domingo, 22 de setembro de 2013

DEUSES LATINOS - VERTUMNO, deus dos humores do Ano, por Artur Felisberto

Wer: Also Mer, Ber, and Iwer, a storm-god, Humbaba's patron god, identified with Amurru and with Adad.  One of his cult centers was Afis, 45 km. SW of Aleppo.
De qualquer modo, é óbvio que o *wel-, intuído no contexto da teoria do indo-europeu, corresponde a um tiro no alvo por mera acaso porque o alvo teria que ser outro! *Wel- vem seguramente do nome do deus do transporte solar Wer que já aparece entre os sumérios como deus da guerra mas, pela mesma lógica dos deuses infernais, era como Marte, também um deus agrícola de «morte outonal na época de caça e guerra» e de ressurreição triunfal na primavera.
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De facto o deus Ver era também o deus da «verde cana» e da «verdura». Como se chamou também Mer podemos inferir que Marte teve a sus origem etimológica por estes lados! Ele era seguramente o mesmo que Vertumno, o deus latino das estações do ano.
Marte < Merish, lit. «filho de Wer/Mer > Mel, o senhor (da cidade = Melkart).
Figura 1: Vertumno.[1]
Vertumnus (Vortumnus, Vertimnus) The Roman divinity of seasons, changes and ripening of plant life. He is the patron of gardens and fruit trees. He has the power to change himself into various forms, and used this to gain the favor of the goddess Pomona.
Vertumnus' cult was introduced in Rome around 300 BC and a temple was built on the Aventine Hill in 264 BC. The Vertumnalias, observed on August 13, is his festival. A statue of Vertumnus stood at the Vicus Tuscus.

Ver: DEUSES MARCIAIS (***)

Este deus das estações estava casado com Pomona que seria tanto a deusa da bela fruta como a deusa da fartura agro-pecuária, da Fortuna e da cornucópia.
Figura 2: Pomona numa moeda romana.
A prol numerosa que cerca Pomona na apanha da fruta faz desta deusa uma Vénus Felicitas, ou seja uma deusa da fecundidade. A relação das deusas da Fecundidade e da fartura com a Fortuna e as deusas da cornucópia está largamente documentada na mitologia latina.

Ver: TUNIS (***)
& FORTUNA (***)
& CORNUCÓPIA (***)

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            Wer-Tumn(us) < *Kartu-mina > Phurtumna > Fortuna.
  Pomona < Phau-Mina < *Kima-Ana.
                                         > Fauna (& Flora).
Sendo assim já ficamos a compreender o contexto mítico (cosmológico e astronómico) do nome latino das estações do ano. Mas, como não há fertilidade agrícola sem estrume nem vermes necessário seria que este deus presidisse ao aparecimento destes mas, sem que mal fizessem ao gado!
No entanto a maior surpresa destas revelações resido no facto de a propósito de *Wer podermos descobrir a deusa Lituânia da morte Vel-iuona e Vel-inas, irmão gémeo e ovelha negra do deus luminoso da criação da Lituânia, Dievas..
Dievas is the god of the sky, lightness, peace and friendship in Lithuanian mythology. He is the prompter of vegetation. (…) He is also the creator in the Lithuanian sagas. He awards good people and punishes hunks. (…). Dievas often goes with his brother (or creation) Velnias (Velinas, Patulas). Velnias is always trying imitate or stymie Dievas, but his works become evil and snags.
Vel-inas < Wer-nias < Wer-anis > Lat. Veranus
Vel-iuona < ? >*Weliwona < Weilkona < *Vulcona, lit. «esposa de Vulcano»!
Vel-iuona < Wel | *Hiwona, lit. «Ivon» < Ivno < Juno
º Vénus, esposa de Bel / Wer / Marte».
Mas, como *Hiwona sugere ser uma variante da Deusa Mãe que, enquanto ligada aos exércitos seria tanto deus da vida amorosa como da morte negra, levanta a suspeita de os amores entre Vénus e Marte não terem sido assim tão pecaminosos quanto isso.
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Figura 3: Vénus da maçã de Adónis de que resultou a confusão com o mito bíblico da «maçã-de-adão». Esta deusa da «bela fruta» bem poderia ter sido uma variante de Pomona.
Vertumnus ó Ver(ti)minus.
Verminus a God who protects cattle against worm disease.
Tratando-se o um mito que relata o sol a espiar estes amores a pedido de Vulcano que lhe fabricava o escudo reluzente e os arreios do seu carro solar podemos suspeitar que não passou tudo de uma mera inventona imaginativa resultante do esquecimento de antigas relações etimológicas pois que parece tão seguro que teria existido uma Vénus *Vul-cona que só assim se compreenderia que a «cona», que já é o núcleo semântico de Vénus, seja também uma «vulva» que por sua vez será, retoricamente falando, um boca fogosa e vulcânica do grande útero que a deusa mãe é e, sobretudo, porque:
*Vulcona < Wulwauna
< Wulva-an, lit. a deusa da grande «vulva»!
Vulcan. = Smith of the Gods.
Vulcano < Vul-Kian > Vul-Ven > «vulva».
Obviamente que Vulcano constitui a forma latina degradada do esposo de Vénus, que por ser uma deusa primaveril teria sido um deus das estações do ano!
Então, Vulcano era uma mera variante do nome de Wer/Marte. Do mesmo modo se estranha que sendo Vulcano um deus dos infernos vulcânicos tenha tido a comandado um outro deus supremo dos infernos, Hades na Grécia e Plutão na tradição romana. A verdade é que tal que só aconteceu quando Vulcano/Hefesto foram relegados para as trabalhosas função de ferreiros militares.
 Como é sabido, o deus das “estações do ano” era uma entidade relacionada com a astrologia e com cultos solares, quase sempre de morte e ressurreição. A seu tempo se verificou que este deus, que deu nome à «Primavera, Verão e Inverno» era Ver / Vul.
Poma dat autumnus, formosa est messibus aestas,
ver praebet flores, igne levatur hiems.
«Inverno» < Lat. hi-bernu / Hi-ems (-mis, f.) < Χει-μώ-νας
«Verão» < Lat. veranu / aestas
Primavera < ver.
No entanto, Ver era uma deusa que presidia à Primavera e ao Verão a metade do ano em que a deus Core ficava neste mundo com sua mãe Deméter. Como Deméter era entre os romanos Ceres, suspeitamos que tenha havido grave erro de interpretactio porque deriva de Ker da mãe das Keres.
É mais um mito moderno dizer que “o nome Ceres provém de "ker", de raiz Indo-Europeia e que significa "crescer", também é a raiz das palavras "criar" e "incrementar".
Na verdade o termo Ker é cretense e existiu literalmente na Grécia como Ker e deriva de *Ker-tu a deusa cretense da Terra e do cume das montanhas.
Mas como Ver/Ker passava meio ano com o seu esposo Plutão no seio da terra deve ter dado a este o mesmo étimo ker/ver/vel/vul de Vulcão e Vertumno.
De facto, Ver-tumno terá sido Au-tumnus, o deus primordial de todos os deuses de morte e ressurreição solar. A raiz Au- de Au-tumnus pode ser encontrada em hi-bernu, nome alternativo de Hi-ems < Χει-μώ-νας onde se confirma que estaria relacionado com Xi/Ki, a terra mãe.
La palabra invierno proviene del español antiguo ivierno, y éste del latín vulgar hibernum, del latín tempus hibernum, tiempo invernal
A passagem portuguesa e espanhola de Iverno a Inverno deve ter-se feito por ressonância com inverno. Já os termos góticos de que deriva o inglês Winter podem ser mera corruptela pré romana de Hibernus quiçá a partir da fama invernosa que tinha a Hibernai Irlandesa, ilha dos hiperbóreos.
Winter = Old English, "fourth season of the year," from Proto-Germanic *wintruz (cf. Old Frisian, Dutch winter, Old Saxon, Old High German wintar, German winter, Danish and Swedish vinter, Gothic wintrus, Old Norse vetr "winter"), perhaps literally "the wet season," from PIE *wend-, from root *wed- (1) "water, wet" (see water (n.1); or from *wind- "white" (cf. Celtic vindo- "white").
Eng. Winter < Gothic wintrus < Witrun < Tiwern < Ki-Wer > Hibernia.
Neste caso, torna-se óbvio que Vertumno é um nome compósito a partir do nome de Ver. São vários os nomes de deuses latinos que partilham o prefixo Ver- ou similar:

Ver: MANES (***) & HORAS / ESTAÇÕES DO ANO (***)

Vul = Príncipe caldeo del aire, caracterizado por su bondad y previsión, señor de lo abundante y fecundo de la creación. Se representaba a este dios como un Rayo entre celajes. Formaba una tríada con Sim y Sam.
Voltumna = Kindness, good will, the Etruscan federation; = Vulturna = Goddess of the Etruscan confederation. Goddess of kindness and good will. Same as Volumna / Vulturnus - The Roman god of the East Wind, equal to the Greek Eurus. God of the Tiber. = aka Tiberinus. = Volumna = The Roman protective goddess of the nursery. / Volumnus,
Volutas < Voluptas > Volupia - "lust" Goddess of sexual pleasure. A Beautiful woman, enthroned with Virtue at her feet. Vulpicina = Goddess of childbirth.
Tiber-Inus < Ti(o)-Wer-anus, lit. “Sr. deus Ver, o deus do Verão!”
         > Lat. Tigre < Gr. Tígris <= Ti(o)-Ger.
*Ger seria Ver na forma de deus de toda a geração de Tanger às terras sumérias de dinger e às egípcias terras de netger.
Porém, este deus que não seria outro senão o deus da aurora do Kur, era o deus das águas doces de todos os rios particularmente de grandes rios como o Nilo, Níger, Tigre, etc. O deus Wer / Vul participou ainda na criação de deuses como:
Voluptas < Vul-Ophit ? < Wer-Ki-ki + Ana > Vul-Phi-Kina > Vul-picina.
Vortumnos > *Voltu-Minus > Voltumnus.
Volutina = Protects the sheaves = Volutrina.
Wer- > Ver-tumnus < Wertuminus < *Kertu-Minus
                                                          > Verminus
Vor > Vol- > Vol-tumnus < *Voltu <= Kur-ish => *Kertu.
                                                          > Volumnus.
Vur > Vul > Vul-turnus < *Voltu-Uran > Volutrina > Volutina.
Quer tudo isto dizer que a par de Ver teria existido o deus *Vertu / *Voltu > Virtu, esposo da deusa Mãe das cobras cretenses, *Kertu, o «verde» e glauco deus, homólogo de Osíris, Sr. da «virtude» e da morte e ressurreição das «voltas» anuais primaveris. Sendo assim, e partindo do pressuposto corrigido de que o nome nuclear seria *Voltu / *Kertu e não Ver os deuses encriptados no nome de Vertumno seriam Minos e Urano:
Vertu-mnus ó *Vol(t)u-Minus ó *Vultu-(U)r(a)nus.
Contudo,
Terminus = Very old and important deity; his festival, the Terminalia, was in February; landowners sacrificed at the boundary stones of their property.
*Kertu-Min = Kar-Min-tu ó Verminus
                                                 > Tar-Minu = Minu-tar > Minotauro!
Hermes = Hermon < *Kermin > Terminus.
Esta equação etimológica permite confirmar que o Minotauro, tal como Sarpedon, era um deus cretense de morte e ressureição solar. Hermes Hermon, tal como o latino Tormes ou Termino seria o reliquat na cultura grega deste nome já que quase nada restava dos arcaicos e cruentos “ritos de passagem” que acompanhariam o culto deste deus no período áureo de Creta. Do mesmo modo, Vertumno teria sido outro deus deste tipo.

Ver: ATIS (***) & HERMES PROPILEU (***)


[1] Restauro cibernético do autor.

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