quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PRÍAPO, «O DEUS MENINO» E PRÍNCIPE DOS INFERNOS, por artur felisberto.

 

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Figura 1: O diabo, Belzebu ou Lúcifer.

O diabo da tradição judaico e cristã mais não é do que a transformação de Escuro, o deus caldeu do reinos inferior dos infernos, numa antinomia do supremo “pai do céu”. A verdade é que enquanto irmão e esposo de Istar, a deusa da estrela da manhã, ele foi Lúcifer. Assim, a tradição que fez do diabo um anjo de luxúria não teve mais do que seguir a tradição que fazia dos deuses da aurora campeões da paixão sexual como era Eos, a deusa das erecções matinais, também conhecidas por “tesões do mijo” (uma das possíveis razões naturais pela qual Príapo, enquanto “deus menino”, é ainda hoje representado a mijar em repuxos de jardim!).

Iacchos, the mystic name of Bacchus. Sarudahiko = (China Myth) The god of the crossroads and the embodiment of male sexuality. He is shown with a large nose, which is of phallic significance.

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Figura 2: Dionísio menino, em bronze romano.

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Figura 3: O cacho de uvas da mão esquerda deste “deus menino”, de uma picola fontana da villa Vettii de Pompeia, foi construído no mesmíssimo estilo da figura do lado e não deixa dúvidas quanto ao facto de ser também Dionísio. Ora, nem por acaso, Fauces & Priapus, da Figura 4, aparecem nesta mesma villa Vettii. Se não estamos perante um «deus menino mijão» a verdade é que este «deus menino» enfeita um repuxo de jardim que mija pela boca dum ganso que além de avatar de Zeus era, por sinal, uma ave afrodisíaca.

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Figura 4: «Domus Vettii» de Pompeia. Priapus. Restauro cibernético do autor  a partir de fotografia. [1]

Prí-apo < Phry-Haphus <?> Kyr-Iaccho(s)

< Kur-japo < Kuriaco, “o cortesão cretense”

= Kakur-kiko, lit. «filho de Sacar» / Escuro, deus da Madrugada

> *Kaur-Kakiko > Karu-Thakiko > Saruda-hiko.

Não deixa de ser espantoso que dum extremo ou outro do grande continente euro-asiático seja possível encontrar dois deuses arcaicos com etimologias que, se não são, poderiam ter sido coincidentes!

Endo-vel-ico (Endovellico, Indovellicus) – Deus mais importante em todo o sul da Lusitânia. É o Deus curador ligado aos milagres e à fé, assim como da medicina, saúde, da terra e da natureza, mas também é um deus do mundo subterrâneo e protector da vida após a morte. É o deus da sabedoria e o génio da montanha. Chamam-lhe: “O Bem-Bom”. Também foi adoptado pelos cristãos como o arcanjo São Gabriel padroeiro de Portugal. Tem diferentes naturezas e manifestações.

Eno-bol-ico (Indi-bilis) – Manifestação negra original e infernal do Deus lunar Endovélico, senhor do submundo. Está relacionado com os elementos terra e água.

Não podemos ter a certeza de que o culto de Príapo tivesse tido na Lusitânia equivalente com Endovélico até porque os romanos teriam identificado tal indecência que teriam aproveitado para difamar os obstinados lusitanos que lhes resistiram tanto tempo. Mas podemos aqui identificar o prefixo Endo- ó Eno- ó Indi < Enti > «Ente», como adjacente e dispensável para entender a evolução do nome deste deus lusitano infernal.

Na verdade, ficando apenas com o estrambólico Vélico ou Bólico acabamos por descobrir uma relação arcaica que deve ter existido entre este deus do “Bem-bom” lusitano e o deus latino Príapo.

Prí-apo < | Phry < Pher < Wer > Bol | - | Caco > apo > aco > ico|

=> Vélico / Bólico.

Como existe a forte suspeita de que “os deuses meninos que mijam nos jardins” serão uma forma infantil de Príapo e seguras manifestações do filho de Dionísio, Príapo, enquanto *Kur-japo, seria também um cortesão, senhor e príncipe dos palácios minóicos.

Sendo plausível que Príapo tenha sido uma evolução localizada e deformada de Escuro, filho do Kur, tão deformado como Hefesto ou Vulcano, seria mais plausível esperar que fosse filho destes deuses da cacofonia que o fogo produz em tudo o que queima e escaqueira, tisna e desfeia.

Príapo = Deus da fertilidade, protector dos jardins e dos rebanhos. Era filho de Afrodite, deusa do amor, e de Dionísio, deus do vinho, ou Adónis ou, de acordo com algumas lendas, de Hermes, mensageiro dos deuses. Foi deformado, ao nascer, por Hera, que tinha ciúmes de sua mãe. Era comummente representado como um indivíduo grotesco com um falo enorme.

Figura 5: This statue, rendered with artistic beauty, displays the awe with which sex was held. However, it was also a fountain.[2]

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Figura 6: «pénis», < Pan-ish, lit «filho de Pan». Estes pequenos deuses, com falos gigantes eram considerados amuletos de boa sorte. A relação fálica dos Sátiros  era explícita na mitologia clássica.

     

Era una divinidad de carácter obsceno, representado como un enano deforme, con un enorme falo en perpetua erección, símbolo de la fuerza fecundadora de la naturaleza. Los romanos solían colocar en sus jardines estatuas de Príapo, normalmente con la forma de toscas hermas de madera de higuera, manchadas de bermellón (de aquí que el dios fuese llamado ruber o rubicundus), con un enorme falo erecto, llevando fruta en su ropa y una hoz o una cornucopia en la mano. Su función era la de garantizar una abundante cosecha, pero también hacían las veces de espantapájaros. Príapo alejaba el mal de ojo y su estatua protegía las huertas de los ladrones. Como otras divinidades protectoras de las artes agrícolas, se le creía poseedor de poderes proféticos y a veces se le menciona en plural. Algunos priapeos describen a Príapo usando la sodomía como amenaza hacia los intrusos:

Quae percidere puer, moneo, futuere puella; barbatum furem tertia poena manet.

«Te sodomizaré, muchacho, te lo advierto; a ti, muchacha, te follaré; al barbado ladrón la tercera pena, irrumação (cópula na boca) es la que le espera.»

Ne prendare, cave. [...] Traiectus conto sic extendere pedali, Ut culum rugam non habuisse putes.

«Ten cuidado, no vaya a cogerte. [...] Atravesado por mi percha descomunal, quedarás tan estirado que nunca pensarás que tu culo tenga curva alguna.»

Príapo tenía tantos rasgos en común con los otros dioses de la fertilidad que los órficos le identificaban con sus místicos Dioniso, Hermes, Helios y demás. Las leyendas áticas le relacionan con seres tan sensuales y licenciosos como Conisalos, Ortanes y Ticone. En cierta manera su equivalente en la mitología romana, donde fue mucho más popular que en la griega, era Mutinus Mutunus, la personificación del poder fructífero de la naturaleza. Luciano (Sobre la danza) cuenta que en la Bitinia Príapo era considerado un dios guerrero, un tutor rústico del infante Ares. Príapo también es reconocido como un santo en la Ecclesia Gnostica Catholica.

Príapo foi directamente identificado com várias divindades fálicas gregas como Dioniso, Hermes e os sátiros Conisalos, Ortão e Ticão.

Um espírito bom (agathos de daimon) ou Tição (a personificação de fortuna boa) é descrito em oposição ao Kakodaimon, o do mau-olhado, enquanto representando o poder de infortúnio. O espírito bom segura setas nas mãos como um sinal de sorte, mostrado grandes órgão genitais.[3]

Ortanes, filho de Hermes = Erecto". Dios fálico.

Conisalos = Konysalos filho de Hermes = "Quien revuelve el polvo". Dios fálico. Deidad ática.

Ortan(es) < orthós (= recto) + An, literalmente o senhor “sempre em pé”

<= Haur-tan(ish) < Ker-Tan, a tensa cobra cretense,

«deus menino» filho da deusa mãe *Ker-tu ó *Kaurekitu

> Her-ekitus > Lat. erectu > «erecto».

Conisalos < Kony-saros < Konu-Jauros, literalmente o kouro do «cono», o que pouco ou nada teria a ver com revolver o pó => Consus.

Notar que estes deuses têm semelhanças semânticas com deuses latinos alegóricos como Honor e Virtus com obscuras origens em virtudes militares de implícitas analogias de vigor sexual.

 

Ver: DEUSES DAS VIRTUDES VIRIS (***)

 

Consus était une «antique divinité agreste. Son temple*, en temps ordinaire, était enterré et recouvert de gazon; le 15 décembre de chaque année, on découvrait l’édifice pour célébrer les Consalies, et les Vestales* venaient sacrifier sur son autel. Ce jour là, les chevaux et les animaux de labour étaient laissés en liberté; on les parait de couronnes de fleurs. Il y avait de grands divertissements champêtres avec course de chars, présidés par les Pontifes.» Jean Vertemont, Dictionnaire des mythologies indo-européennes, Faits et Documents 1997.

Les consalies débutaient les fêtes* du cycle du solstice d’Hiver et les Vestales venaient sacrifier sur l’autel de Consus le dieu agraire. Or, Conisalos est défini comme étant une divinité grecque obscène, du genre Priape ithyphallique, lequel présidait aux Jeux dits “licencieux” d’Athènes ! Ithyphalle n’est pas un personnage mais le nom du phallus en érection porté en procession pour les Dionysies ainsi que le nom des amulettes phalliques. Précisons ici que l’emblème phallique que portaient les jeunes enfants s’appelaient un fascinum, ce qui signifie “enchantement” – Coni-salos : on y retrouve la racine Thalos, Thalassos, au côté de coni, cuni: leur proximité nous a donné le mot “salaud” qui n’a plus de rapport autre que péjoratif avec les Salasses* et autres peuples venant de la Thalassa (la Salée que nous appelons maintenant l’Océan): des Peuples de la Mer et du Nord. Leurs moeurs étaient certes plus franches, leurs femmes les Salasses étant comme leurs “histoires”, mais l’institution du mariage y était fortement valorisée (cf. Frigg° in art. Wotan*). -- LA SEXUALITÉ DANS LES MYTHOLOGIES INDO-EUROPÉENNES, Tristan Mandon.

Konysalos < Conu + Salos < Cono + | Xalus < Kar-ush > Falus > Talos|

                  > Konsaulos > Konsos > Egipt. Khonsu.

Khons - (Chons) The third member (with his parents Amen and Mut) of the great triad of Thebes. Khons was the god of the moon.

Bonconcio era uma divindade de origem estrangeira venerada na Lusitânia. Deus Herói e Guerreiro. Senhor das vitórias nas Guerras. Os atributos do Deus são particularmente salientados pelos seus devotos.

 

Ver: KHONSU (***) & MINUS (***)

 

Chonso, enquanto filho de Mut, era o deus do consolo e o anjo da guarda dos faraós, e deve ter tido o nome de Mut-Min, literalmente o “(deus) menino” (Min) da (deusa) mãe ou seja, *Mutumnus em cretense.

*Mutumnus > Mutuno *Mutito > Mutto > Mutu + Tinus = Mututinium º Mutinius + Titinus.

Ticone < Ti-Cono, lit. “deus do cono” > Titu-no > Titinus > «Titã» > Tito / Tita > «teta».

Mutinus Mutunus = So oldest reference to word or god Mutinus (Tutinus) shows first of his names to be a common adjective which is to be related to mutto and mututinium, similar genital designations. Moreover, word moetinus has failed to call forth any comment from Nonius, who was concerned only with lurcare. Moetinus was evidently common usage. (…) Festus informs us "There was a shrine of Mutinius Titinus on the Velian Hill against Weasel Wall in that alleyway from which the altars were removed and where the baths of the mansion of Gnaeus Domitius Calvinus were built, although it had lasted from the founding of the city to the principate of Augustus." Mutinus is joined by Titinus and accurately fixed in Rome. Cult comprised a plurality of altars but we cannot surmise a double god, because mutilated part of entry refers to a single deity. (…) "est et Iuventa novorum togatorum, virorum iam Fortuna Barbata. si de nuptialibus disseram, Afferenda est ab afferndis dotibus ordinata; sunt pro pudor, et Mutuns et Tutuns et dea Pertuna et Subigus et Prema mater" (ad Nat. 2.11.11-13) (…) Liber appears in several Varronian chapters in a loose connection with Mutunus Tutuns, or Priapus. Augustine's lengthiest treatment of Liber provides analogous and unique cult practice. Liber watches over the seeds of vegetables and animals. His rites are conducted at crossroads (compita) of Italy, where male genitals were worshipped. On his holy days the phallus is hauled on small carts through the country crossroads and then brought into the city. At Latin town of Lavinium a month is named after Liber, because at that season the phallus is carried across the forum and brought to rest in its own place while people resort to obscene words. A lady of good family then wreathes the phallus in order to elicit good results from the seeds.(CD 7.21) (…) Second explanation appropriate to Persius' intent, uniquely provides knowledge of the word titus, "penis". Afterthought on wandering scholars and wild dove is not applied to Persius' words. Nevertheless the bird called titus is more important than all the lexical items because it is the oldest from viewpoint of semantics and of surviving evidence.

No entanto, as voltas que a mitologia deus fez com que a posição relativas dos deuses primordiais fosse variando ao longo da história mitológica sobretudo durante processos revolucionários de depuração ideologia como foi a reforma do panteão hitita no reinado de Tudália IV. Foi então que *Ka-Kur-Titi deixou de ser Virgem Mãe Primordial de Eros para passar a ser irmã e amante de Ares e correlativa funcional de Afrodite enquanto deidade patrona das prostitutas.

Nesta revisão que se vislumbra ter sido mais de conveniências política do que de verdadeira fé doutrinária (seguramente da racionalidade estrita sempre arredia!) a telúrica Artemisa dos Efésios continuou Virgem mas deixou de ser mãe!

"Priapos [Lampsakos] é uma cidade à beira mar, e também um porto. Alguns dizem que foi fundado pelos Milesios... foi nomeado a partir de Priapo que ali foi adorado; assim, esta devoção foi transferida para ali de Orneia perto de Corinto, ou então os habitantes sentiam um impulso especial para adorar este deus por ele ter sido considerado filho de Dioniso e um Ninfa; De facto, o seu país é provido de abundantes vinhedos, tanto o seu como os países vizinhos, ou seja os Parianoi e os Lampsakenoi. De qualquer modo, Xerxes deu Lampsakos a Themistokles para o prover com vinho. Mas deve ter sido um povo recente a declarar que Priapos era um deus, porque mesmo Hesiodo não o conheçia; e este tem assemelhanças com deidades áticas como Ortão, Conisalos, Ticon, e outros como eles ". - Strabo, Geografia 13.1.12

"Este deus [Príapo] é adorado onde pastam cabras e ovelhas ou há enxames de abelhas; mas pelas pessoas de Lampsakos ele [Príapo] é venerado mais que qualquer outro deus, sendo chamado por eles um filho de Dioniso e Afrodite ". - Pausanias, Guie para Grécia 9.31.2

"Entre as pessoas de Lampsakos, Príapo, que é o mesmo que Dioniso, é muito venerado e tem o pronome de Dioniso como também Thriambos e Dithyrambos ". - Athenaeus, Deipnosophistae 1.30b

"Lampsacus mata esta besta [o burro] a Priapo, cantando: “Nós damos às chamas justamente os intestinos do informante. - Ovid, Fasti 6.319[4]

Lámpsaco (griego, Λαμψακος) fue una de las principales ciudades griegas de Misia a la orilla del Helesponto. Fue fundada bajo el nombre de Pityusa o Pityussa y después recibió colonos jonios de Mileto y Focea. (...) Lámpsaco fue el supuesto lugar de nacimiento de Príapo, un dios de la fertilidad en la mitología griega, representado con unos grandes genitales, que habría nacido allí de Artemisa. -- Wikipedia

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Figura 7: Eros com as insígnias lupercálicas de Dionísio.

Em Lâmpsaco não havia dúvidas de que Príapo era o “deus menino” Dioníso, filho de Afrodite ou da sempre Virgem Mãe Artemisa.

Lampsa-kos, lit. “a terra das tochas (lampas) de vides dos seus vinhedos (ampelos)” <= Pityussa, a antiga cidade cretense que derivava o seu nome de Pitucha, possivelmente a mesma deusa que deu nome a latina Puta, “deusa da poda” e, foi também da «foda», por ser sobrenome de Afrodite ou de qualquer uma das virgens mães do “deus menino” Dioniso, o «grande filho da Puta»” tão malicioso quanto Hermes, tão satírico quanto Pan ou Príapo, tão carinhoso, travesso e infantil quanto Eros / Cupido.

Então, se aceitarmos que Príapo correspondia a uma forma de Eros naquela fase da puberdade em que todos os jovens se sentem feios e disformes e com mais «pila» do corpo e juízo podemos aceitar que Príapo era filho de Afrodite artemisina.

Nesta mesma confusão Dionísio deixou de ser um deus do fogo, onde em criancinha ia sendo assado para ser consumido por silenos, a passou a ser uma variante democrática e plebeia de Osíris.

Assim, é quase seguro que Príapo era um “deus menino” como os Erotes, Eritónio, e os «putos» latinos. No entanto, Também Dionísio parece em cultos do “deus menino” de porque ele era o próprio *Dion-isho, lit. “filho de Dione”, ou seja da Virgem Mãe Diana. E como Diana era a variante fonética da Virgem Atena podemos aceitar que o deus menino Dionísio era Eritónio, entre outros. De facto, nesta mesma linha de equivalências míticas poderemos fazer deste deus, uma variante de Eros e acabamos no paradoxo de ver Dionísio filho de si próprio, ou seja auto-gerado como se supões teologicamente acontecido com todos os deuses primordiais como foi Eros Protágonos e Phanes.

Então, e bem possível que todos estes deuses fossem a mesma entidade em que não foi incluído Príapo por ser uma manifestação latina externa aos cultos de morte e ressurreição dionisíaca.

 

Ver: PAN (***) & DIONISIO (***)

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Figura 8: Sátiros na procissão carnavalesca de Dionísio.

Como a propósito das deusas da aurora se ficou com a suspeita de que Eos era uma forma arcaica de Afrodite, o priapismo deste deus enquanto virtual esposo de Afrodite, e de todas as deusas da aurora, explicaria a razão pela qual Eos ficou com a fama de deusa das erecções matinais, tal como a Allatu.

 

Ver: EOS II, A DEUSA MÃE DAS IMPERIOSAS ERECÇÕES

        MATINAIS (***)

 

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Figura 9: Hermes *Priápico ou Hermes Propileu Agoraio.

Esta explicita figuração latina de Príapo com o caduceu hermético levanta a suspeita, que é quase segura, de este deus ser apenas a forma latia e caricata do respeitável Hermes Propileu Agoreaio, as sagradas pilastras ictifálicas! Assim, começa a entender-se a razão da promiscuidade de deuses infernais no culto dos bacanais onde invariavelmente aparecem sátiros, silenos, faunos, Hefesto / Vulcano, Baco / Dionísio, Pan e, só por vezes Hermes.

Este deus pássaro, quiçá um «falo alado» como os da boa sorte das casas de prostituição de Pompeia seria uma variante metafórica dum deus alado dos ventos, seguramente Zéfiro, o deus das brisas e das erecções matinais e óbvia variante dum deus de transporte solar.

Em qualquer dos casos, Zéfiro (o Zé Kouro ???, Sr. dos curros dos infernos!!!) partilha com Príapo o étimo phry-/phyr-, variante de pher- (própria dos deuses de transporte e evolução do kar sumério) que se demonstrou estar relacionado com a variante phro- do o nome de Afrodite por intermédio da etimologia do nome da ilha de Chipre.

Príapo < Phryê-pos < Aphrico, lit. “filho da deusa *Aphri / Freia,

ou seja Afrodite, deusa do mês de Abril.

 

Ver: AFRODITE (***) e HERMES CRIÓFORO (***)

 

Allatu: Babylonian Goddess of copulation, wife of the demon king Nergal. See Ereshkigal. Allulu: A bird-man who loved Ishtar, the one who broke his wing.

Sendo Alulu um deus pássaro que amou Istar, e sendo quase seguro que Istar foi Allatu, seguramente uma deusa também «alada», é possível postular que Allulu & Allatu.

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Figura 10: Allatu, ou Ereskigal a rainha da noite.

Então:

Allulu & Allatu = Al(lu-lu & la-tu) < Kar-lu-lu & Karlato => «Carlos & Carlota». Ora,

«Alado(a)» < de «alar» < Fr. Haler (= içar) e/ou < Lat alare (= asar)?

Começa a ser cada vez mais notório que a etimologia oficial terá que ser toda revista. De facto, o que terá acontecido terá sido que o Fr. Haler reforçou a passagem do latim para o português numa conotação que o latim não comportava de forma explícita.

Haler, act. acut. Signifie proprement brunir du soleil, et basaner par le hale de l'air chauld, Fuscare, subnigro colore obducere, Subfuruum reddere, efficere, comme, Le soleil, ou l'essor de l'air chauld m'a tout halé, Sol, aerve feruidus me totum fuscauit, subnigrauit. Et en cette signification vient de hêlios, mot Grec, prononcé à la Dorique, comme nous avons dit en Hale. Aussi les Grecs disent hêliadzéin, c'est à dire soleiller, pour haler. Il se prend aussi en termes de marine, pour filer et allonger le chable auquel l'anchre tient, si long qu'il est besoing pour ancrer. Ainsi crient en tel cas ceux qui tirent d'un bout ledict chable, à ceux qui le destortillent pour le faire courir, Hale, hale, c. fay couler et filer le chable. Haler aussi se prend pour atteyner un chien sur et contre quelque personne, Canem in quempiam inclamatione irritare. Et en cette signification il vient de Ha, particule usitée par les Veneurs, quand ils veulent acharner les chiens courants, levriers, ou autres apres la beste. Ha levrier, Eia leporarie. Disants pareillement, Ha, ha, à un chien qui chasse, pour l'encourager à la queste de son gibier. -- Thresor de la langue française (1606)

Haler, dans le langage ordinaire, signifie, exciter. --- Dictionnaire de L´Académie Française.

Haler = «corar» < Lat. Colorare ó Lat. calidare < hit. Kaldis, deus *Kal.

A excitação (sexual, sobretudo (J!) faz corar e o sol era o deus do amor e da excitação fertilizadora da Terra! O termo francês haler deve ser indo-europeu e anterior à própria influência da cultura grega uma vez que a sua semântica mais arcaica é a ordinária e popular. Haler deveria conotar-se sobretudo com o étimo latino das festividades.

«Caralho» < Kar-haliu, lit. “Kar excitado”, ou seja erecto e levantado, festivo, alegre, exposto como roupa lavada a corar ao sol!

No entanto, tanto o termo francês como o latino terão tido a mesma etimologia a partir do nome do deus de transporte do deus menino solar, o alado deus *Kar de que deriva o nome de Eros, também ele um deus alado e do Amor sob todas as formas, incluindo a do amor venal.

        Lat alare < ala < *Hal > Fr. haler

Lat. ala < Sumer. Al < *Hal < *Kal < *Kar < Kur.

Salve, Príapo, santo pai das coisas,

salve! dá-me a brilhante juventude,

dá-ma, para que aos bons meninos e meninas

eu agrade com meu fascínio insolente

e, com namoros e jogos frequentes,

eu dissipe os tormentos de amor nocivos ao meu espírito

e não tema a excessivamente dura velhice,

nem me angustie com o pavor da mísera morte

que me arrastará às hostis moradas do Averno,

onde o rei encerra as sombras das almas dos mortos,

donde os fados negam que alguém retorne.

Salve, santo pai Príapo, salve!

Reuni-vos todas quantas sois,

ó donzelas que cultivais o bosque sagrado,

que cultivais as águas sagradas!

reuni-vos quantas sois e dizei ao poderoso Príapo

com voz suavíssima:

“Salve, Príapo, santo pai das coisas!”.

Cravai em seguida mil beijos na sua virilha,

cingi-lhe bem o falo do coroas perfumadas

e de novo dizei todas:

“Salve, Príapo, santo pai das coisas!”,

pois defendendo-vos dos sangrentos homens maus

ele consente que ides pelos bosques

e pelas sombrias estradas silentes e calmas;

ele afasta das fontes também os ímpios

e os sacrílegos de impudente pé,

os que ultrapassam os fluidos sagrados e os tornam turvos,

e os que lavam as mãos e nem vos invocam

com ligeira prece, ó divinas donzelas!

Dizei todas: “Ó Príapo, sê propício, salve!”

“Ó Príapo, santo pai Príapo, salve!”

ó Príapo, potente amigo, salve!

ou se desejas ser chamado de pai e criador

do mundo ou de própria natureza e Pan, salve!

pois pelo teu vigor é concebido

aquilo que enche o solo, os céus e o mar.

Salve, portanto, Príapo, salve, santo!

Se o desejas, o próprio Júpiter põe

de lado seus raios cruéis

e Cupido abandona sua brilhante morada.

Honram-te a boa Vénus, o férvido Cupido,

as gémeas irmãs, as Graças, e Lieu, dispensário de alegria,

pois sem ti nem se satisfaz Vénus,

as Graças ficam sem graça, Cupido e Baco, desagradáveis.

Ó Príapo, potente amigo, salve!

Invocam-te com sua prece as virgens pudicas

para que tu desates o pequeno cinto há muito tempo atado

e te suplica a esposa para que o nervo do esposo

esteja muitas vezes rígido e sempre potente:

“Salve, santo pai Príapo, salve!” -- Príapo, um deus sui generis. Prof. Dr. Airto Ceolin Montagner.

http://www.unigranrio.br/unidades_acad/ihm/graduacao/letras/revista/numero10/textoairto3.html

 

Ir para: CARALLIUM (***)

 



[1] Restauro cibernético do autor. clip_image012[1]

[2] http://www.aztriad.com/eros7.html, http://www.pompeii.co.uk/cd/vettii/frames/f2-13.htm

[3] Priapos was closely identified with various Greek phallic deities such as Dionysos, Hermes and the satyrs Orthanes and Tykhon. A good spirit (daimon agathos) or Tykhon (the personification of good fortune) is depicted opposite the Kakodaimon and his evil eye, representing the power of misfortune. The good spirit holds spits in his hands as a sign of good luck, and is shown with enlarged genitals. -- Theoi Project Copyright © 2000 - 2007, Aaron Atsma

[4] "Priapos [Lampsakos] is a city on the sea, and also a harbor. Some say that it was founded by Milesians ... It was named after Priapos, who was worshipped there; then his worship was transferred thither from Orneai near Korinthos, or else the inhabitants felt an impulse to worship the god because he was called the son of Dionysos and a Nymphe; for their country is abundantly supplied with the vine, both theirs and the countries which border next upon it, I mean those of the Parianoi and the Lampsakenoi. At any rate, Xerxes gave Lampsakos to Themistokles to supply him with wine. But it was by people of later times that Priapos was declared a god, for even Hesiod does not know of him; and he resembles the Attic deities Orthane, Konisalos, Tykhon, and others like them." - Strabo, Geography 13.1.12 

"This god [Priapos] is worshipped where goats and sheep pasture or there are swarms of bees; but by the people of Lampsakos he [Priapos] is more revered than any other god, being called by them a son of Dionysos and Aphrodite." - Pausanias, Guide to Greece 9.31.2 

"Among the people of Lampsakos, Priepos who is the same as Dionysos, is held in honour and has the by-name Dionysos as well as Thriambos and Dithyrambos." - Athenaeus, Deipnosophistae 1.30b 

"Lampsacus slays this beast [the donkey] for Priapus, chanting: 'We rightly give flames the informant's guts." - Ovid, Fasti 6.319

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