domingo, 22 de setembro de 2013

DEUSES LATINOS - DAS VIRTUDES VIRIS / VIRTUS & HONOS, por Artur Felisberto

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Figura 1: Andrea Mantegna, Trionfo della Virtù
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Figura 2: Virtus & Honor.
The Roman god of courage and military prowess. Virtus (la Virilité) casquée et drapée debout à droite, tenant de la main gauche le parazonium (adaga ou punhal) et de la main droite, une haste renversée, le pied posé sur une tête ou un casque.
Honos. Deus romano da ética e da hora militar. Havia vários templos dedicados a este deus em Roma. Honos era representado como um jovem guerreiro usando uma lança e uma Cornucopia ("corno da fortuna")
Este deus Virtus não era senão o deus da virilidade e por isso tem na mão esquerda o parazónio, o punhal da oficialidade (símbolo fálico da virilidade que corta e penetra a ferida vaginal ou o arcaico varapau da verticalidade eréctil) e pisa com o pé esquerdo o crânio ou o casco dum vencido.
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Virtus standing left, holding shield and spear in left hand, in right holding up a statuette of Victory who crowns her with a wreath. - Billon antoninianus of Probus, 276-282 CE
Virtus standing right, spear held behind in right hand, parazonium in left hand, left foot on helmet. -- Coin Type: Silver denarius of Caracalla, Caesar Dec 195 - 28 Jan 198 CE, Augustus 28 Jan 198 - 8 Apr 217 CE.
VIRTVTI E-XERCITVS [Valor of the Army] Virtus advancing r. in military dress, r. holding transverse spear, l. shield and trophy over shoulder. -- Circa 312 A.D.  IMP C FL VAL CONSTANTINVS P F AVG laureate head.
Le Parazonium (parazônion) est un Glaive court attaché à un ceinturon (cinctorium), que portaient du côté gauche les tribuns et les officiers supérieurs des armées romaines, plus comme marque de distinction que pour l'usage réel tandis que le gladius, l'épée du simple soldat était suspendue, du côté droit, à un baudrier (balteus).
Virtude romana aparece sempre ataviada no pleno esplendor do virtuosismo militar. Literalmente a moeda romana de Constantino refere esta alegoria como exército da virtude enquanto coragem, valentia e virtuosismo estratégico capaz de garantir a vitória militar. Verdadeiramente o império romano nasceu numa cidade de caserna que teve patrona a deusa das prostitutas que costumam seguir os exércitos e que quanto se decidiu crescer pela via reprodutiva teve de raptar mulheres aos vizinhos e pacíficos serranos e agressivos agricultores sabinos que não se sabe se seriam aborígenes plágios ou colonos gregos da Magna Grécia.
Virtus teria que ser um deus da virilidade na medida em que vir significava varonia. Na suméria o termo birku significava virilidade e por uso metafórico era usado também para significar o pénis e os joelhos na medida em que o reconhecimento ritual da virilidade só acontecia quando o pai sentava o filho nos seus joelhos.
Virtus < Wir-tu-(ish) < Wer-tu, lit. o filho do deus guerreiro Wer > birtu > Ger. berto.                                               < *Kertu, ou seja o equivalente minóico de Horus > (Mel)Kart.
A estranheza que pode causar esta semântica reside apenas na ironia de o nome das virtudes cristãs derivar do nome do deus Wer e ter mais a ver com o poder fecundante da virilidade sexual do que com a castidade pacífica indispensável a uma adequada vida cristã. Do mesmo modo, a desonra só aparece hoje essencialmente conotada com a falta de virgindade feminina na medida em que, nos alvores do patriarcado heróico, esta era um corolário do que restava das leis do «macho dominante» do período matriarcal. A verdade é que a tradição clássica grega nos apresenta a virtude e o vício como elementos da formação militar de Hércules. Não é que não seja evidente que o culto da moralidade adequada não seja útil em qualquer actividade honrosa mas a verdade é que historicamente as rudes e difíceis civilizações heróicas, como foram quase todas as que precederam as épocas de estabilidade e prosperidade, privilegiaram os cultos das virtudes guerreiras em detrimento das religiosas e levíticas. Assim, podemos suspeitar que o nome dos mosaicos levitas da tribo de Levi herdaram o nome duma antiga casta guerreira, por sinal, formada em torno de *Urki uma deusa lunar e, por isso mesmo, possivelmente patrona duma classe de amazonas guerreiras que progressivamente se tornaram em sacerdotisas guerreiras que, com o patriarcado e a com concorrência funcional dele decorrente, vieram a ser substituídas por sacerdotes.
Levi(t) < Rewi(tu) < *Urki-at ó *Kertu > Wertu > Virtus.
                                                                    < Kaur-et > Hauret > Grec. Arete, lit. esposa de Ares.
Prodikos the wise expresses himself to the like effect concerning Arete (Virtue) in the essay 'On Herakles' that he recites to throngs of listeners. This, so far as I remember, is how he puts it: 'When Herakles was passing from boyhood to youth's estate, wherein the young, now becoming their own masters, show whether they will approach life by the path of virtue (arete) or the path of vice (kakia), he went out into a quiet place, and sat pondering which road to take. And there appeared two women of great stature making towards him. The one [Arete] was fair to see and of high bearing; and her limbs were adorned with purity, her eyes with modesty; sober was her figure, and her robe was white. -- Xenophon, Memorabilia
Se a virtude Arete era feminina na Grécia por ser a esposa de Ares a Virtus latina era masculina entre os romanos porque derivava do deus mesopotâmicos Wer, equivalente de Marte.
Notar que Virtus teria tido o nome minóico de *Vertumino (literalmente o redundante deus viril que foi Min) deus de que iria derivar o primaveril deus latino Vertumno.
Em contrapartida o deus da Honra era o deus do cavalheirismo, da dignidade e da justiça militar que garantia o sucesso na partilha dos troféus e dos despojos da vitória e o acesso às horárias dos triunfos na carreira militar.
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Figura 3: O prémio da Virtude era a Honra do triunfo que dava acesso às honrarias militares e a fortuna dos despojos de guerra. O culto da hora cívica decorre assim duma apropriação burguesa de valores que foram inicialmente abstracções psicológicas do chicote e a cenoura que determinavam a lógica da vida militar. A Virtude & Honra são inicialmente valores estruturantes da nobreza que acabam, com as necessárias adaptações de ética evolutiva, em valores cívicos pela relação mútua entre a ética de coesão do grupo e sucesso na vida! As virtudes cristãs aparecem assim como contraponto desta ética de sucesso social pela via da negação do valor do mérito e da riqueza que, os judeus nunca deixaram de cultivar com sucesso e esmero, mas que os católicos só toleraram pela separação do reino dos céus em relação ao poder temporal.
O acesso a bens de fortuna pela via do troféu de guerra e das honrarias militares fés do corno da cornucópia, passe o pleonasmo, um símbolo fálico permitindo que na origem a honra fosse uma questão de bravura bélica de que o machismo, masculinidade e virilidade por exibição da potência sexual explícita seria componente indispensável. Como Pan é próximo de Phanes, o deus protágono *Dionisho filho de Diana Lúcia, deus da luz e do amor solar primordiais, Fauno era um dos nomes do deus masculino primordial, natural seria que tivesse uma evolução semântica ligada à Deusa Mãe da «cornucópia».
Pan < Phanes > Fauno < Kau®anus > *Konus > Honos.
                              «Génio» < Ki-anius < Konius
Ou seja, é impossível saber se foi o «erre» da corno-copia que emudeceu ou se sempre houve nos primórdios da linguagem permutabilidade do nome do “deus menino” entre Cono / Corno, entre o filho de Ki-Ana / Diana e o Sr. do Kur (Kaurano). A verdade é que tem a forma, muitas vezes alada, dos latinos «génios», (lit. “os espíritos alados da sabedoria de Enki”, o deus que ensinou os mês das tácticas e estratégias militares a Atena, mãe de Eritónio, ou Honos (…ou seria Kornos ou Cronos?), «deus menino» das honras militares, que sempre fez a fortuna de muita gente de virtude e esperteza saloia para o saque e a rapina.

Ver: JUNO / GENIUS (***)

Na verdade, sendo o aparecimento das castas guerreiras uma exigência da defesa dos cultos religiosos emergentes o primordial mandamento dum guerreiro deveria ter sido desde sempre o de estar pronto e sempre ao dispor da defesa das necessidades da “Deusa Mãe”, incluindo a suas emergências de fertilidade e fecundidade, razão pela qual os deuses marciais começaram sempre por ser deuses de fertilidade agrícola. Notar ainda que a guerra psicológica teria começado muito cedo desde logo pelo recurso a maquilhagem de guerra e por praticas de exibicionismo teatral com postiços que exageravam o tamanho dos genitais masculinos com cornos, presas de animais ou caniços (etc), estratagema usado ainda por muitos homens de tribos primitivas actuais ou de épocas recentes.

Ver: ATENA OBTIMOPATER (***) & VERTUMNO (***)


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