morte. Nomear o indesejado — a doença, o prognóstico, a possibilidade da morte — é percebido como um ataque direto a essa última reserva de sentido.

Por isso, a recusa em pronunciar “cancro” não é apenas medo da palavra enquanto operador ontológico potencial; é sobretudo a tentativa de impedir que a linguagem destrua a última forma de futuro que o sujeito ainda consegue imaginar. O tabu da inefabilidade do indesejado protege a esperança daquilo que a poderia anular. A palavra torna‑se perigosa porque pode fazer colapsar a única defesa virtual que resta quando todas as reais já falharam.

A esperança funciona, assim, como o derradeiro mecanismo de resistência à morte. O tabu linguístico não é superstição, mas salvaguarda emocional: impede o desconforto de sentir que o real se possa fechar de forma irreversível. Enquanto a palavra não é dita, o futuro permanece aberto, ainda que em suspenso. Quando a palavra é dita, o futuro pode desabar se o tabu que impede o desconforto desse fecho não funcionar.

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