domingo, 9 de dezembro de 2012

APOLO PITIO & ARS HARUSPICINA

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Figura 1: [1]Apolo ou Cadmo? O certo é que o mito da morte da Piton foi repetido e glosado de vários modos, ora em nome do deus supremo Zeus ou de seu filho Apolo, ora como lendas semi-histórica como esta de Cadmo em que a intromissão num domínio religioso e doutrinário, até ai reservado às mulheres, ficou sugerido nesta representação helenística pela presença da deusa Harmonia e Isménia. Ora, é precisamente a presença destas duas deusas que levanta a suspeita de estarmos perante uma mera variante do mito da morte da Piton de Delos por Apolo na medida em que os seus nomes são máscaras que encobrem deidades que costumam acompanhar este deus.

Harmonia < Kar-mau-nia < Kar-| me-an < Ni-ma | -isha

< Kar-minisha / Karnimasha = Har- | tu / na | masha > Ar-te-mis.

Isménia não é senão o masculino de Apolo Isménio, variante do fenício Ishmum.

A cobra, quase sempre ao lado de Apolo, é garantia da profunda antiguidade sagrado deste deus pois que a simbologia da cobra, ao lado dos deuses clássicos, é quase sempre sinal do seu arcaísmo. De resto, ela é também uma alegoria psicanalítica do matricídio da Piton que, segundo Homero, supunha-se ter sido cometido por Apolo, já que a Piton/Tifon era a Kafura, a Deusa Mãe primordial (no caso na forma de Leto, a sua afrodisíaca mãe).

A este respeito Pallas Atenas era seguramente uma irmã sua, tanto na semelhança do nome, como na intimidade com as cobras e, pelo menos, enquanto equivalente funcional de Artemisa, esta sim, reconhecida explicitamente como irmã de Apolo, e quiçá, também a sua esposa!

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Figura 2: Pitian Apolo. Com a lira das artes pacíficas, era de facto o deus que presidia ao «repouso do guerreiro» e, as arte médicas do conforto e da cura e, por isso mesmo, o pai de Esculápio, hauruspex divino, o enfermeiro e massagista dos guerreiros exaustos.

O nome de Delfos tem origem em Delfíneo, epíteto de Apolo originado pela sua ligação com os golfinhos. De acordo com a lenda, Apolo teria ido para Delfos levado por sacerdotes de Creta no dorso de golfinhos. Outra lenda sustenta que chegado a Delfos vindo do norte Apolo parou em Tempe, uma cidade na Tessália, para colher louro, planta que lhe era sagrada. Com base nesta lenda, os vencedores nos Jogos Pítios recebiam uma coroa de louro colhido em Tempe. Na juventude, Apolo matou a terrível serpente Píton, que vivia em Delfos perto da Fonte Castalia, porque Píton tinha tentado violar Leto quando se encontrava grávida de Apolo e Ártemis. Esta era a fonte que emitia os vapores que permitiam ao oráculo de Delfos fazer as suas profecias. Apolo matou Píton, mas teve que ser punido por isso, dado que Píton era filha de Gaia. O altar dedicado a Apolo foi provavelmente dedicado a Gaia originalmente e depois a Posseidon.

É quase garantido que foi o epíteto Delfíneo de Apolo que derivou de Delfos e não o inverso porque o nome do monte Parnassos reporta-nos para a cultura cretense a que esta cidade estaria ligada nos tempos minóicos. Por sua vez Delfos reporta-nos para Telepino, o deus de morte e ressurreição solar hitita. Pois bem, este deus, filho da deusa mãe, Gaia ou Cibele era a cobra macho dos cultos elêusicos ou e o falo da cesta mística. Um dos nomes deste deus cretense teria sido Sarpedon, ou seja, Kar-Phiton. O monte Parnasso teria sido Kar-an-assos, ou seja Crono, filho de Gaia.

Parnassos < Pharan-ashu, “filho de Kaurano / Crono”!

Pausanias claimed that the Sibyl was "born between man and goddess, daughter of sea monsters and an immortal nymph". Others said she was sister or daughter to Apollo. (…) The Delphic Sibyl has sometimes been confused with the Pythia, who gave prophecies at the Delphic Oracle. The two are not identical, and should be treated as separate figures.

Obviamente que as conclusões dos mitógrafos nem sempre são de seguir à letra. A suposta possibilidade de a Sibila ser a mais arcaica detentora do oráculo de Delfos impede a possibilidade de terem existido dois oráculos concorrentes na cidade que seria o umbigo do mundo helénico.

Quase seguramente esta Sibila seria a anatólica Cibele que localmente teria sido conhecida por Dáfne pela relação do loureiro com o oráculo, ou vice-versa. Na verdade o nome Dáfne seria uma arcaica variante cretense do nome da deusa Terra.

Dáfne < De-(el)-Phi-Ana < Te-Ki-Ana => Atena

Na mitologia grega, Dafne (do grego Δάφνη, que significa "loureiro") era uma ninfa, filha do rei Peneu. Apolo foi induzido a apaixonar-se por ela com uma flecha de Eros. Este mesmo deus do amor e do ódio acertou em Dafne com uma flecha de chumbo, que fez a ninfa rejeitar um amor de Apolo. Apolo, porém, começou a persegui-la. Cansada de fugir, pediu ao deus que a livrasse da situação. Ele, então, transformou-a num loureiro. Apolo disse: "Se não podes ser minha mulher, serás minha árvore sagrada".

Na verdade, muito antes da chegada de Apolo havia um oráculo instalado na encosta do Monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Temis ou Febe. Outros reivindicaram que teria sido a Sibila Dafne a receber originalmente os poderes sibilinos de Gaia, que passou o oráculo a Têmis que depois o passou a Febe (Phoebe). Obviamente que Feve seria Artemisa, a irmã gémea de Apolo Febo.

Mais tarde ele teria passado para a presidência de Poseidon, e somente em data relativamente tardia teria sido assumido por Apolo. Essa versão é confirmada por evidências arqueológicas, tendo ali sido encontrados artefactos sagrados de data tão antiga quanto cerca de 1600 a. C. a relação do oráculo de Delfos com Poseidon relacionam novamente este culto com Creta. Apolo seria assim um deus cretense como o atesta a sua relação com Apolo Carneios e com mitos florais de pederastia iniciática.

 

Ver: APOLO KARNEIOS (***)

 

PHARMAKOS

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Segundo Demóstenes, Atenas tinha Apolo Pítio como seu ancestral e por isso ali lhe foi sempre prestado culto. Em boa verdade Demóstenes estaria a referir-se ao mítico Kekrops que muitos helenistas seriam tentados a confundir com a cobra Piton. Como tal seria ofensivo para os atenienses acabaria por relacionar este monstro marítimo mítico com Apolo Pítio. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e noutras cidades gregas da Ásia no mês de Targelion, Maio.

Cecropis não seria tanto o nome mítico do arcaico primeiro vivente nem sequer o nome do primeiro colonizador cretense da Ática mas muito possivelmente o nome arcaico de Sacar / Saturno, filho e esposa de Geia.

Las Targelias (griego θαργήλια) eran una de los principales festividades religiosas atenienses en honor de Apolo y Artemisa, celebrados en su cumpleaños, el sexto y séptimo día del mes de Targelión (hacia el 24 y 25 de mayo).

Esencialmente un festival agrícola, las Targelias incluían una ceremonia purificadora y expiatoria. Mientras el pueblo ofrecía los primeros frutos de la tierra al dios en muestra de agradecimiento, era al mismo tiempo necesario propiciarlo, para que no arruinara la cosecha por el calor excesivo, posiblemente acompañado de la peste. La purificación precedía al servicio de acción de gracias. Sobre el sexto día unas ovejas eran sacrificadas a Deméter Cloe en la acrópolis, y quizás unos cerdos a las Moiras, pero ritual más importante era el siguiente.

Dos hombres, el más feo que podía ser encontrado (los Pharmakoi) era escogido para morir, el otro (según algunos, una mujer) por las mujeres. En el día del sacrificio eran llevados por todas partes con cuerdas de higos en sus cuellos, y azotados en los genitales con varas de higuera y esquilas. Cuando alcanzaban el lugar del sacrificio en la orilla, eran apedreados hasta morir, sus cuerpos quemados, y las cenizas tiradas al mar (o sobre la tierra, para fertilizarla).

Se está de acuerdo en que un verdadero sacrificio humano tenía lugar, reemplazado en épocas posteriores por una forma más leve de expiación. Así en Leucas un criminal era anualmente lanzado de una roca al mar como chivo expiatorio: pero su caída era atenuada por aves vivas y las plumas se pegaban conectaban a su persona, y los hombres miraban desde abajo en barcos pequeños, quienes lo atrapaban y acompañaban más allá del límite de la ciudad. De forma semejante, en Massilia, con ocasión de una gran calamidad (una plaga o la hambruna), uno de los habitantes más pobres se ofreció voluntariamente como chivo expiatorio. Durante un año fue alimentado a expensas públicas, vestido con prendas de vestir sagradas, conducido por la ciudad en medio de execraciones, y expulsado más allá de los límites de la ciudad.

La ceremonia del séptimo día era de carácter alegre. Toda clase de primicias eran llevadas en procesión y ofrecidas al dios, y en las Pianopsias, ramas de olivo vendadas con lana, llevadas por niños, eran fijadas por ellos en las puertas de las casas. Estas ramas, originalmente pensadas como amuletos para evitar las malas cosechas, fueron después consideradas parte de un servicio suplicante. En el segundo día los coros de hombres y niños tomaban parte en los concursos musicales, cuyo premio era un trípode. Además, en este día eran adoptadas personas que eran solemnemente recibidas en los genos y las fratrías de sus padres adoptivos.

As targélias seriam festas taurinas cretenses em honra de Saturno nas quais haveria sacrifícios humanos em tempos arcaicos do domínio minóico.

Era basicamente um rito purificador e expiatório, às vezes combinado a ritos de fertilidade celebrando as colheitas. Obviamente que este rito tinha origem comum com a festa judaica do Kippur.

                                                                     > Ki-phura > «Kippur».

Tharge-lia < Thar-ke = Ke-Thar < Ke-Kaur + aco

=> Kekrops > Cecrop(i)s.

O bode expiatório era um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimónias hebraicas do Kippur, o Dia da Expiação, à época do Templo de Jerusalém. Este rito é descrito na Bíblia.

Levítico, capítulo 16: 7Também tomará os dois bodes, e os porá perante o Senhor, ã porta da tenda da revelação. 8E Arão lançará sortes sobre os dois bodes: uma pelo Senhor, e a outra por Azazel. 9Então apresentará o bode sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá como oferta pelo pecado; 10mas o bode sobre que cair a sorte para Azazel será posto vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele a fim de enviá-lo ao deserto para Azazel. (…) 20Quando Arão houver acabado de fazer expiação pelo lugar santo, pela tenda da revelação, e pelo altar, apresentará o bode vivo; 21e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, sim, todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso. 22Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região solitária; e esse homem soltará o bode no deserto.

O nome de Azazel (como poder sobrenatural) significa "deus-bode". Na demonologia mulçumana, Azazel é a contraparte do demônio que refusou a adorar Adão ou reconhecer a supremacia de Deus. Seu nome foi mudado para Iblis (Eblis), que significa "desespero". Em Paraíso Perdido (I, 534), Milton usa o nome para o porta bandeiras dos anjos rebeldes. Azazel é assim o destino do bode expiatório que carregava os pecados de Israel para o deserto no Iom Kipur (Lev. 16). Dois bodes idênticos eram selecionados para o ritual. Um era escolhido, por sorteio, como oferenda a Deus, e o outro era enviado para Azazel, no deserto, para ser lançado de um penhasco. O sumo sacerdote recitava para o povo uma confissão de pecados sobre a cabeça do bode expiatório, e uma linha escarlate era enrolada, parte em volta de seus chifres, parte em volta de uma rocha no topo do penhasco. Quando o bode caía, a linha tornava-se branca, indicando que os pecados do povo haviam sido perdoados. Embora a palavra Azazel possa se referia a um lugar, ou ao bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. Os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza. Os cabalistas viam no bode um suborno às forças do mal, para que Satã não acusasse Israel e, ao contrário, falasse em sua defesa. Azazel é também o nome de um anjo caído. – Morte Súbita inc.

El pharmakos es un rito de purificación ampliamente utilizada en la Grecia Antigua. Para combatir una calamidad, una persona era escogida y arrastrada fuera de la ciudad, donde a veces se la mataba. Esta víctima sacrificial, inocente en sí misma, era considerada un chivo expiatorio, cargada con todos los males de la ciudad. Su expulsión debía permitir purgar la ciudad del mal que la aquejaba, de donde la ambigüedad del término que podía significar tanto «remedio» como «veneno».

Nem todos os autores consideram que seria tão inocente quanto isso embora a natural repugnância desta escolha motivasse que com o tempo ela se fosse civilizando com variantes locais. Assim sendo alguns consideravam que estas vítimas seriam necessariamente voluntárias; outros que seriam um escravo: um aleijado ou um criminoso; outros que seriam as pessoas mais feias ou disformes da comunidade. Também o destino das vítimas varia com a sensibilidade do estômago dos relatores.

No primeiro dia do Thargelia, dois homens, o Pharmakoi, eram conduzidos para fora da cidade para serem sacrificados como expiação. Alguns estudiosos afirmam que os pharmakoi seriam sacrificados de facto (lançado de um precipício ou queimados), mas muitos estudiosos modernos rejeitam isto, afirmando que as fontes mais precoces sobre os pharmakoi (o satírico iâmbico Hipponax) referem espectáculos em que os pharmakoi seriam espancados e apedrejados mas não executados. Obviamente que as fontes escritas mais recentes não invalidam tradições orais mais antigas nem sobretudo práticas arcaicas mais bárbaras que se inferem subjacentes a escritos clássicos e sobretudo a relatos de outros povos onde estes costumes bárbaros sobreviveram até mais tarde como entre os fenícios.

Obviamente que o sacrifício de Isaque corresponde a uma reminiscência da época dos sacrifícios humanos de crianças e do “bode expiatório” dos pharmakoi helénicos que seriam metaforicamente o remédio purgativo da cidade que fazia bem como catártico mas seria tão amargo de beber como veneno e que acabaria por ser modificado para formas mais doces de o tomar.

El pharmakos ha sido objeto de estudio por parte de varios filósofos modernos. Jacques Derrida ha analizado en La pharmacie de Platon los significados opuestos del término. René Girard lo ha hecho uno de los fundamentos de su teoría del chivo expiatorio en La violence et le sacré.

Embora a cadeia de palavras pharmakeia-pharmakon-pharmakeus aparece várias vezes nos textos de Platão, ele nunca usa um termo próximo relacionado, pharmakos que significa “bode expiatório”. De acordo com Derrida, o facto de não ser usado por Platão que não indica que a palavra esteja necessariamente ausente, ou melhor, já está sempre presente como um “traço”. Certas forças e tendências de associação linguística unem as palavras que são “de fato presentes” num texto com todas as outras palavras no sistema léxico, quer elas aparecem ou não como palavras em tal texto. O Derrida mostra que a cadeia textual não é simplesmente um “interioridade” do léxico de Platão. É facilmente possível reivindicar que toda as palavras da “pharmaceutica” [outro componente da mesma cadeia] se fazem de fato apresentar no texto, embora sempre escondido por trás, mas mostrando-se sempre com cautela.

É no quarto das traseiras, nas sombras da farmácia, antes das oposições entre consciente e inconsciente, liberdade e constrangimento, voluntário e involuntário, falar e linguagem que estas “operações” textuais ocorrem.

O que está aqui em destaque é a mesma ideia dicotómica de interior/exterior; se a palavra pharmakos que Platão ainda não usa ressoa dentro do texto, então não pode haver nenhuma possibilidade de encerramento até onde um texto diz respeito. Se o exterior está sempre algures como parte do interior, no trabalho interior, então o que é o estatuto dos conceitos “presente” e “ausente”, “corpo” e “alma, “centro” e “periferia”? (…)

Na antiga Atenas, o ritual do pharmakos foi usado para expelir e deitar fora o mal (fora do corpo e fora da cidade). Para conseguir isto, os atenienses mantiveram vários desterrados às custas do Estado. No caso de qualquer calamidade, eles sacrificaram os desterrados como uma purga e um remédio. O pharmakos, o “bode expiatório”, o “marginalizado” foi lançado fora das paredes de cidade e morto para purificar o interior da cidade. O mal que tinha afectado a interior da cidade é afastado e devolvido ao exterior para sempre. Mas, ironicamente, o representante do exterior (o pharmakos) foi persistindo no entanto no verdadeiro coração do interior, a cidade, e também na despesa pública. Para ser conduzido para fora da cidade, o bode expiatório tinha também que ter estado já dentro da cidade. “A cerimónia do pharmakos decorria fora dos limites das muralhas entre o “interior” e o “exterior” da cidade que tem como função fracturante a de localizar e retrair.

Do mesmo modo, o pharmakos estava na fina linha vermelha entre sagrado e o maldito, enquanto benéfico para a cura - e por isso, venerado e cuidado - ou prejudicial e venenoso quando encarna os poderes de mal - e por tanto, temido e tratado com cautela.

Ele é o endireita que cura e ele é o veneno criminoso que é a encarnação dos poderes de mal. O pharmakos está como um medicamento, pharmakon, no caso de uma doença específica, mas, como a maioria dos medicamentos, é ele, simultaneamente, um veneno, tudo o mesmo mal. Pharmakos, Pharmakon: eles expiam ambos os lados por serem e não serem ao mesmo tempo de lado algum. Ambas as palavras levam dentro deles mais de um significado, quer dizer, significados contraditórios. Pharmakos não quer dizer apenas “bode expiatório”! Passa a ser também um sinónimo para pharmakeus, uma palavra frequentemente repetida por Platão, enquanto significando “bruxo”, “magico”', até mesmo “droga venenosa”. Nos diálogos de Platão, Sócrates é descrito frequentemente com o termo pharmakeus. Sócrates é considerado como um que sabe executar magia com palavras nas não, notoriamente, com cartas escritas.

As palavras dele agem como um pharmakon (como um remédio, ou supostamente como um veneno até onde a autoridade ateniense esteja preocupada), muda e cure a alma do ouvinte.

Os fármacos eram assim sobreviventes semânticos dos nomes arcaicos dos estrangeiros sacrificados à deusa mãe Artemisa.

Pharmakos < Kar-ma-ki-ush = Kar-ki-ma-ush > Artemis.

Ora, se Artemisa foi deusa das artes médicas Apolo também teve relações íntimas com ela tanto pelo mito de Esculápio como pelo encantamento órfico pela música e com as artes mágicas da adivinhação sibilina e pitonisa e pela inspecção profética do corpo dos animais sacrificados aos deuses!

Só alguma desatenção cultural pode ter impedido de reparar que deve ter existido uma inevitável relação, funcionalmente significante, entre as funções mágico-religiosas dos arúspices (assim descritas, aparentemente, como apenas formais porque exclusivamente rituais), e as modernas funções sanitárias dos veterinários, dos médicos de saúde pública ou/e dos anátmo-patologistas forenses. Do mesmo modo, é incontornável pensar que o ritual do “bode expiatório” seria uma forma arcaica de saúde pública, uma forma de praticar artes de cura mágica a nível das comunidades citadinas.

A seu tempo se verá também que os sacerdotes que praticaram sacrifícios humanos, particularmente os astecas que o faziam por cardiotomia com abordagem trans-diafragmática abdominal, eram eminentes médicos legistas ao serviço do sistema penal mágico e religioso da época tal como muitos reputados torturadores da inquisição!

Ora, nem por acaso, as divinas funções saneadoras e “sanitárias” atribuídas ao deus Apulo dos etruscos são inequívocas.

 

Ver: APULU (***)

 

A inspecção das vísceras era inevitavelmente natural logo durante a partilha colectiva dos despojos de caça. A correlação empírica entre certos aspectos macroscopicamente visíveis no interior das carcaças e o estado de saúde dos respectivos animais deve ter começado a ter particular interesse sobretudo em épocas de zoonoses e outras pestilência transmissíveis por animais selvagens. De igual modo, certos sinais relativos a variações nos hábitos alimentares desses animais abatidos poderia permitir estabelecer correlações intuitivas, que hoje chamaríamos de estatisticamente significativas, relativamente à previsão de calamidades naturais, fossem estas resultantes de variações climáticas, foram estas decorrentes de variações insidiosas nos ecossistemas. Esta mesma perícia empírica, adquirida em tempos de caça e recolecção, iriam, já no período da pastorícia, ser transmitidas para a inspecção ritualizadas animais domésticos sacrificados aos deuses.

Porém, como quem determinava a doutrina eram os próprios praticantes das mágicas artes compreende-se que, dado o estado incipiente das mesmas artes e a sua mais que provável falibilidade, as instituições e os mitos tenham manifestado aspectos de salvaguarda ideológicos atirando para as costas dos deuses as responsabilidades pelos maus augúrios, razão pela qual «Aplu may also bring plague and sudden death to men.»

Occorrerebbe uno studio specifico e più approfondito per determinare fino a che punto Tagete, Ermes, Mercurio, Ganimede, Cadmilos e Pale si rapportino fra loro. Ma, ai nostri fini, è sufficiente evidenziare, al momento, che i Greci, con la duplice identificazione del loro Cadmilos-Ermes con l'etrusco Cadmilos, e di Ermes Ctonio con il dio tarquiniese Tagete figlio di Genio (uno dei Penati etruschi) ponevano un ponte fra i Grandi Dei della Religione Misterica, praticata nel bacino orientale del Mediterraneo, e le divinità etrusche.(…)

«Tagete, figlio di Genio, nepote di Giove»[2]-- LA RELIGIONE DEI MISTERI.

Génio < Ki-aniho < Enki-Kaku ó Ki-tan-ico > Ctónio.

Catemite < Catemi®-te > Cademil-ish > Cadmilos.

                    Artermisa ó *Kartu-mito > (Karmi)u ó Hermes.

The Etruscan Religion was, like Christianity and Judeism, a revealed religion. An account of the revelation is given by Cicero. One day, says the legend, in a field near the river Marta in Teruria, a strange event occurred. A divine being rose up from the newly ploughed furrow, a being with the appearance of a child, but with the wisdom of an old man. The startled cry of the ploughman brought lucomones, the priest kings of Etruria hurrying up to the spot. To them, the wise child chanted the sacred doctrine, which they reverently listened to and wrote down, so that this most precious possession could be passed on to their successors. Immediately after the revelation, the miraculous being fell dead and disappeared into the ploughed field. His name was Tages, and he was believed to be the son of Genius and grandson of the highest God, Tinia (or Jupiter as he became known to the Romans). This doctrine was known to the Romans as the disciplina etrusca. The disciplina etrusca seems to have comprised three categories of books of fate. The first was that of the libri haruspicini, which dealt with divination from the livers of sacrificed animals; the second, the libri fulgurates, on the interpretation of thunder and lightning; the third, the libri rituales, which covered a variety of matters. They contained, as Festus says, "prescriptions concerning the founding of cities, the consecration of altars and temples, the inviolability of ramparts, the laws relating to city gates, the division into tribes, curiae and centuriae, the constitution and organization of armies, and all other things of this nature concerning war and peace”. Among the libri rituales were also three further categories: the libri fatales, on the division of time and the life-span of individuals and peoples; the libri Acherontici, on the world beyond the grave and the rituals for salvation; and finally, the ostentaria, which gave rules for interpreting signs and portents and laid down the propitiatory and expiatory acts needed to obviate disaster and to placate the gods..[3]

Lucu-mones < Lugo-Maun < Ruku Mean < *Kar-Manes, lit. «sacerdotes das artes Carminae, de Artemisa e ... Apolo

                           Brâmanes < War man(es) < *Kur-Min > Phar-mean > Phra Min(es) > Flamines.

Tarchies ó Ta®ges > Nórd. targa, = escudo > Fr. Targe > «tarja».

                                   < Ta®get ó Tag-et > Tagito ou Caquito, filho de Caco».                    < Ka®-kish ó Ishkur, «o deus menino, filho de Kur/Kaku» º Horus º Eros.

Nesta gema de antigos ritos gnósticos Tages aparece com o nome secreto de Iwa, o que o correlaciona como Yaweh judaico ó Gnostic. Geu ó Egipt. Gebo. A aparência gnóstica desta deidade com cabeça de galo faz pensar numa ave da aurora como a Fénix de que Anzu e o Espírito santo seriam variantes. As cobras da sabedoria reportam-nos para os Apkallu.

Ora bem, a subtileza das conotações étmicas revela-se precisamente no pormenor das pequenas coincidências míticas, como no facto de a «tarja» ter sido um escudo antigo reporta-nos para a Figura 3 onde Tageto aparece em postura de virtude guerreira com escudo onde se encontra escrito o seu nome secreto.

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Figura 3: Tages, portrayed as a young man with two snakes as legs

Tagès, dieu étrusque, adopté par les Romains, le plus grand des devins. Il sortit un jour d'une motte de terre, sous la charrue d'un laboureur, aux environs de Tarquinia. Sa taille était celle d'un nain, mais dès sa naissance il fit entendre des paroles d'une profonde sagesse : c'est lui qui enseigna aux Étrusques la divination et la science des auspices. On lui attribuait des livres prophétiques. Il enseigna l'art de lire l'avenir dans les entrailles d'un animal sacrifié (hiéroscopie et hépatoscopie).

Ora bem, a ideia de que os escudos metálicos antigos seriam, quando polidos, o espelho, ou pelo menos e sobretudo no caso de entidades mítica da alma do seu dono, explica parte do mito de Perseu e das gorgónias bem como a suspeita de que a cabeça da medusa no escudo de Atena ser uma forma de enganar com a verdade oculta a verdadeira identidade da deusa enquanto variante da arcaica deusa mãe das cobras cretenses!

 

Ver: EGIS (***) & ESCUDO DE AQUILES

        INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA MÍTICA (***)

 

"Haruspicy" is a method of divination that was practiced by the ancient Etruscans, who had an advanced civilization in Italy before the Roman Empire. In fact the Romans learned much of their culture and art from the Etruscans (or Rasna as they called themselves). They also brought the art of writing to Europe: the Latin alphabet is mostly derived from the Etruscan, and Runes are based on a northern Etruscan alphabet. Although the Etruscans have been called The People of the Book, very little of their writing survives. Their language is mysterious, being non-Indo-European and apparently unrelated to all other languages in the area; it has been only partly deciphered, and that quite recently. [4]

O facto de a língua etrusca não ser indo-europeia permite-nos suspeitar que pertenceria a um povo autóctone como os plágios da Grécia que no fundo não seriam senão o povo péri-mediterrânico do império marítimo cretense. Se é certo que povos indo-europeus, como os persas e os hindus, formaram culturas de livro, a verdade é que a mais antiga tradição escrita seria suméria e, quiçá ainda mais antiga, a cultura insular mediterrânea centrada na talassocracia cretense que iria desde as Canárias às Baleares, da Córsega à Sicília e de Malta passava por Creta até às Cíclades e a Chipre.

Arúspice • (< Lat. (h)aruspex), s. m. «sacerdote romano que predizia o futuro pelo exame das vísceras das vítimas oferecidas em sacrifício aos deuses».

«Augure» • (< Lat. augure), s. m. «sacerdote romano que predizia o futuro pelo canto e voo das aves ou pela maneira como elas comiam; • adivinho; • arúspice».

Arúspice < Lat. Haru-spex < Kar-hau | shphich < *espik-

> Lat. Especulo < Kaur aush Ki-kaki < Kar-ish Wiash, lit. “fogo (dos infernos) do Kur”

 <= Ishkur / Ishtar.

Quer assim dizer que a raiz semântica da visão inspectiva teria necessariamente que ver com o culto do fogo e da luz sem a qual seria impossível ver na escuridão da ignorância!

Com este termo andava relacionado o conceito de Augure.

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Figura 3: augure vaticinando o destino pelo voo dum pato bravo!

Augure < Hau-sgur(e) < Kau-ish-kur, literalmente a visão de animais (ao longe) sobre os montes, seguramente um resultado inspiração divina do voo tenebroso das árvores de rapina que pronunciam os temporais.

O termo haruspex não é seguramente um termo de fabrico latino mas sim de raiz hitita e, talvez, etrusco. No entanto partilha com os augures a primeira parte da sua raiz *kaurish-/ harus, relativa a animais.

Etrusc. Neth-shrac <= net-shvis <= neth-shvis = haruspex <= nes- = morto, defunto < nesna = relative a morte.

Nota: Neith era uma deusa da noite, da morte e do luar. Nes < Nix < *An-ish > Neith. ó Nĭtĕo,(gen. plur nitentūm, Verg. Cir. 523), v. n. [etym. dub; cf. nix], lustroso, luminoso, luzente, brilhante (cf., luceo, fulgeo, splendeo).

Specto, āvi, ātum, = to look at, behold; to gaze at, watch, observe, etc. (freq. and class.; syn.: adspicio, speculor, conspicor, contueor).

A terminação etrusca -shvis deve ter correspondência no radical latino specto de tal modo que:

    -Shvis < shewe < *shek(is) > Engl. check

                                *shek(is) < *Ish-ki-(ish)

                                              < *Ish-kitu > Ishkau-phiki > skophia < Grec. Skopia                                                 *Ish-kitu > Sphe-Citu > lat. specto.

        «Esquisito» < Lat. exquisitu <= *Ish-kitu.

Esquisito é, por definição, a anormalidade de tudo o que serve de indício de mau ou bom augúrio! «Esquisito» seria o filho de *Ishku®, Ninsiku, um epíteto de Enki. Assim, o poder duma boa inspecção derivada da luz da aurora trazida por Lúcifer / Ishkur, filho de Enki.

Ninsiku, previously misread as a Sumerian phrase nin-igi-ku, "Lord of the bright eye", epithet of Ea.

*Ish-kitu foi seguramente uma variante do nome do «deus menino»,

O prefixo Haru- deve ser correlativo do nome da deusa grega Ker, a «da negra morte», e corresponder a uma variante do nome de Istar que no corredor sírio tinha Anat por alternativa ou seja, Inana/Istar <= Ker/Kali (Ana) => Hera Afrodite/Atena o que permite permutar Haru- por Neth para obter um nome de origem comum entre Haruspicy e net-shvis. Além disso, a mútua fusão destes termos teria mesmo dado origem ao termo etrusco intermédio Neth-shrac.

Neth- + -Shvis + Haru- = Haruspicy + net-shvis = Neth-sh(u)rac???

A origem hitita dos etruscos poderá ser discutível em termos de pormenor, no sentido de que, por ventura não terá sido bem da Anatólia que os rashna vieram mas duma das muitas ilhas do mar Egeu que foram outrora afectadas pela catástrofe de Santorini.

 

Ver: SERIAM OS ETRUSCOS PARANÓICOS? (***)

 

Caile Vipinas = (n.pers.m.) name of an Etruscan hero (known in the Latin sources as Caelius Vibenna).

A verdade é que...é bem possível que o herói etrusco em causa não seja senão uma variante hitita ou da Anatólia do nome de Apolo.

Lat. Caelius Vibenna < Etrusc. Caile Vipinas < *Kyrie Kiki-Anu

Ø     Telle-wihinus > Telephinus > Telepinus.

Ø     Kaphalywnas > Appaliunos.

Ø     Tal-ush-an > Talos.

Lat. augure < Kaukur = Kur-kau ó Sacer.

ð    Enki + Kar ash A

ð    Kaur Kian > Tar kian ó *Horathian, possibilidade que explicará o trocadilho lendário da guerra entre os «horácios e coriáceos» ó Ratian > Latian> Latim.

ð     Loxias (Apolo).



[1] Projecção quadrangular de vaso grego feita ciberneticamente pelo autor.

n  Festo, s.v. Tages.

[3] T OF HARUSPICY which is THE ETRUSCAN DISCIPLINE, by John Opsopaus

[4] THE ART OF HARUSPICY, which is THE ETRUSCAN DISCIPLINE by John Opsopaus.

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