domingo, 22 de setembro de 2013

DEUSE DA CALDEIA - NINGIZIDA, o deus sumério do vinho, protótipo dos deuses reptilianos de morte e ressurreição solar. por Artur Felisberto

Gishzida (Gizzida, Nin-gishzida): a Tree-God, sometimes viewed as a God of the Dawn, name means "sturdy timber" or "trusty timber". Sumerian god paired with Dumuzi, son of Ninazu, consort of Belili, doorkeeper of Anu. Cult center: Gish-banda, between Lagash and Ur. Symbol: Horned snake.

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Figura 1: Desenho estendido do cálice ritual de Gudea de Lagash.

(Gilgamesh’s ancestor Ningizzida or Ningishzida, was mother and wife of Dumuzi). Seen below is the Libation Cup of King Gudea of Lagash (an ornamental Sumerian ritual cup) ca. 2000 B.C. Sumer, one can view two composite beasts of a type called "lion-birds" who are drawing back the portals of a shrine (sanctuary) to reveal the great Mesopotamian serpent-god Ningishzida in his dual aspect, entwined about an axial rod as a pair of copulating vipers.

If this is the serpent-god then this explains why Dumuzi-absu, Tammuz was called the "child of the abyss."

Dizer que o nome de Ninguiszida significaria madeira robusta e fiel é seguramente confirmar que este deus era um madeiro de lenha sagrada, o tronco da árvore da «vida» eterna de Gestinana ou *Gestina que enquanto esposa deste era também um madeiro de lenha, possivelmente na forma de vides, lenha de fácil combustão como a «giesta», ou seja, Ashera.

Gest-inana ó *Gestina < Giest-ina > «giesta».

«Videira» < «vide» < Lat. vite ó Lat. vita > «vida»!

O mitema da “árvore da vida” eterna tanto andou associado a coisa místicas mas concretas como as matérias-primas da produção de “poções mágicas” como a ritos de “morte e ressureição”!

 

Ver: ASHERA (***)

 

Em todos os mitos de «morte e ressureição» existe um deus mortal que não é senão a morte do sol às mãos da lua numa subtil percepção muito arcaica da responsabilidade da lua no eclipse do sol (?)! A consciência deste fenómeno astral marca o começo da astronomia sem a qual seriam imprevisíveis os ritmos sazonais da agricultura e é por isso mesmo que, duma forma extraordinariamente simbólica, que os mistérios de «morte e ressureição» solar marcam o fim do paleolítico matriarcal e caçador e definem o começo do patriarcado agrícola com o sacrifício cruento do filho de deus feito pela própria mãe/esposa e amante!

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Figura 2: "Gudea, prince of Lagash, is introduced to the god Enki by his personal deity Nin-gishzida, shown with horned serpents (basmu) rising above his shoulders. Detail from Gudea's own cylinder seal, Neo-Sumerian Period."

The above "insights" of these two Professors of Biblical Studies (Skinner and Childs) caused me to investigate the ancient Mesopotamian myths to see if I could "find" the Mesopotamian "prototype" to Eden's serpent. The surprise? I found _several_ Mesopotamian "prototypes" which apparently had been fused together, transformed and recast into Eden's Serpent. They are the Sumerian deities Enki (Akkadian Ea), An (Akkadian Anu), Dumuzi (biblical Tammuz) and Ningishzida (also rendered Gizzida). -- Pictures of the Serpent  or Snake who WALKED and TALKED in the Garden of Eden, Walter Reinhold Warttig Mattfeld y de la Torre, M. A. Ed.

Horned serpent: Akkadian basmu, mythical monster created in the sea, 60 leagues long with multiple mouths and tongues. Symbol of Ningishzida.

                                                            > «Quiasma».

Basmu < Wash-amu < *Kiash-m(u) > Thiamashu > Dâmaso > Damuz.

                                                                                     > Tiamatu > Tiamat.

Supõe-se que as duas serpentes do caduceu hermético, em mística copulação, seriam Nin-Giszida e sua esposa Belili. No entanto, Giszida era sobretudo o deus da árvore da vida de que Inana teria sido a serpente.

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Figura 3: Nin-Giszida e o culto da águia bicéfala bizantina![1]

Por outro lado, sendo Giszida deus pessoal de Gudeia é bem possível que entre os dois houvesse também uma relação nominativa. Gu-deia, aparentado com o nome catalão Gaudí, é com grande clareza fonética o deus Gu que veio a ser o famoso deus dos cursos de água da península ibérica. Giszida seria possivelmente o diminutivo deste mesmo deus *Gu-zitu, o “deus menino” cuja variante pascal seria Tamuz. Então, quase que seguramente que não erramos se postularmos que existiu uma evolução linguística e teológica do nome do filho da “deusa mãe” que primeiro foi Anu, literalmente e apenas o Nosso Senhor, metaforicamente também o que é e está no céu, depois começou a chamar-se Enki, o filho e Senhor de Ki, a deusa mãe Terra, e por fim *Gu-zitu, o “deus menino” das festas dos rapazes do solstício de inverno, e Tamuz < Damuz ou *Atam(i)nus, o Damo da Dama, Amo e Senhor da Deusa Mãe!

Outra hipótese, bem mais plausível, seria que se trata das cobras primordiais Lakhmu & Lakhamu.

 

Ver: GEMIOS / LAKHMU & LAKHAMU (***)

Nin-A(n)zu = Nin + | Anzu < An + Chu |.

Nin-Giszida = Nin + | < Gu-Zu-the ó Giast-itha

< *Kiash-tita < *Kiash-Kiku > *Kiash-ash <= Ki-ZuZu

Já sabemos que *Kiash se refere à Deusa Mãe do fogo telúrico que viria a ser Vesta. «Zita», que ainda hoje é nome de gente do sexo feminino, derivaria de Ki-tu, lit. “filha da deusa mãe terra” ou seja, Inana. O nome de Giszida derivaria então duma redundância, com conotação de pluralidade, *Ki-ash-ash pelo que, muito provavelmente, foi um nome composto a partir duma deturpação metafórica do mitema deste deus que seria primitivamente um deus das vides.

Zid, zi = right (hand); good; firm; true; legitimate; legitimacy, sanction; faith, confidence.

Claro que as vides são relativamente alongadas mas nem tão direitas e firmes quanto isso pelo que se presume que entretanto o “madeiro sagrado” se tenha transformado num tronco de árvore talvez de cedro ou de palmeira!

Foneticamente Guiszida soa a nome de um deus do fogo, “cozido e guisado no caldeirão, como o João Ratão”. A história da carochinha não é afinal tão inócua de sentido como se tem pensado já que parece encobrir uma reminiscência antiga dos cultos pascoais de Damuz onde sugestivamente a carochinha seria em simultâneo Ishtar e o deus Kefer, o escaravelho de transporte solar egípcio. A verdade é que o «rato» não tem etimologia conhecida em português.

«Guisar» < «guisa» (= preparar, cozinhar com refogado) < Germ. wisa, = (maneira) < Wisha < *Kiash.

«Rato», lit “nascido ou filho de Ra < Urash, deus sumério de morte e ressureição, seguramente o mesmo que Damuz e Ningiszida. Como Urano foi Enki, este filho de Ra não seria senão Escur, irmão de Inana!

Ora, um dos factos mais espantosos que podem ser revelados por esta forma de análise comparada da mitologia antiga é a possibilidade de Jesus Cristo corresponder à evolução da mística do sacrifício do “filho de deus” que teria dado o seu “corpo e sangue” para a salvação da humanidade num rito de morte e ressurreição pascal!

De facto, a partir da analise comparada dos nome de Nin-Giszida e sua irmã gémea Geshtinanna chegamos à conclusão de que o núcleo semântico e étmico que unia os dois irmãos era Gu-Chu < *Kiash > Gest, correspondente à deusa micénica Potinija e ao egípcio Ptah, os «diachos» do «fogo vital» nas epifanias da «sarça ardente» e na fácil combustão das «giestas» nas queimada das trovoadas da primavera mediterrânea.

Gi-Chu < *Kiashu > Gestu > «Giesta»!

Ora, nem de propósito, o deus sumério que sacrificou o seu «corpo e sangue» com que os deuses da criação, Enki/Khneum e Ptah, deram vida ao barro amassado com que foi criado o corpo e a alma do homem era, nem mais nem menos Geshtu, seguramente o esposo da Giesta.

Geshtu-E - A god of intelligence who, at the creation of man, gave his blood and flesh as a starter for the seed of Mankind.

«Em política o que parece é»!

Que a religião é o substrato doutrinário da política antiga já só os ingénuos o não admitem pelo que, em conclusão, Jesus Cristo já era virtualmente possível no tempo dos sumérios correspondendo assim a uma realidade misteriosamente mística que já vinha do princípio dos tempos.

 

Ver: DIONÍSIO E A VINHA (***)



[1]

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A partir do séc. XIV a águia bicéfala dourada sobre o fundo vermelho tornou-se o símbolo do Império Bizantino em que a cor vermelha (púrpura) era a cor imperial (cesariana) rigorosamente regulamentada e a cora dourada era o símbolo da eternidade.

No séc. XV depois do casamento do Grande Príncipe de Moscovo, Ivan III com a sobrinha do último Imperador bizantino Sofia Paleologa a águia bicéfala afirmou-se na Rússia como o escudo do Estado.

 

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