segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ETIMOLOGIA E ORIGEM DO CULTO DE APOLO, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Hércules & Apolo lutando pelo trípode de Delfos ou reminiscência de uma mera tentativa de recuperação do anterior poder matriarcal cretense aqui representado por Atena.

Segundo a opinião erudita mais corrente “Ἀπόλλων, Apóllōn, deus de aparente origem oriental, nunca citado em grego micénico, não tem ainda uma etimologia satisfatória.” No entanto, a verdade é que não a tem porque o peso da tradição clássica assim o sugere.

SÓC. - Entonces, en virtud de las liberaciones y abluciones - en la medida en que es médico de tales males -recibiría con propiedad el nombre de Apoloúōn (el que la va). Y, en virtud de la adivinación, la verdad y la sinceridad - pues son la misma cosa -recibiría con toda propiedad el nombre que le dan los tesalios; pues todos ellos llaman Aplóun (Ἄπλουν) a este dios. Y, en razón de su dominio del arco, por estar siempre disparando, es aei bállōn (Ἀει-βάλλων constante disparador). (…)

Éste es el dios que preside la armonía, simultaneando to-das estas «rotaciones» (homopolôn) tanto entre los dioses como entre los hombres. (…)

Y, sin embargo, este nombre, como decíamos hace un instante, fue impuesto porque abarca todas las virtudes del dios: «sincero» (haploûs), «constante disparador» (Ἀει-βάλλων), «purificador» (ἁπλοῦν), rector de la «corotación» (homo-poloûn). Crátilo, PLATÓN.

É óbvio que Sócrates tentava uma forma de etimologia racional procurando a essência dos nomes extraída da virtude da sua constância significante no que veio a ser intuído como raiz semântica das palavras. No entanto, é óbvio que algumas referências socráticas sobre o significado do nome de Apolo a partir das semelhanças fonéticas de palavras gregas e as supostas virtudes do deus são infantis. Entre ἀπόλυσις (redimir) e ἀπόλουσις (purificação) existe apenas uma pequena variação fonética que pode corresponder apenas a diferenças de dialecto com ligeiras flutuações semânticas. No resto, a boa vontade socrática enferma do mesmo pecado original da etimologia racional que é o de cometer a impiedade de supor que são as coisas que dão nome aos deuses e não a inversa.

Hesíquio o liga com o dórico ἄπελλα, ápella, ou ἁπέλλαι, apéllai, "assembleias do povo", onde Apolo, como inspirador, seria o "guia" ou "pastor" do povo, de modo que Apolo seria o deus da vida política e também dá a explicação σηκος ("aprisco"), que faria de Apolo o deus dos rebanhos. Mais tarde, os gregos também associaram seu nome com o verbo απολλυμι, apollymi, "destruir".

Mais uma vez se confirma que a etimologia clássica helenista sofria do preconceito racionalista e blasfemo de fazer derivar os deuses das coisas em vez de pensar de acordo com a piedade comum de que teriam sido os deuses a criar as coisas. De modo particular se deverá referir que a relação do dórico απελλα com as assembleias populares para que se «apelava» por justiça derivavam dum termo sumério que já estaria no âmbito dos apelos por socorro e cura aos deuses curativos a que Apolo pertenceu desde sempre.

Nesta linha de pensamento alegórico racionalista muito de poderia deduzir ou induzir sobre o nome de Apolo por ser este o deus que personifica o poder da sublimação especulativa que na ausência de uma fé cega dirigida e controlada por poderes teocráticos em vez de redundar em teologia dogmática redunda em fantasiosa filosofia.

(…) O nome de Apolo poderia ter derivado de um *Apo-ollon combinação pré-helenica provavelmente relacionado a um verbo arcaico *Apo-ell - e significando literalmente o que “enxota e deita fora. Realmente, ele parece ter personificado o poder para dispersar e repelir o mal, que foi relacionado com o seu poder de com o sol matutino dispersar a escuridão e o poder da razão e profecia para dispersar a dúvida e a ignorância.[1]

Há duas teses sobre a origem de Apolo: uma a deriva do Oriente, e a outra dos dórios e suas apéllai (também relacionadas ao mês Apellaios). Segundo W. Burkert, componentes de várias origens são discerníveis em seu culto: um grego dórico, um cretense-minoico e um sírio-hitita.

Segundo a primeira opinião, tanto o Apolo grego quanto o Apulu etrusco chegaram ao Egeu durante a Idade do Ferro (1100 a.C. - 800 a.C.) da Anatólia. Homero o descreve ao lado dos troianos, contra os aqueus, durante a guerra de Troia e o deus tem semelhanças com uma divindade lúvia, Apaliunas, que parece ter vindo de ainda mais longe a leste. Na Idade do Bronze Tardia (1700 a.C. - 1200 a.C.), o hitita e hurriano Aplu, assim como o Apolo homérico, era um deus das pragas e se assemelhava ao deus-camundongo Apolo Esminteu. Tem-se aqui uma situação apotropaica, na qual um deus que originalmente trazia a praga era invocada para terminá-la, fundindo-se com o tempo com o deus micênico da cura Péon, Paieon (PA-JA-WO em Linear B); Peã, Paean, na Ilíada de Homero, era o grego que curou os ferimentos de Ares e Hades. Em autores posteriores, a palavra tornou-se mero epíteto de Apolo enquanto deus da cura.  

Parece que o culto clássico de Apolo seria uma forma refinada de paternalismo, desenvolvido na Anatólia a partir de mitologias ainda mais arcaicas em cultos de morte e ressurreição solar relacionados com antiquíssimos ritos de passagem.

Apolo, que presidiria a estes ritos de iniciação guerreira de efebos, foi um deus das castas guerreiras hititas e troianas recebido por meio dos hurritas das mitologias caldeias que acabou por ser transformado num culto de mistérios aristocráticos, inteiramente refinado de acordo com os padrões olímpicos e patriarcais mas com alguns laivos arcaicos matriarcais e minóicos expressos no culto de Artemisa, na sua relação com as sibilas enquanto Apolo Pitio e com os oráculos de Delfos e de Delos e em alguns títulos que o escondem mal na face oculta de Helios Escotaios, bem como na relação com o seu irmão gémeo Hermes Psicopompo.

 

APOLO LUVITA

Apaliunas é uma deidade luvita atestada entre os deuses da Anatólia ocidental numa inscrição dum tratado. Apaliunas É considerado o original do qual Apolo dos Helenos como também dos Apulu do Etruscos, talvez independentemente, derivou os nomes e as funções.

Apaliunas está entre os deuses que garantem um tratado preparado aproximadamente em 1280 BCE entre Alaksandu de Wilusas, "Alexander de Ílios" e o grande rei de Hitita Muwatalli II. Ele é um das três deidades nomeadas do lado da cidade. Em Homero, Apolo é o construtor das paredes de Ílios, um deus do lado de Tróia. O deus de Hurrita Aplu era uma deidade da pestilência — trazendo-a, ou, se propiciado, protegendo dela — e se assemelha a Apolo Sminthos, adorado em Tróia e Tenedos e que trouxe a peste aos aqueus em resposta a uma oração dos Troianos na abertura de Ilíada.

Quanto ao luvita Appaliunas, se já é quase a forma final de Apôllon também pode ser quase o suposto *Apulunas hitita mas, em rigor fonético, não é ainda inteiramente nem um nem outro!

A forma lídia Pλdâns é pouco segura, uma vez que até a leitura da palavra é posta em dúvida.

In the oldest texts, eg. the Hittite Code, the Luwian-speaking areas were called Luw-iya. In the post-Hittite era, the region of Arzawa came to be known as Lydia (Assyrian Luddu, Greek Λυδία), where the Lydian language was in use. Luwian is either the direct ancestor of Lycian, or a close relative of the ancestor of Lycian.

The Hittite testimony reflects an early form *Apeljōn, which may also be surmised from comparison of Cypriot Απειλων with Doric Απελλων. -- Hans G. Güterbock, "Troy in Hittite Texts?" in: Mellink (ed.), Troy and the Trojan War: a symposium held at Bryn Mawr College, October 1984, Bryn Mawr Archaeological Monographs. Authors John Lawrence Angel, Machteld Johanna Mellink, 1986

Dizer-se que a forma Lídia “Pλdâns é pouco segura, uma vez que até a leitura da palavra é posta em dúvida” é quase não querer que Apolo tenha sido mesmo troiano. Na verdade a forma Lídia é mesmo o achado arqueológico mais sugestivo nesta série na medida em que pode ser lido com os defeitos de escrita do fenício como não tendo senão as vogais determinantes como *Apalu-danes, que o faria então filho de Latona.

Se como reparamos já a Lídia e a Lícia eram meros dialectos do mesmo povo na mesma língua, possivelmente minóica, podemos inferir que na Anatólia Apolo era adorado sobretudo na região de Tróia.

                                 > Luk- > Lyth => Lídia.

Apa-| liu-nas < Lyw-an < Luw-(iya) > Lup => Apolo Liceu < Lykian > Lícia.

     Apolónio ó Apa-ly-w-(an) > Apa-lu > Hurrit. Ap(a)lu > Acadic. Aplu

                                                                  > Grec. *Apaulo > Apolo.

Apulu < Hit. Apulunas > Apalysh-an > Micenic. *Apeljōn

                        < Appaliunas < Lik. Apaliwanas < Apa-lykan > Apa-lathan

> Lid. *Apaladanes.

Apolo, o deus “mata ratos” silvestre seria também e um lobo selvagem como o latino Silvano, esposo da Loba latina. A relação de Apolo com os ratos e destes com a peste deve ser uma das mais antigas e eloquentes intuições culturais subconscientes da relação dos ratos com a peste.

 

Ver: APOLO SEMINDEUS (***)

 

O próprio Aplu Hurrita parece derivado de aplu "babilónico" que significa "o filho de", um título que foi dado ao deus da pestilência babilónico, Nergal como filho de Enlil.

Appaliunas era um deus luvita, seguramente comum na Anatólia em que o prefixo apa- é seguramente semita e acádio e tinha o significado de pai como em Apkallu.

No entanto, “liunas” significaria o nome do deus supremo a partir duma corruptela do nome dum deus acádio “manda chuva” com o significado analógico de deus selvagem e lionino mas que poderia também ser um lobo.

Liunas” = Liwna < *Liwan < Ur-ki-an > Lybian ó Lup-an, => Te-Lepin(us).

Ora bem, tendo existido o hitita Aplu, que por economia de meios ortográficos, coisa comum na escrita semita, poderia ter sido Apolo ou o etrusco Apulo ou mesmo *Apaulo já era então seguramente Apolo tal como veio a ser na Grécia e na Itália onde chegaram refugiados hititas etruscos com o troiano Eneias. No entanto, este deus já seria conhecido dos caldeus e sumérios possivelmente como epíteto de Nergal, o deus “manda chuva” dos infernos e dos demónios, das doenças e das pragas.

 

S. PANTALEÃO

San Pantaleón o San Pantaleimon, fue un mártir cristiano. Nació en Nicomedia, actual Turquía a finales del siglo III. Era hijo de Eustorgio y Eucuba y fue médico como su padre. Su nombre, en griego, significa: “El que se compadece de todos”.

Pan, "tout" et éléïmon, "miséricordieux". Une autre étymologie, fantaisiste, provient de la déformation en latin du nom grec: "Tout Lion", en reconnaissance de son courage de lion. On l'invoque contre le strabisme, et il est patron des médecins, des assistantes maternelles et des nourrices.

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Figura 2: São Pataleão.

Sabe-se que no dia 27 de Julho de 1453 chegou e atracou em Miragaia, Porto, uma embarcação de cristão arménios que vinham fugidos das chacinas de Maomé II no Império Romano do Oriente. Naquela altura em que o Impero estava dividido em dois. Os que na embarcação vinham tinham conseguido escapar da fúria de Maomé as relíquias de São Pantaleão.

Ora aqui começa a intriga: São Pantaleão não surge em dicionários de santos e nem na Legenda Aúrea. O santo que se tornou físico era filho de um gentio chamado Eustórquio e de uma cristã chamada Eubula. A mãe educou-o na religião católica. A partir daqui surge a lenda em torno de São Pantaleão ou pelo menos, em torno da forma como se tornou santo.

Diz-se que abandonou uma vida de devassa por causa de um amigo cristão (Hermolaus) e por várias vezes foi detido quando imperava Diocleciano. Por fim decapitaram-no e em 303 recebeu a coroa do martírio sendo venerado mais pela Igreja Ortodoxa Grega do que pela Apostólica Romana. No entanto, as suas relíquias estão espalhadas um pouco por todo o mundo: Itália, Argentina, Portugal… Sim, Portugal! Mais concretamente, Porto. Quando as relíquias chegaram a Portugal foram depositadas na Igreja de S. Pedro em Miragaia, junto da qual os arménios que pediram asilo ao nosso país construíram uma comunidade. Ainda hoje há uma rua por aqueles lados que se chama Rua dos Arménios. Ora nesse ano de 1453 abateu-se sobre a população uma peste que fazia temer mesmo os mais optimistas e as pessoas, não tendo a quem mais pedir, pediram a São Pantaleão que lhes valesse. E não é que valeu?! A pestilência mirrou e as gentes do Porto juntamente com o seu prelado proclamaram São Pantaleão como santo padroeiro da cidade e assim permaneceu durante cerca de 500 anos.

É padroeiro dos solteiros, dos médicos, biólogos e dos doentes do pulmão.

A vida de S. Pantaleão tem mais de lendária do que real. Desde logo por ter pais com prefixo de autenticidade, Eu-, no nome o que denota dúvidas sobre a sua veracidade original pois, quem “jura mais a mente”!

De acordo com a hagiografia posterior, o corpo de Pantaleão foi queimada primeiramente com tochas, ao que o Cristo pareceu a todos sob a forma de Hermolaus para reforçar e curar Pantaleão e as tochas foram extintas.

Um banho de metal fundido foi preparado então; quando Cristo apareceu e entrou no caldeirão com ele e o fogo apagou-se e o metal fundido ficou frio. Pantaleão foi depois lançado ao mar carregado com uma grande pedra e ainda que flutuou. Foi lançado às feras, mas estas pariram nele e não puderam ser forçados a deixa-lo enquanto as não abençoou. Foi preso na roda, mas as cordas estalaram, e a roda quebrou. Uma última tentativa foi feita de o decapitar mas a espada dobrou-se e os executores converteram-se à cristandade. Pantalão implorou ao céu que os perdoasse, razão pela qual ele também recebeu o nome de Panteleimon ("clemência para todo o mundo " ou "o todo compassivo "). Não foi senão quando ele mesmo o desejou que foi possível decapita-lo, acto no qual jorrou sangue e um líquido branco como leite.

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Figura 3: Moeda de Cupro-níquel de rei Pantaleão. Frente: Busto de Dionisio com uma grinalda de folhas. Reverso: Pantera com um sino pequeno ao redor do pescoço, tocando uma videira com a perna esquerda. Legenda em grego: BASILEOS PANTALEONTOS "Rei Pantaleão".

Obviamente que nem a enciclopédia católica acredita nestas lendas posteriores pelo que até prova em contrário é mesmo pura coincidência ter havido um médico cristão com o nome de Pantaleão ou Panteleimon na corte não se sabe muito bem se do imperador Maximiano, se Galério. Mas aceitamos que dos milhares de cristãos que foram martirizados nesta altura algum teria o perfil de médico misericordioso, ou seja, panteleimon que por forças das circunstâncias e das necessidades retóricas teve que ocupar o lugar de Pantaleão que seria um epíteto de Apolo ou de Dionísio algures num recanto da Anatólia. Na verdade, recorrendo a história helenista descobrimos que existiu um rei Pantaleón (greco: Pantaleontos; brahmi: Pamtalevasa) que foi o segundo rei do Reino Indo-grego (cerca 190 a. C. – 180 a. C.).

Panther = early 13c., from O. Fr. pantere (12c.), from L. panthera, from Gk. panther, probably of Oriental origin, cf. Skt. pundarikam "tiger," probably lit. "the yellowish animal," from pandarah "whitish-yellow." Folk etymology derivation from Gk. pan- "all" + ther "beast" led to many curious fables.

According to the American Heritage Dictionary, the origin of the word is unknown. A folk etymology derives the word from the Greek πάν pan- ("all") and ther ("beast of prey") because they can hunt and kill almost everything. The Greek word πάνθηρ, pánther, referred to all spotted Felidae generically.

Quando se começa a dar conta de que a etimologia clássica não chega para explicar o mito da linguagem indo-europeia…retiram-se conclusões sapientíssimas como as do American Heritage Dictionary que chega ao ponto de considerar a etimologia hipercorrecta de «pantera» < Gk. pan- "todo" + ther «fera» como popular quando é apenas um lugar comum de erudição clássica. Na verdade, se Potnia Teron, era um epíteto de Artemisa, enquanto protectora das «feras», particularmente os felinos leoninos da deusa mãe, compreende-se que poderia ter sido também entendida como Potnia *Pan-ter-on-tos sem que fosse necessário invocar os felinos amarelos dos hindus, cujas cores ocres, particularmente femininas, seriam, então, particularmente apreciadas pela Deusa Mãe. Ainda que rebuscada, a via indo-europeia do amarelo como etimologia para a pantera não convence mais que a via supostamente popular de origem grega tanto mais que, de facto, panteros era um termo grego genérico para felinos de origem endógena perfeitamente compreensível dentro da mitologia grega de Artemisa. Ora, esta deusa era irmã de Apolo, também por isso deus dos felinos particularmente na forma de Apolo Lucio, um lobo branco. Obviamente que quando a etimologia se aproxima das origens encontra a confusa indeterminação da unidade semântica da luz primordial. Apolo teve vários epítetos difíceis de interpretar com os que o referem como deus dos lobos.

Apolo Lukêgenês: nascido na luz ou nascido na Lícia. Apolo Lukeios: do lobo (ou o que mata lobos); da luz (ou o que traz a luz); da Lícia; ou destruidor (ligado ao lobo).

Quase seguramente que não foi o lobo que deu nome a Apolo mas terá sido este a encarnar num lobo branco e a dar-lhe nome. Na verdade, contrariamente aos felinos os lobos estariam muito mais próximos da humanidade dos canídeos. O étimo luk- derivaria da semiologia luminosa de Apolo e acabaria por dar nome ao branco (leucos) da lua e do leite (leucos / lactos) da «via láctea» e depois ao lobo branco dos hiperbóreos e por uma razão ou por outra às tribos que habitaram a Lícia, a Líbia e a Lídia. Quanto ao lobo latino deriva luk- e tem relações com restante étimo indo-europeu vulk- que por coincidência permanece no nome latino de Vulcano.

 

Ver: LUPUS (***)

Y Lycios como señor de los lobos. Muy enigmática esta relación que se establece entre la deidad de la luz y la juventud permanente y el animal-emblema de la noche y de la muerte. Pero ya en Argos nos encontramos medallas en las que se muestra la faz de Apolo en el anverso y un lobo coronado por rayos en el reverso. Decíase en Delfos que en la época del diluvio de Deucalión algunos hombres se habían librado de la invasión de las olas al ser guiados por los aullidos de los lobos hasta la subida del Parnaso, donde fundaron la ciudad de Lykoreia en homenaje a dichos animales. Es evidente que en este mito se narran acontecimientos muy lejanos en los que la humanidad es salvada por Apolo el viejo rey de los lobos. Salvada de la inundación moral que disuelve todos los valores y que impide el crecimiento del Loto de una nueva civilización. Aquí el aullido del lobo es símbolo del Grito en la Oscuridad, una forma de último recurso o última reserva de espiritualidad.

En el santuario del dios en Delfos se veía junto al ara un lobo de bronce vigilando el tesoro del templo. Como el Anubis protector del arca sagrada. También en la Argólida Apolo envía a un lobo a combatir contra un toro. En todas estas formas de Apolo Lycio, el lobo es símbolo de luz. Pero se trata de la luz invisible, aquélla que ilumina pero no se ve, la luz que protege, la luz espiritual. La luz que combate las tinieblas. Apolo Lycio es también una forma de Apolo como Pastor-Lobo, el que vigila y protege el ganado.

A él también se ofrecían sacrificios humanos expiando las culpas morales de toda la ciudad. En Leucade cada año, llegada la fiesta de Apolo, se le sacrificaba un hombre precipitándole al mar desde un elevado promontorio. La víctima escogida, generalmente un delincuente, era envuelta entre plumas y se le ataban aves a su cuerpo. Se ha querido entender con esto que los antiguos pensarían que es más fácil salvarse estando atado a las aves y con los atributos propios de ellas, pero creo que el significado es más bien que aquél que se lanza al abismo ni los dioses, ni las ideas superiores, ni nada puede salvarlo. Los dioses ayudan a descender y recorrer el abismo, pero nada pueden hacer para quien se abandona a sí mismo. APOLO REY DE LOS LOBOS, Revista Esfinge.

Como já se viu antes este deus solar, irmão da lunar Artemisa, seria o lobo branco que uiva à lua cheia seria o deus luvita Appaliunas. Mas este deus teria possivelmente equivalente hitita com outro nome como seria o caso de Ha-panta-liwa, até porque enquanto deus dos lobos seria um deus bom pastor como este deus hitita era.

Hapantali o Hapantaliya - Pastor divino, a veces identificable con el dios Kal, espíritu protector. Kal - Ideograma sumerio que encubre una divinidad cuyo nombre hitita se desconoce, uno de los detentadores ocasionales del poder celeste.

Obviamente que não existe indicação explícita de que o deus hitita Kal seja outro que Caldis, o caldeu, deus nos mortos e senhor dos infernos do Kur como Nergal que era também uma variante caldeia de Apolo.

De resto, Kal e Kar são variantes solares do sumério Kur, o sol nocturno, presente no epíteto de Apolo Karneios, o radiante (como era Karna, o sol e irmão de Arjuna no Mahabharata).

«Pantera» < *Pan-Tel < «Panta-Leão» < Πανταλέων < (Ha)-panta-liw + an

< *Ka-pan-ta-liwa ó Apa(n-ta)liu-nas.

O nome *Ka-pan-ta-liwa, que teria estrado na origem do mitema de Apolo Lúcio, seria uma expressão anatólica luvita com o significado de “aquele que «leva» a vida de ou a todos os deuses”.

«Levar» < Lat. lev-are <= Liw- (< Riw < Egipt. Ruti < Urki < Urça)

=> ?(to) leave?

Ruti = era um par de leões adorado em Letopolis, egípcio, possivelmente a cidade da mãe de Apolo e por isso - Per-Hor-neb-Sechem (Casa (de) Horos senhor (de) Sechem).

A conotação leonina, lúpica ou aguerrida da raiz de transferência liw- resultaria precisamente desta função de poderoso animal de transporte da alma do sol e que seria precisamente a leonina Deusa Mãe com o “deus menino” ao colo!

Lion = late 12c., from O. Fr. lion, from L. leonem (nom. leo), from Gk. leon (gen. leontos), from a non-I.E. language, perhaps Semitic (cf. Heb. labi "lion," pl. lebaim; Egyptian labai, lawai "lioness"). A general Germanic borrowing (cf. Ger. Löwe) found in most European languages, often via Germanic (cf. O.C.S. liva, Pol. lew, Czech lev, O. Ir. leon, Welsh lew).

Ora bem, muitas das dificuldades da etimologia clássica resultas da falta de cruzamento de informação e do preconceito das causas actuais que esquece que embora os princípios sejam invariantes não o é o conhecimento das suas causas. Os clássicos tinham uma biologia ainda muito confusa fazendo pouco sentido dizer-se que a pantera era “uma criatura da mitologia antiga que se assemelha a um gato grande com uma pele multicolor”, aliás semelhante aos linces e a alguns gatos, até porque “os gregos antigos acreditaram que a pantera era um dos animais de transporte favoritos de Dionísio” porque o confundiam com o ainda mal conhecido leopoardo indiano e apenas depois de Alexandre ter andado pela Índia onde impera o tigre, outrora frequente na mesopotâmia, e nem tanto o «leo-pardo».

«Leopardo» < Lat. leo-pardu < Gr. léo-pardos < leon + Ariano *parda, pantera?

«Pardo» < Lat. pardu < pallidu, adj. de cor entre branco e preto.

In antiquity, a leopard was believed to be a hybrid of a lion and a panther, as is reflected in its name, which is a Greek compound of λέων leōn (lion) and πάρδος pardos (male panther). The Greek word is related to Sanskrit pr.da-ku (snake, tiger, panther), and probably is derived from a Mediterranean language, such as Egyptian.

Como se pode constatar, a morfologia “pardacenta” dos felinos e das cobras já andava associada na mitologia egípcia quando esta representava a luta do sol diurno contra as trevas nocturnas na metáfora mítica do gato pardo Mauti que era uma epifania de Rá que cortava às fatias a cobra Apofis ou Apepe.

Apep era conhecido por muitos epítetos, como "lagarto do mal", "o inimigo" e "a serpente do renascimento". Ele não era adorado mas era temido e era possivelmente o único deus que foi considerado todo-poderoso. Ele não requeria qualquer alimento e jamais poderia ser completamente destruído, apenas temporariamente derrotado.

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Figura 4: Mauti cortando Apófis com a faca sagrada de Taveret.

"Both the Book of Gates and the Book of Caverns refer to a cat god named Miuty (or Mati or Meeyuty). This god protects the Eleventh Division of the Duat in the Book of Gates (the division just before dawn) and watches over the enemies of Ra in the Book of Caverns. It is also possible that this deity is one and the same as "Mauti" who is depicted in the Tomb of Seti II and may also refer to Mau or Mau-Aa (the great cat) as a form of Ra.

In the Seventeenth Chapter of the Book of the Dead, Ra takes on the form of a cat named simply "Mau" (cat) in order to kill the serpent Apep. http://www.ancientegyptonline.co.uk/cat.html

Obviamente que os gregos conheceram este mito na variante onde Apolo matou a cobra Tifon / Piton de Delos, manifestação da deusa mãe Geia e que os babilónicos explicitamente identificaram com Tiamat destruída por Bel Marduque. Os egípcios não a identificavam explicitamente com a deusa mãe mas pode chegar-se lá por inferência sabendo-se que esta, na forma de Nut, paria todos os dias o sol que devorava ao anoitecer e que Taveret era uma manifestação de Mut, por sua vez uma forma denegada de Amut a devoradora das almas dos mortos em pecado mortal. Ora bem, por mais estranho que pareça, o gato Mauti seria o filho de Mut, que por estranhas razões de sobrevivência cósmica acabou a esfaquear a própria mãe reptilínea como Marduque. Assim, se é obrigado a entender também porque é que a cobra que guardava a árvore do paraíso grego, a jardim das Hespérides, era Ladon, ou seja uma forma denegada e encoberta de Latona que acabou morta por uma variante de Apolo, o semi-deus Hércules.

Teimando escavar os elos perdidos destas etimologias damos conta que Mauti pode muito bem ter sido o deus adorado na cidade do leão, assim chamada pelo gregos enquanto Leontópolis, por nela se adorarem leões vivos.

Maahes, también llamado Mahes, Mihos, Miysis, Mios y Maihes era un dios del Antiguo Egipto, representado con cabeza de león, que surgió en Leontópolis (Tell el-Muqdam en árabe y Taremu en egipcio), capital del nomo XI del Bajo Egipto en el Imperio Antiguo, aunque su origen es un misterio, pues no se consagra como divinidad hasta el Imperio Medio y su nombre no se extiende por todo Egipto hasta el Imperio Nuevo.

Apparu tardivement, Miysis est un dieu guerrier qui lutte aux côtés de Rê contre le serpent Apophis. Fils de Bastet, la déesse chatte, on le représente sous les traits d'un lion sauvage. Miysis est parfois assimilé au dieu Sopdou, le dieu faucon de l'est (Pi-Sopdou) qui protège la route du désert contre les envahisseurs asiatiques. (…) C'était à l'origine la chaleur étouffante du soleil d'été. (…). Sopdet est la déification de Sirius (Sopd est la forme masculine de Sopdet). Sopdet donnant naissance à cette chaleur, Sopdou est ainsi vu comme son enfant. (…)

Sopdou était adoré dans la ville de Per-Sopdou (« le domaine de Sopdou »), actuellement Saft el-Henneh, un village situé au nord-est du Caire, dans l'est du delta du Nil. Il prenait l'aspect d'un faucon aux vertus guerrières, et était comparé à Chou. Sa compagne était la déesse Khensout, une forme locale d'Hathor.

Per-Sopdou ó Chu-perdu => Pher-du = Mauti = “felino pardo”.

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Figura 5: Paposileno na procissão de Dionísio que vai a cavalo dum gato gigante que seria a impressão que a confusa, exaltada e apaixonada religiosidade dos hindus teria deixado nos exércitos de Alexandre.

E é assim que se descobre a careca das erudições coxas. Tem tanto de etimologia popular o «leopardo» como a «pantera»! Na verdade o termo do “leão pardo” deve ter andado enrolado muito tempo debaixo da língua dos egípcios.

Se a pantera era um animal mitológico inventado por analogia com o gato para descrever o que os gregos de Alexandre teriam visto pelo sul do médio oriente e na Índia, como é que poderia ser precisamente a origem do nome do animal que queriam descrever, o «leopardo»? Como se pode entender que um termo mitológico de invenção helenística recente, a partir de um termo genérico do grego antigo, pudesse já ter um nome tão esdrúxulo, como é pardos (mas de forma estranha foneticamente próximo do animal real descrito, «leopardo»), para o masculino de πάνθηρ, ηρος, que nem sequer era assumidamente feminino por ser meramente neutro? Obviamente que esta explicações etimológicas soam a petições de princípios.

Na verdade a cor mosqueada dos leopardos são uma mistura de pintas pretas num fundo amarelo claro logo compatível com o pardu latino que se derivaria de pallidu e este de kallidu (< estorricado do sol?) muito possivelmente também o Ariano *parda e o Sânscrito pr.da-ku, derivados possivelmente de falares neolíticos mediterrânicos como obviamente quase todas as línguas. Como sempre em mitologia devem ter sido estes termos vulgares, comuns e genéricos que derivaram do nome de um deus «leopardo» e não a inversa porque este animal e todos os felinos terão acompanhados desde sempre os medos arcaicos da humanidade como seres poderoso e temíveis ligado aos cultos da deusa mãe e que, na passagem do xamanismo ao sacerdócio instituído passaram a ser um símbolo dos heróis divinizados e instituídos nas função de reis sacerdotes.

A razão pela qual a «pantera» é actualmente um nome genérico da espécie dos felinos não será assim tão casual porque afinal já seria assim entre os gregos anteriores a Alexandre que pensariam, como a etimologia popular, que a «pantera» era o conjunto de “todas as feras”.

Ora não é preciso ir ao nome do amarelo dos hindus (pandarah) para explicar a razão porque é que o conceito genérico da totalidade andou ligado ao nome da «pantera» porque o encontramos afinal no nome do deus hitita Hapantaliya. Quiçá nem tanto por causa da ideia de totalidade mas pela luminosidade presente no mitema da luz primordial do deus Phanes que aproxima Apolo de Dionísio por intermédio de Pan, bem como de Eros e Hermes por Kar, que este deus «caritativo» e protector também seria.

Lynx = mid-14c., from L. lynx (cf. Sp., It. lince), from Gk. lyngz, perhaps from PIE *leuk- "light," in reference to its gleaming eyes or its ability to see in the dark (cf. Lith. luzzis, O.H.G. luhs, Ger. luchs, O.E. lox, Du. los, Swed. lo "lynx").

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Figura 6: Mural de Bonampak: Imperador maia como sumo-sacerdote numa cerimónia secreta de sacrifícios humanos.

Figura 7: Hércules com a pele de leão e o trípode de Apolo assume-se assim como sumo-sacerdote.

Figura 8: Faraó com a pele de leopardo na qualidade de sumo-sacerdote na cerimónia da abertura da boca da múmia de Osíris.

«Leão» < Leone < Ly-Aun. Sr. | Lu < Ru < Ur | > Úrano, poderoso Sr. do céu, o sol!

«Lince» < L. lynx (cf. Sp., It. lince) < Gk. Lyngz < Ly-Anu-ish, filho de Úrano, logo, Crono ou *Kertu?

«Leopardo» < Leo- | pardu < Pher-du < *Kertu.

«Jaguar» < Tupi yaguara “besta” usado para qualquer mamífero carnívoro. A palavra específica para jaguar é yaguareté, com o sufixo -eté que significa o "verdadeiro" < Ja-guar-et < Ash-Guar-et ó *Ish-Guar-at.

«Tigre» < L. tigris < Gk. Tigris < Iranian Tigrā < Ti-ger-et < Teo-Ger, variante do nome sumério corrente Idi-gina ó Acad. Idi-qlat < Ithi-Grat < *Ish-Guar-at < Kiki-Kur-Kiku > *Te-Ker-tu.

A etimologia do Tigre confirma-nos que o rio já teria nome de deus próximo de *Ish-Guar-at antes dos sumérios, pelo menos a montante da influência ribeirinha desta civilização. Ora, a contraprova retira-se do nome do Eufrates, que seria possivelmente um dos leões que guardavam as portas do paraíso, na montanha da Aurora.

Euphrates = O.E. Eufrate, from Gk. Euphrates, from O. Pers. Ufratu, perhaps from Avestan huperethuua "good to cross over," from hu- "good" + peretu- "ford." But Kent says "probably a popular etymologizing in O.P. of a local non-Iranian name" ["Old Persian," p.176]. In Akkadian, purattu.

In these texts, written in Sumerian, the Euphrates appears as Buranuna (logographic: UD.KIB.NUN). The name could also be written KIB.NUN.(NA) or dKIB.NUN, with the prefix "d" indicating that the river was deified. In Sumerian, the name of the city of Sippar in modern-day Iraq was also written UD.KIB.NUN, indicating a historically strong relationship between the city and the river.

Sippar was the cult site of the sun god (Sumerian Utu, Akkadian Shamash) and the home of his temple E-babbara.

«Eufrates» < Gk. Euphrates < O. Pers. Ufratu < E-Phra-U-tu < E-Bara-Uto

ó Kur-Anuna < Sumer. Buranuna                                          > Acad. Purattu.

Pois bem, o Eufrates era nem mais nem menos que o nome do segundo leão que guardava as portas do paraíso que era o vale Entre-os-rios da Suméria e este teria nome parecido com Paradu, ou seja, se o primeiro leão que guardava os montes da Aurora era o deus (leão) Tigre o segundo era nem mais nem menos o deus «leopardo» e por isso era Purattu em acádico e acabaria *pardu em ariano se não tivesse sido sujeito a desvios hipercorrectivos da nova casta dirigente persa por triviais razões que o fizeram deus de boa travessia durante as invasões do hindu. No entanto este nome leonino acabaria por voltar a região com o império Parto criado pelo povo feudal de fala Parthava o Partawa. Um dos nomes mais comuns da dinastia dos Arsácidas foi nem mais nem menos Fraates com o diminutivo Fraataces, seguramente uma evolução paralela do nome do Eufrates e uma alternativa à origem do nome dos faraós do Egipto a partir da deusa cretense *Kartu que deu nome também aos partos.

 

Ver: APOLO CANEIOS (***) & LUPERCO (***)

 

USIL

O nome luvita de Apolo confirma-nos a conexão suméria com Apkallu pois que se poderia dizer que é quase a sua transcrição fonética num dialecto que bem podia ser luvita. Mas, na Etrúria Hélio era Cata / Usil e Apolo, Aplu! Assim, se entre os etruscos o deus do solar era Catha (< Kiat < Kiash > Phiat => Shapas), Apolo seria deus da sabedoria mas não ainda um deus solar o que explica que, mesmo na Grécia, só muito tarde Hélio tenha deixado de iluminar o Céu para ser Apolo a ocupar o carro solar!

Apkallu > Ap-phalli + Anu > Appalianos.

Moreover, the ancient Roman family of the Aurelii, who were said to be of Sabine origin, were believed by the ancients to take their name from the sun, which in the Sabine language appears to have been called "ausel": hence the original name of the family was not Aurelii but Auselii. On account of their worship of the Sun the family were granted by the Roman State a place in which they could sacrifice to the luminary.[2]

*Kaphura < Ka(u)kur > hausir > Ausar / > *Ausyr ? > Osir(is).

                                                         > Aus-il > Usil.

Hiperion < Kiphur anu,

Do nome deste deus Usil terá surgido > Suil ó sulis, e também o latino solis.

Figura 9: On an Etruscan mirror Usil (Helios) appears as an old, but clean-shaved winged man with a radiate crown (...). He wears a long chiton, revealing his bare feet, with sleeves to elbows and a belt. He is about to crown Uprium (= Hyperion, "the One Above"), who wears only a chlamys and holds a branch in each hand; Helios may be crowning an athlete who has named himself after Hyperion. (van der Meer 137).

O atleta referido como Hyperion seria um kouro apolíneo se não fora na mitologia clássica o pai hercúleo e vulcânico do próprio sol que, a meu ver de forma estranha, tem até um aspecto bem mais envelhecido do que o deus solar alado Usil.

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Se Usil deriva remotamente do étimo de *Kaphura também Uprium, por Hiperion, pelo que se devem tratar de idênticas entidades com caminhos semânticos diferentes. Ora, se o nome de Usil se revela interessante pelas relações que permite estabelecer entre o sol e Osíris, já suspeitas no contexto mítico dos mistérios agrários de morte e ressurreição, é sobretudo espantoso por tornar implícito que tais relações semânticas só teriam sido possíveis se postularmos uma unidade cultural pré-histórica muito estreita e particular entre as civilizações mediterrânicas ocidentais do neolítico e as que vieram a florescer exuberantemente nos primórdios da história no vale do Nilo.

Etrus. Uprium < Hu-pher-Ymu < *Kau-Kur-Kimu

=> Ki Pher Jan(us) > Hyperion > Hiperião.

A verdade é que Ymu < Kima/u > Jam era o deus dos mares entre os canaanitas e Janus pode ser uma variante do nome de Enki, deus sumério dos mares.

O deus Upelluri tem, como se vê, a informação semiológica suficiente para chegar a Hyperion que foi, entre os helenos, o pai de Helio, o deus solar que antecedeu semiologicamente a Apolo.

Etrus. Uprium < Hu-pher Ymu  < *Kau-Kur + Kimu

hit. Upelluri < Hiphel lu < *Kau-Kur + lu.

Será que Uprim era o Atlas como Upelluri?

 

Ver: ATLAS (***)

 

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Figura 10: Apolo, com o ramo de oliveira como o atleta Hiperião do espelho etrusco anterior, aparece neste vaso grego como um falso (?) «príncipe da paz» porque se prepara para competir numa aposta contra Mársias, num concurso de cítara.

Hapantallyas/ Hapantalli < Ka Phan | Tar < Kar| lu => Ka Ph(an) Kallu => An Apkallu,

Este nome que pode-nos levar até Apolo, confirmando a sua origem a partir do Sumério Apkalu.

No entanto, sob o ponto de vista funcional, quem foi entre os hititas o anjo mensageiro de Kumarbi, o pai dos deuses, foi Imbaluris.

Como de Kime veio Themis, a 1ª esposa de Zeus e, porque reconhecida protectora de Apolo, terá sido mãe deste e de Artemisa, é bem possível que tenhas existido uma relação semântica significante entre Upelluri > U(m)belluri > Imbal(l)uri => Hapantalli e, por ambos, com Apolo.

Upelluri > U(m)belluri

Kumarbi < Kime Karwis > Kime kar ki + us)

Imbaluris < Kum Wal uris < Kime Kar-lu.

Extracto do "Catalog of Hittite Texts (CTH), Dr. Billie Jean Collins"[3]:

Treaty with Targasnalli of Hapalla (> Apalla/o < Kapharlu/a < Kakur ra).

Ritual of Huwarlu (< Kapharlu < Sacar-lu > Haphallu => Apolo) the augur.

Palliya < Aphaylu > Apolo

Fragments naming Anum-Herwa and the village of Zalpa (< Kalpa < Apkal)

Disappearance of god of Harapsili (< Kar Apzu Lu > Apzu Kal lu > Apkallu)

Deposition of Pallariya, (festa de Pallas, esposa de Apolo?)

Mais interessante é a referência à tradução dos sumeriogramas seguintes:

KA.GAL = abullu => Apullu

 

                                                    

> Apullu > APOLLO

HAR-ra = hubullu=> Hapullu

 

Noutras series como é o caso do "Répertoire onomastique de Marie-Claude Trémouille" chega mesmo a aparecer o nomo Apalla [4]!

Apalla [5] < Zazalla< Zapalli < Hapullu < Hapiri < Kapullu!

Purazi < Paluki < Kipalu < Kapullu < Kapallu

> Palluka > Palluwa > Pallija < Palluka < Kapulla!

Mas, também por Upelluri se poderia chegar a Apolo, pois

Upelluri > Ubelluris < Epul Ur > Apku(r) lu. Do mesmo modo,

Uprium < Epliun < Aplu Ani > Aplu < Ap (| < hal < kal |) lu. lit. «homem do pai».

Em conclusão, o nome de Apolo não é de fácil derivação por não ser conhecido de forma explícita nas mitologias orientais. No entanto, a posição funcional deste deus não oferecem dúvidas quanto ao seu carácter solar e ofídio ou seja muito próximo da teologia sibilina de Enki / Enlil.

Uma das principais características de identidade deste deus era precisamente o dragão ou Kafura. Sabendo-se que uma das características da língua hitita era a transformação dos «érres» em «éles» podemos pressupor como via derivativa étmica mais provável para o nome de Apolo a seguinte:

Kafur ra > Kaphul la + anu > Hapuluna > Apulun.

Hobal < Ko-Bal < Kau-phal > Apolo.

 

KI

KIKU

KAR

URU

 

 

Fi

lho

do Sol

e Guerreiro

=>

Filho guerreiro de Kar, o Sol

He

kate

Bol

lus

=>

Apolo Hecatebolos

 

 

 

 

 

 

 

Akka

Kar

lu

 

 

 

Appa

Kal

lu

=>

Os sábios concelheiros do pai sol, Apkal!

 

Ahha

Phol

lu

=>

Apolo

 

Ahho

Bal

lu

=>

Hobal

 

Awwa

Hal

lu

=>

Baal

 

Awwa

Hal

lu

=>

Awahalu > Abael > Abel

 

wwa

Phal

lu

=>

 Pajawa + Anu = micen. Pajawone

 

 

Bal

lu

=>

 Varo => Bel, varão, fidalgo, «filho do homem»!

Hobal = Personificación del Sol que, en La Caaba, aparecía representada en piedra roja con rostro de anciano venerable, de larga barba, blandiendo siete flechas de la suerte. Su imagen fue destruida tras el advenimiento de Mahoma.

Este deus árabe foi seguramente importado da fenícia onde seria uma variante apolínea de Baal!

A conclusão que se pode retirar deste quadro é que Apolo correspondeu a um culto solar palaciano, paralelo ao culto de Osíris relativo ao filho de deus enquanto Delfim e príncipe primogénito. Sob o ponto de vista fonético Apolo deriva então de Apkallu mas teve o seu principal desenvolvimento linguístico na Anatólia em torno do deus agrícola Telepinus.

Telepinus < Ter-hephi-Anu(s) < *Kar-Kiki-Anu <= Ish-Kur-na =>

*Ashphuranu > Sha-Phulanu> Hapulanu > Apalaun > Apolon > Apolo.

                        > Aka Phaulanu > Apapalianu > Appaliunos.

 

Ver: TROIA (***)

 

Então, todas digressões pela erudição relativa ao mundo arcaico da Anatólia perdem alguma da sua importância se repararmos que o nome de Apolo já existia no sumério, ainda que sem evidência de ter sido uma divindade reconhecida como tal!

Sumer. Apalu = resposta (a um «apelo»!!!)

«Apelo» < «apelar» • (Lat. appellare), v. tr. pedir socorro;• valer-se de alguém ou de alguma coisa; => «Apelido» < (Lat. appellitu), s. m. sobrenome de família;

Existe a impressão de que os verbos derivam de nomes ou de adjectivos e, por isso, Lat. appellare derivará de Lat. appellitu. Assim, é possível inferir que:

«Apelido» < Lat. appellitu < *Appellu + tu <

Sumer. Appalu < Apphalu < Apkalu < Apa-Kal-lu.

Quer isso dizer que a análise conjunta da etimologia latina por cotejo com o sumério permite eventualmente corrigir o próprio sumério corrente cuja ortografia transposta para as línguas modernas pode ser passível de incorrecções, como é de regra em coisa humanas, sobretudo a esta distância no tempo e no espaço cultural! O Sumério Appalu seria então aquele que reponde pelo pai, ou seja o sábio Apkalu! Quer então dizer que o Appalu sumério não era um deus de respostas tão correctas quanto obscuras como as dos oráculos de Apolo porque era um genérico para os sábios Apkalu, mensageiros reais da sabedoria de Enki! Em relação com esta semântica mítica criou-se o genérico comum relativo aos homens de confiança do pai, os advogados da família!

Do mesmo modo, os «aplausos» (< Lat. applausu) que os oradores gostam de receber nas assembleias derivariam na forma gaga latina do nome dórico destas mesmas reuniões de vaidade política.

Mas Apolo só não era o filho de Enki / Apakal porque Enki foi identificado pelos gregos com Hermes Trimegisto, deus que foi possivelmente irmão gémeo de Apolo!

Quer isto dizer que se pode ter havido confusão entre as funções enquianas e as de Apolo elas resultaram das dúvidas e incertezas que já existiam na mitologia suméria em relação à dupla Enki / Enlil, ambos possuidores de idênticos poderes e ambos supostos portadores das “tábuas da lei e do destino”. Se Enki foi Hermes, enquanto príncipe do Kur, então Apolo foi na caldeia Enlil, e dai o seu a preponderância do lado solar e sisudo deste deus grego.

Hermes < Hurmesh < Kur-macho.

Então, a derivação mais provável teria sido a seguinte:

Como Enlil foi soberano supremo e foi pai dos homens então em sumério foi Apa-lulu, do mesmo modo que foi supostamente Sr. do vento Enlil < Enlili < *Enlulu, pode ter sido literalmente “Sr. dos homens”. A verdade é que há dúvidas que Enlil significasse inicialmente o Sr. do vento uma vez que esta conotação parece ter aparecido depois de Enlil ter suplantado Enki na soberania suprema e ter por isso passado a ser o “manda chuva” das tempestades que Enki tinha sido enquanto Sr. do Abssu, ou seja, das “águas doces”! Então:

Apa-lulu º*Enlulu

Apa-lulu > Apaullo > Apollo!

A relação de Apolo com o pai é tal que Apolo é seguramente o mais patriarcal dos deuses gregos. Esta relação patriarcal ficou num dos seus epítetos Apolo Abaios: de Abai/Abae, localidade que deveria o nome a este epíteto de Apolo, enquanto terra do pai…de Apolo.

Pois bem, Gu-gal-ana, o touro do céu, é o nome que Ner-gal (deus das doenças e pestes na mitologia Sumeria) adoptou após ter sido mandado ao mundo inferior por ter estuprado sua esposa Ereshkigal (deusa suméria do mundo inferior) sob diversos disfarces. Ereshkigal, a sempre Virgem, pode ter sido Artemisa, ainda que tenha acabado Perséfona.

Obviamente que não podemos garantir que Gu-gal-ana, epíteto de Nergal, possa ter sido a origem do nome de Apolo, até porque Aplu chegava. No entanto, na mitologia a confluência na memória oral de vários mitos de nomes semelhantes acabaram por reforçar-se entre si sobretudo quando tinham origens comuns.

Gu-gal-ana ó Gagulana < Kakurana > Hapulana > Apolonio.

É bem possível que os sete arcanjos védicos não sejam mais dos que os descendentes tardios dos sete divinos sábios de Eia, os Apkallu. Por outro lado, Apolo, filho de Enlil ou de Enki viria a ser filho de Zeus. No entanto, este deus que teria sido entre os micénicos apenas Pajawon e acabaria textualmente como Apolo, “o filho de deus”, por forte influência dórica o que seria afinal uma vingança póstuma de Tróia.



[1] (…) The name Apollo might have been derived from a Pre-Hellenic compound Apo-ollon, likely related to an archaic verb Apo-ell- and literally meaning "he who elbows off", and thus "the Dispelling One". Indeed, he seems to have personified the power to dispel and ward off evil, which was related to his association with the darkness-dispelling power of the morning sun and the conceived power of reason and prophecy to dispel doubt and ignorance.

[2] -- THE WORSHIP OF THE SUN AMONG THE ARYAN PEOPLES OF ANTIQUITY (Chapter XII of The Worship of Nature) by Sir James G. Frazer 1925

[3] Catalog of Hittite Texts (CTH), Dr. Billie Jean Collins, Department of Near Eastern Studies, S318 Callaway Center, Emory University, Atlanta, GA 30322 USA, (404)

727-0807. E-mail: bcollin@emory.edu

[4]Apalla [NH 96, 35]                     HKM 100 Ro 8

Hapiri [NH 290a]                      HKM 48 Ro 3, 5

Hutupalla                                 KBo 32.185 Vo 15

Pallanna [NH 908, 133](HKM 60 Vo 27, HKM 68 Ro 2, HKM 81 Vo 29, HKM 111 Ro 2, bord inférieur 13)

Pallanza [NH 910, 134; NH1, 31] (HKM 107 Vo 14)

Pallija [NH 915, 134; NH1, 31] (KUB 60.138 Ro 1)

Palluwa ([NH 922, 135; NH1, 31]  KBo 30.15 Vo IV? 7')

Purazi (HKM 100 Ro 11)

Zapalli [NH 1533, 209; NH1, 50] IBoT IV 229 col. droite 3'

Zazalla (KBo 32.15 III 17, IV 17, KBo 32.16 II 8, 11], KBo 32.17 III 4,KBo 32.185 Ro 6). (tremouille@vaxiac.iac.rm.cnr.it) Décembre 1996

[5]Apalla [NH 96, 35]                     HKM 100 Ro 8

Hapiri [NH 290a]                      HKM 48 Ro 3, 5

Hutupalla                                 KBo 32.185 Vo 15

Pallanna [NH 908, 133](HKM 60 Vo 27, HKM 68 Ro 2, HKM 81 Vo 29, HKM 111 Ro 2, bord inférieur 13)

Pallanza [NH 910, 134; NH1, 31] (HKM 107 Vo 14)

Pallija [NH 915, 134; NH1, 31] (KUB 60.138 Ro 1)

Palluwa ([NH 922, 135; NH1, 31]  KBo 30.15 Vo IV? 7')

Purazi (HKM 100 Ro 11)

Zapalli [NH 1533, 209; NH1, 50] IBoT IV 229 col. droite 3'

Zazalla (KBo 32.15 III 17, IV 17, KBo 32.16 II 8, 11], KBo 32.17 III 4,KBo 32.185 Ro 6). (tremouille@vaxiac.iac.rm.cnr.it) Décembre 1996

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