domingo, 21 de abril de 2013

MISTÉRIOS ANTIGOS DO VINHO DE DIONÍSIO, por arturjotaef.

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Figura 1: Sátiros à vindima nas vinhas de Dionísio.

De facto, a relação relevante destes cultos com a mística da viticultura a ocidente e da cerveja a oriente reforça a suspeita de que a revoluçõ agricula do neolítico teve por «light motiv» principal a descoberta das bebidas alcoólicas na época posdiluviana ocorrida com o fim da glaciação do 10º milénio antes de Cristo.

1No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2Ele estava no princípio com Deus.

3Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; João 1:1

                                           G-eshtu-E > Ge-Chu-E > Jesueh > Jesus.

Ishkur > Kur-Ish-tu > *Kar-eshtu > Cresto > Cristo.

Há quem ponha em dúvida a historicidade de Cristo com a mesma sensata desfaçatez com que os cristãos duvidam da existência de Hércules e com o mesmo grau de provas históricas com que se suspeita da falta de fundamento da guerra de Tróia. No entanto, não se pode duvidar da universalidade criativa do «gesto» de fogo da «Palavra De Deus».

Jesus Cristo, o «Alfa e Ómega» do alfabeto grego, padrão de toda a literalidade das culturas do livro, tenha ou não sido também uma, ou parte de algumas personalidades históricas concretas, a verdade é que assim se demonstra vir a sua Substância Cultural do princípio dos tempos dando razão, no plano da grande retórica ideológica, aos teólogos que determinaram que o “filho de Deus” procede do Pai desde toda a eternidade!

 

Ver: DILÚVIO (***)

 

20Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar.

21Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.

13O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um pacto entre mim e a terra. 14E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco nas nuvens, 15então me lembrarei do meu pacto, que está entre mim e vós e todo ser vivente de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para destruir toda a carne.

16O arco estará nas nuvens, e olharei para ele a fim de me lembrar do pacto perpétuo entre Deus e todo ser vivente de toda a carne que está sobre a terra.

17Disse Deus a Noé ainda: Esse é o sinal do pacto que tenho estabelecido entre mim e toda a carne que está sobre a terra.

18Ora, os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cão e Jafé; e Cão é o pai de Canaã.

19Estes três foram os filhos de Noé; e destes foi povoada toda a terra.

20E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.

21Bebeu do vinho, e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda.

22E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos que estavam fora.

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Figura 2: Dionísio, os sátiros vindimadores e a videira, a «árvore da vida» eterna dos gregos.

Figura 3: Sátiros no sagrado rito da «pisa da uva», em dornas de madeira.[1]

Sendo assim, os humanistas deveriam ter mais respeito pela «drogas culturais».

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A maldição dos cananeus teria que começar com uma canalhice ou seja, um crime de cão! Obviamente que estamos perante uma interpolação tardia feita a propósito das rivalidades políticas dos judeus helenistas. No entanto o mito de Noé era uma herança arcaica do seu passado caldeu onde Noé era Zius-udra, Atra-Hasis ou Ut-an-apish-tim.

Claro que é possível que Ziusudra tenha acabado Zeus na reforma do panteão olímpico por ser um filho de Saturno / Enki como Noé.

De resto, há tradições antigas cretenses que comprovam que Zeus morreu e teve túmulo em Creta e existe similaridades entre o nascimento de Zeus e de Dionísio. Atra-Hasis é seguramente um dos sábios filhos de Enki e Ut-an-apish-tim e seguramente um nome compósito significante que identificaria este rei sacerdote com a tribo dos filho do Senhor deus Ápis, algo como viriam a ser os filhos de Sete.

Numa primeira aproximação o nome de Noé permite-nos a seguinte equação:

Noé < Jud. Noah < Noak / Anok < Enock < *En-Kiku

<= Anku (> Anzu) > Enki.

Desde logo ficamos a saber que o mito de Noé teria que ver com a mitologia de Enki, tanto pela fonética quanto pela semântica.

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Figura 4: Dionísio Bassareu, deus da arte vinhateira!

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Figura 5: A barca com que Dionísio espalhou a cultura do vinho por todo o mundo antigo! Notar que esta representação de Dionísio tanto pode ser relacionada com a barca que salvou a humanidade do dilúvio como com os mitos solares de morte e ressurreição do “deus menino”. Em relação com a barca do dilúvio existe a coincidência de os mitos suporem a invenção da cultura da vinha na época pós-diluviana, o que, no mito bíblico do Génesis corresponde ao próprio Noé! No mito que serviu de pretexto deste vaso Dionísio foi raptado por piratas etrusco que o deus transformou em golfinhos, animais relacionados com o deus supremo da talassocracia cretense facto que indicia que a Etrúria teria sido outrora uma próspera colónia cretense produtora de bons vinhos. A relação desta figuração com a barca solar reside no facto de o próprio Dionísio ter sido o deus menino que quando crescido se transformou num deus de morte e ressurreição solar!

Numa segunda abordagem poderíamos então afinar uma pouco mais a semântica e então:

Noé < Jud. Noah < Nauoth < Anuat < *Anu-ish ? lit. «o filho do Anu» < *En-Kiku.

                                         >*Nawot, lit. «filho d Nebo» > Nauat > *Na-Uta | < Anuki

 < Enki | Ki < *En-Kiku > *Anish(u), lit. «filho de Enki, o deus das águas entre a terra e o céu»!

Zisudra Known as Uta-na'ishtim and Ut-napushte, meaning perhaps "he found life" and/or "day of life", Hebrew Noah, Sumerian Ziusudra, and Xisuthros in Berossus' Greek rendering. Epithet: Atrahasis "extra wise" and "far distant"

Se o relato sobre o dilúvio fosse posterior ao sec. XVII a. C. poderia corresponder à catástrofe do maremoto que teria submergido a civilização minóica pois que, numa primeira aproximação, o nome de Zisudra permite-nos a seguinte equação:

Ziusudra = Zius utra = Zeus Taur = «touro de deus», seguramente uma metáfora taurina relativa a um sacerdote do Minutauro!

E foi assim que quando Jesus Cristo na «Última Ceia» tomou o pão e o vinho e o deus aos seus discípulos e disse: «fazei isto em minha memória» que foi renovada a antiquíssima tradição da Kurbana, nome da «missa» em caldeu,

Primeiro porque a Kurbana... teria sido *Kiphurana, a cerinónia em louvor da divina *Kiphura da árvore da vida e da sabedoria acabou sendo a liturgia em que «berbum caro factum est» pelo viático do sagrado alimento do “pão e do vinho”!

Kurbana < *Kur-Phana < Kurkina > Kikurana.

«Caro» <= Karus < Kauro < Kur.

Depois porque «Caro» é o «filho de deus» pai do céu, o «Sol Invicto»!

Este se apresenta como Acetes, um piloto, e conta que, certa vez velejando para Delos, ele e seus marinheiros tocaram na ilha de Dia e lá desembarcaram. Na manhã seguinte os marinheiros encontraram um jovem de aparencia delicada adormecido, que julgaram ser um nobre, filho de rei, e que conseguiriam uma boa quantia em seu resgate. Observando-o, Acetes percebe algo superior aos mortais no jovem e pensa se tratar de alguma divindade e pede perdão a ele pelos maus tratos. Porém seus companheiros, cegados pela cobiça, levam-no a bordo mesmo com a oposição de Acetes. Os marinheiros mentem dizendo que levariam Dionísio (pois era realmente ele) onde ele quisesse estar, e Dionísio responde dizendo que Naxos era sua terra natal e que se eles o levassem até lá seriam bem recompensados. Eles prometem fazer isso e dizem a Acetes para levar o menino a Naxos.

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Figura 6: Um dos painéis do friso da Lenterna de Lisícrates representando a metamorfose dos piratas em Golfinhos. (Transformação cibernética do autor de desenho da obra: The antiqvities of Athens (Volume v. 1) - Stuart, James, 1713-1788)

When he [Dionysos] wanted passage across from Ikaria to Naxos he hired a trireme of Tyrrhenian pirates. But when they had him on board, they sailed past Naxos and headed for Asia where they planned to sell him. He thereupon changed the mast and the oars into snakes, and filled the boat with ivy and the sound of flutes. The men went mad and dove into the sea, where they became dolphins." - Apollodorus, The Library 2.28-37

Porém quando ele começa a manobrar em direcção a Naxos ouve sussurros e vê sinais de que queriam levá-lo ao Egipto para ser vendido como escravo, e então se recusa-se a participar num ato de tal baixeza. Dionísio percebe a trama, olha para o mar entristecido, e de repente a nau para no meio do mar como se fincada em terra. Assustados os homens impelem seus remos e soltam mais as velas, tudo em vão.

O cheiro agradável de vinho se alastra por toda a nau e percebe-se que vinhas crescem, carregadas de frutos sob o mastro e por toda a extensão do casco do navio e ouve-se sons melodiosos de flauta. Dionísio aparece com uma coroa de folhas de parreira empunhando uma lança enfeitada de hera. Formas ágeis de animais selvagens brincam em torno de sua figura. Os marinheiros começam a se atirar para fora do barco e ao atingir a água se transformavam: seus corpos se achatavam e terminavam numa cauda retorcida. Os outros começam a ganhar membros de peixes, suas bocas alargam-se e narinas dilatam, escamas revestem-lhes todo o corpo e ganham barbatanas em lugar dos braços. Toda a tripulação foi transformada e dos 20 homens só restava Acetes, trémulo de medo. Dionísio porém, pede para que nada receie e navegue em direcção a Naxos onde Dionísio encontra Ariadne e a toma como esposa. – Wikipédia.

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Figura 7: Dionísio e Ariadne encontram-se em Naxos.

Os rituais pascais de morte e ressurreição dos deuses solares precisamente eram mistérios agrários primaveris relacionados com arcaicos mistérios de «passagem» porque os deuses solares eram mortais, tais como Urash / Nin Gishzida = Damuz / Hamon / Osíris / Atis / Adónis / Dioniso / Cristo, etc., estavam relacionados com as vindimas e a preparação das bebidas espirituosas.

Assim, quando os cristãos utilizavam a metáfora da “água da vida eterna” estariam a utiliza-lo no mesmo sentido do francês «l´au de vie», ou seja, estariam a referir-se a uma à bebida espirituosa que era dada aos neófitos que ingeriam narcóticos comatosos em «ritos de passagem». Não foi Cristo acusado pelos fariseus de convivência com publicanos, ébrios e prostitutas? Que outro significado poderia ter tal acusação de verdadeira prática de crimes ideológicos senão a de conotar Jesus com os mitos pagãos de morte e ressurreição pascal. Que outra coisa terá sido a “última ceia” senão uma festa dionisíaca? Não entrou Jesus em Jerusalém em cima dum burro como Hefesto entra nos bacanais?

 

Ver: DILÚVIO (***) & GESHTINANNA (***) & HEROGAMOS (***)

De facto, a iniciação juvenil, militar e civil era conseguido sob o efeito de antigas poções mágicas que não eram mais do que drogas facilitadoras do desafio da morte aparente por simulações psicossociais. As bebidas alcoólicas eram, tal como ainda hoje é a cerveja na queima das fitas dos caloiros lusitanos, as drogas de iniciação mais conhecida na cultura mediterrânica.

As Potnias eram de facto deusas das bebidas fermentadas.

Geshtinanna era uma deusa da «vinha do céu».

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Figura 8: Cortejo de Dionísio num vaso grego [2].

A «videira» < «vide» < Lat. vite > vita > «vida», deve o seu nome ao facto de ter sido seguramente a metáfora mais comum da «arvore da vida», aliás considerada como tal por muitos autores gnósticos e que, pelo menos em francês, justificou o nome de «agua da vida» dada pelos franceses à «agua ardente» das deusas do fogo.

O vinho ou a videira deram nome à «vida» a partir da manipulação ritual do conceito místico da «vida eterna». Na verdade o termo latino deriva dos etruscos que já o tinham como estrangeirismo.

Vinum = wine (international loanword, Wanderwort).

Não nos podemos esquecer que a Páscoa dos canaaneus era celebrada em honra de Adónis, deus que seria literalmente Dionísio. De resto, a exegese paulista fés de Jesus um novo Adão, seguramente com toda a propriedade dentro da tradição mística do culto do «pão e do vinho» como celebrações da eucaristia pascal em honra da «arvore da vida do paraíso perdido. Notar ainda que a cevada com que se fabricava pão era a matéria-prima da cerveja das civilizações cerealíferas como o Egipto e a Suméria.

«Adão» < *Athanu <= Adonis < Athaun-ish lit. «filho de *Athanu, lit. «o filho do Sr. (Céu)»

<= *Athanu ó *Ki-anu-At, lit. «filho do monte Sião» > Tan-ish > Dion-isho > Dionísio.

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Figura 9: Dionísio, a cavalo dum burro, como Jesus no domingo de ramos, durante a procissão dos ritos de passagem da Páscoa! (British Museum)

A relação da expansão pós diluviana da cultura da vinha com o comércio relança a ideia de que em todos os processos de expansão cultural estiveram sempre presentes os três componentes culturais motivadores do imperialismo marítimo ibérico. A conquista das almas pela fé, a usurpação de bens pela promoção do comércio marítimo colonial e a conquista de novas terras pelas armas. Se o vinho não deriva de termo itálico autóctone então podemos postular que ele era de arcaica origem a partir do termo virtual *Ki-anu, lit. “terra-do-senhor”, campo santo, vinha particular dos templos, quem sabe, local onde eram enterrados os mortos sacrificados aos deuses da agricultura em ritos solares de morte e ressurreição.

                                  *Ki-anu > Kian > Sião, os sagrados montes judaicos.

Vinum < Wi-anu(m) < Kianu > Phainu > Fauno.

                                  > Benu.

É inegável o carácter de deus agrícola de fauno, a relação deste deus latino com Pan dos gregos também, bem como, a relação destes com os sátiros. Os nostálgicos montes de Sião das elegias do profeta Jeremias eram uma metáfora dos “montes da aurora” e o pássaro egípcio Benu era o animal de transporte do sol primordial no mito de criação heliopolitana.

Damuz/Nin-Gishzida era um deus dos cultos de fertilidade de morte e ressurreição pascal. Particularmente Nin-Gishzida era considerado um deus da “árvore da vida”, como Ashera na Cananeia, ou seja um deus da videira como Dionísio.

O vinho e a cerveja, além de serem “poções mágicas” de vigor e ânimo e “filtros de amor” por alegrarem o coração dos homens, eram também considerados fontes de inspiração e inteligência, como o atesta o senso comum ao denominar espirituosas as bebidas licorosas. Estas crenças e preconceitos derivariam da loquacidade comum dos ébrios e da combustão, quase espontânea (!), da «aguardente».

Sendo assim, estamos aptos a identificar este deus como sendo Urash, um arcaico deus agrícola sumério, o «Puto», Dionísio o «Deus Menino» que foi assado como os animais das queimadas do princípio do Verão, filho das giestas floridas de Maio e das amarelas maias de Vesta, a deusa mãe do fogo telúrico!

Ora bem, no campo da mitologia não existem propriamente incoerências nem contradições pois que no tempo em que os deuses reinaram virtualmente no mundo tudo era maravilhosa e fabulosamente tão inefável quanto fantástico, ideal e imaginário. Sendo estes seres o protótipo do bestiário das disformidades míticas geradas pela deusa mãe do caos lamacento primordial há que pensar que tais mitos traduziriam o trauma infantil duma humanidade que via aparecer por geração espontânea do fundo do lodo as mais estranhas metamorfoses de batráquios tal como se espantaria com o maravilhoso fantástico das mais belas borboletas que se geravam a partir da metamorfoses das larvas, formalmente descritas como cobras ou lagartas.

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Figura 10: Antínoo travestido de Dionísio.

The earliest and most important Greek mysteries were the Orphic, the Eleusinian, and the Dionysiac. The Orphic mysteries were those of a mystic cult founded, according to tradition, by the legendary poet and musician Orpheus, to whom was attributed a great mass of religious literature (See Orphism). Far more celebrated were the Eleusinian mysteries, connected with the worship of the goddesses Demeter and Persephone at Eleusis in Attica; with these divinities were associated Pluto, god of the underworld; Iacchus, a name of the youthful Dionysus, god of vegetation and of wine; and other gods. The worship of Dionysus, or Bacchus, in Athens was accompanied by feasts, processions, and musical and dramatic performances. In later times the mysteries associated with Dionysus became occasions for intoxication and gross licentiousness. They were forbidden at Thebes and later elsewhere in Greece. As the Bacchanalia these rites were introduced into Rome early in the 2nd century BC. At first the mysteries were celebrated only by women; when they were opened to men, the gatherings were suspected of gross immoralities, and in 186 BC the Roman Senate attempted to suppress the rites by decree.

Por outro lado, estamos perante um mito de nascimento primordial ladeado por um bestiário de guarda-costas sagrados mas agora mais próximo dos Aker egípcios porque já não se trata escorpiões. Sendo assim, há que pensar que o termo lamashu poderia ter acabado por se aplicar a todas as bestas míticas da deusa mãe que tinham o papel de serem guardiães das portas do sol.

Mustés = iniciado na preparação do mosto < grego mysterion

=> «mistério», «mosteiro».

One of the most beloved deities was the shepherd god Dumuzi, the biblical Tammuz. At the autumnal equinox, which marked the beginning of the Sumerian new year, Dumuzi returned to the earth. His reunion with his wife caused all animal and plant life to be revitalized and made fertile once again. Each new year the Sumerians celebrated the marriage between Dumuzi and Inanna.

Cor ibantes = romeiro ululante de Cor(a), fêmea de Kar.

cabiros < Ir. [3]Cabur < Kaur

Dionysus Zagreus < Zacreus < Sacar Teos > Za car eus > Zeus Kar

Dion Ysius = deus filho de Isis = Osíris

Pt. «bácoro» = porco < Bac ch(ar)us = (D)iac ch(ar)us => Diac > Bac > Bes.

Dionisio = Iacus = Baco < Wacus < Kakus.

 

Ver: CARNAVAL (***) & LUPUS (***) & FOLIAS (***)

 

LENAIAS

Entre os gregos, as festas de inverno estavam associadas às Lenaias e Brumália, onde em tempos remotos os gregos celebraram sacrifícios humanos (posteriormente substituídos por um bode) e às Khronia (lembremos a associação Khronos – Saturnus).

Entre os Romanos haviam as Saturnálias (ou Saturnais), que como o nome sugere, era festas relacionadas com Saturnus (deus relacionado a Agricultura, Submundo, a Força e um tanto Obscuro, neste sentido relacionado a Dis Pater, – o Plutão, Hades grego e provavelmente a Sucellos dos gauleses, além do Dyaus Pitar dos hindus – e ao grego Khronos) e que começavam depois dos Idos de Dezembro e terminavam justamente na data do Solstício de Inverno assimiladas na época do Império ao festival do Sol Invictus.

A mais antiga representação de Dionísio é de facto o falo. Pois bem, este começou a ser um símbolo poderoso de fertilidade precisamente no início do patriarcado iniciado precisamente com a descoberta pelos pastores do poder fecundante dos machos de cobrição, como eram o touro e o bode! Obviamente que, até ai, a fertilidade era considerada um poderoso segredo da Grande Deusa Mãe!

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Figura 11: Ménades preparando a orgia das dionisíacas rurais (lenaias), festas báquicas gregas em que aparece um Darcílio, um Erma vestido e engalanado com heras, forma festiva e primaveril de Dionísio Dendrites (das árvores)” nas Grandes Dionisíacas.

“As Dionisíacas Rurais celebravam-se no mês de Posideon que corresponde, mais ou menos, à segunda metade de dezembro. São as mais antigas festas áticas de Dioniso, mas pouco se sabe até ao momento a respeito das mesmas. A cerimônia central consistia num kômos, ou seja, numa alegre e barulhenta procissão, com danças e cantos, em que se escoltava um falo. Os participantes dessa ruidosa falafória cobriam o rosto com máscaras ou disfarçavam-se de animais, o que demonstra tratar-se de um sortilégio para trazer fertilidade aos campos e lares... -- Carnaval, Seis Milênios de História" Dr. Hiram Araújo.

Escusado será dizer que os cultos orgiásticos como o de Dioniso e Atena Korê eram afinal uma forma de compromisso mítico entre o matriarcado dos cultos da Deusa Mãe Deméter e o patriarcado emergente do Deus Pais que Dionísio nunca chegou a ser por ter sido o eterno “deus menino”.

O facto de as dionisíacas rurais serem mal conhecidas diz-nos que já mesmo na época clássica elas eram desconsideradas por fazerem parte do fundo tradicional da ruralidade popular, rude e servil, reminiscência arcaica da cultura minóica e cretense da época dourada e saturnina. Os novos cultos, aristocráticos e citadinos, criaram e sublimaram os seus próprios mistérios domésticos, civilizados e domesticados, que pouco teriam já a ver com os costumes castiços, espontâneos e naturais da tradição rural e pagãos.

A sobrevivência destas tradições nas “festas dos rapazes” da cultura rural dos transmontanos lusitanos confirma, apesar de tudo a forte ligação ao mundo agro-pastoril do neolítico que perdido nos recantos das serras tendia a perpetuar-se sempre igual a si mesmo desde os primórdios da própria ruralidade.

Com as características, ora de deus da cultura do vinho e da figueira, ora simbolizado pela Hera e pelos Pinheiros, ora representados pelo bode, Dioniso, o deus da transformação e da metamorfose, que havia sido expulso de Olimpo, todos os anos, chegava à Grécia, aos primeiros raios de sol da primavera, acompanhado de um séquito de sátiros e ninfas sendo saudado pelos fiéis com música, danças, algazarras, vinhos, sexo e também violência que por vezes terminava em tragédia. -- Mitologia Grega de Junito de Souza Brandão.

No entanto, as profundas raises arcaicas da mistica dionisíaca deveriam, mais do que o mito em si, calar fundo na alma popular cujo suporte rustico era o remasnescente pelágico da cultura creto-missénica que percedera as invasões dóricas, as que estabeleceram a estrutura aristocrática (e apenas aparentemente mais oligarquica que democrática) da Grécia clássica

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Figura 12: Orgia de sátiros numa “festa dos rapazes” presidida por Dionísio ébrio! (Museo Archeologico Nazionale Naples)

A este propósito há que encarar a pedofilia pedagógica como uma realidade que acabou ridícula sem ter deixado de ser explicitamente divertida e prazenteira nos festivais orgiásticos dos bacanais como são satirizadas na Figura 9.

Estas festas da rapaziada guerreira marcariam precisamente o fim da pedofilia iniciática e a entrada dos mancebos na adultícia guerreira.

 

PANDORCAS, CARETOS, CABEÇUDOS E GIGANTONES

O eco destes cultos dionisíacos, que se estendiam do solestício de Inverno até à primavera persistem ainda em tradições populares de muitos povos mediterrânicos e é legítimo relaciona-las com o que resta de mais arcaico em algumas festas transmontanas, por sinal, genéricamente denominada por “Festas dos Rapazes”.

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Como em todas as latitudes os milagres não faltam e, assim, em meados do século XVII, depois de mais uma tomada de Miranda pelos espanhóis, os moradores começaram a sentir cansaço e fome. Eis que, de repente, saído do nada, aparece um menino de espada em punho atiçando os portugueses contra o domínio espanhol. Ou fosse pelo menino ou pela fome, certo é que os espanhóis desandararam dali e quando o povo tentou homenagear o menino este tinha desaparecido. Daí a pensarem que tinha sido o Menino Jesus que lhes tinha aparecido foi um pulo e assim esculpiram uma imagem de criança colocando uma farda de general do tempo das Guerras da Restauração, cartola e uma condecoração ao peito. Ainda hoje a imagem do Menino Jesus de Cartolinha permanece na Sé.

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Figura 14: “menino Jesus” da cartolinha da sé de Miranda, um “deus menino” saído da imaginação arcaica da festa dos rapazes em honra de Dionísio.

Existem no concelho do Mogadouro, para além das festas religiosas, outras que subsistem, como herança de épocas muito remotas, que se inserem num ciclo de festas transmontanas, genericamente designadas por Festas dos Rapazes, e que se desenrolam entre o Natal e o Carnaval. São os casos do Chocalheiro em Bemposta, do Farandulo ou Festa do Menino em Tó e da Festa dos Velhos em Bruçó e Vale de Porco. Diz a lenda que o demónio tentou Nossa Senhora. Como castigo, foi penalizado a pedir esmola para Ela e seu filho, o “Menino Jesus”.

A festa dos rapazes é uma Estranha redundância só aceitável num ambiente de mistura de mitologias e tradições que a inquisição não conseguiu extirpar.

«La tradition des Gigantones et Cabeçudos qui anime toujours les fêtes du nord du Portugal et dont l’origine se perd dans la nuit des temps, vient d’être ranimée par le travail de recherche et de représentation plastique d’une peintre française, attachée depuis des décennies à cette région de l’extrême occident européen.

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Liée aux immigrés portugais depuis leur première arrivée en France dans les années 60, Eliane Meunier a depuis 1963 commencé à fréquenter la côte minhota des alentours d’Afife. -- Lire l'interview de Eliane Meunier sur le site REVUES-PLURIELLES.

Bandoga (Bandonga) - É uma divindade importante no norte da Lusitânia. É o carácter feminino da divindade, é a protectora da tribo e da família, quem ordena e faz as leis.

Bandoca seria esposa de Bandua, equeivalente a Wotan / Odin dos nórdicos e a Dionísio dos Gregos e pai oi filho de Pan.

Bandonga < Bandoga < «Bandoca» < Pan-Durga > «Pandorca».

Se o figura principal destas festas era o “chocalheiro”, na verdade uma representação zoomórfica do próprio “deus menino” o Minotauro, outros figurantes apareceriam como os carretos, que seriam os curibantes, os gigantones que mais não eram do que o divino casal Gaia & Gaio primordial, Saturno e Opis em Roma e Crono e Rea na Grécia e os cabeçudos os titãs que fizeram o sacrifício canibal de Dionísio.

Na verdade, estes costumes persistiram até à segunda década do seculo 20 precisamente porque o rio Douro deixava de ser navegável a partir do santuário de S. Salvador do mundo na Pesqueira, por causa do cachão da Valeira onde viria a morrer o destemido barão de Forrester que em Maio de 1861, foi visitar D. Antónia Adelaide Ferreira, a uma das meia centena de quintas de que a famosa Ferreirinha era proprietária: A Quinta do Vesúvio situada na Horta de Numão, entre a Pesqueira e Foz Côa, e que contém dentro dos seus termos e muros sete montes e trinta vales, era uma das preferidas de D. Antónia.

Se “para cá do Marão mandam os que cá estão”, acima do Cachão da Valeira mandaram sempre os que lá viveram e pouca penetração tinha por lá a cristandade onde os marranos se sentiram sempre seguros e os ciganos nunca foram maltratados, desde que por lá não pernoitassem mais de que duas ou três luas. Os costumes arcaicos enraizados poderiam mudar de nome mas dificilmente mudavam de significado e conteúdo. Só a emegração maciça acabou com eles pois o que hoje perduro é já puro folclore de pouca convicção e quase nehuma alma. A falta de convicção decorrre da progressiva desruralaização do pais e a falta de alma do profundo corte geracional que a emegração produziu na demografia de Protugal interior durante quase 30 anos.

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Figura 15: Caretos de Aveleda, Varge e Baçal.

O conteudo sexualmente permissivo do matriarcado primitivo implícito nas festas dos mancebos foi sempre recebido pela ordem patriacal como subversivo e perturbador da nova ordem social acente no poder do pater familiae. Querido na adolescencia e amado pelas mulheres, Dionísio era fonte de vergonha dos adultos e uma afronta para os patriarcas impotentes, coisa que não deve ter sido frequente por estas bandas.

Nas aldeias do Nordeste Transmontano a beatice nunca esteve muito presente e até o judaísmo dos marranos perdurou até muito tarde.

O arcaísmo desta tradição é tanto que a representação de Dionísio reveste a forma mais arcaica e zoomórfica do touro minóico, o Minotauro.

Apesar da sua máscara terrível e medonha que faz ainda arrepiar muita gente, o chocalheiro é uma figura simpática e cheia de significado. Vestido de linho grosseiro tingido de preto, o chocalheiro de Bemposta aparece como uma figura tauromórfica. Nas pontas dos chifres ostenta duas laranjas espetadas; cai-lhe do "queixo uma barbicha de bode; na parte da nuca pende-lhe uma bexiga de porco cheia de vento; na testa tem um disco e, escorrendo pela face, uma pequena serpente; na mão segura uma tenaz e mostrando uma serpente de grande porte rodeada à cintura.

Em dois dias festivos o chocalheiro sai á rua, em Bemposta, para o desempenho dos seus ritos mágicos: no Santo Estêväo, a 26 de Dezembro e no Ano Novo. Na véspera de Santo Estêväo, o dia de Natal, a noite, o mordomo procede ao acto do leiläo do cardo de chocalheiro. Esta é a noite das "mandas", os lances, cujo tempo de realizaçao termina á meia-moite do dia de Natal. O último a mandar a essa hora ficará com responsabilidade de desempenhar as funçöes de chocalheiro, no dia seguinte.

No dia 26, de manha, sai o choclheiro, mordomo e comitiva para o ritual do peditório, designado localmente de "apanha" da esmola. Terminado o peditório, ao fim da manha, todos de dirigem a casa do mordomo. O chocalheiro termina aqui as suas funçoes e o agente que Ihe deu vida cumpriu também a sua promessa. Segue-se a refeiçao para os colaboradores no peditório, oferecido pelo mordomo e em sua própria casa. Antonio Pinelo TizaAcademia de la Máscara de Bragança.

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Figura 16: Na transmontana “festa dos rapazes” até o trague dos pauliteiros de Miranda faz apelo a tradições egeias e anatólicas, ainda presente na Macedónia moderna.

(...) Sabe-se que na Ásia Menor também há chocalheiros, ainda hoje. Mas se consultarmos um bom compêndio de História Geral, encontramos já na Civilização Cretense - entre o ano 3.000 e 2.500 A. C - Hélios, o deus Sol como esposo da Mãe Terra representado por uma figura tauromórfica.

Mas não só em Creta também já nas civilizações do Antigo Oriente encontramos figuras tauromórficas representando o Sol e outras divindades. Na pastoral de 31 de Janeiro de 1687 o Bispo de Miranda, D. Antônio de Santa Maria, era assim que lançava a voz contra certos costumes "abusivos":

"Também nos veio a notícia que em alguns logares deste nosso bispado se teem introduzido muitos abusos perniciosos: a saber pelos dias das actavas do nascimento do Senhor se fazem hum modo de festas a que chama vulgarmente "Pandorcas" fazendo danças e festejos por muitos dias com muitas ofensas a Deus comendo e bebendo demasiadamente, descopondo muitas pessoas de que resultam graves pendências e outros pecados originados de galhofas entre mancebos e moças".

"Por isso proíbe as pandorcas e se persistissem que lhos denúnciassem para proceder contra eles.

Em 5 de Junho de 1744 o bispo de Miranda, D. Diogo Marques Morato proíbia também as pandorcas: Não se façam ajuntamentos de homens e mulheres de noite nem pandorcas ou fiadelas sob pretexto algum sob pena de 100 réis e os cabeças de 500 réis".

D. Fr. João da Cruz, bispo de Miranda, em Dezembro de 1755, proíbe bailes, jogos pandorcadas e toda a casta de ajuntamentos de homens com mulheres e as pandorcadas que de noite se costumam fazer.

A aldeia de Vale de Salgueiro, no concelho de Mirandela, tem uma forma bem original de assinalar o Dia de Reis, também chamada Festa dos Rapazes em honra de Santo Estêvão.

Todos os anos, é escolhido alguém para protagonizar a figura do rei, que organiza a festa e traz consigo uma coroa carregada de ouro emprestado pelos habitantes, que vale cerca de 30 mil euros.

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Proíbe ainda os fiadouros públicos que se fazem de noite, assim nas ruas como nas casas por serem ajuntamentos de homens e mulheres, bem como as chamadas festas de St. Estevão por se comporem de pandorcas danças, algazarras e tumultos ocasionados pela eleiçaõ de um rei e outras mais dignidades que nelas elegem por cuja ocasião tem havido mortes e pendências pelos excessos de comes e bebes que nos ditos dias se fazem".

Estes abusos eram punidos com multas pecuniárias, mas também com censuras que iam até à excomunhão. Eram os tempos.

Mas também no século XIX, em 1869 em pleno mês de Dezembro, D. João de Aguiar, 2. Bispo de Bragança e Miranda, fazia sair uma circular em proíba as "pastoradas" do Natal por serem mais que verdadeiras orgias e "certos cânticos que dentro das igrejas fazem oferecendo ramos aos santos os quais cânticos nada têm de sagrado"... Neste ponto não tinha razão o Prelado. Os cânticos do Natal que ainda hoje se cantam em muitas terras e as próprias pastoradas tinham muito de sagrado. Eram autênticos rimances em honra do Deus Menino. O que é certo é que estes costumes estavam bem vivos entre o povo nos séculos XVII, XVIII e até XIX. É o que nos testemunham os documentos do tempo, como tivéssemos ocasião de ver. – Pelo Dr. António Rodrigues Mourinho (Junior).

(...) Um facto que nos salta aos olhos e que é interessante notar é que os Prelados usam mesmo o termo "Pandorca". Este termo usado no século XVII e XVIII tem ainda uma força de classicismo muito forte. O significado da "Pandorca" é muito profundo, a meu ver. Pandora era a divindade grega, senhora de todos os dons. Pan era um deus venerado em toda a Arcádia, na Grécia, e era o protector dos pastores, cabreiros ou cabaneiros e seus gados, mas era também um deus da fecundidade. Se associarmos todas estas ideias encontramos em todas estas festas e celebrações muito da mitologia antiga misturada com mitologia grega, romana e cristã. – Pelo Dr.António Rodrigues Mourinho (Junior).

«Pandorca ó Pandorga» = • s. f. música desafinada e sem compasso;• charivari; • (fig.) mulher gorda, barriguda, desajeitada. < Pan-Thaur-icas.

“Vitorró vitorró Sr. Mordomo(a)! É o seu nome que é particularmente esperado, é ele que recolhe as dádivas e é dele que se espera a boa gestão do rendimento do ramo e das dádivas ao logo do ano e também o apoio incondicional às novas mordomas. Era também ele que noutros tempos tinha uma mesa farta para os forasteiros/festejeiros onde para entrar na casa era apenas necessário o cumprimento/ aclamação “vitorró vitorró Sr. Mordomo!” Mordomo provém do latim maioredomus,- o criado maior da casa, está bem patente a ideia de serviço em prol da comunidade, a razão de ser um jovem e, partindo da análise do pensamento primitivo, terá a ver com o facto, de como deduz Frazer, “O Rei deve ser investido nessa função quando está no auge da sua força, porque contagia essa força ao seu povo e à natureza, da qual o grupo depende”.

Assim, as «Pandorcas» do Mogadouro seriam uma sobrevivência, no Alto Douro, das Dionisícas rurais e o Farandulo pode ter tido nome a partir de *Farando ou *Farão nome que Dioníso teve nestas terras da Lusitânia e que pode ter sido também Marão...ou Mirando, em Mirandela.

Etrusc. Fuflan < Phu-Phar-an ó Phar-Antu + lu => «Farandulo».

O «farandulo» teria sido em tempos do alto paleolítico o jovem guerreiro escolhido para ser em cada ano o herói da terra ou, quiçá, o proximo rei do carnaval que seria sacrificado na sexta feira de Páscoa e que nos alvores do neolítico seria o sacerdote anual de Dioníso.

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Figura 17: Ménades transportando Dionísio Taurocéfalo.

Estas festividades seriam no fundo, não, pelo menos exclusivamente, em honra do filho mas...da Grande Deusa Mãe mediterânica que exigia dos seus adoradores os mesmo dotes aguerridos do seu filho Touro. Na verdade o nome do Mogadouro, que terá sido Mo®ca(-do-)Douro é um rasto étmico fócil disto mesmo! Que o Touro fosse sobrenome de rios de caudal violento já o sabíamos a partir do rio Douro do afamado vinho do Porto. Que isso só prova que o touro era um animal dionisíaco e este um deus ribeirinho prova-o o facto de existiram rios com o seu nome e quase todos famosos por serem regiões vinícolas por onde os missionários do neolítico andaram a espalhar a agricultura...e os cultos báquicos do vinho!

Não se sabe se a expressão Vitorrô seria uma corruptela de “viva o rei” ou a excamalação relatica à força do touro sagrado! De qualquer modo o mordono seria o novo rei-sacerdote das festas do “deus menino”, Dionísio.

Por estas e outras razões é que, ainda que muito cantado por poetas e profusamente celebrado por todos os artistas, os mitólogos nos legaram de Dionísio uma herança fragmentária, complexa e distorçida ao ponto de suporem convenientemente estrangeira, tão contraditória, paradoxal e delirante quanto o próprio deus Dioniso. Para aelém disso, este deus tinha tantos epítetos quantos teve Marduque da Babilónia, apesar de mal visto pelas autoridades dominantes o que só pode provar a sua longevidade na alma popular.

 

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[1] Notar que no Alto Douro, na região da Régua as dornas ainda eram utilizadas em meados do século vinte para o fabrico caseiro de pequenas quantidades de vinhos especiais como por exemplo vinhos brancos, já que o vinho comum era feito com misturas de castas brancas e pretas. A semelhança com a figura do vaso grego reforça a suspeita de que o alto Douro e o Minho foram antiquíssimas colónias minóicas ou helénicas na rota dionisíaca da expansão da cultura mística do vinho.

[2] Coloração cibernética do autor a partir de desenho da obra “Description Des Quelques Vases Peints, Étrusques, Italiotes, Siciliens Et Grecs” de Honoré Théodore Paul Joseph d'Albert, duc de Luynes.

[3] “Samhandoic, cadhon Cabur” Pietet em O culto dos cabiros entre os Antigos Irlandeses.

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