domingo, 8 de setembro de 2013

HETERÓNIMOS DE ATENA IV - ATENA PALAS, A DEUSA MÃE DA TALASSOCRASSIA CRETENSE, por arturjotaef.

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The war goddess of the ancient Greeks was Athena often called Pallas Athena, or simply Pallas. The Romans identified her as Minerva and ranked her third among their gods, after Jupiter and Juno. Athena was also worshiped as the goddess of wisdom and of crafts, especially spinning and weaving.(...)[1]

Is so familiar a title of the goddess from Homer onwards that this second name seems to acquire more than the quality of an epithet. The one is as much her name as the other .[2]

Afinal o nome próprio da padroeira de Atenas era Atena ou Palas? Mais adiante se verá a propósito do nome dos deuses do fogo, particularmente em relação ao fogo do céu dos astros nocturnos como a lua, que Atena / Anat foi um dos nomes mais arcaicos e originais da Deusa mãe enquanto deusa do fogo do céu! Sendo assim é mais que provável que Palas tenha sido um dos epítetos desta Virgem Mãe que seria aliás, o correlativo feminino do nome de Apolo reforçando assim a suspeita de que Atena seria uma mera variante Jónica de Artemisa!

A possibilidade de ter havido um casal original de irmãos gémeos Palas & Palos (= Artemisa & Apolo) obtém o contraponto da mitologia latina no nome dos deuses Pales.

Figura 1: Palas Atena.

Pales era uma divindade da mitologia romana relacionada com a vida pastoril. Em algumas fontes, como em Ovídio e em Virgílio, a divindade é apresentada como feminina, enquanto que outras fontes se referem a Pales como uma divindade masculina. Desconhece-se igualmente se Pales seria apenas uma divindade ou duas.

As ambiguidades dos autores latinos clássicos explicam-se pelo facto de Roma ter sido durante muito tempo uma república que possivelmente terá descurado os cultos tradicionais de tipo aristocrático.

The major competing tradition regarding Athena's parentage involves some of her more mysterious epithets: Pallas, as in Ancient Greek Παλλάς Άθήνη (also Pallantias) and Tritogeneia (also Trito, Tritonis, Tritoneia, Tritogenes). A separate entity named Pallas is invoked — whether Athena's father, sister, foster-sister, companion, or opponent in battle. In every case, Athena kills Pallas, accidentally, and thereby gains the name for herself. (…) On this topic, Walter Burkert says "she is the Pallas of Athens, Pallas Athenaie, just as Hera of Argos is Here Argeie. For the Athenians, Burkert notes, Athena was simply "the Goddess", he thea, certainly an ancient title.

No entanto, no caso específico das ambiguidades relativas ao sexo da deusa Pales seriam idênticas às relativas às deusas másculas helenistas, Atena e Artemisa.

O festival dedicado a Pales decorria no dia 21 de Abril e recebia o nome de Parilia (ou Palilia). Neste dia os pastores faziam fogueiras de restolho e espinhos sobre as quais saltavam. Pediam também perdão pelos seus animais terem penetrado em locais considerados como sagrados. A tradição romana viria a identificar o dia 21 de Abril como o da fundação de Roma por Rómulo. Outro festival dedicado à divindade tinha lugar no dia 7 de Julho; este festival parece ter sido dedicado Pales enquanto duas divindades (Palibus duobus).

Se alguns autores associam o nome desta divindade ao nome dos falos é porque a fonética parece óbvia como também a mítica pastoril subjacente ao deus Fauno e Pan.

Negli ultimi anni l'archeologo Andrea Carandini ha avanzato l'ipotesi che Falacer sia la divinità patrona del Cermalus (un'altura del Palatino), insieme alla dea Pales. La coppia divina sarebbe apparsa nel patrimonio mitico locale al tempo della formazione dei primi insediamenti protourbani, all'incirca nella prima età del ferro (intorno al 900 a.C.). Nella corrispondenza tra linea temporale archeologica e saga romana operata da Carandini, il momento corrisponde a quando Numitore genera Rea Silvia.[6] Secondo Carandini, Falacer sarebbe stato semplicemente il corrispettivo maschile della dea Pales, entrambi in origine patroni della palizzata che avrebbe circondato l'insediamento (pagus) sul Cermalus, per difendere il bestiame e gli abitanti dalle minacce esterne (incursioni di lupi e di nemici, rappresentati dal dio Fauno nel complesso mitico della Roma arcaica). Il nome di Falacer sarebbe accostabile alla falisca, un tipo di asta bellica, analogamente ad altri casi (Quirinus alla curis e Pilumnus al pilum), e che forse era un suo attributo.

Pal-es < Phal-es > Fale + Cer(-malus) => Falacer.

                                                             < Kermalus > Caramulo ó Hermes.

 

PELE

Mais intrigante, interessante também, neste mito é o facto de uma deidade com estas mesmas qualidades, de deusa da terra e do fogo como Vesta, ter chegado aos antípodas do mediterrânico, muito para além do extremo do mundo conhecido pelos antigos onde foi adorada como Pele pelo povo do Havai, ou seja, após uma longuíssima viagem de quase circum-navegação Pale transformou-se em Pele ao aportar às ilhas do paraíso perdido do pacífico!

Ora, quase seguramente que esta entidade era já a deformação da deusa grega da morte violenta que foi Ker, de que derivou Kali, Cer, Hera, Tellus, Talia, etc.

Já menos intrigante é verificar que deidades de morte como Ker pudessem ter uma face simpática de deidade pastoril e primaveril uma vez que é próprio das deusas mães primordiais serem simultaneamente divindades do parto da aurora solar e do enterro do sol-posto! Uma prova adicional de que estamos no mesmo campo semântico dos nomes da Deusa Mãe, da vida e da morte, encontramo-la num pequeno mito de aparente importância secundária.

Pálicos. Seduzida por Zeus, a ninfa Tália logo passou a carregar dois filhos no seio. Temendo os efeitos do ciúme terrível de Hera, ela pediu ao amante que a escondesse nas entranhas da terra. Zeus satisfez-lhe o pedido. Pouco depois, não longe de Palica, dois gémeos saíram do solo da Sicília. Foram logo colocados entre o número dos deuses infernais. Em honra destes Pálicos, os Gregos construíram um templo junto a um pequeno lago vulcânico de iguais sulfurosas e a ferver, que passava por ter servido de berço aos gémeos divinos.

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Figura 2: Interpretação moderna da deusa Pele.

Este mito sugere o aparecimento de dois montes vulcânicos gémeos, considerados sacrossantos pelos povos arcaicos, de que o lago vulcânico de Palica seria o remanescente geológico. A verdade é que estamos no campo da realidade magmática da Deusa Mãe que foi sugerida na relação de Talos com o vulcanismo de Santorini, com a relação de Kali com o fogo e obviamente dom a realidade vulcânica e telúrica de Pele adorada na cratera Halemaumau do Kilauea, o maior vulcão do Havai.

Kilauea < Kirão(?)-Eia, lit. «a grande montanha de Eos / Geia» > | Phil > Pele-| Awaia, lit. «Pele do Hawai» ou Palas, a Aqueia (???). O estranhíssimo destas equações virtuais reside no facto de quase se poder demonstrar que o Havai foi outrora colonizado por povos oriundos do mar Egeu, seguramente nos tempos áureos da talassocracia cretense.

Halemaumau < Hare-(momo forma plural º mesh) > Hermes.

 

Ver: TALOS (***)

 

Ainda que seja inegável uma relação arcaica entre a mitologia dos falos e este tipo de deidades a verdade é que o exibicionismo da pujança da sexualidade deixou de ser, entre os gregos, tão juvenil quanto isso e passou a fazer parte do culto do varonil do barbudo Hermes, seguramente um irmão gémeo de Apolo, do mesmo modo que, ainda de forma mais paradoxal, deixou de andar relacionada com a super casta (e quase lésbica!) Artemisa ou mesmo da sempre virgem Atena, precisamente porque passou a fazer parte, quase que exclusivamente, dos cultos da amorosa Afrodite e da devassa Eos!

Pallax, akos = youth, below the age of an ephêbos: fem. girl-- ·  also pallêx. [3]

No entanto os exegetas destes assuntos ainda se conseguem espantar com as relações etimológicas pouco limpas entre este virginal epíteto de Atena e a concupiscência de termos congéneres estrangeiros!

(...) Pallas is generally referred to an ancient Greek word meaning "maiden" or "youth." The Latin word pellex and the Hebrew word pallesh/pillegesh, both meaning "young girl or concubine," would appear to trace to the same root. Since Hebrew seems to have borrowed its term for "concubine" from some other language family (= pileges // < Gr. pallax, > Lat. pellex), the possibility of a congeneric assimilation of the Assyrian term with the term asherah should not altogether be ruled out of court.[4]

Esta relação de Atena com Ashera vamos encontra-la no epíteto de Athena Zôstêria (= a «Trave» mestra) < Ki-Ashteria, lit. «a árvore das ashas da fogueiras de Ki (> Engl. ash tree???) < Ki-Ish-Tar => Ishtar-ki => tarwe > «Trave», feita do hullupo de Inana, a deusa dos troncos da «árvore da vida»!

Palla, hê, ball (sphaira ek poikilôn namatôn (fort. nêmatôn) pepoiêmenê Hsch.), read by Dionysodorus for sphaira in Hom. Od. 6.115. -- [5]

«Bola» < «bala» < Kalla (Kali ou Gala) > Phalla > Palla > «pela»!

 

ATENA PHILE

Pallas < Pallias < Pharia < Kaurias > Phorias > Pollias = "Another name for Pallas Atenas".

Atena era também Phile, quiçá por ser muito amada e adorada, mas sobretudo por ser um nome que é uma nítida reminiscência de Phi-El, variante de Kafura, o arcaico deus ofídio do Sol, do fogo e do amor!

Atena File, de tanto ser amiga do pai acabou sendo a filha de todas as filhas, pelo menos ao ser trazida para a língua latina.

De resto, Kur < Kaur > Koré

                                 > Kyre > Phile > Hawaian. Pele.

«Filho» < Lat. filiu < *File-u

Por outro lado, de Phile a Pallas e a Pele vai um curto espaço semântico e assim, com um golpe de lógica mítica, de ofídio e pescadinha de rabo na boca, se fecha o círculo de da deusa das cobras cretense que foi Pallas Atena!

Assim sendo, quando Atenas, cidade já habitada 3.000 anos a. C. e de que a deusa Pallas era patrona, se viu obrigada a defender-se da selvajaria dos dórios não chegou a ter que dar o elmo de guerreira a esta deusa que já o tinha da deusa mãe!

Se foi associada a uma congénere mais aguerrida e cujo nome derivaria de At kina < At Ki An = deus da terra dos hititas ou deusa do poder da terra foi por mera estratégia geopolítica relacionada coma a guerra de Tróia e com o ascendente das colónias jónicas asiáticas.

 

Ver: HELIOS SKOTAIOS / HECATEBOLOS

(**) & HULUPPU DE INANA (***)

 

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Figura 3: Uma Deusa Mãe das cobras cretense.

Deusa das Serpentes é o nome dado a estatueteas de uma mulher segurando uma serpente em cada mão encontradas nas escavações de sítios arqueológicos minóicos em Creta, de cerca de 1600 a. C., embora não se conheça sua identidade, nem se tenha certeza de que se trata de uma deusa ou de uma sacerdotisa. A primeira, em faiança, foi descoberta pelo arqueólogo britânico Arthur Evans em 1903.

Supõe-se que a estreita conexão da serpente com a casa minoana indica que essas figuras representam uma deusa doméstica. A função dessas estatuetas não é clara, mas os seios grandes e expostos sugerem que se trata de uma figura ligada à fertilidade. A serpente é frequentemente associada com a renovação da vida por trocar periodicamente de pele. Alguns mitólogos especulam que essa deusa seja Ariadne, pois esse nome significa "a mais sagrada".

A Ariadne do mito grego seria a deusa reduzida pela lenda a uma heroína folclórica.

Outras deusas associadas explicitamente a cobras são as deusas serpentes egípcias Renutet (frequentemente representada como uma cascavel), Meretseger e Wadjet, esta associada com o santuário de Buto, no Baixo Egipto.

Re-nutet < Er-nutet < Ar(i)-Neit ó Ari-Aten

= Atena Areja < Ari-Aten Ariadne.

B-uto < Wadj-et < Bés + Anu > Besanu > Vishnu.

Os autores que especulam que a deusa mãe das cobras cretenses seria Ariadne estão no bom caminho da etimologia porque esta via permite relacionar esta deusa com a equivalente egípcia Renutet. Sendo Ariadne esposa ou mãe de Dionísio aceita-se que esta tenha acabado por ser Ísis. Por outro lado, esta mítica permite compreender que a relação de Dioníso com o Egipto seria por meio de Vishnu, o deus das cobras, filho de Wadjet, que como Meretseger seriam nomes alternativo da deusa mãe das cobras.

 

Ver: ARIADNE (***)

A relação entre a «bola» e o disco solar é óbvia e também continua a sê-lo com o disco lunar.

No entanto a rotundidade da mulher grávida está fora do contexto de Palas Atena o que poderia indiciar que esta conotação estaria totalmente fora do contexto da esfericidade. Porém, sphaira / Ishtar, a rainha do céu e, por isso mesmo, a grande «esfera» celeste que é a “branca lua-cheia” ! Ora bem, no campo da etimologia é inevitável esta constante tentação de cair no preconceito de julgar que antes do grego e do latim não existiram línguas nem culturas suficientemente desenvolvidas e importantes que justificassem a origem etimológica das línguas clássicas quando, afinal, a hegemonia do helenismo não vai além do primeiro século a. de C. e o início da cultura clássica não remonta alem da segunda metade do último milénio a. de C. Se as pileges dos hebreus foram importadas em «fragatas» e transportadas para a casa dos senhores em «pilecas» (< Hebr. pileges???), seguramente que poderiam ter sido vendidas por agentes intermediários «filisteus».

Sphaira < Saphira < Ashkura ó Ishtar.

Filisteus < fileshetu < *phileshet + -eu > Egpt. Peleset, com que aliás este nome se aparenta.

«Pelágios» < Pher-aski < *Kur-ash-Ki, lit. “a terra do *Caraças” (o rei dos infernos do Kur que foi Iscur) => peleshet.

E então já nem se estranha que durante tanto tempo se tenha ignorado que Golias (< Gr. Kouros) foi um vulgar guerreiro cretense, miticamente transformado em gigante pela lenda depois de ter sido abatido por um jovem semita que era Davide mas que, por causa deste feito, afinal de valor mais simbólico do que real, veio a ser um dos grandes reis de Israel! Ora bem, não eram os gregos da afamada etimologia clássica que pensavam que os antigos e arcaicos habitantes da Grécia tinham sido os «pelágios» / peleshet?

Ora bem, o importante para a linha relativa à etimologia dos nomes da deusa Atena é verificar que tanto os cretenses como os filisteus tinham na etimologia do seu nome o conceito da Deusa Mãe, *Kaki-Kur, de que deriva o nome de Afrodite.

Se outra vantagem não existira pelo menos ficávamos deste modo a saber que afinal a deusa do Amor era natural de Creta, e não de África ou da Fenícia como a tradição supõe, e foi de facto uma deusa das cobras adoradas nos palácios labirínticos dos cretenses. Ora, pode ter sido a sensação de desespero e abandono relativo aos trágicos acontecimentos naturais do século XVIII a. C. que terão provocado primeiro as invasões micénicas e depois dóricas, que terá feito com que os filisteus e possivelmente seus irmãos israelitas se tornassem fanáticos paternalistas misóginos!

De qualquer modo:

Pileges[6] // Lat. pellex < Gr. pallax < Palla-ash < *Kar-la Kaki, «filha da mulher de Kar, o rei-sol, ou seja, a princesa» > pallakis [a^], idos, hê, = «concubina».

Pripelaga, a female earth divinity cognate with Themis, Cybele, Rhea and Demeter, and believed to be the Mother of humanity. In the Slavic mythology, the deity is often referred to as too much involved in the sensory pleasures of the Oak Tree.

Pripelaga < Phry-Pela-Ka < Kur-Kera-ka < *Kurkuraka

                  > Ka-Phry-Pela < *Kaphur-Phera, lit. «a que transporta o deus menino, a cobra solar» º Afrodite.

Não será isto uma tão foneticamente espantosa quão semiologicamente miraculosa coincidência étmica??? Porém, mais espantosa ainda é a correlação étmica entre Palas Atena e o palladion.

«Paladino» < Fr. ant. paladin, lit. palatinos ou “cortesãos do palácio”, cada um dos principais cavaleiros que acompanhavam Carlos Magno nas suas campanhas militares < Lat. palatinu < Pala-Thiana > Pale Diana = Palas (Atena) > Pajas > pagens < Puja > (< Giulia > «Julia»).

 

Seguir para: PALADION (***)

 

O NASCIMENTO DE PALAS ATENA.

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Figura 1: Nascimento de Atena na forma de palladion.

The mythology of Athena, Velikovsky maintained, commemorated spectacular events involving the planet Venus -- or, to be more specific, the protoplanet Venus whilst undergoing a comet-like phase. And, in fact, the oldest extant account of Athena's epiphany as a war-goddess, that found in the Iliad, presents the goddess as a comet-like body shooting across the heavens: "Like a blazing star which the lord of heaven shoots forth, bright and scattering sparks all around, to be a portent for sailors or for some great army of men, so Pallas Athena shot down to earth and leapt into the throng." This passage, of course, has long been the subject of scholarly debate and was duly emphasized by Velikovsky. Unbeknownst to Velikovsky, however, was the fact that other traditions surrounding Athena present a similar picture of the goddess. Athena's intimate association with the Palladium (the diminutive of Pallas), for example, has long drawn the attention of scholars, the latter object being described as a meteor-like object which fell (or was thrown) from heaven. This tradition brings to mind Athena's intimate relation to (and probable identification with) Zeus' thunderbolt -- the latter object being described as a fiery, serpentine-formed body thrown from heaven. Such traditions suggest that Homer's choice of imagery with regards to the goddess' spectacular epiphany was truly inspired. -- TOWARDS A SCIENCE OF MYTHOLOGY: VELIKOVSKY'S CONTRIBUTION, By: Ev Cochrane “also a goddess of crafts and of wisdom. This is symbolized by the myth of her birth: in one version she is said to have sprung, full-grown, from the head of Zeus; in another (in Hesiod), she is the daughter of Zeus and the Titaness Metis, «Good Counsel».'

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O nascimento forçado de Atena da cabeça do deus do céu pode ser uma mera alegoria da aurora mas também um recurso operático do tipo deus ex maquina para o mistério da auto-criação desta deusa mãe primordial e arcaica dos tempos matriarcais da época dos caçadores recolectores.

The epithet Tritogeneia meant that Athena was thrice-born – for she belonged originally to the group of antique self-born goddesses – but, in the course of time, when her savage adorers reached the stage of development in which the matriarchal family was constituted, she was endowed with a mother, who bore different names, according to the people who worshipped Athena -- Paul Lafargue

Algum tempo depois, Zeus foi acometido de violentíssima dor de cabeça e rogou a Hefesto que lhe fendesse a cabeça com o machado. Mal recebeu o golpe de machado, saiu-lhe do cérebro, armada de todas as suas peças, a filha Atena, nova encarnação da sabedoria divina.

Assim a dor de cabeça de Zeus mais do que «dor de parto», que sempre seria impróprio mesmo para quem emprenha pelos ouvidos duma profecia indiscreta, seria a típica enxaqueca que se segue a uma olímpica ressaca de cerveja! Quanto à história mais sarcástica do que drástica de Zeus ter pedido a Hefesto para lhe partir a cabeça só prova o que as mulheres sabiam há muito: Que os homens são medricas por natureza e que a sua a heroicidade encobre mal a incapacidade para suportarem as dores de parto. Ora, como nos tempos arcaicos a dor dum dente se curava arrancando-o, e como «similia similibus curantur» uma dor de cabeça curava-se...partindo-a, metaforicamente claro! Só que as metáforas míticas costumavam ser tão literais quanto infantis a menos que estejamos perante um mito fundador da trepanação que os arqueólogos teimam encontrar como prática médica mais arcaica do que a sangria!

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Quase seguramente que a maioria dos factos que servem de prova resultam de golpes perfurantes com armas de arremesso em acidentes de caça ou de premeditados homicídios à paulada ou à calhoada! No entanto, não esta fora do domínio do plausível que trepanações empíricas feitas com a intenção mágica de tomar a à letra a metáfora de retirar “cefaleias” abrindo a cabeça à força de cacetadas tenha salvo a vida em alguns casos de hematomas traumáticos ou de hemorragias hipertensivas! No entanto o preço pago pela humanidade por esta descoberta precoce de neurocirurgia resultou numa infinidade de trepanações mal feitas e/ou complicadas e/ou sem indicação, como aconteceu em todos os casos de epilepsia que assim eram tratados na idade média!

 

Ver: TEMIS (***)

 

When Zeus swallowed his wife Metis she had been about to give birth to a child. Shortly afterwards Zeus was tortured by an intolerable headache. To cure him Hephaestus - split open his skull with a bronze axe and from the gaping wound, shouting a triumphant cry of victory, sprang Athena - fully armed and brandishing a sharp javelin. At the sight, all the Immortals were struck with astonishment and filled with awe. Great Olympus was profoundly shaken by the dash and impetuosity of the bright-eyed Goddess. The earth echoed with a terrible sound, the sea trembled and its dark waves rose…

In Crete they said that the Goddess had been hidden in a cloud and that it was by striking this cloud with his head that Zeus had caused Athena to emerge. The event was supposed to have taken place near Cnossus beside a stream, the Triton: whence the epithet Tritogeneia (born of Triton) often given to Athena. It was also explained by making her the daughter of Poseidon and of Lake Tritonis.

Finally some said that Athena's father was the giant Pallas whom she had killed because he wished to ravish her. But these various relationships were dubious and it was generally agreed that Athena was the daughter of Zeus, engendered by the God himself.

This birth, in which she had played no part, infuriated Hera who, in reprisal, gave unassisted birth to the monster Typhon.

Athena was Zeus' favorite child. His preference for her was marked and his indulgence towards her so extreme that it aroused the jealousy of the other Gods.

You has fathered, says Ares to Zeus, a rash and foolish daughter who delights only in guilty acts. All the other Gods who live on Olympus obey you and each of us submits to your will. But she, to you never curbs neither by word nor deed; she does as she pleases. -- [7]

Na mesma linha de delírios retóricos em que tal experiência só poderia ser imaginada tão impossível quanto dolorosa, Zeus só poderia voltar a conceber Atena em pensamento, ou seja, pela cabeça, o que correspondia a uma mais do que obvia metáfora, aliás convenientemente alegórica para a uma «deusa da sabedoria»!

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Figura 2: Esta actual representação livre e naíve de Atena Partenos, a virgem Mãe, tem a particularidade de expressar bem a candura dos sentimentos maternais populares que deveriam ser comuns no culto democrático dos atenienses.

Pindar authenticates another vivid but unclassical and rather archaic feature of the mythologem, i.e., Hephaestus “help at the birth, which he effected through a blow to the head of Zeus with his crescent-moon ax. Whereupon," Athena sprang from the skull of Zeus with an earth-shattering battle-cry, so that the heavens and the mother earth shook. "The poet of the 28th Homeric Hymn, using the same poetic style, seeks to give the complete account. Present in his description, too, are the epithets associated with Metis. In this epiphany, however, the other martial aspect of Athena comes more clearly to the fore: she is born from the sacred head, clad in armor of resplendent gold; all the Gods are awed by her appearance as she leaps before aegis-bearing Zeus from his immortal head, brandishing the sharp-pointed spear; great Olympus quakes under the force of the owl-eyed Goddess;

the earth all about resounds deeply and the sea heaves in an uproar of dark-colored waves, the ocean's tides burst over the shores, and for a long while, until Pallas Athena finally removes the divine armor from her shoulders, Hyperion's heavenly son allows the sun's horses to stand still. In conclusion the poet of the Hymn once more alludes to the Metis aspect, when he adds: "And Zeus the God replete with wise counsel, rejoiced." -- [8]

Claro que Atenas poderia ter sido filha de Zeus e de uma das muitas Deusas Mães primordiais pois não era muito comum que a mitologia se afastasse muito do senso comum. E tanto é assim que é Métis, lit. «A filha da mãe», a que foi a mãe legítima de Atena, lit. «a Lua, filha do céu», porque teria que ser esta a mais adequada figura de retórica da poética mítica uma vez que:

Métis < Met-ish = Ma-at, a deusa da Verdade, no Egipto.

<= Ma-ish, lit. «A filha da mãe» > celt. Macha < Hind. Makaki Devi.

Ora, não será por acaso que, pelo menos Maat e Atena tiveram papéis funcionais relacionados com a cultura da verdade ou seja, com a sabedoria!

Quando absurdos destes acontecem é evidente que estamos em presença de artifícios estilísticos com que os poetas resolviam as incoerências e que resultavam dos erros naturais e inevitáveis na transmição oral da tradição mítica. No caso do nascimento de Atena temos aliás uma repetição do artifício estilístico que está na base do mito de Prometeu.

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Figura 3: O nascimento de Atena do museu do Louvre ou o triunfo da infância genial do desenho como fascínio da terna caligrafia escolar que é toda a iconografia do senso comum enquanto representação ideológica do poder da fantasia. [9]

O absurdo deste divino parto forçado pela cabeça do pai constitui de tal forma um delírio patriarcal que encobre quase seguramente a impossibilidade de poder mistura na mesma entidade Hefesto, Zeus e Poseidon que já se encontravam na época clássica excessivamente individualizados e autónomos! Ora, Hefesto enquanto arcaico deus do fogo que Zeus também era pode ser correlacionado com Poseidon por intermédio de Enki, também este deus das artes e ofícios da forja e não só! O certo é que se assim fosse, Eritónio / Tritão seria o mesmo deus menino que Atena carinhosamente transporta ao colo nas suas representações mais populares.

Eritónio < Eritónio < *Kur-ish-Kanu, lit. « Kurisko, o filho de Enki > Teritonio > Tritónio.

Ora, este menino alado não é senão um dos erotes o que reforça a ideia de que Zeus, que foi inicialmente Enki, emprenhava as filhas todas transformando-as deste modo em Deusas Mães pelo que a virgindade de Atenas é tão suspeita e plausível como a da Virgem Mães de Deus, que na linha desta mesma tradição incestuosa, também emprenhou pelos ouvidos do Pai da divina sabedoria que era Enki!

 

Ver: TETIS (***)

 

 



[1]Excerpted from Compton's Interactive Encyclopedia. Copyright (c) 1994, 1995 Compton's NewMedia, Inc. All Rights Reserved

[2] THE BAAL (AND THE ASHERAH?) IN SEVENTH-CENTURY JUDAH, Baruch Halpern - York University, Toronto

[3] Liddell-Scott-Jones Lexicon of Classical Greek.

[4] THE BAAL (AND THE ASHERAH?) IN SEVENTH-CENTURY JUDAH, Baruch Halpern - York University, Toronto

[5] Liddell-Scott-Jones Lexicon of Classical Greek.

[6] => «pileca» = • s. f. cavalgadura pequena, ordinária.

[7] Athena, Virgin and Mother in Greek Religion (1952) Karl Kerenyi

[8] idem.

[9] Restauro cibernético do autor.

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