terça-feira, 4 de dezembro de 2012

MISTÉRIOS REVELADOS DA SUÁSTICA MÍSTICA II, SÍMBOLO DA CÓPULA E DA DANÇA, por arturjotaef

Na verdade, a suástica pode ter senão exclusivamente uma origem pelo menos uma forte conotação sexual na medida em que o conceito mais profundo deste símbolo reside na noção de movimento presente quase na forma bruta na força vital do acto sexual!
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Figura 1: Ithyphallic Satyr, carrying off protesting nymph. AR-Stater from Islands off Thrace, Thasos. 412-404 An admirable die engraving masterpiece at the apogee of the Greek high Classical artistic period, when Polykleitos of Argos was said to have been unsurpassed in making images of men, as Phidias was of gods. BC Rev.: Quadripartite incuse square.
Obviamente que o reverso da moeda desta figura senão é de forma explicita uma suástica é como ela um evidente pictograma do “movimento puro” por ser símbolo do movimento de eterno retorno do sol. Ora, tal como a força da gravidade universal já era implicitamente considerada como componente elementar do universo na forma do “Amor Protágono”, que foi Fanes / Pan / Dagon, também a causa motora do pai da escolástica foi muito antes deste postulada pela mitologia como sendo um acto de amor “puro e duro”, ou seja como um “acto sexual divino” que os gregos helenistas já não entendiam como relacionado como o Deus do Amor mas com Pan, um deus arcaico, grotesco e selvagem que por isso exprimiam a sua força bruta, compulsiva e instintiva como se fora já só quase caprina e animalesca senão apenas uma forma rude, rural, e satírica de espiritualidade na variante popular do culto arcaicos de deuses brejeiros e caricatos como eram os sátiros e as ninfas do cortejo de Dionísio!
Como uma das virtudes da religião é precisamente a de humanizar as leis naturais pela via das artes e dos bons costumes, numa sociedade civilizada já não é possível passar do desejo sexual obsessivo ao acto sexual compulsivo pelo que a ideia do rapto satírico da ninfa da moeda anterior teria que ser expressa em contraponto com a ideia aprazível do namoro em sociedade na forma de dança. No caso da moeda seguinte um par de dançarinos parece desenvolver fazer jus a origem da dança como imitação da mestria do cortejamento das aves pois assim parece ser a estranho dança da perdiz dos antigos cretenses.
A representação quadrangular do disco solar era um recurso estilístico tipicamente minóico. A sobreposição de semicírculos representando ondas ou cobras de água em cruzeiro deram origem à simbologia quadrada do disco solar e a sobreposição ad infinitum destes ao labirinto iniciático.
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Figura 2: Thraco-Macedonian Region, Siris. Circa 525-480 BC. AR Stater (18mm, 10.02 g). Ithyphallic satyr standing right, grasping hand of nymph fleeing right.
"On a symbolic level, the Cretan labyrinth with its golden thread portrays the cycle of life, by representing the womb and the umbilical cord. -- Adrian Fisher, Georg Gerster.

Ver: LABIRINTO (***)

Parece que na primavera se bailava a dança erótica da perdiz que era realizada em honra da deusa Lua, em que os dançarinos manquejavam e usavam asas. Na Palestina, de acordo com S. Jerónimo, ainda se realizava em Bete-Hogla (“o Santuário do coxo”) uma cerimónia chamada Pesach (“mancando”), onde os devotos dançaram em espiral. Bete-Hogla é identificado com a “eira de Atad”, onde se fazia o luto do Rei coxo Jacob, cujo nome pode significar Jah Aceb (“o deus do calcanhar). Jeremias advertiu os judeus para não tomarem parte nestes ritos canaaneus orgiásticos, citando: "A perdiz ajunta pintos que ela não deu à luz”. Anaphe, uma ilha situada ao norte de Creta com a qual Minos fez um tratado, era famoso na antiguidade como um lugar de descanso para perdizes migrantórias.[1]
Jeremias 17:11 João Ferreira de Almeida Atualizada (AA): 11Como a perdiz que ajunta pintainhos que não são do seu ninho, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não rectamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim se mostrará insensato.
A dança claudicante das perdizes de Creta poderia ter sido executada no labirinto de Creta em Cnossos e seria também executada nas eiras como rito de fertilidade agrícola o que acabaria por ser a causa do significado a eira de Atade mencionado em Génesis, 50: 11. A dança claudicante das Perdiz parece estar relacionada com uma dança aos saltinhos realizada no Carmelo durante a festa da Páscoa, que teria sido um festival de Primavera cananeu que a tribo de José adoptou para a transformar numa comemoração do seu mito fundador da fuga do Egipto... O provérbio citado por Jeremias só faz sentido postulando que o povo judeu da época tinha gosto em participar nos ritos orgiásticos canaanitas que tal como descritos por este profeta seriam variantes dos cultos frenéticos de Mitra e Cibele.
Area Atad locus trans Iordanem, in quo planxerunt quondam Iacob tertio ab Iericho lapide, duobus milibus ab Iordane, qui nunc vocatur Bethagla, quod interpre-tatur locus gyri, eo quod ibi more plangentium circuierunt in funere Iacob. (Jerome 9:17-20) Eusebius, Onomasticon 8:17-20 (ca. 295 A.D.); Jerome 9:17-20 (ca. 390 A.D.) Alon Atad [the threshing floor of Atad] (Gen 50:10), "beyond the Jordan", where they mourned Jacob, is a place at the third milestone from Jericho, two miles from the Jordan, which today is called Bethagla, meaning "the place of the circle", for there they walked in a circle, as mourners do, at Jacob's funeral.
BETH-HOGLAR, once (Josh. 156) AV Beth-hogla (…), 104, place of partridge,’ cp HOGLAH), a Benjamite city on the border of Judah (…). Under the form Bethalaga it is, according to Jos. (Ant. xiii. 15), the place to which Jonathan fled before Bacchides, I Macc. 963 (but see BETHBASI). The Onom. erroneously identifies Beth-hoglah with Atad (see ABEL-MIZRAIM, end). The interpretation ‘Belhagla, locus gyri’ of Jer., according to WRS (ReL Sem.PI 191, n. I), may rest upon a local tradition of a ritual procession around some sacred object there (cp Ar. &ala, ‘hobble, hop‘) - similar perhaps to the Ar. ceremonial tawdf (for which see We. Heid(21 IIO). (…). -- Encyclopedia Bíblica.
Gênesis 50: 7Subiu, pois, José para sepultar a seu pai; e com ele subiram todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito, 8como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai; somente deixaram na terra de Gósen os seus pequeninos, os seus rebanhos e o seu gado. 9E subiram com ele tanto carros como gente a cavalo; de modo que o concurso foi mui grande. 10Chegando eles à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram ali um grande e forte pranto; assim fez José por seu pai um grande pranto por sete dias. 11Os moradores da terra, os cananeus, vendo o pranto na eira de Atade, disseram: Grande pranto é este dos egípcios; pelo que o lugar foi chamado Abel-Mizraim, o qual está além do Jordão.
A partir do momento em que a Enciclopédia Bíblica constata que S. Jerónimo e Eusébio de Cesareia confundiram Beth-Hoglah com a eira de Atade, os delírios romanescos de Robert Graves parecem exagerados e mal fundados sobretudo quando comete o erro flagrante de dar à festa do Pesach o significado de “mancando”.
Pésaj (en hebreo פסח), literalmente «salto», es la festividad judía que conmemora la salida del pueblo hebreo de Egipto, relatada en el libro bíblico del Éxodo. El pueblo hebreo ve en el relato de la salida de Egipto como el hito que marca el nacimiento del pueblo como tal.
23Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta, e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los. Éxodo 12:23, Nova Versão Internacional (NVI-PT).
Por qualquer motivo a psicanalisar Robert Graves confundiu propositadamente o significado literal da Páscoa Judaica que é “saltar”, passar por cima”, com “coxear, claudicar” o que lhe permitiu de seguida associar esta festa às danças claudicantes palestinas da Primavera.
Em parte porque parece haver dúvidas razoáveis sobre o verdadeiro significado etimológico da Pascoa!
Targum Onkelos translates pesach as "he had pity", The English term "Passover" is first known recorded in the English language in William Tyndale's translation of the Bible, later appearing in the King James Version as well.
Depois porque só de passagem é que a Páscoa terá algo a ver com nenhuma passagem histórica real porque se sabe que significa “passagem”, não necessariamente por ter sido um rito fundacional da passagem do mar vermelho mas…por ser a evolução de muito mais universais e arcaicos “ritos de passagem”, que seriam realizados nas “festas dos rapazes” israelitas.
Finalmente, porque se é um facto que os coxos e aleijados estão desabilitados para os saltos atléticos a verdade é que andam aos saltinhos.
A cultura humana temperou-se de vigor realista no fogo da luta entre o Eros do amor à vida e o Tanatos da repulsa pela morte de que a dor e doença é a antecipação temerosa e as Deformidades e os Aleijões a insuportável imagem da nossa humana condição de mortais. Assim sendo, a repugnância estética e a acrimónia moral dos estigmatizados no corpo constitui um handicape d´alma acrescido às limitações objectivas de que certos sinistrados sofrem tanto pela compaixão como pelo ridículo que a deficiência evoca, têm por reverso o sofrimento moral, de que o prejuízo estético é apenas o mais suave dos eufemismos.
Meninas amai o coxo / Que o coxo também se ama
Só a gracinha que tem / Ir aos saltinhos para a cama
E terá sido assim com esta e mais três Graças que Afrodite foi aos saltinhos com Hefesto para os infernos vulcânicos ficando assim psicanalisado o lapso de Robert Graves.
Ninguém sabe ao certo quando se deu a suposta libertação dos judeus do Egipto mas existem autores que pensam que se algo semelhante aconteceu foi durante a erupção do vulcão de Santorini que levou à derrocada da talassocracia minóica ou seja mais ou menos na mesma época lendária da morte do Minotauro às mãos de Teseu.
Assume that people such as Simcha Jacobovici and James Cameron are correct and that the Santorini eruption caused all ten Plagues of Egypt. This accounts for one eruption. Since the Bible account relates that all ten plagues did not occur at once, we can assume that at least a month expired between plague #1 and the start of the Exodus We now have one eruption and one month.
When the Israelites arrived at the Red Sea, a tsunami is alleged to have appeared at precisely the right time even though Santorini had erupted a month earlier. Since we know that the Bible cannot be wrong, we need a second eruption. The count is now two cataclysmic eruptions separated by one month. Moses and the Israelites now follow the Cloud/Fire to Mount Sinai. -- Robert W. McDonald.
Obviamente que o argumento ad contrario sensu não cabe bem aqui mas ler num fanático teísta que a Pascoa judia não pode ter ocorrido na sequência da catástrofe de Santorini porque “sabemos que a Bíblia não pode estar errada” deixa qualquer um sem argumentos teológicos. Na verdade, a mim não me ocorre melhor exemplo do que esta acrimónia teísta de Robert W. McDonald, sobretudo quando este se atreve, noutro ponto do seu competitivo dogmatismo teológico a aceitar que se tratou de facto arqueológico “indisputável”.
It is indisputable that there was indeed a catastrophic volcanic eruption in antiquity. The point of contention is when this eruption occurred, with the “best estimates” obtained from geology and archaeology placing that event sometime between 1650 and 1600 BCE. -- Robert W. McDonald.
No entanto, este facto não está na Bíblia pelo que afinal esta tem que estar errada de algum modo nem que seja por omissão de factos importantes. E quanto à Páscoa judia sobretudo na forma humanamente vergonhosa e teologicamente diabólica como Deus teria intencionalmente matado os primogénitos do povo egípcio só para libertar o povo judeu da fartura de cebolas que estes lhe davam! Assim, podemos concluir ad contraio sensu que estamos perante um relato mítico fundacional imaginário porque de uma época tão tenebrosa e monstruosa como a do Minotauro a quem possivelmente os cretenses sacrificavam também os seus primogénitos em épocas de pragas e calamidades.
Mas como Deus escreve por linhas tortas e dá sobretudo importância às minudências acaba por ser estranhamente interessante verificar o seguinte:
Um destes detalhes é a música. Diversos clássicos do cancioneiro judaico estão presentes neste cerimonial, entre eles o magnífico “Dayenu”. Dayenu é uma dessas pérolas da língua hebraica, onde as vezes uma única palavra fala mais que frases inteiras. Neste caso, Dayenu significa algo como “Já teria sido suficiente para nós”.
Se ELE nos tivesse libertado do Egito,
sem porém ter-lhes [aos egípcios] feito julgamentos,
Dayenu! [2]
Pois bem, o pequeno detalhe que está na letra da música é precisamente Dayenu que poderia ser traduzido em português por Car-ago, Car-amba ou por algum palavrão anda mais vernáculo com o mesmíssimo significado contextual praticamente intraduzível mas que sugere tudo! Ora “tudo” era em grego Pan-ta termo etimologicamente parecido com Dagon que parece ter sido este significado de em acádico e, coisa ainda mais estranha, parece ter sido também este, o significado de algo escrito com uma suástica seguido do pictograma para Wan ou Man em escritas orientais.
O Budismo foi fundado por um príncipe hindu e as duas formas da suástica são uma herança dessa cultura. O símbolo foi incorporado, desde a Dinastia Liao, nos ideogramas chineses, com o sinal representativo ou (wan, em chinês; man, em japonês; van, em vietnamita), significando algo como "tudo" ou "eternidade", mas o desenho (suástica virada à direita) é raramente usado. A suástica marca as fachadas de muitos templos budistas.
Em acádico Dayan era a estrela da constelação de Draco que por volta do terceiro milénio antes de Cristo seria a estrela que marcaria o norte aos marinheiros da época pelo que, como Dayenu seria mais do que suficiente porque seria “tudo” como foi Dagon para os marinheiros minóicos e depois fenícios. Também interessante será verificar que os mais ferrenhos destruidores do culto de Dagon foram os judeus macabeus que praticamente o extinguiram tendo apenas ficado um culto remanescente em Gaza mesmo assim oculto sob o nome de Marnas, onde se celebravam as maioumas, grandes festivais da primavera em honra de Maia, que entre os latinos era esposa de Vulcano.
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Figura 3: Mar-ca de Mar-nas.
O símbolo de Marnas era parecido com uma suástica incompleta.
E assim se fecha o círculo desta especulação porque Marnas era supostamente Zeus Velchenos em Creta e quem fazia o papel de Vulcano na Grécia era Hefesto que supostamente seria coxo e anão.
Dal punto di vista storico-archeologico molti studiosi concordano nell’individuare nella moderna Pesach l’unione di due festività preesistenti e distinte. Una era la Pasqua dell’uccisione dell’agnello e l’altra gli Azzimi del pane non fermentato. La natura di passaggio e spostamento della festa di Pesach riporta ad usi pastorali premosaici, mentre gli Azzimi risalirebbe alla religione Cananea. Nella Bibbia si possono trovare tracce di una celebrazione ancora disgiunta delle due feste fin dopo la penetrazione ebraica nella terra di Canaan. – Wikipédia.
Assim, esta tradição judia seria no mínimo uma assimilação cananeia como a dança claudicante herdada ou partilhada com os minóicos cretenses.
No entanto, nenhum autor confirma que Beth-Hoglah fosse a “casa do coxo”, que foi Jacob, por ter lutado com um anjo e que foi sepultado junto da eira de Atade.
The Arabic word for ‘hobble’, which gives its name to Beth Hoglah, is derived from the word for partridge. The inference is that the dance performed there was characterized by a hobbling gait. The partridge is a spring migrant and sacred to the Love Goddess because of its reputation for lasciviousness, according to Aristotle and Pliny. Like the wood cock, it mating dance is performed for an audience of hens. The cock flutters in circles in a hobbling gait, one heel held high to strike whatever rival appears. Partridges become so absorbed in their mating ritual that nothing can deter them. In ancient times a decoy cock was put in a cage at the end of a long brushwood tunnel. Its call attracted not only the hens but other cocks as well. The decoy male was one that had dislocated its leg in attempting to escape a horse hare snare. -- EARLY MYTH AND THE GODDESS IN ANCIENT CHINA, ANCIENT HISTORY and RELIGION TIMELINE
Que a palavra árabe para «coxo» tenha dado nome a Beth Hoglah parece duvidoso pela precedência que esta localidade tem na Bíblia judaica. Possivelmente terá sido ao contrário, ou seja: o árabe recebeu do aramaico o termo para «coxo» que teria, este sim dado, nome a Beth Hoglah, ou então, derivado deste por razões que se terão prendido com tradições locais relacionadas com a dança claudicante (da perdiz ou do grau) referida por Robert Graves.
Mas as restantes fontes também não são unânimes porque Jerónimo chama a Beth-Hoglah o “local do círculo” e a Encyclopedia Bíblica, “casa da perdiz”.
Traduzir terreiro circular de dança da roda por eira de malhadas e desfolhadas parece uma boa figura de estilo mas só se as danças fossem garantidamente claudicantes é que seria legítima a tradução figurativa de Bete-Hogla por “santuário do coxo” que seria a eira de Atade.
Ora, talvez seja esta insegurança das fontes que salvam in extremis a tese de Robert Graves de que em Beth-Hoglah existiria “a tradição local” não “de uma procissão ritual em torno de algum objecto sagrado” porque seria apenas e tão-somente a “dança da roda”, da perdiz ou outra mas seguramente claudicante, cuja objectividade histórica terá que ser confirmada noutras fontes!
Infelizmente as fontes directas são praticamente todas de Robert Graves pelo que a teoria da dança claudicante das perdizes da Páscoa judia como modelo arcaico de dança de cortejamento não passará de mera conjectura que, no entanto, deve ser considerada “mui bene trovata” a partir de fontes indirectas.
Topsell reported that "when fables ruled the world" it was believed that a proud queen of Pygmies named Oenoe or Gerania was turned into a crane by Juno and Diana, because she taught her people to neglect other gods and worship her.
Gerania thereafter began an irreconcilable war between cranes and Pygmies that has persisted ever since. Much the same story appears in the Iliad of Homer. [3]
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Figura 4: Geranomaquia, batalha dos pigmeus contra as garças. Base do vaso François.
Os Teucros em batalha, após seus cabos,
Gritando avançam: tal se eleva às nuvens
Dos grous o grasno, que em aéreas turmas,
Da invernada e friagens desertores,
Contra o povo Pigmeu com ruína e morte,
O Oceano transvoam. Desejosos
De entreajudar-se, tácitos os Gregos,
Força e coragem respirando, marcham. - Homer, Ilíada 3.3. Tradução em verso de Manoel Odorico Mendes (1799-1864)
Os gregos antigos acreditavam, possivelmente por reminiscências antigas da talassocracia cretense, ou por recentes informações alexandrinas que a região copta etíope era infestada de aves do paraíso a que os gregos chamavam geranos, o que de facto ainda hoje acontece mas não muito longe da Etiópia, na região dos Grandes Lagos.
From this legend perhaps came the Greek name geranos or gereunos for cranes. Likewise, they were sometimes known as the birds of Palamedes, since, at about the time of the Trojan Wars, the mythic hero Palamedes reputedly invented several Greek letters by watching the convolutions of flying cranes. The avian genus Palamedea, however, was subsequently applied to the South American crane-like birds known as screamers. On the other hand, the Romans called cranes grues, evidently because of their grunting voices. [4]
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Figura 5: The Arusha region is an area famous for its variety of bird species, especially the beautiful lake and its shores Duluti lined with forests.
O grunhir é a voz do porco mas, muitos outros animais emitem sons semelhantes.
«Guindaste» < ant. Nórd. windass = Guincho = sistema mecanico de alavancas para grandes pesos = «Grua» < fêmea do grou < Lat. *gruu por grue > «maçarico» = aparelho (com a morfologia do pássaro pernalta do mesmo nome), provido de um tubo, que serve para dirigir, por pressão de ar, a chama sobre um objecto que se pretende aquecer ó (prov.) «Cegonha», Picota ou Burro de tirar água dos poços. > Cegonha (???) = Eng. Crane.
O labirinto nem sempre assumiu o sentido de prisão na Grécia. Verifica-se, por intermédio de diversos relatos, a presença de uma dança na ilha de Selos. A narrativa mítica nos conta que Teseu, depois de sua vitória sobre o Minotauro, fez uma escala nesta ilha. Após oferecer um sacrifício e consagrar uma estátua a Afrodite, Teseu fez uma dança com os jovens que ele havia libertado da morte. Ao que se sabe, essa dança é, até hoje, conhecida pelos délios. Alguns autores descrevem a dança como sendo formada por uma fileira de jovens que se seguram uns aos outros nos punhos, formando uma corrente. Cada uma das pontas do grupo representa Teseu e Ariadne. As extremidades da corrente desenham movimentos ondulados, formando espirais, em sentidos alternados, para a esquerda e para a direita, para dentro e para fora. No final, as duas pontas se unem, representando a união entre os pares complementares, inicio-fim.
Segundo pesquisas do historiador das religiões, Mircea Eliade (1988), todas as danças eram, originariamente, sagradas e seu modelo advinha de uma revelação. Devido a essa origem extra-humana e seus movimentos repetitivos as danças promoviam uma reactualização de um tempo sagrado.
Através dos movimentos reproduzidos, era possível incorporar o homem ao animal. Como exemplo, Eliade (1988:43) cita as danças armadas de Atena e a dança do labirinto de Teseu.
Esse género de dança também é chamado de dança do grou ou da cegonha. Ave pernalta, migradora, a cegonha passa o Inverno no sul da África e na Índia e o verso na Europa Central.
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Figura 6: Grous sagrados chineses ou aves do paraíso!
Por isso, diz-se que essa ave atravessa todo o globo terrestre, unindo uma extremidade a outra. Tudo isso só é possível graças à sua habilidade de se orientar no céu. Utilizando-se do recurso de atirar uma pedra para marcar e reconhecer territórios, a cegonha, através do som ouvido com a queda da pedra, pode reconhecer se esta no mar ou na terra. Dessa forma, o grou, na cultura grega, 6 conhecido por sua prudência e cautela. Existe, entre os marinheiros gregos, um provérbio que diz: "Os grous carregam seixos", recomendando às pessoas que estas também, a exemplo da ave, ousem as mais distantes travessias, porem sempre sabendo para onde estão indo, sabendo como se orientar. Nas palavras de Detienne (1991:19): Esses grandes pássaros possuem de maneira exemplar a capacidade de prover, a ponto de parecerem conhecer, de maneira intuitiva, a natureza dos ares, as mudanças das estações. O labirinto da hipermídia, Por Lucia Leão.
Crane = O. E. cran "ave pernalta de grande porte," comum germânico (cf. O. S. krano, O. H. G. krano, Ger. Kranich, e, com a mudança inexplicável de consoante, trani O. N.), do PIE * Gere (cf. Gk. geranos, L . grus, galês Garan, Lith. garnys "garça, cegonha"), talvez onomatopaico do seu grito.[5]
A similar myth in India refers to warfare between dwarfs and the fabulous garuda bird (???).
Garuda the bird of Visnu ó Vamana, the Dwarf Avatar of Vishnu ó Lord Vishnu took his seventeenth incarnation as a Dwarf, when Bali the king of the demons had captured the entire three worlds. Indra and all the other deities were wandering all around after losing the heaven.
                                                    ó Gal. Garan ó Lith. Garnys.
«Grou» < L. grus < Gk. Geranos < Ker | < Kaur < Kur | -Anu
> O. H. G. krano > O. E. cran > Engl. crane.
Claro que o PIE * Gere se ficou pela cultura greco-romana e, quiçá, pela cultura védica onde pode ter dado origem ao nome de Garuda. Isso não quer dizer que a raiz -gere não seja de ter em conta na fixação da fonética greco-romana pela relação «giratória» das majestosas danças nupciais destas aves muito mais do que pela onomatopeia dos seus grunhidos!
No entanto, não foi possível confirmar uma lenda hindu de uma luta de pigmeus e grous semelhante à grega pelo que a haver uma relação esta terá sido mais arcaica ou lateral, possivelmente por meio dos deuses que tiveram esta ave como animal de transporte…e quase todos os deuses olímpicos tiveram uma para se elevarem até aos cumes do monte Olimpo. O deus mais evidentemente relacionado com uma ave pernalta é, sem dúvida, o deus egípcio, Tote, o deus pelicano da escrita e da sabedoria, esposo de Maat.
Maat seria uma forma egípcia de Atena e então Tote seria a variante de Hefesto, deus que se nunca foi casado com esta deusa de Atenas, foi pai de Eritónio, o filho unigénito desta eterna e sempre Virgem Mãe.
(…) Topsell noted that the three most likely letters to have been extracted from the flight of cranes, alpha, lambda, and upsilon, are probably not actually attributable to Palamedes, who was reputed to have invented several new Greek letters from watching the formations of cranes. Yet, M. Martial ( A D 40-104), a Roman epigramist, and Flavius 'Cassiodorus (c. 490-575) both affirmed that the entire Greek alphabet was obtained from the flight of cranes by the god Mercury.
Aristotle, Homer, and many other early authors believed that the cranes regularly engaged in warfare with Pygmies, or geranomachian. These Pygmies were believed to live in caves and were called Troglodytes, and at times were thought to ride on the backs of various animals. According to Pliny, the Pygmies were driven out of Geranea, their first city, by cranes, and later made warfare with them, attacking with iron weapons and darts or by riding on the backs of rams and holding in their hands a kind of clapper. [6]
A cultura grega anterior à idade das trevas esteve intimamente ligada à cultura egípcia pela relação que Creta e a talassocracia Egeia tinham com o Delta do Nilo que faria parte desta até a sua derrocada sendo possivelmente mítica a ideia de que as primeiras dinastias do Egipto fizessem parte de um Antigo Egipto unido que mais não seria do que a visão posterior da supremacia cultural do Delta que tinha por capital Mênfis, literalmente terra dos minóicos. Por alguma razão a dinastia dos chamados “chefes estrangeiros” asiáticos de Avaris só efemeramente se sediou em Mênfis e por alguma razão também os egípcios sempre tiveram relações preferenciais com os cretenses e depois com os gregos alexandrinos com quem melhor se identificavam culturalmente possivelmente por com eles terem partilhado um passado comum.
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Figura 7: Tote.

É uma divindade lunar (o deus da Lua) que tem a seu cargo a sabedoria, a escrita, a aprendizagem, a magia, a medição do tempo, entre outros atributos.
Era frequentemente representado como um escriba com cabeça de íbis (a ave que lhe estava consagrada). Também era representado por um babuíno.
É óbvio que, implícita a estas crenças greco-romanas relativamente aos, estavam antigos mitos conservados no Egipto em torno do deus Tote.

Ver: HERMES TRIMEGISTO (***)

De facto, não deixa de ser estranho que Tote fosse tanto um Íbis como um babuíno e isso pode ser explicar postulando que este deus resolveu o conflito da luta dos grous com os pigmeus (ou babuínos) identificando-se com ambos.
Na Grécia os atributos deste Deus parecem ter-se distribuído mais por Hefesto do que por Hermes mas, seguramente que ambos herdaram os atributos que também eram de Enki.
Se o nome Zehuti parece sugerir o de Zeus a verdade é que o de Zonga sugere o de Dagon, que era uma variante arcaica de Enki.
Toth, Tot, Tôt, Thoth ou Zonga é o nome em grego de Djehuty (ou Zehuti), um deus pertencente ao panteão egípcio, deus da sabedoria um deus cordato, sábio, assistente e secretário-arquivista dos deuses.
Nunca poderemos saber em definitivo se o mito ameríndio da serpente emplumada de Quetzalcoatl deriva dos deuses pernaltas de pescoço longo como os das cegonhas ou se todos estes se relacionam em última instância dos cultos do “disco solar alado”.
Kukulcán era a versão maia do deus asteca Quetzalcóatl, serpente emplumada. Para os maias "kukul" significa sagrado ou divino e "can" significa serpente.
À primeira vista nem Quetzalcoatl, que aqui é apenas literalmente o pássaro serpente, nem Kukulcan parecem ter algo a ver com os geranos gregos mas é possível que todos estes nomes tenham a ver com o culto das serpentes aladas que eram centrais nos cultos de mistério da deusa Mãe Deméter.
Gk. Geranos < Ker | < Kaur < Kur | -Anu = (Ka)-Kur-(Ki)-Anu
> *Sacur-Enkino > Kukulcan ó «Pelicano».
*Sacur-Enkino era seguramente o pássaros da aurora fosse ele a cotovia ou qualquer outro mais vistoso como o Faisão, o Pavão, a Cegonha, que trás os meninos gerados depois da dança geranos, ou o Grou ou a mítica ave-do-paraíso, a Fénix fenícia ou o pássaro Benu dos egípcios, aves relacionadas com o culto sacarídeo (deuses solares fenícios) da aurora primordial, ou, também e porque não o «pelicano» parreco por ser marreco (= corcovado, sagaz e astuto) como Hefesto.
(…) Although not noted by Topsell, the dances of cranes have attracted the attention of many cultures. The somewhat circular movements of the crane's dance were associated by ancients with the sun's seasonal movements.
The appearance of the cranes in the spring thus implied a resurgent sun-god, while their dancing epitomized both fertility and death. According to Plutarch, when Theseus returned to Delos from Crete after slaying the Minotaur, he and his friends danced the geranos or crane dance, going through the convoluted motions of entering and leaving the Cretan labyrinth (Rowland, 1979). Crane dancing has had its counterparts in both eastern and western cultures, for the Oskits of Siberia dressed in crane skins and performed funereal dances, and similar dances were associated with Chinese funerals. In Australia, many of the aboriginal tribes included crane dances in their corroborees. – Cranes of the World: 8. Cranes in Myth and Legend, Paul A. Johnsgard University of Nebraska-Lincoln.
"he danced with his youths a dance that they say the Delians still perform ... This dance, as Dicaearchus tells us, the Delians call the Crane" [Plutarch, Theseus 21] (My trans.).
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Figura 8: Xoros grego antigo.
ἐν δὲ χορὸν ποίκιλλε περικλυτὸς ἀμφιγυήεις,
τῷ ἴκελον οἷόν ποτ᾽ ἐνὶ Κνωσῷ εὐρείῃ
Δαίδαλος ἤσκησεν καλλιπλοκάμῳ Ἀριάδνῃ.
Coreia ali gravou, qual na ampla Cnosso
Fez Dédalo à pulcrícoma Ariadna.
Moços e virgens palma a palma enlaçam.
A terra pulsam: tênue linha as veste,
Veste-os guapo tecido azeitonado;
Elas flóreas grinaldas, eles trazem
Áureos alfanjes em talins de prata.
Com mestra e leve planta, ou já discorrem
Qual do oleiro tocada ao móbil torno
Rápida volve a roda, ou já desfilam:
Deleita-se o tropel que em cerca pasma.
Dois adiante uma toada rompem,
A voltear e aos pulos. — Em remate,
Na orla esculpiu do enorme rijo escudo
A ingente força do Oceano rio.
Escudo de Aquiles – Livro XVIII da Ilíada de Homero Tradução de Manoel Odorico Mendes (1799-1864).
Philostratus the Younger, Imagines 10 (trans. Fairbanks) (Greek rhetorician C3rd A.D.): "[From the description of a painting:] A troup of dancers here, like the chorus which Daidalos is aid to have given to Ariadne, the daughter of Minos. What does the art represent? Young men and maidens with joined hands are dancing."
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Figura 9: O “coro” de Teseu e Ariadne do vaso François.
Although Plutarch writes in the second century of our era, K. Friis Johansen thinks that the dance is represented on the famous François vase from the second quarter of the sixth century BC (20). The names of Theseus and Ariadne are written on the vase and the boys and girls are undoubtly dancing. The dance may, therefore, have been known in the early sixth century BC, but I think it probably was much older. -- Robert Graves.
De vestidos, bom leito e quentes banhos.
Bailai vós, peritíssimos Feaces;
O hóspede narre aos seus quanto excelemos
Em navegar, em pés, em dança, em canto.
Corra alguém, e a Demôdoco da régia
Depressa traga a cítara sonora.”
Pontono corre. Os públicios do circo
Nove eleitos juizes, levantados,
O lugar aplanando, o espaço alargam.
O arauto volta; a cítara o poeta
Recebe, a quem na arena adolescentes
Cercam destros e airosos, em cadência
Pulsando o chão divino: absorto Ulisses
O enredo, o passo, a rapidez contempla.
Demôdoco depois dedilha e canta
Como furtiva a coroada Vênus
Uniu-se a Marte, que o Vulcânio toro
Maculou com mil dons peitando a esposa. -- Odisséia
Homero Tradução de Manoel Odorico Mendes (1799-1864).
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Figura 10: Vaso grego com duas fiadas duma dança de roda.
ὣς ἔφατ᾽ Ἀλκίνοος θεοείκελος, ὦρτο δὲ κῆρυξ
οἴσων φόρμιγγα γλαφυρὴν δόμου ἐκ βασιλῆος.
αἰσυμνῆται δὲ κριτοὶ ἐννέα πάντες ἀνέσταν
δήμιοι, οἳ κατ᾽ ἀγῶνας ἐὺ πρήσσεσκον ἕκαστα,
λείηναν δὲ χορόν, καλὸν δ᾽ εὔρυναν ἀγῶνα. 260
κῆρυξ δ᾽ ἐγγύθεν ἦλθε φέρων φόρμιγγα λίγειαν
Δημοδόκῳ: ὁ δ᾽ ἔπειτα κί᾽ ἐς μέσον: ἀμφὶ δὲ κοῦροι
πρωθῆβαι ἵσταντο, δαήμονες ὀρχηθμοῖο,
πέπληγον δὲ χορὸν θεῖον ποσίν. αὐτὰρ Ὀδυσσεὺς
μαρμαρυγὰς θηεῖτο ποδῶν, θαύμαζε δὲ θυμῷ. 265
Strictly within epic terms, coros can be both an actual dancing floor, like the one prepared by the Phaiakians (Odyssey 8.260) or the dance or the dance itself, a few lines later (8.264) or, according to the meanings of askew and the χορός or the dance itself, a few lines later (8.264) or, according to the meanings of and the it resembles on the shield, a representation of a dance. Pausanias accepted as the work of Daidalos a marble relief shown to him at Knossos (9.40.3), presumably a Neo-Attic work with dancing figures, while the epic description seems to have suggested a painting to Philostratos and Vergil. For many, the architectural implications of this description have dominated interpretation and encouraged the view of Daidalos as architect.
This interpretation began in antiquity when scholiasts made χορός a place (topos) complete with columns and statues arranged in a circle. Most recently, circular structures of the Late Minoan pe-riod newly discovered at Knossos have been identified as the χορός of Daidalos, but there is no reason it need be round (the earliest round orchestra in Greece, in the theater at Epidauros, dates from around 300 B.C.), and Daidalos is not necessarily an architect until the late classical period. -- SARAH P. MORRIS. Daidalos and the origins of Greek art.
Não é o caso mas o dogmatismo com que os doutos catedráticos defendem as teses de que retiram mordomias e ganha-pão são por demasiadas vezes atrasos de vida cultural. Assim, o primeiro comentário a este escólio (ainda longe de ser escolástico) é o de que as palavras são voláteis de mais para se fazer finca-pé nelas como fazem os biblicistas cristãos e quase todos os “escolásticos” académicos modernos que parecem querer ser donos da tradição antiga ou clássica!
Chorus = 1560s, from L. chorus "a dance in a circle, the persons singing and dancing, the chorus of a tragedy," from Gk. khoros "band of dancers or singers, dance, dancing ground," perhaps from PIE *gher- "to grasp, enclose," if the original sense of the Greek word is "enclosed dancing floor." -- Online Etymological Dictionary.
De facto, depois de exaustiva procura no melhor do banco de dados linguísticos sobre a antiguidade clássica que é o Perseus Digital Library Project possível encontrar o termo grego antigos χορός com o significado comum de “dança da roda”…e também com o significado de terreiro ou adro para dançar a roda!
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Figura 11: A dança da roda, χορὸς κύκλιος, era possivelmente a mais primitiva, simples e intuitiva forma de rapazes e raparigas se divertirem a dançar.
A dança de acasalamento das aves era considerada por muitos povos primitivos como uma cerimônia mágica. Por isso a imitavam na crença de que aquela dança favorecia a fertilidade ou trazia chuva. Aliás, a "Dança da Chuva" dos indígenas Hopi, da Califórnia, é inspirada no vôo nupcial das águias; a dos Tahuhumare, no México, imita os perus. Na dança Schuhplatter, dos Alpes, os humanos usam penas de certa ave da região e dançam aos pares como o pássaro faz durante a época de acasalamento. – Autor anónimo.
I. a round dance, used at banquets and festive occasions, Hom., Hes.:— at Athens, the χορὸς κύκλιος performed round the altar of Dionysus, Hdt., Eur., etc.
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2. from the Dionysiac Chorus arose the Attic Drama, which consisted at first of tales inserted in the intervals of the Dance (ἐπεισόδια), recited by a single actor: this dramatic chorus was either τραγικός consisting usually of 15 persons, or κωμικός of 24. When a Poet wished to bring out a piece, he asked a Chorus from the Archon, and the expenses, being great, were defrayed by some rich citizen (the χορηγός): it was furnished by the Tribe and trained originally by the Poet himself (hence called χοροδιδάσκαλος).
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II. a chorus, choir, i. e. a band of dancers and singers, Hhymn., Pind.
2. generally, a choir or troop, τέκνων Eur.; also of things, χ. σκευῶν a row of dishes, Xen.; χ. ὀδόντων a row of teeth, whence the joke of οἱ πρόσθιοι χοροί, for the front teeth, Ar.
III. a place for dancing, λείηναν χορόν Od., etc.
«Coro» = • (Lat. choru < Gr. chorós), s. m. grupo de pessoas que cantam juntamente; < parte da igreja onde os clérigos cantam em comum os hinos religiosos < dança coral religiosa = L. chorus < Gk. Χορός.
Χορεία = dance = A. dance, esp. choral dance with music (…) 2. of any circling motion, as of the stars (…) < II. dance-tune (…).
A tradução que Manoel Odorico Mendes faz do termo homérico χορὸν como sendo Coreia parece pouco acertada com a tradição e com o português actual e deveria então ser reservada para a “dança da roda”. Repetindo, tanto em grego como em português o termo grego pode ser transliterado directamente “mutatis mutandis”. No entanto, o grego teve termo específico para espaço de dança (χορεῖον) e para “dança da roda” (Χορεύω) e para os coralistas bailarinos (Χορευτής / χορευτής). O termo luso actual «corete» = (< coro + eto), s. m. “espécie de palanquete ou coro, construído ao ar livre, para concertos musicais” terá tido origem dentro do português enquanto pequeno coro improvisado em festas e romarias porque se parece com o oposto de *cureião.
A forma como a palavra chegou ao português tanto semântica como etimologicamente confirma as duas possibilidades de se reportar tanto à “dança da roda”, que na forma mais simples sempre foi coral e “cantada à capela”, como para o espaço ou coro onde o coral canta. No entanto, a lógica evolutiva neste caso parece apontar para que o espaço tenha precedido a tempo da acção ou seja, a dança deve ter começado no antro onde se procedia a iniciação dos *coiretes / curetes cretenses.
Assim, o «coro» teria começado como «área» > «eira» > «arena» < Proto Latim *haurena < caureana < Kaur-e-ana > Grec. χορεῖον <= Kur-Ania, lit. terra (espaço) do Sr. do Kur que foi Enki, e por isso subterrâneo. Kur ou Ki-ush acabou sendo Zius / Zeus o deus dos curetes e coribantes cretenses.
O Sr. do Kur seria o próprio Min-o-tauro que deu nome aos «curros» e «corrais» de vacas e outros animais que primitivamente partilhariam o mesmo espaço subterrâneo dos labirintos de iniciação nas cavernas de Creta. Obviamente que numa determinada altura do neolítico os espaços e conceitos separaram-se mas o Minotauro e o labirinto continuaram ligados na memória cultural e acabaram por confundir-se com o dédalo de Ariadne. A afirmação de Sarah P. Morris de que os escólios clássicos defendiam que o “χορός era um lugar (topos) circular repleto de colunas e estátuas reporta-nos para os tolos gregos
In Greece, the vaulted tholoi are a monumental Late Bronze Age development. Their origin is a matter of considerable debate: were they inspired by the tholoi of Crete which were first used in the Early Minoan period or were they a natural development of tumulus burials dating to the Middle Bronze Age? In concept, they are similar to the much more numerous Mycenaean chamber tombs which seem to have emerged at about the same time. Both have chamber, doorway stomion and entrance passage dromos but tholoi are largely built while chamber tombs are rock-cut.
Finalmente, tholos designa principalmente a un templo de estilo clásico, generalmente griego, de planta circular rodeado de una columnata. El más conocido es el tholos de Delfos.
Seguramente que os factos arqueológicos mais as opiniões dos escólios reforçam a ideia de que o Tolos clássico seria uma evolução formalmente diversificada de um espaço arquitectónica que estranhamente teria tido uma enorme tenacidade de nome e na forma circular e que teria estado na origem ligado a cultos de morte e ressurreição solar surgidos a partir das grutas labirínticas cretenses onde haveria sempre um espaço circular para dançar em ritos iniciáticos de passagem (pascais).
Lo cierto es que el Tholos destaca sobre el resto de construcciones, tanto por su forma peculiar como por su monumentalidad. En realidad es una construcción bastante atípica, aunque durante el Siglo IV a.c. se construyeron en Grecia varios recintos sagrados de planta circular, conocidos con el nombre de Thóloi.
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Figura 12: Reconstrução do Tolos de Delfos.
Entre ellos son famosos los de Epidauro, Olimpia y Delfos, siendo éste último sin duda el más conocido. Su función no es del todo conocida, en ninguno de los tres casos y parece claro que no se trataba de templos, aunque tenían una función religiosa que algunos relacionan con el culto dedicado a los espíritus del inframundo, los que se conocen como divinidades ctónicas.
Una explicación más simple lo relacionaría con una construcción de tipo funerario, lo que se relacionaría con la propia forma de tholos, equivalente a la tipología de las tumbas de época micénica, y también a la utilización en la cella del capitel de orden corintio, que en base a la leyenda de su origen, se suele relacionar con cultos funerarios. Recordemos en este sentido que la tradición atribuye el invento del capitel corintio a Calímaco, que había visto como las hojas de acanto envolvían una cesta de ofrendas sobre la tumba de una joven, que se elevaba con la fuerza de la planta.
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Figura 13: Planta do Labirinto de Gortina de 1821.
É a explicação mais simples neste caso não parece ser a mais óbvia porque para que o tolos clássico fosse uma construção funerária seria de tipo fundacional e logo política pelo que alusões aos heróis ali enterrados teria deixado rasto na vasta literatura clássica nomeadamente nos escólios como ficou célebre o mausoléu de Helicarnasso. A relação passada com mausoléus parece inegável mas começa a ser cada vez mais provável que o uso das construções megalíticas antigas como túmulos individuais ou colectivos seria secundária e quando exclusiva, como, se calhar, as pirâmides egípcias nunca o foram, seria uma mais que provável distorção da sua vocação original polivalente ainda inegável nas estruturas megalíticas de Malta, que incluiriam também e sobretudo locais de parto nas culturas matriarcais mediterrânicas conhecidas desde Malta a Chipre a orientes e da Sicília às Baleares a ocidente. Também começa a ser claro que Creta não tem destas estruturas porque especulativamente todas as estruturas megalíticas seriam mais ou menos derivadas ou inspiradas pelas grutas labirínticas de Creta.
«Tolos» < Tholos < Taulas baleares > Talos, o deus cretense do sol

Ver: TALOS (***) & TALASSA (***) & TALABRIGA (***)

Assim sendo parece poder concluir-se que os Tolos clássicos seriam locais de cultos ctónicos relacionados com a iniciação guerreira e…«coros» onde se dançavam a «coreia» labiríntica de que os coretos minhotos seriam uma réplica temporária e em ponto pequeno.
Nicolas Howarth, an Oxford University geographer, said: ‘Going into the Labyrinthos Caves at Gortyn it’s easy to feel this is a dark and dangerous place where it is easy to get lost. ‘Evans’s hypothesis that the palace of Knossos is also the Labyrinth must be treated skeptically. The fact that this idea prevails so strongly in the popular imagination seems more to do with our romantic yearning to believe in the stories of the past, coupled with the power of Evans’s personality and privileged position.’ -- Maze of underground caves could be the original site of the Labyrinth
O labirinto de Creta seria possivelmente a gruta de Gortina e não o palácio de Knosos como se tem pesado.
En el mito celta el laberinto llegó a significar la tumba regia (Diosa Blanca, p. 105); y que así sucedía también entre los griegos primitivos lo indica su definición en el Etymologicum Magnum como «una cueva montañesa» y por Eustacio (Sobre la Odisea de Homero xi p.1688) como «una cueva subterránea». El etrusco Lars Porsena hizo un laberinto para su propia tumba (Varrón, citado por Plinio: Historia natural xxxvi.91-3), y había laberintos en las cuevas «ciclópeas», es decir, pre-helenas, de las cercanías de Nauplia (Estrabón: viii.6.2), en Samos (Plinio: Historia natural xxxiv.83) y en Lemnos (Plinio: Historia natural xxxvi. 90). Salir del laberinto es, por tanto, reencarnarse. -- Robert Graves.
Dédalo não terá construído nada especificamente como Homero o atesta porque a realidade a que alude seria natural ou seja, um dos espaços das grutas de Gortina que seriam miticamente o Kur como local onde Zeus nasceu enquanto Phanes, a montanha no meio do mar primordial.
Technically, the Palace is therefore not a labyrinth – though Evans himself was not the one who forced the evidence. The earliest reference to a labyrinth was Egyptian in origin and appears in the 5th century by Herodotus, describing the Egyptian labyrinth. The link between that structure and Crete was done in the following centuries by Diodorus and Pliny, who stated that Daidalos had learned of the labyrinth design in Egypt. Indeed, some researchers posit that the very word “labyrinth” originates from lapi-ro-hun-t, or “Temple on the Mouth of the Sea” – which is Egyptian. -- The quest for the Cretan labyrinth, Philip Coppens.
Sabendo o quanto discutíveis são as leituras dos hieróglifos egípcios aceita-se perfeitamente como sendo uma das leituras possíveis deste termo o templo (em sentido espacial) do monte do mar o que indicia um espaço de culto a Dagon. Mas a conotação que veio ter na língua lusa não deve ser despicienda enquanto «labor-ioso», intricado meandro iniciático dos “doses (zodiacais) trabalhos de Hércules” ou de Teseu…ou de Fanes / Mitra.
E assim se começa a entender que as invasões dóricas não tenham mudado quase nada culturalmente nomeadamente em Creta onde com quase tudo se identificaram e tenham sido acreditadas como sendo o regresso dos heráclidas à sua terra de origem.
«Labirinto» < Lat. labyrintu < Gr. labyrintho < La-Wur-into
< Ra-Kur < Urash-Kur < Ash-kur-kur
< Sa-kur-kur, a dupla montanha da Aurora ou as duas colunas de Hércules que suportam o mundo!

Ver: LABIRINTO (***)

In hindsight, it seems that the term labyrinth was applied to two distinct structures. One was a design, unicursal and concentric, while the other was a structure. Both, however, were linked with the spirits of the deceased, and it is likely that some confusion arose over time, leading to the current problems in identifying the “real” Cretan labyrinth. However, if the Palace of Knossos was indeed the residence of the infamous Minotaur, than its cell is still to be discovered, or identified. Until that moment in time, speculation and discussion will continue. -- The quest for the Cretan labyrinth, Philip Coppens.
Gortina < Gortuna < Kaurtumna < Ker | < Kur| tu- Min.
A dança que se realizaria nas festividades pascais de Creta seria um facto cultural tão marcante na emergência da história que, a par do esforço pela emergência da escrita pictográfica, o labirinto gráfico que aparece por todo o mundo pré-histórico representará o primeiro registo cor-eográfico da *coreia cretense.
En un sentido el laberinto del que escaparon Dédalo e Ícaro era el piso de mosaico en el que estaba dibujado y que tenían que seguir en la danza de la perdiz ritual (véase 98.2); pero la huida de Dédalo a Sicilia, Cumas y Cerdeña se refiere, quizás, a la huida de los forjadores de bronce nativos de Creta como consecuencia de sucesivas invasiones helenas. La treta de la concha de tritón, y el entierro de Minos en un templo de Afrodita a la que estaba consagrada esa concha (véase 11.3), indican que Minos, en este contexto, era considerado también como Hefesto, el amante de la diosa del Mar. Su muerte en un baño es un incidente tomado, al parecer, del mito de Niso y Escila (véase 91.b-d); el equivalente celta de Niso, Llew Llaw, moría en un baño mediante una treta; y lo mismo le sucedió a otro rey sagrado, Agamenón de Micenas (véase 112.1). . -- Robert Graves.
De facto, o que nós encontramos nas fontes documentais são danças diversas, mais ou menos complexas e labirínticas que como muito outras danças do tipo da ópera chinesa seriam formas de teatralização de mitos e lendas arcaicas quase sempre em ritos de passagem e ou em comemoração de mitos fundadores. Parece que esta dança ainda persiste no folclore grego nomeadamente a Maleviziotikos, dança de roda de coros de Creta.
Maleviziotiko, originally from Crete, is a light and jumpy dance, and extremely cardiovascular. It belongs to the traditional Greek dances. Greek dance is a very old tradition, being referred to by ancient authors such as Plato, Aristotle, Plutarch and Lucian.[7]
Malevisiot-ikos < Mar-e-| visi-ot < Phisi < Kish => *Mar(e)quixote.
Que seria este *marquixote suposto fundo étmico do Maleviziotiko? Possivelmente um dragão de Marduque, ou seja uma dança do dragão como de facto parece ser e ainda é no folclore do estremo oriental. Este facto parece invalidar uma relação com a dança da perdiz de Robert Graves. No entanto esta ou não seria a única dança de roda claudicante da ilha de Creta ou seria ambas as coisas e o dragão seria a forma da roda e a alusão às danças de cortejamento das perdizes aos passos de dança claudicantes.
De facto, são frequentes as danças e os cortejos nupciais com diversas posições de exibição e apaziguamento, característica genérica das aves na época do acasalamento.
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Figura 14:Friso de Perdizes” e poupa no pavilhão “Caravanserai” em Cnossos.
A perdiz era uma ave consagrada a Afrodite e segundo Aristóteles a fêmea fecundava só pelo cheiro da proximidade do macho.
Em conclusão, a única informação de Robert Graves difícil de confirmar com fontes documentais é a relação desta dança com um cultos imitativo da dança claudicante de namoro das perdizes e desta com a pascoa judaica mas obviamente que a relação é bem achada e pode ser inferida pela leitura do belíssimo friso de Perdizes e poupa no do pavilhão “Caravanserai” em Cnossos.
Outside, in the free air, Daedalus also created a dancing floor for Ariadne, the creature’s half-sister, daughter of Pasiphae and Minos, sister of Phaedra. It was a space where the Cretan delight of ritual movement might be exhibited, in that society where women, as Plutarch says, in his Life of Theseus, took part freely in the games, as at Sparta. Ariadne is one more incarnation of the Great Goddess, her dance a bird-dance perhaps, of the ritualistic mating partridges of Phoenicia, or a maze dance, echoing the labyrinth beneath her feet, or a dance of stars and constellations, or a dance of the bees in front of the hive, signalling the path to their flowered pastures. – A Honeycomb For Aphrodite, A. S. Kline  ©  2003  All Rights Reserved, This work may be freely reproduced, stored, and transmitted, electronically or otherwise, for any non-commercial purpose.
Homer does not refer specifically to a maze but there are other sources from which it becomes clew that the patterns on the dancing floor of Ariadne laid nut in plan the intricate manoeuvre required of the dancers imitating the mating ceremony of either the sane (the most familiar version) or the partridge. This dance involved a complicated advance towards and withdrawal from the centre by the male, in which he displayed his plumage encircled and was circuitously and gradually drawn towards the female. The ritual function of this dance as practiced by Theseus may originally have been totemic or alternatively, but perhaps less probably, mimesis to ensure success in the hunt. Eustathius of Thessalonica, writing in about 1100 A.D. relates that Theseus learned Ariadne´s dance from Daedalus and danced it "to represent his passage thought the Labyrinth to kill the Minotaur.'
On the island of Delos the ritual was so long maintained that Eustathius tell us that he knew an old sailor who remembered the steps which suggests a continuing folk tradition of at last two thousand years. -- "Some Notes on the Form of the Arkville Maze" PREPARED BV MICHAEL AYRTON FOR ARMAND G. ERPF.
Delos, e Paros; à direita viam         335
As Ilhas de Lebinto, e de Calimne:
Eis que o Mancebo vendo-se felice
No seu curso veloz, entra a alegrar-se,
E a deixar o seu Guia. Cobiçoso
De escrutinar melhor a Etérea Esfera,         340
Toma mais alto vôo: as vizinhanças
Do sol ardente a Cera, ligadura
Das engenhosas penas, de improviso
Começa a derreter. Já o infelice
Os braços nus bate em lugar das asas,        345
E como eles não eram hábeis remos,
Que nos ares pudessem sustentá-lo,
Eis que cai de cabeça, ao Pai chamando,
Na cerúlea Corrente, à qual dá o nome.
O Pai aflito (já não pai) os olhos     350
Solícitos girando, e não o vendo,
“Ó Ícaro, onde estás? (brada impaciente)
Onde te hei de buscar, infeliz Filho?”
E Ícaro repete: mas nas ondas
Eis vê boiando as asas. A sua arte   355
Sentido amaldiçoa; ao filho morto
Ergue sepulcro, e a terra memorável
Faz c’o nome fatal do Sepultado.
A gárrula perdiz num azinheiro
Pousada viu a Dédalo, que dava     360
Ao filho sepultura, e comprazeu-se,
Batendo as asas, e soltando Canto.
Era única perdiz naquele tempo,
Nas passadas idades ave ignota,
Mudada pouco havia em tal figura; 365
Tu, Dédalo, tiveste a culpa toda.
METAMORFOSES DE OVÍDIO
TRADUZIDAS POR FRANCISCO JOSÉ FREIRE.
Os artistas antigos repetiam mitemas como os modernos autores de ficção glosam motes em sequelas uns dos outros numa total libertinagem de figuras de estilo, simbólicas,  metafóricas e outras analogias. O mito de Ícaro recorda o de Faetonte e permite colocar Dédalo no papel de um deus pai solar que neste caso seria Talos. Mas Talos / Calos era Perdix e seu sobrinho. Ovídio coloca na no funeral do filho de Ovídio a perdiz precisamente para relembrar a morte idêntica e recente do sobrinho de Dédalo.
Dele a Irmã entregou-lhe um tenro filho,
Que doze anos contava, desejando,
Que o Tio lhe ensinasse as subtis artes,
Pois mostrava par’elas vivo engenho.          370
Ele foi quem por ver de peixe o dorso
Espinoso, imitou em ferro a espinha,
Subtis dentes abrindo-lhe, e da cerra
Assim foi o Inventor. Deu igualmente
Às Artes os dois ferros, qu’um nó prende,    375
A fim de que distando iguais espaços,
Estando um deles fixo, e o outro em giro
Um círculo se forme. Inveja teve
Dédalo dos Inventos, e arrojou-o
Do Templo de Minerva, publicando 380
Ter sido acaso queda: mas a Deusa
Dos engenhos Patrona recebeu-o
Benéfica nos ares, e cobriu-o
De leves penas transformado em ave,
Que de Perdiz o nome inda conserva,          385
E não menos nos pés, e asas veloces
Do engenho a natural vivacidade.
Ave não é, que corte os altos ares,
Nem que construa em ramos o seu ninho:
Voa sempre rasteira, e choca em mato,        390
De alturas temerosa, inda lembrada
Do seu fatal, antigo precipício. METAMORFOSES DE OVÍDIO TRADUZIDAS POR FRANCISCO JOSÉ FREIRE.
E é assim que deepois das an-danças em labirintos vamos parar aos meandros de Dédalos.

DÉDALOS
An extensive family of words in the Homeric poems derives from a root of undetermined meaning, *dal reduplicated as daidal- to produce primarily adjectives (daidaleos, daidaloeis, poludaidalos); less frequently a neuter noun, used only in the plural (daidala), twice a verb in the present participle (daidala), and, last but not least, Daidalos himself. The etymology of its root remains unknown: Indo-European sources (*del-) and Semitic *dal- (as in deltos, "writing tablet") have both been proposed, but neither demonstrates an independent connection with its epic manifestations. 'No ancient usage that does not derive from its original epic context can be attested for any versions of the words. In poetry they describe, represent, or personify objects of intricate and expensive craftsmanship; expressions such as "well crafted," (…) -- Daidalos and the Origins of Greek Art, Por Sarah P. Morris.
Não há dúvidas de que o nome de dédalos se relaciona com a raiz *dal e, pelos vistos, até os eruditos concordam que desta vês o Indo-Europeu não serve de explicação etimológica e que possivelmente só os semitas tenham herdado alga relação com esta raiz.
1. del-
to tell, count, calculate
2. del-
to shake, totter
3. del-, dol-, delə-
to split, divide
4. del-
to rain, dribble
5. del-
long

Indo-European Léxicon Pokorny Master PIE Etyma

Dédalo < Daidalos < The-Thalos => δάχτυλα.
No entanto a raiz de *dal tem uma origem mais arcaica relacionada com divindades telúricas como foi Talo, o deus sol quando posto e a raiz Tala-dos falares ibéricos.
A Hefesto se le describe a veces como hijo de Hera y Talos (véase 12.c) y a Talos como sobrino joven de Dédalo, pero Dédalo era un miembro subalterno de la casa de Erecteo, fundada mucho tiempo después del nacimiento de Hefesto. Estas discrepancias cronológicas son muy usuales en la mitología. Dédalo («inteligente» o «hábilmente forjado»), Talos («sufridor») y Hefesto («el que brilla de día») demuestran por la semejanza de sus atributos que sólo son títulos diferentes del mismo personaje mítico. Ícaro (de io-carios, «dedicado a la diosa Luna Car») puede ser otro de sus títulos. Pues Hefesto, el dios herrero, se casó con Afrodita, a la que estaba consagrada la perdiz; la hermana de Dédalo, el herrero, se llamaba Pérdice («perdiz»); el alma de Talos, el herrero, levantó vuelo como una perdiz; una perdiz apareció en el entierro de Ícaro, el hijo de Dédalo. Además, Hefesto fue arrojado desde el Olimpo, y Talos fue arrojado desde la Acrópolis. Hefesto quedó rengo al caer; uno de los nombres de Talos era Tántalo («cojeando, o tambaleando»); la perdiz macho cojea en su danza amorosa sujetando un talón con el que se dispone a golpear a sus rivales. Además, el dios latino Vulcano renqueaba. Su culto había sido introducido desde Creta, donde se llamaba Velcano y tenía un gallo como emblema, porque el gallo canta al amanecer y era, por tanto, apropiado para un héroe solar. Pero el gallo no llegó a Creta hasta el siglo VI a. de C, y es probable que haya desalojado a la perdiz como ave de Velcano.

Ver: TALABRGA / TALA/TALLA E
A SEMÂNTICA DE TALÁBRIGA (***)

A mitologia de Dédalos mistura-se de tal modo com a de Hefesto que até aconteceu que “Kedalion era um escravo de Hefesto na sua forja da ilha de Lemnos.”
Hesiod, The Astronomy Fragment 4 (from Pseudo-Eratosthenes, Catasthenes Fragment 32) (trans. Evelyn-White) (Greek epic C8th or 7th B.C.): "[Oinopion] blinded him [Orion, for raping his daughter] and cast him out of the country. Then he came to Lemnos as a beggar and there met Hephaistos who took pity on him and gave him Kedalion his own servant to guide him. So Orion took Kedalion upon his shoulders and used to carry him about while he pointed out the roads."
Some stories say that yet another forge existed on the banks of the river Okeanos, next to the place where the sun started his journey every morning on the sky, and one more on Volcanus, an island close to Sicily, where the Cyclopes worked for him.[8]
Do mesmo modo, só é referido por Robert Graves que esta dança das perdizes seria típica dos ferreiros.
Mas existia também uma dança da perdiz claudicante, que se executava nas orgias eróticas relacionadas com os mistérios da arte da forja. Portanto é igualmente possível que Hefesto, depois de se casar com Afrodite, mancasse apenas uma vez por ano: no Festival da Primavera. -- Robert Graves.
Uma busca exaustiva das fontes clássicas apenas nos permite saber o seguinte:
"Kypris [Afrodite], a deusa do desejo, fez o seu rabalho com doçura em seus corações [e casou os Argonautas, de passagem pela ilha, com as viúvas de Lemnos]. Ela queria agradar a Hefesto, o grande artífice, e salvar mais uma vez a sua ilha de Lemnos da repetida falta de homens... A cidade inteira [de Lemnos] fervilhou cheia de vida com danças e banquetes e o cheiro dos holocaustos encheu o ar; e, de todos os imortais, eram o glorioso filho de Hera, Hefesto, e Kypris [Afrodite] a quem suas canções e sacrifícios se dirigiam com mais agrado." [9]
A metalurgia chegou à Grécia através das ilhas do Egeu. A importação de bronze e ouro da Helade, finamente forjados, talvez explique o mito de que Hefesto foi guardado em uma gruta na ilha de Lemnos por Tetis e Eurinome, títulos da deusa do mar que criou o universo. Os nove anos que ele passou na caverna demonstram sua subordinação à Lua. -- Robert Graves.
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Figura 15: Hefesto supostamente bêbado é levado para o Olimpo por Dionísio num cortejo báquico.
Infelizmente Robert Graves faz outras conjecturas ousadas e menos “bene trovatas” por ausência de suporte mínimo em fontes documentais e uma demasiada similitude com a fértil imaginação holioodesca.
El mito de Dédalo y Talos, como su variante, el mito de Dédalo e Ícaro, parece combinar el rito de quemar al sustituto del rey solar, que se había puesto alas de águila (véase 29.1), en la hoguera de la primavera — cuando comenzaba el Nuevo Año palestino— con los ritos de arrojar al pharmacos con alas de perdiz, un sustituto análogo, desde un risco al mar (véase 96.3), y el de punzar al rey en el tobillo con una flecha envenenada (véase 10 abajo). Pero la admiración de los pescadores y labradores al ver volar a Dédalo ha sido deducida, probablemente, de una ilustración que representaba a Perseo o Marduk alados (véase 73.7). -- Robert Graves.
Sua queda, assim como a queda de Cefalo, Talo (on Alcale), Cirão, Ifito) e outros, era o destino habitual do rei sagrado ao termino de seu reinado, em muitas partes da Grécia. As muletas de ouro talvez tivessem a função de elevar do chão o seu calcanhar sagrado. (???).
A claudicação do deus ferreiro é uma tradição que se encontra em regiões muito distantes entre si, como a África ocidental e a Escandinávia. Em tempos primitivos, é possível que se aleijassem propositadamente os ferreiros para evitar que eles fugissem e se aliassem as tribos inimigas. (???) -- Robert Graves.
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Figura 16: Retorno de Hefesto.
Existe uma explicação mítica documentada na suméria bem mais prosaica e, por isso, muito mais plausível para a escolha profissional dos aleijadinhos porque por um lado explica os erros da criação nas deficiência e por outro comprova com a evidência do senso comum “que a necessidade aguça o engenho” que faz com que alguns aleijados sejam mais esforçados e inteligentes do que o comum dos mortais que quando inaptos para a guerra ficam atestadíssimos para as artes de apoio castrense como a engenharia militar que a arte de ferreiro era no seu começo!
Why does myth connect lameness to commercial circuiting? An explanation in terms of occupational selection is offered in a Sumerian myth concerning a contest between the goddess Ninmah and the god Enki. The goddess formed human beings (from the 'fathering clay, from the Apsu') with various bodily defects to whom the god had to assign a useful place in society. Thus, in Jacobsen's (1987a: 160) translation:
Third [she molded from it] the 'Hobbled-by-twisting-ankles'. When En[ki] had lo[oked] the `Hobbled-by-twisting-ankles' over, he [taught] (?) it the work of metal casters and silversmiths. -- Taking ancient mythology economically. – bay Morris Silver.
As interpretações racionalizantes, ora se encontram com as causas ora com as consequências dos fenómenos míticos, ignorando que por definição são a explicação errática e delirante de tudo e de nada de que é feita a cultura humana.
A aparência feia de Hefesto e seu defeito físico é interpretado por alguns estudiosos como uma representação da arseníase, um efeito decorrente da exposição a pequenas quantidades de arsênio que resultaria na coxeadura e câncer de pele.
Talo (ou Ácale), o ferreiro, era um herói cretense, filho da irmã de Dedalo, Perdiz, com quem o mitógrafo identifica Hera. Perdizes, consagradas à Grande Deusa, estavam de certo modo presentes nas orgias do equinócio de Primavera no Mediterrâneo oriental, através da apresentação de uma dança claudicante imitando perdigões. As perdizes fêmeas, segundo Aristóteles, Plinio e Eliano, eram capazes de conceber apenas ouvindo a voz do macho. Hefesto e Talo parecem ser o mesmo personagem partenogênico: ambos foram subjugados por rivais furiosos originalmente em honra à sua deusa-mãe. -- Robert Graves.
E teremos que aceitar com algum reforço de imaginação mítica este golpe de rins acrobático, só possível no campo da mitologia que faz de Talo, um avatar de Hefesto, um filho da divina Perdiz que, se era símbolo dos deuses ferreiros, também era consagrada a Afrodite.
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Figura 17: Triptolemos em carro alado com costas com cabeça de grou mas que normalmente e atrelado a cobras aladas
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Figura 18: Hefesto em atitude de Tote / Hermes Trimegisto.
Figura 19: Triptolemos e Dionísio num cortejo eleusino.
O carro de cortejo de transporte individual de idosos barbudo parece ser de origem helenista
The crane was closely associated with Hephaistos, for the god was said to have dwelt on the shores of the earth-encircling River Okeanos in his early days, the wintering grounds of the migrating crane. His donkey-saddle or chariot was often depicted decorated with crane-heads.
Sendo assim, seria pela relação da dança labiríntica de Teseu com o labirinto de Creta e deste com um circo de dança claudicante construído por Dédalo que chegamos à “dança dos ferreiros” como sendo também uma dança claudicante e de perdizes, por Talo ter sido Perdix. Confuso mas parece soar bem!
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Figura 20: Xoros dionisíaco onde aparece uma ave que mais parece ou grou ou um ganso.
Obviamente que foram os navegantes intrépidos do mar Egeu (adoradores de Dagon o poderoso deus do “pote de água” e dos mares) que levaram a suástica por toda a parte. Estes misteriosos missionários navegantes do neolítico usavam a cruz gamada como símbolo do misterioso movimento do disco solar alado que veio a ser a famosa “cobra emplumada” dos ameríndios depois de ter sido Enki na Suméria e, possivelmente muito tempo antes, Dagon na Síria, zona de influência da talassocracia egeia antes da sua derrocada com a explosão de Santorini, e, por fim, Marnas.
Sabemos que Dagon significou em abstracto na cultura caldeia “assembleia e totalidade” e a mesma semântica permanece no termo grego Pan. Ora, estranheza das estranhezas, esta mesma semântica parece ser a da suástica em chinês onde em mandarim wàn significa tudo e eternidade!
The paired swastika symbols are included, at least since the Liao Dynasty, as part of the Chinese writing system ( and ) and are variant characters for or (wàn in Mandarin, man in Korean, Cantonese and Japanese, vạn in Vietnamese) meaning "all" or "eternity" (lit. myriad).
On le trouve dans deux idéogrammes chinois ou plus couramment , signifiant «dix mille» (c'est-à-dire l'éternité) ou «le cœur de Bouddha».
In Japan, the swastika is called manji. The right-facing manji is often referred to as the gyaku manji (逆卍, lit. "reverse manji") or migi manji (右卍, lit. "right manji") , and can also be called kagi jūji (literally "hook cross").
Claro que já é arriscar muito insistir no pecado dos falsos cognatos ao forçar a ideia de que a suástica inversa (já de si “cruz torta”) dos japoneses seja foneticamente gyaku manji o que ressoa como “mão esquerda” com patuá francês (main gauche) e ordem gramatical inglesa. No entanto existem linguistas que insistem no ruído de fundo de que a persistência da imagem fonética condiciona a evolução das línguas porque, se nos esquecemos facilmente da letra de uma canção, só muito dificilmente não nos recordamos das músicas preferidas.
In one of the corridors of the second palace at Knossos “the fallen plaster...showed the remains of an elaborate series of mazes”, based on the motif of the swastika? (…) At Gaza the god Marnas, otherwise called Zeus Kretagenes, had a circular temple surrounded by concentric colonnades, which appears to have borne some resemblance to the Cretan Labyrinth2. If so, it becomes possible that the Phoenician letter mem on autonomous coppers of Gaza (fig. 344) was not merely the initial of Marnas, but also a quasi swastika like the Labyrinth-devices on coins of Knossos.
(…) But among recent investigators there is something like a consensus in favour of the view that it was a stylised representation of the revolving sun.[10]
É inegável que a suástica terá sido um símbolo solar significando de forma simples e banal o movimento perpétuo do sol quer na abóbada celeste quer em torno de si mesmo visto a olho nu! Porém, esta analogia não invalida o facto de ser uma simplificação duma mitologia da criação a partir duma ideia de cópula cósmica ou seja do herogamos entre o céu e a terra de que a mitologia de Gaia e Úrano são a mais recente variante mitológica e Ninguizida o deus caldeu mais obviamente responsável pelo cadoceu hermético!
Ningizzida was a fertility god. Originally depicted as a serpent with a human head, Ningizzida became known as a magical god of healing.
Nin-guiz-ida = lit. “Senhor deus” Gu | Su(-gaar) < Chu > Zu | -iz
> Zeus.                                                                    > Basc. Sugaar.
Ninguizida tem, a este respeito, o mesmo papel da divindade basca Sugaar.
Dans la mythologie basque, Sugaar est le pendant mâle d'une déité pré-chrétienne basque associée aux orages et à la foudre. Il est en général représenté par un dragon ou un serpent. Contrairement à son épouse Mari, il subsiste hélas peu de légendes à son propos.
Il est représenté dans une forme similaire au svastika, le lauburu, mot qui signifie littéralement «quatre têtes».
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Figura 21: Sugaar Sugar, Sugoi, Maju.
Ce symbole remonterait au moins au néolithique, à l'époque pré-indo-européenne.
Sugar es capaz de cambiar de forma, generalmente toma una forma humana o forma de una serpiente o dragón.
Sugar tiene moradas terrenales, una localizada en la cueva de Amunda y otra en la cueva de Atarreta.
Sugar: suge + ar, ‘serpiente macho’ o ‘dragón’; también se sugiere: sua + gar, ‘llama del fuego’.
Sugaar < suge + ar = su(a) + gar > Sugar < Shu-Kar > Sacar.
Sacar era um deus fenício da aurora semelhante ao deus Crono e Saturno que informações cruzadas apontam para serem variantes de Dagon.

Ver: DAGON (***)


[1] It seems that in the spring an erotic partridge dance was performed in honour of the Moon-goddess, and that the male dancers hobbled and wore wings. In Palestine this ceremony, called the Pesach (‘the hobbling’) was, according to Jerome, still performed at Beth-Hoglah (‘the Shrine the Hobbler’), where the devotees danced in a spiral. Beth-Hoglah is identified with ‘the threshing-floor of Atad’, on which mourning was made for the lame King Jacob, whose name may mean Jah Aceb (‘the heel-god’). Jeremiah warns the Jews not to take part in those orgiastic Canaanite rites, quoting: ‘The partridge gathereth young that she have not brought forth.’ Anaphe, an island situated to the north of Crete, with which Minos made a treaty, was famous in antiquity as a resting-place for migrant partridges. -- Robert Graves – The Greek Myths.
[2] http://noticiasdesiao.wordpress.com/2011/04/19/chag-pessach-sameach/
[3] Cranes of the World: 8. Cranes in Myth and Legend, Paul A. Johnsgard University of Nebraska-Lincoln.
[4] Cranes of the World: 8. Cranes in Myth and Legend, Paul A. Johnsgard University of Nebraska-Lincoln.
[5] crane = O. E. cran "large wading bird," common Germanic (cf. O.S. krano, O. H. G. krano, Ger. Kranich, and, with unexplained change of consonant, O. N. trani), from PIE *gere- (cf. Gk. geranos, L. grus, Welsh garan, Lith. garnys "heron, stork"), perhaps echoic of its cry.
[6] Cranes of the World: 8. Cranes in Myth and Legend, Paul A. Johnsgard University of Nebraska-Lincoln.
[7] http://www.youtube.com/watch?v=20xxDETvkZo
[9] "Kypris [Aphrodite], the goddess of desire, had done her sweet work in their hearts [and mated the visiting Argonauts with the widowed women of Lemnos]. She wished to please Hephaistos, the great Artificer, and save his isle of Lemnos from ever lacking men again...The whole city [of Lemnos] was alive with dance and banquet. The scent of burnt-offerings filled the air; and of all the immortals, it was Hera's glorious son Hephaistos and Kypris [Aphrodite] herself whom their songs and sacrifices were designed to please." -- Apollonius Rhodius, Argonautica.
[10]Arthur Bernard Cook - Zeus - A Study in Ancient Religion.

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