terça-feira, 4 de dezembro de 2012

MISTÉRIOS REVELADOS DA SUÁSTICA MÍSTICA IV; MOINHOS DE VENTO, por artur felisberto.

A história do moinho de vento é das mais incompletas e obscuras. As ideias corrente nas pequenas introduções históricas com base na Wikipédia referem que “as primeiras referências conhecidas a moinhos de vento datam do século X”. Obviamente que já existiam formas de moagem de cereal em larga escala, sem as quais não teriam sido possíveis as existências dos grandes impérios da antiguidade. Seguramente que a forma de moagem mais cruel e também mais antiga porque mais disponível terá sido o recurso à mão de obra escrava que seria uma forma de moinho de sangue já que seria duplamente odioso chamar-lhe de tracção animal.

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Figura 1: O uso de tracção animal numa moagem industrial romana deve ter feito a fortuna do dono do sarcófago do museu Vaticano aqui fotografado.

Le moulin à eau, attesté en Europe depuis l’Antiquité, est plus ancien que le moulin à vent. Il s’est développé parallèlement à la disparition de l’esclavage à partir du IXe siècle. L’utilisation de l’énergie hydraulique plutôt qu’animale ou humaine permet une productivité sans comparaison avec celle disponible dans l’Antiquité, chaque meule d’un moulin à eau pouvant moudre 150kg de blé à l’heure ce qui correspondait au travail de quarante esclaves.

Obviamente que quando se refere que o moinho de água é mais antigo que o de vento se está apenas a referir que na Europa ocidental só existem garantias arqueológicas e documentais do moinho de água referidas precisamente pela arqueologia do império romano que de forma estranha parece ter usado todas as formas conhecidas de moagem menos a eólica. Adiante se verá que mesmo na Itália esta tradição se manteve porque, à parte a Sicília, praticamente não tem a tradição dos moinhos de vento.

The earliest mentions of the use of wind power come from the East: India, Tibet, Afghanistan, Persia. Ancient manuscripts, however, have often suffered from mistranslations, revisions, and interpolations by other hands over the centuries. In some, even diagrams were changed to suit the whims of revisionists, and there are instances of forgeries. Drachman [1961], Needham [1965], Vowles [1930], and White [1962] all cite examples of these aberrations. Marie Boas provides a good illustration of the treatment a manuscript can undergo in her detailed monograph, "Hero's Pneumatica - A Study of its Transmission and Influence" [1949].

Mentioning the Boas monograph is apposite here because of the well-known ascription of the invention of the windmill to Heron (a variant of Hero) of Alexandria, by virtue of his account of it as one of the many devices in his Pneumatica of 2000 years ago. This ascription is now discounted by most authorities in varying degrees, ranging from outright rejection, through wistful reluctance to relinquish the idea, to acceptance as only a toy. – Historical Development of the Windmill, Dennis G. Shepherd.

No entanto, este facto parece confirmar a existência de taras culturais a condicionarem a evolução histórica que, neste caso, permitem postular a existência de um atavismo geografia que faz com que as potências continentais tenham apenas forças navais mais como reservas de transporte do que como corpo de intervenção no teatro das operações de conquista. Os deuses dos ventos não eram seguramente os mais bem conhecidos pelos romanos que temeriam ao ponto de não se atreverem a “brincar” com eles em moinhos de ventos.

De facto, sumariamente se poderá dizer que cada civilização tem os seus atavismos culturais típicos que os impedem de ver mais do que aquilo em que conseguiriam acreditar. No limite, a maioria de uma população só acredita naquilo para que está culturalmente formatada.

We know that Archimedes produced various clever devices which enabled the defence of Syracuse. None of those devices were ever used again, to our knowledge. Greek Fire was a thoroughly useful and effective weapon, particularly at sea. We don’t know for sure what it was. Woad was used to produce a blue dyestuff which was popular among the Celts. We have no clear idea what woad was, nor can any natural British plant produce a blue dye. We have Roman devices which were run by steam and evidence of Byzantium robots. Why were these innovations lost?

From our perspective, where every innovation is immediately seized upon and spread throughout the population, and ultimately improved upon, it is hard to believe that this was not done. Therefore, it has previously been supposed (up to the early 20th century) that such things were fabrications in the minds of historians, and that they never existed. But it is now believed that yes, they did exist, but for cultural reasons, there was no compelling need among the population to implement them. This is upheld by Chinese examples, such as iron founding in the 11th century which was put to an end by a disinterested bureaucracy, and vast shipbuilding skills from the 15th century that did not exist when the British occupied the country hundreds of years later. -- The Tao of D&D, alexiss1@telus.net.

Obviamente que é difícil acompanhar o hipercriticismo do autor de blogue para além do acima referido supondo que ateísmo o moderno está acima de qualquer suspeita porque afinal o monoteísmo já teve o mesmo preconceito em relação ao politeísmo. Grande parte da reposta às questões levantadas residem tanto no facto de a cultura comum não estar preparada para aceitar estas inovações, que há época eram meros luxos académicos das escolas dos templos (senão mesmo objectos mágicos de culto) desconhecidos da cultura dominante, como sobretudo pelo facto de a estrutura civilizacional não ter ainda a maturidade tecnológica suficiente para as implementar ainda que houvesse vontade para tal. Particularmente no caso da tecnologia do moinho-de-vento se poderá dizer que se os romanos implementaram os moinhos de água também poderiam ter feito o mesmo com os de vento e aí é que reside a verdadeira questão!

Seja qual for a resposta que mais adiante se vier a dar a estas dúvidas a verdade é que, foi pela falta de soluções para estas e outras que o Império Romano enfrentou, que se deu a sua decadência que se materializou na idade das trevas do feudalismo medieval europeu e que em parte foi também a lenta recuperação do sistema subjacente ao império romano. Em boa verdade o Império Romano apenas acabou como sistema político porque continuou como civilização na romanidade cristã e bizantina e na cultura árabe. No entanto, se da romanidade ocidental iria renascer a Europa moderna retomando o helenismo, no que deste tinha sido recuperado de melhor, no Renascimento também é verdade que pelo contrário tal aconteceu precisamente com a morte definitiva do Império Romano do Oriente depois da lenta agonia do império bizantino transformado num líquido hipostático adstringente que iria envenenar o império Otomano e a cultura islâmica em geral.

Preconceitos do mesmo tipo impediram, por exemplo, a descoberta formal do motor a vapor pela cultura antiga ainda que Vitrúvio (e cem anos depois, Herão de Alexandria) tenham descrito a Eolípilha não como mera brincadeira mágica mas, segundo as próprias palavras de Vitrúvio, para “levantar o véu de verdades ocultas nas leis divinas”!

Isto significa que nem Vitrúvio nem Hierão descobriram estes engenhos pneumáticos porque seriam objectos sagrados encontrados pelos invasores macedónicos nos templos egípcios com a mesma admirável voracidade pelos mistérios egípcios que a que levavam os sábios que acompanharam Napoleão na sua célebre expedição ao Egipto.

A expedição comandada por Napoleão Bonaparte ao Egipto foi originalmente uma operação política elaborada para consagrá-lo definitivamente como chefe de Estado. Mas, foi além disso, também uma formidável missão científica, sem precedentes históricos, e inaugurou a era do colonialismo na História Moderna. (…) Antes de Bonaparte e sua aventura egípcia, só Alexandre, o Grande, havia feito o mesmo. A expedição ao Egipto, aventura militar e política em princípio, vai se transformar, em parte, em expedição científica. -- por Claudine Le Tourneur d'Ison.

Existem de facto provas de que os templos do antigo Egipto eram escolas de espiritualidade exaustiva e intensiva a todos os níveis permitidos pelo único objectivo de manter a boa ordem de Maat na forma da eternização a todo o custo imutável do status quo político religioso vigente supostamente desde origem lendária da civilização egípcia. Esta defesa do poder instituído passava seguramente pelo uso de todas os meios que mantivessem o prestígio religioso incluído a prática da magia que incluía tanto os meios de condicionamento psicológico pela via da crença supersticiosa como o uso de técnicas empíricas pré-cientificas engenhosas que em muitos casos acabaram por gerar verdadeiras inovações culturais e tecnológicas que qualquer compêndio de egiptologia não se esquece de referir. A mitologia Bíblica é, a respeito da prática da magia egípcia, paradigmática.

10Então Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara. Arão lançou a sua vara diante de Faraó e diante dos seus servos, e ela se tornou em serpente. 11Faraó também mandou vir os sábios e encantadores; e eles, os magos do Egito, também fizeram o mesmo com os seus encantamentos. 12Pois cada um deles lançou a sua vara, e elas se tornaram em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles. 13Endureceu-se, porém, o coração de Faraó, e ele não os ouviu, como o Senhor tinha dito. Éxodo 7 João Ferreira de Almeida Atualizada (AA)

Como são sempre os mesmos preconceitos colonialistas que impedem os invasores de aceitarem a validade da cultura dos povos que invadem fora dos limites dos seus paradigmas culturais, sempre supostos de maior qualidade, os estudiosos anglo-saxões distorcem com subtil displicência a apreciação da tradição cultural mediterrânica, o que sempre foi assim até porque de outro modo não haveria competição evolutiva, no caso tendendo a depreciar o legado latino e ibérico exaltando o legado indo-europeu dos gregos como se isso os tornasse seus antepassados directos e o germen do helenismo tivesse podido saltar para Inglaterra na bagagem de Ricardo coração de Leão directamente do oriente sem passar pela Europa.

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Figura 2: Representação artística da Eolípilha de Hierão de Alexandria.

Nos casos referidos por Dennis G. Shepherd sobre as dúvidas relativas à paternidade de Herão sobre os moinhos de vento nem era preciso usar o argumento do hipercriticismo textual que levado ao extremo permite conclusões ateístas absurdas como a de que “Cristo nunca existiu” quando a mesma lógica dos erros de texto prolongados no tempo podem perfeitamente desculpar as incongruências actuais dos textos receptus da Pneumática de Herão. Usar o argumento do descrédito textual é tática de advogado e faze-lo a respeito de Hierão de Alexandria é quase mais severo do que foi julgar a boa-fé intelectual de Galileu em tribunal da Inquisição.

Na verdade, até prova em contrário, Herão de Alexandria é até mais credível que Dennis G. Shepherd porque há dois mil anos a palavra de honra valia mais do valem hoje os relatórios circunstanciais feitos a granel para defender teses universitárias seja ou não a pedido da NASA. De resto a maior parte dos brinquedos sagrados de Herão foram concretizados nos jogos de água dos jardins da renascença italiana por Giovanni Battista Aleoti e descritos no seu livro “Gli artifitiosi curiosi moti spiritali di Herrone” onde apresenta uma das variantes do desenho do Órgão pneumático de Herão. É patente que a hélice apresentada no esquema é demasiado pequena para ser capaz de gerar potencia eólica suficiente para mover um pesado órgão como o descrito o que pressupõe que seria de facto apenas um esquema e não a reprodução exacta do engenho que, em boa verdade era composto por dois aparelho: Um moinho de vento e um órgão de água. Ora o conjunto pesado como este para ser funcional exige que este último engenho tivesse que estar ligado a um verdadeiro moinho-de-vento que Herão não descreveu detalhadamente por ser do conhecimento comum da engenharia sacerdotal alexandrina!

According to Drachmann (1963), Heron was a man who knew his business thoroughly, who was a skillful mathematician, astronomer, engineer and inventor of his time. Based on the content of the book Pneumatica, a number of researchers expressed doubts about his capabilities. However, this book appears to be an unfinished collection of notes and may have been altered through the years.

An important characteristic of Heron’s work was clarity in expressing his ideas, something not common in ancient writings. As Drachmann (1963) states, “a man who is always able to present his subject in such a way that is readily understood, is a man who understands it himself, and he is certainly not a fool or a bungler.”

(…) Furthermore, Heath writes that, “The practical utility of Heron’s manuals being so great, it was natural that they should have great vogue, and equally natural that the most popular of them at any rate should be re-edited, altered and added to by later writers; this was inevitable with books which, like the Elements of Euclid, were in regular use in Greek, Byzantine, Roman, and Arabian education for centuries” (Heath, 1931). -- HERON OF ALEXANDRIA (c. 10–85 AD) Evangelos Papadopoulos Department of Mechanical Engineering, National Technical University of Athens.

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Figura 3: Órgão de Herão descrito no livro “Gli artifitiosi curiosi moti spiritali di Herrone” de Giovanni Battista Aleoti.

No entanto, como perfeito nem o filho de Deus, não será anormal afirmar que Hierão tenha sido sempre bem-sucedido particularmente na forma densa como descreveu o seu organon até porque é aceitável que dois mil anos de revisões de texto teriam que levar a erros de descrição e…sobretudo de reprodução de esquemas e desenhos que poucas ou nenhumas vezes foram construídos! A passagem da eolipilha para o moinho de vento através de uma engenharia própria de uma nora aparece em desenhos do século 17 como intuitiva forma de produção de um pilão…obviamente capaz de moer grão.

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Figura 4: Giovani Bianca Steam Engine, 1629

Figura 5: Archimedean screw

One of the innovations of the great Greek mathematician and inventor, Archimedes, was the Archimedean screw. This simple machine transferred water from a low level to a higher level. Powered by a windmill or animal labor, this invention simplified the process of field irrigation.

Vowles also discusses the Pneumatica puzzle [1930] and shows four examples of transmogrified images from various later manuscripts that help to compound the confusion. In addition to the difficulty we have with the drawings of Heron's device, the exact meaning of some of the words leaves us in doubt. Two prime examples are the word anemurion, meaning a windmill or only a weathervane, and whether Heron uses the word organon to mean a musical organ or just as a generic term, as we might speak of an organ of the body.– Historical Development of the Windmill, Dennis G. Shepherd.

ἀνεμούριον, τό, (οὖρος) = A. windmill, HeroSpir.1.43. Henry George Liddell. Robert Scott. A Greek-English Lexicon. revised and augmented throughout by. Sir Henry Stuart Jones. with the assistance of. Roderick McKenzie. Oxford. Clarendon Press. 1940.

O termo para moinho do grego moderno ἀνεμο-μυλος não parece derivar de ἀνεμούρος porque não é de regra que o derivado seja mais complexo que o derivante. Como a inversa também não parece verdadeira ou se trata de um termo corrompido pelos primeiros editores de Hierão que não conheciam ainda os moinhos sagrados egípcios ou um neologismo inventado por Hierão que então desconheceria o nome que os egípcios davam a este objecto e assim, tudo parece acabar de facto em pura especulação à volta do moinho de vento de Hierão porque se começamos a por em dúvida o significado de tudo o que não vem nos dicionários usados à época acabamos no cepticismo pirrónico. Na verdade, o dicionário “Henry George Liddell. Robert Scott. A Greek-English Lexicon” parece não ter dúvidas que ἀνεμούριον, τό, (< οὖρος) significa moinho de vento.

Mas partindo do pressuposto que seria um neologismo de Hierão são justas as dúvidas sobre o que quereria este dizer com ele pois se não há dúvidas sobre a relação semântica do infixo ἀνεμο- com o vento já no confronto deste com os diversos possíveis significados de -οὖρος parece haver todas as dúvidas porque nenhum consegue dar sentido ao conjunto ἀνεμο-ύριον como de seguida se confirma: vento-brisa, guardião do vento, monte, limite ou trincheira do vento, búfalo (que seria desconhecido de Hierão) de vento? A ideia de que significaria apenas um cata-vento é ainda mais bizarra por acabar numa espécie de petição de princípios ao procurar explicar o inexplicável com algo que ainda que conhecido acaba por explicar ainda menos! Que necessidade teria Hierão de inventar um nome bizarro para algo que teve a forma dum Tritão na Torre dos Ventos de Atenas que teria um nome genérico de “indicador do vento” que não seria muito diferente do ανεμοδείκτης que tem em grego moderno. Mesmo na acessão prosaica do brinquedo infantil caravela ou cata-vento que seria apenas um ἀνεμό-δρομος, que roda com o vento, não faria sentido usa-lo no contexto que Hierão, fosse porque tecnicamente não funcionaria, fosse porque ainda que no sentido algo que “roda com o vento” de forma funcional Hierão teria encontrado na língua grega meios para inventar um neologismo adequado.

E é assim que a partir das dúvidas razoáveis de cépticos como um tal Vowles referidos por Dennis G. Shepherd no seu relatório para a NASA, Historical Development of the Windmill, que acabamos por suspeitar que Hierão nunca terá usado o termo ἀνεμούριον porque, quanto mais não fosse por analogia com os moinhos de água, ὑδρα-λέτης / ὑδρο-μύλη, que vieram a ser conhecidos dos romanos, teria inventado o termo ἀνεμο-λέτης / ἀνεμο-μυλος…se é que estes “signos” careciam de invenção! Consta que uma das características do signo linguístico é o seu carácter arbitrário o que explicaria o fato de cada língua usar significantes diferentes para um mesmo significado. Na verdade a arbitrariedade linguística é mais aparente do que real! Se assim não fora a linguística já teria deixado de fazer sentido há muito tempo! Mas a verdade é que, contrariamente ao pensamento estruturalista de Saussure, nem sequer existe linearidade na forma de falar ou escrever e muito menos na forma de compreender a aparente libertinagem com que os falares se diferenciam no espaço e no tempo. Uma das provas de que o moinho de água já seria sobejamente conhecido dos gregos antigos é dar conta de que já tinha pelo menos dois sinónimos, ὑδραλέτης / ὑδρο-μύλη e acabou no grego moderno como νερόμυλος quiçá nem tanto por influencia da nora árabe mas sobretudo por esta ter nome epónimo alternativo no submundo helenista relacionado com um deus aquático que foi Nereu, homólogo de Tritão, que parece ter sido deus dos bons ventos da navegação marítima e que, por isso facilmente teria inspirado o moinho de vento. De resto, o signo grego ὑδραλέτης / ὑδρο-μύλη reporta-nos para a raiz ὑδρ- da serpente de água que não estaria muito afastada da forma serpentina destes deuses.

Centrando a atenção no núcleo significante grego μύλ- damos conta de que a semântica desta raiz nos reportaria para a forma mais arcaica deste signo que seria a mó manual com mais de 15 mil anos de existência.

«Moinho» < B. Lat. molinu < μύλ-ινος < μύλη < μύλος < μύλ- ó Lat. mola, Goth. malan (moer) <= ? PIE *mele-, *mel- ? => O. E. mylen > Eng. mill

Apesar de se reconhecer que os termos Ger. mühle, Dan. mølle, O. C. S. mulinu derivam do baixo latim *molina ainda se insiste em postular um proto indo-europeu com ressonâncias melífluas arbitrárias! No entanto tudo aponta para que tenhamos que parar a derivação linguística na raiz grega μύλ- que a ser «mó» ou mera pedra de moer nada nos diz e então pareceria que F. Saussure pareceria enfim ter razão! Deixando por agora as divagações em torno de «mola» e «mole», que se calhar até teriam muito a ver com a mó que faz a farinha que dá a grande «mole» (< Lat. mole) de massa «mole» (<Lat. molle), começamos a suspeitar que foram os moinhos que deram nome à pedra da mó e não o inverso.

Como o termo em grego moderno para moinho de vento é ανεμό-μυλος, o moinho de água é νερό-μυλος e o moinho apenas é μύλος (ou também μύλη em grego clássico) já se concluiu que todos acabam na raiz grega μύλ- que não reporta por semelhança ou derivações laterais para nada mais.

È certo que Homero parece usar o termo em conotação de moinho manual.

πεντήκοντα δέ οἱ δμωαὶ κατὰ δῶμα γυναῖκες

αἱ μὲν ἀλετρεύουσι μύλῃς ἔπι μήλοπα καρπόν,

And fifty slave-women he had in the house, of whom some grind the yellow grain on the millstone.

No entanto o sentido de moinho manual decorre do contexto arcaizante da narrativa e não do termo que virá a ser utilizado por outros autores maioritariamente como moinho de sangue mas animal.

Mullo é um deus celta. É conhecido a partir de inscrições e está associado com o deus Marte sob a forma de Marte Mullo.

O culto do deus era popular no norte e noroeste da Gália, especialmente na Bretanha e Normandia. A palavra "Mullo" pode denotar uma associação com cavalos ou mulas a palavra latina para macho da "mula").

Marte Mullo tinha um templo circular em Craon no Mayenne, situado numa colina dominando a confluência de dois rios. Uma inscrição em Nantes reflecte a presença de um santuário ali. Um importante centro de culto deve ter existido em Rennes, a capital tribal dos Redones onde inscrições se referem por um lado à presença de estátuas e por outro à existência de um culto oficial público. Magistrados da cidade foram fundamentais para a criação de santuários urbanos dedicados a Mullo no século 2 d. C. Em Allonnes, Sarthe um santuário foi criado para Marte Mullo como curandeiro dos males dos olhos. Sua importância é sugerida por sua ligação com Augusto em uma inscrição dedicatória. Os peregrinos que visitaram o Santuário ofereceram numerosas moedas ao deus, junto com as imagens votivas das partes afectadas do corpo, onde os problemas oculares são claramente manifestos.[1]

Sumer: Mu-lu = Homem divinizado. => Mul = Uma estrela.

O deus Mulo celta seria um deus cretense a que se perdeu o rasto eventualmente encontrado no sumério mulu com o significado de “homem divinizado” ou seja, semideus como pode ter sido o caso de Tripto-lemus…e Cadmilo.

Cadmilo (idioma griego Καδμῦλος, Cadmilo), el esposo de Axieros, es un dios de la fertilidad identificado por los griegos con Hermes, un demonio itifálico, cuyos símbolos sagrados son una cabeza de carnero y un bastón, el kerykeion , evidente símbolo fálico, que se encuentra en ciertas monedas. (…) Otros dos demonios masculinos acompañan a Cadmilo, los Cabiros, que corresponden quizá en el origen a los dos héroes legendarios fundadores de los misterios de Samotracia, los hermanos Dárdano (idioma griego|griego Δάρδανος, Dárdanos) y Yasión. (…) Una pareja de dioses infernales, Axiokersos y Axiokersa, es identificada con Hades y Perséfone, y no pertenece quizás al grupo original de las divinidades pregriegas.

Axiothera (dignified goddess) is the name of a figure which sometimes appears as wife of Prometheus. This puts the Titan Prometheus in the proximity of the Cabiri. (…) Another element which the Cabiri share with the Titans is a primordial sacrilege. Orphic poetry (Onomakritos, 6th century BC) told of the murder of the young Dionysos by the Titans (s. Zagreus) and a similar myth is told of a fratricide of the Cabiri. The elder Cabiri should have killed the youngest and pulled off his head. So a main subject of the mystery cults was the purgation of a primordial sacrilege. The Kabirion sanctuary near Thebes is said to be founded by an autochthon named Prometheus and his son Aitnaios to whom Demeter has brought her mysteries (Pausanias 9.25.6). This Aitnaios is said to be no other than Hephaistos (from the volcano Etna in Sicily), from which the Cabiri referring to others should be originated. Therefore they often are depicted like Haphaistos himself with hammer and tongs. Their ancestor then the Titan Prometheus as is suggested by their cult in Athens where they have had a joint altar, or in Lemnos where in a similar constellation Kadmilos stood by Prometheus the elder. --Coins of mythological interest [2]

A informação sobre os mitos pré gregos já é por si escassa e recebida em segunda mão e demasiado envolta em lendas e mitos para poder ser suficientemente clara mas quando nos chega envolta em cultos de mistérios então ainda mais confusa se torna. Mesmo assim, parece poder-se concluir que Hefesto, Cadmilo, Prometeu e Hermes seriam variantes da mesma entidade mítica que nos antigos cultos cretenses teria sido um deus divinizado, possivelmente o mítico humano a quem a deusa Mãe conferiu o saber agrícola do neolítico. Triptolemos será apenas o mais conhecido e mera variante de Prometeu que como tal seria adorado na ilha de Lemos como “trigo de três espigas” tal como indicia o tríscele da Sicília e a tradição do dia da espiga.

Triptolemos < Τριπτόλεμος, lit. triplo guerrero? < Tri- | Phito

< Ophi | -Lemos < Lemu < Melo < Milo < Mulo > Moros < *Mu-ru

< Ma-ur + Anu > Marnas > «Marão» ó «Cara-mulo».

Moros é o deus grego da sorte e do destino. Representado como uma entidade cega, seria filho do Caos e de Nix, a Noite. Sem ver a quem e o que reservava no futuro, o seu carácter era o da inevitabilidade. Todos e tudo, tanto deuses como mortais, lhe estavam subordinados.

Mulo seria então só e apenas o “guerreiro de sua Mãe” como Hermes foi de Maia e Triptolemos de Deméter o que explica a razão por que é que os romanos fizeram a correlação mítica Marte Mulo.

As «mulas» e os machos aparecem associados a este deus porque assim teria que ser seguramente porque terá sido quiçá num santuário dedicado a este deus que o cruzamento do burro com uma égua aconteceu e apareceu miticamente o primeiro par de “mulos”.

Μύλη = II. nether millstone (the upper being ὄνος); ὄνος = ass

Como se vê, se em vez de se andar à volta da mitologia indo-europeia para procurar a verdade oculta na tradição mediterrânica se perguntasse aos falantes locais talvez os anglo-saxões aprendessem mais ainda do muito que já sabem sobre a cultura helénica! No entanto, algo neste périplo etimológico nos deixa com os amargos de boca das petições de princípios e a quase certeza de estarmos a andar às voltas num beco sem saída. De facto, perguntar-se-ia de seguida: de onde veio o nome de «mulu / mula»?

«Mula» < Lat. mulla / mullu < Grec. μούλη > μουλ-ίων = recoveiro de mulas. < μο- < μό-διος > Lat. modius > «módio» = medida de cereal = alqueire = terça parte da jeira (= μόγος) => μοῖρα = lote, courela => «mourejar».

+ -ύλη = árvores, madeira => Ὑλέτης = deus Silvano??? Ou antes:

Grec. μούλη < μούρη < μοῖρα = lote < quinhão < sorte (de herança ou servidão) < destino < Moira > μο-ιρί-διος = μοῖρα > Lat. fatalis.

Voltando ao grego temos que mula era μούλη que obviamente não é um signo imotivado mas que não pode ser um termo construído expressamente para dar nome às mulas por aglutinação μο- + -ύλη. Pelo contrário, tudo aponta para que seja o resultado duma longa evolução linguística a partir do uso metafórico das mulas como “moiras de trabalho” nos campos de cereais, nas malhadas e na «mu-agem» dos “moinhos de sangue”!

De facto, reparando que um outro significado, mais técnico, de μύλη correspondia à mó inferior do moinho, em oposição à superior, que era ὄνος e que significava literalmente “burro”, começa-se a suspeitar que os moleiros arcaicos iniciaram o uso metafórico destes termos aquando da «moagem» pré industrial em “moinhos de sangue”. Assim, seguramente por ressonância popular com μούλη, a fêmea do macho, os ανεμόμυλος, seriam literalmentemu-ares de vento” porque seria preferentemente o gado muar («mulo», «mu», besta, burro, macho e «mula») tão dóceis como burros mas mais possantes e menos caros que os cavalos, o mais utilizados para atrelar às mós (lat. mola) dos “moinhos de sangue”, que antigamente seriam preponderantes.

A relação do chouriço de sangue enquanto «moira» com os “moinhos de sangue” deve ser um típico falso cognato e resultar da salmoira de carne de porco em enchido de sangue o que, apesar de tudo, nos fornece pista sobre o caminho a seguir para identificar a origem das «moiras» e das «morcelas» supostamente a partir de B. Lat. *mauricella se bem que os linguistas deveriam ser mais transnacionais porque em espanhol se diz delas que são morcillas!

La palabra morcilla es original de la Península Ibérica, y procede del céltico mukorno que significaba 'muñón' mezclada con el significado del vasco mukurra, 'objeto abultado y disforme'.

Se a hipóteses do baixo latim português nos deixa um pouco de nariz torcido a verdade é que também não é o palpite dos académicos espanhóis que nos deixa ficar com ele mais empinado.

A «morcela» seria de origem exclusivamente ibérico mas de criação medieval durante o confronto dos cristãos com os moiros que eram tidos como escuros como as «moiras» e as «morcelas». Só que para tanto não seria preciso o recurso ao B. Lat. *mauricella seguramente sugerido pelo culto do lendário S. Maurício que foi seguramente uma alternativa cristã tardia ao celta Marte Mullo.

São Maurício foi um capitão na Legião Tebana, uma unidade lendária do exército romano que fora recrutada no Alto Egito, na cidade de Tebas, e era composta inteiramente de cristãos. Foi o primeiro santo negro do Cristianismo. O nome Maurício quer dizer "mouro" ou “negro” em grego.

«Maurício» < Lat. Mauritius < Grec. Maur-ikios

ἀμαυρός => μαυρός = escuro > negro.

Ora, é precisamente o facto de o nome da «morcela» ter ficado restrita ao contexto ibérico enquanto o objecto gastronómico que lhe está subjacente é mais universal que nos deixa de pé atrás sobre as suas relações com a etimologia grega de S. Maurício pois neste caso a «morcela» seria conhecida como tal pelo menos também em Itália e sobretudo em França onde S. Maurício parece ter sido o padroeiro dos focos de revolta populares dos bagaudas começados com a crise imperial dos Sevérios na região da Gália do sul da Suíça a Paris passando por Lião e Orleães. No entanto também é possível que esta fosse mais ou menos a geografia da distribuição do culto do deus celta Marte Mullo bem como de uma provável cultura de ritos de passagens de bravura popular que terão facilitado os movimentos de tropas (bagaudas) populares precocemente cristianisadas.

Variantes gastronómicas à parte, «moira» e «morcela» seriam a mesma coisa ou quiçá, a «moira» seria maior e feita de intestino grosso e a «morcela» mais fina e feita de intestino delgado. Então, a «morcela» teria sido apenas uma pequena «moira» ou *mouricella. Seria perda de tempo especular que possa ter havido interferências subconscientes da recolha do sangue da matança do porco como condição sine qua non para estes enchidos de sangue e portanto uma conotação fixadora do fonema «morcela» por interferência com um termo virtual de baixo latim *mortiella < *mortualla (> negra «mortalha») < *morta-ulla e deste com o italiano murtella, enquanto jardim de negros mirtilos!

Deixando de lado a relação das Moiras com a “amaurose” que terá passado seguramente pelo mito paralelo das velhas Gráias que eram três irmãs que compartilhavam um só dente e o único olho que tinham e que eram irmãs mais velhas das gorgónias, verificamos que a seguir às Moiras vêm, por ordem alfabética, as Musas pelo que somos levados a suspeitar que a raiz μο- terá sido uma corruptela de Ma-u-, a Deusa Mãe Deméter, que por ser deusa dos cereais deu semântica farinácea à raiz μο- tanto na «mó» do moinho como mais tarde às «mulas» que as puxaram e que afinal seriam umas moiras de trabalho que moirejavam de sol a sol com os escravos nas sortes da servidão. O termo «mulato» parece reportar para a hibridação com que o francês «meler» parece ter conotação e explicar o suposto PIE *mele-, *mel-.

Não saber o que entendia Herão por «órgão» é desconhecer os próprios dicionários ingleses de grego antigo.

ὄργανον *ἔργω A. instrument, implement, tool, for making or doing a thing, (…) 2. organ of sense or apprehension, (…) b. of the body and its different parts, (…) 3. musical instrument, Simon. 31, f.l. in A. Fr. 57.1; (…), of Marsyas, Pl. Smp.215c ; (…) ibid., cf. Plt.268b ; (….) Id.R.399c, al.; “(….)Phld.Mus.p.98K.; of the pipe, Melanipp.2, Telest.1.2.

4. surgical instrument, Hp.Off.2, X.Cyr.5.3.47, Pl. Plt.298c. (etc.). -- Henry George Liddell. Robert Scott. A Greek-English Lexicon. revised and augmented throughout by. Sir Henry Stuart Jones. with the assistance of. Roderick McKenzie. Oxford. Clarendon Press. 1940.

Hydraulis (Gr. ´υδραυλις from ´υδωρ, meaning water, and αυλ´oς, meaning pipe), was invented by Ktesibios of Alexandria (285 – 222 BC) and was a water organ with keyboard, see Figure 17a. It is generally considered to be the precursor of the modern pipe organ. (...) Professor Pantermalis of the Aristotelian University of Thessaloniki, recreated the organ recently which played during the Athens Olympics in 2004.

Sabe-se que muitos das brinquedos de Heron foram repensados a partir dos trabalhos anteriores do Ctesibius de Alexandria e Philon de Bizantio. O facto de Vitrúvio conhecer alguns dos descritos na Pneumatica demonstra que a cultura grego latina os tinha apreendido aos Egípcios através das portas abertas por Alexandre o Grande na cidade da biblioteca de Alexandria construída como um farol com que a misteriosa e velha cultura egípcia iria iluminar o mundo do seu saber sagrado acumulado ao longo dos séculos em pirâmides e numa miríade de templos e necrópoles. Parte deste saber já tinha sido revelado no que de prático a civilização egípcia introduziu no dia-a-dia dos povos neolíticos ao longo dos milénios da civilização do antigo Egipto. Por exemplo, a ideia corrente de que o moinho foi inventado pelos egípcios porque supostamente estes terão inventado os primeiros barcos à vela, a faluas de que derivaram as caravelas lusitanas, é apenas uma especulação em premissas duvidosas. A única coisa que se pode afirmar é que arqueologicamente o barco à vela mais antigo até agora encontrado era egípcio. No entanto, nada impede de suspeitar que a civilização megalítica tenha conseguido ser a primeira cultura mundial precisamente porque terá conseguido um domínio marítimo tal como só o actualmente conseguido precisa e possivelmente por ter descoberto a falua com que invadiu o Egipto onde o megalitismo neolítico atingiu o clímax nas pirâmides de Gizé.

O helenismo forneceu aos romanos, particularmente à sua poderosa e única industria militar, a tecnologia hidráulica mas, por um qualquer preconceito cultural, não estavam preparados para a tecnologia do vento ainda que ela já fosse banal nos povos ribeirinhos do império que usavam barcos à vela.

The initial invention of the watermill appears to have occurred in the hellenized eastern Mediterranean in the wake of the conquests of Alexander the Great and the rise of Hellenistic science and technology. In the subsequent Roman era, the use of water-power was diversified and different types of watermills were introduced. These include all three variants of the vertical water wheel as well as the horizontal water wheel.  Apart from its main use in grinding flour, water-power was also applied to pounding grain, crushing ore, sawing stones and possibly fulling and bellows for iron furnaces. --  http://www.answers.com.

This aesthetic precision must also explain in large part the failure of the Greeks to achieve more technical progress. Even such simple devices as the windmill and the screw were invented late and exploited little by a people ingenious enough to devise machines powered by steam. The existence of slavery does not account this: slaves were a small part of the work-force in Greece.

There was a general preference for aesthetic perfection rather than innovation--a thought-provoking contrast with our own age. We could take as symbolic the riders on the Parthenon frieze, controlling their mounts without stirrups: their beauty is marvellous, and the absence of gear increases it, but the early medieval invention of the stirrup would transform the power of cavalry. -- The Oxford History of Greece and the Hellenistic World, Por John Boardman,Jasper Griffin.

Claro que não foi apenas o moinho de água que se desenvolveu com a decadência da escravatura com o baixo-império romano mas todas as formas de moagem o que faz pressupor que o recurso à escravatura seria a mais corrente nos tempos antigos. Dai a lenda islâmica a respeito dos moinhos de vento.

O famoso estudioso e historiador muçulmano, Massoudi, escreve sobre um escravo iraniano Zoroástrico que trabalhava para um homem chamado Moghair-ibn-shoair. O escravo que era conhecido como Abu LoLo, fez uma queixa a Omar que seu mestre lhe levou dois Dirhams por cada dia de trabalho: Omar perguntou-lhe: “O que sabes fazer"... O escravo disse: “pintura, carpintaria e forja. "Omar respondeu-lhe: "o que você paga para Moghaireh não é injusto, considerando que o podes fazer”. Abu LoLo saiu resmungando. Outro dia ele cruzou-se no caminho com Omar que lhe disse: "Ouvi dizer que alegas ser capaz de fazer um moinho que trabalha com o vento". Abu LoLo disse: “Eu vou fazer de vossa senhoria um moinho de que as pessoas vão falar muito. "Quando ele saiu, Omar disse: “Este homem ameaçou-me." (Abu Omar LoLo finalmente matou-o com um punhal). [3]

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Figura 6: banks of windmills at Nishtafun, showing the lower grinding áreas.

A lenda de Omar parece demonstrar que no tempo do historiador muçulmano, Massoudi, o moinho de vento ainda não seria corrente porque até o Califa considerava coisa rara um simples carpinteiro saber fazer pelo que todas as teses que decorrem desta prova documental pouco ou nada provam a respeito das pretensões da paternidade do Irão sobre o moinho de vento.

Seja como for, o pouco mais que se pode saber sobre a paternidade iraniana do moinho a verdade é que parece que inicialmente a ideia deste instrumento terá decorrido de algo menos industrial e mais prático e caseiro como seriam as torres de ventilação (badgris) das casas da árida e sufocante região desértica do irão.

I should explain that wind catcher is one of the most famous and spectacular elements in pure Iranian architecture. It is a chimney-like structure usually erected in couples from the bottom of houses or water reservoirs up to an elevation a little higher than its roof. They work like a ventilation system bringing the temperature of inside houses or water reservoirs around 20 C lower than outside.

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Figura 7: Badgris é um típico elemento arquitectónico adaptado ao clima como torre de ventilação iraniana.

Figura 8: Centuries-old Windmills of Nashtifan in Iran, constructed during Safavid period in Khorasan.

A simples ideia de que as torres de ventilação iraniana terão tido nalguma casas abastadas portadas para impedir a entrada de insectos ou aves e que estas com o tempo se terão deteriorado com a acção persistente do vento permite a associação de ideias de que a força eólica poderia accionar moinhos. A questão que então se deveria colocar de seguida e parece não ter tido sequer aflorada até agora é se esta feliz “associação do acaso com a necessidade” teria ocorrido nos tempos do império persa ou na época árabe, ou pelo contrário seria uma realidade arcaica do neolítico. Na verdade, os generais de Alexandre que seriam minuciosos observadores sobre o que iam encontrando nos locais conquistavam parece que nada registaram a respeito dos moinhos de vento.

Desconhecida no Ocidente, a cana-de-açúcar foi observada por alguns generais de Alexandre, o Grande, em 327 a. C e mais tarde, no século XI, durante as Cruzadas. Os árabes introduziram seu cultivo no Egito no século X e pelo Mar Mediterrâneo, em Chipre, na Sicília e na Espanha. Credita-se aos egípcios o desenvolvimento do processo de clarificação do caldo da cana e um açúcar de alta qualidade para a época.

Mas isso também pouco prova porque quando passaram pela Índia os generais de Alexandre se lhes terá embotado os dentes com o açúcar que já lá havia porque não o vulgarizaram por cá…como estranhamente os árabes também o não fizeram quando o cultivaram na Andaluzia Espanhola o que permite concluir que não basta o acaso para criar inventos pois se calhar a necessidade é muito mais importante. Se existem historiadores que consideram que o moinho de vento foi inventado pelos babilónios por volta de 1700 a. C. (e outros pelos egípcios) para irrigação, nomeadamente nos jardins suspensos da Babilónia acoplado ao parafuso sem fim que supostamente viria a ser oficialmente inventado por Arquimedes, estranha-se que os generais de Alexandre não os tenham visto nem relatado nada a este respeito quiçá porque seria uma espécie de segredo de estado que veio a ser revelado pelo intrépido Arquimedes.

Some historian believe that Alexander the Great might have come across Persian windmills and that was how windmills have spread from one country to another, in fact from one continent to another. -- http://www.persianempires.com/persian-empire-technology.html

Não seremos portanto os únicos a suspeitar que o helenismo deve ter dado conta dos moinhos de vento babilónicos mas não os terá descrito localmente. Por outro lado, começamos a ficar com a certeza de que Hierão não inventou o moinho de vento que utilizou no seu órgão pneumático porque tanto os terá conhecido a partir de informações persas como de girândolas de vento dos mecanismos mágicos dos templos egípcios trazidas para Alexandria. É verdade que os arcaísmos ocorrem com mais frequência nos locais onde eles foram primeiro introduzidos como inovação o que neste caso aponte para a Mesopotâmia. Mas o Irão é apenas o herdeiro islâmico mais recente desta civilização. Assim, a paternidade iraniana do moinho de vento pode ser uma mera lenda moderna alimentada por rivalidades turísticas decorrente do facto de ali serem encontrados os mais arcaicos e primitivos moinhos de vento (se bem que outros afirmem ser no Afeganistão) porque será uma realidade tecnológica neolítica iniciada numa época muito arcaica por ser comum ao Egipto e ao império babilónico e então momentos antes da queda do império minóico que fazia a ponte entre ambas as civilizações do crescente fértil.

The first Iranian windmills date back to millenniums before Christ, and the first were probalby made and put to use in a region spreading from Sakestan or Sistan to Ghahestan or Koohestan, but no written evidence are presently at hand.

(…) It can be said with great certainty that through the Moslem Empire (Andalusia in Europe) and through the Crusades the design of the Iranian windmill reached Europe, where the idea was improved to form the vertical “sails” or the Dutch type windmill but the Iranian design continued to be used in some parts of the world, such as Poland, down to the 19th century. -- H Tale, Ph D.

Au-delà de la roue, le moulin à vent est inventé non en Europe mais en Perse au 7ème s. ap. J.-C., puis gagne l’Espagne au 10ème s. ap. J.-C. avant d’atteindre toute l’Europe (Diop-Maes, Ibidem, p. 163). Les Traites négrières d’Olivier Pétré-Grenouilleau Critique de kodjo FIOKOUNA.

On attribue aux Arabes la diffusion vers l'ouest du moulin à vent, signalé pour la première fois en Europe par un texte anglo-saxon de 833. -- Jacques MÉRAND.

Le moulin à vent est apparu en Orient, en Égypte antique et en Iran (il est utilisé en Perse pour l'irrigation dès l'an 600, notamment à Nashtifan (en), dans la province du Khorasan, surnommée l'«ancienne ville des moulins »). Les moulins iraniens, découverts en Palestine par les Croisés, n'étaient pas du même type que les moulins européens. Ils étaient constitués d'une éolienne à axe vertical, confinée à l'intérieur du moulin.

Signalé très tôt en Grande-Bretagne (Abbaye de Croyland en 870), le moulin à vent s'est généralisé en Europe vers le XIIe siècle, d'abord sur les côtes maritimes des pays du Nord: Grande-Bretagne, Pays-Bas, puis dans les pays de la bordure atlantique: Portugal, France, de la mer du Nord et de la mer Baltique : Belgique, Allemagne, Danemark, et dans les îles, y compris en mer Méditerranée. Wikipédia.

The wind wheel of Heron of Alexandria in the 1st century marks the first known instance of wind powering a machine in history. It wasn’t a long jump from that simple wind catcher to putting the wind to work. Ancient sailors understood the lift of the wind, using it every day.

(…) The first windmills were developed to automate the tasks of grain-grinding and water-pumping. Practical windmills with vertical axles were at work in Persia by 500 A. D.

By the 13th century, thousands of wind machines dotted the Chinese landscape while on the island of Crete, literally hundreds of sail-rotor windmills pumped water for crops and livestock. Fixed windmills, oriented to the prevailing wind, were extensively used in Greece where a tenth share of the ground grain was paid to the miller for his service.

By the 1300s, windmills had spread to western Europe where four-bladed mills mounted on a central post used wooden cog-and-ring gears to translate the motion of a horizontal shaft to vertical movement to turn a grindstone.

Vertical-axis windmills were also used in China, which is often claimed as their birthplace. While the belief that the windmill was invented in China more than 2000 years ago is widespread and may be accurate, the earliest actual documentation of a Chinese windmill was in 1219 A.D.

O preconceito de fazer derivar da China todos os inventos importantes da época medieval, supostamente desconhecidos dos romanos, é questionável.

Os primeiros moinhos de vento a aparecer na Europa Ocidental eram da configuração de eixo horizontal. A razão para a súbita evolução da abordagem de design de eixo vertical persa é desconhecida, mas o fato de que as rodas de água europeias também terem uma configuração de eixo horizontal - aparentemente serviu de modelo tecnológico para os moinhos antigos - pode fornecer parte da resposta. Outra razão pode ter sido a maior eficiência estrutural das máquinas do tipo de arrasto horizontal sobre as máquinas do tipo de arrasto vertical, que (lembrem-se) perdem até metade de sua área de rotor de colecta devido às exigências de protecção. [4]

Se o moinho de vento encheu a paisagem chinesa quase ao mesmo tempo que apareceu na Europa quando o primeiro invento foi oficialmente “patenteado” por Herão de Alexandria quase seguramente que se espalhou a partir da Grécia para os extremos do mundo.

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A dúvida é saber se Herão inventou o moinho de vento vertical ou apenas descobriu o que já era prática corrente e antiga na ilha de Creta e, pasme-se…na variante tecnicamente mais trabalhosa mas muito mais eficaz das velas verticais!

Figura 9: Old windmills on a mountain ridge in Crete. Ninguém sabe a idade destes moinhos que deve ter sido reconstruídos vezes sem conta até deles se perder a memória.

Um eixo de moinho de vento não roda em anglo recto como num passe de mágica pelo que os moinhos já andariam ao vento pelas costas de Europa pelo menos desde que a mão-de-obra escrava começou a rarear no baixo-império romano, sobretudo com o advento do cristianismo, nas zonas onde faltava a água. O simples facto de não se encontrarem modelos de transição de moinhos de vento de eixo vertical para o horizontal comprova que estes foram criados localmente a partir dos modelos já sobejamente conhecidos de moinhos de água. Pelo contrário, comprova-se que a nível dos moinhos de água existiu de facto uma evolução de moinhos de pás horizontais mais primitivos, artesanais e rudimentares para os de roda vertical mais elaborados e com tecnologia seguramente orientada pela engenharia da época de modo tal que em França se pode considerar haver uma geografia de moinhos de pás horizontais mais arcaicas a sul e de rodas verticais mais elaboradas a norte.

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9. C'est à 1137, d'après des recherches récentes, que remonte la première mention connue d'un moulin à vent en Occident, dans le sud-est de l'Angleterre. Vers 1180, on trouve des attestations en Normandie, en Flandre, puis dans les villes d'Arles et de Tarascon (vers 1250) et même au Moyen-Orient: en 1189, au siège de Saint-Jean d'Acre, pour parer aux difficultés de ravitaillement, les croisés construisirent sur place un moulin à vent, le premier à exister en Syrie. En 1191, un certain nombre de litiges montrent que le moulin à vent n'avait pas été prévu par le droit féodal; il troublait l'ordre économique de la banalité. Après un certain temps il devient lui aussi presque partout banal. -- La route des moulins, Jean Odol.

Ora bem, uma regra óbvia que pode servir de princípio arqueológico é o de que as tradições mais arcaicas ocorrem onde elas apareceram primeiro porque quem está mais ou menos bem servido não inova e quem inova procura o que seja mais actual. Esta regra poderá explicar porque é que no vale do Côa, além da abundância do xisto, persistiu até tão atarde a arte de trabalhar a pedra lascada quando a pedra polida à romana era comum nas Beiras.

Também em Portugal, a existência do moinho de vento é oficialmente citada num documento de 1303 mas, contudo, é de admitir que a sua introdução tenha sido anterior a esta data, havendo pelos vistos referências árabes de 1045 a moinhos de vento em Alcabideche.

A mais antiga referência aos moinhos de vento na Europa é a do poeta luso-árabe Ibn Mucana de Alcabideche, a maior freguesia do Concelho de Cascais. (…) Certo dia um contemporâneo viu-o passar, em Alcabideche, já velho e surdo, mas ainda com uma foice na mão e abeirou-se dele, para solicitar que lhe recitasse uns versos. Ibne Mucana – depois de o ter feito sentar, para observar os trabalhos da lavoura, que num campo fronteiro estavam a ser executados – pronunciou, de improviso, esta bucólica poesia, na qual metaforicamente aludiu aos moinhos de vento, que funcionavam com as nuvens, sem necessitarem de fontes:

Ó tu que habitas em Alcabideche, possas tu nunca ter falta de grãos

para semear, nem de cebolas nem de abóboras!

Se és homem de resolução, precisas de um moinho que funcione

com as nuvens, sem necessitar de fontes.

A terra de Alcabideche não produz, quando o ano é bom, mais de

vinte cargas de cereais.

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Figura 10: Moinho de vendo de Alcabideche.

Ibne Mucana regressou, pois, a Alcabideche graças aos benefícios do Rei Almodáfer, de Badajós e, portanto, depois de 30 de Dezembro de 1045, data em que o mesmo rei subiu ao trono. (…)

Poderiam também citar-se, na Península Ibérica, os menos conhecidos moinhos de vento de Tarragona, mencionados por Ibne Al-Munim Al-Himyari, na seguinte passagem do seu repertório geográfico e político:

“Uma das curiosidades de Tarragona consiste nos moinhos que foram instalados pelos Antigos; eles andam quando o vento sopra e param com ele”.

O repertório de Al-Himyari foi concluído em 21 de Novembro de 1461, mas a origem da notícia contida nesse trecho pode fazer-se remontar ao geógrafo Abú Ubaíde Albacri, falecido em 1094, depois de 13 de Outubro, mas antes de 12 de Novembro. (…)

Seja, porém, como for, entre os moinhos de vento persas, do segundo quartel do Século X, na província de Seistan e o de 1180, perto de Saint-Sauveur-le-Vicomte, na região francesa da Normandia, temos pelo menos, os do terceiro quartel do Século XI, citados por Ibne Mucana, em Alcabideche. -- esteves_ricardo@yahoo.com.[5]

Comparando em copy past as diversas referências que andam pelo ciberespaço conclui-se facilmente que a maioria das originalidades são contraditórias o que faz com que a sua fidedignidade resista mal a uma análise desapaixonada sem profundidade de maior.

1- Au-delà de la roue, le moulin à vent est inventé non en Europe mais en Perse au 7ème s. ap. J.-C., puis gagne l’Espagne au 10ème s. ap. J.-C. avant d’atteindre toute l’Europe.

2- There is no evidence that mills of this type ever spread to other parts of the Islamic world.

3- By the 1300s, windmills had spread to western Europe.

4- On attribue aux Arabes la diffusion vers l'ouest du moulin à vent, signalé pour la première fois en Europe par un texte anglo-saxon de 833.

5 - Signalé très tôt en Grande-Bretagne (Abbaye de Croyland en 870).

6- A mais antiga referência aos moinhos de vento na Europa é a do poeta luso-árabe Ibn Mucana de Alcabideche, a maior freguesia do Concelho de Cascais, em 1045

7- Windmills appeared in England from c.1180.

8- En 1180 en Normandia ya existían los Molinos de Viento.

9- The windmill was introduced to England during the 12th century, probably by returning Crusaders who had seen windmills in operation in Arab lands, where they had been used since the 7th century. - A Short Guide to Windmill Types and Developments, John Welford, Contributing Writer.

As datas relativas ao primeiro moinho introduzindo na Europa são tão variáveis que provavelmente são pura presunção mesmo quando invocam prova documental. Na verdade tais documentos tenderão a ser tanto mais frequentes e acessíveis quanto mais recentes. Não deixa de ser curioso que o documento referido mais antigo seja de 833 e anglo-saxão, ou seja de uma época ainda pouco clara da história inglesa. No entanto, na conquista do podium da maior antiguidade dos moinhos os regionalistas europeus invocam precedências várias.

Ora, sendo criteriosos devemos constatar que a falta de registos documentais da alta idade média para comprovar a existência dos moinhos de vento torna estas datas muito contestáveis. Basta repara que mesmo o moinho de água já sobejamente conhecido no império romano só aparece referido em França pela primeira vez por volta do ano 750. A explicação é simples. A idade das trevas medievais que se seguiu à derrocada do império romano do ocidente era devida sobretudo à iliteracia por falta de instituições escolares pela falência geral das estruturas de civilização romanas.

Ou seja, a falta de provas documentais antes do século oitavo depois de Cristo provam muto pouco!

No entanto, foi também esta falência do império, que impediu os senhores de segurarem os escravos, aliada à tendência da cristandade para os encarar como filhos de Deus e por isso indignos de servidão que motivou a procura de moinhos que não fossem de sangue e numa primeira etapa implementaram-se os moinhos de água que os romanos tinham espalhado por todo o império.

Uma coisa parece ser certa. Existiu alguma resistência legal ao desenvolvimento do moinho de vento na Europa quase que seguramente pelo peso da tradição do moinho de água herdado dos romanos precisamente pelas razões fiduciárias que parecem ser sugeridas no texto seguinte:

Le mécanisme des moulins n'a guère subi de modifications depuis César jusqu'à Louis XIV. Les moulins à eau ne comprenaient généralement qu'une roue hydraulique, un rouet, une lanterne ou pignon, et deux meules.

Un vent de liberté Au XIIème siècle, certains villageois se rebellent devant l'obligation de s'acquitter du droit de mouture. L'idée naît d'utiliser la force du vent, en s'inspirant des moulins ailés vus par les croisés en Terre sainte. Le vent est une force de la nature qui n'a pas de maître : «Nul ne peut interdire à personne l'usage du vent», comme l'énonce un édit de l'époque. A l'origine, le moulin à vent s'affirme donc comme une opposition au système féodal traditionnel. Mais avec le temps, certains moulins à vent deviennent aussi banaux.

Mais le moulin à vent tel que nous le connaissons est une invention occidentale qui doit peu à l'Orient. Les Croisades en Terre Sainte font mention d'un moulin en 1189 construit pendant le siège d'Acre par Richard Coeur de Lion et Philippe Auguste. "Des croisés allemands construisirent un moulin sous les murs de la ville. Ils firent le tout premier moulin à vent qui jamais fut fait en Syrie " (d'après Claude Rivals). En Angleterre, le premier moulin à vent remonte à 1181 sur une terre de l'abbaye de Saint Mary de Shineshead près de Bristol. En France, c'est en 1180, près de l'abbaye de Saint Sauveur le Vicomte que se dresse le premier moulin à vent. -- La route des moulins, Jean ODOL.

De facto, os autores que mais insistem na origem árabe do moinho são estranhamente os ibéricos o que esclarece o quanto a história continua a ter de culturalmente pouco independente do processo político por ser de certo modo a legitimação da propaganda dos interesses e estratégias dos poderes dominantes. A Espanha pós franquista tende a afastar-se da cristandade tradicional enfatizando o papel que a cultura árabe Andaluz teve na Ibéria medieval.

Los persas, a partir del siglo VII, ya poseían molinos para riego y molienda, formados por alas montadas sobre un palo vertical, cuyo extremo inferior movía una molienda. Estos molinos se difundieron por los países árabes y fueron llevados a Europa por los cruzados. Entre los siglos XI y XIII se difundieron por Europa. A nuestra Mancha llego en 1575.

En 1180 en Normandia ya existían los Molinos de Viento que a lo largo del Siglo XII se difundieron por toda Europa, como nueva tecnología energética traída por los cruzados desde Oriente.

Probablemente el “Moli de Vent” fue inventado en Persia en el siglo VII y tuvo una gran difusión en la región oriental del Mediterráneo, y lo propagaron, durante la Edad Media los Bizantinos por el Norte y los Árabes por el Sur.

Mas estas informações em espanhol de sites de promoção turística têm pouca fidedignidade e estão cheias de contradições.

Os Árabes chegaram à Ibéria porque os visigóticos entraram em guerra civil ao não serem capazes de gerir a decadência económica inexorável do império romano em direcção ao feudalismo.

Pero, a ver: los moros que conquistan la península Ibérica... Del año 711 al 720...debían de ser aguerridos soldados sin mucha cultura, ¿no? Eran guerreros bereberes, norteafricanos, recientemente islamizados. Entonces ¿de dónde sale tal abanico de saberes? Llega un siglo después. Verá: en Bagdad, en el siglo IX, son traducidos al árabe muchos textos clásicos griegos y latinos, y también antiguos textos persas y babilonios. Y, desde allí, esos textos en árabe circulan rápidamente por el islam hasta desembarcar en España. -- Juan Vernet, arabista: Los árabes salvaron el saber clásico.

Possivelmente os berberes eram até mais cultos que os beduínos árabes mas tinham sido invadidos pelos Vândalos e entrado na mesma decadência do império romano. Bem-feitas as contas a superioridade cultural árabe entrou em Bagdade no século IX e tardou um século a entrar em Espanha porque a reconquista não dava grandes tréguas para a prosperidade económica da Andaluzia e, de qualquer modo numa altura em que já haveria moinhos na Inglaterra.

Os séculos IX e X representam o auge desta conquista ao consolidar-se primeiro, o emirato com Abderramám I e o califado com Abderramám II. O avanço da reconquista oferece o panorama de uma Espanha cristã-muçulmana dividida e ensanguentada, onde a guerra é um fantasma quotidiano (…).

Já no décimo século encontramos um núcleo de grande actividade na Espanha, tratando-se de assuntos especificamente judaicos, inclusive ciência pura, arte e poesia. Naquele período, cresceram os mais belos frutos da cultura e da literatura judaica. O génio judeu desenvolveu-se e cresceu sob os raios do cálido sol da cultura árabe. A língua e a poesia árabes não lhes eram estranhas, pois aos judeus se deve grande parte da sua criação. (…) Foi fenômeno natural, portanto, terem os judeus se dirigido à Espanha, que se achava sob o domínio árabe. Aí alcançaram o auge, não no campo material, mas no da cultura. Durante gerações encontramos entre eles um grande número de sábios judeus que conquistaram fama mundial como estadistas gramáticos, poetas, filósofos e cientistas, homens esses a quem a civilização ocidental deve gratidão eterna.

O afamado pensador inglês W. E. H. Lecky, na sua História do Racionalismo, faz a seguinte observação a respeito dos judeus da Idade Média:

 

"Enquanto a população ambiente se revolvia nas trevas da ignorância embrutecedora, enquanto milagres fraudulentos e relíquias trapaceiras eram os temas discutidos em quase toda a Europa, enquanto o intelecto do cristianismo, subjugado por inúmeras superstições, imergiu num torpor mortal, de onde foram banidos o amor às investigações e a procura da verdade, os judeus sempre prosseguiam no caminho do saber, acumulando conhecimentos e estudos, e estimulando o progresso com a mesma constância resoluta que manifestaram na sua fé. Foram eles os médicos mais habilidosos, os financistas mais eficientes e filósofos dos mais profundos e unicamente no cultivo das ciências naturais vinham em segundo lugar, depois dos mouros. Foram eles os intérpretes e mediadores entre a Europa Ocidental e a Ciência Oriental".

Esta idade de ouro judia começou no século X com Hasdai ibn Shaprut, Ministro das Relações Exteriores do Califa Abd Er Rahman, de Córdova.

O califa Abd-al-Rahman III foi um governante extraordinário, liberal e tolerante tanto na forma de pensar quanto nas suas acções. Durante seu reinado, o Califado de Córdoba tornou-se um importante centro económico e cultural. Foi a primeira economia urbana e comercial a florescer na Europa, depois do desaparecimento do Império Romano. Um apaixonado pela filosofia, poesia, teologia e ciências seculares, Rahman estimulou e patrocinou o conhecimento sob todas as formas e em todas as áreas.

Sem medir esforços, importou livros de Bagdá e recrutou sábios, poetas, filósofos, historiadores e músicos. Construiu uma infra-estrutura composta de bibliotecas, hospitais, instituições de pesquisa e centros de estudos, criando a tradição intelectual e o sistema educacional que tornariam a Espanha um centro de referência pelos quatro séculos seguintes. No século X, Córdoba, com uma população de mais de 500 mil habitantes, perto de 60 mil palácios e 70 bibliotecas (uma das quais abrigava 500 mil manuscritos e uma equipe de pesquisadores, tradutores e encadernadores), tornara-se um centro mundial e rivalizava em opulência cultural e económica com o Cairo, Damasco e Bagdá. -- A Idade de Ouro do judaísmo sefaradita

Não é possível negar que o Califado de Córdoba criado por Abderramão III e que durou de 929 a 961 não tenha tido uma súbita explosão de grandeza. Só que esta se ficou a dever em grande parte à sagacidade de Abderramão III que usou a fertilidade andaluza, que já tinha feito a prosperidade visigótica dos toledanos, e a posição estratégica de Córdoba como centro ocidental de comércio com a Europa o que no entanto durou pouco mas iria alguns séculos mais tarde fazer a prosperidade de Veneza. O Califado de Córdoba seria literalmente destruído menos de 100 anos depois em resultado de guerras civis o que mostra o quão artificial e politicamente insustentável foi esta prosperidade e o quanto fugaz e seguramente pouco memorável e exemplar foi idade de ouro dos árabes em Espanha.

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Figura 11: Moinhos de vento de La Mancha muito semelhantes aos Flamengos.

Quanto à idade de ouro das arábias dos judeus espanhóis esta iria ter o mesmo percurso do califado de Córdoba.

Com a morte de al-Hakan II Ibn Abd-al-Rahman em 976, o Califado começa a dissolver-se, e a situação dos judeus tornou-se mais precária sob o governo dos reinos de taifas. A primeira perseguição importante foi o massacre de Granada em 1066, a crucifixão do vizir Joseph ibn Naghrela e o massacre da maior parte da população judaica da cidade. "Mais de 1500 famílias judaicas, ou seja, ao redor de 4 000 pessoas, faleceram num dia. "Esta foi a primeira perseguição dos judeus da península sob o governo islâmico. -- Wikipédia

No século XI, a fortaleza árabe começa a render-se. A morte de Almanzor, grande guerreiro mouro, deriva na decomposição do califado em Taifas que, pela a sua estrutura, são mais fracos perante as ataques dos monarcas espanhóis dos territórios reconquistados, entre os que destacam Toledo e Valência.

No século XII os árabes têm um pequeno ressurgimento com uma imediata resposta dos reis cristãos, criam-se as ordens militares e se consolida a união de Aragão e Catalunha. Porém, no século XII, com a batalha das Navas de Tolosa, os árabes vem reduzido o seu território à zona de Almeria, Granada e Málaga, aonde se mantém até 1492. Nesta mesma etapa consolida-se a união de Castela e Leão com Fernando III.

Neste ambiente incerto a prosperidade árabe em Espanha é mais um mito criado a partir da perspectiva decadente do reino de Granada do que uma realidade duradoura. Na verdade, o que aconteceu foi que à volta do espaço incerto e constantemente variável das fronteiras da reconquista prosperavam os judeus e moçárabes que foram os que verdadeiramente fizeram o curto período de renascimento cultural na Ibéria medieval. De qualquer modo não existem provas de que este curto período tenha promovido inovações tecnológicas como as que seriam necessárias para passar do moinho vertical iraniano para o moinho horizontal. Na verdade nem sequer há provas de que o moinho de vento dos persas tenham sido usado pelos árabes em larga escala. Sabemos que em Tanger houve moinhos de vento para accionar engenhos de açúcar mas é provável que fossem tardios e de tipo espanhol.

Forbes apparently goes as far as to take the birthplace to be Sistan and to place the invention in early Muslim or even pre-Muslim times. (…). Forbes also asserts that, after having been first confined to Persia and Afghanistan, the invention subsequently spread in the twelfth century throughout Islam and beyond to the Far East. On the other hand, Lynn White states that there is no evidence that mills of this type ever spread to other parts of the Islamic world [1962].

(…) The real mystery, however, lies in the fact that the vertical-axis Persian windmill never came into use in Northwest Europe. Historical Development of the Windmill, Dennis G. Shepherd.

É duvidoso que tenham sido os árabes a introduziram a entrosga (principio da roda dentada) para fazerem funcionar os moinhos de vento e ainda menos as azenhas porque os romanos já as sabiam fazer com a mestria de Vitrúvio.

Se os árabes já conhecessem o moinho antes dos europeus seria estranho que estes tivessem construído um moinho na Síria. La troisième en Terre Sainte font mention d'un moulin en 1189 construit pendant le siège d'Acre par Richard Coeur de Lion et Philippe Auguste.

9- Les moulins iraniens, découverts en Palestine par les Croisés, n'étaient pas du même type que les moulins européens.

Uma coisa parece então certa: se os moinhos que os cruzados encontraram na Palestina no século XII eram de eixo vertical (e pás horizontais) como os que eram utilizados para irrigação desde o ano 600 na Pérsia então é porque também não foram os árabes que os trouxeram para a Europa…porque senão os moinhos andaluzes seriam pouco diferentes dos palestinos.

No existe un acuerdo o certeza total en cuanto al lugar donde aparecieron los primeros molinos o quien fue su inventor. Algunos estudiosos dicen que fue una idea del célebre inventor griego Herón de Alejandría allá por el siglo I antes de la era cristiana, siendo utilizado entonces para mover los fuelles de un órgano de viento. Otros opinan que aparecieron en Persia, en el siglo VII de nuestra era. Lo cierto parece ser que ya alrededor del año 1000 los persas lo utilizaban para extraer el agua para el regadío de sus cosechas, dado que es un país de clima muy seco.

Mas a teimosia em atribuir o desenvolvimento do moinho de vento aos árabes continua!

Más tarde, los árabes adoptaron este ingenioso dispositivo, el que fue llevado a Europa por los cruzados. Fue así como durante la Edad Media los molinos de viento alcanzaron un gran auge en Europa.

Diz-se que os muçulmanos cruzaram os sistemas hidráulicos dos Romanos e dos Visigodos com as técnicas que traziam do Oriente. Ao longo dos rios constroem moinhos de água, as azenhas (saniya). Para retirarem a água dos poços introduzem a nora (na´ura) e a cegonha (ou picota). Endeusa-se demais o contributo árabe com menosprezo do engenho medieval mas a verdade é que nada conhecido para cá do Indico esteve fora do alcance do império romano nem deixou de estar ao dispor do bizantino e obviamente que os árabes receberam mais destes do que inovou. Em rigor os árabes fizeram a exploração intensiva da Península porque tinham que prestar contas aos califas de Bagdade e aos locais e disso houve proveito civilizacional mútuo inegável.

O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas, onde o vinho se inclui. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos, não proibindo a cultura da vinha nem a produção de vinho. Havia uma razão: para os Árabes, a agricultura era importantíssima, aplicando-se aos agricultores uma política baseada na benevolência e protecção, desde que estes se entregassem aos trabalhos rurais, para deles tirarem o melhor proveito. Mesmo no Algarve, onde o período do domínio árabe foi mais longo, ultrapassando cindo séculos, produziu-se sempre vinho, embora se seguissem os preceitos islâmicos. -- A Vinha e o Vinho em Portugal, O Instituto da Vinha e do Vinho, I.P. é tutelado pelo Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território Copyright © 2009 - Instituto da Vinha e do Vinho, I.P.

De resto, se os árabes tolheram o acesso da Europa às rotas orientais teriam que ser eles a trazer as novidades que antes costumavam vir por essas vias com a vantagem adicional de terem conseguido o que Alexandre o Grande apenas tinha tentado: penetrar duradouramente no Índico! De facto os árabes limitaram-se a cumprir o seu papel de império intermediário como foram sempre os impérios asiáticos. Na verdade, as grandes inovações não se fazem nas farturas dos impérios mas acontecem em situações de crise, de isolamento ou insularidade como aconteceu ter sido esse o destino das civilizações egeias, que tiveram a sua idade das trevas, e da Europa que teve a sua Idade Média.

O livro mostra como os árabes foram muito mais que simples mediadores do conhecimento helênico, como se apontou durante muito tempo. Além de comentar e expandir os textos que traduziram, eles contribuíram com estudos originais em campos como álgebra ou astronomia, além de terem levado à Europa inovações técnicas na engenharia e novos campos do conhecimento, como a alquimia. -- Efervescência cultural medieval fincou alicerces da ciência moderna, mostra livro, Por: Bernardo Esteves

Bom, que a alquimia tenha sido um novo campo do conhecimento é algo sui generis porque nuca o poderia ser apesar de ter permitido alguns progressos fortuitos empíricos de passagem. Na verdade ela era uma espécie de trípode mágico erudito onde se misturava ocultismo, astrologia, cabala, manipulação semântica, magia e misticismo com saber cientifico clássico, filosofia pitagórica e algum saber fazer médico helenista…com muito de alternativo de raspaduras várias do fundo do caldeirão mágico da bruxaria xamânica arcaica com objectivos culturalmente utópicos e delirantes quiçá para despistar o maleus maleficorum dos inquisidores que farejavam bruxarias e artes do demónio a léguas por serem coisas competitivas com a religião oficial.

A grande obra alquímica era a procura da pedra filosofal para com ela alcançar a imortalidade com a panaceia de todos os males, ou pelo menos o elixir da longa vida, e a transmutação dos metais em ouro, sendo uma, a prova real da outra. Com estas metas transcendentais delirantes e a crença de que toda sustancia se compunha de mercúrio, enxofre a sal os trabalhos alquímicos teriam que se revelar com o tempo pouco saudáveis de tal modo que Newton arruinou a sua saúde e teria arruinado a sua reputação se não tivera escrito a Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, pelos anos que tentou sem sucesso uma filosofia que via na natureza algo diferente do que admitiam as filosofias mecanicistas ortodoxas, ou seja, ciências físico naturais modernas que só foram possíveis com o abandono do flogisto e da Alquimia, que por sinal eram ilegais por serem aparentadas com a bruxaria e magia negra. Obviamente que os árabes, e também os chineses, tiveram uma visão muto mais pragmática da alquimia e por isso conseguiram alguns resultados práticos como foram a descoberta dos processos de destilação, a purificação do álcool, a descoberta e uso do ácido muriático (clorídrico), sulfúrico e nítrico, a soda, a potassa, etc. não descobriram nem a pólvora nem desvendaram o segredo bizantino do fogo grego.

O açúcar chegou dos árabes mas pela mão dos cruzados e foi divulgado pelos venezianos o que sugere que se já tinha chegado a Espanha os cristãos espanhóis não lhe tomaram o gosto porque estavam mais preocupados com a reconquista do que com as novidades dos cruzados que só paravam pela península porque iam com algum contragosto e sem pressa pois que de regresso queriam era ir gozar em casa o mais cedo possível o repouso do guerreiro e os despojos de guerra com algumas bolas de melaço seco de açúcar árabe à mistura.

Au cours de la révolution agricole musulmane, des entrepreneurs arabes, grâce à l'expansion de l'islam en Asie, ont acclimaté la canne à sucre dans les pays méditerranéens (depuis la Syrie jusqu'à l'Espagne du sud), adopté les techniques de production de sucre indiennes et les ont affinées (sucre en pains ou en poudre, facilement transportables par les caravanes), les transformant en une grande industrie. Les Arabes ont créé les premières sucreries, raffineries, usines et plantations.  

Au Moyen-Âge l'Occident découvre le sucre de canne chez les Arabes lors des croisades et le fait rapporter notamment en Italie, en Grèce et dans le sud de la France.  

Os cruzados levaram açúcar para casa na sua volta à Europa após suas campanhas na Terra Santa, onde eles encontraram caravanas carregando "sal doce". No começo do século XII, Veneza adquiriu algumas vilas perto de Tiro e organizou propriedades rurais para produzir açúcar para exportar para Europa, onde ele suplementou o mel como a única outra forma de adoçante. – Wikipédia.

La primera constancia escrita, que hasta hoy se conoce, sobre las plantaciones de caña en la España musulmana está fechada en el año 961, que se publicó en el ‘Calendario de Córdoba‘ de dicha fecha y que era una ayuda para los agricultores donde se indicaban los tiempos para plantar y recolectar los productos agrícolas (dato obrante en el libro del arabista Reinhart Pieter Anne Dozy en el año 1873 y publicado en Leiden, Holanda). (…)

Los cristianos, pese a poder endulzar sus alimentos con el azúcar siguieron prefiriendo hacerlo con miel, aunque según Antoni Riera-Melis en su estudio titulado: ‘Sociedad feudal y alimentación (siglos XII-XIII)‘ dice que: “El consumo de azúcar, un artículo de lujo de procedencia musulmana, sería todavía más escaso en esta época: la primera compra documentada, por el conde de Barcelona en Manresa, data de 1181“.

Ora, tirando a cana do açúcar e o papel parece que a respeito da bússola e da pólvora existem algumas dúvidas se teria sido dos árabes que estas novidades medievais teriam vindo!

Sin embargo, en Andalucía, pese a haberse usado hasta mediados del siglo XX en el Parque Natural del Cabo de Gata-Níjar, o no se conocen ni se valoran en su justa medida, o su estado es, en la mayoría de los casos, “de abandono”. “No hay un plan sistemático de recuperación y rehabilitación, tan sólo acciones puntuales”, asegura José Ignacio Rojas, especialista en arqueología industrial. Aproximadamente “sólo un 15% está en buen estado de conservación como el molino de San Francisco, en Vejer de la Frontera (Cádiz), o el molino de viento del Colado, en San José (Almería)”.

El primer molino del que se tiene constancia en Cartagena es del año 1383. Y en 1586 Jerónimo Hurtado en su "Descripción de Cartagena" confirma la existencia de dos molinos en el centro de la ciudad. La mayor parte de los existentes fueron levantados en los siglos XVIII y XIX.

De facto, precisávamos de indagar quase um a um o que resta a respeito dos moinhos de vento da Andaluzia para podermos concluir a realidade interessante de que existe uma grande identidade morfológica entre os moinhos de vento mediterrânicos mas que estes são comuns na costa portuguesa, raros na Andaluzia e novamente muito comuns apenas em Creta e nas ilhas gregas o que deixa a forte suspeita de que os moinhos mediterrânicos de velas de pano nada tiveram a ver com os árabes que só tardiamente estiveram nas ilhas gregas mas que pelo contrários estes a par do culto taurino serão uma arcaica herança minóica típica da Lusitânia e Andaluzia.

De facto os Moinhos Andaluzes são muito idênticos aos portugueses.

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Figura 12: Molino de Carboneras

Figura 13: Molino de la Ezequiela

Figura 14: Molino de Maise.

Como já se viu, o princípio inventivo do casamento do Acaso com a Necessidade (Tikê & Anankê) permite-nos postular que a necessidade cretense de recorrer aos moinhos de vento advém do fato de ser geograficamente pobre em cursos de água caudalosos e de não ter sido uma sociedade fortemente esclavagista, como a arqueologia o atesta. Uma sociedade de padrões formais pacíficos que praticamente ignorou as cidades amuralhada, que foram sempre um recurso defensivo também contra o inimigo interno, e que manifesta nos restos arqueológicos uma distribuição sem grandes contrastes de benefícios arquitectónicos de bem-estar não poderia ter sido esclavagista. Assim, porque o ímpeto das correntes de água lhe eram inacessível na ilha de Creta a civilização minóica terá tido em algum momento precoce da sua história necessidade de recorrer à invenção do moinho de vento como alternativa ao moinho de sangue por mera adaptação da vela marítima ao moinho de água que já conheceria noutros pontos da sua talassocracia.

 

A razão porque este facto não ficou registado pela cultura clássica poder ser um dos muitos preconceitos subjacentes a todas as culturas. Muitas outras foram as tradições cretenses arcaicas que os gregos esqueceram, registaram apenas de passagem ou com desdém ou simplesmente ignoraram. Os moinhos de ventos cretenses seriam considerados tão rústicos e banais que nem terão merecido comentários. Na verdade, só assim se explica o inexplicável.

A verdade é que o acaso andou por lá na forma de espantalhos de vento que os gregos registaram nos cultos de Deméter.

 

Ver: SUÁSTICA III / ROSA-DOS-VENTOS (***)

 

Na verdade, não deixa de ser estranho que a maior diversidade e densidade de moinhos de vento do mundo seja ainda hoje precisamente na ilha que se suspeita ser o berço da civilização, tal como se sabe ter sido de Zeus.

Another interesting place to visit during your holidays in Crete, is Lasithi Plateau which has about 10,000 windmills which were used during the Venetian period. They were designed in 1464 by Venetian engineers for the purpose of irrigation. -- http://gouvespark.gr/en/crete-holidays.html

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Figura 15: The famous fixed-tower windmills with sails provided irrigation for many parts of the Mediterranean island of Crete.

Que tenham sido os venezianos a adaptar os moinho-de-vento à irrigação agrícola intensiva para sobre explorarem a ilha que os bizantinos lhes venderam por não a poderem defender não significa que tenham sido os venezianos a “inventarem” os moinhos gregos porque ninguém vende o que desconhece e de negócios entendiam bem os mercadores de Veneza. Na verdade é difícil encontrar referências a moinhos italianos e menos ainda adriáticos.

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Figura 16: A picture taken at Trapani's Salt Road, Sicily, bay Francesco Pappalardo.

Os moinhos italianos mais turísticos são sicilianos e de morfologia espanhola a relembrar o domínio aragonês iniciado no sec. XIII ao sec. XVI ao reino do imperador Carlos V continuando sob domínio espanhol até ao século XVIII.

Esta mesma realidade de que não há “praticamente moinhos de vento em Itália vem confirmada por Por Joseph Jérôme Le Français de Lalande no seu livro: “Voyage en Italie, Volume 4, contenant l'histoire & les anecdotes les plus singulieres de l'Italie, & description; les usages, le gouvernement, le commerce, la littérature, les arts, l'histoire naturelle, & les antiquités».

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Claro que a explicação racionalizante de Joseph Jérôme Le Français de Lalande de que “os países quentes não estão sujeitos aos ventos variáveis e impetuosos do norte” pode ser a mais decisiva mas apenas enquanto associada ao facto de a Itália ser “favorecida com a abundância de água” que por acaso não encontramos em Castela lá Mancha onde campeavam os moinhos de D. Quixote. No entanto, se é verdade que a ecologia italiana não favorecia os moinhos de vento a verdade é que esta estaria cheia de moinhos de água romanos que apenas bastaria conservar. O peso da tradição cultural romana manteve-se na Itália podendo ser esta o espelho vivo da razão da ausência de moinhos de vento no império romano: a Itália que era o berço do Império era uma região continental de ventos suaves e amenos.

Se o cata-vento precedeu ou imitou as caravelas dos moinhos de vento mediterrânicos é coisa difícil de saber porque se ignora quando apareceu ao certo o primeiro moinho no mundo! A verdade é que existem moedas gregas da Calcídea que parecem homenagear tanto o galo do cata-vento como as velas dos moinhos e é forte a relação mitológica que estas tiveram com a suástica enquanto roda dos ventos e símbolo do movimento solar na esfera celeste.

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Figura 17: Greek coins, Himera, Calcidian drachm ca. 530-520, AR 5.82 g. Cockerel advancing l., with r. claw raised. Border of dots. Rev. Windmill sail pattern of four raised and four sunken triangles. Kraay-Hirmer pl. 20, 63. Kraay –, cf. 60 (possibly this reverse die). In exceptional condition, well struck in high relief and with a lovely old cabinet tone, good extremely fine.

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Figura 18: Moinho de vento das Cíclades.

Figura 19: Traditional Cretan Windmills, Ano Kera, Iraklio.

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Figura 20: Moinho de vento de 10 velas de Cartagena.

Figura 21: Moinho de vento de 8 velas em Torre Pacheco, Cartagena,.

La ciudad de Cartagena fue fundada como Qart Hadasht por el cartaginés Asdrúbal el Bello en el año 227 a. C., sobre un anterior asentamiento ibérico o tartésico  tradicionalmente identificado como Mastia.

Por outro lado é flagrante e de certo modo estranho o facto de os moinhos de ventos de Portugal abaixo do Douro serem de velas semelhantes a barcos tal como as dos moinhos gregos de que praticamente se não distinguem senão no numero de velas que em Portugal são sempre quatro e nas ilhas gregas poderem variar de quatro a dez, possivelmente por serem aqui os ventos mais suaves. Flagrante também o facto de os moinhos de Cartagena na Andaluzia espanhola serram igualmente de oito a dez velas.

Cartagena, cidade cartaginesa de provável origem ainda mais arcaica do que Cartago e por isso cretense antes de ser tartéssica apresenta espantosamente a mesma riqueza da variedade de formas nos moinhos mediterrânicos muito semelhantes aos das ilhas gregas.

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Figura 23: Moinho de vento, de Catoira, Galiza.

<= Figura 22: Moinho de vento minhoto do Carreço.

Quanto aos moinhos de vento do Minho, um tem velas de pano (moinho do Petisco) e os outros dois tem velas trapezoidais de madeira (moinhos de Cima e do Marinheiro), considerados uma raridade em Portugal. -- Espanhóis "Amigos De Portugal" Exaltam Belezas Naturais De Carreço.

A transição do moinho de vento mediterrânico para o moinho de vento nórdico de velas reforçadas com armação de madeira para resistirem aos fortíssimos ventos nórdico deve ter ocorrido na Galiza como se comprova na figura dos rústicos moinhos de Catoira, estranhos fósseis de moinhos de vento com velas na forma de pás ou traves de madeira.

Se seguirmos a linha de evolução dos moinhos de vento verificamos que tudo aponta para que ele tenha surgido no mediterrâneo oriental, mais precisamente nas ilhas do mar Egeu de onde terá vindo para Portugal muito possivelmente ainda na época minóica progredindo depois para Inglaterra com o vinho do Porto a partir da região galaico duriense onde terá adquirido as velas de madeira típicas dos moinhos nórdicos.

O moinho Espanhol de que o Siciliano deriva tem todo o aspecto de ser uma importação da Holanda de quando os espanhóis andaram pela Flandres com Carlos V até porque não existem provas de moinhos árabes em Espanha nem nada de parecido ao robusto moinho espanhol e europeu no resto do mundo islâmico.



[1] Mullo (god) = Mullo is a Celtic god. He is known from inscriptions and is associated with the god Mars in the form of Mars Mullo.

The cult of the god was popular in northern and north-western Gaul, particular in Brittany and Normandy. The word "Mullo" may denote an association with horses or mules (it is the Latin word for "mule").

Mars Mullo had a circular temple at Craon in the Mayenne, situated on a hillock commanding a confluence of two rivers. An inscription at Nantes reflects the presence of a shrine there. An important cult centre must have existed at Rennes, the tribal capital of the Redones: here inscriptions refer to the onetime presence of statues and to the existence of an official public cult. Town magistrates were instrumental in setting up urban sanctuaries to Mullo in the 2nd Century AD. At Allonnes, Sarthe a shrine was set up to Mars Mullo as a healer of afflictions of the eye. His importance is suggested by his link with Augustus on a dedicatory inscription. Pilgrims visited the shrine offered numerous coins to the god, along with votive images of the afflicted parts of their bodies, the eye problems clearly manifest.

[2] http://www.forumancientcoins.com/board/index.php?topic=25089.80;wap2

[3] The Famous Moslem scholar and historian, Massoudi, writes about an Iranian Zoroastrian slave who worked for a man named Moghair-ibn-shoair. The slave who was known as Abu LoLo, made a grievance to Omar that his master took two Dirhams from him for each day he worked: “… Omar asked ‘What works can you do?’ The slave said ‘Painting, carpentry and forging.’ Omar said ‘What you pay to Moghaireh is not unfair considering what you can do’. Abu LoLo left grumbling. Another day he passed Omar, on his way. Omar said to him ‘I hear you have claimed to be able to make a mill that works with the wind’. Abu LoLo said ‘I will make you a mill that people shall talk much about it.’ When he left, Omar said ‘This man threatened me.’” (Abu LoLo finally killed Omar with a dagger). History of Iran’s Wind, Energy Technology, H Tale, Ph D (Economics), Consultant Economist & Researcher.

[4] The first windmills to appear in western Europe were of the horizontal-axis configuration. The reason for the sudden evolution from the vertical-axis Persian design approach is unknown, but the fact that European water wheels also had a horizontal-axis configuration -- and apparently served as the technological model for the early windmills -- may provide part of the answer. Another reason may have been the higher structural efficiency of drag-type horizontal machines over drag-type vertical machines, which (remember) lose up to half of their rotor collection area due to shielding requirements. -- © 2011 TelosNet Web Development.

[5] http://cronicas-portuguesas.blogspot.pt/2008/04/ab-mucana-e-os-moinhos-de-vento.html

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