quinta-feira, 19 de setembro de 2013

DEUSES DO ANTIGO EGIPTO – ATUM, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Rá, Kefer e Atum.

Atum é o deus da cosmogonia heliopolitana que veio do "oceano primordial", Nun, criando-se a si próprio (via autofellatio). Assim ele é considerado o resultado da transformação de Nuno, o ser subjectivo, no ser objectivo que era Atum.

No Livro dos Mortos, que ainda era vigente no período greco-romana, o deus Atum disse ter surgido da escuridão das águas intermináveis do abismo do caos primordial como uma cobra solar que se renova todas as manhãs.

Atum foi deste modo o criador do céu e da terra separando-os.

No momento em que "se torna em si mesmo", une-se a Rá e transforma-se num único ser que seria chamado de Atum-Rá. Criou o sol da tarde e quando "se torna a si mesmo", toma forma de Rá, que inicia os neteru geradores do sol da manhã.

Então Atum cria os outros deuses através dum ato sexual com Rá por 4 dias sendo o primeiro deus que teve relações homossexuais na mitologia.

Outros mitos dizem que ele criou os seres divinos através da solidão a partir de seu próprio cuspo, ou sémen, Shu, o deus do ar, e Tefnut, a deusa da humidade.

Estes deuses recém-criados por Atum tornaram-se marido e mulher e curiosos sobre as águas primordiais que os rodeava saíram a explorá-las e perderam-se na escuridão. Incapaz de suportar a sua perda, Atum enviou um mensageiro de fogo para encontrar os seus filhos. As lágrimas de alegria que derramou quando voltaram foram os primeiros seres humanos.

* Nombre egipcio: Itemu. Nombre griego: Atum.

Atum, clip_image002[1], a primordial god that was represented in the form of a human and a serpent in Nun and will return to that form at the end of time.

"You will live more than millions of years, an era of millions, but in the end I will destroy everything that I have created, the earth will become again part of the Primeval Ocean, like the Abyss of waters in their original state. Then I will be what will remain, just I and Osiris, when I will have changed myself back into the Old Serpent who knew no man and saw no god." -- (Sumeria) A creator god in Mesopotamia, later called Ea.

Não restam dúvidas de que a morfologia ofídia de Atum o identificam com Enki / Ea, a cobra da sabedoria original que só no Géneses deixou de ser o deus da criação para se tornar no demónio da tentação.

The principal divinity of the Heliopolitan ennead and the local god of Pithom.

Atum o deus que antes de ter sido deus da cidade Pithom já o era enquanto deus Piton, a serpente.

Pithom < Phi-Atum, lit. “terra de Atum”

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Figura 2: Atum, o deus cobra andrógino!

Fue representado como hombre, portando la corona Doble, o como hombre viejo barbado. Como dios solar, con cabeza de carnero, con cabeza de langosta, o como ave Fénix. Es el primer dios representado con cuerpo humano, pues antes todas las deidades de los antiguos egipcios tenían forma de animales. Atum es el dios que según la cosmogonía heliopolitana surgió del "océano primigenio", Nun, creándose a sí mismo (mediante masturbación, saliva, lágrimas, sudoración u otros métodos). Sus primeros descendientes configuran la enéada heliopolitana. Creó a sus hijos, los dioses Shu y Tefnut, de su saliva o mediante masturbación. En Heracleópolis su mano era el principio femenino, personificando en Nebethetepet, la "Señora de la satisfacción".

Según otros mitos más tardíos tuvo relaciones con su sombra, o con la diosa Iusaas. Se le asoció con Ra, como Atum-Ra, con Ptah y, a veces, con Osiris. Fue identificado con Amón, como Amón-Ra, en el Imperio Nuevo.

De facto, o nome deste importante e misterioso deus egípcio permite ainda os seguintes jogos etimológicos:

Kaku-Enki = At-Ki-An > At-ian + Ma > Ati-(Me)-An(u) < Kaku-Am-Anu

> Hataum-Anu > Lat. Autumnu > «Outono».

> Hedammu (Hurrian snake demon) > *Atum-Nu [1] lit. “o filho de Nuno”

> Itemu > Atum ó Atan, lit. a grande “a cobra (Semit. tan) de água (a)”

> Canaan. Adonis.

Quanto à androginia de Atum, podemos aceitar agora como tendo estado na origem do “mito do andrógino” desenvolvido no Banquete de Platão, o mesmo que revelou noutros escritos estar na posse de muita da erudição egípcia herdada de Solon, seu avô.

Ora, na tradição dos deuses anfíbios enquinos parece ser este o deus egípcio correspondente da vasta e rica tradição dos deuses sumérios draconianos e Capricórnios que iam de Enki a Oanes e a Dagon.

No entanto parece que nunca nenhum deus Egípcio teve corpo de peixe o que é mais um dos indícios de que este país não era o berço original destas mitologias mas que foi algum onde as culturas anfíbias, costeiras e insulares, aportaram no inicio da história egípcia, possivelmente originária da ilha de Creta onde imperava a ideologia minóica que deu nome ao primeiro rei Egípcio, Menes.

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Figura 3: Osíris mumificado com os atributos dum faraó com a «coroa branca» que seria equivalente da mitra, supostamente uma forma evolutiva dos paramentos rituais em forma de peixe dos cultos cibelinos de Dagon.

I am Atum, the creator of the Eldest Gods,

I am he who gave birth to Shu,

I am that great He-She,

I am he who did what seemed good to him,

I took my space in the place of my will,

Mine is the space of those who move along

like those two serpentine circles.

-- ('Coffin Texts,' I, 161: ff) Translated by R.T. Bundle Clark, in his Myth and Symbol in Ancient Egypt (London 1959)p.80.

É muito importante lembrar que os antigos atribuíam a duplicidade de Peixes a Adónis e Afrodite, e que Adónis como ser humano divinizado também teve um destino de crucificado, de tal forma que muitos etnógrafos e mitólogos como Sir James Frazer, no fim do século dezanove e início do vinte, viam no simbolismo cristão uma copia retardada dos Mistérios de Adónis. -- Gilberto de Lascariz

Aristotle's friend, Eudoxus, visited Egypt and returned claiming that the Egyptians had a tradition that one of their gods, Osiris or Ra (from Ray of Light), could not walk because his legs had grown together. -- [2]

Sendo assim, podemos aceitar que nem tudo se perdeu da tradição originária. De facto esta referência é de certo modo uma reminiscência da natureza ofídia deste deus primordial. De resto, Osíris terá sido o heterónimo de Amon-Ra, na sua versão encarnada e mortal, tal como Oanes e Damuz terá sido uma forma de Enki.

O lado mortal deste deus transformou-o na metáfora divina duma múmias que, ao enfaixar os pés deste deus, lhe ocultava o carácter reptiliano. Do mesmo modo, por ser um deus morto, era verde e lívido o que ocultava a suspeita de que a cor glauca deste deus de sangue azul pudesse ser a reminiscência da sua natureza reptiliana original. O deus Glauco dos gregos seria, a este respeito, uma pálida reminiscência reptilínea.

Se os Egípcios nunca tiveram um deus peixe a verdade é que o Atum pode ter herdado o nome de uma mitologia virtual relacionada com Atum que teria tido originalmente o nome minóico de *Atumnu. Notar que o «atum» é, em português, um peixe, possivelmente em homenagem a este deus supostamente anfíbio.

«Atum» < Ár. attun, s. m. (Zool.) peixe da família dos escômbridas da ordem dos acantopterígios.

«Atum» < Ár. Attun = At-Tun, lit. “o filho da cobra”!

 

Ver: OSÍRIS (***) & NUT (***) & CIBEL (***)

 

Esta tese era o contraponto patriarcal da ideia comum duma Deusa Mãe da caótica noite dos tempos primordiais, Tiamat, Neith ou Tefnut, Tetis, etc.

Como muitos mitos da criação egípcia usam para as mesmas deidades ora Atum ora Ra como deus criador primordial podemos concluir que, pelo menos em épocas remotas, estes deuses se confundiam mutuamente, se é que não foram originalmente o mesmo como a comparação com outras mitologias o indicia. De facto, se Ra foi Urano e Atum foi Enki ou Anu obviamente que tudo se conjuga para que não exista divergência substancial entre as diversas mitologias orientais mais importantes.

 

CRIAÇÃO

“According to the Egyptian account of creation, only the ocean existed at first. Then Ra, the sun, came out of an egg (a flower, in some versions) that appeared on the surface of the water. Ra brought forth four children, the gods Shu and Geb and the goddesses Tefnut and Nut. Shu and Tefnut became the atmosphere. They stood on Geb, who became the earth, and raised up Nut, who became the sky. Ra ruled over all. Geb and Nut later had two sons, Set and Osiris, and two daughters, Isis and Nephthys. Osiris succeeded Ra as king of the earth, helped by Isis, his sister-wife. Set, however, hated his brother and killed him. Isis then embalmed her husband's body with the help of the god Anubis, who thus became the god of embalming. The powerful charms of Isis resurrected Osiris, who became king of the netherworld, the land of the dead. Horus, who was the son of Osiris and Isis, later defeated Set in a great battle and became king of the earth.”

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Figura 4: Shu supporting Nut: the separation of the earth from heaven by the god of the air.

According to the myth Atum created his two offspring Tefnut (moisture) and Shu (air) by sneezing and spitting. They in turn gave birth to Nut (heaven) and Geb (earth). This vignette shows Nut stretched over the earth, represented by Geb, who lies below her. The toes of the goddess are at the eastern horizon, and her fingertips at the western horizon. She is separated from Geb by her father Shu, who holds her up with both hands. This separation did not prevent Geb and Nut having four children: Osiris, Isis, Seth and Nephthys. The myths surrounding these four deities relate to the emergence of human society; the separation of earth and sky constitutes the creation of the world.

Quando a especulação encalha em singularidades paradoxais resultantes do desencontro de várias propostas incoerentes criam-se conceitos novos que têm por função superar contradições.

(...) Causing matter to exist and to live is the primary nature in Neith’s primeval role in creation. That she does so without assistance of other deities is attested to her from the Pyramid Texts to the end of ancient Egyptian culture. Of all Egyptian gods and goddesses, Neith is often referred to in Egyptian texts as the "eldest", and even as the "first" deity. She is reputed, especially in the Late Period, to be the great creator of the world, and is often called by some scholars the equivalent of the creator gods such as Atum and Ptah. As in the case of these primeval gods (though generally referred to as male), Neith is described in texts as either undifferentiated in gender or possessing both genders. As such, Neith should not be seen as a "original mother goddess" figure, as indicated in some references, but as an androgynous deity who creates the world from self-generation.[3]

Neste caso o mito da androginia cósmica até tinha a seu favor a evidência do hermafroditismo biológico que de uma aberração natural passa a ser a prova mística deste conceito cosmológico! Porém, apenas o facto de os teóricos antigos ignorarem, quanto Platão, que os hermafroditas verdadeiros são estéreis, explica a permanência do mito esotérico da androginia primordial!

Diodorus of Sicily wrote regarding the god Hermaphroditus, "There are some who declare that the coming into being of creatures of a kind such as these are marvels, and being born rarely they announce the future, sometimes for evil and sometimes for good."

De qualquer modo, o que importa no plano da mitologia é a ideia de que, nos alvores do patriarcado, teria que ser inevitável a querela teológica entre os adeptos do “senso comum” que acreditavam na Deusa Mãe primordial e os adeptos dum novo “bom senso” dum deus criador patriarcal e taurino que tendia a postular a teoria aristotélica da mulher como “útero de aluguer” depositária do sémen masculino.

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Figura 5: Hermafrodito, um andrógino filho de Hermes e Afrodite e que era uma mistura bissexuada de ambos por mera conveniência etimológica.

Enquanto a questão não foi resolvida definitivamente em desfavor do matriarcado e em proveito de Zeus e Jeová, aceitou-se o acordo temporário da teoria do andrógino à imagem do qual se inventou o nome de Hermafrofito. Assim, inicialmente este deus seria o nome do deus andrógino primordial, com um meio da arcaica Afrodite Genitrix e outra metade de Hermes o ictifálico e megalítico progenitor primordial, aliás o equivalente helénico de Atum/Ptah/Thoth.

A verdade é que, pelo menos no caso de Atum, o Grande Ele/Ela, tipicamente bissexual e hermafrodita, esta evidência mítica é patente e explícita. Por outro lado, este mistério, eventualmente tipicamente egípcio persistiu até aos alvores da cristandade no gnosticismo.

I am androgynous. I am Mother (and) I am Father, since I copulate with myself. I copulated with myself and with those who love me, and it is through me alone that the All stands firm. I am the Womb that gives shape to the All by giving birth to the Light that shines in splendor. I am the Aeon to come. I am the fulfillment of the All, that is, Meirothea, the glory of the Mother. I cast voiced Speech into the ears of those who know me. -- The Nag Hammadi Library, Trimorphic Protennoia

Na verdade, Atum e Adónis devem ter sido a «cara-metade» desta androginia e o reliquat desse deus andrógino Antu/Ishtanu dos tempos dos grandes compromissos teóricos a respeito da criação do mundo entre a Virgem Mãe do matriarcado e o “Deus Pai”, solitário e tendencialmente monoteísta, do patriarcado!

Ora, esta androginia aparece como um necessário «deus ex machina» para resolver a questão da falta da Deusa Mãe primordial, ou seja do lado feminino que até ai era considerado como fundamental nos mecanismos cosmológicos que respeitavam o senso comum. O patriarcado começa assim por ter de assentar no pressuposto ideológico duma bissexualidade, que nunca nenhuma religião monoteísta aceitou de forma explícita, mas que os egípcios, na sus subtil sabedoria, intuíram como postulado ideológico necessário.

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Figura 6: Também Chamaz era na cultura babilónica o deus do disco das «chamas» solares.

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Figura 7: Aten.

De resto, a ideia de que, quando não era divindade, a cobra era um demónio não fazia mais do que confirmar a regra da sua relação metafórica com os ciclos solares e a retórica dos mitos de “morte e ressurreição” do astro rei correlativa das supostas qualidades rejuvenescedoras da cobra!

Sem que se possa acusar os hititas de terem importado o nome do seu deus do sol dos seus inimigos do sul vamos encontrar este deus solar na Anatólia como Ishtanu. A importância deste deus solar terá sido tão grande que acabou por dar nome a todos os povos que ainda hoje fazem parte da Ásia central e que levam o sufixo –istão, desde o Casaquistão ao Paquistão e ao Industão, sem nenhuma interrupção nem qualquer excepção! Será que os hititas foram senhores coloniais destas paragens a que deram os nomes administrativos que vigoraram respectivamente até hoje?

Ishtanu (Hattic. Eshtan) Hittite sun god = Luw. Tiwat = Hurrian. Shimegi.

Ishtanu (> Hattic. Eshtan) < Ish-Tan, lit. «o filho da cobra (tan

< Isht-Anu, lit. «o fogo, (filho) do céu» > At-An(u) > Aten.

Aten (Aton) The sun itself, recognized first in the Middle Kingdom, and later becoming an aspect of the sun god. In the reign of Amenhotep IV during Dynasty XVIII, Aten was depicted as a disk with rays, each ray terminating in a human hand and bestowing symbols of "life" upon those below.

Sem querer forçar as coincidências históricas parece suspeito que o deus Aten tenha subido ao poder na época de Amenofis IV, precisamente durante o reinado de um faraó que sabemos, pelos registos de Amarna, ter tido intensas relações políticas com os hititas. Claro que não seria necessário ir do Egipto à Anatólia para encontrar um culto solar. O Egipto era de facto a terra do culto solar por excelência visto que , o deus solar mais arcaico da história antiga, nunca deixou de ser adorado como pai de todos os deuses. No entanto, tanto o culto de Amom, cujos sacerdotes Akineton odiava, quanto o de Osíris, tinham obnubilado o culto de Rá. Embora Amom-Ra fosse, de facto, uma sobrevivência de na forma dum compromisso teológico com os padres de Amon, a verdade é que, os velhos cultos solares já se encontravam em decadência no Egipto sendo progressivamente substituídos por deuses jupiterianos e de mistérios. Por outro lado, os hititas também revelavam a mesma decadência dos arcaicos cultos solares uma vez que Teshub, um deus jupiteriano, tinha supremacia sobre todo o império, mas a verdade é que seria possível a existência dum certo revivalismo solar imperialista revelado na reforma do panteão de Tudália IV!

Assim sendo a questão etimológica crucial que se coloca é apenas esta:

Atum < *Atom => ??? Aton > Aten <= ??? At-An

=> Tan, a cobra em varias línguas semitas antigas

<=??? Ant. Egipt. Tem < Tum <=

<= *Atom < Ataum < *Athamu (< Arm. Adamô) <=

<= Hedammu (Hurrian snake demon) <*Ki-(Te)-Ama-(Anu )

=> Ki-ama-at < *Ki-Ama-ash > Tiamat.

Ø    «Camacho» > Shamash.

Ø                    > Thama-Chu > Damuz.

                          > *Ki-ma-ish = Ish-ma-Ki > Shimegi!

Adamastor < Adamast + Ur < *Ki-Ama-Chu > Camacho > Tomaz > Damuz.

     Adamas <                                                      

Tiwat < Kiw-at < *Kiki-at >*Ki-Phiat > Ptah.

             Vishnu ó Ziwish > Ziuis > Zeus!

It is Norea who cries out to them. They heard, (and) they received her into her place forever. They gave it to her in the Father of Nous, Adamas, as well as the voice of the Holy Ones, in order that she might rest in the ineffable Epinoia, in order that <she> might inherit the first mind which <she> had received, and that <she> might rest in the divine Autogenes, and that she (too) might generate herself, just as she also has inherited the living Logos, and that she might be joined to all of the Imperishable Ones, and speak with the mind of the Father. -- The Thought of Norea

 

Ver: DAMUZ (***) & ADAMASTOR (***)

 

Esta Noreia dos gnósticos deve ser a mesma que foi esposa de Nereu ou seja Nério, uma variante do nome de Vénus.

Noreia < *Naureja < Anurisha, filha de Anur ó *Enkur.

Notar que Noreia pode ser uma variante de Sophia uma vez que:

The apostles who were before us had these names for him: "Jesus, the Nazorean, Messiah", that is, "Jesus, the Nazorean, the Christ". The last name is "Christ", the first is "Jesus", that in the middle is "the Nazarene". "Messiah" has two meanings, both "the Christ" and "the measured". "Jesus" in Hebrew is "the redemption". "Nazara" is "the Truth".-- -- The Gospel of Philip.

Nazara < Nashor < Najaura ó *Naureja.

É obvio que não temos neste momento outros elementos que nos permitam sair deste imbróglio de cruzamentos circulares de vias étmicas recessivas que podem produzir por ressonância fonética nós semânticos não suspeitados. De facto, a permuta dos sons nasais do tipo tem = tan é mais do que inevitável quando se trata de semantemas semelhantes. De qualquer modo conseguimos dar o nó em todas as cadeias étmicas de nomes solares que nos podem por em contacto com a etimologia de Adónis e de Damuz. Em ambos os casos estes deuses solares ou estão ausentes dos cultos primaveris (caso de Chamaz) ou, como no caso de Atum, têm apenas um pequeno papel nos cultos dos mortos onde é Osíris o deus soberano da morte e ressurreição! A explicação deste mistério residiria no facto de deuses como Atum e Chamaz serem realidades muito arcaicas dos tempos do matriarcado da ilhas mediterrânicas onde *Kima (=> Artemisa) era a terrível Deusa Mãe das cobras e da caça, ou seja a própria Ereshkigal, ainda que estes mitos da morte do sol tenham começado a ser elaborados nas épocas pré históricas do período da caça como o provam as representações da arcaica Kali.

 

CHNUM, O DEUS CARNEIRO DA CRIAÇÃO

Um deus que possivelmente seria uma mera variante de Atum era Chnum.

Atum < Itemu < Atmenu < *Ashminu > CHNUM

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Figura 1: Knouhm dieu bélier et Seigneur d'Eléphantine en Haute Egypte.

Henou une ancienne divinité faucon qui figurait à la proue de la barque des morts allant vers l'au-delà.

“In Egyptian mythology, Khem was the god of reproduction and generation. He was identified as Pan by the Greeks.”

Chem = Also called Ham. He was the god of "increase", considered as the father of their race. He is usually pictured wearing a women's garment.

O Egipto foi a terra de por excelência.

Henou < Ki-Anu < Enu-ki < Enok < Enki > *Kian > Hana(El).

Poderá parecer que a referida identificação que os gregos fizeram entre Khem e Pan resultou mais do aspecto caprino de ambos os deuses do que da etimologia ou mesmo da mitologia funcional. No entanto, é neste deus Egípcio que a mitologia antiga concentra toda a sua fé e simpatia que costuma ser referida ao poder criativo de Enki.

Shem < Khem < Khnum [4] < Kihnemu = Kh < Kiki | Nu < Ne < An | M

< mu < Ama < Kiki-An-Mu < *An-Kiki-Ama > Enki-Kima > An Ashma!

                                      > Ash-an > Ashna > Esna, cidade do templo de Khnum

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Figura 2: Jmum, O deus cabrão e criador.

C'est également un ancien dieu-créateur local qui façonnait un couple de petites poupées en terre sur un tour de potier avant de leur insuffler la vie avait aux origines : deux épouses Nébètou (la dame des oasis qui lui donna un fils : Héka < Ki kaka) et Menhyt la déesse lionne dangereuse qui apparaît également comme la déesse Lointaine (fille de Rê).

Neith est une déesse démiurge issue de Saïs (delta) dont le culte a remonté le Nil à Basse Epoque jusqu'à Esna (après Thèbes).

Nébètou < Newetu < An Ki Tu < Ki Antu

Menhyt < Min | Kyat < Kiash |

Neith < Neik > Nike <= Anash < An kaki => Anat > Anathe > Athean => Athena >Theana > Diana.

 

TRIADA DE ELEPHANTINA (Abu)

Khnemu

Satet

 

Anqet

Khnum, (Khnemu) in Nubia there was a ram-god called Doudoun with whom Khnum may be associated. The Egyptians married Khnum to the goddess Heket, who was a frog. -- From The Alpha and the Omega - Insert Chapter Twoby Jim A. Cornwell, Copyright © 1995, all rights reserved" Capricornus (Star Chart) "

Possivelmente Doudoun seria uma evolução de um nome arcaico de Chnum, o deus do rio (Dão) tal como Satet uma corruptela de Heket.

On le représentait avec un corps d'homme et une tête de bélier dotée de cornes horizontales... Son culte se propagea dans toute l'Egypte, mais particulièrement à Esna et à Antinoé où il fut associé à la déesse grenouille Héquèt qui engendre et protège les nouveau-nés sortis du milieu aquatique primitif. A partir de la cinquième dynastie, le clergé d'Héliopolis l'associa au dieu-soleil sous le nom de KNOUHM-Rê, mais Amon le supplanta dès l'amorce du Nouvel Empire.

 

A LENDA DA NASCENTE DO NILO E A TRÍADE ELEFANTINA.

KHNUM

Na cidade de Elefantina, ou Abu, era reverenciada uma importante tríade de deuses: Khnum, Satit e Anukit. O primeiro, de culto muito antigo, ocupara sempre uma posição elevada: mesmo nos derradeiros tempos, parece ter sido muito importante aos olhos dos gnósticos. Khnum era, muito provavelmente, uma divindade dos Egípcios pré-dinásticos. Tinha como símbolo o carneiro de cornos direitos, que parece ter sido introduzido no pais a partir do Leste. Era normalmente representado na forma de um homem com cabeça de carneiro e com a coroa branca e, por vezes, também o disco. Em certos casos, vemo-lo a despejar água sobre a terra; noutros, tem sobre os cornos um jarro - indicação segura de estar relacionado, nalgum aspecto, com a humidade. O seu nome significa «edificador» ou «construtor»: fora ele quem dera forma ao primeiro homem numa roda de oleiro, que fizera o primeiro ovo, do qual surgira o Sol, que fizera também os corpos dos deuses e que continuava a modelá-los e a conservá-los.

Khnum fora objecto de culto em Elefantina desde tempos imemoriais e era, por isso, o deus da Primeira Catarata. As suas correspondentes femininas, Sita e Anukit, tem sido identificadas como formas da estrela Sopdit e de uma deusa local núbia. Resulta dos textos com bastante clareza que Khnum foi originalmente um deus-rio considerado, como Hapi, o deus do Nilo e da cheia anual do grande rio; e pode ser que tanto ele como Hapi fossem deuses do Nilo ali introduzidos por duas etnias diferentes ou pelos povos de duas partes diferentes do país. Os textos falam dele como «pai dos pais dos deuses e das deusas, senhor das coisas criadas dele próprio, fautor do céu, da terra, da Duat, da Água e das montanhas» - e assim vemos que, como Hapi, fora identificado com as divindades criadoras. É por vezes representado com quatro cabeças de carneiro num corpo de homem; e. como unia em si os atributos de Ré, Chu, Geb e Osíris, essas quatro cabeças podem ter simbolizado esses quatro deuses. Brugsch pensava, todavia, que elas simbolizavam os quatro elementos: o fogo, o ar, a terra e a água. Mas é um pouco difícil compreender como isso seria possível. De qualquer modo, Khnum, quando representado com as quatro cabeças, simbolizava a grande força criadora do início.

GUIA ILUSTRADO DA MITOLOGIA EGÍPCIA de Lewis Spence tradução de Manuel Ruas

Poucos textos conseguiriam como este sintetizar a magnificência deste Deus Egípcio e conter as referências necessárias à identificação na mitologia Suméria. Desde logo se salientou a amarelo a sua origem arcaica e oriental.

A azul foram sublinhadas as referências aquáticas próprias de Eia. A verde a natureza caprina, ambígua (anfíbia na Suméria) e multifacetada deste Deus, presente no deus Jano romano cujas conotações com Eia, apresentadas noutro ponto deste trabalho, são indiscutíveis. A vermelho, sublinha-se o seu carácter demiúrgico e criador, típico dum deus gnóstico, deste deus que na mitologia Suméria é apanágio de Enki pelo menos no que respeita à criação do homem e à sua salvação do dilúvio. Mas existem também referências étmicas que só não são flagrantes para quem nunca pensou nisso! A começar pelo nome do deus, Khnum que só pode ser uma variante de Chu.

Finally, it may be noted that as Khenmu-Shu absorbed the attributes of Nu, Ra, Ptah, Thoth, etc., so several great goddesses, besides those already mentioned, were identified with his female counterparts, e.g., Nut, Net, {Neith}, Nebuut, etc.

Khnum = clip_image014clip_image015clip_image016 < Chnum < Chu-Nu-me < Chu-| Nemu < Menu |

> Khnemu, Knum.

Depois o sobrenome da cidade de Elefantina, Abu que sugere a morada cosmológica de Enki, a origem das águas doces das nascentes dos rios, os abismos primordiais do Abzu!

É um deus com origens antigas, que possivelmente remontam à época pré-dinástica. Do ponto de vista geográfico, encontrava-se ligado à zona sul do Egipto e à Núbia.

Este deus representava os aspectos criativos; acreditava-se que Khnum regulava as águas do Nilo, das quais os egípcios dependiam para a sua sobrevivência. A vida no Antigo Egipto estava regulada pelas inundações anuais do Nilo que traziam uma argila que fertilizava os campos e assim permitia a prática agrícola.

Khnemu

<======>

Satet

 

||

 

 

Anqet

 

Como Satet = esposa de | Sat = Set = Qet(u) < Cacu

                                                          = Kethi | + Nume < Khnemu > Khnum

=> Khemenu = Hermopolis.

Colhida de uma inscrição gravada numa rochea da ilha de Sahal (< Sakal < SaKar), no Nilo, no Período Ptolernaico: “No décimo oitavo ano do reinado de Djoser, o terceiro monarca da 3ª dinastia, a fome abateu-se sobe o Egipto porque sete anos haviam já passado sem cheia do Nilo. Escasseavam as sementes de todas as espécies, os campos e as hortas nada produziam e o povo não tenham que comer. Os homens robustos estavam trôpegos como os velhos, os velhos tombavam no chão e nunca mais se levantavam e as crianças gritavam de fome. E os homens tinham dado em ladrões da pouca comida disponível e roubavam-se uns aos outros.

O relato desta terrível situação chegou ao rei, sentado no seu trono, e o rei sentiu grande desgosto. Recordou o deus Imhotep,[5] filho de Ptah, que já uma vez tinha livrado o Egipto de um desastre semelhante; mas, quando o seu auxílio foi pedido, não houve resposta.

O rei Djoser enviou então mensageiros ao governador Mater, que governava o Sul, a ilha de Elefantina e a Namíbia, onde se situava a nascente do Nilo e qual era o nome do deus ou deusa do rio. Para responder a isto em pessoa, o governador Mater deslocou-se à presença do rei. Falou-lhe da maravilhosa ilha de Elefantina, onde fora construída a primeira de todas as cidades conhecidas; contou-lhe que dela nascia o Sol quando queria espargir a vida sobre a humanidade. Ali havia também uma dupla caverna, Querti, em forma de dois seios de mulher, e era dessa caverna que nascia o rio Nilo para abençoar a terra com o dom da fertilidade quando o deus, na estação adequada, abria os ferrolhos da comporta. Esse deus era Khnum. Mater descreveu ao seu real senhor o templo do Nilo de Elefantina e declarou que outros deuses se encontravam nele, incluindo os grandes deuses Osíris, Hórus, Isis e Néftis. Falou-lhe dos produtos da região circundante e disse que com eles se devia fazer oferendas a Khnum.

O rei ergueu-se e foi oferecer sacrifícios ao deus e suplicar-lhe no seu próprio templo. O deus ouviu as preces e apareceu ao aflito rei, dizendo: «Eu sou Khnum, o criador. As minhas mãos repousam sobre ti para proteger a tua pessoa e dar saúde ao teu corpo. Dou-te o teu coração... Fui eu próprio que o criei. Eu sou o abismo aquático primogénito e eu sou o Nilo que sobe à sua vontade para dar saúde aos que labutam. Eu sou o guia e director de todos os homens, o Todo-Poderoso, o pai dos deuses, Chu, o poderoso possuidor da terra». E depois o deus prometeu ao rei que daí em diante o Nilo subiria todos os anos como dantes e que a fome teria o seu fim e grandes benesses tombariam sobre a terra.

“Eu sou o abismo aquático primogénito” => Abzum = o Abismo primordial de onde nascem todas as águas doces dos rios (terra) e das chuvas (céu) = Chu-An, senhor da guerra e da juventude e marido de Tefnut (< Tephi-Anut) = Khenum.

 

Ver: CHU (***)

 

Outros dois deuses conhecidos começam por Te/e pelo que Te/a seria um possível sinónimo de «O», «aquele que é» ou uma corruptela de termo teos em formação se não fosse mais provável ser uma redundância comum nos teónimos destes tempos por necessidade de retórica aliterativa, inerente às técnicas de memorização musical da oralidade.

Thoueris < Te-Howerish > Te Kau-Kur-et > Thau Hurt > Ta-urt.

Thoth < Ta huti < Ta Kiut.

De facto ver-se-á noutras fases deste estudo que a equação anterior só pode ser => Thoueris < Tauris < Kaur o que nos faz inferir que Te era uma evolução fonética de Ki/ke que torna redundante Tephian < Kephian < Kikian.

Em qualquer dos casos esta passagem deste relato mítico sobre a Nascente do Nilo permite estabelecer a correlação entre o nome do deus supremo da tempestade, Hitita/Cretense (e que no Egipto foi Chu) e a cobra da deusa mãe que terá sido o remoto deus das mais remotas culturas mediterrânicas do neolítico.

Mas disse também ao rei que o seu santuário estava ao abandono e que, apesar de haver pedra a toda a volta do local, se dava ao trabalho de restaurá-lo. E o rei não esqueceu isto e fez um decreto real para que, nas proximidades da ilha que servia de morada a Khnum, as terras de cada lado do Nilo fossem demarcadas como doação ao seu templo, para que houvesse sacerdotes a oficiar no seu santuário e para que fosse cobrado um imposto sobre os frutos das terras circunvizinhas a fim de custear a manutenção dele. O rei ordenou que este decreto fosse gravado numa estela de pedra e esta colocada num lugar elevado como duradoura prova de gratidão para com o deus Khnum, o deus do Nilo.

 

Ver: MIN (***) & SETE / SETET (***)

 

 



[1] => Lat. autumnu > «outono», uma metáfora do «sol posto» transporto para o ciclo solar anual!

[2] CRYSTALINKS MAIN PAGE

[3] Goddesses of Ancient Egypt, © Katherine Griffis-Greenberg 1999.

[4] Para mais informações ver: http://kemet.org/ntjr/khnum.html

[5] Imhotep < An Shotep > An Josef > José. Quer isto dizer que a ser verdadeira a história Bíblica reporta-se a tempos anteriores ao do rei Djozer ou seja há mais de 5 mil anos. Ora, os tempos patriarcais ocorreram há cerca de 4 mil anos o que deixa um paradoxo de mil anos a mais por resolver.

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