quinta-feira, 19 de setembro de 2013

BÊS, O DEUS BOBO DOS BEBÉS, por arturjotaef.

Bês era uma antiga divindade egípcia representada por um anão robusto e monstruoso. Era o bobo dos deuses, senhor do prazer e da alegria.

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Figura 1: Gorgonião, representação esquemática da cabeça leonina duma gorgonia, seguramente a Medusa / Artemisa, ou dum filhote da arcaica deusa mãe das cobras cretenses, antepassada da deusa Coatlicoa azeteca e de Kali hindu. Seria seguramente a mãe de Bês.

Um anão gordo e barbudo, feio ao ponto de se tornar cómico. Ele é muitas vezes representado com a língua de fora e segurando um chocalho. Quando esculpido ou pintado na parede, ele nunca aparece de perfil, mas sempre de frente, o que é único na arte egípcia.

Também existem representações de Bês com características felinas ou leoninas. Bes é um deus pouco vulgar. Ele não parece ser egípcio, mas de onde ele vem é desconhecido. Ele parece-se com deuses encontrados na África central e do sul. Bes era inicialmente o protector do parto. Durante o nascimento, Bés dançava à volta do quarto, abanando o seu chocalho e gritando para assustar demónios que de outro modo poderiam amaldiçoar a criança.

Nesta perspectiva Bês seria o deus do ba dos nascituros, representado no vagido das crias humanas e dos “bichos” domésticas e no som do guiso e do chocalho com que se sossegavam as criancinhas recém-nascidas.

Morfologicamente Bês era a representação dum deus arcaico cretense, com turbante de penas filistino e aspecto de gárgula de Medusa! A sua forma de criança barbuda faz apelo a uma representação num espelho etrusco de um Hércules barbudo mamando nas tetas de Hera. Seria assim uma variante perdida pelos gregos do filho da Medusa, de falo gigante como viria a ser Príapo, outra variante estranha e cómica do deus menino apenas conservada entre os romanos.

En ocasiones se le puede identificar con el amor sexual y los placeres libertinos. (…) Los fenicios de Gadir fundaron un asentamiento en la isla de Bes (<איבשם> ʔybšm *ʔibošim), en 654 a. C., a la que los romanos llamaron Ebusus, y que hoy conocemos con el nombre de Ibiza.

O seu aspecto leonino, possível responsável pelo seu posterior aspecto de criança barbuda e velha, faz dele uma cria felina da Deusa Mãe, antepassado da pele de leão sacerdotal de Hércules e da relação de Dionísio com os felinos.

 

Ver: PRIAPO (***)

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Figura 2 & Figura 3: figuras de Bês com aspecto de filho da Medusa, seguramente o deus menino Monotauro e de origem filistina.

Bes (also spelled as Bisu), his name appears to be connected to a Nubian word for "cat" (besa) which literally means "cat", and indeed, his first appearances have the suggestion of a cat god.

Beset by Paul Zimmerman, Clarksville Middle School

Beset was a goddess of ancient Egyptian mythology. She was the female version of the dwarf-god Bes. Beset was an Egyptian guard. She protected people from evil spirits, snakes, and misfortune. Beset was also a goddess of human pleasures. Some of these pleasures were music, dance, and jollity. Beset had a protruding tongue, bow legs, and the ears, mane, and tail of a lion.

Na mitologia egípcia, Bastet, Bast, Ubasti, Ba-en-Aset ou Ail-uros (palavra grega para "gato") é uma divindade solar e deusa da fertilidade, além de protectora das mulheres grávidas. Também tinha o poder sobre os eclipses solares. (…) Podia também ser representada como um simples gato. Por vezes é confundida como Sekhmet, adquirindo neste caso o aspecto feroz de leoa. Certa vez, Rá ordenou a Sekhmet que castigasse a humanidade por causa de sua desobediência. A deusa, que é representada com cabeça de leoa, executou a tarefa com tamanha fúria que o deus Rá precisou embebedá-la com cerveja para que ela não acabasse exterminando toda a raça humana. O que acabou originando a deusa Bastet.

Tendo o cuidado de pesquisar todas as possibilidades acabamos por encontrar os elos de ligação entre deidades que parecem distintas mas que afinal seriam meras variantes alteradas pela oralidade e pela má tradução de crenças estrangeiras. A terrível Sekhmet estava para a Medusa como Bastet estava para Artemisa. Entre estas perder-se-ia Beset se não nos fosse agora necessários estabelecer o elo de ligação deste deus arcaico, com todos os aspectos de ter sido o “deus menino”, filho da terrível deusa mãe da cobras cretenses e dos leões de Cibele.

Bes < Bast > Bisu > Ba-Su < Wa-Zu < *Wiashu > Baco ó Caco.

Ba-Su era um deus “manda-chuva” que na suméria foi Zu / Su, deus do sémen fertilizante que era a chuva, e seria perifrasticamente *Ba-Su-Na.

«Básico» < Lat. base < Gr. Bás-is = planta do pé.

No Egipto poderia ser literalmente *Ba-Xu, a alma de Xu, o deus egípcio da guerra e das plumas que deu origem a Jú-piter e a Te-Xu-p e pode ser uma variante fonética de Zeus e Te-Ush.

Formalmente era representado como um deus «básico», “su-per terra et su-b cellu” e que cosmologicamente era o axis mundi pois os seus braços eram as colunas de Hércules que su-stentavam o céu de Zeus. De facto, existem indícios de que o Ba-Su sumério ou Bês egípcio seria o “deus menino” da pedra de toque”, basanos, que veio a ser Dionísio Bassareu, o deus alegre do vinho, da cerveja e de todas as bebidas fermentadas e espirituosas, o Sumo do ser, o Soma védico, o corpo e o sangue do deus menino que os bêbados alegres, filósofos e profetas adoram comer e beber para consolo do coração inebriamento da alma!

Ba-Su + ur > Wa-Shur > Basyleus ó Bas-sar-(eus) < Waxar-eus < Kakar(ush) > Sakar(ios) > Zagreus > Busiris ó Uashar > Ausar > Osíris.

Por último, é quase seguro que tenha sido a partir desta identificação fonética que Dionísio chegou à Índia, na forma leonina de Visnú.

Narasinha < An-urash-et, lit. “filho da deusa mãe Urash”.

A narrativa purânica diz que um demónio muito poderoso quis solicitar ao criador a bênção da imortalidade. Seguramente que estamos perante uma diversão relutante do uso e abuso da oralidade relativa ao mito de Enki / Adapa completamente desfigurado e modernizado e reduzido a uma história anedótica paradoxal.

Brahma disse que a imortalidade era algo impossível de ser obtida já que ela não faz parte da criação (todo ser criado deve ser mortal). Por esperteza esse demónio (Hyran-yakshipu) pediu a Brahma que não fosse morto por qualquer criatura jamais criada, ou por qualquer criatura nascida de uma mãe, de um pai, de um ventre, de um ovo ou gerada por qualquer outra entidade viva criada, nem de dia nem de noite, que não morresse em um canto de lugar algum, nem na terra, nem na água e nem no ar, que não fosse morto por qualquer tipo e arma, que o metal jamais perfurasse sua carne, que sempre estivesse livre de doenças provocadas por microrganismos, que sempre fosse protegido de catástrofes naturais e que o seu próprio corpo e mente não fossem jamais causa da sua morte. Vixnu se encarnou como Narasinha (entidade viva sem forma definida, mais parecida como um leão) e jocosamente cumpriu as bênçãos proferidas por Brahma: a sua forma era inusitada e jamais havia sido criada por Brahma, ele surgiu do meio de um pilar de pedra e não foi gerado por uma mãe, pai, ventre, ovo, etc., sua morte ocorreu no crepúsculo, nem de dia e nem de noite, Vixnu o matou sobre o seu joelho usando a unha para estripá-lo (sobre o joelho é o tipo de “lugar nenhum,” nem na terra, nem na água e nem no ar, e a unha não é um arma de metal) e foi assim que o demónio morreu gozando de excelente saúde!

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Figura 4: Vixnu encarnou como Narasinha, entidade viva sem forma definida, mais parecida como um leão.

De resto, Narasinha parece Ninazu, filho de Ner-gal e de Ereshkigal, pai de Damuz, ou seja, uma mistura do nome de Ner-(gal) com (Nin)-Azu.

Para finalizar, o conceito de vida prazenteira e feliz da eterna juventude e da infantilidade de Bês e de Baco acabou por se fixar quer nas formas rechonchudas dos anjinhos católicos, que mais não são do que antigos eros clássicos, assim como a oriente na forma de Buda, o deus do nirvana e da paciente e pacata felicidade.

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Figura 5: Buda sentado, ou buda feliz, variante oriental sublimada de Bês.

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