quinta-feira, 19 de setembro de 2013

DEUSES DO ANTIGO EGIPTO – NUNO, por Artur Felisberto.

NUN -is chaos, the original ocean which before the creation lay the germs of all plants and animals. The Egyptians called him the "Father of the Gods", but he remained an intellectual concept. He didn't have any temples or worshippers. Sometimes he was found represented as a figure plunged up to his waist in water, with his arms up to support the gods who have issued from him.

NU / Nau / NUN / clip_image002 < Nuno < Nanu < En-Anu < An-An > Nana.

No Egipto, o deus das águas primordiais foi Nuno que teria sido também o deus do céu primordial, o grande oceano cósmico de todas as águas.

Clitunno = Roman River deity.

Clitunno < | Keritu < *Kertu | Nino < Nuno | lit.

«Nuno, o menino nascido de *Kertu”.

Figura 1: Hieroglifo do nome de Nun.

Above is an Egyptian spelling of the name commonly transliterated as Nwn. The Egyptian ‘bowl' (Gardiner 1973: W24)

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is repeated three times, an unusual spelling convention. Gardiner mentions that the ‘bowl' can be read as jn or nw. I believe that in this name for the primeval ocean, the ‘bowl' is to be read as jnw so that the properly transcribed name would be jnw-jnw. Now the language that was the ancestor of Nostratic and Hurrian had a sound (nh) which shows up in IE and Hurrian as /l/ but in Egyptian as n. I believe that Egyptian jnw can be found again in IE el-eu-, "be in motion", so that the Egyptian name means "completely in motion". (listed under 6. el- in Pokorny 1959, I, p. 306) -- [1]

Este esforço etimológico é de louvar mas não me parece convincente. Desde logo porque começar por chamar a um «jogo de potes» um «jogo de bolas» de booling é literalidade demasiada! Depois porque nada impediria que um conjunto da «potes na cantareira» pudesse ter vários nomes, no caso o comum derivado do nome Egípcio do próprio deus Nu enquanto Neputanu, o «deus poderoso dos potes» de água primordial, e depois um outro qualquer relacionado com um dos epítetos deste deus que nada impede que pudesse ter sido próximo de Janus, o arcaico deus supremo das duas faces que tudo leva a supor que teria sido variante de Enki, na mesma ressonância fonética do caldeu Oanes. Assim, restaria apenas saber qual, neste caso, seria o mais adequado para fazer a leitura do nome deste deus!

A verdade é que em clip_image005 = Nut, o pote vale de Nu sendo pouco provável que a escrita hieroglífica, ainda que complexa e não necessariamente portadora duma sintaxe rigorosamente matemática, tivesse várias convenções para os mesmos grafismos sobretudo em nomes que, sendo relativos ao mesmo casal, seria de esperar que fossem foneticamente próximos.

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Figura 2: Hapi, Father of the gods.

Figura 3: Nuno.

Com tanta e tão flagrante semelhança iconográfica seria quase impossível que, com tanta semelhança funcional, Hapi e Nuno não fossem variantes do mesmo deus das águas primordiais.

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Notar que em ambos os casos o bastão da «longa vida» que faz destes deuses barbudos dois arcaicos anciões, resultam duma estilização excessiva da folha de palmeira, já sem fitas facto que sugere um forma esquecida de representação da folha de «palmeira de Inana», a deusa da «árvore da vida eterna»! Este facto reforça a suspeita quase segura de que a cultura Egípcia arcaica foi importada da suméria ou de uma cultura mais próxima mas comum com esta talvez a cretense, ou Anatólia.

Que Nun tenha sido o deus do «fiat lux» da moção criadora inicial não espanta ninguém! O que faz franzir o sobrolho é esta fonética rebuscada que vai de Nwn a Jnw e deste a *El-eu, supostamente indo-europeu mas que soa sobretudo como semita! Com tanto salto mortal nas virtualidades da etimologia é impossível não acabar por cair nas malhas da improbabilidade! Voar demasiado alto nas potencialidades da etimologia e, ainda para mais, sem rede de suporte, que poderia ser conferida por uma qualquer forma tradição, ainda que meramente vaga ou alusiva, é correr o risco de cair num quebra-cabeças sem saída!

O interessante é que na Ogdoad de Hermópolis, a cidade hermética de Toth, se acreditava que Nuno não teria sido o único princípio criativo na medida em que, já então, se suspeitava duma teoria criativa suportada por quatro elementos primordiais:

Their theory of creation was older than any other in Egypt. They believed in a system of eight deities, four gods and their respective consorts.

The two that became the most prominent in later times were Nun and Amon. Nun was respected in many parts of Egypt as the primordial waters from which everything emerged during creation. Amon, of Theban fame, rose to prominence during the reign of the princes of Memphis. (...) In any case, each of the four gods were the gods of one of the creative powers or sources. Nun, water; Heh: unendingness, eternity; Kuk, darkness; Amon: that which is unseen or air.

Nuno = O Abismo da «água» primordial.

Heh = infinitude, <= Kiki, a «Terra» Mãe! => Gr. echo

«Eco» < Lat. echo < Gr. echo, m. s. repetição de um som;

Kuk, = a escuridão < Caco, o «Fogo» primitivo das cozinhas, contraluz da escuridão! Daqui derivam conceitos arcaicos como «estar à coca», na calada da note e a «cuca» como medo nocturno!

Cuca = coca; • mulher feia e velha; • feiticeira; • (Beira) pedra basáltica escura que se encontra entre os seixos dos rios; • (Douro) bogalho também chamado maçã-de-cuco, maçãcuca; • (Estrem.) moeda antiga de 5 réis; • (Porto) à espreita, à procura; • (Bras.) ameaça, medo, susto que se prega; • cozinheiro, também chamado mestre-cuca.

Amon = o vazio invisível do «Ar» < Ama Anu < An/Anu, o céu dos deuses arcaicos => o Om, o som da oração da criação divina dos hindus! => Ámen!

Em definitivo, Naut / Net tem relação com a «noite» e com Atena / Anat por meio de Nuno, o deus do Abzu que foi Enki. De facto, Enki, além de deus dos abismos primevos, foi o deus sumério dos mares, deus que veio a ter o nome de Neptuno entre os latinos. Ora, Neptuno teve um relacionamento quezilento com Atena, suspeito de um forte conteúdo amoroso, tal como teria sido o de Inana e Enki.

 

Ver NUT (***)

 

Embora a correlação entre Enki e Nuno não parece assim tão clara à luz da etimologia a verdade é que podemos postular que:

Neptuno < Nephi-Tum-no, lit. «o deus cobra de água»

ó Enki + Ki-Ama-Anu, lit. «Enki, (o filho) de *Kima e Anu?»

= Enki-Anu, lit. «Enki, o Sr. ou o filho do Sr. (do céu)»!

=> Nephianu > Newian > *Ni-Wen > Nwn > Nuno > Nu.

Uma das qualidades inesperadas desta cadeia étmica, que passaria por um suposto *Ni-Wen, seria relacionar o deus da criação egípcia com Vénus!

 

Ver: NUT (***) & NEPTUNO (***)

 

É evidente que esta última passagem de Nephianu a Nu carece de comprovação mas não deixa de ser estranho que o antigo nome sumério do grande rio Eufrates tenha sido Buranun.

Buranuno < Wur-(a)nun < Kur + Nun.

A variante *Kauran deste deus «cornudo, barqueiro e varino», já nos é conhecida por Ishkur. Ora, Buranun pode ter sido isto mesmo, uma forma fonética suméria do equivalente luso de «varino», (ou do itálico Bernini!) ou seja, um mero diminutivo de *Kauran, enquanto epíteto carinhoso do «deus menino»! Mas, tal como todas as crianças crescem e se tornam senhoras de si também nada obsta a que *Kauran não seja a forma adulta de *Kauranino quanto mais não seja porque entre as deidades tudo era possível e, depois, porque «filho de peixe sabre nadar» o que, pelo menos no caso do nome do Nilo, parece poder ser confirmável.

Nilo [ < ... < ] < Urano < Haur-an < *Kauran.

 

Ver: HAPI (***)

 

Não podemos é garantir que Nuno não tenha sido (num eventual proto sumério já esquecido e mais ibérico e cantábrico do que maltês!) uma mera variante masculina (com o significado de Sr.) do feminino Nin. Ora, a etimologia deste termo/conceito, tipicamente sumério, pode ter sido paralela com a de um eventual equivalente proto copta, por ex. na forma *Niwet, já que, pelo menos bet veio a ser sinónimo de Sr.ª no antigo Egipto.

 



[1] HTTP://WWW.GEOCITIES.COM/Athens/Forum/2803/proto-religion/creation-1.htm, Patrick C. Ryan * 9115 West 34th Street - Little Rock, AR 72204-4441 * (501)227-9947, PROTO-LANGUAGE@email.msn.com

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