domingo, 22 de setembro de 2013

DEUSES LATINOS – TUTELA, por Artur Felisberto.

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Figura 1: Tutela.

Tutela was a protective goddess, especially for cities. Representations appear in the imperial period, especially in the western provinces; she had no strong religious or ritual traditions and provides a good example of the way the Romans created allegorical figures (her name is the Latin word for “protector, guardian”). This silver and gilt Roman statuette shows Tutela with many allegorical symbols — an altar at her feet, a libation dish in one hand and two corncopias in the other, a mural crown (representing city walls), and a headdress with tiny busts of gods representing the days of the week.

Aceitando-se que possa não ter havido uma forte tradição ritual no culto desta divindade tal não significa que não possa ter existido, mesmo assim, alguma reminiscência do arcaico papel desta Deusa Mãe dos dias fastos da vida semanal das cidades latinas.

As duas cornucópias fazem dela uma deusa da boa sorte, felicidade e fortuna, como era apanágio das Deusa Mães do parto e da aurora! O facto de ter a «tutela» dos dias da semana aproxima-a do papel de Témis, a mãe das Horas. A verdade é que a postura de Cibel desta deusa, supostamente já quase só alegórica, permite estabelecer uma correlação semântica com esta e todas as restantes arcaicas Deusas Mães!

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Por outro lado Tutela aponta para uma alegoria da totalidade restante, dos deuses não mencionados no calendário, como protecção supersticiosa contra a vingança dos esquecidos como ocorreu no caso da deusa da Eris da Discórdia no casamento de Peleu que apareceu sem ser convidada com o pomo da discórdia do julgamento de Paris, deu origem à guerra de Tróia e ocorria em todos os tratados hititas que começavam por pedir a protecção de vários deuses relacionados com as cidades que se inter protegiam e que finalizavam com um apelo a todos os deuses não referidos nos tratados.

Cibel < Ki-wer < Ki kur / Ku kir > Thu-thyr > Tutela.

Tutela is a Romanized version of the deity Tyche (Fortune), who originated in the early Hellenistic period (fourth to third centuries BC) as the patron of the many new urban foundations which lacked mythological patrons or founders. The gods of the week were another Hellenistic innovation, brought to the west from Babylon, via Alexandria and other centres in the eastern Mediterranean.

Assim, Tutela só era alegórica na medida em que o panteão oficial dos antigos latinos a haviam esquecido, quiçá há muito, de tal modo que os romanos do classicismo já só dela reconheciam o conceito mítico genérico mas, ainda assim, ao ponto de lhes ter sido possível refazer, por «via erudita», o culto de uma antiga Deusa Mãe que tinha sobrevivido, seguramente, por «via popular», como variante próxima de Telus.

This ornate statuette shows Tutela, a popular deity in southern Gaul.

Como sabemos tu é um genitivo sumério presente no nome de Antu, de que deriva o sufixo do particípio passado latino, como em natu. Quer então dizer que Tutela poderia ter tido a forma:

Tutela < Ash-*Tela, «filha de Talo, ou seja, Tália» > «Estela»

                               ó Ish-Ter, «filha de Tara» ó Istar!

 

Ver: TALOS (***)

 

Esta deusa seria assim a mesma que Tela, ou seja, Tutela não significava outra coisa que não fosse tão-somente «Tu, (a que és) Tela»!

Titlos, Lat. titulus, title, inscription; also the stone bearing the inscription.

Titulus < titlos < *Tu-Tellus > Tutela.

Ou seja o título era inicialmente uma invocação mágica com o sentido de «Tu, O terra!» inscrita na pedra em honra da deusa mãe de todas as pedras, a Terra!

Claro que estar a supor que o nome desta deusa possa ter sido composto em português parece um anacronismo disparatado. A verdade é que, existem cada vez mais indícios de que a rica e diversificada língua portuguesa não surgiu por geração espontânea com a portugalidade porque lhe preexistia na arcaica lusitaniedade que tinha tanto ou mais direito do que o latim de partilhar com os restantes falares ibéricos a unidade linguística da bacia mediterrânica que teria sido bastante homogénea até à queda da talassocracia cretense e justificado o mito bíblico da unidade linguística perdido com a confusão das línguas acádicas durante a construção das torres babilónica pelo império Elamita. De facto, Tela era um nome mais próximo da fonética dos nomes femininos da latinidade ocidental o que permite a suspeita de Tutela era o nome que certos povos italianos, e quem sabe, ibéricos, dava a Telus. Na verdade, esta deusa seria assim chamada na Lusitânia antiga tendo dado nome a cidades famosas como Talabriga, a cidade tutelada por Tala. Outras variantes deste nome terão sido Tu(t)ela & Tuera, a Toira.

Tuela < Tuera > Tewra > Trew- + Arina   => Trebaruna.

              Tuera (eo) Deo.              + (A)Pola => Trebapola.

 

Ver: MACARENA / TREBARUNA (***)

 

Esteve ainda presente no nome de Tulhónio, equivalente do latino Telumno. Semanticamente falando ele seria um protector das tulhas e do seu precioso conteúdo alimentar. De qualquer modo, a herança semântica da deusa Tutela é de notável importância, nas doutrinas jurídicas derivadas do direito romano, pelo menos.

Tullonio: Génio ibérico protector do lugar e da família.

Tullonio < Tellau(mi)nu > Telumno, «filho e esposo de Tella».

    Thule < Tu(te)llaunio < Tutella-Anu.

 

Ver: TAL ABRIGA (***) & AZTLAN (***) & TETITLA (***)

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